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História Grand Chase - A Jornada - Capítulo 76


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Notas do Autor


VCS VÃO ENTENDER A DEMORA SE VIREM A CONTAGEM DE PALAVRAS!!!
fora que deu tudo errado em fevereiro né gente em março tbm, mas agora a situação ta melhorando.
SIM JÁ ME MUDEI.

Sobre esse cap tive que cortar ou eu ia demorar MUITO mais pra postar.

fiquem com o pré batalha da Grand Chase.

Capítulo 76 - Preparações - Caxias, Uno e Terceira Pessoa


TORRE DAS ILUSÕES

 

 

— Escutem os dois. — Caxias chamou os dois assistentes com as mãos — Eu tenho uma tarefa para vocês.

— Uma tarefa? — Drall questionou confuso, Caxias estava quieto desde a visita da Grand Chase, ele estava claramente ansioso com a batalha final — Eles precisam da gente de novo?

— Não. — Caxias sorriu para Drall, uma tristeza não condizente com o momento colorindo os olhos do Elfo — Meus queridos eu temo que talvez não retorne por muito tempo depois da batalha que estar por vir.

— Vai viajar entre as dimensões de novo? — Vairne perguntou preocupado, mesmo com a bíblia como guia era muito arriscado — Senhor...

— Eu não vou! — Caxias assegurou fazendo movimentos de recusa com os braços, ele respirou fundo — É apenas para eu resolver uma pendencia minha, vou cuidar disso e voltar antes que vocês percebam.

— O que temos que fazer? — Drall pergunta ainda desconfiado.

— Essa orbe. — Caxias puxa uma esfera do tamanho de uma mão, a cor branca dela é fosca o bastante para ocultar o interior — Nela tem a minha ilusão para Alethia, Dio e Sieghart, quando chegar a hora caso eu ainda não tenha voltado está nas mãos de vocês.

— Mas senhor...

— Até eu voltar, Vairne, você é o mestre da Torre. — Caxias decreta sem se deixar interromper pelos dois, um nó se forma na garganta do Elfo, mas ele engole e continua seu discurso — Você e Drall devem ajudar na batalha da resistência, mas mantenha um olho aqui ok? Lembrem que essa torre foi criada para monitorar buracos entre as dimensões e o próprio tempo entenderam? Não esqueçam que nós enviamos as localizações dos portais para os Highlanders, não negligenciem esse trabalho em prol das lutas, Lothos está começando a reconstruir a guilda eles vão precisar disso.

— Por quanto tempo o senhor vai ficar fora? — Drall teme a resposta, mas ainda assim faz a maldita pergunta.

Caxias olha para eles, aquelas duas crianças que ele criou com a ajuda do criador para não ficar sozinho, suas alegrias durante a eternidade, seus orgulhos, seus assistentes...

Seus filhos.

Caxias abre um sorriso fragmentado de tristeza e medo e diz as três palavras que nenhum deles queria ouvir.

— Eu não sei

Drall chega a ele primeiro, um abraço apertado seguido de lágrimas grossas fazem Caxias desabar de vez e chorar com o filho, Vairne se junta a eles, muito mais discreto e silencioso.

— Pai. — Vairne chama em voz baixa, nenhum dos dois o chama de pai desde que eram crianças, Caxias aperta mais o filho mais velho soltando uma fungada alta — O senhor vai voltar?

— É claro que eu vou! Eu não deixaria vocês por nada!

Nem por ele.

 

MANSÃO WILD

QUARTO DAS GAROTAS

 

Elas dormem todas no mesmo quarto, os nervos não permitem outra coisa, a exibição de poder de Alethia as arrepia e o que elas terão que fazer na manhã seguinte é pior ainda e garante uma noite insone.

Deitadas no chão do quarto enroladas em suas cobertas e em silencio esperando o sono as garotas acham conforto nas presenças uma das outras, elas estão juntas e tudo está bem.

O que paira em suas cabeças é a duvida do que acontece depois que deterem Baldinar, o que acontece com todos? O medo da separação da equipe também nubla seus pensamentos.

Uma a uma cada uma sucumbe ao cansaço.

 

QUARTO DOS GAROTOS

 

Eles dormem juntos sem nenhum motivo, os membros que viajam juntos acham mais fácil e confortável assim, um caído por cima do outro babando e chutando.

Zero e Lupus são os que ficam acordados sussurrando coisas um para o outro e rindo baixo, eles conversam sobre os lugares que Lupus já visitou em suas missões e Zero ensina onde ele tem que atirar em um Asmodiano.

Quando Lupus se rende ao sono Zero permanece acordado pensando, a energia que Alethia soltou era tão terrível quanto a de Grandark e o lembrou de certas coisas, vai ser uma noite longa de fato.

 

COZINHA

 

Ninguém fala um ai desde que chegaram ali, o peso da perda de Serre finalmente é sentida ao vivo, se o mago estivesse vivo ele teria feito chá e dito as palavras certas para aliviar o clima tenso.

Mas Serre está morto e eles tem que se contentar com as bebidas alcoólicas de Regis e a falta de palavras gentis.

É insano, como eles vão enfrentar Canalt sem Guardiana, Serre e Scarlet?

Não está certo.

— Vai ser divertido. — Alethia finalmente diz a primeira frase do ambiente em seguida da uma risada, debruçada sobre a mesa segurando uma caneca de vinho forte o bastante para derrubar um humano ela deveria parecer acabada, mas o fogo louco nos olhos não deixa essa ideia sequer tocar a mente de alguém — Ah, vai ser muito divertido, vocês não acham?

Qualquer outro grupo teria questionado se ela estava pensando direito, teria dito que os Von Crison são importantes, que ela não poderia fazer algo assim, mas eles sabem a resposta, ela já pensou em todos cenários possíveis, já traçou um plano e nada vai impedir de colocar em pratica.

— Beba. — Regis colocou uma caneca nova na frente dela e tirou a de vinho dela — Vai te ajudar.

— O que é isso? — ela cheirou o liquido e fez careta — Porra, derrubou uma garrafa de álcool puro aqui? O que tem aqui?

— Querida, você não vai querer saber.

Dando de ombros era vira a caneca de uma vez e bate na mesa com força, se inclinando pra frente quando o liquido arde na garganta ela pisca três vezes antes de respirar fundo e cair de volta na cadeira com o rosto vermelho.

Os outros encararam Alethia esperando o veredito.

— Eu não sinto minha língua...Manda mais um.

Um suspiro aliviado e pedidos encheram a sala.

Regis respira aliviado começando a preparar as bebidas, seu plano deu certo. É melhor manter eles bêbados e relaxados, distraídos do ódio e da raiva, do que ter todos sóbrios querendo sangue. Anos de prática lidando com aquele pessoal vale a pena, eles podem não ter mais a liderança gentil de Serre, mas no que depender de Regis eles vão ficar bem.

Nem que Regis tenha que manter eles bêbados para o resto da vida

 

QUARTEL CENTRAL DOS HIGHLANDERS

 

UNO

 

Uno acorda com um coro de vozes sussurrando em seu ouvido, quando ele senta no quarto dos empregados e olha para os lados Uno percebe que as vozes estão unicamente em sua cabeça.

Ele deveria gritar por ajuda ou voltar a dormir, mas aquele coro parecia não querer fazer nada de mal, e ele ousaria dizer familiar.

Venha. Eles diziam na mente dele se afastando cada vez mais, Uno se levantou meio que em transe e seguiu aquelas vozes misteriosas, quando deu por si ele estava no quintal da propriedade, sem saber ao certo o motivo de estar ali ele continuou ouvindo com mais urgência os chamados de venha do coro misterioso.

Uno correu para fora da propriedade.

Ele nunca saiu da aldeia desde que chegou ali, ele não lembrava de onde vinha e só que tinha acordado nas ruínas tidas como amaldiçoadas e saído nu de uma poça de sangue e rosas.

Seguindo as vozes Uno chegou a floresta nebulosa que cercava a campina, a fronteira entre a aldeia e as ruínas era formada por arvores altas que viviam cheias de neblina e uma aura de mistério, ninguém se aprofundava muito na floresta, não havia animais nela e as pessoas preferiam deixar aquele local em paz para serem deixadas em paz.

Uno se embrenhou na floresta sem medo, sua mente dizia que ele estava seguro ali, o que era uma surpresa visto que todo seu instinto gritava que ele não estava seguro na aldeia.

Talvez ele tivesse ficado louco.

Demora dez minutos de uma corrida louca por uma trilha Uno nem sabia que existia para ele sair na frente dos muros altos de pedra coberto de limo e do portão dourado capenga.

Uno ouve vozes e seu corpo salta para trás de uma das arvores sem nem perceber, as vozes se agitam em uma sinfonia de “ladrões, ladrões, ladrões” e ele se esforça para não fazer um barulho de dor de cabeça.

Um grupo de homens carregando uma caixa sai pelo portão, Uno reconhece todos eles da aldeia e o pai de Reyna segurando uma algumas espadas enroladas em um pano branco, os homens riem e brincam entre si, eles param a poucos passos do portão esperando.

Gill deixa as espadas que carregava dentro da caixa, Uno repara que haviam algumas peças aleatórias desde armas até joias ai dentro, Gill usa o pano para cobrir a caixa e volta para fechar o portão dourado com um cadeado tirado do bolso.

— Achei que não precisaríamos tirar algo tão cedo, aquele cara de Arquimídia pagou um preço bom pelo último lote. — um dos homens disse esticando a coluna — Temos sorte de ter tantas coisas ai dentro.

— Nossa própria fonte de ouro. — Gill riu de bom humor — Vamos levar essas coisas para o porto, o navio vai chegar em breve.

— Precisamos resolver tudo antes do ritual noturno.

— Sim, quem vai ser o sacrifício dessa vez?

— Eu ainda não sei. — Gill respondeu aos homens, Uno notou como ele ficou tenso — Vamos!

Quando eles se afastam Uno escala o muro e cai dentro do terreno das ruinas, ele caminha pela trilha de pedras no meio do gramado olhando para os lados desconfiado, poucos metros a frente uma escada de pedras se mostra e Uno as crateras do local se perguntando o que conseguiu destruir coisa tão forte e magnifica.

Uno sobe as escadas e sai no topo de uma colina, essa colina rodeia um amplo pedaço de terra formando um semicírculo e no topo da escadaria duas coisas que deveriam ter sido torres de vigia estão destruídas, na frente de Uno uma escada desce para o meio do vale direto para o local onde ele nasceu.

Olhando de cima ele pode ver todo local, era praticamente uma cidade enfiada no meio de morros, com exceção das partes planas onde era possível ver o mar, Uno reparou que a terra foi queimada em vários locais e muitas crateras abertas, mas uma coisa parece nova, a pedra triangular no espaço aberto na frente do que ele adivinhou ter sido o porto.

Ele caminhou pela trilha de pedras brancas que tinha no topo da colina para chegar mais perto do porto destruído, conforme ele andava encontrava mais construções acabadas e vestígios de batalha, Uno finalmente chegou ao fim da colina e olhou para baixo, ali havia um trecho de praia com docas e cais, os navios tinham buracos e mastros quebrados.

Uno desceu pela trilha da colina impressionado com tudo, ele não explorou as ruinas da última vez.

Aquela praia era obviamente usada para comercio e para guardar os navios, Uno contou pelo menos seis embarcações, ou o que restaram delas, ancoradas alguns metros da praia e dois pequenos barcos encalhados na praia.

Ele se afastou da praia, areia branca e fina que fez cocegas nele, e chegou a parte plana da pequena cidade, seguindo até o monumento pontiagudo que ele viu do alto Uno se sentia estranhamente bem, mesmo com todo caos em volta ele estava em paz.

Quando ele chegou ao obelisco preto e pontudo o clima esfriou, a pedra emanava uma luz suave quase que divina, Uno se aproximou para ver o que estava escrito na pedra. Ele demorou meio segundo para entender que eram patentes com nomes, cada uma escrita em tinta vermelha e com três caligrafias diferentes, Uno percebeu que era um memorial para os prováveis habitantes do lugar.

Nos achou as vozes sussurraram quase com alivio, Uno deu um pulo de susto e só então notou a placa colocada ao lado do monumento, ele se aproximou e viu palavras escritas em uma língua diferente, mas ele ainda conseguiu entender.

Aos que partiram e aos que ficam tudo que resta é seguir em frente, nossos irmãos caídos irão continuar sua imortalidade em nossas memorias e em nossos corações. Sempre e Para Sempre.

Uno decide descobrir o que está acontecendo.

Ele vaga pela ilha inteira achando vestígios aleatórios, postos médicos espalhados, um templo enorme para vários Deuses, a vila onde ele arranjou as roupas quando nasceu é uma surpresa agradável, ele entra em cada construção e descobre que cada lugar era voltado para um Deus também, existem ruinas de um campo de treinamento, uma torre isolada no topo de um morro com um jardim aos fundos, um lugar que parecia ser um escritório e muitas pequenas praças e lagos espalhados.

Deve ter sido bom viver aqui Uno pensa vasculhando as docas novamente, ele descobre que a grande construção na praia não era só para consertar navios, dentro era muito maior e tinha um andar subterrâneo em que funcionada uma forja, ele acha cantis e vestígios de visita recente.

Não demora muito para ele repara o quão revirado o lugar estar, aquela bagunça não era da destruição do local, era feita por humanos.

Uno junta as peças, as pessoas da aldeia estão roubando as coisas daqui para vender, é assim que aquele lugar consegue sobreviver, roubando tesouros de uma cidade morta.

Se fosse assim não havia mal, ninguém estava usando mesmo e a aldeia precisava sobreviver, mas cada vibra de Uno grita que está errado.

Ele se lembra da conversa sobre um ritual naquela mesma noite, Uno não sabia que eles teriam nada do tipo na cidade, ou seja envolvia só aqueles homens, ele tinha que investigar.

Uno pegou uma adaga negra na forja, se desculpando mentalmente com os habitantes mortos, e saiu do local.

Ele retornou ao memorial e fez uma prece baixa desejando paz as almas.

Quando ele subiu a colina de volta e desceu as escadarias de entrada uma ventania forte passou por ele e agitou as arvores, Uno se sentiu recebendo uma benção dos mortos locais.

Depois que ele desaparece no horizonte o Avatar da Criação aparece e com um estalar de dedos, Caxias Gradiel deixa um presente para os sobreviventes da guilda.

Caxias sorri olhando para o memorial, o conto dos Highlanders estava entrando em um novo arco.

TERCEIRA PESSOA

 

MANSÃO WILD – MANHÃ

 

As roupas aparecem em algum ponto da noite, a Grand Chase não reclama e suspeita que tenha dedo de Alethia naquilo, dando de ombros eles vestem as vestimentas de batalha padronizadas e adicionam peças de armadura ou acessórios dependendo do caso.

Amy por exemplo ganha um brinco, uma bola transparente como o brasão da luz em dourado enquanto Ronan e Elesis ganham peças de armadura. Tudo parece pensado minimamente para cada um deles, dele ser coisa dos imortais provavelmente.

......

Regis colocou seus membros para dormir, Alethia com Mari em um quarto e deixou os rapazes no outro, quando ele acorda na manhã seguinte se veste rapidamente.

Ele sempre preferiu a praticidade e a discrição, em sua linha de trabalho eram duas coisas importantes, então é apenas o habitual conjunto de calça, camisa, luvas e capa. As botas de Regis não tem detalhes, ele não carrega cinto ou joias (menos o cordão da Grand Chase é claro), o único acessório é a adaga metida no coldre da coxa para emergências. Nada que possa fazer barulho ou chamar atenção, cores sóbrias, sem luxo, nada memorável. Perfeito para um assassino.

Regis joga a capa por cima do ombro e caça um broche para prender o acessório, ele tem uma ideia e convoca por magia, na mão dele um broche dourado com as letras GC dentro de um circulo aparece, o velho presente do pai de Mari não é usado há séculos, mas agora parece certo.

Prendendo a capa, ele desce.

...

Dio, Sieghart e Ladmir se arrumam em silencio.

O clima é pesado e ansioso, os três estão tensos e não querem agravar a situação para o outro, Alfred trás as roupas deixadas durante a noite e permanece em silencio os auxiliando no necessário.

Dio está as calças e camisa de Ernas, recusou-se a usar o sobretudo alegando que aquilo o deixaria fedendo a divindade e isso ele não aceitava, o Von Canyon pediu a Alfred seu longo casaco de Elyos, prendeu as ligas na calça preta por puro estilo, prendeu o rabo de cavalo baixo e centralizou o colar Grand Chase no pescoço.

Ladmir não tinha muito o que vestir, consistia em uma calça branca solta e uma blusa esverdeada de mangas bufantes com a gola ajustável por cordões e os pés uma sandália de dedos.

Sua aljava encantada já havia desaparecido para o inventario magico junto com o arco e facas, ele usava um cinto com algumas materiais de primeiro socorros, Ladmir amarrou o cabelo em um rabo de cavalo alto com a ajuda de Alfred.

Eles observam Sieghart colocar a farda de general, o moreno está se vestindo em frente ao espelho de corpo inteiro e a cada peça colocada parece estar levando um murro, toda vez que ele precisa se fardar é seu inferno pessoal.

Ver-se daquele jeito o faz lembrar que ele é último General de pé, tem Alethia mas ela só assumiu o posto depois da extinção da guilda, Sieghart assumiu assim que ascendeu a imortalidade, mas apenas no papel tecnicamente, visto que ele era o único membro da divisão.

É doloroso, antes ele usava essa mesma farda com orgulho e se exibia como um pavão, agora ainda há orgulho, ele lutou muito para não ter, mas a sensação de tristeza é maior.

Sieghart prende as espadas na cintura, deixa Soluna no inventario magico e se vira para os seus amigos, Dio está segurando a capa dele.

O tecido tingido de preto com o símbolo de Thanatos bordado em dourado é uma velha amiga, por dentro os nomes dos amigos de guilda estão bordados em dourado  e riscados, existe também uma pena de Hunin guardada em um dos bolsos interiores da roupa.

Dio coloca a capa nele e prende com um broche que Sieghart não vê há anos, o mesmo broche brilha espetado na blusa de Ladmir e no sobretudo do Asmodiano, Sieghart então começa a sentir um pouco de esperança.

....

Mari se arruma primeiro com ajuda de Alethia com as peças recebidas durante a madrugada, Mari ganhou uma saia preta com babados brancos, uma blusa branca com decote cruzado e um espartilho marrom com fivelas douradas no lugar de cordas, ela também tem um casaco grande de mangas branco, azul e com listras pretas e douradas.

Alethia ajuda a ordenar tudo com um sorriso brincalhão no rosto a cada reclamação, primeiro a saia depois a blusa, elas tem uma pequena briga sobre a ordem das peças, Mari diz que o casaco é por cima de tudo, Alethia a manda a merda e a veste no casaco para depois prender o espartilho por cima mantendo as peças juntas.

As botas até os joelhos são uma tortura infernal a parte, ela termina colocando as luvas pretas de couro e dando um suspiro de alivio, Lethia prende as franja de seu cabelo no lado com um acessório dourado e finalmente ela está pronta.

Mari só percebe que o acessório dourado é a insígnia da Grand Chase original quando se olha no espelho, ela não fala nada, apenas desce na frente sabendo que Alethia iria preferir a solidão naquele processo.

Alethia não pode usar sua farda, ela não é uma General, ou sequer pode usar o símbolo da Sistina Chefe.

Ela não é nada na Guilda agora.

Felizmente os Deuses solucionaram para ela, ainda dói vestir um hanfu despois de tantos séculos. É uma peça simples em um tom cinza escuro com mangas largas com bolsos por dentro, ela amarra as faixas nas costas sozinha, anos de prática a fazem se mover inconscientemente.

A peça é longa e irregular, o lado esquerdo maior que o direito, com o tecido passando dos joelhos o responsável pela roupa fez uma fenda na perna direita e sobe até pouco acima da coxa, Alethia se vê colocando a calça justa preta que acompanhou o presente, faz anos que ela não vê os sapatos tradicionais de seu país, mas ainda sim ela desliza para dentro das botas pretas pontudas, o calçado vai até os joelhos.

Ela coloca o punhal que carrega por precaução atado na perna escondida e senta para dar um jeito no cabelo, a escolha é fácil, uma tiara de tranças bem feita e sem nenhum acessório. Alethia sente falta de suas tiaras, coroas e fitas, mas não é hora para pensar naquilo.

Ignorando o último componente da caixa, um tapa olho preto com o símbolo de Periet em dourado, ela pega a insígnia da Grand Chase e prende no peito antes de finalmente descer.

...

Lothos está em sua armadura vermelha e branca habitual, o florete pende em sua cintura enquanto ela toma café em uma das pontas da mesa observando cada um chegar, Regis é o primeiro sentando na outra ponta disponível e sendo servido por Claude.

Os membros femininos chegam depois, aos poucos os garotos aparecem, Ladmir, Dio e Sieghart entram depois da leva de meninos com caras de enterro e se sentam em silencio, Mari entra desejando bom dia e por Alethia aparece, ela bate uma continência para Sieghart que a dispensa no mesmo momento e a garota se dirige a Lothos para saúda-la.

Lothos não a dispensa, deixa ela ficar em pé ao lado da mesa travada na posição.

— Onde está Rey?

— Ela não é bem vinda, está tomando café no quarto para a segurança dela mesma. — Regis respondeu calmamente, ele reprova a atitude de Lothos apenas com um olhar, mas não se intromete — Eu chamo de controle de danos.

— Entendo. — Lothos concorda, é uma boa decisão de fato — Eu avisei a Vermencia que estamos indo para a batalha, Serdin e Canaban enviaram suas bênçãos. Avisei a Galadriel e Aron, eles vão nos esperar na estrada depois de Karuell com seus exércitos.

— Então temos um plano de batalha? — Elesis perguntou surpresa.

— Temos uma base, não sabemos o que nos aguarda vamos pensar no resto na hora depois de ver os planos do inimigo. — Lothos respondeu tentando soar confiante — Podemos esperar ajuda da resistência?

— Não, se não há Radicais envolvidos não nos metemos. — Dio respondeu concentrado demais em sua comida — Eu estou aqui por conta própria.

— Ótimo, melhor assim, nós por nós como sempre. — Ladmir entra na conversa, ele lança um olhar feio para Lothos, claramente irritado com Alethia ainda batendo continência — Vamos invadir o castelo que antes protegíamos, me fale sobre uma grande ironia.

— É o meu castelo. — Mari apontou a maior ironia de todas, não há vestígios de qualquer desconforto nela sobre, Mari entendeu a muito tempo que por mais que aquela fosse sua casa o castelo agora era uma fortaleza inimiga, colocar aquele lugar no chão era a missão — E o meu primeiro ministro tentando matar tudo e todos, os Deuses deveriam ter deixado os Asmodianos nos aniquilar totalmente, seria menos vergonhoso assim.

— Bom, eles nos aniquilaram, não totalmente, mas deixaram um feitiço que não sabíamos como quebrar, acho que estamos no mesmo barco. — Azin respondeu a Mari em um tom feliz como quem fala do tempo — Os dois maiores reinos agora são os dois maiores fracassos, isso sim é ironia.

Lothos libera Alethia da continência naquele momento, a garota não demonstra nenhum desagrado, passa pelo irmão e deposita um beijo nos cabelos do mesmo como toda manhã e diz seu habitual “bom dia meus meninos” antes de se sentar entre Dio e Sieghart.

— Eu acho que assustei vocês ontem. — ela começa a se servir e a falar com toda Grand Chase ao mesmo tempo, Alfred se aproxima para servir mas é dispensado — Desculpem, foi um evento isolado não vai se repetir.

— Foi muito legal. — é Ryan quem deixa escapar, a mesa ri e o clima se alivia.

— Sério, aquela mana estalando e toda sua atuação, muito boa mesmo.

Oh Alethia percebe repuxando um sorriso mental Eles acham que eu estava atuando
não que eu perdi o controle por um segundo, afinal eu nunca perco o controle.

 

— É bom ver que aulas de teatro da coroa não foram desperdiçadas e que eu consigo convencer uma plateia. — ela riu de bom humor, leve e alegre — Novamente, me desculpem, a minha mana pode ser assustadora quando vista pela primeira vez.

 

— Aquilo era mana seu? — Arme perguntou interessada — Nunca senti aquilo emanando de você durante as lutas no Hades 301 ou nas práticas.

 

Statera é uma arma de Sansara, logo o “pulso” magico que eu uso nela é o mesmo que Amy ou Lin usam em suas magias, manipulação ensinada as sacerdotisas bem comum. Nos ensinam a refinar nossa magia afinal “quanto mais pura a energia mais perto dos Deuses”. — ela repetiu o velho ensinamento e Lin e Amy concordaram — É o mesmo conceito de magia elementar na verdade, enquanto Jin refina sua magia para fogo, Ryan refina para terra, nós como sacerdotisas, refinamos para luz. Ou no caso de Lin ela pode usar o vento, possibilidades infinitas. Aquilo que vocês viram ontem foi a minha mana crua sem refinamento para luz.

 

— Aquela coisa cheia de intenção de matar e escuridão era sua mana natural? — Arme estava dividida entre  medo e vontade de aprender — É diferente para cada pessoa eu suponho?

 

— Exato, a cor de suas manas é a forma pura dela, sem manipulações para qualquer categoria de magia ou elemento. Muitas vezes pode indicar com qual campo você tem mais afinidade. — Alethia explicou, a memoria voa para Serre explicando aquela teoria em uma palestra em Serdin séculos atrás — Sua mana pura no entanto pode mudar conforme sua vida avança e você experimenta coisas. Essas informações não interferem muito ou ajudam na batalha, mas é uma trivia interessante certo?

 

Os jovens concordaram com a cabeça pensando sobre as informações.

 

— Disse isso a vocês por um motivo no entanto. — ela continua e todos suspiram sabendo que não era tão simples — Toda magia que eu usei até agora foi refinada para se adequar aos padrões de Sansara, mas Statera foi um presente para o braço direito da Sistina Chefe, para a futura Sistina Chefe, eu não tenho mais esse posto logo não posso usar Statera como arma, então estarei usando apenas minha espada.

 

— Então você vai para batalha desfalcada?

 

— Não. — Sieghart quem respondeu Elesis por Alethia — Exitium, a espada, é a arma principal dela, o instrumento divino, Statera é apenas um presente de Sansara, como as duas espadas que eu uso, ambas foram presentes de Zig e Juriore, assim como tenho espadas de Zig ou arcos de Gaia e por ai vai.

 

— É uma boa ideia usar Exitium sem Statera?

 

— Comandante, entendo suas reservas, mas eu sou a mestra da minha espada, não se preocupe, não teremos incidentes. — Alethia assegura sem olhar para Lothos, ela está focada em se servir da mesa — Muita coisa aconteceu, muita coisa mudou.

 

— Me preocupo por eles. — Lothos indicou a Grand Chase II com as mãos — Sua espada é de veneta como você.           

           

— Não fique, tem a minha palavra.

 

— Considerando que você está passando por um julgamento por mentir, sua palavra não me vale muito.

 

— A senhora tem razão. — o tom submisso e a inclinação de cabeça não dão motivos para Lothos puni-la por desobediência, Alethia sabe que não pode desafiar a loira agora e isso é doce para Lothos — Minha palavra não anda valendo muita coisa, então lhe ofereço minha reputação.

 

— Pois bem então.

 

O café transcorre sem mais conversas, apenas algumas conversas paralelas na Grand Chase I que ninguém liga, os novatos estão nervosos com a batalha final enquanto os veteranos parecem não ligar muito optando por se distrair em conversas sem proposito.

 

Quando finalmente todos acabaram de comer eles se preparam para partida, a Grand Chase II sobe para pegar suas bolsas enquanto a I vai para a porta da frente já tendo tudo pronto.

 

Regis está sentado na escadaria de entrada amarrando suas botas num laço firme, ao lado dele Mari confere se suas luvas estão bem atadas e se suas ferramentas estão no cinto, Sieghart faz Soluna aparecer e faz uma inspeção na arma junto com Ladmir, Dio confere sua foice e Alethia está enrolando ataduras em suas mãos e antebraço concentrada.

 

Lothos faz um balanço mentalmente e confirma, nada esquecido, tudo em ordem.

 

Exitium é convocada, a bainha da espada é um trabalho muito bonito de couro preto e arabescos de fios de ouro, o cinto é grosso em tom marrom, quando Alethia retira a espada da bainha o inesperado acontece, Exitium se recusa a sair.

 

Lothos observa, os instrumentos divinos eram feitos na forja de Zig obviamente, mas fora o ferreiro apenas dava vida ao pedido do Deus em questão, cada objeto tinha sua peculiaridade que nem o Deus do Fogo saberia completamente. Os instrumentos de Periet eram muito misteriosos, Periet sempre entregava coisas destrutivas, nem para os membros da equipe de cura o cara dava algo diferente, sempre objetos capazes de destruir tudo e muito instáveis para qualquer um menos seus mestres.

 

A primeira vez que Alethia desembainhou Exitium e tentou usar a espada foi no campo de treinamento do QG, no momento em que ela carregou mana e fez um corte na direção do chão houve um som alto, quando eles olharam a espada havia voado das mãos da garota direto para o subsolo da ilha, um buraco estava aberto e pelo som de algo batendo na terra a única coisa que parou o trajeto foram os fundos da ilha.

A mão de Alethia jorrava sangue mesmo sem nenhum ferimento aparente, Lothos lembra que Hélios, o General de Periet, olhou para Alethia bateu em seus ombros assobiou e disse “Boa, você não cortou a cabeça de ninguém então bom começo.”

 

Lothos não se lembra de ter visto ela utilizando mana na espada desde então, apenas a sequencia de golpes comum sem uma gota de magia, ela escutava por alto que Alethia ainda não controlava a espada totalmente então das vezes que ela usava mana sempre acontecia algo.

 

Ela também nunca viu Sieghart com Soluna totalmente dominada, ela mesma demorou quase dois anos para dominar seu florete, havia casos que levava apenas alguns dias, mas claro que não com eles, tinha pessoas que passavam séculos antes de dominarem seus instrumentos.

 

Ali ela observa com muita atenção, a curiosidade de ver os dois em poder total é muito grande.

 

Exitium. — ela chama numa voz calma e sem emoção — Pare com isso.

 

A espada permanece inalterada na bainha mesmo com o esforço de Alethia para puxá-la.

 

— É uma batalha importante, não seja assim.

 

Nada ainda.

 

Alethia solta um bufo e aperta o punho na empunhadura da arma, energia negra estala em seu punhos e cobre toda bainha, Exitium ainda está presa, estalando a língua Alethia libera um pulso mais forte de mana e a espada finalmente se liberta, a lamina preta brilha contra o sol da manhã, não é uma lâmina cumprida com o florete de Lothos ou larga como Soluna, a espada é de grossura normal e tinha o tamanho do braço de Alethia.

 

— Não esqueça quem é a mestra aqui. — Alethia alerta colocando a espada na altura dos olhos — Eu não sirvo aos seus caprichos entendeu? Teste minha paciência de novo e eu garanto que não serei tão gentil.

 

Lothos sobe uma sobrancelha, então Exitium é uma espada temperamental, mas Alethia a domina demonstrando seu poder? Interessante.

 

A espada negra zumbi, literalmente um baixo “zuuuuum” é escutado da arma antes dela brilhar em mana preta e finalmente se acalmar nos braços de Alethia.

 

— Sua espada é masoquista. — Sieghart aponta, ele tem uma das mãos na empunhadura de Soluna e olha com desaprovação — Periet dava umas coisas bem bizarras para vocês.

 

— Você não tem ideia das bizarrices que tinham no nosso arsenal...

 

— Graças aos Deuses por isso.

 

— Irmã! — Azin veio correndo de dentro da mansão junto com o resto da Grand Chase, ele parou em frente a Lethia segurando um série de enfeites de cabelo — Por favor!

 

Bufando a sistina concordou com a cabeça e pegou uma mecha da franja do irmão e misturando com uma fita azul fina, uma trança fina foi formada e uma perola prateada colocada no meio do trabalho com cuidado, em seguida ela virou o irmão de costas e prendeu a parte de cima do cabelo dele com presilha azul marinho em forma de nuvem.

 

— Francamente Azryn, velho desse jeito e ainda me faz arrumar seu cabelo!? Se a rainha visse isso...

 

— Mamãe está morta quem se importa?! — Azin deu de ombros sem ligar, Sieghart prendeu um riso — Além do que, se eu fizesse sozinho sairia um horror e você me chamaria de desleixado.

 

— O garoto tem um ponto, você é obcecada com cabelo. — Regis interferiu em favor de Azin — Vaidosa como aquela que não deve ser nomeada.

 

— Vai a merda Regis! — Alethia ralhou bufando — Aliás, todos prontos?

 

— Sim!

 

Alethia se empertigou do nada e logo relaxou a postura com uma expressão de desgosto.

 

— Regis atire em mim nesse exato momento. — ela pediu encarecidamente — Atire bem na minha cabeça.

 

Regis não teve tempo de perguntar o motivo do pedido, Alethia cutucou Sieghart e ambos desceram da escadaria de entrada para a trilha de pedras do portão, Lethia apontou uma posição para Sieghart e ergueu três dedos em contagem regressiva.

 

Três, dois, um e ZOOON!

 

Na frente da casa dos Wild o panteão xeniano se reuniu junto com Hades e Perséfone.

 

Lothos se apressou para sua senhora e caiu de joelhos.

 

Em frente a Sieghart a forma humana de Thanatos estava vestida em sua armadura e versão humana, o Deus estendeu a mão e após o beijo usual do Highlander permitiu que Sieghart se levanta-se e puxou para um abraço apertado.

— Saudações Grand Chase, digo, Grand Chases. — Sansara sorriu e abriu os braços em um gesto de felicidade, todos caíram em seus joelhos menos os Asmodianos — Levantem-se, é um prazer ver todos vocês novamente.

Alethia se levantou após um gesto de mão do senhor da Destruição, Sieghart apareceu ao lado dela e ambos recuaram alguns passos para trás, as mãos colocadas nas costas e as pernas separadas em uma postura reta e tensa.

Lothos se postou ao lado deles e indicou para descasarem, quando os dois soltaram um suspiro aliviado um sorriso saudoso pintou os lábios de Alethia e um olhar desconfiado brilhou em Sieghart.

— Você nos deu um susto sabia? — Sansara se aproximou de Alethia e tocou gentilmente a bochecha da menina, delicado com se ela fosse de cristal — Sieghart estava louco atrás de você, achamos que tínhamos te perdido.

— Caxias cuidou bem de mim. — Alethia assegura tomando as mãos do Deus nas dela e sorri — Não o culpem, foram ordens superiores, além do mais vocês estavam em excelentes mãos.

— Ela tem razão, os novos heróis são tão capazes quantos os antigos, o grupo é forte e ainda estão adquirindo novos membros, que fantástico. — Gaia se meteu de seu lugar ao lado de Periet, o sorriso dela era gentil e caloroso quando foi dirigido aos heróis da Grand Chase, ela estava claramente orgulhosa, quando ela se voltou para Alethia uma expressão aliviada cruzou seus olhos — Estou feliz que esteja bem minha querida, rezei ao Criador por isso.

Gaia era tão convincente, qualquer um cairia no teatro da mulher, ao lado da Deusa, Thanatos revirou os olhos com uma cara de nojo e Juriore deu uma cotovelada nele com uma expressão de repreensão.

— Agradeço as orações da minha senhora, muito gentil de sua parte pensar em mim com tanto acontecendo, soube que Sieghart a salvou também, é maravilhoso ver o quão bem a senhora está agora.

— Nada como a natureza para restaurar a beleza do corpo e a paz de espirito, um tempo em minha floresta foi o suficiente para me restaurar.

— Eu não saberia dizer, estar presa no auge da minha juventude me permite descuidos com minha aparência, mas claro eu nunca poderia me comparar com a beleza da vida. — Lethia garantiu dando de ombros e logo sorri se virando para Sansara — Agradeço aos presentes senhor.

— Sempre um prazer.

— Uma pena que ela não pode levar você em batalha desta vez Sansara, afinal ela perdeu tudo. — é Periet quem diz, o tom de desgosto dele faz Alethia respirar fundo e soltar o ar pela boca antes de olhar para o chão — Mas, sabemos que ela vai voltar em breve.

— Como meu senhor diz. — ela concordou ainda de cabeça baixa antes de levantar e sorrir para Periet — Eu não ousaria lhe dar esse desgosto.

— Ainda sim, você está em julgamento por salvar um dos meus. — Hades se mete na conversa do nada, todos encaram o senhor dos mortos sem entender — Eu lhe devo um favor.

— Marido, eu tenho certeza...

— Sim, você nos deve. — Sieghart concorda cortando Perséfone — Agora não é hora para cobrar, outra hora resolvemos isso.

— O motivo da nossa visita, no entanto é preocupante. — Sansara retorna ao ponto de duvida principal — Recentemente percebemos que Baldinar roubou uma das espadas de Thanatos.

— Ele o que? — Sieghart deixou escapar duvidoso — Como?

— Durante a confusão antes de Thanatos voltar a si e ele aparecer, Baldinar esteve no arsenal e pegou uma das espadas da coleção de Thanatos. — Juriore explicou se aproximando deles, Sieghart beija a mão da Deusa em respeito e Alethia segue o exemplo antes de ser abraçada pela rainha do gelo — Não me assuste assim de novo criança.

— Me desculpe. — ela pede sinceramente antes de pigarrear e voltar a postura séria — Ele pegou apenas uma?

— Sim, por isso foi difícil perceber, eu não tinha ido ao meu arsenal desde que voltei e nada indicava invasão, então presumi que não havia nada errado. Foi uma das espadas que usei na Batalha das Dez Noites.

A maioria das armas divinas eram forjadas por Zig ou espólios de batalha, havia casos isolados que o próprio Deus acabava fazendo a arma em caso de necessidade.

Construir a coisa era com Zig, mas cada Deus cuidava de suas armas divinas, Deuses como Thanatos, Periet e Zig tinham verdadeiros arsenais em seus palácios, mesmo Gaia tinha uma área destinada as suas armas, seja espólios de guerra ou forjadas cada arma é embebida com a essência divina.

Os Deuses podem matar um Highlander isso nunca foi segredo, claro que não era apenas estalar os dedos e matar o Highlander, era necessário matar do jeito tradicional: luta, veneno, emboscada e etc... Então se a espada de Thanatos, cheia de essência divina com poder suficiente para matar, está nas mãos de Baldinar...

— Estamos fodidos.

— Se ele quer Alethia podemos mantê-la segura.

— Eu vou para batalha senhor Sansara, é a minha missão.

— Alethia...

— Se meu senhor não me der a ordem de ficar eu vou, é uma missão incompleta, uma que eu recebi de vocês, dele, seiscentos anos atrás. Se meu senhor pedir eu fico. — Alethia se virou para Periet o desafiando a falar algo, mas a Destruição permaneceu em silencio sem qualquer reação — Agradeço o apreço senhor Sansara, mas meu lugar é nas linhas de frente.

— Você não pode ver o presente e o passado só o futuro.

— Antes de eu me tornar a Sistina Chefe eu também não podia e isso nunca me impediu. Sua benção me ajuda infinitamente senhor Sansara, mas também me trava, eu não sou luz, nunca fui, sem ela me equilibrando posso acessar todo meu poder. Vai ficar tudo bem.

— Esqueça isso Sansara, ela já se decidiu, a teimosia do sangue dela é bem forte. — Thanatos interfere suspirando — Hades nos contou sobre o que aconteceu enquanto estavam aqui embaixo, vocês entraram no covil.

— Sim. — Sieghart respondeu a Sintonia em voz baixa e se remexeu desconfortável — Não foi bonito, Alethia entrou em colapso assim que saiu, foi pura sorte termos conseguido sair com Regis e vivos.

— Sorte uma ova. — Dio se meteu na conversa aparecendo ao lado de Sieghart — Alethia entrou sozinha e negociou nossa passagem primeiro.

Os Deuses olham para a Sistina.

— Não se preocupem não foi nada demais, descobrimos coisas importantes também, falaremos...

Você sentiu os Deuses Antigos? — Juriore troca para o idioma imortal, Lethia concorda com a cabeça — Oh querida...

Eles me mostraram a batalha final, uma visão imersiva, por isso eu colapsei quando sai, não foi a melhor experiência da minha vida.

Posso imaginar. — Sansara garantiu sombrio ele teve sua cota com aqueles espíritos e sofreu com seus ataques, uma humana ele nem pode imaginar — Tudo bem com você?

É preciso mais que as magoas de um Deus para me abalar.

A indireta para Gaia bate certeira, mas ninguém comenta.

— Outra coisa que queremos dizer. — Juriore prossegue os avisos, Sieghart geme um “pelo amor dos Deuses, nada que nos mate” baixo — Após a missão, estaremos concedendo um desejo para cada um como da última vez.

— Francamente que grande inutilidade para nós. — Regis tinha que abrir a boca, ele indicou a Grand Chase I com a mão claramente debochado — O que nós queremos vocês não podem dar.

— Régis, seja razoável...

— Razoável o caralho. — ele nem deixa Lothos concluir a frase, se levantando o Haros anda até os Deuses xênianos e encara todos queimando de raiva mal reprimida — Enfiem esses desejos no quinto dos infernos e ofereçam algo que preste para nós.

— Entendo que seja de mal gosto ao seu ver Wild. — Periet abre a boca aparecendo bem na frente do Haros — Lembre-se, no entanto, o seu lugar.

— Não é mal gosto. — Ladmir puxa Regis para trás pelo pulso e fica cara a cara com Periet irritado — É crueldade, eles tem o que pedir é bom para eles. — Ladmir indica a Grand Chase II parada chocada atrás dele — Nós? Podem trazer Canalt de volta? Curar Argentum? Devolver a vida aos Highlanders? Trazer Serre, Guardiana e Scarlet de volta? Não. É arrogância de vocês achar que um desejo, um que nem temos, pode compensar toda merda que passamos por vocês, a verdade é essa, grandiosos Deuses soberbos em gloria: vocês não podem pagar suas dividas conosco.

Silencio total, Periet parece divertido com a explosão de Ladmir, Zig está quieto em seu canto desde que chegaram, Gaia está claramente ultrajada, Thanatos solta um suspiro cansado, Sansara franzi a testa e Juriore que toma a palavra.

— Me dói ouvir isso de vocês, essa verdade deixa claro o quão fizemos vocês sofrerem, eu lamento por isso.

— Não lamente. — Sieghart se adianta puxando Ladmir e Regis para trás de si, ele suspira cansado e abre um fraco sorriso para Juriore — Por alguns Deuses vale a pena lutar, mas não lutamos só por vocês é pelo mundo. A maldição do heróis recai sobre nós, não podemos ver o mundo em perigo que queremos salva-lo.

— Eu acho que isso fecha nossos assuntos aqui. — Sansara suspira derrotado e força um sorriso — Boa sorte heróis.

Sansara se afasta, Thanatos se aproxima de Sieghart e coloca as mãos no ombro dele apertando com força.

— Cuidado. — o Deus sussurra e Sieghart sabe que só eles podem se ouvir no momento — Meus instintos dizem que vai ser uma grande provação para você.

— Se o meu senhor está comigo o que eu deveria temer? — o moreno sorri confiante sem deixar as palavras do Deus o abalar — É apenas outro fim do mundo.

Thanatos o segura pelas bochechas fazendo Sieghart ter uma expressão engraçada, o Deus olha para seu Avatar com seriedade estudando totalmente seu rosto e guardando na memoria mais uma vez.

— Não me deixe também.

— Eu não vou.

— Vingue Graham.

— Lhe trarei a cabeça.

— Volte vivo.

— Eu não ousaria não voltar.

Alethia para em frente a Periet em uma saudação final ao Deus, ela sente uma bolha de mana envolver ambos e sabe que estão seguros para falar.

— Encontrou com ele?

— Sim.

— Forma humana?

— Sim, vocês se parecem muito no poder magico e em alguns traços, mesmos olhos.

— Qual foi o acordo?

— Data da liberação dele do Covil e me pediu para eu não dar a minha imortalidade para prender ele novamente. Não entendi bem a última parte mais suponho que você entendeu?

— Sim, entendi, foi esperto da sua parte ter aceitado. — Periet não explica, ele não pode correr o risco de vazar nada daquele plano maluco dele, Alethia não fazia ideia do plano mais seguia fielmente por tanto tempo sem questionar e não começaria agora — Tome cuidado.

— Eu sempre tomo. — ela garante dando de ombros antes de sorrir e puxar a manga do hanfu mostrando a velha fita preta e pedra descolorida amarrada no pulso — Obrigada, me ajudou a dormir sem pesadelos.

— Sua inquietude estava me afetando, colocar isso sem Sansara ver na caixa foi uma dor, tenha prudência em usar. — Periet alertou o não deixe Gaia ver estava nas entrelinhas, apesar dele saber que não teria como, se fosse descoberto ele diria que foi Sansara — Cuidado com Exitium também, ela é gananciosa como você bem sabe.

— Preocupado comigo meu senhor? — o deboche escorre pelo tom e a sobrancelha erguida em brincadeira faz Periet bufar para a palhaçada da garota — Me deu a espada há tantos anos e ainda me adverte contra ela, tão pouca fé em mim.

— Tenho fé nas coisas que eu crio, criei a arma e você sei bem do que são capazes, sei o que eu usei naquela coisa, não subestime a força dela.

— Senhor se tem tantas reservas quanto as suas criações deveria experimentar criar armas menos perigosas para seus humildes servos e servos menos perigosos para suas queridas armas.

— Não é uma opção, meus soldados são os mais fortes, minhas armas também e meu domínio o mais perigosos. Eu sou o mais velho dos Deuses afinal, meu domínio é o melhor...

— Senhor.

— Desculpe.

Alethia riu e a bolha de mana se quebrou, ela se ajoelhou beijando a mão do Deus e se afastou como se nada tivesse acontecido.

Zig estava com Juriore e Gaia falando com a Grand Chase II enquanto os Wild estavam recebendo uma bela palestra sobre segurança em missão de Hades e Persefone, Gaia se aproximou do grupo de jovens encarando Zero de forma curiosa, mas antes que ela pudesse abrir a boca um tufo de cabelos rosas chamou sua atenção.

— Mas que bela jovem!

Rey ficou surpresa ao ter suas mãos agarradas pela tal Deusa da Vida, ela sabia quem era Gaia, Rey fez seu trabalho de casa antes de vir para Ernas, ela sabia seus Deuses e reinos, mas aquela coisa baixa de cabelos loiros cacheados cheios e olhos verdes brilhantes era tudo que ela nunca imaginou de Gaia.

— Olhe para você, tanta força vital! Tanto potencial e tanta beleza, quem diria que Elyos tinha tal joia. — a Deusa derramou elogios ganhando a atenção de todos, Dio parecia estar prestes a pegar uma das Azulas e atirar em si mesmo — Eu gosto de você, sua força de vontade é incrível criança, tanta vida em você.

Hades soltou um “Claro, duas almas tem que ter muita vida mesmo” que Gaia ignorou apesar da risada alta de Sieghart e Thanatos.

— Obrigada?

— Ah eu gosto de você! — Gaia bateu palmas completamente encantada com a garota, ela sabia quem Rey era claro, afinal ela fez o feitiço das duas almas, mas agora era a primeira vez que via Rey pessoalmente desde do dia do feitiço, ver a quantidade de vida que emanava da garota deixava Gaia eufórica — Aqui, fique com um presente.

Ela entrega a Rey um anel dourado simples sem nenhum enfeite, o aro liso brilha.

 

— Tem a minha benção, enquanto estiver em Ernas nenhuma criatura sobre meu domínio atacará você e todas irão te ajudar!

— Obrigada. — a mente de Rey deu um tranco e ela perguntou em seguida — Se alguém fizesse algo comigo isso ofenderia a senhora?

— Claro, afinal você é minha nova protegida.

Rey lançou um olhar vitorioso para Alethia por cima dos ombros da Deusa, os olhos da garota brilharam em desafio e ao lado dela Sieghart murmurou um “Ah pronto” sob a respiração.

— Ainda bem que eu pretendo acabar com você em Elyos não é mesmo? — a Sistina riu alto e Gaia se virou para ela confusa, Alethia sorriu para a Deusa em desculpas — A última coisa que eu gostaria é ofender minha senhora.

— Há um problema entre vocês duas?

— Eu diria que é mais uma rixa unilateral que virou uma guerra verdadeira.

— Não pode ser resolvida? — Gaia perguntou a Lethia com esperança, Alethia segura a revirada de olhos toda atuação da mulher a irrita — Eu me dou tão bem com Periet, seria maravilhoso ver vocês duas em bons termos.

— Um problema como esse só pode ser resolvido com sangue. — Rey respondeu.

— Não me tente, estou em força total agora, eu posso matar você, se bem que você já está morta não é? Eu mataria a alma da senhora Pon Zec, isso não pode acontecer...

— Suficiente.

— Sim meu senhor. — Alethia abaixou a cabeça para Periet e se voltou para Gaia — Minha senhora pode tentar apelar para meu senhor, mas um aviso, a regra da divisão é clara: ele não se mete nas vidas pessoais de seus soldados.

Gaia abriu a boca, mas Juriore a interrompeu finalizando a despedida da Grand Chase II, ela soprou um vento gelado no grupo sorrindo em despedida, Zig perguntou se as roupas estavam bem e logo deu um tapa nos ombros de cada um, Sansara apertou as mãos individualmente e desejou sorte, Thanatos acenou a distancia junto com Periet.

Juriore abraçou os dois Highlanders caçulas antes de ir para Lothos e depois de todas as despedidas o Deus da Luz bateu palmas e um grande brilho cegou todos.

....

Eles reaparecem no meio de um acampamento de guerra, mas logo percebem que era um exercito marchando para batalha, vários Elfos Negros e Anões andavam lado a lado em uma marcha cadenciada e as armas de cerco eram arrastadas por magia.

— Finalmente! — Caxias sai da tenda em frente a eles, o óculos caindo na ponte do nariz e a pele vermelha pelo sol — Venham, estávamos esperando vocês.

A tenda era a única no meio da marcha e estava localizada em cima de uma estrutura de aço com rodas e engrenagens movendo a coisa para frente na velocidade da marcha, no alto uma bandeira com os símbolos das três capitais do continente tremulava.

Dentro da tenda havia uma mesa com o mapa do continente e diversos pinos sinalizando os aliados e inimigos, papeis estavam espalhados por todo canto da bela peça entalhada dificultando a visão do mapa.

Galadriel e Aron estavam em armaduras pesadas debruçados sobre a mesa revisando os papeis e o apontando o mapa, havia aquele anão Tailin como assistente do rei e Caxias estava atuando como o da rainha visto que ela estava desfalcada de sua mão direita.

— Majestades. — a Grand Chase saudou entrando na barraca e se espremendo em volta da mesa para observar o plano, Lothos parou entre Galadriel e Aron assumindo o comando da situação ela prosseguiu — O que temos?

— Somando os exércitos? Cerca de trinta mil soldados mais ou menos, deve ser o suficiente pra segurar os monstros enquanto vocês entram. — Galadriel estimou indicando um papel, nele constava o número de soldados, maquinas e quantos tinham em cada categoria — O problema é que Baldinar é o fodendo primeiro ministro, ele é bom general em batalha.

— Isso é verdade. — Lothos concordou suspirando, Baldinar defendeu Canalt de muitos ataques no passado — O exercito dele é formado pelo que?

— Não sabemos, os batedores disseram que não há nada nas ruinas de Canalt fora, bem, as ruinas. — Aron respondeu dando de ombros — Disseram que ele com certeza está no castelo, foi totalmente reformado.

— Dramático até o fim. — Caxias sussurrou negando com a cabeça — Bem para isso que temos uma Sistina não é?

 Rindo pelo nariz Alethia se inclinou sobre a mesa fechando o olho direito, ela entrou no limbo.

— Asmodianos, ele contratou mercenários. — ela relata fazendo a Grand Chase pular de susto, eles acharam que ela ficaria inconsciente devido a visão, mas ela falava e piscava o olho aberto — Oh merda.

— O que?

— Lembram do Maestro dos Mortos? — a pergunta é dirigida para Lothos, Sieghart e Caxias, os três parecem terem visto um fantasma ao ouvir o nome — Como raios ele conseguiu essa merda de anel?

— Espera, o que é esse anel? — Ronan perguntou confuso.

— O instrumento divino do General de Hades, o anel permitia ele controlar os mortos da região, o nome da arma acabou se tornando o apelido dele também. — Lothos explicou aos que não conheciam a lenda — Nos recolhemos tudo, guardamos no arsenal como essas coisas estão surgindo assim?

— Isso é problema para outra hora. — Caxias acenou com a mão — Então, quem está usando o anel?

— Dahlia.

— Impossível. — Lupus parece indignado — Eu acertei ela bem na testa, morte certa.

— Sempre atire duas vezes. — Regis cantarolou, mas acenou par ao filho se acalmar — Baldinar deve ter salvado a mulher, então ela controla os mortos se a matarmos só sobra os mercenários?

— E o resto dos monstros comuns, OAKS, Gorgos e por ai vai. — Alethia afirmou — Os mortos podem ser convocados a torto e a direito então sem eles a luta é justa.

— Entendo, na sua visão quem luta com Dahlia?

— Confuso, eu estou vendo do ponto de vista do lutador, toda hora muda para um de vocês, vou tentar ver dentro do castelo. O hall está vazio, vou seguir até o pátio dos fundos.... Que porra é essa? — Alethia abriu o olho fechado de supetão sem acreditar, ela piscou algumas vezes — Algo me bloqueou quando eu ia cruzar a porta, uma luz forte veio de dentro e eu não consigo ver além disso.

— O que isso significa?

— Que depois daquela porta o futuro muda tantas vezes e tão rápido que a habilidade dela não consegue acompanhar. — Amy responde Elesis, ela parece muito angustiada — Não podemos contar com a visão nessa luta.

— Lethia?

— Aquela energia... — a Sistina sussurrou para si mesma, depois de um segundo negou com a cabeça, ela deveria estar ficando louca afinal — Não é nada.

— Pois bem, vamos mandar batedores para checar novamente, seria bom alguns de vocês irem junto, talvez tenhamos deixado algo passar.

Elesis delega Arme para a ir, se houvesse armadilhas magicas ela acharia, também manda Ronan acompanhar, ele é um soldado e conhecer o campo é essencial para liderar as tropas.

A Grand Chase I se olha em silencio.

— Agora que eu parei pra pensar, com Serre e Guardiana mortos, quem é o líder? — Régis perguntou rindo de como foram burros e não pensaram nisso antes, quando ele reparou que toda sua equipe olhava para ele de sobrancelhas erguidas como se ele fosse o único burro o sorriso caiu — Lupus se você atirar em mim agora eu juro que dobro a sua mesada.

— Eu sou adulto pai, eu pago a minha própria mesada.

— Não! — Regis se levantou e começou  a andar de um lado para o outro surtado — Negativo, péssima ideia, nunca, não vai rolar...

— Régis, francamente você acha que algum de nós está apto a liderar alguma coisa? — Ladmir quem pergunta com muita sinceridade — Quer dizer, olha pra gente, você nos conhece!

Régis olhou para seus cinco membros com uma careta irritada, pedir qualquer um deles para liderar o time seria maluquice, quer dizer Dio e Sieghart surtaram tanto uma vez que esqueceram que Sieghart era imortal, no que dependesse de Mari eles estariam usando armaduras robóticas, Ladmir quando coloca o pé em batalha zera toda mente, Alethia era uma péssima escolha também por que os planos dela eram uma merda.

Qualquer um deles liderar era puro suicídio.

— E por que vocês acham que eu estou apto a liderar alguma coisa?!

— Você é o mais velho. — Ladmir apontou como se fosse obvio, eles não saberiam dizer ao certo quem nasceu primeiro Dio ou Régis devido a diferença de tempo das dimensões, mas Regis parecia mais velho então eles só aceitaram como certo — E você é pai, pais são responsáveis.

— Você conheceu o meu pai?! Eu matei ele por um motivo! — Régis perguntou indignado para Ladmir — Pelo amor de Hades, uma vez eu coloquei vinho na mamadeira do Lupus pra ele parar de chorar e dormir, onde isso é responsável?!

— E o mais importante. — Ladmir subiu a voz para ultrapassar Régis listando toda merda irresponsável que ele já fez — Desde que salvamos você, você não fez nada fora liderar a gente.

— Eu não sou o Serre! Ninguém consegue fazer o que ele e Guardiana faziam!

— Claro que você faz, Serre e Guardiana faziam seu melhor e você também faz, qual é Régis, você sabe que sem líder somos cinco idiotas. — Sieghart o segurou pelo ombro e sacudiu — Você quer mesmo nos mandar para batalha sem nenhuma organização?

Régis empurrou Sieghart para trás e respirou fundo sabendo que não tinha escolha e que iria se arrepender amargamente.

— Mari, acompanhe os batedores.

Houve uma salva de palmas, Alethia fez algo aparecer do inventario magico e prendeu no lugar do broche dourado da Grand Chase, o broche era o mesmo mais ao invés de dourado era prateado, o broche do líder.

— Onde você arranjou isso?

— Serre deixava na gaveta do escritório, ainda estava lá.

Amy, Mari e Ronan saíram para acompanhar os batedores, observando eles irem Régis percebeu algo que não tinha levado em conta antes.

— Isso quer dizer que eu sou responsável pela vida de vocês?

— Sim.

— E por todas as merdas que vocês fizerem?

— Sim.

— Lupus, se você me ama, atire em mim agora mesmo.

...

— Não cruzem.

No alerta de Mari os cavalos pararam, era a fronteira da capital. Canalt havia explodido e formado uma cratera cheia de ruinas, mas com os anos o solo foi sendo aterrado naturalmente e apenas as ruinas permaneceram.

Havia as muralhas contornando a cidade entre outro momento, mas agora apenas pequenos escombros eram vistos e não havia vestígios do portão da cidade, Mari sabia o que a aguardava, mas ver era muito diferente.

Sem os prédios altos e centenas de ruas movimentadas era fácil ver o castelo real construído na encostada da montanha, estava reformado realmente, mas Baldinar não recuperou tudo, os telhados tinham buracos e toda construção tinha limo ou partes caindo, mas a estrutura era a mesma.

— O que houve? — Ronan perguntou ajudando Mari a descer do cavalo que eles dividiam — Viu algo?

— Uma teoria. — ela responde, Mari chega até a linha onde outrora ficava o portão, ela aponta para dentro — Deixe-me testar.

Ela convocou uma bola de mana e mandou para dentro da cidade, há poucos metros de onde eles estavam uma explosão surgiu do solo fazendo todos se abaixarem para se proteger.

— O que é isso? — o anão que os acompanhava gritou.

— Minas, elas reagem a magia, qualquer mana exposto perto as ativa.

— Não podemos lutar com essas coisas na cidade. — Ronan suspirou cansado — Como você sabia?

— A terra foi escavada e posta no lugar, o tom é diferente do resto do caminho e tem pegadas por todo lado, cheiro de queimado no ar também foi um indicativo.

Ronan reparou agora que Mari disse, havia um cheiro muito leve de fumaça no vento, ele suspirou cansado.

— Podemos mandar bolas de mana para explodir todas elas? Ninguém se machucaria...

— Não. — Mari interrompeu Arme no meio do caminho — Na primeira versão das minas teria funcionado, mas na versão final não adianta, vamos voltar eu vou explicar tudo.

Mari monta no cavalo novamente segurando Ronan pela cintura, eles cavalgam rápido e em silencio, o vento faz a areia bater no olhos, mas Mari está concentrada demais digitando no holograma da pulseira em seu pulso conferindo as câmeras e microfones que espalhou pelo caminho e na entrada da cidade, dispositivos minúsculos que ninguém veria, ela trabalhou para recriar aquelas esferas especiais que eram responsáveis pela segurança de Canalt durante toda estadia nos Wild.

Tirando o barulho do vento nenhum som estranho e nenhuma assinatura de calor disparou nenhuma câmera, isso é bom o caminho estava livre.

Duas horas depois eles encontram o acampamento no meio da marcha, os acompanhantes se despedem e a Grand Chase segue para a tenda com suas últimas informações.

Assim que chega Mari coloca sua pulseira na mesa e coloca as câmeras do portão da cidade visíveis, tudo está deserto e sem indícios de vida humana fora a marca da explosão na areia.

— Estão vendo a marca no chão? — ela pergunta retoricamente, a Grand Chase se levanta e dispersa as conversas paralelas para chegar na mesa curiosos — Minas de mana, estão por toda cidade.

— Qualquer mana liberado no alcance dessas coisas ativa e te faz voar pelos ares. — Ronan explicou para a Grand Chase II — Mari usou uma esfera de mana e gerou nessa explosão.

— Não podemos disparar mana e esperar explodir. — Mari antecipou as perguntas — Na primeira versão isso funcionaria, os Asmodianos descobriram então a inteligência, vulgo eu, teve que pensar numa solução e bingo, detector de calor. Para explodir é preciso que os sensores capitem traços de vida e mana no ar, aquela explodiu por magia e pela minha proximidade.

— E a criatura se volta contra o criador. — Caxias negou com a cabeça, Mari lançou um olhar feio e o Elfo se desculpou — Como passamos?

— Geralmente mandávamos robôs e maquinas para os campos de batalha com minas, menos riscos de vida. — Mari passou a mão no rosto e se voltou para Grand Chase I — Essa é a hora que vocês dão as ideias.

— Depois que Canalt explodiu algumas dessas minas ainda rodavam o mercado e várias imitações surgiram, mesmo que menos potentes, quando encontrávamos um campo delas Serre usava sua magia como escudo, ele formava o escudo fino o bastante para as minas captarem a presença, mas forte o suficiente para proteger, ia na frente ativando as minas e nós entravamos depois. — Régis respondeu com uma careta pensativa — Maldito seja esse velho.

— Certo, não podemos contar com isso então...

— Lethia. — Sieghart chamou interrompendo Lothos, ele abriu um sorriso idiota e soltou a maldita frase — Quer fazer algo estupido?

— Uma ideia idiota? Uma que vai fazer Serre reviver só para gritar conosco? — os olhos vermelhos brilham em antecipação, Sieghart concorda com a cabeça abrindo mais o sorriso — Esse é o meu tipo de ideia favorita.

— Não! — Ladmir se mete antes que eles pensem em sair da tenda sem nenhuma outra palavra — Vocês não vão ativar aquelas coisas na cara e na coragem!

— Somos imortais, não vai acontecer nada.

— Não! —Ladmir insistiu ignorando o argumento de Sieghart — Eu acabei de remendar o Régis, não quero nenhum de vocês nos meus cuidados por um bom tempo.

— Ladmir, eles vão ativar as minas. — Régis interfere, ele parece está decidido mesmo que a contra gosto, Alethia e Sieghart sorriem — Aliás, Sieghart vai, Alethia não sai do acampamento até segunda ordem.

— Quem é você? A minha mãe?

— Eu sou o líder dessa merda de equipe que você faz parte, Baldinar quer os seus olhos então você não saí daqui. E se eu fosse a sua mãe estaria pouco me fodendo para você.

— Porra Regis essa doeu.

— Ótimo, foi para doer mesmo. — Régis respirou fundo pensando em mil coisas antes de abrir a boca — Dio, traga um grupo dos seus soldados, temos mercenários envolvidos talvez eles façam parte dos Radicais. — ele se virou para Ladmir — Confira a enfermaria e fique por lá ajudando até segunda ordem. — por fim para Mari, Sieghart e Alethia Régis disse — Mari, vá com Aron conferir as maquinas de cerco, Sieghart quando voltar espero uma formação de batalha na mesa e Alethia não saia de perto do Caxias ou da Lothos entendeu?

Silêncio pesado.

— O que? Vocês tem suas ordens, SUMAM DAQUI! E SIEGHART SE VOCÊ VOLTAR COM UM ARRANHÃO EU MESMO ATIRO EM VOCÊ.

Os sorrisos se fecharam na hora e todos engoliram em seco, Régis tinha aquela aura paterna que te fazia calar a boca e obedecer, concordando com a cabeça eles deixam a tenda  para irem aos seus destinos, Régis relaxa os ombros e respira fundo antes de tensar de novo e abrir.

— Dio, se você tentar sair de fininho atrás do Sieghart eu juro por todos os Deuses que queimo as suas asas no meio da batalha.

Tudo que eles ouviram foi Dio bufando de raiva do lado de fora da tenda.

— Como raios Serre conseguia?! — ele nem esperou Lethia responder antes de começar a bater a cabeça na quina da mesa de forma fraca e sussurrar para si — É essa minha punição por uma vida de coisas erradas? — ele levantou a cabeça com olhos sem focos e disse novamente — Lupus atire em mim agora.

Novamente, se provando um filho ruim, o primogênito riu junto com todos.

....

Alethia arrasta Caxias para fora da tenda, ela quer andar pelo acampamento e conhecer os soldados, falar com eles e saber deles, se preocupar com eles era automático, até Azin se junto a eles provando que Azra havia plantado bem aquela lição em suas cabeças.

Alguns membros da Grand Chase se juntam a eles, Elesis e Ronan logo se separam do grupo ficando entretidos em um grupo de guardas e suas histórias, Azin e Jin param em um grupo de Elfos Negros com arcos enormes e ficam ali ouvindo sobre as armas e francamente ninguém viu onde Amy e Holy foram parar.

Há comentários, claro que há, sobre o irmão do rei. Caxias finge não ouvir e se concentra em Alethia andando por meio dos soldados com sorrisos e simpatia, Zero é o único que resta do grupo original e parece estudar a garota atentamente.

— Ela é boa nisso. — ele comenta verdadeiramente admirado — Lidar com humanos, as interações sociais são complicadas para pessoas, digo máquinas, como eu.

— São complicadas para os humanos também. Por exemplo, estamos indo matar meu marido.

— Eu ouvi sobre isso. — Zero assegurou, ele se voltou para Caxias curioso — Dói?

— Como o inferno.

— Então por que você está aqui? Você é importante não precisa ver isso.

— É a coisa certa a fazer. — Caxias respondeu suspirando, Zero realmente não tinha tato pois se tivesse nem teria entrado no assunto — Eu nasci em Karuell, mas encontrei minha casa em Canalt, eu quero vingança como todo mundo aqui.

— Mas ele é seu marido, devo supor que você o ama. O amor é importante não é?

— O amor é importante claro. — Caxias sentiu uma dor de cabeça chegando — Entretanto, fazer a coisa certa é mais importante nesse caso.

— Então nem sempre o amor é prioridade?

— Escute bem Zero, o amor é uma força poderosa, para o bem ou para o mal. Nem todo amor é feliz, correspondido ou termina bem, veja Dio e Alethia, o amor dele por ela o machuca tanto, mas é forte o suficiente para perdurar por eras. Parece bom para você?

— Não. — Zero concordou antes de dar de ombros — É mais fácil ela corresponder a ele ou ele deixar de amá-la.

— Ai que está criança, não mandamos em nossas afeições, o coração é totalmente independente do cérebro.

— Então o amor deveria ver do cérebro, sério de quem foi a ideia de associar tal sentimento poderoso a um órgão não racional?

— O amor tão pouco é racional Zero, você vai descobrir um dia quando seu coração começar a bater por outra pessoa.

— Provavelmente não vou, isso só seria possível com uma falha no meu sistema cardíaco e não é possível.

Caxias pisca chocado pela resposta do garoto, ele não aguenta a cara séria de Zero e arrebenta em uma risada.

...

Mari pede ajuda de Aron assim que eles chegam perto de uma das catapultas, ela está tendo problemas com a montagem daquele dispositivo, Aron era a melhor aposta.

Arme não era especializada em magia de mente então não poderia usar o feitiço de telepatia que Serre usava para manter eles em contato durante missões em que se separavam, ela estava pensando em como cuidar disso.

Aron pensou por um momento e chamou alguns engenheiros para pensar junto, Mari pegou carona subindo na catapulta e logo um projeto estava sendo desenhado e construído ali mesmo.

No meio dos soldados sujos, naquela paisagem tão familiar e falando sobre projetos Mari sente uma sensação de casa.

...

Dio se transporta para uma área vazia sem perturbações, ele se concentra em abrir o portal enquanto Alfred fica de guarda, quando Dio atravessa a teleporte faz seu trabalho e ele sai no meio do pátio de treinamento de uma das muitas bases Von Canyon, os soldados tem suas armas apontadas para ele, Dio bufa e sinaliza para eles descansarem.

Alfred desaparece para suas obrigações.

— Preparem-se estamos esvaziando a base.

Os soldados se entreolharam confusos, Dio estreitou os olhos.

— DEZ MINUTOS PARA VOLTAREM AQUI PRONTOS PRA BATALHA, VÃO!

Houve um mini pandemônio no campo antes de todos sumirem para pegarem suas coisas, Dio esperou pacientemente Alfred retornar com as três pessoas chamadas.

Lev, Luka e Vexa vieram com Alfred correndo, quando o trio se aproximou Dio estendeu a mão onde o anel da família pendia, os três beijaram brevemente as costas da palma, os olhos agitados dos três olhavam os arredores em busca de inimigos, Dio os acalmou com um aceno de mão.

— Dividam o contingente da base entre vocês três, temos uma batalha em Ernas que envolve mercenários. Capturem prisioneiros sempre que possível, caso contrario licença para matar, me encontrem aqui em dez minutos.

Sem entender nada os três somem em teleporte bem na frente de Dio para cumprir suas ordens.

Dio é o Lord Von Canyon, sendo Sieghart e Alethia suas mãos direita e esquerda, no exercito cada um tem seu próprio regimento e como ficam ausentes de Elyos existem os tenentes que tomam conta de cada um.

Sieghart controla as tropas do Leste e Oeste com Luka sendo o segundo no comando, Luskael era um mercenário do outro lado, mas quando foi derrotado por Sieghart em batalha o moreno ofereceu o acordo, Luka era novo e habilidoso seria uma boa aquisição.

Assim ele se alistou nos Von Canyon e começou a subir nas fileiras até ser parceiro constante de Sieghart nas linhas de frente dos territórios, acabou sendo o segundo no comando das tropas em pouco tempo.

Luskael não tem família e cresceu nas ruas até entrar para uma guilda e acabar preso nos Radicais pelo contrato, ele era um espadachim incrível com sua cimitarra vermelha e força bruta, Luka era alto e forte com um sorriso brincalhão e uma alegria infinita brilhando em seus olhos azuis, sua pele rosada com cabelos laranjas arrepiados davam um ar amigável e gentil.

No Sul e no Norte está o domínio de Lethia, Vexa era a escolhida para estar no comando durante a ausência da Sistina dos campos de batalha, Vexa era de um dos povoados de Dio, durante um ataque ela acabou perdendo tudo e se alistou para se vingar.

Alethia costumava acompanhar o treinamento e durante uma das visitas de Serre ele se interessou no potencial da garota e deu algumas lições, assim ela se destacou como a melhor maga que Dio tinha em tropas, não demorou para Alethia consagrar a garota sua assistente.

Vexa é uma maga de cabelos verdes claro longos e lisos com um corte V e uma franja reta na altura dos olhos dourados, Vexa é facilmente tida como uma mulher fria e focada na missão, sua pele azul clara e coberta de tatuagens vermelhas e pretas é bem conhecida nos campos bem como suas magias explosivas.

Dio tem as tropas do centro sob seu comando, a área central de Elyos é um campo de batalha agitado então na ausência dele e dos Highlanders, Lev assume o comando com maestria, Lev é refugiado de outro território, ele nunca disse qual, mas Dio sabe que é de um de seus aliados embora não suspeite de qual.

Lev chamou a atenção de Dio pela calma em meio a um ataque, o inferno desceu no acampamento e Lev permaneceu calmo ordenando seus subordinados sem se alterar. Ele logo chamou o jovem soldado para trabalhar diretamente com ele, Lev o impressionou com sua eficiência e seriedade, Dio confiou nele e assim deu tamanho poder.

Apesar de tamanho poder hierárquico Lev era uma figura engraçada, no meio dos soldados intimidantes e sérios a figura baixa e delicada do homem se destacava, os cabelos pretos com um mecha vermelha eram lisos e caiam até os ombros com uma franja longa tapando um dos olhos roxos, a pele era verde-água e ficava facilmente marcada com qualquer aperto forte e Lev era muito magro sem músculos algum.

Lev era exímio com um arco e flecha e qualquer arma de distancia, se virava bem com seu florete e o grande sol vermelho de Elyos ajude quem cruzar o caminho.

Caso algo ocorresse com Dio e aos membros da Grand Chase, Lev estava no comando de toda força militar Von Canyon.

Dez minutos cravados depois o regimento, uma coisa engraçada de vários estilos de armas e armaduras, estava alinhado em filas com cada um dos três tenentes na frente, havia um estandarte com o brasão Von Canyon voando no ar e faixas com o brasão enroladas nos braços de cada soldado em diversas cores.

— Os Elfos Negros e os Anões são nossos aliados, os membros da nova Grand Chase também são, fora isso eu já passei minhas ordens. — Dio proclama para multidão e recebe um rugido de acordo — Vamos matar alguns idiotas.

A tropa ruge.

 

....

Rey decide ajudar com as próprias tropas, era uma boa chance para conseguir prisioneiros e informações então ela aparece em um dos postos mais cheios das forças Von Crison e ordena que o responsável pelo local separe um grupo de mil homens para ela, a cara de choque do homem quando observa Rey partir com um terço de seu regimento cinco minutos depois é impagável.

Ela não o levou, não precisava, Rey sozinha podia comandar um regimento muito bem obrigada.

Piscando o portal fechou o comandante saiu correndo de volta ao escritório e puxou uma orbe, ele precisava falar com o senhor Von Crison sobre o que fazer para tapar os furos da retirada militar, o Lord com certeza tinha um plano.

Peter Von Crison ficou em silencio por um longo tempo, para o comandante um silencio contemplativo de como ele iria explicar suas ordens, mas para Peter era um silencio de surpresa e confusão.

Dando de ombros ele disse para o cara realocar os membros da fortaleza nos postos que deveria ser suficiente, ele não podia deixar o homem saber que Rey não havia avisado, afinal ele não podia admitir que não sabia de nada.

....

Quando Zero vê os Asmodianos se juntando a marcha com os estandarte Von Canyon e Von Crison tremulando no ar ele está andando as margens do exercito para fazer a segurança, ele observa Dio descer dos céus com sua horda de homens parando em diversos pontos do exercito e Rey se juntar a batalha com seus homens através de pequenos portais abertos no meio da marcha.

Zero pensa que pode ser uma boa ideia, tentar não vai ofender ninguém, ele diminuiu o ritmo e vai se afastando para os lados até um lugar calmo.

— Carmela.

A governanta aparece em seu uniforme habitual, Carmela faz uma ligeira reverência e Zero indica o exercito a distância, as flamulas de Ernas misturadas com as de Elyos fazem uma visão marcante.

— Eu li os documentos sobre o exercito que você me deu há alguns dias, acho que podemos ajudar. — ele diz, a governanta assente com a cabeça — Eu já sou o Lord Zephyrum oficialmente?

— Oficialmente? A capital foi rápida em reconhecer devido a pressão de Lord Von Canyon, então sim...

— Ótimo, abra o portal para a base da capital...

— A tradição diz que precisa haver uma cerimonia para isso, um baile deve ser realizado para que o senhor conheça a sociedade...

— Eu já sou Lord Zephyrum e não temos tempo para esse protocolo. — Zero cortou Carmela, ele franziu a testa temendo ter sido grosso com a mulher e acrescentou — Podemos fazer isso depois.

Carmela concordou com a cabeça e abriu o portal e ele saiu direto no refeitório do batalhão, as armas apontaram para Zero, mas assim que viram Carmela parada atrás dele e como o garoto se parecia com o pai todos recolheram e começaram a sussurar.

O boato sobre o Lord Zephyrum já havia se espalhado, todos estavam curiosos pelo novo senhor e ali estava ele, um jovem com uma espada grande, sem um olho e claramente um guerreiro, mas Zero não tinha a pele colorida dos Asmodianos e suas orelhas pontudas eram a única coisa que poderia indicar sua espécie.

Os soldados estavam satisfeitos, pelo menos não era um aristocrata igual a maioria dos outros chefes, mas haviam os boatos sobre Zero Zephyrum e seu passado.

— Traga-me o General.

Carmela concorda e some atrás dele, Zero olha em volta se perguntando o que fazer, ele tem certeza de que não conseguiria andar no meio dos soldados e conversar com eles como viu Lethia fazer mais cedo, ele também não tinha carisma para encantar a todos como Sieghart e nem sabia como se portar perante a eles como Dio.

Um arquivo sobre como ser social pai, UM arquivo, não iria me matar! Ele reclama com Oz morto, mas suspira tendo uma ideia.

Se dirigindo a mesa do tablado, ele sobre e ergue a mão pedindo atenção, todo sistema nervoso de Zero parece entrar em pane e ele jura ouvir seu coração vir na boca, muita gente olhando para ele era desconfortável, ele sabia dos boatos, Carmela o avisou assim como estava investigando quem os espalhou.

— Meu nome é Zero Zephyrum, filho único de Magnum Zephyrum, sou o novo Lord Zephyrum. — tomando folego ele emenda — A essa altura vocês já devem saber os boatos sobre eu ser o andarilho que destruía tudo a procura de Duel, que jurava que iria matar ele destruir suas espadas. São todos verdade. — os soldados irromperam em falatório claramente surpresos — Eu causei o caos em algumas partes de Elyos antes de finalmente entender, me encontrei com Duel e ele me contou sobre tudo, eu não sabia quem era e estava enlouquecido pela minha espada Grandark, Duel e eu nos resolvemos não há sangue ruim entre nós.

Os soldados assentiram, era sempre bom ter fofocas para falar com as outras bases e aquilo seria espalhado igual fogo, Zero estava dizendo a verdade eles podiam sentir isso.

— Também dizem que houve uma grande briga entre mim e meu primo, Lord Von Canyon, outra mentira, Dio e eu estamos bem e nunca houve qualquer coisa ruim entre nós, ele estava muito aliviado em se livrar do fardo de duas famílias.

Os soldados sabiam ser verdade, Dio nunca escondeu seu desgosto em ter trabalho dobrado, toda vez que visitava ele resmungava sobre como ele odiava seu tio por ter morrido e “deixado o pepino para ele”.

— Mas, o boato mais importante, sobre eu ser mestiço. — Zero sentiu gelo no estomago, nervoso o comeu vivo, mas ele respirou abriu e fechou a mão para se acalmar e continuou — De fato, meu corpo é humano modificado pelos genes de meu pai. Eu não nasci mestiço, fui criado, depois da morte do meu pai, o Grão Mago Oz me criou através de magia e do corpo morto de Magnum Zephyrum.

O caos rompe a sala com gritos de perguntas de como é possível algo do tipo, xingos a Oz por ter violado o cadáver de seu senhor e a Zero por ter a coragem de assumir o manto da família.

Zero se irritou aquelas vozes altas e agressivas o faziam lembrar de Grandark e ele queria silencio para continuar falando, confuso ele soltou uma onda de intenção assassina forte o suficiente para fazer todos se calarem.

— Eu me encontrei com meu pai, conversamos, eu vou criar a família Zephyrum que ele queria, uma que ele pode se orgulhar, a opinião de vocês é irrelevante, os papeis já foram assinados o poder já é meu, os incomodados podem se retirar eu não ligo. — Zero falou sem emoção nenhuma na voz, ele sabe lidar com esses sentimentos: raiva e determinação são velhos amigos — Eu disse a verdade por que vocês são minha responsabilidade agora, não quero começar nossa jornada juntos com mentiras. Meu pai me aprovou, ele me chamou de filho, se vocês tem um problema com isso a porta da rua e a serventia da casa.

O salão cai em um silencio pesado, Zero pode ver a indecisão planando nos rostos bem como o desconforto, ele sabia que os soldados tinham um bom salario e condições de vida, concordando ou não muito iriam ficar e servir, a necessidade supera as opiniões.

— Você é igualzinho ao seu pai.

Zero vira a cabeça para ver um par entrar na sala junto com Carmela, os Generais Zephyrum eram um casal de irmãos, Daryah e Sage eram mais velhos que Zero e foram promovidos a Generais por Dio, eles conheciam Magnum desde crianças sendo membros de uma família mercante importante no território estavam com Magnum desde a infância, quando a resistência começou eles largaram tudo e foram lutar pela causa.

Daryah é curvilínea, a pele acinzentada combina bem com o cabelos cor de fogo volumosos presos no alto, ela se veste em um vestido colado com botas de combate e luvas de couro, um sobretudo da o ar profissional e o chicote pende perigosamente na cintura, Daryah tem olhos de gato brilhando em um rosa forte que Zero nunca viu.

Sage em contra parte é alto e firme com músculos no lugar e linhas de expressão, ele tinha fios brancos na cabeleira vermelha e na barba bem aparada, a pele cinza tinha uma tatuagem tribal no braço em tinta preta e os olhos rosas eram menos chamativos que o da irmã, Sage usava calças e blusa de mangas com sobretudo por cima muito mais intimidador que a irmã.

Daryah comandava o leste e oeste enquanto Sage cuidava do Sul e do Norte, Dio estava responsável pelo centro mas agora deveria ser problema de Zero, o que francamente ele não estava ansioso.

— Vocês ouviram o senhor, os incomodados a porta é logo ali. — Daryah avançou e indicou a porta do salão, ninguém se moveu — Foi o que eu pensei.

— Em que podemos servi-lo meu senhor?

Zero travou, Sage o chamando tão formalmente parecia errado em muitas formas, mas ele teria que se acostumar a isso.

— Mil homens comigo, temos uma luta envolvendo mercenários provavelmente envolvidos com os Radicais. — Zero colocou a cabeça no lugar, era hora de pensar na batalha — Sage, você me acompanha, Daryah fique e cuide de tudo, cinco minutos no pátio de treinamento é o suficiente?

— Certamente meu senhor. — Sage assentiu para Zero e se virou para a irmã — Organize os homens e os envie eu estarei esperando com Lord Zephyrum no campo.

Daryah assentiu, antes dela sair se aproximou de Zero com aquele par de olhos rosas únicos, ela estendeu a mão, Zero não entendeu e estendeu a própria, Daryah depositou um beijo breve nas costas da mão de Zero e saiu.

O salão ofegou de surpresa.

— Me acompanhe meu senhor.

Zero seguiu Sage com Carmela logo atrás, eles saíram direto no pátio de treinamento ao ar livre, o sol vermelho brilhando com força e castigando os recrutas que estavam treinando.

— Perdoe minha irmã, deveríamos esperar até o anel estar com você para começarmos a beijar suas mãos, mas é um velho habito que tínhamos com seu pai mesmo que ele não tivesse o anel.

— Tudo bem eu não ligo. — Zero foi sincero, não lhe fazia diferença nenhuma afinal — Sobre a luta, estamos indo contra Baldinar.

— O Primeiro Ministro de Canalt? — Sage questionou confuso, Zero assentiu — O Duel nos disse que ele tinha explodido Canalt e morrido.

— Todos acharam o mesmo, mas agora ele está construindo uma máquina do tempo com energia divina, ele pode explodir a dimensão inteira no fracasso ou mudar tudo no sucesso. — Zero explicou na versão resumida — Os Elfos Negros e os Anões se uniram a nova Grand Chase e a antiga para pararem seus planos, mas segundos as visões de Alethia ele contratou mercenários daqui que podem estar ligados aos Radicais, por isso estou pedindo aqui.

— E Baldinar já tem tudo o que precisa?

— Ele precisa dos olhos mais poderosos de Ernas para usar como uma “bussola” no lugar da arma do Sr. Caxias Gradiel.

— A General da está em perigo...Suponho que os Von Canyon convocaram tropas também?

— E os Von Crison River, a herdeira deles está conosco, ela está liderando as tropas.

— Rey Von Crison? — Sage franziu a testa confuso — Nunca vi ela liderar nada nas linhas de frente, Peter deve ter mantido a capacidade da filha de liderar a portas fechadas.

Ou a incompetência dela nisso Zero pensa lembrando da personalidade Rey, mas não diz nada.

— Em todo caso, não se preocupe, se você tem apoio de Carmela e dos Von Canyon ninguém vai contra você aqui. — Sage garantiu dando de ombros — E se forem vão se entender comigo.

As tropas começam a chegar no campo e entrarem em formação, o brasão dos Zephyrum estava amarrado em seus braços e as flamulas flutuavam no ar, todos estavam devidamente formados em linha reta com suas armas e vestes de batalha.

Zero indicou para Carmela abrir o portal, a força Zephyrum se junta a batalha.

Minha primeira vez comandando um exercito Zero pensa observando eles partirem, a ansiedade pré-batalha o domina, ele tem certeza que o golpe de Alethia desconfigurou muito mais que apenas seus olhos, a cada dias mais emoções apareciam do nada.

Cada dia mais uma coisa viva do que uma maquina.

Zero não sabe se isso é bom.

.....

Acontece que as tropas Von Canyon lutaram com os Anões e os Elfos Negros na época de Canalt e mantiveram atividades regulares no continente em fechamentos de portais ou frequentando os mercados, depois que Dio assumiu os Zephyrum também frequentaram Arquimídia com certa frequência seja em visita ou para os portais, muitos soldados se conheciam.

Os Von Crison apareciam apenas para os portais, Peter equipava seus soldados com itens de Elyos e Hades, havia velhos amigos de batalha mais não tantos como nos outros exércitos.

Logo as forças de Elyos e Ernas se misturaram sem problemas ou confusões, Dio suspirou aliviado do alto vendo que tudo estava certo e procurou seu alvo na multidão, como um farol os cabelos prateados de Alethia apareceram rapidamente no meio daquele mar de peles e roupas coloridas.

Dio sorri, uma ideia infantil se formando em sua mente.

Ele mergulha com suas asas no ar, azuis e pretas fruto de sua preocupação com sua família, motivo de orgulho, um lembrete vivo que a guerra não o quebrou totalmente, que ele ainda tem coisas pela qual vale a pena evoluir.

Alethia só percebe que ele está perto pelo olhar de pavor dos soldados ao redor dela, quando ela vira para trás tudo que ela enxerga é um borrão preto e seus pés saindo do chão, ela grita um “DIIIOOOO” abafado pelo vento e eles sobem pelos céus com o corpo dela pendurado.

Dio a joga para cima, ele estava segurando ela pelas axilas e agora consegue coloca-la de frente para ele, prendendo os braços na cintura dela enquanto Alethia segura ele firme pela nuca, as asas de Dio está abertas e mantem os dois planando no ar.

— Ei.

— Ei. — ela diz ofegante, desprendendo um braço da nuca dele Lethia remove os fios de cabelo prata do rosto e bufa — O que é isso? Me sequestrando de novo?

— Eu não ousaria, Régis me derrubaria daqui com tiros. — ele respondeu sorrindo de leve — Queria falar com você, em particular, e faz tempo que não voamos assim, só juntei os dois.

— E o que o senhor Von Canyon quer com essa pobre General?

— Você está bem? — ele pergunta, sinceridade pingando do tom misturado com preocupação, todos eles estão apavorados por ela, Alethia não entende pois franze a testa confusa — Estamos preocupados desde Berkas com você, você não andou dormindo bem e parece prestes a entrar em colapso... Na verdade você parece uma protagonista de livro que perdeu tudo e está prestes a virar a vilã e dominar o mundo...

— Ok, entendi! — ela o interrompeu rindo pelo nariz, Lethia passou a mão pela bochecha de Dio em um carinho fraco — Agradeço a preocupação, mas estou bem. É só que foi muita coisa junto, antes era as missões ocasionais dos Deuses e os portais, agora? Eu tenho meu irmão, um maníaco atrás dos meus olhos, caçar Karina, recolocar meu reino e família nos trilhos, destruir os Von Crison, visitar o QG e os Deuses sabem mais o que.... Faz tempo desde que eu estive metida em tanta coisa junta, não se preocupem eu voltei a dormir direito, está tudo certo.

Algo no sorriso dela não parece certo, é o sorriso agradecido habitual dela, rosto relaxado e corpo mole contra os braços de Dio confiando cegamente que ele vai manter ela no ar sem ela precisar se agarrar nele.

Dio observa, tudo normal e no lugar, mas sua intuição apita, algo está errado.

— Ercnard voltou. — ela aponta para algum ponto atrás de Dio, ele os gira no ar e olha por cima do ombro dela, uma figura de preto se aproximava rapidamente do acampamento cavalgando e levantando terra, Alethia puxa seu rosto de volta e o encara sorrindo — Vá recebe-lo, vou buscar o pessoal.

Dio abre os braços e a deixa cair, ele dispara para Sieghart e consegue ouvir o grito irritado de Caxias, pra quem ele jogou Alethia, lhe gritar uma maldição. Dio desce poucos segundos antes do cavalo de Sieghart entrar na linha de visão do exercito.

Sieghart desmonta do cavalo, ele não parece ter se explodido ou coisa do tipo, mas a expressão dele é terrível, ele parece perdido e prestes a sentar e chorar, Dio anda para ele preocupado guardando suas asas.

— O que houve?

— Eu... — ele começa, mas engasga sem saber como continuar e desisti negando com a cabeça — Vamos, precisamos reunir o pessoal.

Dio não entende mais guia Sieghart, que estava tão atordoado que mal notou as adições ao exercito e claramente teria achado o caminho da tenda sozinho. Dio esta preocupado, Sieghart não parece com medo ou coisa do tipo, ele parece triste.

Sieghart e tristeza não combinam na mesma frase.

Régis estava na tenda desde que chegaram, junto com ele Lev, Luka e Vexa formavam um circulo e atualizavam o Wild das batalhas em Elyos que ele perdeu. Aos poucos todos foram retornando a tenda, Dio saudou Sage com um aceno enquanto o General ainda estava ao lado de Zero junto com Carmela, Lethia é a última a entrar com Aron e Mari.

— Então? — Lothos exigiu o relatório de Sieghart.

— Irina.

O único nome dito envia a sala em um silencio, Sieghart usou um tom dolorido, como se estivesse com espinhos na garganta, para dizer o nome da mulher e todos entenderam de cara: ela era importante.

Dio sabe quem ela é, uma figura alta, loira e de olhos azuis ameaçadores, bela como a neve e mortal como o gelo, uma espada de gelo na cintura e uma frieza nos ossos. Irina. General de Juriore, morta há séculos.

— Como assim Irina? — Alethia se adianta para o lado dele e toma o rosto de Sieghart nas mãos afastando Dio com um empurrão sutil — Ercnard?

— Eu explodi as minas, mas a porta do palácio abriu do nada e uma nevasca me jogou para fora da cidade. — ele explicou piscando, o rosto de Alethia foi tomando foco e ele foi se acalmando — Sou horrível em magia, mas eu reconheço aquela magia em qualquer lugar. Irina.

— É por isso que a minha visão não vê depois de certo ponto. — Alethia murmurou para si mesma, mas logo sacudiu a cabeça e se voltou para Lothos — Como ela pode estar viva?

— Não pode! — Lothos garantiu tão atordoada quando ela — Nós verificamos. Eu verifiquei os registros de Hades, Irina cruzou o portão.

— Então como?

— Estamos fodidos. — Sieghart diz depois de Alethia perguntar — Deuses, estamos muito fodidos, se Irina estiver com a arma roubada de Thanatos estamos mortos.

— Eu ainda estou aqui. — Lothos garantiu.

— Ele se referiu a ele e eu Comandante. — Alethia revidou — Você pode lutar com ela e vencer, nós morremos antes da luta terminar. — ela parou um instante respirou fundo e soltou o ar pela boca — Isso não importa, temos uma missão, recomponha-se General Sieghart.

Dio xingou, a palavra recomponha-se seguida pela patente ou pela palavra Highlander é a senha para disparar anos de treinamento muito bem feitos, Dio sempre admirou a lavagem cerebral que eles faziam nos recrutas, aquele conjunto de palavras ativava a memoria corporal e disparava o cérebro do Highlander para ele se acalmar.

Anos ouvindo aquela frase em treinamento ditas por superiores e treinando para se acalmar e recompor ao ouvir aquilo Sieghart tensou o corpo todo e os olhos vidraram, ele se soltou de Alethia respirou fundo e voltou a sua expressão normal.

— As minas estão desativadas, sobre o plano de batalha. — Sieghart andou em direção a mesa e todos se aproximaram — Um mago para cada duas armas de cerco, escudos fortes e resistentes. Quem tiver magia da terra deve erguer muros nos fundos do exercito para os arqueiros, conforme avançarmos eles vão erguendo novas paredes cada vez mais perto. — ele indicou com totens as posições das paredes e dos arqueiros — Alethia, Dio, Caxias, Ladmir, Régis, Lupus, Zero e Rey, nós vamos pra linha de frente. Lin e Lass, vocês vão acompanhar Mari pelo campo e proteger ela, Mari monte armadilhas por todo lugar eu sei que você fez alguma coisa.

— Algumas surpresas na verdade.

— Essa é a minha garota. — Sieghart colocou novos totens marcando a posição de quem estava na linha de frente — Lire, pegue meia dúzia de arqueiros dos Elfos Negros e alguns do soldados Von Canyon, se infiltre nas sombras da cidade e de cabo dos inimigos sem ser descoberta. — Sieghart continuou, Lire concordou e mais um totem na mesa — Arme e Vexa, magia de grande área, vocês são as magas mais habilidosas daqui vão descobrir alguma coisa. — Arme e Vexa se olham em uma saudação silenciosa — Lev tire parte dos soldados e proteja a parede dos arqueiros, qualquer coisa inimiga que chegar perto derrube, Luka lidere o resto das tropas. — Sieghart respirou fundo — O resto de vocês se espalhem pelo campo, não precisamos de formação é entrar e lutar, lembrem de não deixar a tropa passar de quem estiver na linha de frente, quando perceberem que estamos para entrar no castelo se reúnam. Depois que entrarmos estaremos por conta própria contra tudo que estiver lá dentro.

— Dahlia é minha. — Galadriel declara.

Todos concordam, era por volta das cinco da tarde e eles estavam programados para chegar em Canalt daqui há três horas, restava tempo para descansar e surtar.

A maioria decidiu pelo último.

....

Zero anda com Alethia ao lado dele no meio do exercito, ele estava fazendo a guarda dela agora enquanto Caxias pairava acima de todo exercito fazendo Deuses sabem o que.

Na verdade eles apenas andam em meio aos soldados, ela saúda a maioria dos membros dos Von Canyon, acena para os Von Crison e sorri para os de Ernas, os soldados Von Canyon claramente adoram a garota e sussurram assim que eles passam sobre a beleza da garota e sobre como “o patrão tem sorte”, Zero acha ridículo parecem um bando de velhas fofoqueiras.

Sage os espera mais a frente, um aperto de mão firme trocado com Alethia é a única saudação antes deles caminharem sozinhos novamente.

— Sage disse que se eu tivesse o seu apoio eles me aceitariam.

— É por isso que estamos aqui. — ela confessa com um sorriso ensaiado — Não se preocupe, já mandei Alfred espalhar o boato de que nós damos total apoio a sua causa.

— Obrigado. — Zero agradece, ela está um passo a frente dele nesse sentido, os por menores da vida da alta sociedade o deixam curioso e ansioso para aprender — Você pode me ensinar?

— A que?

— Percebi que não basta eu saber o que estou fazendo no campo de batalha e na administração, eu preciso saber como lidar com a alta sociedade de Elyos...Minha inabilidade social já deve ter sido notada.

— Ah, sim. — Lethia se aproxima mais dele, dessa vez longe da distancia considerada adequada, espaço pessoal de Zero foi invadido e isso deixou ele alerta — Elyos é um bom jogo de tabuleiros, os senhores nunca foram muito adeptos a politica de fato, mas depois de um tempo perceberam que a guerra é ganha nas salas fechadas não no campo de batalha. — ela gesticulou para o exercito — Os velhos declaram guerra, os jovens lutam.

— Então?

— É bem simples, aprenda história básica de cada família para evitar ofensas e depois faça suas negociações, se não ofender ninguém tudo ficará bem.

— Não foi isso que eu pedi, sua oratória é muito boa, você tem domínio total não só do campo de batalha mais também de todos que estão nele, nunca vi alguém manipular as coisas tão bem.

— Não posso te ensinar algo que nasci sabendo. — Lethia riu, os braços dela se enrolam nos de Zero, a cabeça dele entra em curto circuito, muito perto — A rainha me ensinou isso desde nova, posteriormente minha mestra continuou e a vida me endureceu... Palavras são as armas mais mortais.

— Você está mentindo.

— Estou?

— Sim. — ele engole em seco parando de caminhar com ela ainda pendurada em seu braço, andar e pensar eram duas tarefas que ele não conseguia racionar com alguém tão perto — Seu pulso mudou, e ninguém nasce sabendo as coisas, fora eu é claro.

Alethia pisca, surpresa colore a face da Highlander por um segundo.

— Houve um tempo. — ela começou forçando ele a voltar para sua caminhada, os soldados abrem caminho quando os veem, Zero acha engraçada a cara de surpresa deles ao ver os dois — Quando eu era nova demais para o mundo e achava que o mundo me levaria onde eu devesse estar, nessa época eu não sabia de nada, tolice infantil entende? — as unhas dela cravaram no braço dele, mesmo sendo tolerante a dor Zero sentiu o aperto forte — Eu odiava quando a rainha me levava para os compromissos, odiava aquelas coisas fúteis e queria estar no meio do povo, eu viveria para o povo afinal...

— O que mudou?

— Nada, eu só percebi, pouco antes de servir eu percebi que se eu quisesse dar uma vida boa para o meu povo eu deveria ter aquelas pessoas importantes ao meu lado, eu tinha que fazer aquelas pessoas me adorarem, então eu comecei a não ligar mais pro sentimento horrível que eu tinha ao ver toda aquela falsidade— Lethia deu de ombros — Cada ano servindo eu me importava menos, minha mestra me ensinou muitas coisas, a guilda me deu liberdade, conheci portos pelo mundo, reis, príncipes, bandidos, encantei todos e fiz conexões com todos, Argentum prosperou com isso, eu era importante, eu tinha poder....E eu amo o poder Zero, uma pequena fraqueza.

— Acho que todos amamos.

— Em minha mente eu tinha duas coisas, meu reino e minha família, tudo que eu fiz foi por eles, posteriormente Periet entrou na coisa, tudo por eles, cada mentira, cada risada falsa, cada acordo... Tudo. Eu precisava ser importante o suficiente nos Highlanders para proteger tudo, fiz minha carreira nos anos de recruta, todos me conheciam, todos sabiam que eu seria a vice da Sistina Chefe antes mesmo da formatura, o mundo era meu.

— Então o que houve? — Zero perguntou por dois motivos, ele estava curioso e sentia que ganharia uma lição para vida.

— Eu perdi a pessoa que me guiou para tudo isso. — Alethia respondeu sorrindo simplista, como se não fosse nada — A rainha ficou horrorizada, ela queria que eu assumisse o trono, mas na Guilda eu podia ajudar muito mais, meu irmão seria o rei e juntos seriamos imbatíveis. Eu ousei escolher minha vida e ela não entendeu. O poder é bom, mas a perda é dolorida. — Alethia negou com a cabeça e acariciou o braço que ela havia fincado as unhas — Eu não lembro exatamente quando eu passei a ver as pessoas como peças para o meu objetivo. É por isso que eu não posso te ensinar a ser como eu, nem eu mesma me lembro como me tornei assim.

Zero fica em silencio, ele acredita nela, que ela não lembra exatamente como controlar tudo, se adaptar a tudo se tornou sua segunda natureza, Zero espera que um dia ele seja tão adaptável como ela, mas até lá ele vai precisar de ajuda para não se foder em Elyos e arruinar tudo.

— Eu tenho um proposta.

— Por favor, não me peça em casamento!

— O que?! Claro que não! — Zero se separou dela como se Alethia queima-se, ela o encarou dando de ombros e erguendo as mãos em rendição — Você me ajuda com as coisas até eu saber acertar tudo sozinho e em troca, tem os Zephyrum ao seu dispor.

Um sorriso.

Ele consegue um sorriso de verdade, com dentes e tudo!

— Temos um acordo. — ela estende a mão direita para ele, Zero aperta, Alethia o puxa para perto e sopra no ouvido dele — Lição Um: as mulheres vão entrar em seu espaço pessoal, lide com isso sem surtar igual agora.

Zero não diz que ele pode lidar, que apesar do desconforto ele pode ficar impassível, mas que ela faz seus sensores de perigo dispararem, por que Alethia é perigosa ele sabe, o deixa agitado. Antes que ele possa responder ela se afasta de novo e grita um adeus por cima do ombro antes de sumir no exercito tagarelando com soldados aleatórios.

Quando ele para e pensa, talvez ela tenha usado a própria história para mostrar o quão boa ela é em administrar tudo, o quão governante ela é, exibir suas habilidades e convencer Zero de que ele precisa dela.

Alethia gosta do poder, ela tem os Von Canyon e tinha os Zephyrum, agora ela tem os dois novamente e Zero.

Apesar de se sentir lesado Zero se convence de que foi um bom acordo, ele deve fazer o necessário para manter os seus bem e se o necessário era Alethia que assim fosse, a garota era boa companhia e era só até ele pegar o jeito.

Os sacrifícios pelo dever.

....

— Nervosa?

Lire se assusta coma voz do irmão tão perto dela, quando ela olha para o lado Ladmir está parado lá como se não estivessem no meio de uma marcha para o fim do mundo, ela ainda não consegue associar o irmão ao campo de batalha não importa que ele tenha passado a semana dando lições a eles de como lutar.

Ladmir é o governante pacifista.

— Liam sabe que você está aqui? — ela perguntou para irritar o irmão, um sorriso brincalhão brotando nos lábios — O conselho não deve estar feliz.

— Eu disse a Liam que ia resolver alguns problemas de família e o conselho pode me comer vivo quando eu voltar, isso aqui é mais importante que aquele bando de múmias.

Lire gargalhou, seu irmão reclamando das coisas era hilário, quando ela se acalma Ladmir a observa com um sorriso suave.

— Você está na linha de frente.

— Eu sempre estou na linha de frente. — Ladmir corrigiu, ele deu de ombros — Faz tempo que eu não tenho uma batalha dessas, estou animado.

— Você se lembra das suas outras vidas? — ela pergunta sem se conter, se Ladmir se lembrasse ele talvez soubesse sobre a vida anterior, quando ele era uma criança humana — Não precisa me dizer se for muito pessoal...

— Não lembro. — ele respondeu sem nem pensar — Fora Canalt, eu não lembro, mas Serre desenvolveu um feitiço, uma espécie de copia de segurança, conforme eu vivo minhas memorias vão sendo salvas dentro de um frasco escondido na Academia Violeta, a cada vida eu posso ir até o frasco para absorver minhas memórias de outras vidas, eu fiz isso depois da visita de vocês no casamento.

— Como foi sua última vida?

Ladmir para e pensa, ele fica um segundo inteiro franzindo a testa como se estivesse colocando as memorias em ordem.

— Elfo Negro se eu lembro certo, eu deserdei do exercito e me enfiei em Elyos assim que pude.

— Por que não fez isso dessa vez? Assim que suas memorias começaram a fazer sentido, Sieghart poderia ter usado sua ajuda em Xênia...

— E Dio precisava de alguém para cuidar dos portais de Vermencia e Eryuell, fora que havia você, em todas as minhas vidas eu fiz tudo pela minha família, mas nessa eu tenho você e eu tinha que cuidar de você, ainda mais depois que nossos pais morreram, eu tinha obrigações como líder da ilha, eu tinha que ajudar da forma que eu podia...

— Agora você tem Liam, você a deixou sem uma explicação para uma missão de morte, isso não é justo com ela, você não devia ter vindo.

— Lire, entenda uma coisa. — Ladmir se virou para ela, o tom de voz era sério como ela nunca tinha ouvido — Não deixei tudo e fui para o mundo assim que minhas memorias fizeram sentido por duas coisas: minhas responsabilidades e governar Eryuell seria um grande trunfo caso meus amigos precisassem. Era a escolha mais inteligente e tática. — Ladmir respirou fundo, Lire estava ficando com raiva do tom condescendente dele com ela — Agora? Não há opção, se eles me dizem que precisam de mim eu não pergunto para que, só largo tudo e vou, essa confusão toda é coisa nossa, nossa responsabilidade. Eu sei que não é justo com Liam, mas eu não tive tempo de sentar e explicar, Régis estava no estomago de um maldito dragão, eu só larguei tudo e vim ajudar., quando tudo acabar eu vou explicar a ela.

— E se houver outra situação, que você tiver que largar tudo, Liam, Eryuell ou eu, por eles... Você largaria?

Ladmir pisca e fica em silencio compreendendo toda situação, Lire quer saber até onde ele iria por sua família. Ele entende, claro que entende, é questão de segurança futura, ela precisa se preparar para um dia acordar e descobrir que ele sumiu para ajudar em outra missão do nada como fez agora.

Ele francamente não sabe, ele não sabe. Se ocorre-se da Grand Chase I estar em perigo e sua Liam e Lire também, Ladmir não sabe pra quem iria.

Mentira a parte traiçoeira de sua mente diz, uma série de lembranças pisca em sua cabeça, Alethia banhada em sangue dos inimigos, Sieghart cobrindo as costas dele em um ataque, Dio mergulhando no campo para salva-lo, os tiros de Scarlet passando perto dele, Regis e Mari dançando em batalha com espadas e facas, Guardiana colocando suas magias de suporte e o rosto orgulhoso de Serre a cada missão completada Você sabe a resposta.

Ladmir se odeia por isso, por que ele criou Lire, ele ama Liam e ainda sim escolheria sua família sobre elas? A benção de Periet deve ter me destruído por dentro ele pensa. Ladmir não gosta disso, ele deveria escolher as duas, seus amigos sabem se cuidar e ele confia que se for caso de vida ou morte a Grand Chase sempre dá um jeito.

Mas seus amigos também confiam nele para ajudar dar esse jeito.

— Seu silencio é a resposta irmão.

Lire sai andando e pisando duro. Ela não entende Ladmir nega com a cabeça Somos fodidos demais para não nos escolhermos sobre nada. Quebrados além do reparo. Somos nós por nós Lire, sempre tem sido assim, é doentio mais não há outro jeito.

É uma verdade que todos sabem infelizmente, desde o que aconteceu em Canalt, quando eles se depararam com a falha gigantesca deles, quando só restou eles por eles, a dependência emocional é algo que paira sobre o grupo.

Depois de tantas perdas é mais forte agora, por que Ladmir sabe, se eles perdem mais um talvez os outros não aguentem.

....

— Aqui.

Alethia pega o lenço prateado da mão de Azin sem entender, olhando por cima do ombro do irmão ela vê o mesmo pano nos outros três membros de Argentum. Amy tem seu lenço prateado amarrado no pescoço, Jin enrola o tecido em seu braço com um nó firme e Holy coloca o seu amarrado no pulso.

Azin tem o dele costurado, com pontos horríveis vale ressaltar, no peito.

Quando ela desdobra o lenço o coração erra uma batida, o símbolo da casa real, um dragão e uma fênix estão pintados no fundo prateado em preto e branco, Alethia não usa aquele símbolo há bastante tempo, geralmente quando ela precisava usar seu titulo em locais públicos, mas ela usava variações e nunca o símbolo oficial.

O lenço de Azin tem o mesmo símbolo, o de Jin tem apenas o dragão que simbolizava o exercito, Holy tem a fênix para os membros da equipe médica militar e Amy também tem um dragão, em um modelo diferente do de Jin simbolizando que ela faz parte dos soldados de suporte, o dragão está pintado sob o símbolo das Sistinas.

— Pedi a Sirioth e a Sirius para tentarem achar algo no castelo, você está usando um dos lenços do pai e o meu é da mãe. — Azin contou como quem diz um segredo — Eu queria te dar uma coroa de flores, mas não acho que seria apropriado então ainda estou te devendo.

Ainda olhando o lenço Alethia puxa o irmão para um abraço apertado e beija os cabelos prateados dele, segurando pelo ombro e olhando profundamente nos olhos dele ela quer dar a ordem, dizer que se as coisas derem errado para Azin montar em Sirius e sair de Arquimídia sem olhar para trás.

Alethia não tem coragem de dizer no entanto, Azin trabalhou para aquela batalha, ela não tinha o direito de tirar isso dele, teria que ser de outro jeito.

— Escute, é a primeira vez que você vai entrar em campo comigo. — ela começa mudando o discurso — Eu estou usando minha espada e as coisas que você vai me ver fazer podem ser indescritíveis...

— Lembra o que eu e o pai dissemos para você várias vezes? — ele pergunta retoricamente — Não importa, sabemos quem você é, não importa o quão horrível são suas missões ou o que você se torna por causa delas... Você ainda é a minha irmã mais velha, eu te amo, independente de você achar que não merece.

— Azryn...

— Me escute está bem? — Azin segurou ela pelas bochechas e olhou fundo nos olhos dela — Quando você me disse que iria fazer seus votos eu gritei e disse coisas horríveis, eu já pedi desculpas e peço novamente. Fiquei irritado, eu era novo e teria que reinar, eu nunca achei que usaria a coroa, mas Aleth, você passou a vida agradando todos nós, aquela foi a primeira vez que eu vi você fazer algo que queria. — Azin respirou fundo tomando folego — Eu nunca te culpei irmã, você continuou a cuidar de Argentum e de mim mesmo servindo, ainda era minha irmã mais velha, a joia do pai e o orgulho país, mas pela primeira vez você também era algo que trabalhou para ser e não nasceu sendo. Se a coroa era o preço pela sua felicidade eu seria rei mil vezes de bom grado.

Um lagrima que ela nem sabia que havia se formado desceu pelas bochechas dela, Azin limpou delicadamente e sorriu para ela, a imagem de uma criança pequena sobrepôs a do irmão, olhos brilhantes e alegre com um sorriso atravesso, Alethia pisca e a imagem some.

— Olhe para você, tão adulto. — ela riu abraçando o irmão de novo, um beijo depositado na testa de Azin e ela se afasta — Só lembre de uma coisa ok? Eu sou imortal, não tente salvar minha vida.

— Está bem.

— Eu tenho muito orgulho de você irmãozinho.

Ela ainda se sente culpada, colocar a coroa na cabeça de Azin é algo que ela nunca vai se perdoar por fazer, mas por hora tudo que ela quer pensar é no agora, e agora seu irmão está puxando ela pelo braço para uma roda de conversa com Jin, Holy e Amy.

...

Régis observa seus filhos sentados no chão da tenda, Lupus está limpando suas Scarlets enquanto Lass afia sua katana, o próprio Régis está polindo suas pistolas antes da batalha.

— Pai, o senhor vai usar a espada? — Lupus pergunta convocando a lamina da família Wild, ele estende a empunhadura para Régis — É sua afinal das contas.

— Eu nunca gostei dessa espada apesar de usar muitas vezes. — Régis pegou Kodachi olhando com desgosto — Foi um presente de Hades há muitos séculos atrás, depois que eu fugi de casa minha irmã ficou com ela e quando ela casou foi para o marido, matei ele e meus pais com ela e depois comecei a usar em memoria de Azula, ela adorava espadas mais nunca pode praticar o quanto queria. — Régis devolveu a espada para Lupus dando de ombros — É a espada da família, usem vocês dois, mas tenham cuidado, ela matou quase todos os Wild da minha geração.

— Um dia o senhor vai nos contar o que houve? — Lass perguntou erguendo o olhar do chão para o pai, ele tem os olhos de Azula, E uma vida tão triste quanto minha irmã teve Régis pensa, o patriarca sacode a cabeça e suspira — O senhor parece ter amado muito a nossa tia e odiado todo o resto.

Uma lembrança atinge Régis com força, Scarlet estava grávida de Lass e ambos estavam sentados no quintal dos fundos vendo Lupus brincar na terra com Claude, o mordomo estava coberto de terra e muito concentrado em ajudar Lupus com seu boneco de lama.

— Eu ouvi algumas mães no falando sobre reunir as crianças em algum lugar para eles se divertirem enquanto os adultos relaxam, ofereci nossa casa, temos muito espaço.

— E o que elas disseram querida? — ele perguntou abaixando o livro que lia para encarar a esposa e seus cabelos albinos brilhantes, Scarlet estava observando Lupus brincar seu perfil era lindo e Regis se apaixona mais um pouco — Teremos uma festa em breve ou coisa do tipo?

— Sim, mas não aqui. — Scarlet respondeu se voltando para ele com uma expressão em branco — Ofereci nossa casa, mas todos deram desculpas e ficou decidido outro canto, ouvi depois as fofocas, ninguém quer entrar na mansão por causa do que aconteceu com o antigo chefe da família e os seus empregados.

Régis considera em silencio largando de vez o livro, ele sempre soube que o incêndio iria assombrar ele a vida toda e recebeu os avisos de seus amigos que ele teria que lidar com as consequências, aparentemente a hora chegou.

— Você está chateada com isso?

— Eu? Claro que não, é um alivio que eles não queiram vir aqui, ninguém daquele meio me daria um olhar se eu não fosse sua esposa ou a melhor caçadora de Hades. — Scarlet deu de ombros sem realmente ligar — Mas, as crianças escutam os adultos... Um dia você vai ter que explicar para eles o motivo de todos olharem para você com medo ou sussurrarem quando nós passamos.

Régis olha para Lupus sujo de terra e sorrindo, olha para a barriga de Scarlet com carinho e por último encontra os olhos da esposa tranquilo.

— Primeiro, segunda melhor caçadora querida, eu sou o primeiro. — Scarlet bufou indicando a barriga e dando a entender que a licença dela da caça era o motivo do marido estar em primeiro — Quando esse dia chegar, você vai me ajudar.

— Pai?

A voz de Lass o trás de volta para a tenda no meio da guerra, Regis pisca negando com a cabeça e voltando a realidade.

— Azula foi minha única fonte de felicidade até eu conhecer a mãe de vocês, houveram coisas que me obrigaram a fugir e deixa-la para trás, minha irmã não teve uma vida gentil garotos, os avôs de vocês eram terríveis... — Régis parou, sacudiu a cabeça para se livrar da sensação ruim em falar dos pais e respirou fundo — Isso é história para outra hora, no momento temos uma guerra pela frente, vamos nos preparar certo?

— Sim senhor.

Scarlet não está com ele e o momento de seus filhos saberem o que o havia feito tão famoso estava chegando, é nauseante e faz sua ansiedade bater no pico, Régis tem os nervos a flor da pele até que se acalme o suficiente.

Lupus já deve ter ouvido falar sobre todo caso da família Wild, mas os boatos diferem da verdade em certos pontos e as únicas testemunhas do expurgo que Regis promoveu são Claude e seus amigos.

Régis sabe que Claude está em algum ponto do acampamento com Alfred, ambos estão reforçando os sentinelas por ordens de Dio. Ele havia puxado seu mordomo para o lado e reforçado a ordem superior que ele deu quando Lupus nasceu e reforçou novamente com Lass veio ao mundo.

Se algo der errado pegue as crianças e corra.

...

Vexa bate a continência para sua General quando ela se aproxima com quatro pessoas desconhecidas e maga com quem Vexa trabalharia, ela estranha em muitos níveis o fato de Alethia está tão simples para os padrões dela, geralmente haveria algo nos cabelos ou uma joia, lábios vermelhos e olhos contornados.

Agora não há joias e apenas a face limpa.

— Essa é Vexa pessoal, ela é minha tenente nas forças Von Canyon e uma maga bastante habilidosa. — Alethia começa as apresentações — Este é meu irmão caçula Azin, o ruivo é Jin Kaien dos Cavalheiros de Prata, Holy Serenity e a Sistina da Grand Chase II, Amy Plie.

— Seu irmão...?

Vexa ainda não estava alistada na época, mas ela sabia da história de Argentum, todo mundo sabia sobre Canalt, Argentum e os Highlanders.

— Curta história, ele e a princesa de Canalt sobreviveram e aqui estamos. — a General Dives sacudiu a mão fazendo pouco caso, Vexa entendeu para largar o assunto — Quero que mantenha um olho nesses quatros ok? Passe as ordens para o seu regimento, se algo acontecer com eles eu ficaria muito triste.

Vexa assentiu enfaticamente, ela asseguraria das ordens chegarem não só aos soldados que ela comandava, mas ao exercito dos Von Canyon inteiro. Lord Von Canyon odiaria ver a General Dives triste, eles não podiam permitir.

— Ah, essa aqui é Arme Glenstid, neta do seu mestre, sua responsabilidade entendeu?

Vexa olhou para a garota baixinha, ela mal batia nos ombros de Vexa e claramente não tinha músculos ou uma aparência impressionante. Cabelos violetas caiam até abaixo dos ombros em pontas espetadas para fora e grandes olhos do mesmo tom, o rosto de Arme tinha uma aparência infantil, mas havia algo no maxilar travado e nos olhos brilhantes desafiando Vexa a zombar de sua aparência pequena.

Sabiamente ela cala a boca e saúda Arme com um aperto de mão.

— Não vi o mestre ainda, ele está no acampamento?

— Serre está morto.

Vexa pisca para Alethia, ela pisca muitas vezes antes de digerir a noticia, Serre era uma presença familiar para ela, Serre ensinou magia, ensinou a lutar e muitas outras coisas, Serre a chamava regularmente para checar como ela estava e falar sobre suas últimas teorias magicas.

Parando para pensar fazia algum tempo que a orbe dele estava muda, ela supôs que ele estava ocupado ajudando Dio, não que ele estava morto.

— Achei vocês!

É Rey quem salva a cena de um clima fúnebre, junto dela está um Asmodiano alto e musculoso de cabelos verdes longos e olhos amarelos com pele azul escura, ele segura um cajado grande de ferro com amuletos pendurados na ponta.

— Este é Marvin, ele é o melhor mago das tropas que vieram comigo, estou emprestando ele para o circulo magico de vocês duas. — ela indicou Arme e Vexa com a mão — De nada.

Vexa foca rapidamente sacudindo a cabeça, ela é uma militar treinada pelo amor do sol de Elyos, e estende a mão para o tal Marvin, Arme a imita. Alethia mantem a atenção nela como um falcão, sua General parece está julgando alguma coisa.

— Dio não tinha te avisado?

— O patrão não aparece no QG central tem muito tempo, ele apareceu para das as ordens a Lev e depois fez algumas chamadas de orbe quando necessário. — Vexa respondeu ainda atordoada ela se virou para Arme — Eu sinto muito pela sua perda, você pode me dizer o que houve?

— Obrigada. — Arme aceitou os pêsames e suspirou — Podemos conversar enquanto andamos.

— Ótimo. — Alethia bateu palmas ganhando atenção — Diga para ficarem de olhos no garoto albino, no Haros, na Elfa loira, na ruiva e na menina de cabelo azul, são os filhos do Regis, a irmã mais nova de Ladmir, uma descendente do SIeghart e Mari Ming Onette.

— Repassarei as ordens minha senhora.

— Muito obrigada por oferecer Marvin senhorita Von Crison, muito gentil. — Alethia se virou para o pequeno grupo que a acompanhava — Fiquem aqui com Arme e expliquem para Vexa tudo que aconteceu até agora. Vexa eu quero todo exercito informado sobre o que a nova Grand Chase fez, principalmente como ajudaram a me encontrar.

— A General estava perdida?! — Vexa gritou meio surpresa e meio preocupada — Minha senhora está bem?

— Deuses! — Alethia acertou a própria testa — Dio é um completo incompetente!

A General se afastou como um furacão raivoso, poucos metros de distancia o recém proclamado Lord Zephyrum abordou Alethia junto com Sage e uma garota de cabelos brancos, o quarteto se perdeu no exercito.

— Eu acho que temos muito para conversar.

— Você não faz ideia. — Arme suspirou pesadamente — Tudo começou em Serdin...

....

Caxias escuta por engano, mas acaba parando para ouvir de qualquer jeito, é hilário toda situação.

Um punhado de soldados Von Canyon e Zephyrum está marchando enquanto divide a comida e bebida, eles estão acalorados e falando alto, no meio da marcha ninguém ouve ou liga, mas Caxias acaba parando para ouvir.

— Estou dizendo vi Lady Alethia falar de casamento com Lord Zephyrum!

— Impossível! Lord Von Canyon e Lady Alethia se amam!

— Ouvir dizer que os dois brigaram pela mão dela! — um soldado Von Crison se meteu na conversa e todos viraram para ele curiosos — Dizem que o General Sieghart ficou furioso com os dois por tentarem roubar Lady Alethia dele e nocauteou ambos.

— Eu ouvi na tenda de comando agora a pouco. — aquela altura Caxias estava tão roxo de segurar o riso que nem sabia quem estava falando — O Lord Wild é o novo líder da Grand Chase I, ele disse que quer casar Lady Alethia com seu filho mais velho.

— Não! — o grupo exclamou horrorizado, um Von Canyon continuou — Lady Scarlet nunca permitiria isso!

— É por isso que ela não está aqui! Eles brigaram feio. Dizem que o garoto mais velho foi contra madame Wild por ter se apaixonado pela senhora Alethia.

— A tenente Vexa. — uma nova voz entrou na conversa — Está contando sobre a nova Grand Chase, eles ajudaram a salvar Lady Alethia de um confinamento, pelas histórias e pelo que vi mais cedo, o Lord Zephyrum está caído pela senhora e vice-versa, teremos um casamento em breve!

— Isso é ridículo, Lady Alethia nunca escolheria alguém que não seja Lord Von Canyon, ele é o único digno dela.

— Está dizendo que nosso senhor é pouca coisa comparado ao seu?!

Caxias não aguentou, levitando no céu ele explodiu em risadas altas, aquelas fofocas começadas sem fundamento algum iriam dar o que falar ainda. Ele sorriu, infelizmente ele não veria o que a pequena rixa entre os homens Von Canyon e Zephyrum iria dar.

Quem sabe quando ele volta-se as coisas já tivessem se resolvido.

....

O batalhão chega ao seu destino no inicio da noite.

O clima é tenso na fronteira para a cidade e o silencio é pesado, o único barulho são das armas de cerco e das paredes sendo levantadas conforme as instruções, as Grand Chase se reúnem na frente do exercito antes da batalha começar.

— Sentiu alguma coisa?

— Nada, nem sinal de Irina. — Alethia respondeu para Lothos, ela estala a língua em nervoso — Isso é bom não é?

— Eu não sei, prefiro ela no campo de visão do que um ataque surpresa.

— Pois bem. — Ladmir bate as mãos com força, ele tem uma bolsa cruzada no ombro e está segurando um frasco verde e outro amarelo — Poções de cura, passei toda tarde distribuindo para o exercito, usem apenas se estiverem longe de socorro médico, e um “antidoto” para fadiga, usem com moderação, ele suprimi a sensação de cansaço por um tempo e recupera um pouco de mana.

— Como nunca tivemos uma coisa dessas antes? — Elesis pergunta para ninguém em especifico ajudando Ladmir a distribuir os frascos.

— Por que depois que o efeito passa toda fadiga volta de uma vez e te derruba de cansaço por Deuses sabem quanto tempo. — Régis acertou um tapa na cabeça de Ladmir por esquecer a parte mais importante da explicação — DIO, DESCÇA!

Dio pousou suavemente no meio do grupo, ele negou com a cabeça sinalizando que não achou nada, antes que pudesse dizer qualquer coisa Alethia acerta um murro no ombro dele que encara a prateada surpreso, eles não se viam desde a última reunião, ele estava ordenando suas tropas com Sieghart e ela perdida no meio dos soldados com Zero e Lin.

— Você não avisou aos homens quando descobriu do meu sumiço?

— Não vejo o motivo para eu avisar, só geraria pânico e boatos infundados.

— E se um deles tivesse me visto!?

— Eu não ia deixar que dissessem que eu não sei cuidar dos meus, eu tenho uma reputação a zelar!

— Avisasse aos tenentes pelo menos! A coitada da Vexa não sabia sobre Serre, e nenhum deles recebeu relatos sobre uma nova Grand Chase, se um soldado os achasse por engano e os matassem?

— Bom isso os classificaria como fracos!

Eles discutem argumentos infundados com replicas piores ainda, Lev tosse para chamar a atenção de ambos mais não funciona, suspirando baixo ele clareia a garganta de novo.

— Estamos indo para os postos meus senhores.

Dio estende a mão para Lev, Alethia faz o mesmo, ambos ainda se encarando com raiva mal disfarçada, Dio se liga primeiro na situação e seu olhar desliza dos  olhos irritados para o braço estendido, um sorriso arrogante adorna os lábios do Asmodiano.

Alethia percebe o que está fazendo e recua o braço desviando o olhar, ela não aguenta e cai na risada se inclinando para se apoiar em Dio, ambos acabam rindo pelo nariz de toda situação ridícula, Lev beija o anel de Dio e sai negando com a cabeça.

Não é a primeira vez que Alethia faz o gesto de estender a mão para um deles beijar, ocorreram algumas vezes e é normal chamarem ela de Lady Von Canyon por engano, mas Lev não é pago para lidar com todo clima que a confusão cria, hoje foi cômica outras vezes Lev teve que sair correndo para não presenciar uma cena explicita.

— Certo, agora que já presenciamos o que falta de sexo pode gerar, podemos por favor focar aqui?! — Sieghart chamou a atenção dos dois — Mari? Tem algo para nós?

— Já que não temos Serre pra ativar nossa matriz de comunicação, aqui estão nossos comunicadores! — ela afastou o cabelo do ouvido, uma estrutura de metal no formato dos brincos que os elfos geralmente usavam estava pendurado ali, havia uma bolinha em forma de perola alojada dentro do ouvido — Eu não tive muito tempo para desenvolver algo melhor, então ele ainda não pode falar individualmente, o que disserem vai sair em todos.

Ela distribui as peças, pares iguais para caso um falha-se ou quebrasse, a Grand Chase prende nos ouvidos e testa em tom baixo comprovando a eficiência, a Grand Chase I percebe que o brinco esquerdo deles é diferente, um teste breve de Regis em voz baixa mandando aqueles que o ouviam mexerem o braço comprova a teoria, um canal exclusivo para a Grand Chase I.

— Todos estão em posições. — Galadriel avisa chegando até eles, a aramdura dela é impressionante, verde e azul, o cajado a faz parecer uma deusa, mas olhando seu rosto é fácil ver o cansaço que ela sente em lutar uma outra batalha — No sinal de vocês marchamos.

Elesis olha para o que um dia foi Canalt, determinação pura queima nos olhos rubis da garota e ela se volta para sua equipe com um sorriso confiante.

— Vamos fazer isso. Por todos que deveriam estar aqui. Por todos que deram suas vidas para estarmos aqui. Não vamos desapontá-los!

Os novatos gritam em afirmação e se dispersam para seus postos, na linha de frente o clima gela, Régis está parado bem em pé na fronteira, ele olha por cima do ombro para sua equipe com olhos afiados.

— Vocês sabem que essa é foi nossa primeira missão e vai ser última, vamos completar com sucesso, não morram ou eu caço a alma de vocês e mato de novo — ele diz calmamente, não é exatamente um discurso inspirador, mas é o que importa, eles não podem morrer ali, ninguém vai aguentar outra perda — Ladmir faça as honras.

Ladmir sorriu e deu o primeiro passo para a batalha final.

Acima deles o céu fechou e uma tempestade rugiu do nada anunciando o inicio do fim de uma história.

 


Notas Finais


tá sejam francos, quem adivinhou o que a aldeia tava fazendo?
e quem adivinhou que Regis pegou o lider??

ah sim alguns pontos.

Não achem a Lire chata ou coisa do tipo, enquanto a Elesis se abriu, a Arme amadureceu a Lire foi ficando mais realista ao longo da jornada, ela aprendeu a se precavir, saber de Ladmir iria escolher elas ou a gc I é uma precaução e tanto, no fundo ela entende o irmão isso fica claro para ela quando ela precisa fazer uma escolha semelhante.

O que levou o Regis a matar seus pais, incendiar a mansão WIld, destruir uma família de elite de Elyos, na qual a irmã casou? Cenas para os próximos capitulos.

SOLDADOS = FOFOCA (me enviem algumas sugestões de fofocas/boatos)

Zero assume o manto mais perdido que cego em tiroteio MAS DA CERTO!

Os Highlanders estão chegando, mortos, mas estão.

Bem como Uno e Edel hihihihihihihihi o arco da Edel hihihihhihihihihihihi

Lord Von Crison: não sei o que minha filha está fazendo mas vou fingir que sei.

Sacaram que Periet tem um plano pra Berkas né? Mas é um plano para parar o dragão ou ajuda-lo?

Sexta no globo reporter.

AGORA PAPO SÉRIO QUE EU TO INDECISA

Se vocês fossem a Liam, aceitariam o Ladmir de volta mesmo com todas as mentiras que ele contou para ela e como ele largou ela para trás sem nenhuma explicação com o conselho todo pra lidar? Em sã-consciencia eu NÃO aceitaria, mas não sei, Ladmir merece um final feliz? Sim. Ele foi babaca? Sim.

Então me digam.

até o próximo, comecem a contar que eu vou voltar a escrever isso aqui na sexta ok? então contem minha demroa a partir de lá.

ps: FIQUEM EM CASA CARALHO VOCÊS NÃO SÃO HIGHLANDERS


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