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História Grand Piano - Saida - Capítulo 8


Escrita por: minacentric

Capítulo 8 - VI. thank you


Fanfic / Fanfiction Grand Piano - Saida - Capítulo 8 - VI. thank you

MINATOZAKI SANA

 

Fecho o vidro do meu lado do carro. Meus dedos subindo e descendo inconsciente e constantemente sobre o freio de mão. Observo o interior do carro pelo retrovisor, esperando pacientemente Dahyun sair do automóvel. 

 

Dahyun está exatamente como o dia em que a conheci. Exceto claro pelas paletas que colorem seu cabelo. 

 

Não tenho  o costume de sair pela manhã, e o fato de ser uma manhã de sábado torna tudo ainda mais impressionante. Já que minha atual rotina consiste em: passar a maior parte do tempo trabalhando, normalmente, ao terminar meus deveres no laboratório, espero o comércio abrir para tomar café nesta doce cafeteria. Volto para casa quando começa o horário das rondas policiais pela região do bar disfarçado. Passo os inícios da tarde ruminando, até o anoitecer e então eu durmo até a manhã do dia seguinte. E se repete.

 

Eu destranco o meu carro. Dahyun talvez tenha tentado sair, e no meu devaneio, esqueci completamente que as portas estavam trancadas. Ela põe o cabelo de lado e bate a porta ao descer, esperando o tráfego cessar para poder atravessar a rua. Meus pés pisam no chão e dão a volta pelo carro me fazendo parar ao seu lado. Reprimo a vontade de repousar minha mão na sua e brincar sobre o costume de se dar a mão a uma criança para atravessar. Mas ela não hesitaria em me jogar em cima do primeiro carro que cortar a rua. O pensamento me tira umas risadas e eu volto minha atenção para o trânsito.

 

Entramos no mesmo compasso quando um último carro passa antes do fluxo cessar. Quando meus pés tocam o meio fio, deixo minha mão escondida sob o bolso quentinho do meu casaco, que cobre inteiramente a minha blusa social e o meu short jeans surrado. Caminho lentamente atrás da mulher de olhos incrivelmente castanhos.

 

O cabelo menta desbotado dança sobre suas costas, "gostaria de vê-la loira de novo", me pego pensando. Ela me olha por cima do ombro, deixando que eu note seus olhos ficando claros sob a luz da manhã. Além disso, reparo a ponta reta de seu nariz, que torna sua expressão afiada, mas de um jeito elegante.

 

O sininho acima de nós soa quando entramos na cafeteria, as poucas pessoas ali presentes levantam olhares em nossa direção. Da minha parte, é retribuído um sorriso caloroso nos lábios. Dahyun esconde o lado de seu rosto que está exposto ao sol com a mão direita, vejo mais como um pretexto para não ter o rosto visto por ninguém. Diferente dos dias anteriores à chegada da pianista, me sento agora ao fundo do estabelecimento. Nako levanta o olhar do seu bloco de notas, e me notando ali, levanta uma de suas sobrancelhas expressivas e interrogativas. "Tudo bem" movo meus lábios e a chamo com a mão. E ela vem com um cardápio na mão.

 

— Bom dia. - como na primeira vez que vim aqui, ela diz no automático. — Qual vai ser o pedido? - Pergunta diretamente para Dahyun. 

 

Ela não perde o seu tempo me perguntando, pois sabe bem o que eu peço todos os dias desde que vim para cá, relaxo as costas na banco booth estofado salmão, como tudo naquele café: salmão, americano e grande demais para um público tão pequeno. Dahyun pensa tanto que eu posso ver Nako ficar irritada pela forma que ela rabisca o número 13 no caderninho.

 

— Posso sugerir algo? - Dahyun se volta para mim.

 

— Por favor.

 

— Pode trazer o café da manhã número 10, por favor.

 

Dahyun me olha aborrecida por eu ter pedido em seu lugar, ao invés de só ter dado a sugestão.

 

— Pedido 10 e o mesmo de sempre - Nako diz para si mesma enquanto anota os pedidos. Quando finaliza dá um sorriso amigável para nós e sai — Em dez minutos a comida estará na mesa - Diz já do balcão.

 

— Você deve comer aqui frequentemente - Não sei ao certo o que Dahyun quer com isso, mas mesmo assim respondo.

 

— Sim, sou uma cliente fiel daqui.

 

Mesmo que eu seja uma mulher procurada, essa área da cidade é bem mais calma. Os locais nem parecem encostar a bunda no sofá para ver os noticiários ou qualquer outra coisa que esteja acontecendo em seu bairro. E com a polícia local dando mais atenção  aos assassinatos recorrentes que acontecem por aqui, o crime organizado e os vapores de rua — os dois me incluem —, tem conseguido viver seus negócios e suas vidas "tranquilamente". 

 

Então ultimamente está mais fácil para fazer as coisas sem ser escondida por casacos e capuzes na rua. Não só nas ruas, o negócio internacional de drogas está fluindo muito bem. Assim como aqui no Japão, na Índia a polícia não vem dando importância para as

importações com mercadorias suspeitas que chegam em navios e helicópteros.

 

Nako volta equilibrando perfeitamente uma bandeja com os nossos pedidos. Ela arruma primeiro os pratos de Dahyun na mesa, repousando por último a laranja e os talheres. Ela despeja de qualquer jeito o prato raso na minha frente, como de costume, coloca o pequeno recipiente de iogurte do meu lado direito e o café preto do esquerdo.

 

— Bom apetite. - A garçonete se curva levemente e se afasta da mesa indo atender a pessoa que acaba de entrar na cafeteria.

 

Dahyun com seu garfo remexe a omelete com espinafre, pensando se aquilo realmente era bom. Enquanto eu, por outro lado, já tinha acabado de comer duas folhas de rúcula. Pego os ovos mexidos e os adiciono no meu pão americano com manteiga fazendo um mini hambúrguer. A coreana corta um pedaço do seu ovo e eu reviro os olhos com os modos, Dahyun usa os talheres e por outro lado eu uso as minhas mãos. Ela leva o pedaço de comida até a boca e saboreia com cuidado. Eu quero quebrar esse prato na cabeça dela. Quem em sã consciência pensa que pode odiar ovo com espinafre?

 

— Então, Masterchef, qual a sua nota? 

 

Dahyun escolhe ignorar meu comentário, então passamos a comer em silêncio. Conforme nossos pratos e xícaras vão ficando vazios, seu corpo passa a  demonstrar inquietação, e isso faz com que ela não consiga ficar parada no banco, posso ouvir o barulho irritante que suas unhas fazem ao arranhar o assento. É hora de começar a fazê-la falar, quanto mais nervosa ela estiver, mais coisas eu consigo tirar dela. 

 

— Imagino que nunca dividiu a mesa com alguém - Levo minha xícara até a boca

degustando meu último gole de café.

 

— Não com traficantes.

 

O café se torna azedo, sinto o líquido descer com dificuldade pela minha garganta. Deixo a xícara descansar na mesa esperando Nako vir recolher. 

 

— Sendo assim, espero não estar incomodando o seu desjejum. - A Kim cerra os dentes, mas respira fundo e volta a se ajeitar no banco. Havia vestígios de tantos sentimentos em seu olhar, que sua expressão calma tentava esconder.

 

Nako volta e me dá um sorriso divertido, como se nosso ódio mútuo pudesse ser visto à distância. Ela recolhe nossos pratos e xícaras, se curva até que pudesse falar no meu ouvido. 

 

— Da próxima vez vê se não me faz desperdiçar o iogurte - Mantenho contato visual com Dahyun que agora tem os olhos afiados.

 

— Você sabe que eu nunca como, querida - Nako esconde o dedo do meio para que sua chefe do balcão não pudesse ver e chamar sua atenção. Não escondo a risada alta que sai da minha garganta. 

 

Ela faz algumas perguntas para Dahyun sobre como estava a refeição e a coreana tenta ser o mais gentil possível, mesmo que sua expressão diga que o que mais queria era sair dali ou voar nos cabelos de alguém. Nako se afasta dali indo buscar a nossa conta.

 

— Você a conhece? 

 

— Sim, ela me atende todas as vezes que eu venho aqui - Prefiro omitir o fato de que muitas vezes era Nako quem avisava a frequência que os policiais vinham fazer revista.

 

— Só isso? Vocês parecem íntimas - Questiona genuinamente.

 

— Apenas isso. Nako tem idade para me colocar na cadeia - Ela se dá por satisfeita com isso e começa a tamborilar os dedos na mesa. 

 

Mexo no banco de trás do meu jeans e recolho algumas notas de dinheiro, atraindo a atenção da mulher à minha frente. Retribuo o olhar. 

 

— Pretende pedir mais alguma coisa? - Ela nega e começa a se arrumar para se levantar e sair. — Senta aí. - Ordeno de forma autoritária, faço questão que minha voz saia mais elevada. 

 

Não preciso falar mais nada para ela juntar as mãos na mesa e me olhar em estado de choque. Nako vem rápido, pega o dinheiro, joga as moedas do troco na mesa e vai no mesmo passo que veio. Talvez minha voz tenha saído mais elevada do que o necessário.

 

— Eu não sei se quero falar aqui - Uma veia do meu pescoço está prestes a saltar para fora — Você não entende, é muito sério e eu não…

 

Ela para e se afasta da mesa, e consequentemente de mim também. 

 

Eu não o que, Dahyun? 

 

Suas mãos passam rapidamente pelo cabelo  puxando-o para trás. Eu rio do seu nervosismo, agora querendo de volta aquele pote de iogurte para me ocupar e não voar no pescoço branquinho e convidativo da pilantra a minha frente. Seus cotovelos batem na mesa e sua cabeça fica entre eles, agora começo a me preocupar. Olho em volta. Ela planejou alguma emboscada para mim e agora tá se sentindo culpada? Dahyun levanta a cabeça e minha intuição vê isso como resposta para a minha pergunta.

 

— Dahyun… Dahyun - Cantarolo para esconder o ímpeto de gritar, chorar e me machucar… ou machucá-la. 

 

Meus olhos lacrimejam, Dahyun se apavora porque não sabe o que fazer comigo. Sua boca se abre para falar, mas nada sai. Como eu pude cair no papo de conversar dessa ordinária traiçoeira? Miro ela novamente, os lábios entreabertos, a feição apavorada, o suor escorrendo do seu pescoço até se perder na gola do seu cardigã. Ah claro, essa carinha que ela tem que faz você achar impossível uma traição. Olho em volta mais uma vez, quanto tempo até alguém chegar? 1 minuto? 2 horas? 3 dias? Que grande merda Dahyun fez com a sua vida. 

 

— Vamos para o carro - Me levanto depressa e saio sem ao menos dar um até logo para Nako. 

 

O sininho tilinta e estamos na rua novamente, eu respiro fundo tentando não me comover com a possibilidade sem fundamento de estar sendo perseguida. Queria ouvir Dahyun confirmar se era realmente aquilo. Não abro a porta do passageiro para ela como fiz mais cedo e nem espero ela se ajeitar no banco, ponho a chave na ignição e o motor zumbe alto. A porta do meu lado fecha com força. Meus dedos deslizam pelo volante incontáveis vezes enquanto eu o controlo com maestria pelas ruas movimentadas.

 

— Park Jihyo

 

O sobrenome faz uma memória surgir em minha cabeça e eu encaro Dahyun incrédula, esperando que ela continue. 

 

— Ela me procurou há alguns dias na Coreia, atrás de você. 

 

A coreana suspira ao meu lado, batendo seus pés no assoalho e murmurando monólogos internos. Meus olhos se viram para ela, e eu apenas acelero, precisava falar com Momo. Saber o que fazer com essa informação que tenho em mãos. Se essa Park Jihyo tiver localizado Dahyun e consequentemente eu e o laboratório, estamos fodidas.

 

— Fique no carro! - Digo ao estacionar o carro na parte de trás do bar — Irei consertar a merda que você fez.

 

Seus olhos brilham de medo em minha direção. Suspiro entrando no depósito e seguindo para o escritório de Momo, passando direto pelo primeiro cômodo, indo do corredor até a primeira porta depois dos três quartos de hóspedes. Minha mente está nublada conforme penso cada vez mais na identidade quase formada de Park Jihyo na minha cabeça. 

 

— Hirai - Anuncio minha chegada. Agora, encarando minha melhor amiga de infância fica quase impossível conter a vontade de chorar. Mas encaro as luzes do teto de argila e volto minha atenção para Momo e Chaeyoung do seu lado ajoelhada. — Ah oi, princesa morango. 

 

Ela gesticula para o monitor do computador, vou até lá em passos cansados, afasto a cadeira de Momo para me sentar no seu colo. Dahyun e uma mulher de cabelos curtos aparecem na tela, e eu noto que aquilo era imagens da câmera de segurança de uma boate. Saudades de Jeongyeon. Rio do meu próprio devaneio e volto a prestar atenção nas imagens. Quando elas entram na boate, a câmera acelera e um grande fluxo de pessoas entram depois delas. Eu prendo o ar no pulmão, o sangue começa a se esvair do meu rosto e Chaeyoung segura o meu braço por reflexo. Jisoo. Park Jisoo.

 

Momo me prende em seu colo com o braço envolta do meu quadril. Quero me levantar e ir embora. Jisoo estava de volta e procurando por mim. E eu tenho plena certeza que não era para me pedir uma segunda chance.

 

— Se esforce, por favor. - Momo sussurra no meu ouvido e eu engulo em seco buscando a mão de Chaeyoung. 

 

A rua fica deserta e mais nenhuma pessoa surge na boate, ou melhor, não é possível ver ninguém em toda a área de alcance das câmeras de segurança. A menina de mechas verdes e azuis aponta para o canto do monitor, onde posso ver um parachoque preto, e a câmera corta estrategicamente para que o carro não apareça mais do que isso. Olho os horários e vejo o salto que os minutos dão. Uma parte da filmagem está faltando. 

 

Seja lá com quem Jisoo estivesse envolvida, não falha em serviço.

 

— Fechem as saídas, o bar e intensifique o número de olheiros na rua. - Chaeyoung faz uma reverência, troca um último olhar terno comigo e saí para dar as ordens aos demais. 

 

Momo tira os braços da minha cintura e coloca uma pistola na minha frente. 

 

— Precisa de mais motivos pra você estourar a cabeça daquela mulherzinha? 

 

Salto do seu colo e começo a andar pela sala. Não, não, matar Dahyun sem que eu tenha ouvido o seu lado vai contra tudo que eu já aprendi. Mas precisa de mais provas além disso? Dessas filmagens? Encaro a arma na mesa do escritório, o que eu ganharia com a morte dela? 

 

— Conversas entre a cabeça e o coração, Sana? Achei que tivesse superado isso.

 

— Cala boca, cala boca, cala boca, cala boca - Minha voz aumenta à medida que eu sinto a garganta se fechar e as lágrimas começarem a descer pelo meu rosto.

 

Momo coloca os dedos na raiz do nariz fechando os olhos em puro aborrecimento.

 

— Eu faço isso por você - Se levanta e eu me ponho na frente dela e da porta — Minatozaki, qual o seu problema? - Esbraveja e eu me recuso a fazer contato visual com ela.

 

— Eu me resolvo com ela, ok? - Espalmo minhas mãos no peito dela e a puxo pelo casaco para um abraço — Só cuide das coisas aqui, tá?

 

Ela se desvencilha do meu abraço e me olha incrédula. 

 

— E o que você vai fazer enquanto eu arrumo a merda que essa coreana fez?

 

— Eu não sei, mas não vou me livrar dela - Ela ri em escárnio. — Preciso saber a versão dela. Eu vejo, Momo. Vejo nos olhos dela que está arrependida. 

 

Momo levanta as mãos, desistindo de tentar me convencer do contrário. Ela tateia a mesa buscando a gaveta, e ao encontrar, guarda sua pistola. Em seguida, senta mexendo no computador. Chaeyoung volta novamente, Momo pede para que ela pegue as malas de Dahyun no primeiro quarto do corredor e eu brinco dizendo para ela se apressar, pois a garota pode morrer sufocada no carro. 

 

Aproveito para secar as lágrimas que já estavam ficando secas no meu rosto.

 

— Você vai ficar aí parada me olhando? - Diz me olhando por cima do monitor.

 

Saio pela porta e esbarro em alguma das funcionárias do lugar, me desculpo e sigo para o meu quarto.

 

Eu não moro aqui, mas é onde passo a maior parte do meu tempo, pois acho mais seguro do que na favela em que minha casa está situada. Pego uma mochila e jogo algumas mudas de roupas. Penso, olhando para minha cabeceira, se deveria levar o frasco de perfume, minhas escovas de dente e meu desodorante. Recolho um bolo de dinheiro da minha gaveta e opto por comprar tudo quando estivéssemos no nosso pequeno retiro. 

 

— Vocês são completamente loucas, não é? - Pergunta uma mulher de cabelos curtos assim que chego na sala. Ela tem os braços cruzados embaixo de seus seios, e olhando o seu rosto de frente, percebo que é a mulher que estava bisbilhotando mais cedo e a mesma da filmagem. Seus olhos castanhos estão escuros, tomados pela raiva que faz uma chama brilhar em suas íris.

 

Jogo meu corpo contra a mesa de Momo encarando a mulher de forma desinibida. 

 

— E a pessoa mais sã dessa sala se chama? - Digo sugestiva querendo ouvir o nome da beldade que me encara.

 

— Nayeon. Im Nayeon. Muito prazer, queridinha. - Ela estende a mão e eu aceito deixando um beijo molhado  — Ah, faça me favor. 

 

— O prazer é todo meu.

 

— Me diga, por que caralhos essa criança pegou as malas de Dahyun do nosso quarto?

 

A criança em questão é Chaeyoung, essa que dá uma cotovelada bem dada no peito de Nayeon. Momo pega a baixinha pela gola do blusão sufocando-a. Eu tenho que rir da cena à minha frente. Nayeon bate o pé incessantemente no chão enquanto Hirai me entrega a localização da casa alugada.

 

— Vocês voltam quarta-feira, não precisarei mais do que quatro dias para despistar Jisoo.

 

— Quem é Jisoo?

 

— A canalha que vocês trouxeram para acabar com a vida de Sana - Chaeyoung vai com tudo para cima de Nayeon.

 

Quero repreender Son por chamar Jisoo de canalha, mas fico quieta. Não valeria a pena mais uma desavença com Momo. Nayeon se afasta com os braços rendidos.

 

— Você esqueceu de vacinar sua filha? Ela claramente tem raiva.

 

Nayeon ri da própria fala e os olhos de Chaeyoung lampejam de raiva, mas ela não faz nada e se vira para mim. Aproveito para começar a explicar para a parceira de Dahyun o que vou fazer a sós com a amiga dela.

 

— Terminamos de assinar os últimos papéis do casamento e agora vamos aproveitar nossa lua de mel.

 

— Ouch - As três dizem em uníssono.

 

— Vamos ficar um tempo na moita, não se façam de idiotas.

 

Dou meia volta me apressando para chegar no carro. Acredito que logo mais as três garotas vão me seguir e nos encontrar antes da nossa partida. Passo pela porta e me encaminho para o carro checando se Dahyun por algum acaso não veio a falecer pelas janelas fechadas. Mas eu a encontro serena com a cabeça encostada na janela, o sol ilumina todo o seu rosto e ela não parece se incomodar com isso. Toco sua bochecha pelo vidro e o barulho da minha unha tilintando contra o vidro faz ela levantar a cabeça em alerta. Ela me encara sonolenta até assimilar que fui eu quem interceptou o seu repouso. 

 

— Não quer ir se foder não? Por que demorou e me deixou aqui trancada? Vagabunda. - Sorrio largamente. 

 

Eu pagaria pra ela me chamar de vagabunda em outras ocasiões. 

 

Vou até a parte traseira do carro, abrindo o porta malas e colocando minha mochila. Mando uma mensagem para Chaeyoung descer com as malas, e isso inclui Nayeon.

 

— Abre essa porra! - A voz dela faz os vidros tremerem.

 

— Não me esqueci de você, amor. - Falo ao destrancar o carro.

 

Estendo uma mão para ajudá-la a sair, mas ela a afasta com um tapa e se distancia de mim para se alongar. Fecho a porta e me encosto no veículo, queria aproveitar o silêncio e botar minha cabeça pra funcionar. Que personalidade eu deveria assumir nesses quatro dias com Dahyun? A que ela odiar mais, lógico! Olho para a coreana, recuperando a serenidade que tinha a poucos minutos antes de eu chegar. O horizonte atrás de mim está escurecendo e eu consigo prever o óbvio: cairá uma grande chuva na parte da tarde. Já deveríamos ter pegado a estrada. Saco meu celular da cintura e checo os minutos. Porra, cadê a Chaeyoung com as malas? 

 

— Cadê ela? - A voz de Nayeon chega aos meus ouvidos me retirando de qualquer pensamento a mais que eu pudesse ter. — Dahyunnie.

 

Dahyunnie. Reviro os olhos. Ela e Nayeon já estão atracadas em um abraço cheio de declarações. Tranco o maxilar. Elas podiam fazer essa melação bem longe de mim, não podiam?

 

Momo chega não muito tempo depois acompanhada do seu bastão guia da cor verde, Chaeyoung vem mais atrás e se não fosse pelas malas que carrega, Momo não precisaria usar sua guia. Visto que a nossa princesa moranguinho virou os olhos de Hirai desde que ficamos íntimas.

 

— Abre a droga do porta malas - Chaeyoung vocifera assim que solta a mala e a mochila no chão. 

 

— Ei! Cuidado aí com as minhas coisas, piralha.

 

Son se vira para Dahyun.

 

— Piralha? Garanto que sou mais velha que você.

 

Elas se encaram travando uma guerra por olhares. Não tenho tempo para briga de crianças, então ponho as tralhas da pianista junto com as minhas bagagens no carro e paro apenas quando a...

 

— 1995!

 

— 1996! Arghh. - Dahyun ri em êxtase pela vitória na maioridade.

 

— Sou de 92, as duas são pirralhas - Como uma mãe faria, Nayeon bagunça o cabelo das duas.

 

— Vão ficar disputando idade? Eu e Dahyun temos uma estrada para pegar - Encaro novamente o horizonte como fiz a minutos atrás. As meninas seguem com a cabeça na mesma direção — e temos que ir logo, ou irei dirigir na chuva. 

 

Momo põe uma mão dramática no peito se virando para Dahyun.

 

— Temo por sua vida, pianista.

 

Soco o ombro de Hirai. Como se eu dirigisse tão mal assim. Dahyun entra no carro e eu faço o mesmo, ajeitando o meu banco para aguentar as horas de viagem. Momo se inclina na janela do passageiro, e com sua mão busca e encontra rapidamente o que procura. Momo está praticamente com o tronco todo para dentro do carro, tentando ver o visor e seu GPS. Ou sendo mais realista, forçando sua vista para tentar ver. Reviro os olhos, virando a cabeça na minha janela para chamar Chaeyoung mas Dahyun é mais rápida e ajuda. Ela lê a página do visor e o que está escrito. Aproveita para dizer em quais partes da tela estavam as opções

 

Sorrio minimamente em como elas pareceram cúmplices por alguns poucos minutos. 

 

Quando o aplicativo dá a nossa rota Dahyun solta um grunhido de surpresa

 

— 1 dia e 13 horas de viagem? - Esbravejo.

 

— Sim - Momo diz simples e objetiva — Aproveitem para se resolverem e quem sabe se conhecerem melhor. - Dá um sorriso sugestivo, e cede um espaço na janela para Nayeon se debruçar sobre Dahyun.

 

— Ela não pode ir? - Momo endurece a expressão quando Kim se dirige a ela.

 

— Im Nayeon não tem nada que interesse a Jisoo. 

 

As duas morenas se encaram, as faces ficam a centímetros de distância uma da outra, mas elas não se intimidam.

 

— E você tem algum interesse em mim para me manter aqui? - Ponho um sorriso presunçoso no rosto quando Momo revira os olhos. 

 

— Na verdade, estava pensando em te mandar para casa ou você não sente saudades da sua filha? 

 

E então elas começam a bater boca. Chaeyoung puxa o meu rosto e me dá um beijo tímido na bochecha. "Fica bem, vou sentir saudades", ouço sussurrar em meu ouvido. Gostaria de ter reflexos melhores, ter virado o rosto para receber um selinho de Son, seria impagável. Valeria a minha semana. Dou partida no carro quando Nayeon reclama que algumas gotas de chuva estavam caindo no ombro dela. Aceno para as meninas, Im também se despede de mim. Gostaria de poder trazê-la, mas se eu estiver certa nas utilidades que ela poderia trazer para mim. É melhor que ela fique! 

 

Meu coração palpita no peito.

 

— Tem alguma coisa boa nesse painel? - Mal consigo responder pois ela começa a mexer em tudo. 

 

— Você vai acabar tirando o GPS - Uso a mão direita para passar a marcha e afastar a mão dela do painel — O que você quer?

 

— Queria me entreter com alguma coisa.

 

— Eu vou te entreter bastante quando chegarmos em casa.

 

Zombo, sorrindo largo para ela. Durante todo resto da viagem, ela permanece calada e eu tampouco tento puxar assunto. Parei em um acostamento e arrumei o banco dela para que ela conseguisse se deitar ou se sentir mais confortável durante a viagem. 

 

Vez ou outra olho para ela e sou até capaz de sentir pena. Avião, ônibus, caminhada e carro. Ela com certeza não dormiu bem nas últimas horas.

 

— Assim que chegarmos, você pode ir direto pro quarto - Ela faz um muxoxo antes que eu possa completar — Você andou bastante, aposto que não conseguiu ter um descanso.

 

Ela se vira. Dou um meio sorriso involuntário, o lado que antes estava encostado no vidro está com marcas, seu cabelo desgrenhado. Seu olhar é interrogativo, provavelmente se perguntando por que eu estava sendo boa de graça. Me entristeço quando ela volta ao seu cochilo. Eu esperava receber ao menos um "Obrigada, traficantezinha". 

 

— Minatozaki?

 

Murmuro sem tirar os olhos da estrada. Já está começando a escurecer e eu não gostaria de ocasionar um acidente de carro por bobeira.

 

— Obrigada.

 

Verdadeiramente fico sem entender. Meia hora depois ela resolve me agradecer? Pelo canto do olho vejo a garota de cabelo menta desbotado se virar para mim, sorrindo minimamente, ela desfaz o sorriso na mesma hora que percebe que ele enfeita o seu rosto. Um sorriso genuíno desbota no meu, talvez eu seja idiota demais quando se trata dela pois não me importo em ligar o aquecedor e dizer:

 

— De nada, Dahyun


Notas Finais


como estamos?

quatro dias juntas em uma casinha. vamos fazer um bolão, quem vai matar quem primeiro?

chaeyoung e-girl na fanfic pq sim

betado pela minha amiga. yo la amo.
#saidaGP on twitter e stream alcohol free.

ps: editei os avisos do cast, vejam lá.


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