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História Grãos de Areia - Capítulo 4


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Notas do Autor


Olááá, estrelinhas! Chegamos ao quarto capítulo de Grãos de Areia, o que também é 1/3 da história! Está tudo passando muito rápido :(

Eu espero que vocês estejam gostando da história! Cada comentário me deixa toda bobinha com vocês falando da relação do Baek com o Jaehwa e agora que Chanyeol vai ficar mais em casa.............. Altas emoções nos aguardam, certo? Então eu não vou falar muito por aqui e deixar que leiam hihihihihi.

A betagem ficou por conta da Dulce, como sempre, obrigada anjinho <3 E a vocês desejo uma boa leitura e nos vemos lá embaixo~! <3

Capítulo 4 - Grãos de promessas


GRÃOS DE AREIA

Capítulo 04 – Grãos de promessas

 

Baekhyun ainda não havia se acostumado.

 

Uma coisa era estar na casa dos Park cuidando de Jaehwa enquanto estava sozinho com o garoto, pouco vendo Chanyeol porque o mais velho passava muito tempo em seu trabalho – provavelmente aproveitando do fato de que seu filho tinha alguém consigo em casa e não dependia exclusivamente de que chegasse no horário certo, como quando ainda estava na escola.

 

Com essa situação o Byun já havia se acostumado. A primeira semana na residência dos Park lhe ensinou bastante a respeito de Jaehwa e o garoto já se sentia mais confortável ao seu lado, demonstrando ser uma criança risonha e cheia de ideias. A primeira impressão tímida e reclusa que tivera do mais novo fora armazenada apenas em sua memória.

 

Na maior parte do tempo, Jaehwa era uma criança dócil de se lidar e que se entretinha com facilidade. O garotinho havia gostado muito da ideia de fazer pulseiras e, no fim de semana que se seguiu ao dia que lhe mostrou seu hobby de infância, questionou-lhe outras vezes se poderiam fazer de novo, dessa vez com seu pai presente.

 

E essa era a parte com a qual Baekhyun ainda não havia se acostumado.

 

Chanyeol pouco fizera parte de sua primeira semana de rotina naquela casa, com exceção dos momentos à noite em que conversavam sobre Jaehwa, se Baekhyun tinha alguma observação a fazer quanto ao comportamento do garoto. Na maior parte do tempo, Chanyeol estava ou com o filho ou em seu quarto resolvendo assuntos do trabalho.

 

Em partes, Baekhyun agradecia por isso porque seu chefe ainda lhe deixava nervoso só por estar no mesmo cômodo que ele, e não estava acostumado a esse sentimento. Por outro lado, a falta de contato não lhe preparou para o momento em que Chanyeol fosse ficar o tempo todo em casa.

 

Como estava acontecendo naquele momento em que o lockdown fora declarado na cidade em que viviam, e Baekhyun não tinha para onde ir. Ainda que seus serviços não fossem mais necessários, as estradas estavam fechadas e não poderia viajar para ficar com seus pais.

 

Estava fadado a permanecer naquela casa, ao lado de Jaehwa, que recebeu a notícia com um sorriso animado no rosto, e de Park Chanyeol, o homem que lhe fazia estremecer só por olhá-lo por mais tempo do que o usual.

 

Contudo, Baekhyun estava disposto a não deixar que nada disso transparecesse em seu rosto e continuaria fazendo seu trabalho normalmente. Chanyeol continuaria a trabalhar de casa, então Jaehwa continuava sendo sua responsabilidade para que não ocupasse o tempo de seu pai enquanto ele não estivesse em suas pausas. Com sorte, a presença de Chanyeol não faria uma grande diferença no ambiente da casa já que ele ficaria trabalhando em seu quarto.

 

Só com sorte mesmo.

 

No final de semana, surpreendeu-se ao ver Chanyeol deixando seu notebook de lado e aproveitando o tempo com Jaehwa. O mais velho tinha lhe avisado que estava dispensado por aquele fim de semana e não precisava se preocupar com o garoto; ainda que Baekhyun não tivesse muito o que fazer estando preso na mesma casa que ambos, agradeceu pelas horinhas de sono a mais que recebeu por não precisar acordar no mesmo horário que os Park.

 

A cena que encontrou na casa durante os dois dias, contudo, lhe deixou mais satisfeito do que imaginava. Jaehwa estava evidentemente animado com a presença do pai, tagarelando sem parar sobre como era bom que o pai participasse de suas brincadeiras e rindo a todo momento. Até mesmo Chanyeol estava sorrindo mais do que de costume e Baekhyun resolveu que não era um momento no qual deveria se intrometer.

 

Já era bom o bastante perceber que o mais velho havia entendido seu recado e estava dispensando mais atenção a Jaehwa como o garotinho merecia. A felicidade do mais novo era nítida em cada risada, na maneira como corria pela sala para escapar de seu pai e nos inúmeros jogos que inventava só para que o Park mais velho continuasse a brincar consigo. Chanyeol em nenhum momento falou sobre seu trabalho, dedicando-se exclusivamente a Jaehwa.

 

Aquela era a família que Baekhyun gostaria de ver pelo restante do tempo que tivesse naquela casa, mesmo que, em algum momento, Chanyeol precisasse voltar a trabalhar. Jaehwa com certeza entenderia que havia momentos em que seu pai não estaria disponível, contanto que momentos como esses continuassem a acontecer.

 

O problema começou na segunda-feira.

 

Era o primeiro dia oficial de home office de Chanyeol e Baekhyun havia se esquecido de como era acordar e encontrar a casa vazia apenas para ele e Jaehwa. Arrumou-se brevemente, ainda bocejando de sono em seu caminho até a cozinha para preparar o café da manhã do garoto. Sua surpresa foi inevitável quando encontrou Chanyeol sentado à mesa tomando café enquanto rolava o display de seu celular, lendo alguma notícia.

 

“Bom dia, Baekhyun”, Chanyeol o cumprimentou assim que o percebeu parado à porta. “Jaehwa em breve acordará.”

 

“Bom dia”, Baekhyun respondeu depois de alguns segundos, recuperando-se do susto. “Sim, eu vou começar preparar o café da manhã dele agora mesmo. Você quer algo para comer também?”

 

“Algumas torradas iriam bem, mas não se preocupe, estou terminando aqui e posso fazer isso por mim mesmo”, Chanyeol respondeu. “Você não tem qualquer obrigação comigo.”

 

“Não é nada demais, eu já vou fazer para o Jaehwa também”, Baekhyun deu de ombros. “Assim vocês dois podem ficar conversando enquanto preparo tudo por aqui. Ele pareceu gostar muito do fim de semana que vocês tiveram.”

 

Chanyeol concordou com um breve acenar de cabeça. Fazia algum tempo desde que tivera um fim de semana dessa maneira com o filho, sem deixar que as preocupações da agência ocupassem sua cabeça, e precisava admitir que havia sentido falta. Contudo, o tempo perdido foi precioso para sua adaptação com o home office e estava atrasado em algumas questões que precisava urgentemente se inteirar.

 

Nada que não pudesse fazer naquela segunda-feira, mas tinha certeza que seu humor cairia drasticamente e queria aproveitar dos resquícios de tranquilidade que seu fim de semana lhe proporcionou.

 

“Papai!”, Jaehwa chamou sua atenção quando apareceu à cozinha, novamente com o pijama de dinossauros. O garoto estava animado enquanto corria até a mesa da cozinha, mesmo sob os avisos de que não deveria correr pela casa, ainda que fosse apenas sete e dez da manhã.

 

“Bom dia, campeão”, Chanyeol o cumprimentou com um sorriso bonito. Bagunçou os cabelos já despenteados do filho, vendo a careta de costume do garoto. “Dormiu bem essa noite?”

 

“Sim!”, Jaehwa concordou. “A gente vai brincar hoje de novo? O tio Baek brinca comigo depois da escola, mas eu quero brincar com você.”

 

Chanyeol trocou um olhar rápido com Baekhyun que vinha trazendo em mãos o prato com torradas para que comessem. O Byun escolheu se manter em silêncio, uma vez que era melhor que não interferisse em assuntos da família como era aquele caso, e esperava que Chanyeol tivesse o melhor modo de dizer ao filho que precisava trabalhar de casa.

 

Enquanto buscava o suco na geladeira, ouviu o suspirar breve do mais velho.

 

“Jaehwa, lembra que o papai disse que ia trabalhar de casa, por isso ia ficar aqui com vocês?”, Chanyeol questionou. Seu filho assentiu, embora não parecesse ter assimilado o que o pai queria dizer. “Então, o papai não pode brincar com você a qualquer hora como nesse fim de semana porque eu preciso trabalhar. Mas o tio Baek vai continuar com você, tudo bem? Vocês continuam brincando.”

 

A animação do garoto arrefeceu quase que de imediato; o sorriso que estava presente em seu rosto caiu, assim como seus ombros. Sentou-se à cadeira, apanhando uma das torradas que Baekhyun havia preparado e começando a mordiscá-la sem responder a Chanyeol. O mais velho manteve contato visual com o filho, esperando por uma resposta.

 

Se dependesse de si, continuaria brincando com Jaehwa durante todos os dias; esse tempo livre com seu filho era tudo pelo que sonhava há muito tempo, sem qualquer preocupação em sua cabeça que pudesse desviar sua atenção. Contudo, com a atual situação da agência e a mudança brusca de modo de trabalho, Chanyeol não podia se dar ao luxo de perder mais um dia.

 

Havia muitos projetos nos quais precisava trabalhar e havia prazos que deveria cumprir; Jaehwa poderia não lhe entender naquele momento, mas torcia para que isso pudesse acontecer em breve. Não é como se nunca mais fosse brincar com ele; só não poderia fazer isso naquele momento que seu filho demandava.

 

Além do mais, ainda havia Baekhyun e tinha certeza que o babá conseguiria entreter o mais novo até que estivesse livre novamente e pudesse assumir sua posição. Com o trabalho de casa seria muito mais fácil equilibrar seus horários e dar atenção a seu pequenino, o único motivo pelo qual continuava a trabalhar duro para conseguir dar o melhor ao único filho.

 

Baekhyun se sentou à mesa com os dois, servindo a si mesmo com o suco de laranja que Jaehwa já havia se servido. Chanyeol continuava a beber o café preto, comendo uma das torradas com um olhar pensativo. O babá olhou de pai para filho, questionando-se se poderia se intrometer dessa vez.

 

“Ei, campeão”, Chanyeol o chamou de novo, “não fica triste com o papai, tudo bem? Eu prometo que vamos ter mais tempo para brincarmos, só não vai ser agora. Enquanto isso, o tio Baek tem umas brincadeiras divertidas com você, não tem?”

 

O garoto ergueu o olhar de seu copo, olhando do pai até Baekhyun, antes de concordar com um aceno. Isso deixava Baekhyun mais tranquilo por saber que o garoto gostava do tempo que passava consigo e também servia para trazer um sorriso de satisfação ao rosto de Chanyeol. Enquanto seu tempo continuasse corrido, era bom saber que seu filho tinha tempo de qualidade com a pessoa que escolhera para cuidar dele.

 

“E se você escolhesse o que vamos fazer hoje à tarde, hein, Jaehwa?”, Baekhyun propôs. “Na sexta-feira fui eu quem escolhi, no fim de semana foi o seu pai, hoje pode ser você.”

 

Isso pareceu animá-lo um pouquinho, trazendo de volta o sorriso bonito de quem tem muitas ideias em mente. Acalmou um pouco seu pai, satisfeito pelo caminho que Baekhyun havia escolhido; seu babá dava muitas opções a Jaehwa – principalmente lhe deixando escolher o que queria comer –, mas não iria se opor dessa vez.

 

“Eu quero jogar Just dance!”, Jaehwa respondeu, o sorriso aberto em seu rosto denotando a animação que guardava. O modo como falou o nome do jogo ainda um pouco errado fez com que tanto seu babá quanto seu pai rissem um pouco.

 

“Não vale, eu sou um dançarino terrível”, Baekhyun reclamou de brincadeirinha. “Você vai me vencer como tem vencido todos os dias.”

 

A ideia de vencer seu babá pareceu bastante animadora na cabeça de Jaehwa, que começou a tagarelar sobre as músicas que gostava de jogar e como estava ansioso para que as aulas acabassem logo, mesmo que ainda sequer tivessem começado. O café da manhã se tornou muito mais agradável dessa maneira, com a chateação inicial superada com uma promessa feita e que Chanyeol deveria cumprir.

 

Os mais velhos trocaram um olhar por cima da mesa e Baekhyun deu um sorrisinho pequeno em direção ao Park, um pouco envergonhado pelo olhar contínuo que recebia. Chanyeol devolveu o gesto com um sorriso agradecido, murmurando um obrigado que só Baekhyun ouviu. O mais novo deu de ombros, como se não tivesse feito nada demais.

 

Quando Jaehwa deixou a mesa para escovar os dentes e trocar de roupas para seu uniforme, Baekhyun começou a retirar a mesa, colocando a louça suja na pia. Chanyeol se levantou também, pronto para voltar a seu quarto e iniciar sua rotina de trabalho.

 

Contudo, não foi muito longe antes de ouvir o chamado de Baekhyun.

 

“Sei que vai ser difícil se adaptar com o home office, mas vai ser bem legal se guardar um tempo por dia para ficar com o Jaehwa”, Baekhyun comentou. “Crianças tendem a se recordar de promessas.”

 

Chanyeol assentiu. Não planejava quebrar sua promessa para seu filho, mas era bom ver a preocupação de seu babá. Baekhyun já havia se ligado ao pequeno Jaehwa com uma semana que estava trabalhando ali e, embora isso pudesse fazer com que ele fizesse os gostos de Jaehwa de vez em quando para agradá-lo, fazia com que o Park pensasse que havia feito a escolha certa.

 

Cuidar de Jaehwa e fazê-lo seguir sua rotina era o mínimo que esperava de alguém que havia contratado como babá, mas Baekhyun havia de fato criado um laço com seu filho, preocupando-se com seu bem-estar.

 

“Pode deixar”, Chanyeol respondeu. “Vou organizar os meus horários e, agora que vou ficar em casa com vocês por sabe-se lá quanto tempo, vou dar mais atenção a Jaehwa. Tenho sido bem negligente nos últimos dias.”

 

“Ele vai adorar isso”, Baekhyun comentou com um sorriso tranquilo nos lábios.

 

Chanyeol se distraiu brevemente com o sorriso, pensando em como ainda não havia prestado atenção na maneira como aquele gesto suavizava o rosto de Baekhyun e o tornava mais bonito do que já era. O sorriso de Baekhyun vacilou por um momento, assumindo um tom mais preocupado e só então Chanyeol percebeu que havia ficado muito tempo parado encarando-o.

 

Pigarreou, afastando-se a passos lentos ainda de costas.

 

“Eu vou estar no meu quarto caso qualquer coisa seja necessária”, Chanyeol informou. “A câmera já está instalada e o Jaehwa sabe onde está o controle de movimento do videogame, você pode pegar para ele.”

 

Baekhyun assentiu, vendo seu chefe se afastar. Respirou, por fim, aliviado: como conviver com Chanyeol quando um olhar prolongado do mais velho lhe deixava ansioso de uma maneira que nunca havia acontecido antes?

 

. . .

 

Como havia imaginado, seu bom humor não durou mais do que o período de café da manhã.

 

Agradeceu pelo silêncio que a casa tomou pela manhã enquanto Jaehwa tinha suas aulas com Baekhyun o supervisionando – os fones de ouvido que havia comprado para o filho tiveram uma ótima utilidade nesse momento – porque pôde pensar por onde começaria a resolver seus problemas. Havia tantas coisas que deveria fazer, tantos e-mails que precisava responder, que Chanyeol não sabia nem mesmo por onde começar.

 

Revisou os projetos que tinha pendente com Jongin, chamando o amigo em uma videoconferência para que fosse mais fácil conversarem dessa maneira. O Kim parecia ter acabado de acordar tamanha a cara de sono que lhe mostrava, ainda usando seu pijama – Chanyeol não poderia cobrar diferente do amigo, ainda mais quando era uma videoconferência sem qualquer outro colega junto.

 

Soojung apareceu às costas do namorado, um sorriso bonito adornando seus lábios quando percebeu que era Chanyeol do outro lado da tela. O Park a cumprimentou com um bom dia enquanto Soojung se apoiava nos ombros de Jongin para que pudesse ser vista também pela webcam.

 

“Parece que Jongin esqueceu que não pode trabalhar de pijama”, Chanyeol zombou do amigo.

 

Soojung deu uma risadinha. “Acredite em mim, ele colocou o pijama só para atender a chamada”, ela disse. “Você não queria vê-lo como estava antes.”

 

Chanyeol torceu o nariz por um momento; Jongin era quase um irmão para si e não queria mesmo ter a imagem que Krystal estava lhe pintando naquele momento. “Eu deixo esse momento para você”, respondeu. “Está tudo tranquilo por aí?”

 

“Vamos ficar bem, o meu trabalho também me mandou para casa”, Soojung respondeu. “Eu vou fazer o café da manhã agora enquanto vocês conversam. Até mais tarde, Chanyeol.”

 

Despediu-se da mulher, voltando sua atenção a Jongin – que reclamou em seguida sobre como fora deixado de lado por seu melhor amigo e sua namorada, em uma dupla traição. Chanyeol rolou os olhos para o drama feito pelo amigo, recordando-lhe de coisas muito mais importantes nas quais deveriam estar pensando no momento. Jongin lhe chamou de estraga prazeres, mas assumiu um tom mais sério em seguida.

 

Seus projetos sempre costumavam ser feitos em conjunto com o Kim porque tinham uma boa sintonia; enquanto Jongin trabalhava como redator, Chanyeol era responsável pela identidade visual dos projetos, e isso sempre lhe rendia dores de cabeça. Trabalhar com criatividade não era a tarefa mais fácil do mundo quando estavam sob pressão como na atual situação e os prazos que se aproximavam.

 

O período da manhã passou rápido dessa maneira enquanto discutiam como poderiam dividir as tarefas restantes para que encaixassem no cronograma e tudo ficasse pronto no tempo certo. Precisavam ter certeza de que teriam ao menos algo para apresentar antes do prazo final caso alguma alteração fosse necessária, como sempre acontecia.

 

Jongin reclamou sobre como estava sentado naquela cadeira há muito tempo sem se levantar porque Chanyeol não lhe deixava fazer nada além de pensar em trabalho, e despediu-se do amigo dizendo que importunaria sua namorada para saber o que tinham para comer. O Park não teve tempo de fazer nada antes de ver a videoconferência sendo encerrada, bufando para a tela de seu aplicativo de chamadas.

 

Jongin não tinha qualquer respeito pela amizade que construíram.

 

O amigo sempre fora dessa maneira, a bem da verdade, e Chanyeol já estava acostumado. Desde que se conheceram, no momento que entrou na agência que agora trabalhava, Jongin sempre foi o elo mais livre e irreverente entre os dois. Enquanto Chanyeol tinha muita coisa em sua mente e se preocupava demais, o mais novo entre os dois era impulsivo e tomava decisões repentinas, quase sempre se arrependendo delas.

 

Mas algo Chanyeol precisava admitir: Jongin sabia como viver a vida dele.

 

Aproveitou o tempo do horário de almoço para continuar trabalhando sozinho, sem qualquer fome após trazer as torradas restantes para o quarto consigo e comê-las durante o passar da manhã. As aulas de Jaehwa já deveriam ter terminado e provavelmente estava almoçando com Baekhyun. Chanyeol se questionou se deveria ir até onde seu filho estava, passar esse tempinho com ele.

 

Contudo, dispensou a ideia em seguida; não havia tempo suficiente e era melhor que terminasse todos seus afazeres rapidamente para se dedicar exclusivamente ao mais novo.

 

O problema é que, por mais que Chanyeol respondesse e-mails que chegavam e organizasse seu cronograma, o trabalho nunca parecia terminar.

 

Seu computador indicava duas horas da tarde da última vez em que o checou e o barulho do videogame começava a chegar em seu quarto. Apesar de sua porta estar fechada, era nítido o quanto o jogo que Jaehwa havia escolhido estava alto demais e o barulho não lhe deixava se concentrar, piorando sua condição que já não estava boa por conta do estresse sob o qual estava submetido.

 

Olhou para a tela do Photoshop que estava aberta, sem ter a menor ideia de como continuar o projeto que havia iniciado. Sua mente estava desfocada demais, ainda mais porque estava terrivelmente consciente do barulho sendo causado no cômodo ao lado, e não adiantaria de nada que continuasse forçando que algo saísse naquele momento.

 

Talvez fosse uma boa ideia sair um pouquinho da frente do notebook e comer alguma coisa, quem sabe espairecer um pouco. Não pediria que Jaehwa parasse com o barulho porque já havia chateado o filho pela manhã, mas quem sabe conseguisse fazer com que Baekhyun controlasse a altura das músicas caso tivesse a chance de conversar com o babá.

 

Decidiu sair do quarto e ir até a cozinha buscar um pouco de água e quem sabe comer alguma coisa. A passos preguiçosos, alcançou a sala de estar sendo recepcionado inicialmente pelos risos de Jaehwa por estar vencendo Baekhyun com folga. Seu babá não havia mentido quando disse que era um dançarino terrível e Chanyeol até deixou um breve sorrisinho ocupar seu rosto com a cena que se desenvolvia à sua frente.

 

Não é como se pudesse falar muito do mais novo; também era terrível dançando e agradecia por Jaehwa ter encontrado uma nova pessoa pra vencer.

 

Passou pela sala sem que seus ocupantes o notassem, seguindo até a cozinha. Baekhyun havia feito o almoço mais uma vez, as panelas ainda estavam no fogão e vinha um cheiro bom delas. Sentiu seu estômago se remexer, implorando por um pouco de comida. Rendeu-se à fome, fazendo seu prato mesmo que tardiamente.

 

Não podia estar mais agradecido por ter Baekhyun cuidando desses pequenos detalhes enquanto estava enfurnado em seu quarto tentando criar um cronograma que fosse capaz de obedecer.

 

Apanhou uma garrafa de água na geladeira também, seguindo de volta para o quarto para terminar o trabalho enquanto comia. O barulho era ainda mais constante naquele lugar porque não havia uma porta para impedir que o som lhe alcançasse, e tinha certeza que uma bela dor de cabeça lhe visitaria muito em breve.

 

Refez o mesmo caminho que o trouxe até ali, arrastando-se de volta ao quarto. Contudo, dessa vez sua passagem não foi despercebida; Baekhyun o viu por ali, aproveitando a pausa entre uma música e outra e vindo ao seu encontro. O babá estava um pouco ofegante e conseguia ver o suor escorrendo por sua testa; não era nada fácil enfrentar um Jaehwa animado como estava.

 

“Ninguém me avisou que ele era tão bom dançarino assim”, Baekhyun brincou. “Vejo que finalmente foi comer.”

 

“Eu estava ocupado antes, resolvi só sair para respirar um pouco e o cheiro vindo das panelas me impediu de sair da cozinha sem levar um pouco comigo”, Chanyeol respondeu. “Estão se divertindo?”

 

“Ele mais do que eu, tenho certeza”, Baekhyun riu. “Mas nós devemos parar daqui a pouco. Jaehwa precisa ir fazer os deveres de casa dele.”

 

Chanyeol concordou com um assentir de cabeça. “Se puderem diminuir um pouco o volume da televisão também vai ser ótimo”, recomendou. “A porta fechada do quarto não impede que chegue até mim.”

 

Baekhyun pareceu surpreendido. “Ah, desculpa, sr. Park!”, exclamou. “Acho que eu acabei me empolgando com ele e não me atentei ao barulho, é falta de costume de não estarmos sozinhos. Eu vou abaixar o volume, com certeza.”

 

“Tudo bem, importante que Jaehwa esteja se divertindo”, Chanyeol o tranquilizou.

 

“O senhor não quer ficar conosco?”, Baekhyun propôs. “Em breve vamos desligar, mas tenho certeza que ainda tem alguma música que Jaehwa não me venceu.”

 

A proposta era tentadora, ainda mais pela cena que havia visto há pouco tempo de tanto seu filho quanto o babá rindo enquanto dançavam, mas Chanyeol tinha responsabilidades para manter e Jongin lhe chamaria em uma nova videoconferência em breve. Declinou o convite com um menear de cabeça.

 

“Adoraria, mas o trabalho ainda me chama”, Chanyeol respondeu. “Divirtam-se, mas Jaehwa precisa terminar os deveres de casa dele. Não deveria dar diversão a ele antes de fazer com que ele cumpra seus deveres.”

 

Baekhyun coçou a nuca por um momento, um pouco envergonhado. “Desculpe”, pediu de novo. “Ele só estava tão animado depois das aulas, e ele nunca deu trabalho para fazer os deveres de casa.”

 

“Não deixe que essa carinha fofa te diga o que fazer, Baekhyun”, Chanyeol aconselhou. “Você é o babá dele.”

 

“Sim, senhor”, Baekhyun concordou. “Prometo que ele terá seus deveres feitos antes do anoitecer.”

 

Chanyeol assentiu mais uma vez, afastando-se de volta para seu quarto. Baekhyun voltou até onde Jaehwa lhe aguardava para uma nova rodada; seu chefe tinha razão. Queria tanto que Jaehwa se sentisse mais animado, mesmo com suas expectativas frustradas logo pela manhã em ter mais tempo com seu pai, que estava começando a fazer demais seus gostos.

 

De volta ao quarto, Chanyeol deixou o prato em sua escrivaninha, voltando a se ajeitar na cadeira enquanto a videoconferência com Jongin se iniciava. Comeu algumas garfadas enquanto esperava que o amigo lhe atendesse, surpreendido por como a comida de Baekhyun era boa. Não era a primeira vez que comia de seus pratos, é claro, mas era a primeira vez que experimentava algo tão gostoso.

 

Talvez Baekhyun pudesse lhe deixar algumas receitas antes que seu período de trabalho terminasse, Chanyeol pensou. Conhecia bem o filho chato para comida que tinha e se Jaehwa gostasse da comida de seu babá...

 

“E aí, Chanyeol?”, Jongin lhe atendeu, chamando sua atenção de onde seus pensamentos tinham ido. “Você tá almoçando agora, cara? São quase três da tarde.”

 

“Perdi um pouco a noção do tempo”, Chanyeol deu de ombros. “Mas isso aqui está bem gostoso então você vai me assistir almoçando.”

 

“Se está gostoso eu tenho certeza que não foi você quem fez”, Jongin o provocou.

 

Chanyeol rolou os olhos para aquela infantilidade. Jongin não perdia uma oportunidade que fosse de recordá-lo de como não era mesmo um bom cozinheiro. “Foi o babá do Jaehwa, o Baekhyun”, respondeu. “Foi uma ótima ideia contratá-lo.”

 

“Gostaria de recordá-lo que a ideia foi minha”, Jongin frisou com um sorriso orgulhoso. “E como está sendo a convivência com o cara? Jaehwa gosta dele?”

 

Chanyeol pouco havia comentado sobre o babá com seu amigo na primeira semana de trabalho do mais novo, e parecia um ótimo momento para que começasse a compartilhar informações. Baekhyun não iria a lugar nenhum tão cedo com o lockdown instaurado e Jongin fora indiretamente responsável por sua contratação, então...

 

“Ele é um bom garoto, o Jaehwa parece gostar bastante dele”, Chanyeol confirmou. “Foi bem surpreendente, para falar a verdade. Você sabe como ele é, não confia tanto nas pessoas, é meio tímido com gente que não conhece, mas no primeiro dia ele estava me falando tão bem de seu babá que pareciam se conhecer há meses.”

 

“Isso é ótimo, não é?”, Jongin devolveu com um sorriso animado. “É bom que o pequeno Jaehwa tenha encontrado alguém legal para tomar conta dele. Você vai estar em casa agora, mas aposto que vai continuar sem tempo para ele.”

 

Chanyeol torceu o nariz mais uma vez. Não gostava de como Jongin fazia soar como se escolhesse não ter tempo para seu filho e não como se estivesse tentando trabalhar cada vez mais para não deixar que nada faltasse ao garoto. Já tiveram essa discussão inúmeras vezes e, embora entendesse o ponto defendido pelo amigo, Jongin nunca veria a situação por seu ponto de vista.

 

“O Baekhyun é bem cuidadoso com o Jaehwa, mesmo com pequenas ressalvas sobre o quanto Jaehwa consegue as coisas com ele”, Chanyeol deu de ombros. “Consegue ouvir esse barulho agora? Jaehwa o convenceu a jogar Just dance.”

 

“Eu estava me perguntando desse barulho agora mesmo”, Jongin riu. “Não é como se você fosse muito melhor, né, Chanyeol? O Jaehwa te pede qualquer coisa e você corre para dar para ele.”

 

Chanyeol também não tinha como refutar essa informação, mas não era para isso que estava trabalhando tanto? Para dar a seu filho tudo o que ele quisesse ter, como ele merecia?

 

“Eu quero só ver como vai ser para você conviver com uma outra pessoa dentro de casa nesse lockdown”, Jongin tornou a comentar. “Você sempre foi mais na sua, nunca teve ninguém com você além do Jaehwa...”

 

“Baekhyun é babá do meu filho”, Chanyeol frisou, “antes que você pense qualquer coisa.”


“Eu não pensei nada”, Jongin se defendeu. “Mas talvez você tenha mais em seu inconsciente do que imagina e está atribuindo a mim.”

 

O Park não gostava do rumo que aquela conversa estava tomando e, por isso, encerrou o assunto, voltando a questionar o amigo sobre o projeto em andamento. Jongin riu de sua cara pela clara tentativa de fuga, mas deixou que passasse. Sabia quando o amigo não estava mais a fim de falar sobre alguma coisa, mas algo lhe dizia que não era a última vez que teriam essa conversa.

 

Tinha plena ciência de que o primeiro passo para conquistar seu melhor amigo era se dar bem com Jaehwa, a pessoa mais importante de seu mundo. E, aparentemente, Byun Baekhyun já havia cumprido esse requisito com maestria.

 

. . .

 

Chanyeol estava certo, obviamente.

 

Jaehwa havia se empolgado tanto com as danças e por estar vencendo seu babá em todas as tentativas que não havia um momento em que desejasse parar. Todas as vezes em que o Byun propunha que parassem de jogar e fossem fazer seus deveres de casa, Jaehwa colocava um bico em seus lábios e jurava que a próxima seria a última.

 

Baekhyun havia dançado mais umas cinco músicas que eram para terem sido as últimas.

 

Resolveu que era hora de pararem e, independente dos protestos de Jaehwa, desligou o videogame. O garoto ficou amuado de início, claramente desgostoso por terem interrompido o que estava lhe divertindo tanto, e com energia acumulada após tanto tempo dançando, mas Baekhyun se esforçou para ser firme em sua decisão.

 

Chanyeol estava trabalhando ali do lado e não seria nada bom que o mais velho o visse cedendo aos pedidos de Jaehwa, mais do que já havia feito. Os deveres de casa eram importantes e Baekhyun sabia que deveriam ser feitos antes que a diversão lhe fosse ofertada; havia feito a inversão das coisas dessa vez, mas aprendera a lição.


Era muito mais fácil lidar com um Jaehwa ansioso por uma promessa após condições a serem cumpridas do que oferecer-lhe diversão antes dos deveres e lidar com seu acúmulo de energia.

 

Guiou o rapazinho de volta a seu quarto após guardarem tudo onde tinha encontrado anteriormente. O garoto tentou lhe convencer de que poderia fazer seus deveres quando anoitecesse e que poderiam chamar seu pai para dançar com ele se Baekhyun estivesse cansado, mas o babá se manteve irredutível.

 

Jaehwa se deu por vencido quando chegaram até seu quarto e não havia indício de que voltariam à sala de estar para continuarem a jogar. Just dance era um de seus jogos favoritos e fazia tempo que não o jogava, porque seu pai continuamente lhe dizia que estava ocupado, mas em breve teriam tempo juntos para que jogassem.

 

Havia se acostumado ao fato de que nunca havia tempo suficiente, mas isso não significava que sentia menos falta. Seu babá se propor a jogar consigo reacendeu toda a energia acumulada e o fato de que gostava muito de dançar e, agora que havia conseguido convencê-lo a jogar consigo, não queria trocar esse tempo por seus deveres de casa.

 

Quem sabe se seu pai estivesse jogando com eles, o tio Baek não os interromperia...

 

“Jaehwa”, Baekhyun o chamou, atraindo sua atenção, “quais são os deveres que você tem hoje?”

 

“De Matemática”, Jaehwa respondeu em um muxoxo desanimado. Não era uma matéria a qual odiava, mas não estava nem um pouco animado em trocar seus jogos por contas. Apanhou o caderno em sua mochila, carregando-o até a escrivaninha onde Baekhyun estava lhe esperando.

 

Por sorte, Baekhyun sempre conseguia fazer com que o garoto se animasse independente de qual fosse a situação. Jaehwa ainda parecia um pouco desinteressado, como se sua atenção estivesse focada em algo completamente distante e não no caderno que deveria estar olhando conforme Baekhyun lhe explicava como resolver a questão, e isso lhe deu uma ideia.

 

Era nítido o modo como Jaehwa tinha o pai como um modelo de vida ao qual deveria seguir, então por que não usar Chanyeol como uma maneira de estimulá-lo a estudar? O mais velho estava trabalhando em seu quarto incansavelmente, um claro exemplo de sucesso na carreira escolhida, e poderia usar isso a seu favor para que Jaehwa não soasse tão desinteressado em seus deveres.

 

“Jaehwa”, Baekhyun o chamou mais uma vez, “eu sei que você não quer fazer seus deveres, mas quanto mais rápido terminarmos aqui, mais rápido você está livre para escolher o que faremos em seguida.”

 

“Nós podemos voltar a jogar Just dance?”, Jaehwa devolveu, um brilho de esperança surgindo em seus olhos.

 

O Byun se recordou de como o barulho que causaram na sala estava interrompendo a concentração de Chanyeol; com um sorrisinho resignado, meneou a cabeça em negativa para o garoto. Precisavam se recordar que não estavam mais sozinhos como de costume, e que seu pai precisava de concentração para suas atividades, uma vez que trabalhava com criatividade.

 

O Byun se questionou o que Chanyeol poderia estar fazendo naquele momento; estaria ele ocupado com alguma videoconferência, teria notado que o barulho na sala de estar cessou? Recordar-se-ia da promessa que havia feito a seu filho sobre passarem mais tempo juntos ou já havia sido varrido para debaixo do tapete com todas as responsabilidades que o aguardavam?

 

Baekhyun não tinha a menor ideia, mas esperava que o Park se recordasse do prometido e viesse à procura do mais novo. Jaehwa com certeza se recordaria e não seria uma boa coisa para o garoto caso o Park quebrasse a promessa feita.

 

“O seu pai está trabalhando, nós não podemos fazer muito barulho para não o atrapalhar”, Baekhyun respondeu, “mas ainda há muitas coisas divertidas que podemos fazer!”

 

Jaehwa não parecia partilhar da mesma opinião com o muxoxo que lhe direcionou, mas voltou a olhar para seu caderno, batendo com o lápis contra as folhas enquanto ouvia Baekhyun lhe explicar as contas. Não gostava nem um pouco daquilo e queria estar fazendo qualquer outra coisa, mas seu babá não lhe deixaria sair dali sem que cumprisse tudo o que ainda faltava responder.

 

Talvez tenham se passado cinco minutos ou meia hora, o tempo parecia se arrastar da mesma forma enquanto cada conta era respondida e deixada para trás. Jaehwa, ao menos, estava se sentindo mais animado ao perceber que estava quase acabando e não precisaria mais ficar sentado ali; Baekhyun aproveitou da animação do garoto para que terminassem mais rápido.

 

“Do jeito que você está, vai ser tão bem-sucedido quanto seu pai no futuro”, Baekhyun o elogiou. “Você está resolvendo mais exercícios sozinhos a cada dia, daqui a pouco nem precisará mais da minha ajuda.”

 

Jaehwa torceu o nariz por um momento, o que Baekhyun não havia entendido. Tinha certeza que não havia um elogio melhor para incentivar a criança do que compará-lo a seu pai, da maneira como o via se projetar no mais velho todas as vezes em que conversavam, no que poderia ter se enganado dessa vez?

 

“O que houve, Jae?”, Baekhyun perguntou, olhando-o curioso. “Não gosta do trabalho do seu pai? Ser astronauta realmente deve ser mais divertido.”

 

“O papai está sempre ocupado, ele nunca tem tempo para mim”, Jaehwa reclamou, o bico voltando a fazer morada em seus lábios. E, então, Baekhyun entendeu.

 

Era óbvio que Jaehwa sentia falta do pai. Baekhyun já havia notado isso diversas vezes nos últimos dias, mas nunca havia sido verbalizado pela criança. Jaehwa parecia uma criança resignada com o que havia recebido, aceitando as ordens de seu pai sem contestá-las quando o mais velho lhe dizia que estava ocupado e não poderiam brincar dessa vez.

 

Por um tempo, Baekhyun havia entendido isso como parte da criação do garoto e tudo bem, ele era só uma criança muito obediente. Agora, contudo, não parecia ser o caso; ele estava claramente insatisfeito com a ausência de seu pai e o Byun sabia que, caso Chanyeol quebrasse a promessa que havia feito, essa relação poderia ser ainda mais abalada.

 

Jaehwa contava com o fato de que seu pai havia prometido que brincariam juntos naquele dia, após seu trabalho, mas o relógio já se aproximava das cinco horas da tarde.

 

“O seu pai está fazendo o possível para ter mais tempo com você, sabe disso, não é?”, Baekhyun tentou, fazendo o garoto olhar para si. Ainda havia um bico amuado em seus lábios, como se a tentativa não lhe fizesse efeito algum. “Ele precisa trabalhar para comprar os brinquedos que você gosta, dar para você tudo que você precisa… Ele está em casa agora, mas ainda precisa trabalhar, como você precisa estudar, certo?”

 

Ainda não parecia ter surtido o efeito que havia almejado. Jaehwa estava chateado e Baekhyun sabia que, em algum momento, suas palavras passariam a fazer sentido para a criança, mas não agora; por enquanto, queria atenção de seu pai mais do que qualquer outra coisa.

 

“E eu vou ajudar vocês a terem mais tempo juntos também!”, continuou. “É para isso que estou aqui.”

 

“Você promete?”, Jaehwa lhe perguntou. Havia um novo brilho em seus olhos, um resquício de esperança em suas palavras, e o Byun engoliu em seco antes de respondê-lo.

 

“É claro que sim”, garantiu. “E eu nunca descumpro uma promessa.”

 

Isso era verdade – tinha muito orgulho de nunca dar para trás com qualquer coisa que se propunha a fazer, por mais difícil que fosse. Sabia que a aproximação de Jaehwa com seu pai como intencionava fazer não aconteceria da maneira mais fácil do mundo, ainda mais se dependesse dos horários de Chanyeol, mas isso não lhe impediria de tentar.

 

Jaehwa já estava mais animadinho, lhe dedicando um sorriso feliz por sua promessa. Baekhyun sabia que aquele sorriso valia muito mais para Chanyeol do que para ele e, se já o deixava feliz ver o garoto dessa maneira, só poderia imaginar como seria para o mais velho.

 

Com os deveres terminados e seus materiais de escola devidamente guardados em sua mochila, a animação que outrora dominara o garoto havia arrefecido um pouco. Baekhyun agradeceu por isso porque também se sentia cansado para fazer qualquer outra atividade física que fosse necessária para acompanhar o ritmo do mais novo. Sugeriu, portanto, que permanecessem em seu quarto e o Byun lhe acompanhasse na leitura.

 

Desde a semana anterior com a proibição de passarem muito tempo na frente da televisão, Baekhyun havia encontrado outras maneiras de fazer com que Jaehwa mantivesse sua atenção tomada por alguma coisa durante a tarde. Havia descoberto na leitura algo interessante para o garoto, uma vez que havia algumas prateleiras em seu quarto com livros infanto-juvenis.

 

Sabia que a leitura era um gosto que deveria ser cultivado desde a infância e se animou ao ver que Jaehwa aceitou a sugestão com igual animação. Desde então, em dias intercalados, Baekhyun costumava acompanhar o garoto em sua leitura.

 

“Você pode escolher o que vamos ler hoje enquanto eu vou na cozinha pegar algumas bolachinhas para a gente, tudo bem?”, Baekhyun propôs. Jaehwa concordou, levantando-se de onde estava sentado e caminhando rapidamente até as prateleiras para escolher algo.

 

O Byun lhe deixou escolhendo e fez seu caminho em direção à cozinha. Em sua mente, os únicos pensamentos que corriam eram sobre a promessa que havia acabado de fazer ao garoto e como a cumpriria. Já havia recordado Chanyeol da importância de cumprir a promessa que havia feito ao garoto e sabia que o mais velho provavelmente também estava ciente disso, não seria de bom tom insistir no mesmo assunto.

 

No entanto, não havia percebido qualquer mudança no mais velho. Chanyeol estava preso em seu quarto desde que o encontrara no intervalo entre as danças com Jaehwa, sem dar qualquer sinal de sua presença desde então. Sabia que o Park provavelmente tinha coisas muito importantes para resolver, a adaptação para o home office não seria exatamente tranquila, mas temia que os mesmos erros da semana anterior voltassem a acontecer sem que o Park se desse conta disso.

 

Decidiu que nada poderia fazer enquanto Chanyeol não demonstrasse que havia se esquecido por completo. Tinha confiança em seu chefe e na maneira como o mais velho se preocupava com Jaehwa; a carga excessiva de trabalho poderia fazer com que muitas coisas fossem varridas para longe de sua cabeça, mas o Park cumpria rigorosamente a rotina com seu filho, como dar-lhe um beijo de boa noite todas as vezes em que Baekhyun deixava o quarto do mais novo.

 

Se Chanyeol tinha o cuidado com isso, tinha certeza que ele não se esqueceria da promessa feita.

 

Ainda assim, enquanto colocava em um pratinho as bolachas que havia pego para que comessem durante a sessão de leitura, o Byun pensou adiante; estava preso naquela casa com pai e filho e estava diante de uma situação que poderia ajudar a resolver. Por qual motivo não seria aceitável que se envolvesse? Se desse certo, tinha certeza que ganharia alguns agradecimentos de seu chefe e a felicidade de Jaehwa como pagamento.

 

Voltou ao quarto com um sorrisinho breve em seu rosto. Havia algumas ideias se passando por sua cabeça e só precisava do tempo certo para executá-las.

 

. . .

 

Chanyeol jamais havia ficado tão feliz por um dia chegar ao seu fim.

 

O relógio já passava das seis horas da tarde quando, por fim, desligou seu notebook; esticou as costas, ouvindo seus ossos estalarem pelas horas em contínua posição. Parecia ter se passado menos do que uma ou duas horas desde que chegara até seu quarto pela manhã, mas passara o dia todo na mesma posição trabalhando.

 

O lado bom é que muito havia sido avançado naquele dia, o que lhe garantia ao menos um pouco de paz nos dias seguintes. Estando em casa, Jaehwa lhe era uma preocupação constante e era melhor que terminasse mais tarde nos primeiros dias para garantir que teria tempo para se dedicar a seu filho nos demais. Recordava-se da promessa que havia feito e sabia que Jaehwa viria lhe cobrar a respeito.

 

Além do momento em que a música alta ocupou a casa enquanto seu filho e o babá dançavam Just dance na sala de estar, Chanyeol não teve mais qualquer vislumbre do rapazinho. Agradeceu o silêncio que lhe foi proporcionado, ainda que estivesse curioso com o que poderia ter acontecido para que estivessem tão silenciosos.

 

Foi inevitável que sua mente voltasse a Baekhyun e a conversa que havia tido com Jongin. A presença do babá em sua casa estava sendo uma mão na roda e lhe ajudando imensamente a manter Jaehwa entretido. Sabia que não estava sendo nada fácil para seu filho se acostumar a ficar em casa e, ainda assim, manter sua rotina habitual, principalmente porque ninguém havia lhe explicado o que estava acontecendo, mas Baekhyun estava dando conta do recado com maestria.

 

O Park tinha certeza que estaria ainda mais perdido não fosse pela presença do mais novo, então só tinha a lhe agradecer. Qualquer outro estranhamento que a convivência contínua pudesse lhe trazer seria facilmente resolvido com algumas conversas e tinha certeza que conseguiriam arrumar uma rotina que não constrangesse nenhum dos dois.

 

Quando saiu do quarto, não encontrou ninguém na sala de estar, o que também foi um pouco estranho. Já era tempo de Jaehwa estar procurando por si, provavelmente desejando que cumprisse o que lhe foi prometido e brincasse consigo – o que Chanyeol faria, ainda que seu corpo implorasse para ser esticado em sua cama só para conter a dor em suas costas –, mas não havia qualquer sinal de seu garoto.

 

Contudo, havia Baekhyun à cozinha.

 

Aproximou-se do cômodo, sentindo o cheirinho da comida de mais cedo novamente, provavelmente com Baekhyun a esquentando para que pudessem jantar. O rapaz parecia distraído, cantarolando alguma melodia que Chanyeol ainda não conhecia, acostumado a estar sozinho uma vez que seu chefe estava preso no quarto e Jaehwa não estava consigo.

 

O Park permaneceu no batente da porta, encostado ali enquanto assistia a imagem à sua frente. Baekhyun andava pela cozinha como se já estivesse acostumado ao local, ciente de onde os talheres ficavam e também os demais utensílios que lhe fossem necessários no momento. Um sorrisinho surgiu em seu rosto; Jongin havia comentado sobre o estranhamento de ter alguém diferente em sua casa, mas, a bem da verdade, estava até acostumado.

 

Era importante que o Byun não se sentisse como um intruso na casa porque estava vivendo no momento – sem qualquer previsão de quando poderiam sair, visto a epidemia que se desenvolvia no país e da qual ainda não tinham controle – e Chanyeol não tivera muito tempo para lhe dar as boas vindas do jeito certo. Jaehwa havia feito esse papel em seu lugar e havia dado muito certo, uma vez que o mais novo agora parecia estar em casa.

 

Perdido em suas conjecturas sobre o homem à sua frente, Chanyeol não percebeu o momento em que sua presença também foi notada e só foi alertado a respeito com o exclamar surpreso de Baekhyun quando o viu ali parado.

 

“Sr. Park!”, Baekhyun exclamou. “Não o tinha visto aí. O senhor é mesmo muito silencioso.”

 

“Não sou tão mais velho que você, Baekhyun, pode me chamar de você”, Chanyeol indicou. “O meu horário de serviço terminou, eu estava procurando por Jaehwa. Onde ele está?”

 

“Ah, o Jaehwa sentiu um pouco de sono depois que nós lemos alguns capítulos do livro que ele escolheu”, Baekhyun indicou, “então o deixei cochilando no quarto para que eu pudesse vir mexer com a comida. Acho que esgotamos a energia dele com o Just dance hoje.”

 

“Deve ter esgotado a sua também”, Chanyeol observou. “Jaehwa quando começa não quer parar mais.”

 

Baekhyun deu um risinho baixo. “Ele me fez dançar umas cinco músicas prometendo que era a última”, o Byun deu de ombros. “Mas foi divertido para mim também, mesmo que agora esteja cansado.”

 

“Eu vou acordá-lo, para que não durma demais e depois não consiga dormir no horário certo”, Chanyeol indicou. “Eu fico com ele agora, não se preocupe. Vou cumprir a minha promessa.”

 

O Byun se recordou da conversa que tiveram pela manhã e deu um sorriso bonito em direção a seu chefe; sabia que Chanyeol não quebraria a promessa feita a seu filho por conta do zelo que demonstrava ter com o garoto. Isso fez com que se sentisse feliz, um quentinho em seu peito por saber que Jaehwa ficaria feliz com aquilo também. Assentiu em retorno, assistindo ao Park mais velho deixando a cozinha.

 

Ainda precisava conversar com Chanyeol quando fosse possível sobre suas ideias, mas poderia esperar. Aquele era o momento entre pai e filho que Jaehwa tanto buscava.

 

Chanyeol, por sua vez, fez o caminho até o quarto do filho, encontrando-o adormecido em sua cama. Baekhyun o tinha coberto com uma manta fina, já que o dia ainda estava quente e Jaehwa usava as roupas de costume. Abraçado a seu ursinho de pelúcia favorito, o mais novo trazia um bico em seus lábios pelo rosto pressionado contra o travesseiro e foi impossível que Chanyeol não sorrisse ao assistir a cena.

 

Seu peito se enchia de carinho só por ver a imagem de seu filho parecendo tão tranquilo; não havia nada que não estivesse disposto a fazer por aquele garotinho, ainda que estivesse cansado.

 

Sentou-se à cama com cuidado para não o assustar, cutucando-o de leve para que acordasse. Jaehwa fez um muxoxo desagradado por estar sendo acordado, recusando-se a abrir os olhos mesmo que Chanyeol continuasse a chamá-lo.

 

“Eu achei que você quisesse brincar com o papai”, Chanyeol comentou para acordá-lo, “não quer mais?”

 

Jaehwa abriu os olhos, focando em seu pai depois de algumas piscadelas. Em seguida, um sorrisinho se desenhou em seu rosto conforme se levantava, a manta caindo de seu corpo sem que se importasse com isso. Chanyeol tampouco deu atenção também; recebeu o abraço do garotinho, feliz pelo tempo que passariam juntos.

 

“Eu tive uma ideia de uma brincadeira hoje”, Chanyeol propôs, “o que você acha de brincarmos de adivinhar o desenho?”

 

“Como Mister Maker?”, Jaehwa questionou.

 

“É, mais ou menos isso”, Chanyeol confirmou, achando graça da referência que seu filho havia encontrado. “O que acha?”

 

“Eu vou ganhar todas!”, Jaehwa exclamou, confiante em suas habilidades. Chanyeol deu um novo sorriso em retorno, levantando-se da cama para que o filho também lhe seguisse até a sala de estar.

 

Em casa, havia um quadro branco que usava para o trabalho em alguns momentos, quando precisava visualizar alguma ideia e era mais fácil desenhá-la do que tentar montá-la no computador. Como era fácil de se limpar a tinta do canetão, pensou em como seria o momento ideal para dar a seu filho algo que ele gostava de fazer, como desenhar.

 

Não seria nada complicado para que se divertissem juntos, e Jaehwa teria um bom tempo consigo; parecia a ideia perfeita.

 

“O tio Baek vai brincar com a gente?”, Jaehwa questionou quando o pai voltou de seu quarto com o quadro e o canetão em mãos. “Eu gosto do tio Baek.”

 

Chanyeol deu um sorrisinho pela frase. “Você pode ir ver com ele se ele quer”, indicou. “Ele está na cozinha.”

 

Jaehwa correu até o cômodo, ignorando o chamado de seu pai para que não corresse para evitar se machucar, e demorou só alguns minutos para que voltasse com Baekhyun às suas costas. Seu babá caminhava a passos calmos, sentando-se ao seu lado no sofá enquanto Jaehwa estava parado em frente aos dois, apanhando o quadro das mãos do pai para que fosse o primeiro a desenhar.

 

“Vamos ver como estão suas habilidades com desenho, Jae”, Chanyeol o provocou. “Você perguntou ao Baekhyun se ele quer brincar com a gente?”

 

“Ele quer!”, Jaehwa confirmou. “Não é, tio Baek?”

 

Baekhyun assentiu. “Já é hora de testar meus conhecimentos nos desenhos do Jaehwa”, brincou. “Que o melhor entre nós ganhe.”

 

Chanyeol, competitivo como sempre fora desde pequeno, ganhou um gás diferente para aquela brincadeira agora com a participação de seu babá. Jaehwa estava com um sorriso constante em seu rosto, desenhando da melhor maneira que podia com o canetão, apagando alguns traços em outros momentos. Não era difícil presumir o que ele estava fazendo, mas tanto Chanyeol quanto Baekhyun escolheram demorar um pouquinho para dar-lhe a ideia de que estava dificultando para ambos.

 

Reconhecia que seu filho havia herdado o gene da competitividade de si – Sooyoung nunca fora do tipo competitiva – e gostava de vencer, independente de qual fosse a competição em que estava inserido.

 

“Eu já sei o que é!”, Chanyeol se pronunciou primeiro, quando Jaehwa terminou seu desenho e olhou em expectativa de um para o outro. “É um... Cachorro no parque!”

 

Havia algumas árvores desenhadas e também um animalzinho que deveria ser um cachorro. Baekhyun tinha o mesmo palpite, mas Chanyeol fora mais rápido que ele e ouviu o comemorar de Jaehwa por seu pai ter acertado seu desenho. Em seguida, o quadro passou para o colo do Park mais velho que começou a rascunhar a primeira coisa que veio à sua mente.

 

Embora usasse o mesmo quadro para o trabalho, dar essa nova utilidade a ele era uma ótima maneira de aliviar o estresse. Enquanto desenhava como podia um retrato de seu filho, sua mente não pensava em qualquer problema que tivesse enfrentado naquele dia, focado unicamente no momento que estava vivendo.

 

E só Chanyeol sabia o quanto precisava disso.

 

“Sou eu!”, Jaehwa exclamou animado, sem esperar que Chanyeol terminasse o desenho.

 

“Não vale, o nome disso é favoritismo!”, Baekhyun brincou, recebendo a risada de Jaehwa em retorno. “É a minha vez de desenhar? Para ver se eu consigo ganhar uma rodada que seja?”

 

Chanyeol lhe entregou o quadro, usando os braços livres para enlaçar o filho em um abraço rápido e desajeitado por ter acertado; Baekhyun, antes de começar a desenhar, admirou de soslaio a cena ao seu lado, com Chanyeol afundando o rosto nos cabelos da criança. Deu um sorrisinho voltando sua atenção ao quadro.

 

Bom, talvez suas ideias não fossem tão necessárias assim, mas não fariam qualquer mal.

 

O Byun começou a desenhar também, escolhendo o tema de natureza morta; seria mais difícil para que qualquer um dos dois adivinhasse qual era a fruta que estava desenhando e fizera de propósito por estar perdendo. Jaehwa espiava a todo momento por cima de seu braço, palpitando a cada traço novo como se isso pudesse ajudá-lo a vencer.

 

“Não é justo, é muito difícil!”, o garoto reclamou após sua enésima sugestão ser rejeitada.

 

“Ainda não acabei, tenho certeza que você acerta assim que acabar!”, Baekhyun devolveu.

 

Como esperado, assim que terminou de colorir os pontinhos de seu morango, Jaehwa exclamou o nome da fruta antes que seu pai pudesse fazer o mesmo. Animado por ter vencido, Jaehwa apanhou o quadro de volta para si, desenhando com traços rápidos o que vinha à sua mente. Baekhyun e Chanyeol trocaram um breve olhar, contentes pelo garoto estar se divertindo com algo que era tão banal.

 

Seus olhares tomaram atenção de volta ao desenho feito pela criança; dessa vez, Jaehwa parecia estar desenhando sua própria casa, como no desenho que havia feito pela primeira vez com Baekhyun. Contudo, diferente da versão anterior, havia agora também um novo bonequinho ao seu lado, segurando sua mão exatamente como havia feito com seu pai.

 

Não precisaram pensar muito para presumir ao que a criança estava se referindo.

 

Baekhyun pigarreou baixinho, tentando não se levar pelos pensamentos em sua cabeça. Obviamente Jaehwa não via a situação da mesma maneira que os adultos e poderia estar claramente representando a relação de cuidado que seu babá exercera durante os últimos dez dias, mas Baekhyun tinha esse sentimento estranho em seu corpo com aquele desenho.

 

Evitou olhar para Chanyeol para descobrir se seu chefe se demonstrava incomodado de alguma maneira com o desenho.

 

Jaehwa voltou a olhar de um para o outro quando terminou, principalmente quando nenhum dos dois clamou alguma sugestão assim que largou o canetão. Baekhyun arriscou um breve olhar ao Park mais velho, imaginando se ele responderia ou lhe daria a chance de fazer isso, e percebeu que era a segunda opção quando encontrou o olhar de seu chefe pousado em sua figura.

 

“É você e o seu pai, certo?”, Baekhyun questionou. Jaehwa assentiu que sim. “E esse aqui sou... eu?”

 

“É o tio Baek!”, Jaehwa concordou. “Porque você está cuidando de mim também, igual o meu papai.”

 

Baekhyun sorriu brevemente para o garoto, recebendo o mesmo sorriso de Jaehwa. Era um desenho bonito e que lhe dava uma sensação gostosa ao mesmo tempo em que o sentimento de incômodo permanecia ali, preso em algum lugar. Talvez devesse olhar para o desenho com a mesma visão que a criança tivera, talvez não devesse se deixar levar por fatores externos.

 

Chanyeol apanhou o quadro para que dessem continuidade à brincadeira, como se não desse importância ao que se passava pela cabeça de Baekhyun, e o Byun até mesmo o agradeceu por isso. Seria melhor que parasse de pensar em coisas do tipo e só dessem continuidade ao que tinha começado.

 

Continuaram com o jogo de adivinhar desenhos até que deu o horário de jantar e Baekhyun informou que já estava tudo pronto na cozinha os esperando. Jaehwa pediu que continuassem brincando, mas seu pai foi categórico em dizer que precisavam respeitar o horário de jantar e quem sabe poderiam voltar a brincar depois que todos comessem. Jaehwa aceitou o proposto, fazendo o caminho à frente dos adultos até a cozinha sem reclamar.

 

Baekhyun reteve Chanyeol por alguns minutinhos, aproveitando a distração da criança para que conversasse com seu chefe.

 

“Foi uma ótima ideia, a de desenhar”, Baekhyun o elogiou.

 

“Jaehwa gosta muito de desenhar, eu sabia que ele iria adorar”, Chanyeol comentou. “E foi bem legal que você tenha aceitado brincar com a gente.”


“Achei que ele iria passar o tempo com você, tanto que eu fiquei na cozinha até que ele me chamasse”, Baekhyun se adiantou em dizer. “Mas foi bem bacana, eu gostei muito. Mesmo que vocês tenham ganhado.”

 

Chanyeol deu uma breve risada. “Jaehwa herdou a competitividade de mim, a gente leva esses desafios bem a sério”, o Park indicou. “Ele ainda deve querer brincar de novo depois do jantar, então se você quiser...”

 

Baekhyun concordou com o proposto; tinha sido uma noite diferente do que imaginara, mas não menos divertida. Imaginara que Jaehwa não iria se recordar de si enquanto estivesse com seu pai, a pessoa que buscava atenção desde a semana anterior, mas o garotinho fez questão de ir buscá-lo na cozinha para que brincasse com os dois.

 

“O Jaehwa sente muito a sua falta, então ele deve estar bem feliz com essa noite”, Baekhyun comentou. “Ele comentou mais cedo sobre você ser muito ocupado... Acho que, se vocês tiverem mais momentos como esse, deve suprir a falta que ele sente de você.”

 

Chanyeol não poderia discordar. Também sentia falta de seu filho com as horas excessivas de trabalho e todas as vezes em que, ainda que tivesse deixado a agência, trazia o trabalho para casa consigo. Estar trabalhando de casa dessa vez poderia lhe dar maior liberdade com seus horários, contanto que conseguisse terminar a tempo, e poderia se dedicar mais a preencher a lacuna que havia deixado em sua família.

 

Baekhyun, pelo visto, havia chegado não apenas para ser o babá de Jaehwa, mas também para ajudá-lo com esses probleminhas.

 

“Se você quiser também, é claro, eu tenho algumas ideias do que pode ser feito”, Baekhyun comentou. “Acho que Jaehwa pode gostar de algumas delas e pode ser divertido para todos nós. Eu posso participar também, se for o caso.”

 

“Jaehwa não lhe deixaria de fora, você viu como ele até mesmo o desenhou ao lado dele”, Chanyeol pontuou. “De início eu achei que ele não iria se acostumar tão rápido com você, ainda mais com uma mudança tão súbita de rotina, mas... Parece que você tem esse estranho jeitinho de conquistar as pessoas.”

 

Baekhyun se surpreendeu com as palavras recebidas e não teve tempo de retrucá-las, uma vez que Jaehwa apareceu à porta da cozinha questionando se eles não viriam comer também. Chanyeol respondeu que estavam a caminho e foi à sua frente, deixando-o alguns passos para trás, ainda pensando no que havia acabado de escutar.

 

Era bom saber que havia conquistado o garotinho com o tempo que tinham, mas a frase de seu chefe havia lhe deixado encucado. Havia conquistado só Jaehwa ou aquilo trazia outro significado?

 

Suspirou. Como faria para não se deixar levar por fatores externos quando até seu chefe insistia em lhe deixar ansioso dessa maneira?


Notas Finais


E o Baekhyun tá como? Tá afetadíssimo, isso mesmo HAHAHAHAHAHAH Essa convivência vai ser ótima pelo visto~

Espero que tenham gostado! Qualquer coisa, to aí embaixo nos comentários pra saber tudinho que acharam, vocês também me encontram no @iambyuntiful lá no twitter (esses tempos provavelmente só falando do exolipse) e para dúvidas, sugestões, críticas, reclamações ou só para me dar amor, to aqui: https://curiouscat.me/iambyuntiful <3

Lembrando sempre que, se quiserem entrar no grupo do wpp dos byunitinhos, é só me mandar uma DM no twitter ou uma MP aqui no site! ;)

Até sábado que vem e beijinhos~ <3


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