História Grand Pas De Deux - Suga - Capítulo 47


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Min Yoongi (Suga), Personagens Originais
Tags Bangtan Boys (BTS), Min Yooongi, Suga, Yoongi
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Palavras 3.616
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 47 - Sucesso e felicidade, mesma coisa mas diferentes


Fanfic / Fanfiction Grand Pas De Deux - Suga - Capítulo 47 - Sucesso e felicidade, mesma coisa mas diferentes

Mais uma vez, Hobi ocupa o banco do motorista usando uma combinação de roupas que destacam o quanto ele é inegavelmente bonito. Haewon ao seu lado, usa óculos esquisitos que ele colocou nela, mesmo depois da careta inicial de desaprovação que ela fez.

Suga me abriga em baixo de um de seus braços e eu deito minha cabeça em seu ombro. Ele constantemente ajeita a jaqueta de couro que Haewon me emprestou e mexe o boné em minha cabeça para ter certeza que meu rosto está coberto. Curiosamente, o rosto dele próprio está exposto para quem quiser ver. Ele quer que saibam quem foi o autor do crime.

Depois do banho, meu cérebro voltou ao ritmo normal e resolvemos como nos aproximar em poucos minutos. Eles realmente queriam uma aprovação unânime, o que deixou eu e Haewon extremamente felizes.

Levou uma semana para organizar os preparativos finais e vir para a estrada:

— Falta muito pra chegar, Hyung? — V resmunga do último banco da van depois de meia hora de viagem.

O concerto da lataria, castigada na nossa fuga, custaria algumas centenas de dólares, mas o mecânico nos deu um desconto de 100% depois de ver o instrumento de V, uma arma do tamanho do seu braço, que ele carrega agora em seu colo com uma tranquilidade que me deixa apreensiva. Sinto que a qualquer momento um disparo acidental vai atingir minha cabeça:

— Sim, falta. — Suga responde.

V vai escorregando dramaticamente pelo banco do carro e solta um muxoxo deprimido. Eu me encolho me apertando mais contra Suga quando a arma de V balança de um jeito perigoso.

Suga passa o outro braço em volta de mim e me abraça dando uma risadinha:

— É mais fácil você disparar acidentalmente do que ele, e a arma nem está na sua mão.

O olho mal encarada, mas só consigo faze-lo rir mais. A implicância deles com a minha mira está começando a me irritar.

Todos estão segurando suas armas com força e checando as janelas toda hora, esperando que algo de errado aconteça. Estão tão tensos que é a primeira vez desde que cheguei que presencio um silêncio absoluto.

Suga é o único tranquilo aqui.

Ele parece estar em outro mundo, com a postura relaxada e o rosto sonolento, mas percebe que estou apreensiva como os outros, então coloca um de seus fones na minha orelha e beija minha testa:

— Vai ficar tudo bem. — Ele diz.

Eu sorrio.

Suga não mente.

A partir desse momento, as coisas estão fadadas a fluir tranquilamente, como devem ser.

...

Eu e Suga somos os primeiros a avançar.

Andamos pela rua balançando as mãos entrelaçadas no ritmo que os fones tocam. Ele me olha contendo um sorriso satisfeito, pois sabe que nos integramos perfeitamente no meio da correria do comércio agitado de uma quinta feira:

— Essa é a parte que mais gosto... — ele diz — os minutos antes de começar, quando as pessoas olham pra mim como se eu fosse um deles. Veja como é fácil parecer um dos cordeiros.

Olho em volta.

As pessoas agem como se não nos vissem, no máximo alguém faz uma careta daquelas que fazemos para filhotinhos por acharem que somos um casal fofo.

Não entendo qual beleza Suga vê nisso:

— Não quero ser um cordeiro. — Digo.

— Mesmo? Cordeiros podem fazer isso. — Ele me pega pela cintura e gira algumas vezes comigo no colo. Eu acabo rindo.

— Isso é legal... Mas eu ainda vejo os seus dentes.— Me estico para alcançar sua boca e o dou um selinho mais demorado do que eu planejava. É um pouco difícil manter a noção do tempo estando em contato com esses lábios.

— Eu nunca quis ser um cordeiro com você. — Ele morde meu lábio inferior para provar.

Suga para de andar e eu paro ao seu lado. 

O poste com uma placa verde que carrega o nome da rua indica o lugar combinado:

— Temos uma regra na equipe... — Ele diz enquanto checa o horário no celular.

— Não ficar com colegas de trabalho? — Ele da um sorriso intencionalmente falso, desaprovando minha implicância, e eu rio.

— Não usar nossa própria mercadoria. 

Ele tira discretamente um tubinho de metal dourado do bolso da jaqueta.

Inicialmente penso que é uma daquelas canetas caríssimas, mas depois ele desenrosca a tampa e abre o recipiente como se fosse um rímel. Ao invés do pincel na ponta, a haste metálica traz uma minúscula pazinha carregada com um pó branco.

Suga leva a pazinha ao nariz, tampa uma narina com o dedo indicador, e com a aberta aspira todo o pó. Então ele mergulha a pazinha no tubo novamente e a traz pra fora recarregada, a colocando na base do meu nariz:

— Por isso não deixe ninguém te ver fazendo isso. — Ele conclui.

— Tem certeza que esse é o melhor momento pra alguém experimentar cocaína? — Falo um pouco insegura.

Posso não ter a vivência que  Suga tem no mundo aqui fora, mas todos os livros e documentários me ensinaram que primeiras experiências com qualquer substancia química podem trazer resultados inesperados. Definitivamente não é uma boa ideia fazer isso antes de invadir a casa do segundo na linha de sucessão a cadeira de Juan:

— Não é a primeira vez que você usa, Poison.

O encaro ainda mais insegura. 

A essa altura do campeonato eu já devia estar acostumada com as coisas que Suga sabe e eu não, mas não acho que eu vá me acostumar com isso algum dia.

Infelizmente não tenho o tempo necessário para assimilar a nova informação, minha cabeça começa doer. Doer de uma forma absurda.

Um zumbido agudo invade meu ouvido e caminha da minha cabeça até a nuca com uma agressividade tão grande que faz eu me perguntar se não tem alguém arrombando meu crânio com uma furadeira industrial.  

Levo as mãos às têmporas e me encolho:

— Ah! Que barulho é esse?

— Que barulho? Poison? — Suga afasta a pazinha de mim espalhando a cocaína pelo chão.

Ele segura meu rosto preocupado, colocando as mãos por cima das minhas: 

— Parece que meu cérebro ta parindo um picador de gelo... — Choramingo.

Ele fica alguns segundos me olhando sem saber o que fazer, então beija minha testa tentando me aliviar de alguma forma:

— Consegue andar? Vamos voltar para o carro. — Ele me empurra de leve, me incentivando a andar, mas eu firmo os pés no chão.

— Não! Você é maluco?

— Você que é maluca se acha que vamos fazer qualquer coisa sem você estar perfeitamente bem. Anda, vamos logo.

— Não, espera.

Pela pressão da responsabilidade ou pela baixa gravidade da minha enfermidade, o zumbido começa a se dissipar, diminuindo gradativamente até desaparecer de vez. Durante todo o processo, aperto os olhos fechados na esperança de acelera-lo, enquanto seguro Suga pelo pulso para impedi-lo de me levar embora:

— Esta passando, estou bem. — Afirmo enfim.

Quando abro os olhos, Suga está focado em mim, concentrado em encontrar qualquer coisa que denuncie uma possível mentira:

— Tem certeza?  — Ele pergunta e eu assinto, mas ele não parece convencido.

É estranho ele estar tão desconfiado, estou falando a verdade e ele nunca errou antes, mas meu espanto não dura muito:

— Poison, estamos prestes a entrar em uma situação delicada, qualquer erro pode custar a vida de um de nós. Você tem certeza que está bem?

E lá está ele, tentando proteger a todos novamente.

Seu ombros estão visivelmente travados  com a tensão da responsabilidade que ele pegou pra si, mesmo que ninguém tenha pedido.

Por mais que ele saiba que realmente estou bem, está apreensivo com todas as possibilidades de algo sair do plano. São muitas.

Eu pego o tubinho metálico das mãos dele e cheiro uma dose de cocaína:

— Vamos acabar com essa merda.

...

     Suga infla as bochechas por causa da força que usa para levantar parte da grade, então me apresso em engatinhar pelo chão e passar pelo buraco que ele abriu. O arame farpado no topo da cerca, que se estende em volta de toda a propriedade, excluiu nossa primeira opção de pula-la.

Assim que entro, seguro a grade para que Suga possa passar. A parte do ferro que cortamos com o alicate adquiriu uma angulação afiada e fere minha mão quando a solto. Engulo minha dor para não preocupar o Sr."carrego o mundo nas minhas costas". Tecnicamente, não estou escondendo já que ele não perguntou.

Nós corremos pelo chão de cimento sujo do lugar mal iluminado até chegar a um prédio residencial de quatro andares.

A escada de incêndio corroída pela ferrugem ameaça ceder a cada centímetro que avançamos, por isso fazemos tudo com a maior delicadeza possível. Ainda assim, um dos degraus não suporta meu peso e cai quando piso, fazendo Suga, abaixo de mim, soltar um gemido de dor ao ser atingido.

Ele coloca a mão na testa, espalhando o filete de sangue que escorreu para impedir que caia em seus olhos.

Sem poder fazer barulho, eu o encaro parada na escada até que ele me prove que está tudo bem.

Ele balança a cabeça positivamente e gesticula com mão para que eu siga em frente.

Por mais que eu queira descer e verificar o ferimento dele, não ouso desobedecer. Há muito em jogo. Se tudo der certo, vamos apenas contrair tétano.

Chegamos no terraço do prédio e eu puxo Suga para tentar avaliar a gravidade do corte em sua cabeça, mas ele me afasta delicadamente e bate dois dedos no pulso me mostrando que o relógio está correndo. Não temos tempo.

Então voltamos a correr e pulamos para o terraço do prédio ao lado, que fica a menos de um metro de distância. Os arquitetos visam economizar espaço nos ambiente urbanos, não estão preocupados em facilitar nossas vidas, ainda assim os agradeço mentalmente por idealizar edifícios que não cumprem a distância mínima de segurança.

No quinto prédio o bloco residencial chega ao fim, abrindo um grande espaço vazio que separa o casarão do resto do bairro periférico. Casa de peixe grande.

Dois homens estão sentados na sacada com fuzis de precisão tão pesados que precisam ser apoiados no chão com tripés. Eles estão ocupados com seus celulares, mas periodicamente olham para baixo vigiando os arredores do casarão.

Eu e Suga não demoramos mais que alguns segundo para tampar suas bocas com uma mão e passar a faca em suas gargantas com a outra. É rápido e silencioso, porém não muito limpo.

Eu e ele nos encaramos por alguns segundos ante de continuar. Eu sorrio para tranquiliza-lo, ele apenas assente com a cabeça.

Nós pulamos do terraço, mirando na árvore enorme que fica do lado de fora da cerca, bem onde Jimin nos disse que ela estaria. Nos livramos do trabalho de cortar a grade de ferro, em compensação ganhamos cortes e hematomas dos galhos que pareciam muito mais macios quando os vimos la de cima.

Minha queda é interrompida por um galho grosso que atinge minha barriga, já Suga continua quicando pelos galhos até chegar ao chão onde V e Jungkook nos esperam. Ver as mãos dele desesperadas, tentando agarrar qualquer coisa que diminuísse a velocidade da queda, partiu meu coração, mas ele sabia o que estava fazendo, porque graças a alguns galhos que arrancou, ele conseguiu diminuir o impacto o suficiente para não quebrar nenhum osso.

Começo a descer a arvore, mas a demora me irrita então apenas pulo direto para o chão.

Jungkook tira alguns galhos do cabelo de Suga enquanto ele respira cansado, deitado de barriga pra cima. Eu permito que minhas pernas cedam e me sento:

— Ninguém disse que seria fácil. — V diz enquanto anda até mim.

Ele bate de leve nos meus ombros e braços, tirando a terra e folhas que ficaram agarrados alí:

— O terraço já está vazio. — Informo.

V assente com a cabeça e acaricia o topo da minha cabeça:

— Nos vemos em algumas horas, Noona. — Ele diz e sai correndo.

— Eu gostaria de poder entrar com vocês... desculpa. — Jungkook diz enquanto puxa Suga pela mão, o ajudando a ficar de pé.

— Está... Tudo... Bem... - Suga responde entre inspirações demoradas. — Você ainda não pode se esforçar muito... Vai ser mais útil pra nós lá em cima.

— Eu sei, mas...

Com uma careta que mistura dor e cansaço, Suga se limita a fazer o mesmo gesto que fez pra mim, os dedos no relógio imaginário em seu pulso indicando que não temos tempo.

Jungkook assente com a cabeça e sai correndo atrás de V.

Suga começa a andar até mim, mas eu me levanto sozinha antes que ele me alcance. Ele disse que Jungkook não pode se esforçar, mas o estado dele mesmo não parece muito melhor.

Infelizmente, não temos tempo.

Beijo seus lábios com rapidez, como se isso pudesse recarregar minhas energias, e corro em direção ao casarão. Suga ainda demora alguns segundos recuperando as forças, mas logo escuto seus passos correndo atrás de mim.

Mesmo com nossas armas em mãos, os três homens que nos veem caem mortos no chão antes que precisemos atirar. Uma cortesia de V e Jungkook.

Chuto a porta dos fundos tetando abri-la, mas ela nem treme, então Suga chega para me ajudar. Nos jogamos contra a porta, batendo nossos ombros nela três vezes até que ela abre com um estrondo alto e preocupante.

O silêncio que tanto tentamos preservar foi destruído, e já que nossa chegada foi anunciada, Suga assume a frente e começa a disparar contra os homens que começam a aparecer. Avanço atrás dele cobrindo a retaguarda, e mesmo que ele esteja recebendo a maior parte dos tiros, alguns atingem meu colete me fazendo urrar de dor:

— Está quase acabando. — Suga me consola.

Eu fecho a porta atrás de nós para poder me preocupar com uma só frente de batalha e começo a ajudar Suga com meus disparos tortos.

Pelo menos faço ele rir:

— Você é realmente péssima nisso. — Ele diz quando acaba e avançamos para dentro da casa.

O deposito pelo qual entramos é grande e usamos o tempo dentro dele para recarregar as armas e recuperar o fôlego. Antes de atirar nas lâmpadas do corredor e da sala onde entramos, reparo que a fachada simples da casa não condiz com seu interior luxuoso de tapeçarias caras e cafonas.

O barulho de um tiroteio distante começa e se aproxima cada vez mais. Eu e Suga nos escondemos no escuro, em lados opostos da sala.

Quando os homens entram de costas, concentrados em atirar contra nossos amigos que os "empurram", nós começamos a disparar. Eles ficam cercados e tudo termina em um minuto. Dessa vez fomos apenas rápidos:

— Foram todos? — RM pergunta.

Suga e eu assentimos com a cabeça.

Haewon, Hobi e Jin, que eram responsáveis por outra região da casa, também assentem.

Jimin estava com RM, então apenas diz:

— Ótimo, vamos acabar logo com isso.

Ele e Namjoon chutam a outra porta que cede de uma vez. Atrás dela, uma pequena equipe armada dispara contra nós para proteger o homem que se esconde em baixo da mesa de madeira de demolição. A única coisa que conseguimos ver dele é a mão que está pra fora atirando.

Eu atiro também, sem ao menos olhar para a direção que estou apontando. É inútil para mim mirar.

Suga solta uma gargalhada, se divertindo com o meu desastre:

— Vai se esconder aonde agora, filho da puta? — Ele diz quando o último homem vai ao chão.

Ele anda até nosso alvo e o puxa pelo colarinho:

— No entiendo... — O homem fala sacudindo as mãos freneticamente.

Suga desfere um tapa em seu rosto, interrompendo o lamento e fazendo o homem se encolher:

— Pode parar com essa merda. — Ele grita irritado e coloca o homem sentado na cadeira de couro.

Hobi abre a mochila que carrega nas costas e tira algumas abraçadeiras de Nylon que são usadas para amarrar os braços e pulsos do prisioneiro, depois, RM guia a todos nós pra fora da sala, deixando pra trás apenas Suga e Hobi:

— Agora eles vão conseguir algumas respostas? — Pergunto.

RM assente com a cabeça.

Não preciso de muitas explicações, já vi como informações são conseguidas:

— Vamos vigiar os corredores.

As três horas seguintes tem como trilha sonora os gritos do homem que são extremamente diferentes dos gritos furiosos de Suga. Mesmo que eles não me incomodem, a dor de cabeça causada pelo barulho de furadeira imaginário voltou a me perturbar várias vezes, e atirar com com ela deixou minha mira ainda pior. Pensei que tivéssemos acabado com esses desgraçados, mas eles não param de aparecer, como ratos saindo de bueiros:

— RM, tem alguma coisa errada. — Haewon diz depois de atirar em outro homem que tentava se aproximar. — Eles não estavam aqui antes.

— São reforços. — Jin completa.

— Tem alguém aqui dentro em contato com o comando... Jimin, vamos dar mais uma geral na casa.

Os dois saem e minutos depois Suga aparece. Ele está coberto de sangue dos pés a cabeça, mas eu sei que o sangue não é dele:

— Poison... — ele vem até mim com a mão na testa parecendo cansado — ele não abre a boca.

Suga segura minha cintura com a mão ensanguentada. Ele acaricia minha lombar com o polegar e beija minha testa com os olhos tristes:

— Me desculpe por te pedir isso, mas se vocês ainda estão atirando aqui fora é porque algo está errado e precisamos ir embora o mais rápido possível. Você pode faze-lo falar?

— Suga, eu não acho que saiba como fazer isso.

— Sim, você sabe. - Ele balança o dedo anelar me lembrando do meu pedido de casamento. - Apenas entre lá e faça o que achar certo, ok?

Ok?

Não, não está ok.

Nada disso é certo. Nunca foi.

Então, quando entro na sala e encontro o homem nu e ensanguentado na cadeira de couro, com os olhos fechados pelas pálpebras inchadas e feridas, sei o que devo fazer. Devo fazer o que é errado.

Hobi mede o pulso do homem e aplica algo eu sua veia:

— Faça o que quiser, vou mante-lo consciente. - Ele diz.

Ao lado dele, vejo uma furadeira enferrujada coberta por manchas de sangue. Posso ver as digitais vermelhas de Suga no cabo onde ele a segurou, então entendo que o barulho agudo que me deu dor de cabeça não foi imaginário. Ao menos não dessa vez.

Pego a furadeira sem hesitar:

— Não se preocupe, não vai demorar. — Falo pra Hobi, mas quem responde é o homem na cadeira.

— Eles já usaram isso, gostosa. — Ele tenta rir, mas começa a tossir sangue e desiste.

Eu não respondo.

Se eles tivessem usado como eu pretendo, já estaríamos em casa.

O tiroteio recomeça la fora lembrando que devo me apressar.

Ajoelho na frente do homem e seguro seu pênis flácido. Por mais que o rosto dele esteja desfigurado, consigo ver o medo que ele esconde. Então, com cuidado, enfio a broca da furadeira no canal da uretra dele. Ele grita, mas eu continuo.

É engraçado como nunca pensei que o buraquinho do penis teria essa utilidade... Henry teve sorte:

— Vou começar a contar, se no 10  você não tiver falado o endereço completo do Juan, vou ligar a furadeira. Não quero saber onde está seu braço direito ou sua esposa, quero o endereço dele, fui clara? 1, 2...

Não precisei continuar, enquanto soluça em choro o homem engasga as palavras que queremos ouvir.

Realmente foi rápido.

Assim que ele termina de falar, a porta abre e um homem que não conheço entra.

Imediatamente pego minha arma, mas até que meu quarto tiro o acerte, ele atira duas vezes. Uma bala atinge meu colete, a outra...

Quando olho pra trás, Hobi está com a mão na barriga:

— Não... Não, não não.

Ele cai no chão e eu corro até ele tentando diferenciar o quanto do sangue no chão é dele e o quanto é do homem:

— Cade a porra do seu colete Jhope? — Começo a chorar enquanto pressiono o ferimento. - Porque não está usando a porra do colete, seu filho da puta?

Fico tão afetada que não percebo Suga entrar. Ele me empurra pro lado com violência, mas eu não sinto nada, apenas continuo chorando.

Suga tira a camisa e coloca na barriga do amigo para tentar estancar o sangramento:

— Fica comigo Hobi, vai ficar tudo bem, ok? — Ele sorri para o mais novo, mesmo que lágrimas estejam saindo de seus olhos. Hobi assente com a cabeça, mas parece perdido e sonolento. - Não Hobi, você não pode dormir agora. Sei que está com sono, mas fique de olhos abertos... Hobi, abra os olhos. Hoseok, abre os olhos!

Ele não abre.

Suga começa a dar socos no peito do amigo e todo o ar calmo que ele tentava passar desaparece. Sua cara se contorce em uma expressão de choro e ele continua gritando para que Hobi abra os olhos enquanto chacoalha seu corpo. Eu choro assistindo a cena de longe, mas o barulho de tiros do lado de fora me obriga a agir:

— Suga, temos que ir...

— Abra os olhos, por favor abra os olhos...

— Suga...

Ele não responde, então tento tocar em seu braço, mas ele me empurra pra longe com violência outra vez, me fazendo bater as costas na parede:

— Eu não vou deixar ele aqui! — Ele grita, então volta a recitar seu mantra pedindo para que Hobi acorde.

Os tiros ficam mais altos e próximos:

— Me desculpa... — Digo entre meus próprios soluços.

Então dou duas coronhadas em Suga que o fazem cair desmaiado no chão.

Atiro na cabeça do homem sentado na cadeira que assistia a tudo com um enorme sorriso no rosto, depois encaro os três corpos caídos a minha volta:

— Merda... — enquanto choro compulsivamente, afasto a franja de Hobi e beijo sua testa diversas vezes — me perdoa.

Então, seguro Suga por baixo dos braços e o carrego pra fora da casa.

...



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