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História Grand Pas De Deux - Suga (CORRIGIDA) - Capítulo 52


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Capítulo 52 - Cada sentimento que foi protegido volta à superfície


Fanfic / Fanfiction Grand Pas De Deux - Suga (CORRIGIDA) - Capítulo 52 - Cada sentimento que foi protegido volta à superfície

Não quisemos voltar para o alojamento, ele parecia tão... assustador... como se tivéssemos lembrado que éramos apenas crianças e o bicho papão estivesse nos esperando em baixo da cama.

Corremos para a área da mata, onde apenas as bordas eram vigiadas, ignorando a possibilidade de alguém nos ver. Não nos importamos com os galhos batendo em nossos rostos, apenas continuamos correndo o mais rápido que conseguíamos, como se assim pudéssemos fugir de tudo.

O som da nossa respiração ofegante se juntava ao das folhas secas que estalavam sob nossos pés.

A única coisa que conseguiu nos fazer parar foi a grande clareira que se abria à frente, no meio da mata fechada, como uma ilha cercada por um mar de árvores. 

Dentro da clareia se erguia majestosamente um tataré¹.

Ele ficava apenas a alguns metros do meio exato da clareira, de um jeito rebelde, como se tivesse feito aquilo de propósito para irritar alguém com TOC.

Olhei para Yoongi em dúvida, mas ele já estava na minha frente, se aproximando. Assim como a clareira criava um intervalo límpido em meio a confusão de árvores, eu e Yoongi paramos nossa confusão de correr e passamos a andar com calma, como se o tataré nos exigisse respeito. 

Quando chegamos até ele, passamos os dedos em toda a sua circunferência, seguindo em lados opostos até nos encontrar do outro lado do tronco. Quando ficamos perto, me sentindo novamente uma criança, imediatamente fiz o que costumava fazer antes da guerra:

— Boia. — Disse tocando em Yoongi e saí correndo. 

Ele olhou para o braço, onde eu tinha encostado, e demorou apenas um segundo para entender:

— Ei! Assim não vale! — Ele reclamou rindo e veio atrás de mim.

Eu sabia que era mais rápida que ele, e depois de fazer ele me perseguir por muito tempo, fiquei confiante demais. A velha história da lebre e o jabuti.

Comecei a andar devagar, queria mostrar para Yoongi que nem se eu deixasse ele conseguiria me pegar, mas ele arrancou em minha direção rápido demais e eu não tive tempo de voltar a correr.

Ele trombou em mim com toda a força, me fazendo cair de costas no chão, e caiu em cima de mim:

— Boia! — Ele disse segurando meus pulsos contra o chão.

— Se não me soltar eu vou socar a sua cara! — Reclamei tentando sair, mas Yoongi era treinado, colocou as pernas em volta das minhas coxas as imobilizando, e apertou meus pulsos com tanta força que eles afundaram um pouco na terra. Fiquei com hematomas com o formato dos dedos dele depois daquilo.

— Você é uma fracote! — Ele disse rindo. 

Então eu tive certeza de que me apaixonei primeiro. 

Porque quando o vi com o rosto tão perto do meu, rindo daquele jeito, meu primeiro impulso foi inclinar a cabeça pra cima e beija-lo. Tentar beija-lo. 

Ele colocou as duas mãos na boca, a tampando, antes que eu pudesse alcança-la.

Eu olhei para seus olhos arregalados, depois para meus pulsos livres, e sorri de forma cruel. Encontrei um ponto fraco. 

Com um movimento rápido, deslizei pra cima, escorregando entre as pernas dele, e coloquei minhas próprias pernas a sua volta, como uma tesoura, o derrubando de lado no chão. Subi em cima dele e, como ele não lutou de volta, apenas manteve as mãos na boca, o imobilizei em um segundo:

— Você tem medo de beijo? — Perguntei rindo.


Ele respondeu balançando a cabeça negativamente, desesperado, então, eu abaixei e ameacei beijar sua testa, mas ele balançou ainda mais a cabeça tentando se livrar de mim:

— Você tem medo de beijo! Seu fracote! — Eu disse rindo ainda mais.

Comecei a encher o rosto dele de beijos enquanto ele se debatia, mas depois de apenas alguns segundos ele não conseguiu mais aguentar:

— Para! Que nojo! — Ele falou tirando as mão da boca. 

Eu não tinha segurado suas mãos, então soube que ele ia se libertar rápido, por isso, aproveitei o último segundo e dei uma lambida em sua testa, a mais babada que pude. 

Levantei em seguida e saí correndo:

— Eu vou acabar com você! — Ele gritou correndo atrás de mim. 

— Fracote! 

Subi na árvore sem pensar muito, por isso não percebi que era uma má escolha. Yoongi veio atrás de mim e logo eu estava sem rota de fuga, o galho era alto demais para pular:

— Agora é o seu fim! HAHAHA! — Ele forçou uma risada de vilão. 

— Espera! Vamos fazer um trato!

— Você já perdeu, não preciso fazer um trato.

— MAS... Eu ainda posso te bater e a gente cai da árvore e morre!

— Meu Deus, que drama.

— Você duvida? Eu vou fazer!

— Ta bom, ta bom. Que trato?

Eu demorei algum tempo pensando em algo que fosse vantajoso e justo, então tive uma ideia:

— Eu deixo você me dar um soco sem revidar, mas um só. Aí a gente acaba. 

Yoongi sorriu cruelmente, como eu fiz antes, e eu soube que ele tinha aceitado. 

Fechei os olhos enquanto ele ia para o mesmo galho que eu, então ele deu um soco tão forte em meu braço que as folhas da árvore tremeram. Também deixou um hematoma, mas hematomas eram algo normal para a gente:

— Ai! Você é muito mau. 

— E você é nojenta!

Nós respiramos fundo para recuperar o fôlego que tínhamos perdido correndo. Balançamos as pernas no mesmo ritmo, sentados no galho robusto:

— Brincar é legal... — Yoongi disse com um biquinho. 

— É...

— Vamos brincar mais? 

Eu olhei pra ele, brilhando de felicidade, mas antes de responder fiquei séria outra vez:

— Mas sem me bater!

— E sem me beijar!

 

...

Um ou dois anos se passaram depois daquele dia. 

Todas as vezes que as coisas ficavam pesadas demais para aguentar, eu e Yoongi, que sempre fomos tratados como adultos, passamos a fugir para brincar no tataré, para poder ser criança.

Nós andávamos grudados o tempo todo, mas nas quintas feiras voltávamos tão cansados dos trabalhos que não prestávamos atenção em nada.

Aos dez anos, minhas pernas se arrastavam automaticamente, carregando meu corpo sonolento, por vezes de olhos fechados e sonâmbulo. Imagino que as de Yoongi faziam o mesmo, porém para o lugar errado. Ele sempre se perdia.

Quando eu chegava no alojamento e via que ele não estava comigo, sentava no chão em frente à porta e abraçava os joelhos tentando não dormir até ele entrar.

Ele sempre chegava três ou quatro minutos depois e, nos dias que eu não aguentava esperar e dormia sentada, ele cutucava meu ombro ou minha testa avisando que havia chegado. Então, ele seguia direto para a sua cama enquanto eu, depois de ter certeza que ele estava seguro, engatinhava para a minha.

Mas um dia ele demorou demais.

Eu acordei sozinha, sem seu dedo insistente batucando minha pele.

Corri para a cama dele, mas ela estava vazia.

Deitei nela, usando minha posição hierárquica privilegiada, e fiquei algum tempo olhando para o teto, como ele tanto fazia, procurando ali alguma pista sobre o que eu devia fazer.

Pensei que talvez, já que ele e aquele teto eram tão íntimos, ele poderia me ajudar. 

"Você sabe onde ele ta? Pode pedir pra ele voltar logo?" Perguntei. 

O teto não me respondeu, então decidi procurar Yoongi sozinha,s aí pela janela com um cuidado cirúrgico e percorri a Sede evitando os guardas. 

A primeira coisa que fiz foi ir ao tataré, e estava certa. Ele estava lá, em pé, com a cabeça jogada pra trás, os olhos fechados e a boca aberta. Um fio de baba escorria por sua bochecha e quase atingia o pescoço. Estava dormindo.

Ele deu sorte de ter parado ali, onde ninguém conseguia vê-lo. 

Quando tentei me aproximar, o mato estalou sob meus pés fazendo Yoongi acordar. 

Ele voltou a si devagar, recuperando apenas o suficiente de consciência  para continuar caminhando, nem se quer limpou a baba que começou a ficar seca e esbranquiçada.

Eu achei engraçado. 

Podia estar calejada, mas ainda era uma criança, pelo menos enquanto o tataré estava perto. Uma criança que gostava de aprontar.

Corri e me escondi atrás da árvore. Fiquei olhando Yoongi tentar achar o caminho com um olho fechado e o outro aberto. 

Tive que cobrir a boca com as duas mãos enquanto ria tanto que minha barriga doía. 

Ele seguia as minhas pegadas sem raciocinar. Meus pés, que pareciam pranchas de surf, eram os maiores dentre as crianças, e Yoongi colocava os pezinhos dele dentro dos enormes buracos que eu abri na grama como um dinossauro. 

Eu resolvi brincar com ele.

Comecei a andar em círculos atrás dele, deixando pegadas infinitas para ver Yoongi se perder em minha armadilha. Depois que ele acordou um pouco, o barulho que eu fazia ao me mover não chamava tanto a sua atenção, se misturando aos outros sons característicos da noite campestre. 

Ele demorou uma boa meia hora para perceber o que estava fazendo, e só percebeu porque uma de minhas risadas escapou do bloqueio das mãos e ecoou desengonçada pelo ambiente.

Ele despertou imediatamente e correu até mim com raiva, não achou tão divertido quanto eu, mas isso só me fez rir mais ainda. 

Eu poderia fugir dele facilmente, mas o deixei me atingir com tudo e derrubar no chão porque... Porque eu estava com saudade. 

A pequena possibilidade, que uma hora existiu, de perder aquele que era o mais próximo que eu passei a ter de uma família mexeu em desesperos profundos. Uma porrada me pareceu um preço pequeno a ser pago pelo benefício de senti-lo tão perto, mesmo que a porrada dele fosse especialmente forte. 

No entanto, isso não significava que eu estava disposta a apanhar sem revidar. Começamos a rolar no chão, trocando socos e cotoveladas:

— Ya! — Ele gritou enquanto tentava se livrar da minha mão que puxava seu cabelo, um golpe que ele claramente julgou ser ilegal dentro da nossa luta.

Yoongi era pequeno, mas selvagem. Se movia com tanta rapidez que nossas brigas sempre eram mais equilibradas do que nossos tamanhos premeditavam:

— Ya o que? Ya você! YA! YA! YA! — Gritei imaginando que aquela pequena sílaba significava o mais horrível dos palavrões em coreano.

Mas um barulho diferente atraiu nossa atenção.

Não parei de puxar o cabelo dele, nem ele de morder o meu braço. Congelamos na mesma posição e, mesmo estando ofegantes pelo esforço físico, prendemos a respiração para conseguir ouvir melhor os passos que se aproximavam. Pelo barulho que faziam, soubemos que eram passos de algo grande. Passos de um adulto.

Levantamos com um pulo e começamos a correr em total desespero. Eu queria ir na direção do alojamento, mas Yoongi me puxou pelo braço na direção oposta. Ele me arrastou para a árvore e eu agradeci mentalmente por te-lo deixado me guiar, porque no segundo em que acabamos de subir nela, um homem apareceu em nosso campo de visão. Era um guarda. 


Se tivéssemos ido para onde eu queria ele teria nos visto. 

Eu e Yoongi nos acomodamos novamente no mesmo galho, tão alto para nós quanto um arranha-céu. Observamos o homem se aproximar e recostar na mesma árvore. 

Ele pegou um walkie talkie na cintura e começou a esbravejar:

— Não consigo vê-los, mas sei que estão aqui. Estive os observando, tenho certeza. Câmbio. 

— Isso já foi longe demais, vou chamar reforço, câmbio. — A voz no radinho respondeu. 

— Quer me foder? Reforço pra achar dois pirralhos? Vão cortar a minha orelha! Câmbio.

— Vão descobrir uma hora ou outra, resolva logo isso, não consigo te cobrir por muito mais tempo, câmbio desligo.

O homem continuou gritando várias coisas no bocal do walkie-talkie, mesmo sabendo que ninguém estava ouvindo.

De repente, ele parou. 

Andou até a raiz da árvore, abaixou, e levantou com a escultura das bailarinas gêmeas nas mãos. 

Na primeira vez que eu e Yoongi brincamos juntos, nos divertimos tanto que esquecemos elas lá:

— Merda. — Eu sussurrei num impulso, sem poder me impedir.

Yoongi tampou minha boca com as duas mãos, mas já era tarde demais. O homem olhou pra cima e nos viu:

 — Eu sabia... — Ele disse apontando a arma pra gente. 

Yoongi e eu nos abraçamos e fechamos os olhos, mas ao invés do barulho do tiro, escutamos os estalos na madeira que anunciaram a tragédia.

No segundo seguinte estávamos em queda livre, junto com o galho, e eu desmaiei.



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