História Grand Pas De Deux - Suga - Capítulo 61


Escrita por:

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Min Yoongi (Suga), Personagens Originais
Tags Bangtan Boys (BTS), Min Yooongi, Suga, Yoongi
Visualizações 30
Palavras 3.189
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 61 - Uma pitada de açúcar, mas muito veneno também


Fanfic / Fanfiction Grand Pas De Deux - Suga - Capítulo 61 - Uma pitada de açúcar, mas muito veneno também

       Depois que o passarinho chegou, eu e Yoongi desenvolvemos uma dinâmica diferente. Acordávamos todos os dias, antes do sol nascer, e levávamos a gaiola para a árvore do morto.

Nós ficávamos deitados na sombra da árvore, com a gaiola entre nós, esperando o passarinho diminuir a frequência dos piados que ficavam insuportavelmente altos no raiar do dia. Chamariam atenção demais na biblioteca:

     — Merda. — Reclamei, acordando mais um dia.

Depois de três meses na nova rotina, minhas olheiras só não eram maiores que as de Yoongi. Ele já estava de pé, oferecendo uma migalha de pão para o passarinho. Equilibrava o farelo na ponta do dedo, o deixando a disposição, imóvel até que o animal sentisse segurança suficiente para se aproximar:

     — Shhh! — Ele me pediu silêncio.

Minha reclamação assustou o passarinho, o fazendo se afastar.

Eu engatinhei até os dois, sentei ao lado de Yoongi, e esperei com ele até o bichinho subir em sua mão para bicar o pedaço de pão. Ele sorriu orgulhoso enquanto eu o admirava. Foi parecido com o que fez comigo quando nos conhecemos.

Assim que conseguiu o que queria, Yoongi recitou uma infinidade de palavrões, insatisfeito por não poder dormir mais.

Sandara ensinou sua lição. Mesmo que tenhamos vivido em um ambiente hostil, onde o crime parecia compensar, o passarinho de Namjoon nos lembrava todos os dias que tirar uma vida, qualquer uma, tinha consequências.

Depois que o passarinho se acalmava, aproximadamente às 8 horas da manhã, nós voltávamos para a casa e passávamos o dia inteiro escutando o que os adultos conversavam atrás das portas, procurando por qualquer coisa que pudesse nos ajudar a fugir. Éramos sedentos por qualquer informação, fosse o nome de uma cidade, de uma pessoa, ou a chegada de algum carregamento.

Com o passar do tempo, nossos passos ficaram cada vez mais silenciosos. Conhecendo a casa como a palma de nossas mãos, nos escondíamos em todos os lugares onde cabíamos, e onde não cabíamos, fazíamos caber.

Muitas vezes precisávamos ficar afastados, e nessas vezes, nossa comunicação era limitada a expressões faciais. Não foi um problema, nós nunca fomos muito falantes e os anos sem saber falar a mesma língua nos ensinaram muita coisa.

Yoongi precisava entreter sua madrinha algumas vezes, e ela não dava avisos antes de aparecer. Quase nos flagrou diversas vezes, então algumas técnicas foram desenvolvidas. Enquanto eu me escondia, Yoongi se ocupava em distraí-la, por isso nunca via pra onde eu tinha ido. Ele precisava adivinhar aonde eu estava, para assim, levar a medonha para longe sem revelar minha presença. Ele aprendeu a me achar, não importando aonde eu estivesse.

A medonha não gostava de mim.

Mesmo quando eu entrava pela porta da frente, escoltada por Sandara, ela não gostava da minha postura dominadora que, no fim, se assemelhava com a dela mesma. Ela tinha ciúmes, tanto de Yoongi, quanto de Sandara, e eu, com a liberdade que Sandara me dava, amava destilar meu veneno, fazendo questão de mostrar minha proximidade com os dois, todas as vezes que estávamos no mesmo ambiente.

Bastava ouvir sua voz para que eu agarrasse a mão de Yoongi, ou começasse a mexer no cabelo de Sandara.

Eu disse à Yoongi que fazia aquilo porque sentia medo, mas ele me conhecia bem o suficiente para saber que era mentira. E ele gostava. Usando sua vantagem de altura, conquistada depois de muito tempo, ele costumava passar o braço no meu ombro e sussurrar coisas na minha orelha:

     — Eu não tenho absolutamente nada pra falar, mas olha a cara que ela está fazendo. — Ele dizia.

Minha parte favorita era quando ele sorria e o movimento fazia a saliva estalar em sua boca, colada na minha orelha. Era uma espécie de ASMR primitivo.

Sandara desaprovava nossas provocações mas, por mais que gostássemos dela, não demos abertura para que ela opinasse:

     — Adolescentes são impossíveis... — Ela comentou com a Medonha durante uma conchinha pós-sexo.

Eu e Yoongi esperávamos até que as duas acabassem antes de começar a ouvir a conversa atrás da porta, mais por nojo do que por respeito:

     — Jenny é uma cobrinha. — Ela continuou, se referindo a mim.

     — Suga gostou dela. Estranho, não é? Ele sempre foi um bom menino. — A medonha respondeu com um muxoxo insatisfeito.

     — Não achei estranho. Talvez você  apenas nunca o tenha conhecido de verdade.

     — Cuidado com a boca. Suga é um bom menino, sua filha é quem está envenenando ele.

Sandara apenas suspirou em resposta. Depois de um silêncio constrangedor, a medonha tentou se redimir:

     — Não é que eu não goste da sua filha... Apenas não gosto que Suga vire outra pessoa quando você a traz aqui e...

     — Não se preocupe. — Dara a cortou. — Ela provavelmente consideraria isso um elogio.

Dara estava certa. 

Se trazer Yoongi à tona, o dando liberdade para respirar, era envenena-lo, então eu seria o próprio veneno.

Foi quando Dara começou a me chamar de Poison, e Yoongi, gostando tanto quanto eu de toda aquela transgressão, também o fez.

... 

     A chegada de Dara era uma ocasião especial, como férias de verão. Eu e Yoongi esperávamos ansiosos por ouvir sua voz vindo da sala rica.

Dara não tinha funcionários fixos, em cada viagem ela aparecia com gente diferente. Eles não faziam muitas perguntas, Dara era autoritária e os comandava como um general.

Assim que atracava, ela tirava a lona da caminhonete que ficava estacionada a poucos metros do cais, esperando ela voltar.

Mesmo que resmungasse o tempo todo, reclamando por estar cansada, ela fazia todo o trabalho que precisava fazer em poucos dias, assim podia gastar o resto ensinando eu e Yoongi a atirar e a dirigir.

Não demorou para que ela começasse a deixar o carro com a gente, na esperança de que eu e ele deixássemos ela e a Medonha em paz, como quem da uma garrafa pet a um cachorro:

     — Não ousem ir embora sem se despedir de mim. — Ela dizia balançando a chave antes de joga-la para um de nós, sabendo perfeitamete que poderíamos rouba-la e sumir em um piscar de olhos.

Por mais que fugir com a caminhonete fosse tentador, as fronteiras da fazenda eram cercadas com postos de vigia, e ouvir guardas relatando a morte de alguém que tentou passar sem autorização era rotineiro. Nós não éramos os únicos desesperados para ir embora, tampouco estávamos na pior situação possível alí. No fim, ainda podíamos dizer que tínhamos sorte. Eu e Yoongi podíamos dirigir por toda a fazenda, mas nunca tínhamos coragem de passar da árvore do morto, muito menos estômago para chegar perto das zonas de trabalho, e todas as vezes que ouvíamos uma voz de criança, mesmo que distante, saíamos correndo na direção oposta.

...


 Enquanto Yoongi era o ás nas aulas de tiro, eu era nas de direção, por isso, como sempre costumávamos cuidar um do outro, o pensamento de que devíamos nos ajudar nas respectivas dificuldades surgiu naturalmente. Ele dirigia, com a minha ajuda, para o local onde costumávamos atirar com Dara, e nós passamos a praticar sozinhos.

Meu problema em atirar não era a mira, me descobri habilidosa em arremessar qualquer outra coisa, desde as facas que Dara passou a me dar de presente, até objetos aleatórios em Yoongi quando ele me irritava. Yoongi não demorou muito para identificar o verdadeiro problema: o barulho.

Eu não podia fazer barulho na biblioteca, nem na tecelagem, nem na colheita, nem em lugar nenhum. O som dos tiros alteravam meus sentidos de um jeito desagradável, como se eu estivesse fazendo algo extremamente errado. Para me ajudar, Yoongi cobria minhas orelhas com as mãos, e mesmo que meu índice de acertos continuasse baixo, aumentava em 70%.

Diferente de mim, ele amava o barulho.

Era como se Yoongi explodisse junto com a pólvora, e o tiro gritasse tudo o que ele não sabia gritar. Ele sorria toda vez que atirava, fosse em uma garrafa de cerveja ou em um esquilo:

     — Estamos ficando bons nisso. — Eu disse ao fim do pôr-do-sol, avaliando o amontoado de latas e animais de pequeno porte que reunimos em um montinho de alvos atingidos.

Yoongi abaixou e tirou minha faca de um deles, limpou o sangue na calça jeans e me devolveu. Depois do primeiro trauma com o passarinho, os outros não foram tão difíceis.

Eu guardei Alfa na bainha dentro do tênis e Yoongi guardou a arma sem nome no cós da calça.

Pegamos uma pá em meio aos entulhos da carroceria da caminhonete e enterramos rapidamente todos os seres que eram vivos, como sempre fazíamos, e como o irmão de Yoongi fez.

O irmão de Yoongi era como uma entidade que aparecia todas as vezes que tirávamos a primeira remessa de terra, e permanecia entre nós até que a cova fosse completamente coberta. Mesmo que eu nunca o tenha conhecido, dividia a memória de Yoongi, o imaginando parecido com ele.

Quando tudo acabava, eu abraçava Yoongi, em luto pela partida do irmão. Ele não costumava retribuir o abraço, se entregando completamente a função de ser consolado.

Enquanto eu subia no capô alto da caminhonete, quase a escalando, Yoongi guardava a pá antes de se juntar a mim.

Naquele dia, ele voltou segurando um engradado de cerveja:

     — O que é isso? — Perguntei.

 — Estava na carroceria. — Ele respondeu abrindo uma latinha.

Depois de entrega-la pra mim, abriu uma para si mesmo. Eu o esperei para bebermos ao mesmo tempo, apreensivos com o gosto que a bebida teria. Fizemos uma careta assim que a cerveja quente se espalhou pelo paladar:

     — Eca. — Ele disse, depois tomou outro gole só para confirmar. Repetiu a careta.

Nos encostamos no parabrisa e continuamos a beber enquanto assistíamos o céu escurecer, fazendo menos careta a cada gole, porque queríamos ser como Dara, e Dara não fazia careta.

Foi o começo da tragédia... Ou da salvação.

Não sabíamos que a bebida iria distorcer tanto a nossa percepção da realidade, quando nos demos conta, já era difícil ficar de pé:

     — Você está embaçada. — Yoongi disse apertando os olhos na tentativa de foca-los melhor.

Ele colou as duas mãos no meu rosto, depois o acarinhou como uma pessoa com deficiência visual faz:

     — Isso faz cócegas. — Reclamei rindo e me afastando.

Mas ele veio atrás de mim e, por implicancia, se empenhou em fazer cócegas de verdade no meu tronco e axilas.

Eu resisti o quanto pude, mas Yoongi não era mais a criança pequena de antes. Logo eu estava rendida, rindo tanto que lágrimas caíam dos meus olhos:

     — Por favor, para! Para! — Eu gritei em meio as risada.

Quando finalmente alcancei sua piedade, ele parou e deitou com a cabeça na minha barriga, olhando para o céu e se divertindo com o vai e vem que minha respiração ofegante fazia:

     — Quantas estrelas existem no céu? — Ele perguntou, completamente bêbado. 

Eu demorei alguns minutos para me recuperar do ataque e enxugar as lágrimas antes de responder:

     — Não sei, quer contar?

     — Eu contaria se não estivesse com tanta preguiça.

Ficamos mais algum tempo observando o céu, perdidos nas estrelas e no álcool:

      — Dara disse que é possível navegar apenas olhando para as estrelas. — Yoongi voltou a falar.

     — Como?

     — Seguindo o cruzeiro do sul. — Ele apontou para a constelação, mas eu não consegui identifica-la.

Pra mim, era apenas um monte de pontos luminosos embaralhados e sem sentido:

     — Não estou vendo nada. — Resmunguei um pouco irritada e Yoongi riu.

     — Você é fofa.

Eu dei um peteleco em sua cabeça:

     — Eu ficaria ofendida, mas você acha tudo fofo. — Retruquei.

Ele ficou algum tempo com um biquinho nos lábios, repassando na cabeça todas as coisas as quais ele  tinha achado fofas nos últimos dias. Acabou assentindo e concordando comigo:

      — O que você vê? — Ele perguntou, retomando o assunto.

     — Um monte de pontos luminosos embaralhados e sem sentido.

      — Só isso?

      — Sim...

   — Que estranho, elas parecem tão organizados pra mim...

      — Olha aquela. — Eu disse em tom de desafio, duvidando que Yoongi realmente visse tudo com tanta clareza. Apontei para a única estrela que chamava minha atenção, muito mais brilhante que as outras, e duvidei que ele fosse identifica-la.

Mas ele a encontrou:

     — É Sirius. — Ele disse.

     — Sirius, como no Harry Potter?

     — Harry Potter?

Eu me apoiei nos cotovelos, elevando o tronco para conseguir olhar Yoongi:

      — Não acredito que você ainda não leu Harry Potter! Eu te mostrei a mais de um mês!

     — Ah, aquele livro... Mas não, não é Sirius como no Harry Potter. É Sirius, a estrela mais brilhante do céu noturno.... Como você.

     — Eu?

     — Sim.

Eu voltei a olhar para o céu, encarando Sirius com certa vaidade. Então era daquela forma que Yoongi me via, destacada em meio a tantas outras pessoas embaralhadas e sem sentido:

     — Você é realmente doce, não é?

     — Ah não, até você? — Ele resmungou enquanto fingia chorar.

Eu ri da atuação caricata:

      — Pois é... não quando precisa agir como um cachorro atrás do petisco... apenas você mesmo... é agradavelmente doce.

Ele ficou corado e mordeu os lábios para não sorrir, uma das reações que eu mais gostava de ver:

      — Devo te chamar de Suga também? — Provoquei.

      — Aish, porque está falando essas coisas, Poison? — Ele riu sem graça.

Eu estava falando aquelas coisas porque estava bêbada, por isso nenhum freio me fez parar:

      — Estou falando sério, sua Madrinha te deu esse apelido como um pronome possessivo, te dando uma nova identidade que pertence a ela. Mas sabe o que eu vou fazer? Eu vou roubar ela, Suga. Eu vou roubar o Suga pra mim... Isso fez algum sentido? Estou sentindo algo engraçado...

       — Eu gostei. — Foi a única coisa que ele conseguiu falar enquanto as bochechas e orelhas brilhavam com um vermelho vivo.

Eu ri e acaricie seu cabelo:

     — Ei, como você sabe tanto sobre as estrelas? — Falei me dando conta daquilo de repente.

     — A Dara sempre fala sobre isso quando eu dirijo, você também saberia se não hibernasse no banco de trás.

Ouvir aquilo foi como acender, com um lança-chamas, uma lâmpada em minha cabeça:

      — Yongi... Se a gente estivesse em um barco, você saberia que direção seguir?

Foi a calmaria antes da tempestadeú. A ultima inspiração antes de mergulhar. Então tudo virou um caos.


...


     Roubar a caminhonete de Dara não era vantajoso para nós, já o barco...

Eu e Yoongi ficamos em pé no convés por quase uma hora, digerindo as memórias que estar embarcados trazia.

Nos entreolhamos apreensivos:

     — Estamos mesmo fazendo isso? — Perguntei.

Yoongi respirou fundo e, depois de ponderar por muito tempo, assentiu.

Nós soltamos as mãos e corremos para a cabine vazia da capitã, ansiosos para acabar logo com aquilo. Estávamos, finalmente, fugindo.

O primeiro passo foi tentar apertar todos os botões do painel de comando.
Um deles fez o recolhedor da rede de pesca se mexer, derrubando uma das caixas pesadas de mercadoria que estavam empilhadas no convés.  O barco balançou de um jeito violento demais para o nosso estado hipersensível:

     — Merda! — Eu gritei me agarrando ao painel, apavorada.

      — Manual, Poison. Precisamos de um manual. — Yoongi falou mais calmo que eu, mas também estava apertando com força o painel para se equilibrar.

     — Manual... — Eu repetia pra mim mesma enquanto abria todas as gavetas da cabine.

Eu e Yoongi começamos a revirar tudo, na esperança de encontrar qualquer coisa que nos ajudasse, mas Dara era experiente demais para precisar de um manual. Ao invés do que queríamos, encontramos um livro de caixa:

     — Poison... o que é isso? — Yoongi me chamou.

Ele folheou a pequena agenda com nomes e números escritos, dentre eles, o da medonha, acompanhado de um número que não sabiamos nem como ler:

      — Dívida... Praso... — Eu li em voz alta. — A medonha está devendo dinheiro à Dara?

      — Aparentemente o mundo inteiro está. — Yoongi continuou a folhear as páginas que continham todas as linhas preenchidas.

Quanto mais mexíamos nos papéis, mais devedores apareciam, ainda assim, nenhum número era maior que o da medonha:

     — Não é a Dara que assina os documentos... — Yoongi comentou enquanto lia os papéis de uma pasta que encontrou, socada no fundo de uma das gavetas.

      — Ela não é a capitã? Quem assina então?

       — O nome é Hitman...

Por mais que tudo aquilo fosse confuso, não nos importava. Tudo o que queríamos era algo que nos ajudasse a dar a partida na embarcação.

Cade vez mais impacientes, começamos a jogar os papéis inúteis para o alto enquanto nossas mãos trêmulas entendiam que, a qualquer momento, alguém poderia nos flagrar.

Estávamos demorando mais que o planejado, por isso, quando Yoongi abriu uma pasta importante o suficiente para fazer seus olhos arregalados pararem, eu sorri aliviada:

     — Encontrou?! — Perguntei.

Ele não tinha encontrado.

Yoongi saiu correndo para o convés, mas não conseguiu alcançar a beira do barco, vomitou ali mesmo, se curvando para evitar atingir os próprios pés.

Eu cheguei a levantar para ir atrás dele, mas a pasta parecia ser mais importante, eu ainda achava que ela continha alguma instrução.

Quando a abri, tudo ficou em silêncio.

Não acreditei no que vi, mesmo que as lágrimas já estivessem descendo pelas minhas bochechas. Precisei folhear os papéis para ter certeza. Eram fichas de crianças, com datas recentes, documentos e fotos grampeadas. Era Sandara quem as trazia.

Todo o meu corpo enfraqueceu e a pasta caiu de minhas mãos, que não tinham mais forças para segura-la. As lágrimas rolavam sem que eu fizesse força. Foi como se o mundo inteiro virasse uma sala escura e vazia, e nenhum pensamento passava por minha mente até que ouvi o barulho de um gatilho.

Ainda atordoada, minhas pernas se moveram sozinhas até Yoongi, me arrastando para ele como se eu fosse um zumbi.

Yoongi não estava como eu, seus movimentos eram enérgicos e, mesmo que ele também estivesse chorando, sua expressão era furiosa:

      — Precisamos acabar com isso. Nenhum deles pode escapar. Vou matá-los, Poison. Todos eles. — Ele disse enquanto carregava a arma com mãos firmes.

Aquela cena fez algo comigo.

Minha cabeça doeu de forma aguda, como se meu cérebro inteiro quebrasse para reorganizar seus cacos em uma versão maior e mais forte de mim. Logo Yoongi não era o único a estampar o ódio no rosto:

     — Eu dirijo. — Respondi.


...


     Honestamente, não sabia para onde estava indo quando acelerei a caminhonete.  Pareceu lógico ir direto para a casa da medonha, mas ao encontrar um guarda no caminho, mudei a direção imediatamente. O atropelei.


Continuei com o processo de mudar de caminho todas as vezes que encontrava um funcionário. No fim, acabamos na fronteira, na frente de um dos postos de vigia.


Olhei para Yoongi, pedindo a ele permissão.


Ele assentiu com a cabeça, sabia que o eu queria fazer.


Então, eu pisei o máximo que o acelerador permitia e joguei o carro contra a construção.


...




Notas Finais


Oi, vim avisar q a partir de agora só vou conseguir postar uma vez por semana pq meu acervo já acabou, e que o próximo cap é o último antes da narração voltar para o presente. Tb quero pedir desculpas pela diagramação do texto pq eu estou sem notebook então n consigo editar direito, ela vai continuar assim até eu arrumar um note. No mais, obrigada pelo apoio, sério, vcs são uns nenéns. Até semana que vem.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...