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História Grand Chase - A Jornada - Capítulo 79


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Notas do Autor


A minha desclpa pra demora é só uma: TENDINITE.

Autora arranca dedos fora, entenda.

Gente eu prometi dois caps de 2k e voltei com um de 13k, sinceramente me interditem.

VEJAM MEU COMENTÁRIO NO CAPITULO IMPORTANTE.

Capítulo 79 - A Ilusão do Fim - Terceira Pessoa.


TERCEIRA PESSOA

"O fim é apenas uma ilusão"

Quando Lire desce para ajudar no café da manhã ela é surpreendida com Alethia já na cozinha e com todo primeiro andar cheirando a produtos de limpeza e levemente a tempero forte.

A mesa está posta, mas os pratos ainda estavam começando a ser feitos.

— Ei Lire, bom dia. — Alethia saúda com um sorriso, um pano de prato está jogado sobre o ombro dela, ela ainda está de camisola e cabelos trançados para noite — Me ajuda com a comida? Não sei se alguém tem alguma restrição alimentar.

Abobada ao ver a garota fazendo uma tarefa tão mundana Lire concorda e vai ajudar na cozinha, ela acaba espremendo frutas para um suco de laranja e depois parte para fritar os ovos.

— Eu trouxe os morangos senhorita. — Alfred aparece com uma sacola de frutas e algumas garrafas — O leite estava caro.

— Ah eu imagino. — Alethia resmungou recolhendo as compras — Deviam criar animais nesse lugar, teríamos coisas de graça.

Enquanto fritava os ovos ela escutava Alethia e Alfred trabalharem reclamando sobre o preço das coisas e sobre como tudo estava com qualidade duvidosa.

Alethia continua a preparação de coisas que Lire nunca viu na vida, ela prepara muita coisa em tempo recorde e Alfred não se move para ajudar fora cortar ingredientes e fazer algumas perguntas.

Quando educadamente ela expulsa Lire do fogão para assumir a Elfa está positivamente chocada que a garota saiba cozinhar, ela frita algo com cheiro forte de carne, Lire repara que são pequenas trouxas de massa com algo dentro.

Lire apenas sobe de novo para se lavar e se preparar para o dia achando que o que ela viu foi alucinação sonambula.

Quando ela desce de novo quase duas horas de depois as oito da manhã a cozinha está cheia e a mesa posta, incrivelmente farta e com cheiro forte de todo tipo de coisa, Alethia já está vestida e penteada pronta para o dia, apesar de ninguém ainda está comendo todos se servem da mesa impressionados.

— Eu senti cheiro de baozi? — Sieghart sobe as escadas do subsolo quase caindo, quando ele confirma sua suspeita um sorriso se abre — O que houve? Da última vez que você cozinhou coisa de Argentum para nós foi o que? Há duzentos anos?

— Acho que o lugar me deixa nostálgica. — Alethia riu enquanto servia um prato, Sieghart se sentou a mesa e a princesa o serviu sorrindo — Me peguei acordando cedo e fazendo as tarefas.

— Graças aos Deuses eu não tive esse surto, sair pra caçar e pegar água do poço de madrugada seria horrível. — Sieghart olhou o prato cheirando rapidamente antes de reconhecer a comida — Jianbing? Me diga que tem wonton também?

— Como se eu fosse deixar meus rapazes sem o favoritos deles! — Alethia gargalhou e apontou uma das bandejas na mesa — Eu fiz Thangulu para sobremesa e harumaki para Mari e Dio.

— Irmã, você é uma Deusa. — Azin assegurou já de boca cheia das iguarias na mesa, a Grand Chase começa a comer desconfiada as coisas, mas acabam gostando e misturando com o café da manhã comum deles — Não tem Barba de Dragão?

— Alethia cozinhou? — Regis surgiu das escadas com Mari, Ladmir e Dio — Deuses aquilo é Jianbing? É hoje que eu como até desmaiar.

— É bom mesmo eu fiz muita coisa. — Alethia girou pela mesa servindo um prato já montado para cada um dos recém chegados, ela sorri e está claramente de bom humor, quando ela finalmente se senta entre Azin e Jin e observa todos comerem tudo parece certo — Então, gostaram?

Há um ruído coletivo de concordância, as bocas cheias não falam, mas os olhos felizes pela comida traduzem. Rey é a única que nunca come a comida deles, Alfred havia avisado que ela sempre comia algo que James fizesse, nesta manhã o mordomo havia feito uma série de doces variados.

Ela continua ouvindo a mesa parabenizar seu trabalho e a rir da cara do irmão quando percebeu que ela havia feito vitamina de morango para ele, é uma manhã leve até Alfred aparecer discretamente atrás de Dio e sussurrar algo, Carmela aparece e sussurra algo no ouvido de Zero também.

Dio fecha a cara e abaixa o harumaki de legumes que estava comendo.

— Alfred? — ela chama alto, a mesa presta atenção — Algum problema?

— Lord Von Canyon foi solicitado em Elyos pelas famílias aliadas....

— Bom, eles me pouparam pelo visto. — a forma como ela diz aquilo muda toda postura de felicidade de antes, há uma aura em volta dela que deixa todos tensos, Dio gosta de onde isso vai dar — Eu ia pedir para convocar os aliados em algumas semanas, Sieghart e eu temos que resolver a questão das armas da Guilda não deve demorar muito... Avise que eu estou convocando uma reunião com o conselho para daqui há duas semanas, diga que estou abrindo uma denuncia formal contra Peter Von Crison por sequestro.

Todos olham para Rey quase que automaticamente, a garota segura um garfo com força e olha para Alethia com um rosto esculpido em pedra fria.

— Você não vai vencer meu pai. — Rey diz isso desprovida de qualquer arrogância ou deboche, ela expõe os fatos, o pai dela era a maior mente politica de Elyos, ninguém conseguia derrotar o homem — Esqueça isso e preserve sua reputação.

— Minha reputação? Eu não me importo com a minha reputação entre os cabeças da Resistência. — Alethia deu de ombros sem ligar — Eles não podem fazer nada contra mim sem lidar com a perca de uma família aliada e uma batalha contra o meu pessoal...

— Sua guilda está morta.

— Ousado da sua parte assumir que ela estava falando dos Highlanders. — Mari interrompe para surpresa de todos — Eu defendi meu reino por muitos anos de hordas de Asmodianos, defender uma pessoa só é infinitamente mais fácil. Nós temos poder militar, inteligência e bons comandantes, exterminamos os Le Geviven em uma noite, eu gostaria de ver o seu pai tentar algo contra um de nós.

O silencio que segue é forte, ninguém esperava Mari se meter em algo do tipo, mas a princesa de Canalt continuou seu café normalmente, afinal ela só declarou os fatos, não seria fácil uma guerra contra os Von Crison, mas para eles não era impossível devolver a altura.

— Existem muitos convites para a senhorita. — Alfred prossegue sua tarefa da manhã — Eu destaco o da senhorita Ariadne La Roux...

— Recuse todos e contra envie um convite para um baile na noite da reunião com o conselho. — Dio, o que realmente surpreende literalmente todo mundo, responde por ela, particularmente ele não é o maior fã de festas, mas é uma boa ideia para apresentar a nova Grand Chase — Vamos apresentar os humanos novos e celebrar a velha equipe, afinal salvamos todo mundo não é?

— Você está me dando mais trabalho sabia?

— Então você prefere que eu planeje um baile? — Dio pergunta retoricamente para Alethia, a garota revira os olhos para ele — Foi o que eu pensei.

— Será feito patrão. — Alfred concorda com Dio — A senhora tem um baile e um julgamento para planejar alteza.

— E eu ainda tenho que arranjar roupas para o baile de hoje a noite... — Alethia estalou a língua parecendo brevemente preocupada antes de sorrir — Pois bem, é hora de começar o dia, preciso correr se quiser alcançar o coelho.

Ela se levanta com um sorriso aberto e desce de volta para enfermaria com Alfred no reboque.

— O que deu nela? — Regis é quem faz a pergunta geral.

— No melhor palpite ela andou tomando aqueles chás de cogumelo ou cheirou algum incenso suspeito. — Sieghart respondeu ainda comendo — No pior, ela foi sequestrada e está não é a nossa Lethia.

Após a fala feliz de Sieghart todos param por um momento considerando a última opção, seria possível afinal.

Azin, no entanto sabe melhor, sua irmã e ele herdaram essa característica do pai, uma espécie de bom humor forçado. A julgar pela fala da irmã ela viu algo ou tem um pressentimento que está realmente a incomodando ao ponto de fazer ela ficar tão feliz de nervoso.

Quando ela retornar ao andar de cima os cabelos dela estão soltos, uma coroa de rosas vermelhas repousa na cabeça prateada da irmã, ela usa um vestido de mangas amarelo claro até os joelhos com um espartilho marrom na cintura, calça botas de cano longo e tem uma cesta grande em um dos braços.

Azin pisca tendo um deja vu, tardes de ensolaradas que ele e a irmã passavam brincando na estufa do palácio ou nos campos floridos piscam em sua mente, ela costumava usar roupas assim quando eles saíam para um pique nique.

— Azin, me acompanhe. — ela pede, na verdade manda, distraidamente indo em direção a porta da frente — Eu vou ter tudo pronto para o baile duas horas antes, passarei o dia fora não me esperem para o almoço. — Alethia faz uma pausa franzindo a testa, fecha os dois olhos e bufa — Dio ande logo com isso.

Dio olha para ela surpreso, ele logo sorri entendendo que Alethia previu sua próxima ação.

— Lothos você me deve uma aposta....

....

Dio é ridículo em muitos níveis, mas Lothos acha que dessa vez ele se superou em tudo.

Andar por Serdin vestida de empregada não é humilhante em nenhum momento para Lothos, não mesmo ela respeita muito os empregados para sequer pensar nisso. Andar por Serdin vestida de empregada e no emprego de Sieghart e Alfred por um dia é outra história.

Basicamente ela seria a mordomo de Alethia e Sieghart até a hora do baile, não só isso é claro. Ela seria a mordomo de ambos e a guarda pessoal de Alethia pelo dia inteiro.

Bufando de raiva ela segue alguns passos atrás de Alethia, Sieghart, Azin, Holy, Jin e Amy pela rua da região mais afastada do centro. Eles estão praticamente no limite da cidade e da área rural quando o casarão entra no campo de visão.

— O que é esse lugar? — Amy perguntou curiosa, a casa em si era enorme e pintada de branco, havia flores nos canteiros da janela e um caminho de pedras brancas seguia do portão até a entrada — Está vazio?

Ignorando a pergunta eles param em frente aos portões altos de grades, a cerca se estende alta por todo limite da propriedade, um sino está na lateral direita esperando ser tocado, Lothos percebe que todos estão olhando para ela.

Suspirando a loira se adianta de má vontade de bate o sino, o portão se abre e eles entram.

O som os atinge de uma vez só, risos e gritos infantis estão vindo da parte de trás da casa, eles contornam com Lothos na frente, afinal ela é a guarda e mordomo e precisa garantir a segurança dos dois idiotas.

São pelo menos trinta crianças correndo pela parte de trás da casa com adultos supervisionando, brinquedos estão espalhados e existem algumas mesas com material de arte pelo terreno.

Um orfanato.

A senhora se aproxima deles com um sorriso carinhoso, ela é baixa e rechonchuda, cabelos brancos e óculos redondos fazem dela a típica avó do interior.

— Posso ajudar?

— Nós viemos brincar com as crianças! — Alethia responde feliz, ela bate na cesta que carrega — Trouxemos doações.

Lothos observa como foi fácil para os jovens se espalharem pelo quintal com as crianças e se enturmarem, ela não pode ir muito longe de Alethia, mas acabada sentada distante da garota para ser cobaia de uma pintura de rosto de algumas crianças.

A loira não é a fã número um de crianças, mas os Highlanders faziam muitas ações de caridade em cidades e havia muitas crianças na ilha também, ela convivia com os pequenos regularmente para conseguir se enturmar fácil.

Sieghart está sentado com Alethia, as garotas rapidamente quiseram mexer no cabelo longo dela e outras estavam sentadas rodeando eles vendo como Alethia fazia uma coroa de flores.

— Você é a princesa Alethia.

Quem diz isso é uma das meninas que está aprendendo como trançar as flores com ela, Sieghart que estivera ao sentado ao lado de Alethia acompanhando a aula piscou surpreso e a princesa levantou a sobrancelha confusa.

— Eu sou quem?

— A princesa Alethia dos contos do Sr. Thanas. — a garotinha falou sem erguer os olhos do trabalho que fazia com as flores — E ele é o General Sieghart.

As coisas clicaram, aquele era o orfanato que Thanatos trabalhou e pelo visto ele havia contado histórias sobre eles.

— Onde está Dio? Nunca vimos um Asmodiano. — outra menina se meteu na conversa, aquela altura mais crianças haviam chegado perto deles e era difícil saber quem estava falando devido ao tumulto — Eles tem asas!

Elas começam a falar juntas, perguntas surgindo acima da outra e conversas paralelas aos montes, os dois jovens se olham confusos antes de Sieghart suspirar e bater palmas chamando atenção dos pequenos.

— Somos Alethia e Sieghart. — ele confirmou, as crianças soltaram um “ooooo” de surpresa juntas — Agora um de cada vez!

— Como foi a batalha de vocês em Arqui-Arqui-Arquimedia?

— Arquimídia. — Alethia corrigiu gentilmente antes de franzir a testa confusa — Como vocês sabem disso?

— A rainha avisou a todos, pediu para que mandássemos pela Gradi Chaseee.

— Grand Chase querida. — o tom doce saiu de novo, a intuição de Alethia formigou o que era um bom sinal — Então vocês rezaram por nós?

— O Sr. Thanas disse que vocês são imortais então rezamos para vocês irem bem na luta e funcionou!

Rezaram para eles e não por eles.

Uma troca de olhares entre os dois jovens matou a charada, aqueles sussurros que eles estavam ouvindo durante a luta eram orações das crianças, essa situação poderia evoluir para algo muito desagradável.

Um bando de crianças reza para eles, veem que deu certo e tornam isso um hábito, crescem e transmitem isso para suas futuras famílias e amigos e a próxima coisa que Alethia e Sieghart sabem é que são Deuses menores ou podem virar Deuses tão importantes quanto os atuais e isso seria um problema.

Não é a primeira vez claro, houveram rezas ao longo dos anos, as vezes quando eles estavam sendo possuídos pelos Deuses uma ou outra cruzava sua mente, ou havia um erro na conexão mental e as frequências de comunicação com o Deus cruzava com o canal de orações.

Houveram orações para eles também, sendo sensíveis ao divino eles conseguiam ouvir ecos muito raramente, mas geralmente era apenas uma ou duas pessoas em necessidade não quase cinquenta crianças cheias de fé.

Ascender como Deuses não era uma boa ideia para eles, significaria abrir mão de interferir na terra. Eles não poderiam mais ajudar na resistência, ficariam vendo o mundo sem fazer a diferença, não poderiam lutar lado a lado com seus amigos pela causa que os fez se alistar.

Fugir da divindade era algo que eles faziam com prazer.

Então foi um bom tempo gasto com argumentações bem fundadas (ignorando Sieghart dizendo a frase “Não é pra rezar pra gente...Por que NÃO É!”) e muita dor de cabeça que duas horas passaram com os dois tentando fazer as crianças pararem.

Azin e Jin estavam mostrando posturas básicas de luta para os outros mais logo acabaram em um jogo para “resgatar” Holy de um suposto vilão, Lothos estava ocupada demais mostrando as crianças formas de pintar no rosto várias figuras e Amy montava um teatro com as crianças.

Quase duas horas eles juntam suas coisas e se preparam para sair, antes de saírem Alethia entrega uma caixa para a senhora Maria como doação ao orfanato, eles de despedem e vão embora.

 Abrindo a caixa a idosa encontra um conjunto completo de joias de rubi brilhantes, ela arregala os olhos, mas quando vai chamar Alethia e dizer que aquilo era demais o grupo já estava do lado de fora dos portões.

— Por que viemos hoje irmã?

— Thanatos me pediu um favor nos meus sonhos e eu vim atender. — ela explica ao irmão, ambos andam de braços dados e aos poucos a paisagem urbana vai reaparecendo ao redor deles — Por sorte conseguimos evitar um erro terrível, coisa nossa nada com o que vocês devam se preocupar.

— Eu costumava frequentar o orfanato de Canaban quando tinha tempo livre. — Azin comentou vagamente — Fazer isso com você novamente me deu nostalgia.

— Vermencia não é nada comparada a Argentum. — Alethia foi franca, realmente não era e Lothos assinava embaixo, no auge do reino de prata a ilha era praticamente um paraíso na terra enquanto Vermencia não era muito diferente do atual — Ainda sim há nostalgia em mim também, em dias como esse estaríamos voltando para o castelo e almoçando no jardim secreto da...rainha.

— Mamãe está morta, chame-a como quiser ela não pode fazer nada.

— Ela está morta, mas eu estou viva e me lembro. — um suspirou escapou de Alethia quando ela se virou para o irmão e disse encarando seus olhos vermelhos — Ela é sua mãe Azin, ela te ama e você ama, eu já lhe disse que o que há entre nós duas é entre nós duas. Não tome as minhas dores por isso.

Azin riu pelo nariz e olhou para o céu com um ar melancólico, ainda andando ele disse.

— Eu a amo, ela é minha mãe e sempre foi a melhor pessoa do mundo. Eu era jovem irmã, ainda tinha tempo de escolha, se eu tivesse decidido algo que não fosse a coroa...

— Você não teria...

— Quem sabe? Como eu disse eu era jovem, tinha tempo para isso, costumava me perguntar o que aconteceria se eu desistisse. Ela me renegaria também? Me tiraria a coroa? Me humilharia em frente ao reino?

— Azra não faria isso com você. — Alethia garantiu resoluta Eu era a favorita, mas você era o bebê dela, não com você. — Ela te amava demais para isso.

— Ela também te amava.

— É diferente.

— Como?

— Ela foi uma boa mãe e me amou mais do que tudo de fato, mas você? Você era o garotinho dela, o pequeno príncipe de prata, a coisa mais suave e gentil do mundo. Ela não tinha responsabilidades sérias com você — Alethia beliscou as bochechas do irmão sorrindo — Eu? Herdeira. Ela não foi apenas minha mãe, ela também foi minha mentora, eu não era só filha era um projeto para o reino, o legado dela... Eu quebrei a confiança dela de um jeito que você nunca poderia irmão.

Azin olha para irmã, os cabelos brancos contra o céu azul e a voz dela não trai emoção alguma, ele percebe que é tarde demais para tentar consolar ela sobre as atitudes da mãe e o mais surpreendente, Alethia não odeia a mulher.

Quando ele era mais novo pensava que um dia as coisas entre as duas se acertariam, talvez se houvesse tido mais tempo pudesse ter sido possível, mas agora parece que seiscentos anos foram o suficiente para a irmã se entender com os fantasmas familiares do passado.

Pelo menos ele espera que sim.

— Bom, pelo menos você era a favorita do pai.

Alethia ri.

— É claro que eu era.

....

— Por que você deixou isso para última hora? — Lupus perguntou enquanto era arrastado pela rua central de Serdin por Lin — Tivemos quase três semanas para isso!

— Você comprou suas roupas? — Lin perguntou para ele, Lupus negou com a cabeça para a pergunta — Então não me julgue.

— Eu sou o “jovem mestre” de uma das famílias mais ricas do Hades, eu não preciso comprar roupas formais! Eu tenho roupas formais!

— Garanto que nada no estilo de Ernas.

— Zero, me ajude aqui!

Zero, que estivera olhando curioso o mercado, apenas deu de ombros para o sofrimento de Lupus, ele particularmente estava achando muito informativo a excursão em busca de roupas para o baile daquela noite.

— Ela tem razão, estamos em Ernas temos que respeitar o código de vestimenta daqui.

— Viu, ele entende o mínimo de etiqueta social.

— Eu duvido muito. — Lupus bufou antes de fazer careta — Sem ofensa.

— Tudo bem, eu realmente não entendo. — Zero deu de ombros — Afinal, por que você demorou tanto para comprar suas roupas Lin?

— Eu não achei nada bom. — Lin reclamou voltando a andar, ela fez um som irritado — E Deuses me ajudam eu olhei Canaban inteira com as meninas por três dias!

Lin continuou reclamando e olhando as vitrines, um braço dela estava enganchado em Lupus e o outro em Zero, o Asmodiano fazia perguntas sobre tudo e Lupus tentava responder baseado no que ele sabia do mundo humano, Lin também não era a melhor fonte visto que nunca viveu no continente e vinha de costumes diferentes.

Finalmente eles entraram em uma loja para Lin provar algumas peças, nenhum dos dois usava encantamentos ou disfarces para esconder que não eram humanos, ele pescou alguns comentários ao longo do caminho, mas não teve coragem de interromper as compras de Lin para matar alguém.

Lupus se viu andando entre inúmeras araras de roupas e sendo bombardeado de panos coloridos diversos, como o caçador número um de Hades acabou servindo de carregador para uma humana?

Ele tinha certeza que era praga de sua amiga Gwen.

Depois de Lin pegar tudo ela sumiu no provador e começou a tortura de vários vestidos diferentes, Lupus tinha experiência com Nina e Gwen e ele sabia que tinha que dar uma opinião sincera sobre os modelos ou demoraria mais.

O que Lupus não contou foi a sinceridade de Zero.

— Não é bonito. — ele disse para o vestido amarelo.

— A cor é feia. — ele disse depois de avaliar um colorido.

— Não lhe favorece. — ele decidiu depois de uma longa olhada em um outro modelo amarelo — Faz você parecer uma banana.

Os vendedores e os outros clientes, que estavam claramente os observando desde que entraram com desconfiança, soltaram sussurros de choque e irritação, Zero já havia dito muito naturalmente que a qualidade dos produtos não era boa em algum ponto.

Enquanto as opiniões sinceras chocavam os telespectadores Lin continuava inabalável em sua busca, Lupus desviou momentaneamente sua visão para a vitrine de vidro quando a amiga entrou para provar outra peça e o que ele viu o surpreendeu.

Arme e Lass estavam andando com algodão doce nas mãos, eles estavam lado a lado e riam enquanto conversavam de bom humor, Lupus sabia que o tal encontro deles estava acontecendo hoje e ver a cena o deixou satisfeito. Arme é uma garota legal e poderia explodir o irmão caso ele fizesse merda.

Depois que os dois passaram Lupus reparou um grupo passar logo atrás, apesar de usarem chapéus e capaz para se disfarçarem ele reconheceu cada um deles muito facilmente.

Rey, Ronan, Lire, Ryan e Elesis estavam seguindo o casal junto com um garoto de cabelo vermelho que Lupus não sabia quem era.

Quando Lin perguntou sobre o vestido que usava ele mal olhou de relance para a peça verde e concordou as pressas, Zero também concordou e Lin finalmente decidiu.

Quando eles saíram da loja sob o olhar feio do atendente Lupus começou a puxar os dois em direção aos perseguidores, pensando melhor ele pediu para que os dois o seguissem em silencio.

Acompanhando o grupo pelos telhados Lupus avistou um beco, desceu nele e esperou Arme e Lass passarem, pouco tempo depois o resto veio atrás e nesse momento com a ajuda de Zero e Lin ele agarrou o grupo e puxou para o beco de forma brusca.

— Mas que... Ah são vocês.

Lupus olhou feio para o grupo sentado no chão de terra, a maioria estava tentando disfarçar que haviam sido pegos no flagra espiando.

— O que vocês estão fazendo seguindo os dois?

— Somos fofoqueiros e não tínhamos nada pra fazer. — Ronan foi sincero, ele se levantou e ajudou Ryan a se limpar — E por que vocês estavam seguindo a gente?

— Vi vocês, são discretos igual a um elefante numa loja de cristais. — Lupus bufou e se virou para Rey — E você?

— Estava curiosa sobre o ritual de acasalamento dos humanos.

— Por favor, nunca mais use a palavra acasalamento a algo relacionado ao meu irmão mais novo. — ele sentiu uma dor de cabeça se formando — E o projeto de fosforo ali?

— Elsword, meu irmão caçula, eu não tinha com quem deixar então trouxe ele.

Lupus trocou um olhar com Zero, que não estava entendendo nada e depois com Lin que havia entendido tudo, dando de ombros ele suspirou.

— Levantem ou vamos perder eles. —  Lupus colocou a cabeça para fora do beco — Acho que pararam para almoçar, vamos.

Lupus como irmão mais velho tinha que cuidar de seu irmãozinho, ele ser intrometido era apenas um belo bônus.

...

Edel olhou para os dois jovens sentados no sofá do outro lado da mesa posta.

Havia um rapaz de cabelos brancos arroxeados e olhos de raposa, ele estava usando um hanfu curto e simples azul claro com bordados escuros junto de uma calça branca e botas. A parte de cima do cabelo estava presa atrás no alto e ele tinha uma trança fina feita na trança com uma perola decorando.

A garota ao lado dele parecia uma fada, ela sorria para Edel com sua xicara de chá nas mãos, Edel nunca conheceu pessoalmente a princesa Alethia, mas a jovem sentada ali é exatamente igual a garota da antiga foto que esteve em cima da lareira do escritório do pai de Edel desde que ela se lembra.

“Essa foto é mais velha que eu e você juntos querida, mas você vê a garota nela? Guarde bem o rosto da princesa, um dia você pode precisar dela.”

Edel não entendeu na época, mas agora ela entende.

Ela foi pega de surpresa quando foi convocada para aquela lanchonete, Edel estava no meio de sua agenda de treinamento quando uma mulher loira em uniforme de serviçal apareceu e se apresentou como a lendária Lothos Isolet, ela dizia que Edel estava convocada pela princesa de prata para o almoço.

E agora ali estava ela, com três imortais, um príncipe, um Kaien, uma Serenity e uma Plie.

É loucura.

— Eu tive uma visão, onde dois coelhos apareciam, um veio para mim e o outro foi levado, eles tinham seus olhos e a cor de seu cabelo. — a princesa disse a ela ignorando completamente a comida da mesa — Então me diga querida, o que houve com o outro coelho?

Azin assiste Edel respirar fundo e ficar em silencio, ela parece está considerando as opções, quando ela chega ao entendimento consigo mesma abre a boca e diz.

— Frosland foi atacada quando os portais abriram, a mansão foi tomada por monstros do tipo aranha, a chefe deles chamava-se Aracne...

— Espera. — Sieghart a interrompeu — Aracne? Metade aranha e metade mulher? Pele azul, roupas pretas e cabelo ruivo? Essa Aracne?

— Se parece com ela...

— Como isso é possível?! — ele se virou para Alethia positivamente perturbado — Matamos aquela coisa há mais de trezentos anos! Não sobrou pó do covil...

— Não sei. — ela respondeu tão sem saber quanto ele — Talvez ela tenha fugido do Hades com ajuda de alguém... Muitas possibilidades.

— Não se preocupem ela está morta. A matei depois de limpar toda mansão.

Edel recebeu um sorris satisfeito da princesa, um olhar surpreso do Highlander e um joinha com o polegar do príncipe.

— Os Frost sempre foram implacáveis. Enquanto os Noir eram os espiões do reino a sua família foi a frente de batalha principal no mar, marinheiros treinados, espadas afiadas e disciplina... E beleza é claro.

O príncipe negou com a cabeça e revirou os olhos para a última parte da fala da princesa, Edel sorriu em agradecimento ao elogio belado da jovem.

— A alteza real me elogia demais.

— Me chame de Alethia ou Lethia, todo mundo me chama assim, meu irmão que é a alteza real aqui. — Alethia esclareceu rapidamente — E o que deu errado nessa retomada de Frosland?

— O quarto é seguro?

Uma sobrancelha subiu na bela face de porcelana de Alethia, ela balançou a cabeça e se virou para Amy pedindo um feitiço de isolamento acústico. Amy colocou o feitiço enquanto Jin e Sieghart checavam a sacada da sala privada do segundo andar e o corredor.

Até o armário de louças da sala ganhou uma inspeção.

— Ela controlou todo pessoal da mansão com suas teias, eu resgatei todos, mas quando cheguei no ninho da aranha no porão havia um portal. Ela jogou meu irmão, Adel, e meus pais para dentro, eles estão sumidos desde então. — Edel desabafou o segredo que mantinha há semanas, uma troca de olhares foi feita pelos imortais — Se as pessoas souberem que Lord e Lady Frost junto com seu herdeiro...

— A noticia se espalharia e Frosland estaria em perigo. — foi Jin quem completou a frase, um breve flashback da época que ele defendia Argentum sozinho cruzou a mente dele, ele podia simpatizar com Edel nessa parte — Temos duas ilhas em perigo eminente....

— Se importa se eu fizer uma pergunta? — Amy interrompeu Jin, ela se aproximou de Edel com e olhou para o rosto dela bem de perto — Seu olho, existe algo nele? Tenho essa sensação de incomodo desde que você entrou na sala.

Edel arregalou os olhos como um peixe morto, ela cobriu o olho esquerdo em reflexo a pergunta de Amy praticamente confirmando que havia algo.

— Eu mesma não sei o que é. — ela confessou o maior segredo — Eu uso lentes de contato nesse olho desde nova, o esquerdo sempre esteve um pouco embaçado e de outra cor, a lente ajuda. As vezes ele dói muito e me da alucinações, sempre foi assim desde sempre, conforme eu envelheci os ataques de alucinação diminuíram, mas ainda dói as vezes.

Amy pediu permissão e Edel levantou a franja retirando a lente azul, ela piscou algumas vezes e como esperado Amy era apenas um borrão rosa naquele lado da visão.

Amy olhou atentamente para o olho, uma concentração raramente vista nela fora de batalha, ela segurou a mão de Edel e enviou um pouco de mana para a Frost, não houve problema na operação tirando a testa franzida de Amy.

— Não me ressoa. — ela disse se voltando para Alethia confusa — Apenas um pouco, muito pouco, no olho esquerdo.

— O suficiente para ser...?

— Não. — Amy respondeu olhando para Edel séria — Mas é o suficiente para ser alguma coisa.

— Edel, a família Frost casou com algum tipo de vidente ou coisa do gênero?

— Não que eu saiba, não temos registros na árvore genealógica...

— Merda.

Todo mundo olhou para Azin, ele estava olhando para Edel como se ela estivesse amaldiçoada. O príncipe não sabia se era verdade, era apenas uma mera lembrança de uma aula com seu tutor de história, ainda sim poderia ser possível?

— Lethia, quem foi a última mulher da família real a casar e produzir herdeiros?

Ele tinha que confirmar.

— Belinda Argentum, ela era tia-avó do pai, casou com Ralph Frost... — Alethia parou quando percebeu, ela se virou para o irmão arregalando os olhos — Poderia ser isso? Edel, você é a mais velha? Quem saiu primeiro do útero?

— Adel é mais velho por um minuto... — Edel para no meio da resposta lembrando do conto que a mãe sempre contava quando falavam sobre — Mas, antes dele sair, houveram dois pés pra fora os médicos foram tentar tirar, mas descobriram que um era meu e outro dele. Depois disso fizeram a cessaria e ele saiu primeiro, mas o que isso tem haver?

A mão de Alethia sob para boca e o rosto torce uma expressão tão triste que daria dó, Azin parece prestes a vomitar ou ter uma taque de nervos, o que vier primeiro. Sieghart que entende rapidamente o ocorrido solta um “oh merda” baixo.

Lothos contempla o motivo daquilo.

— O primeiro filho da família real de Argentum herda a visão, acho que quando você e seu irmão colocaram o pé pra fora a herança foi ativada, mas ele saiu primeiro então o dom completo foi para ele, você pegou apenas um relance da visão. — Azin explicou entrelaçando as mãos uma nas outras de nervoso — O dom parou em Lethia, deveria ter seguido na minha linha, mas eu não tive filhos e Alethia sumiu por anos... Os Deuses devem ter decidido continuar o presente na sua linhagem...

— Eu sinto muito.

Alethia quem diz, é tão verdadeiro que deixa todos desconfortáveis.

— Eu vou achar sua família. — ela promete, o que ela não devia fazer, promessas desse tipo não devem ser feitas Sieghart pensa desaprovando — Posso consertar seu olho se quiser, tirar o dom dele, isso pode cegar você permanentemente desse olho no entanto.

— Faça.

Edel não hesita em se livrar daquilo, ela mal enxergava com aquele olho mesmo, não faria falta. As noites que ela perdeu em claro vendo coisas nas sombras e tendo sonhos pavorosos eram motivos o suficiente para ela querer se livrar daquela coisa.

Alethia se aproxima dela com a mão brilhando em mana preto e dourado, a Highlander cantarola um encantamento baixo ritmicamente e cobre o olho de Edel com a palma da mão.

Amy observa com atenção um fio dourado brilhante descer do olho de Edel, mas inesperadamente o liquido dourado volta por onde veio para o olho, a mão de Alethia se abaixa.

— Não posso remover agora. — ela admite com um suspiro — Tenho minhas suspeitas, mas preciso confirmar isso. Por hora eu selei, enquanto o encantamento estiver de pé não se preocupe com isso, caso precise remover o selo envie uma carga de mana para o olho.

A Frost concorda e a princesa volta para o lugar em que esteve sentada antes, um breve silencio recai no local até todos decidirem de fato almoçar e começar uma conversa, Edel relata sua aventura em Frostland com mais detalhes e escuta as de cada um.

Especialmente a de Jin onde ele fala sobre a terra natal de todos e o atual estado, ela também acha a terra de Holy interessante no mínimo.

Eles falam entre si deixando os imortais de fora e Lothos atenta apenas servindo a todos quando necessário.

Não é culpa sua, nem você ou Caxias poderiam ter previsto isso. — Sieghart diz na língua imortal para ela, ambos estão sentados no banco da janela da sala tomando algum suco — Aleth, nem um deles é sua culpa, Noir ou Frost, você não fez nada.

— Isso é o pior. Eu não fiz nada. Fui burra, desatenta e não pensei em tudo...

— Você não é uma Deusa, ninguém é responsabilidade sua.

— Eu protegi todas as famílias que se salvaram de Argentum por gerações, vivi com os Frost e os Noir, comi da comida deles, lutei com eles e no momento em que eu tive que sair de cena confiei que todos ficariam bem, eu não tinha inimigos para atacar eles, as guildas de prata cuidariam da ilha, eu achei que...

— Que Periet ia cuidar deles. — Sieghart completou por ela, o sorriso sem dentes que ela deu a ele quebrou o coração de Sieghart — Você sabe quem provavelmente propôs passar o dom não sabe? — um aceno da cabeça prateada confirma — Ele não vai contra ela, ainda mais por você.

Alethia lançou um olhar pesado para ele, ela não precisava ser lembrada daquilo, ela sabia em todo seu ser que era a última opção em tudo atualmente.

Um falatório explode no andar de baixo, claramente uma briga se as ameaças gritadas ao vento eram uma pista, eles trocam um olhar entre si e descem para ver o que houve.

....

— Então, o que vocês vão querer?

Lass deixa Arme pedir o almoço deles, ele não estava muito acostumado coma  comida de Serdin, em Ellia tudo era cheio de pimenta e tempero, ali as cosias eram absurdamente mais leves e Lass confiava no gosto da garota.

O encontro deles até o momento estava perfeito, Lass estava começando a se sentir com sorte, mesmo que Arme olhasse desconfiada para os lados em busca de problema, ela havia dito que Sieghart avisou da sorte horrível da família dele.

Lass se sentiu ofendido particularmente, estava tudo bem até agora e eles estavam em um lugar impossível de dar errado.

Arme pediu frango e a maior sobremesa do cardápio, ela também pediu uma jarra de suco, Lass concordou era uma boa pedida, o sino da porta tocou indicando um novo cliente.

— Esse lugar é caro.

— Não se preocupe. — ele remexeu nas próprias vestes e puxou um saco de prata amarrado com um cordão preto — A família Wild é podre de rica, papai disse que se eu fosse gastar o dinheiro dos “antepassados de merda” em um encontro no mundo humano com uma humana eu podia pegar tudo.

Arme riu.

— Então vocês estão se dando bem?

— Lupus é o mesmo de sempre, irritado e super-protetor, agora ele também é arrogante como a mãe e o pai, mas acho que isso é de família. — Lass acha que ouviu um som indignado de algum lugar atrás de si, ele ignora sem pensar muito e continua — Pai é o mesmo de sempre, ocupado e mais protetor ainda, mas agora parece que Lupus e eu que cuidamos dele também.

— Meu avô era muito ocupado também, ele estava sempre preocupado com algo ou alguém, algumas vezes ele fazia viagens demoradas para resolver conflitos e voltava irritado ou muito cansado e eu acabava “cuidando” dele como podia. — Arme riu pelo nariz — Agora eu acho que ele voltava estressado por resolver algo da Grand Chase I.

— Faz sentido, uma equipe daquelas deve dar trabalho...

Eles engatam em uma conversa sobre coisas engraçadas que já aconteceram em casa. Lass tem boas histórias do tempo de guilda e das suas memorias antigas no Hades, Arme morou em uma escola então ela tem muita coisa absurda guardada.

Lass pensa que isso é bom, por um momento eles são como qualquer outro casal jovem saindo em um encontro, sem perceber ele coloca a franja albina dele atrás da orelha, o cabelo dele está praticamente no queixo, ele cortaria a franja em breve e repicaria a parte de trás.

— Suas orelhas...

Ele tocou as orelhas pontudas, onde os olhos de Arme estavam olhando nervosos, rindo pelo nariz Lass fez um sinal para ela se acalmar.

— Meu pai me deu uma longa palestra sobre como eu deveria me aceitar e não me esconder... É complicado quando você passa a vida sendo chamado de aberração, então eu comecei com coisas pequenas, é realmente libertador usar elas assim. — ele parou subitamente e olhou para Arme piscando — Te incomoda?

— Não, não de jeito nenhum, acho muito fofo. — ela se apressou em dizer, um vermelho coloriu o rosto dela instantaneamente, Lass sorriu achando fofo e ele jurou ouvir um “anwt” vindo de algum lugar — Digo, combina com você.

Lass sorriu aceitando o elogio sem jeito, um clima envergonhado surge e eles são salvos pela comida chegando.

Nenhum dos dois percebeu o olhar indiscreto do garçom para as orelhas de Lass.

Arme conta que ela frequenta aquele restaurante há bastante tempo, almoços com o avô eram comuns ali, o assunto flui.

O sol entra pelos vidros do local e reflete atrás dela, Lass acha que está vendo um anjo dos céus, ela é tão delicada que parece uma boneca, mas ele sabe que Arme poderia matar todos da loja sem muito esforço.

Presos em seu próprio mundo eles realmente se assustam quando um barulho forte é ouvido, alguém se levantou abruptamente e bateu na mesa irritado, virando a cabeça para trás Lass fica verdadeiramente surpreso ao ver seus amigos e seu irmão sendo expulsos do restaurante.

....

Sieghart esperava muita coisa, menos aquilo.

Ele saiu primeiro junto com Lothos, havia um circulo formado na frente do restaurante cheio de pessoas que gritavam enfurecidas e jogavam doces para todo lado, no centro estava Lupus tremendamente puto brigando com toda equipe do restaurante e algumas pessoas bem vestidas.

Atrás do Wild estavam Lass e Arme, ela tinha a cara suja de merengue branco e tentava limpar os ovos do cabelo albino de Lass. Os outros membros da Grand Chase também estavam sujos de comida.

Um docinho acertou ele no peito.

— CHEGA! — ele gritou furioso chamando a atenção de todos — QUE MERDA É ESSA?!

Já era tarde demais, Alethia havia aparecido ao lado dele no exato momento que uma chuva de doces é mirada nele.

— Ei o que está...

Sieghart tem o reflexo de dar alguns passos para trás, entrando de volta na loja e escapa de boa parte do ataque, Lothos recua com eles, mas Alethia não tinha ideia do que se passava e recebeu toda artilharia.

O vestido dela agora está polvilhado de açúcar e farinha, algumas partes manchadas de ovos, o cabelo está molhado com calda de groselha, e o pior uma torta acertou a garota bem na cara.

Todo mundo para mortificado.

Mecanicamente a princesa segura o doce e o puxa do rosto, existe principalmente creme branco com alguns pedaços de frutas vermelhas cobrindo toda face dela, Alethia passa a torta para Lothos e muito calmamente limpa os olhos e lambe a bagunça ao redor dos lábios.

Sieghart não aguenta, ele explode em um riso alto e histérico, é muito engraçada toda cena, logo todo mundo começa rir junto, mesmo Alethia gargalha um pouco antes de respirar fundo.

— O que está havendo?

Um falatório explode e pelo que Sieghart entendeu um cliente pediu para Lupus, Zero e Rey serem retirados do restaurante por estarem atrapalhando a harmonia do lugar, um restaurante daquele calibre não poderia atender gente daquele tipo.

O cliente era poderoso e os funcionários também não estavam gostando daquele grupo suspeito, o clima dentro do restaurante estava tenso e eles já estavam tolerando aquele cara com a Srta. Glenstid.

Eles foram convidados a se retirar, Lupus se enfureceu e começou uma confusão, o chefe do restaurante saiu da cozinha com um rolo na mão, Lupus sem um pingo de medo jogou o bolinho que havia pedido bem no nariz do cara graças a mira perfeita.

Terminou ali no meio da rua com comida para todo lado e pessoas irritadas gritando.

— Apenas seres de Ernas são bem vindos no meu restaurante! — um homem bem vestido abriu caminho pela multidão, ele tinha bigodes fartos e um rosto vermelho de raiva — Não me importa o que a rainha diz, do meu estabelecimento cuido eu! Vocês não deveriam ter permitido que eles entrassem em primeiro lugar, minha loja é um local de família...

Lupus apontou a arma para o cara, Lin discretamente abaixou o braço dele com um sorriso nervoso.

— Acho que entendemos. — Alethia ergueu as mãos em sinal de paz, o sorriso dela era calmo — Primeiramente, com quem eu falo?

— Com Lord Gilbert De Vitória Orlando!

— Certo Lord Orlando. — Alethia prosseguiu fingindo-se de impressionada com o nome — Já estamos de saída, não se preocupe nenhum de nós voltara as suas redes de loja.

Todos da Grand Chase olharam para ela irritados, Rey tinha uma bola de mana na mão prestes a acertar o homem, mas foi impedida pelo outro braço de Lin, a Von Crison olhou feio para a sacerdotisa, a expressão de suplica da garota no entanto a fez parar.

— Então é isso, vamos indo pessoal, o show acabou...

— E o meu prejuízo?! Vocês não podem sair sem pagar os ingredientes! Nem que lavem os pratos e limpem a loja, vocês vão pagar ou eu vou chamar os guardas!

As pessoas que estavam dentro da loja observando a bagunça saíram conforme Alethia e Sieghart avançaram, quando Lord Orlando viu Edel ele ficou azul de raiva e começou a berrar.

— EU SABIA! ESSA FAMÍLIA AMALDIÇOADA TINHA QUE ESTAR ENVOLVIDA! O ÓDIO DE VOCÊS POR MIM É TÃO GRANDE AO PONTO DE DESTRUIREM MINHA LOJA? MALDITOS SEJAM OS FROST....

Edel colocou a mão no coldre da perna, Azin a impediu travando a mão no braço dela.

Alethia puxou um saco de ouro do inventario magico e jogou para o homem, ela fez a Grand Chase inteira seguir pela rua paralisada pela cena sem perder o sorriso e a pose, a equipe parece pronta para matar ela e o tal Lord Orlando.

Quando eles viram a esquina todo mundo explode ao mesmo tempo.

— Vocês são burros. — Sieghart diz com muita certeza, mais gritos são ouvidos — A família Orlando é a segunda família mais poderosa de Serdin, vocês querem a porra de um acidente diplomático com Canaban, Eryuell e Ellia? — ele pergunta retoricamente, Rey bufa revirando os olhos claramente pouco ligando — Não revire os olhos pra mim Von Crison se Serdin não prestar apoio a causa Asmodiana os membros daqui não poderão lutar na Resistência sem traírem o reino.

— E desde quando você se importa tanto com politica? — Elesis perguntou irritada.

— Eu não me importo! Por mim eu cortaria a cabeça daquele cara e queimaria a rua toda por diversão, mas ela se importa! — ele apontou para Alethia exasperado — E graças a isso evitamos um desastre muito grande.

— Não se preocupem, Lord Orlando vai ter o que merece. — Alethia garantiu dando de ombros — Só esperem.

Ainda sim, Lupus da meia volta e atira na direção da multidão, claro ele não acerta nada, mas ainda termina com um grupo de jovens cobertos de comida correndo pelas ruas de Serdin.

...

Regis faz um barulho de desespero agudo quando observa todos entrarem na sala sujos de comida, não era essa a impressão que ele queria calçar na reunião com as rainhas e autoridades, era pedir demais um momento de paz?

Estaria ele recebendo o troco por todas as vezes que deixou Serre louco?

Dio cai na gargalhada ao ponto de segurar a barriga de tanto rir, Mari tem uma expressão de dó dirigida a Regis e Ladmir tenta manter a cara séria, afinal ele está sentado ali como líder de Eryuell e os anciões com ele estão muito sérios.

Lothos entra vestida de empregado, Ladmir rir e disfarça com uma tosse.

— Eu vou querer saber? — ele pergunta sentindo o estresse subir.

— Não matamos ninguém... — Sieghart responde.

Regis suspira aliviado.

— Ainda. — Alethia completa dando de ombros.

Regis engasga com o ar.

Os membros humanos da Grand Chase se curvam para as rainhas Anyu e Enna, com exceção dos Highlanders e de Azin e a reunião começa com o relato de Elesis sobre a missão geral.

Ladmir olha nervosamente para os dois amigos recém despertados, os anciões ao lado dele observam como águias qualquer movimento da primeira equipe buscando algo, Ladmir respira e se acalma, não é como se eles fossem matar os anciões.

Ou era?

Francamente ele não se importaria.

O relato sobre a batalha dos portais é cruzado com relatos de Vermencia e Ellia de suas próprias lutas, Vermencia  teve poucas baixas graças a Edel, Harper e as guildas de Canaban liderando a defesa, Ellia devido aos restos dos traços sombrios de Cazeaje mais portais, Altair disse que eles defenderam a cidade e o reto do continente foi defendido pelos próprios monstros.

As rainhas oferecem as condolências a Ronan por Harper, o Erudon assente aceitando a gentileza sem responder.

Aron e Galadriel conta a versão da luta em Arquimídia, eles comentam brevemente sobre a cruzada para pegar Alethia na torre de Caxias Gradiel.

Durante todo conto Lothos esteve ocupada tentando limpar os doces dos dois Highlanders com lenços, parecia uma mãe gato tentando dar banho em seus filhotes, Regis achou hilário até ver que Lass estava tentando enfiar creme na orelha de Lupus de forma discreta com o dedo e Lupus estava muito indiscretamente jogando pedaços de fruta no caçula.

Regis olhou para Altair que olhava para Lass com um olhar de “Você criou esse moleque.” e Altair respondeu com um de desgosto que Regis traduziu para “Os dois são seus filhos”.

De fato, ele e o mestre dos Assassinos se deram muito bem desde que se encontraram logo depois da chegada a Vermencia.

— Você é a princesa Alethia. — Celina Rozen fala pausadamente depois do fim da história, ela parece horrorizada demais para uma coisa mínima daquela — Isso não é bom sinal, vo-vo-vo cê...

Ela não parece ser capaz de terminar a frase, Jin sabe o que ela vai dizer e ele tenta sinalizar para ela calar a boca, ele vem tentando esconder aquilo desde sempre...

— Amaldiçoada! — a mulher grita, Alethia da um pulo para trás surpresa pela explosão, a sala inteira fica tensa quando Celina continua — As lendas dizem...

— O que as lendas dizem? — a pergunta de Sieghart é dirigida para Jin e ele engole em seco — Fale.

— Esse tipo de história ficou muito popular na ilha, não sei bem onde começou ou quando, mas dizem que a princesa é amaldiçoada, por culpa dela Argentum caiu e toda vez que ela visita a ilha algo ruim acontece diziam no vilarejo que pouco antes de Victor enlouquecer uma menina de cabelos prata foi vista andando na orla da praia, esse tipo de rumor ganhou força e a princesa acabou virando símbolo de má sorte... É idiota e falso, por favor, Lady Rozen, a princesa não é amaldiçoada.

Jin explica tudo em um fôlego só, ele está nervoso e inquieto com aquele assunto tem muito tempo, carregar aquele peso estava o matando.

Para muitos seria estranho ver Jin se ajoelhar a uma família real de centenas de anos atrás, mas para ele é simplesmente natural seguir os dois. Ele conhece Azin, ambos dividiram um mestre, eles lutaram juntos, brincaram juntos, sangraram juntos e o mais importante são amigos.

Azin é um bom príncipe, ele é inteligente e carismático e Jin pode ver ele usar a coroa um dia. Alethia é uma Deusa entre os mortais, não só pela beleza, mas por que ela transmite segurança e eficiência, é muito natural seguir o que ela fala, por que ela sabe o que está fazendo.

A realeza é natural para os dois e se Jin fosse ser franco, ele estava desesperado por alguém para cuidar da ilha que não fosse ele. Jin sabia que no momento que ele voltasse seria um herói e quando Celina morresse ele assumiria, mas agora havia a família real que sabia o que estava fazendo.

Jin estava tão aliviado.

— Como Jin disse, eu não sou amaldiçoada, me purifico regularmente para garantir isso. — Alethia fez pouco caso da acusação — Prossigam o relato.

Eles prosseguem narrando a ida ao Hades, o trem e finalmente Berkas.

Ladmir quer aquilo, ele percebe isso observando os amigos cobertos de doce e ouvindo a missão que ele não estava presente. Ele quer aquilo. A aventura e as risadas, as loucuras e o sangue, a batalha e o que vier depois.

Ele quer aquilo tanto quanto quer Liam e Deuses ele se odeia por isso.

— É bom que o Sr. Wild esteja bem. — Anyu disse pálida como um fantasma olhando para o Haros — Então a missão de vocês está oficialmente encerrada eu suponho...

— Majestade, nós vamos nos alistar na Resistência. — Elesis interrompe a rainha imediatamente — Ficaremos responsáveis pelos portais de Ernas, como a Grand Chase I ficou por tantos anos.

— E a Grand Chase I?

— Foi oficialmente desfeita quando Baldinar foi impedido. — Regis revelou para todos, as caras de surpresa foram excelentes — Nossa missão foi concluída o grupo está oficialmente desfeito, só existe uma Grand Chase atualmente, a de vocês.

— Regis, vocês tem certeza disso? — Lothos faz a pergunta geral — Vocês tem carregado esse nome desde sempre...

— E a responsabilidade agora é dele, nosso tempo se foi, nossos membros se foram, nossa missão foi concluída...Todos nós tínhamos plena ciência que não carregaríamos o nome Grand Chase depois que tudo fosse resolvido, nosso líder decidiu isso há muito tempo e nós concordamos. — Régis lembra do salão da mansão Wild algum ponto depois de Canalt, um tom sério e eles todos decidindo terminar quando tudo fosse resolvido — Não se preocupem, Ernas está em boas mãos.

Lothos concorda e o clima fica sombrio, Elesis assume a narrativa da batalha contra Baldinar e tudo o que houve dentro do castelo, todos escutam o relato completo pela primeira vez em silencio, no final Aron é quem fala primeiro.

— Tio Gregor... Como ele estava?

— Disse que me faltava dano e me acertou o escudo na cabeça. — Sieghart deu um riso pelo nariz.

Aron riu com um toque de nostalgia, ele estava um pouco emocionado por ouvir do tio depois de tanto tempo.

— Então Caxias está morto.

— Não, se o Avatar da Criação estivesse morto todos saberíamos acredite. — Lothos respondeu a Galadriel — Ele está perdido em algum lugar com Baldinar, ele está com a Bíblia então vai ficar bem, vamos ouvir falar dele em algum momento.

Galadriel concorda com a cabeça esperando ouvir do amigo o mais breve possível.

— E o que vocês vão fazer agora? — Enna olha para todos — Vocês falaram sobre a Resistência, a rainha Galadriel e o rei Aron nos explicaram brevemente como funciona estar em associação com esse pessoal, mas os riscos que isso implica para Vermencia... Com o perdão da realeza presente, todos sabemos o que aconteceu com Canalt e Argentum por apoiarem a luta...

— Não vai acontece aqui. — Sieghart rebate rápido — Os portais são abertos em locais com muita magia, eles são atraídos para eles, obviamente existem os que escapam a regra, mas a maioria segue o padrão de aparecer onde muita mana está reunida. Atualmente Arquimídia, Atón e Ellia tem as maiores chances de receber portais aleatórios, claro Vermencia não está excluída de receber um ou outro, mas não está na mira constante quanto os outros lugares.

— Claro eles podem deixar de usar os portais e abrirem eles mesmos alguns para o ataque, mas acreditem é altamente improvável e se acontecer vocês terão o suporte da Resistência para se defender. — Dio emendou a explicação — E sem querer me gabar, meu exercito é a coisa mais letal caminhando sobre a terra, depois de mim é claro.

As cabeças da antiga equipe se viram para o Von Canyon com um olhar feio, Dio revira os olhos e acrescenta de má vontade.

— E a minha equipe é claro.

— Eu sei que parece muito arriscado. — Alethia começa com uma voz calma, os veteranos relaxam sabendo que ela vai convencer as rainhas — Vocês são humanos, literalmente a coisa mais fraca na cadeia alimentar, ter a ajuda da Resistência nos poucos portais que aparecem aqui e liberar a Grand Chase para correr o mundo ajudando outros lugares pode salvar centenas de vidas. — a Sistina Chefe se inclina para frente com um olhar sério — E sejamos francos aqui majestades, com ou sem a aprovação de vocês esses garotos vão se alistar.

— Podemos discutir os termos do acordo com Vermencia depois, apesar de termos três das quatro famílias aqui não podemos resolver isso sem o aval do conselho ou do meu professor. — Dio indicou a si mesmo, Rey e Zero com as mãos — Fora que Rey não é a titular da família precisamos falar com o pai dela.

— Ele tem razão, acordos não são discutidos com soldados e sim com os comandantes. — Sieghart bateu palmas ganhando a atenção e se levantou — Eu tenho uma missão do meu Deus para completar, a antiga equipe deve partir em no máximo dois dias e depois disso vocês podem usar Galadriel e Aron de intermediários com a Resistência, iremos para Elyos assim que eu concluir a missão, então isso é um adeus por enquanto.

A reunião se encerra com duas rainhas com dor de cabeça antecipada pelo inferno que vai ser explicar aquilo para os próprios conselhos.

...

Elesis se arruma em Canaban, na própria casa que parece tão estranha para ela agora, Elsword estava no andar de baixo pronto e a esperando, ela estava nervosa e ansiosa.

O vestido era lindo, Elesis se apaixonou por ele quando o viu, longo e vermelho combinava muito com ela, era confortável tinha mangas e um decote discreto em v no peito.

Elesis se apaixonou pelo tom vermelho escuro da blusa e o tom mais claro da saia, ele era liso não havia enfeites, mas a cor era chamativa o suficiente.

Seria a primeira vez que ela usaria um vestido em publico desde a infância, a primeira vez que iria a um baile sem estar fardada. Elesis não achava estar pronta para os olhares de todos, mas agora era tarde demais para voltar atrás.

O cabelo dela está um coque alto com a franja solta caindo pelos lados, existe pequenas bolinhas luminosas no coque e pela primeira vez na vida Elesis decidiu usar uma das joias de sua mãe, um par de brincos de rubi pequenos e redondos.

Ela se olha no espelho e se acha linda.

Eu estou bonita e meu par é o cara mais legal de Canaban...Eu acho.

Elesis não sabia se Ronan era o par dela ou não, ele se despediu dela com um beijo na testa e um “te vejo de noite” antes de ir para casa. Confusa com o que significava ela espera que seja algo bom.

Elsword olha para ela com olhos de peixe morto, o garoto gagueja o nome da irmã algumas vezes antes de dizer no susto.

— Você está bonita.

Elesis olha para ele e sorri.

— Obrigada.

....

O baile é em Serdin com toda nobreza e ricos do continente enfiados no salão.

As mesas estão encostadas nos cantos da sala dourada, ao fundo duas escadarias com tapetes e candelabros caros fazem uma visão opulenta bem como o enorme lustre de cristal no meio do salão, alguns poucos casais rodopiam devagar na pista de dança criada no meio do salão.

As carruagens não param de chegar e o arauto segue gritando nomes e títulos, as crianças reais correm no salão enquanto as rainhas estão recebendo todos e apresentando Galadriel e Aron, havia poucos anões e elfos por ali, mesmo a caravana de Eryuell ainda não havia chegado.

A Grand Chase não chega toda junta, pequenos grupos chegam juntos e se misturam no salão, Elesis entra com Edel, ambas conversam sobre muitas coisas e ajuda a ruiva a se distrair dos olhares e sussurros que a seguem, Edel é divertida e elas tem muito em comum.

As duas se juntam a Arme e a Lass em uma das mesas do canto do salão, Edel rapidamente começa a contar sobre os membros da corte de Serdin, Elesis e Lass como bom fofoqueiros prestam muita atenção nos contos das duas serdianas.

Entretidos eles não percebem Lire e Ryan se aproximarem deles, a loira usa um belo vestido champanhe com detalhes no busco e uma trança embutida nas costas a deixa deslumbrante, as joias de perolas estavam lindas.

Ryan não estava nada mal também.

Conforme a noite e a fofoca avança Elesis tira um segundo para localizar alguns rostos conhecidos no salão, Ladmir está com Liam pendurada no braço falando com gente importante, Regis está em uma mesa isolada com uma quantidade anormal de bebidas, ainda sozinho e Lothos não está a vista.

Elesis não via a mulher desde a reunião a tarde, mesmo quando Lethia e Sieghart voltaram para o QG a loira estava sumida.

— Ai meus Deuses....

Elesis segue o olhar de Arme para entrada do salão onde Rey, com um vestido deslumbrante estava entrando acompanhada de Alfred. O problema é que o vestido de Rey não é nada já visto por Vermencia nos últimos séculos, os braços estavam a mostra e tinha um decote profundo.

A cor do vestido era outro diferencial, um rosa claro com uma camada de roxo escuro por cima, fora a provocativa fenda na perna.

Vermencia tinha uma moda conservadora atualmente, braços e ombros cobertos e se a mulher usasse um tomara que caia deveria estar acompanhado de luvas e uma echarpe.

Elesis admitiu Rey estava de parar a rua com aquele vestido e o rabo de cavalo alto, ela usava pulseiras brilhantes e algum tipo de brilho ao redor dos olhos.

A Von Crison rapidamente foi cercada por jovens da corte afobadas com a novidade, pela expressão soberba ela claramente gostava da atenção, Elesis torceu para que nenhum humano ofendesse Rey, já bastava o problema de hoje mais cedo.

Um grupo se aproxima da mesa deles, Elesis se ocupa com os jovens nobres que buscam agradecer o trabalho da Grand Chase, é a primeira vez que ela lembra de estar realmente se divertindo em um baile, essas pessoas são normais, nunca correram para salvar o mundo, é bom ver os sorrisos e olhos cheios de vida, os ombros leves de quem nunca carregou o peso do mundo nas costas.

Mesmo Lass está se divertindo com as piadas do grupo.

Um dos garotos a pede para dançar, Elesis pisca totalmente surpresa e acaba negando o pedido pela falta de jeito. Ela lembra vagamente de dançar com o pai quando era criança, em pé sobre os pés dele, o medo de machucar os pés nobres de alguém a impede.

O garoto ri sem graça e garante não estar ofendido, o grupo se afasta.

— Ronan! — Arme se levanta acenando com a mão para o amigo que vinha entrando com a mãe por uma das entradas laterais, Ronan beija a mão da mãe em despedida  e caminha até eles — Você demorou.

— Rossnela decidiu ficar em casa no último segundo demoramos para tentar convencer ela a vir, mas não deu certo. — Ronan contornou a mesa e sentou-se na cadeira vaga ao lado de Elesis — Então o que eu perdi?

— Fofoca e um garoto convidando Elesis para dançar. — Arme indicou o grupo que havia se afastado a poucos segundos — E a Rey quase matando as senhoras de família.

— Podemos culpá-lo por tentar? Ela está deslumbrante. — Ronan sorriu para ela e Elesis sentiu um tom vermelho subir em suas bochechas — Eu não sei sobre as outras senhoras, mas mamãe pareceu muito interessada na moda de Elyos.

Elesis deu um gole na bebida para disfarçar a falta de jeito.

— Acho que todos deveríamos dançar!

Após a sugestão de Lire apenas Edel permanece na mesa, Elesis se vê no meio da pista segurando a mão e ombros de Ronan enquanto era conduzida em um ritmo lento.

— Você está magnifica.

— O vestido ajuda. — ela confessou rindo pelo nariz — Eu não sou uma boa dançarina.

— Eu percebi pelas duas pesadas que levei em menos de um minutos. — Ronan a presenteou com um sorriso de lado, Elesis revirou os olhos e pisou de proposito — Ótimo, meu par quer decapitar meu pé.

— Se meu par não fosse tão irritante...

— Estou particularmente ofendido depois dessa Lady Sieghart. — Ronan forçou na voz pomposa — Minha senhora tem sorte de ser tão bela ou eu a largaria nesta pista agora mesmo pela ofensa.

Elesis solta uma risada alta pela imitação horrorosa de Ronan, ela apoia a cabeça no ombros dele ainda tendo espasmos de riso, quando se levanta os olhos azuis estão encarando a mesma com seriedade.

— Eu quero fazer isso certo. — ele confessa, Elesis o encara confusa — Nós. Quero fazer certo, com calma e cuidado.

— Ronan, eu não sou as donzelas que se jogam em cima de você...

— Sei disso, por isso quero fazer certo, como manda o protocolo, não só por você mais por mim também. — Ronan apertou a cintura dela com um pouco de força — Eu sou novo nisso também Elesis, não quero meter os pés pelas mãos.

— Então?

— Eu vou cortejar você adequadamente. — ele garante convicto — Flores, presentes, caminhadas o que for, vou te levar a lugares legais e no futuro fazer uma proposta séria...

— Ronan, pelo amor dos Deuses, nem começamos a sair e você já está falando em proposta!

Ronan a segurou com força e a puxou para o corpo dele, Elesis bateu com força no peito do garoto e quando o encarou encontrou uma expressão decidida.

— Eu não namoro casual Elesis, não sou esses caras da corte com um namoro a cada esquina, estou sendo franco com você, uma mulher incrível igual a você não aparece sempre, eu te garanto uma coisa durante nosso relacionamento eu vou ser sempre sincero com você, se eu der motivos para você desconfiar que não estou, por favor me dê um soco.

Elesis pondera um momento.

Por fim ela sorri e da de ombros.

— Vamos ver onde isso vai dar.

Ronan a responde com um sorriso radiante.

— O resto eu não sei mais essa dança vai acabar comigo com alguns dedos quebrados.

A próxima pisada é de proposito.

...

Quando o arauto pede o nome e quem é o par de quem os três encaram o homem baixinho com expressões confusas, depois olham entre si maias confusos ainda e por fim Lin suspira murmurando um “Somos burros” baixo.

— Eu acho que nós três somos um par? — Zero em sua sabedoria social infinita diz, o arauto o olha genuinamente surpreso, Zero se volta para os dois amigos — Não somos?

Lupus contempla atirar no próprio pé para fugir da situação embaraçosa.

— Lupus Wild, Lin de Gaon e Lord Zero Zephyrum, viemos sozinhos. — Lupus toma a palavra e o arauto da um olhar aliviado aos três antes de gritar os nomes no salão, Lupus entra em seguida com os amigos — Deuses, eu odeio vocês.

— Odeie nossa burrice, como esquecemos de ver se estávamos em par ou não?

— Por que não podemos ser um par de três?

Lin olhou para Lupus, Lupus olhos para Lin e os dois olharam para Zero.

— Podemos ser um par de três Zero, mas não aqui. Vermencia virou muito conservadora com o passar dos anos pelo que eu ouvi.

— Não somos de Vermencia.

— Ele tem um ponto. — Lupus concedeu olhando para Lin, a garota o olhou com uma expressão clara de “Não de corda para ele” — Acho que somos um par de três essa noite então.

Zero afirmou satisfeito.

Lin, não pela primeira vez, questionou como acabou ali.

...

— Eu juro pelos Deuses, se eu for apresentado a outro nobre eu desmaio.

Regis olhou muito pouco impressionado para Ladmir caindo no lugar vago na frente dele, Liam sentou-se graciosamente e parecia muito mais disposta que o marido.

— Lad, você foi príncipe e agora é o líder, você fez isso por duas vidas.

— E nas duas eu detestei. — Ladmir roubou a taça de Regis da mesa e virou em um gole só — Isso é o que água?

— Aparentemente o vinho mais suave de Vermencia...

— Água. — Sieghart atestou chegando a mesa, ele estava todo de preto e Dio estava o acompanhando segurando uma sacola — Por sorte trouxemos algo que presta.

Dio depositou a sacola na mesa e tirou três garrafas diferentes.

Uma garrafa de bebida dos Anões, outra de uma famosa marca de Elyos e a última era vinho dos Haros.

Ladmir, por um segundo viu o paraíso.

— Se me deixarem com algum nobre de novo eu vou eletrocutar os dois. — Mari chegou em seu vestido de cetim azul escuro, ela olhava feio para Dio e Sieghart — O próximo que me “oferecer um emprego” nesse baile vai ser explodido.

A mesa foi ocupada, Liam olhava para eles passarem as bebidas entre si, inclusive ela mesma provou um pouco, a conversa deles era basicamente Ladmir e Mari reclamando dos nobres, Dio reclamando dos humanos e por fim Sieghart e Regis rindo deles.

Liam acabou rindo em certo ponto e contribuindo para a conversa, o tópico muda para as pessoas passando, ela fala sobre os homens importantes que encontrou enquanto estava chefiando o conselho e suas esposas.

A boa velha fofoca aquece o grupo enquanto mais e mais garrafas de bebida são colocadas na mesa.

 — Sua Alteza Real, Azin Dives de Argentum e sua irmã a General Alethia Dives, Sistina Chefe dos Highlanders!

Eles estão usando prata, pelo menos Azin está com um conjunto de blusa branca com colete prateado e calça azul escura, enquanto a irmã o acompanha com um vestido branco com apliques e mangas esvoaçantes, no geral o tecido brilhoso da roupa de Azin chamava mais atenção do que a escolha discreta e singela de Alethia.

Ela parece feita de fumaça ao lado do irmão, se não fosse pelo anel de rubi no dedo.

Jin segue o com Amy e Holy atrás dos irmãos, ele usava vermelho e preto, enquanto Holy está magnifica em um vestido azul claro com apliques florais tão delicado quanto o de Alethia, Amy é a com a cor diferente da comitiva, rosa com mangas longas e uma fina camada em um tom mais claro por cima da saia.

Sieghart reconhece o estilo tradicional de Argentum nas três moças, a ilha favorecia aquelas roupas leves devido ao clima tropical, ele pensou por um misero segundo mais cedo que Alethia colocaria belos hanfus no quarteto prateado e roubaria a cena, mas a moça preferiu outra coisa.

A simbologia não escapa a ele, branco na cultura argentiana é a cor do luto.

Agora que tudo está calmo é hora de viver o luto por Serre e Scarlet, Alethia deu o ponta pé inicial para isso.

O quarteto de jovens se despede da princesa rapidamente e vai em busca da Grand Chase, nos exatos cinco segundos que Alethia ficou sozinha observando o irmão partir um grupo de pessoas se aproximou dela, Edel veio ao resgate dela.

A Frost enlaçou os braços nos da princesa e a puxou para longe com uma desculpa qualquer, ela usava um modelo ousado sem mangas e com a saia cheia de camadas em um tons claros e escuros de lilás, apesar disso a fluidez e os apliques no busto deixavam claro a origem da garota.

Ela usava uma fita preta amarrada na cintura, Sieghart chutou que em homenagem aos empregados que acabaram mortos em sua terra ou até mesmo a seu irmão de armas Harper.

As duas começam a circular pelo salão falando entre si, risos abafados com as mãos e olhares rápidos na multidão elas escapam em segurança até a mesa deles.

— Você não vai ser a mais falada da noite. — Ladmir avisa assim que as duas se acomodam — O vestido de Rey roubou a cena.

Alethia segue a visão de Ladmir até achar Rey rindo com algumas moças a poucos metros, elas estão rindo de um casal desajeitado na pista de dança, olhando de cima abaixo a princesa faz uma careta.

— Uma garota não deve ser lembrada pelo vestido que usa, um vestido deve ser lembrado pela garota que usa. — ela citou uma frase que toda tutora de etiqueta usou uma vez na vida — Além do mais, com ou sem um vestido diferente ainda vão falar de mim.

— A arrogância fica bem em você. — Sieghart cantarolou e recebeu um sorriso — Beba trouxemos coisa boa.

Edel se serve também, eles bebem pela metade da noite até Alethia decidir dançar, ela puxa Edel com ela para pista e as duas começam a girar rapidamente pelos casais rindo.

— Por que estão sussurrando e olhando para elas? — Sieghart pergunta a ninguém em particular — O que é isso?

— Está vendo aquele cara com roupas de clérigo perto da entrada? — Liam é quem oferece a explicação — Ele é o chefe de um culto que vem ganhando muitos fieis em Vermencia, principalmente entre os ricos, o cara diz “absorver” as pessoas do pecado e tem uma visão muito rígida de tudo.

— Rígida?

— Pessoas do mesmo sexo não devem se relacionar...

Algo apta no cérebro de Sieghart, uma voz antiga masculina e estridente gritando isso para ele de cima de um trono, o rei de Serdin dos tempos de Sieghart, o idiota que tentou criar uma nova religião para controlar o povo.

— Por acaso é o pessoal da Nova Era? — Liam concordou para a pergunta — Ah sim, bando de idiotas matamos o fundador deles por um motivo, não achei que alguém tivesse levado isso pra frente.

— Você matou o rei de Serdin? — Liam esganiçou de olhos arregalados.

— Não, Alethia matou o de Serdin, eu matei o de Canaban. — Sieghart esclareceu — Não foi grande perda, o de Canaban particularmente era um idiota.

Liam ainda continua olhando para ele, chocada como ele fala de assassinato tão normalmente.

— Liam, vou roubar seu marido um momento. — Regis avisa se levantando, ele puxa Ladmir para a pista de dança dizendo baixo — Eu nunca perco a chance de irritar gente rica.

Sieghart se levanta e estende a mão para Dio.

— Uma dança Lord Von Canyon?

Dio bufa, mas aceita o convite.

Liam observa os três pares girarem pelo salão enquanto alguns nobres comentam, o líder da Nova Era parece positivamente doente. Liam admite é divertido ver os idiotas se remoendo, até ela perceber a mão de Mari estendida para ela em um pedido mudo.

Ela considera, a noite estava agradável, a bebida estava boa e a companhia não era ruim de modo geral, mesmo sentada com assassinos em massa Liam quase não pensou nisso a noite toda.

Mari parece a mais normal de todos, dando de ombros as duas dançam.

...

O discurso das rainhas é inspirador, elas informam a todos que a ameaça se foi e que agora Ernas está em paz graças aos esforços da Grand Chase e dos habitantes de Arquimídia. Uma rodada de aplausos para todos os presentes é feita, a dança retorna pouco depois disso.

Lothos, que estava desde a tarde metida nos arredores de Serdin limpando a bagunça dos OAKs só podia ver as luzes distantes do castelo, coberta de suor e fedendo a merda e saliva a loira praguejava a cada um minuto por ter recebido a ordem de “ajuda na limpeza do muro”.

Houve um pequeno acampamento dos OAKs na lateral de um dos muros, não foi ataque em si, apenas um grupo montando acampamento temporário, agora que eles se foram os soldados estavam encarregados de limpar a bagunça que ia desde restos de animais comidos a corpos mortos de OAKs, o muro estava manchado de sangue e havia um cheiro horrível de podre no ar graças as carnes largadas para trás.

O serviço havia terminado há pouco mais de dez minutos, Lothos agora estava em um bar com os soldados bebendo e observando as luzes do castelo brilhante, o resto de Serdin estava encerrando o dia.

Era um paralelo interessante, o luxo da nobreza, a normalidade do povo e a realidade dos soldados.

— FOGO, FOGO, FOGO!

Todos se levantaram em um pulo correndo pela rua até chegarem ao local da comoção, um restaurante estava em chamas.

Lothos reconheceu o estabelecimento de hoje mais cedo.

Discretamente ela deu um passo para trás e se perdeu na multidão horrorizada.

...

É a primeira dança dela com o irmão na noite.

Ela já havia passado por alguns rostos conhecidos, mas era a primeira vez que parava no irmão.

— O que está achando?

— Tedioso, os bailes temáticos de antigamente era muito mais divertidos. — Azin fez pouco caso, a garota concordou com ele — Os nobres estão me dando nos nervos, eles estão tentando arrancar de mim o que vamos fazer sobre a Terra de Prata.

— Entendo. — eles passam por Ryan e Amy girando, os dois estão rindo como lunáticos e pisando uns nos pés do outro — E o que você planeja fazer alteza?

— Por favor, nunca mais me chame pelo titulo, é estranho ouvir isso da sua boca. — Azin faz uma careta em desagrado, Alethia ri — Celina Rozen vai ser um problema, ela não vai querer perder o poder tão facilmente e eu duvido que o povo vai nos dar poder tão facilmente, para eles as terras são deles e nós somos intrusos.

— Pontos validos.

— Em outros tempos teríamos recursos para investigar Celina, mas agora...

— Você quer que eu veja o passado dela. — Alethia adivinhou subindo uma sobrancelha, Azin concordou — Claro, sem problemas, enquanto ao povo?

— Não haja como se nós dois não tivéssemos a mesma ideia irmã. — Azin reclama com breve irritação — As terras são nossas, quem fica dobra o joelho, quem não dobra sai.

Alethia o considera, olhos determinados e a voz firme, seu irmão era treinado para ser general dela desde novo, quando ela abdicou ele passou a treinar para assumir um reino e pelo visto mesmo com a formação incompleta a rainha Azra e o rei Alecto ainda passaram muitas coisas para ele.

— Somos realmente filhos dos nossos pais não somos? — ela ri pelo nariz e eles fazem uma reverencia sinalizando o final da dança — Eu vou te ajudar.

— Assim espero, eu não tenho a menor ideia do que estou fazendo. — o mais novo confessa a ela sincero — Minha deixa, seu próximo par estar vindo.

 Ela se despede do irmão e se vira para encontrar Sieghart caminhando em sua direção, aproveitando a pausa ela alisa a saia do vestido e brinca com o anel de rubi do dedo.

No entanto enquanto ajeitava a joia no dedo uma gota vermelha cai diretamente na pedra preciosa, Alethia levanta a cabeça sem entender, do lustre do salão diversas gotas vermelhas grossas pingam sem parar manchando o rosto e o vestido dela.

Horrorizada ela olha em volta apenas para se ver sozinha no salão, Alethia tenta dar um passo para frente, mas os passos fazem um barulho diferente, quando ela olha para baixo todo chão do salão virou uma piscina de sangue.

O grito vem quando ela avistas rostos no sangue, faces feitas de vermelho boiando na superfície, faces que ela conhece, faces de seus irmãos de armas e não para por ai uma ventania invade o local e um vulto preto começa a circular pelo salão cercando Alethia.

A Sistina se move tentando se afastar do vulto e não pisar nos rostos, infelizmente ela pisa em algum e cai de cara no sangue.

Alethia grita de horror, por que algo dentro dela diz que é o sangue de sua guilda.

O vulto se aproxima e para na frente dela pronto para atacar.

E então ela abre os olhos.

...

O grito de Alethia paralisa todo baile, a Sistina está caída nos braços de Sieghart no meio do salão enquanto o Highlander tenta acordar a mesma. A garota abre os olhos no susto depois de um grito hediondo.

Com olhos sem foco e claramente abalada Alethia diz.

— ALFRED! — o mordomo aparece no momento — Ache Lothos, diga para ela preparar o barco o mais rápido possível, precisamos ir para o quartel central.

— Nós vamos partir em dois dias....

— Sieghart. — ela segura ele e olha nos olhos, vermelho rubi assustado e prateados confusos — Precisamos ir e precisamos ir AGORA!

Ele afirma com a cabeça e a ajuda a se levantar, o baile todo olha para eles com olhos assustados e julgadores, afinal nada irrita mais os ricos do que serem interrompidos na atividade de diversão e esbanjar riqueza.

Sieghart sente uma amargura subir e pegando Alethia pela cintura a guia para fora do salão enquanto os amigos correm para alcançar ambos.

....

Não é assim que eles pensam que vai ser a despedida deles, eles estavam planejando outra coisa e outra forma, mas vestidos formalmente enquanto caminham eles chegam ao cemitério de Serdin.

Lothos já havia sido avisada e Alfred iria buscar eles quando tudo estivesse pronto para partir.

Parados em frente ao tumulo de Serre com garrafas de bebida nas mãos eles não sabem o que dizer no mausoléu apenas se sentam no chão e bebem em silencio até alguém puxar uma história e o ciclo começar, depois de alguns contos memoráveis dos momentos deles em equipe todos estão chorando e bebendo a Serre Glenstid.

Naquele momento eles não são heróis consagrados e sim humanos chorando a perda de um companheiro.

Os minutos passam rapidamente e as garrafas vão esvaziando mais rapidamente ainda.

Regis se levanta cambaleante até a tumba.

— Se você nos visse agora... Nós terminamos chefe, Baldinar está morto. — ele começa o discurso dando uma pausa para limpar a garganta dolorida do choro — Temos Mari de volta e Alethia recuperou o irmão também, Ladmir casou você acredita nisso? Você deveria estar aqui, inferno todos deveríamos estar juntos, mas o mundo é cruel e você partiu antes de nós ver concluir o trabalho. — Regis tem um novo acesso de choro, Alfred chega silenciosamente na porta do mausoléu mais todos sentem a presença dele indicando a falta de tempo. — A Serre Glenstid, Arquimago de Serdin e o melhor líder que poderíamos ter tido.

As garrafas são erguidas no ar em respeito e o álcool finalizado, Regis coloca a insígnia do líder da Grand Chase cuidadosamente no tumulo e funde com magia a pedra, ele acrescenta a frase “Líder da Grand Chase I” com magia na lapide.

A Grand Chase I estava oficialmente desfeita.

....

Não é surpresa encontrar toda equipe no barco, nenhum dos Highlanders tem cabeça para sequer discutir aquilo com Lothos, eles ficam no convés como últimos acordados naquela noite.

Na verdade, Lothos está acordada, ela está no banho tentando se livrar do cheiro de podre dos OAKs depois de todos reclamarem continuamente daquilo.

— O que você acha que devemos espera?

— Eu não sei. — Alethia respondeu franca — Mas é reconfortante mesmo depois de anos saber que estamos voltando para o QG;

Sieghart concordou, era embutido na mentalidade deles, a ilha era a casa deles não importa o que. Mesmo fugindo de lá pelas lembranças ainda é um sentimento poderoso o de voltar para casa.

— Não importa o que vamos achar.

Alethia concordou não importava, eles estavam juntos não importa o que.

 


Notas Finais


VEM AI HIGHLANDERS!

eu to muito empolgada, sério.

até o próximo


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