História Grávida do inimigo do meu pai - Capítulo 8


Escrita por:

Postado
Categorias Justin Bieber, Lily Collins
Visualizações 524
Palavras 5.704
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Heyyy babesss, como estão? Bem, dessa vez demorei mais que o previsto, não é? Mas tudo bem, eis me aqui novamenteee, haha! Antes de tudo quero dizer que estou extremamente feliz com o desenvolvimento da fanfic, estamos em quase 400 favoritos e isso me deixa tão grata, obrigada por entrarem na loucura que é GDIDMP junto comigo!

A respeito do capítulo eu tentei dar uma tranquilizada e amenizada em tudo, particularmente eu não gostei porém vi como necessário, tenham paciência comigo, a fanfic vai melhorarrr!!

Acredito que seja apenas isso, boa leitura mozissss!!

Capítulo 8 - Bye, France


Yeah, você não quer fazer isso funcionar

Você só quer fazer isso piorar 

Quer que eu lhe escute 

Mas você nunca ouviu o que tenho a dizer

Você não quer saber minha dor — Let You Down, Nf. 

 

Paris, Île-de-France.
França

•┄┄┄┄┄────•
Emma Cooper Point Of View 
•┄┄┄┄┄────•

 

— Você sabe, reunião de negócios. — Iker responde a pergunta de Martina no instante em que se aproxima dela, Justin solta um riso fraco ao pegar as bolsas que eu segurava, ele já havia pego as que estavam no chão.

— Apenas visando o futuro. — o loiro complementa enquanto leva as diversas coisas até o seu carro estacionado perto do meio fio de uma rua francesa.

— Esperam que ela acredite nisso? Qual é? Tudo se resumiu em algumas pedras de gelo e whisky puro. — Khalil fala e eu solto um riso nasal com sua sinceridade, eles passaram o dia fora e nós duas também. Esse é o meu segundo dia no país europeu e ontem após o jantar decidimos isso, hoje apenas tomei o café da manhã com Justin, de restante passei o dia com Martina. Fazia um longo tempo que eu simplesmente não passeava, o dia foi de fato reconfortante. Sigo completamente deslumbrada com tudo que Paris me proporcionou, visitamos novamente a torre Eiffel e ver toda a cidade lá de dentro me fez quase babar, meus pés estão inchados e doloridos porém de qualquer forma guardarei esse dia em minha memória, Justin me deixou com o seu cartão de crédito e isso me levou a um leve transtorno compulsivo, eu definitivamente preciso voltar para cá sozinha. Vi diversas coisas de bebê e de menina principalmente, porém por não poder dizer o sexo da minha filha a Martina tive que me contentar com coisas unissex, em determinado momento não resisti e inventei uma grande amiga grávida de uma menina, por essa razão estarei voltando para os Estados Unidos com alguns sapatinhos, vestidos e laços. 

— Foi ótimo passar o dia com você. — afirmo para a morena após alguns minutos de conversa com todo o grupo, eu e Justin iríamos embora agora. 

— Precisamos fazer isso outra vez. — responde com um sorriso e eu concordo com a cabeça, novamente nos enrolamos em alguns minutos de conversa mas logo Justin diz que precisávamos realmente ir, estaríamos voltando para os Estados Unidos amanhã, não acredito que passei apenas dois dias aqui, se quer me adaptei ao fuso horário, isso é quase trágico. Aceno para eles quando entro no carro.

— Pelo visto se deram bem... — Justin comenta após dar partida, ele havia deixado todas as compras no banco de trás do veículo. 

— Sim, ela é divertida. — respondo, desde ontem, quando nos conhecemos, a nossa energia bateu. Martina tem vinte e dois anos e nasceu no México, porém entrou de maneira ilegal nos Estados Unidos junto com sua mãe. Conversamos muito hoje e eu descobri mais coisas que de fato esperava, pelo que entendi ela anda um tanto solitária, apesar de estar amando seu atual momento com Iker, que é seu noivo, ela gosta de andar em grupo e acabou perdendo determinados contatos com a sua nova vida na Europa. Ela se mostrou bastante interessada na gravidez, seus olhos brilhavam ao se referir a um bebê, e quando entramos em algumas lojas infantis então... Ela e Iker sonham com uma família porém ambos acreditam não ser o momento certo ainda. 

— O que fizeram hoje? — questiona de maneira despretenciosa ao ligar o rádio num volume baixo, o hotel que estamos hospedados é consideravelmente longe e analisando a situação dos meus pés não me acanho em tirar os tênis.

— Hm, conversamos... — pauso para acomodar meus pés no banco. — também passamos em algumas lojas e acabamos fazendo compras, tudo daqui é incrível, definitivamente precisamos voltar para comprar algumas coisas para a bebê. — finalizo e volto o meu olhar para ele que brevemente me encara. 

— Por que não se refere a ela como Avalon? 

— Porque fui pesquisar o significado e esse nome significa maçã, Justin. Por que diabos eu chamaria minha filha de maçã? — digo e ele solta um riso nasal ao dar de ombros, é um nome de fato bonito, mas eu quero algo profundo, eu não sei. 

— Por que o pai dela escolheu? — diz como se fosse óbvio e eu arqueio uma das minhas sobrancelhas. 

— Não, Bieber. Isso não é justo. — resmungo e ele ri. 

— Tudo bem, o que tem em mente? — questiona e eu estreito os lábios, não estava entendendo a razão do seu bom humor. Hoje pela manhã tomamos café juntos e ele estava a personificação do diabo, esse cara é definitivamente estranho. 

— Nada. — faço um breve bico e ele ri ao dizer um “está vendo?”, eu realmente não entendia ou estava acostumada com esse tratamento do mesmo, inclusive se tratando da nossa filha. Bieber não é tão comunicativo comigo, não nos damos bem por motivos óbvios, somos completamente diferentes em diversos sentidos e todos sabem que opostos só se atraem na química. Por breves segundos permaneço com minha atenção no loiro cogitando a expansão e entrada em outro assunto porém seu celular toca e eu logo volto a realidade, de fato não fomos feitos para ter longas conversas, é tudo muito estranho porém já foi aceito por mim. 

— Pensei que estivesse com raiva. — o mesmo diz e logo afasta o celular do ouvido enquanto ri, estreito os lábios, provavelmente era uma das garotas que ele ficava. Pelo que ouvi de Luanna e de outras pessoas, o mesmo não é de se “amarrar” e o máximo que chega é em uma puta fixa, segundo ela normalmente o mesmo prefere se envolver com prostitutas. A ideia da minha filha ter uma madrasta já passou por minha cabeça e esse assunto me apavora de uma forma surreal, já tive algumas e por isso sei o perigo. Cooper sempre tentou evitar o meu contato com as mulheres mas em certos momentos apenas acontecia, lembro em específico de uma, ela sentia um ciúme fora do normal e por essa razão meu pai ficou mais distante de mim, por sorte depois tudo se resolveu. Não posso esquecer ou ignorar as que prestavam, de qualquer maneira não é como se eu quisesse ou estivesse pronta para apresentar para minha filha que se quer nasceu alguma namora do pai, ou o até mesmo o pai. Justin não é um bom exemplo e isso me preocupa. 

— Você sabe que não lhe dou motivos para isso. — o mesmo tinha um sorriso divertido nos lábios enquanto dirigia de maneira calma pelas ruas francesas, era inevitável não prestar atenção em sua conversa já que é tudo que escuto agora. Me mexo inquieta no banco e logo pego o celular guardado em minha bolsa, o desbloqueio seguidamente. Umedeço os lábios tentando me concentrar nas novas fotos da minha galeria porém é evidente todo o seu desinteresse na garota mesmo que de alguma forma ele aparente se divertir com o que acredito ser uma discussão, talvez ele seja um psicopata. Brevemente desvio o meu olhar para o homem ao meu lado que novamente tinha o celular afastado da orelha, ele se quer se esforça para a ouvir, é patético, Justin Bieber é patético. 

— Não fode... — volta a resmungar e eu me questiono se suas palavras casavam com o contexto da conversa, como ele consegue ser assim? Isso me incomoda em tantos pontos e... Droga, por que eu me importo? Vamos lá, Emma, não seja uma imbecil. Sorrio fracamente ao analisar a foto que Martina havia tirado comigo na hora em que paramos para almoçar, o céu já estava escuro, aqui é tão frio. Me acomodo no estofado do banco porém novamente me perco no assunto de Justin, a medida que o diálogo se desenvolve chego a certeza que de fato se tratava de uma das garotas que o loiro ficava, será que ele sabia do nome da mesma? Não o citou na conversa. 

— Tudo bem, eu preciso ir. — avisa pela milésima vez ao se mostrar desinteressado no que ela dizia e após algum tempo desliga o celular, acredito eu que no meio da fala da pessoa do outro lado da linha. Entorto os lábios quando ele mexe no aquecedor do veículo, ele tem sido um tanto transparente comigo, acredito que a consciência chegou e que agora ele entende que querendo ou não estamos juntos nessa droga de vida, por nossa filha não temos escolhas. Meu futuro continua sendo um completo mistério para mim mas em certo ponto também já aceitei isso, mesmo me incomodando. 

— Hm, conversaram algo relacionado a nossa vida? — questiona e eu arqueio a sobrancelha, por que Justin precisa agir dessa forma? 

— Como assim a “nossa vida”? — digo ao fazer aspas com os dedos, eu havia entendido que ele se referia ao crime mas queria ouvir do mesmo essa afirmação.

— Você sabe... mulheres normalmente falam mais do que devem, ela disse algo sobre o assalto dele ou a intenção do mesmo nesse mundo? — diz com toda naturalidade, acredito que usou o “mulheres normalmente falam mais do que devem” para fazer relação à sua conversa no telefone. Solto uma risada amarga, ele só podia estar brincando. 

— Você está falando sério? — exaspero esperando que o mesmo negue mas ele logo me olha franzindo a testa, afinal, essa era uma pergunta normal considerando as circunstâncias que o mesmo me trouxe para França, o problema está em todo o sua posição nessa conversa. Eu detesto todos esses joguinhos mentais e a maneira como ele demonstra de maneira esclarecida duvidar da droga do meu potencial me tratando como uma criança que esquece toda ignorância e problemas com carinho. 

— Eu não acredito nisso. — digo ao soltar um riso nervoso e abaixar brevemente meus braços para pegar os meus tênis, eu não ficaria nesse carro com ele, não estamos nos Estados Unidos onde o perigo nos ronda, eu não preciso aceitar esse tratamento aqui. 

— Qual o problema, porra? Tá maluca? — ele se quer entendia o que estava acontecendo e eu já não me importava, talvez sejam os meus hormônios ou apenas o seu modo babaca ativado, eu sei quem ele é e sei o que ele pode fazer, nunca o menosprezaria nesse quesito mas eu não consigo lidar com fingimentos. 

— O problema é que você é um babaca. — digo enquanto coloco os tênis com determinada dificuldade, a barriga e o cinto de segurança me atrapalhavam. 

— O quê? O que eu fiz? — pergunta quando novamente desvia o olhar para o mim, o encaro frustrada. O mesmo havia acabado de parar no sinal. 

— Por que precisa fingir se importar, merda? Por que acha que irá ganhar algo se me tratar bem? Você tem sido tão previsível, porra. — falo irritada enquanto de alguma maneira tento arrumar os tênis em meus pés doloridos, a barriga realmente tem me atrapalhado nesse quesito. 

— Você é maluca! — exclama rindo após algum tempo em silêncio, novamente havia dado partida. Em todo esse meu “surto” o mesmo se manteve calmo. 

— Para o carro. — peço ao tirar o cinto, novamente ele me encara de forma incrédula. 

— Só pode estar tirando uma com a minha cara... — fala ao acelerar o veículo mostrando a sua frustração, eu não ficaria aqui com ele, dane-se Justin Bieber, sua babaquice e dane-se meus hormônios. 

— Se você não parar a porra do carro eu vou pular, estou falando sério. — aumento o meu tom de voz mas não chego a gritar, quando toco na porta e ameaço abrir o veículo o loiro ao meu lado basicamente joga o carro no meio fio enquanto me xinga e tenta entender o porquê dessa minha reação, nem eu via sentido nisso mas não iria ficar aqui me sentindo incomodada. Não demoro a sair do veículo quando ele para o mesmo, estávamos em uma avenida não tão movimentada. O barulho quase estridente e recíproco das portas do carro batendo quase ganharam minha atenção, de qualquer forma eu me preocupava com meus passos apressados enquanto o sentia seguir por trás de mim. Eu ignorava todas as suas falas e percebendo isso ele não demora para pegar o meu braço e me virar para si me impedindo de continuar.

— Por que caralho está dando esse show? Não procure problemas onde não existem, porra! — eu via o seu esforço em não elevar o tom de voz, de qualquer forma não me importo com a confusão em seu olhar. 

— Você é um imbecil, Justin. Um imbecil! 

— Se você não voltar pra porra do carro e me explicar o que está acontecendo eu... 

— Eu estou esperando uma criança sua e é assim que você reage? — exaspero ao cortar a sua frase, eu tentava controlar o tom de voz e até mesmo os meus sentimentos no momento, ele é um idiota e eu estou tão frustrada. 

— Está com raiva por que perguntei sobre o que ela disse? Porra Emma, não se comporte como uma criança burra, você sabe que o que mais vale na nossa vida é a diversão acompanhada de vingança, eu preciso saber onde estou me metendo para então poder estar aberto a consequências futuras. — eu via o seu esforço em manter o tom de voz controlado, algumas pessoas que passavam ao nosso lado acabavam nos olhando, não é como se entendessem o nosso diálogo já que acredito que a maioria aqui fale francês. 

— Foi por isso que você se envolveu comigo? Para se vingar e se divertir? — o encurralo ao perguntar coisas que eu já sabia, mas ainda sim queria ouvir dele. Eu havia juntado tudo o que o loiro havia dito e tirado para mim o que considerei útil, ele está aberto as consequências disso? Ele junta as sobrancelhas em duvida e eu reprimo os lábios puxando o meu braço de seu toque, iria voltar de táxi para o hotel e não importa como eu faça isso. O seu silêncio me provou que ele não sabia como reagir a toda essa explosão jogada por mim, talvez esteja tendo bom senso e tenha considerado os meses que estou de gravidez e o excesso de confusão e sentimentos, logo dou meia volta e sigo, meu nariz formigava me afirmando a vontade que eu já sentia de chorar, essa gravidez está me desidratando, eu não aguento mais chorar por tudo. 

— O que diabos está acontecendo com você? — questiona frustrado e eu volto a me virar para o mesmo, o nó em minha garganta já era grande.

— Espero que um dia você mude de pensamento e veja como está agindo. — finalizo, essa altura a minha fala já saiu embargada e eu se quer liguei para isso pois no minuto seguinte me virei e segui em passos rápidos tentando associar se essa discussão havia sido uma crise dramática minha ou realmente real. De qualquer forma, tudo continua sendo perca de tempo e soa de forma irrelevante. 

[...]

— Você sabia que eu estou cansada? — resmungo enquanto me sento na cama, a luz do abajur refletia em todo quarto branco gelo. Suspiro pesadamente ao levantar a blusa e deixar minha barriga exposta para mim, ela se mexia tanto que incomodava, eu podia ver minha barriga se moldar a algumas elevações, minha filha é um verdadeiro furacão. Solto um suspiro cansado ao tentar acomodar os travesseiros em minhas costas, as cortinas do quarto estavam fechadas mas ainda sim algumas frestas de luz entravam no cômodo, olhando para o relógio na parede pude notar que o dia estava começando, não dormi nada durante a madrugada toda, além da bebê não parar de se mexer o surto de Justin ao quebrar as coisas do hotel me deixou preocupada o suficiente para que meus olhos não pregassem um segundo.

— Qual o problema, filha? Vamos lá, fique quietinha, não é hora de ficar se exercitando. — volto a resmungar quando envolvo minha mão direita na barriga, ela logo chuta e eu inevitavelmente solto um riso nasal, será que ela seria desobediente? Avalon é um completo mistério para mim e a ideia desse nome se firmar em minha mente me incomoda, é como se ela quisesse se chamar assim, é estranho e engraçado de qualquer forma. Mordo o canto do meu lábio ao suspirar, eu realmente estou com sono, espero que ela seja uma boa garotinha e me deixe dormir durante a noite quando vier ao mundo e... Droga, já está perto. São sete meses de gravidez, daqui a poucas semanas faço oito e com isso ela será esperada a cada dia. Cheguei à conclusão que quero que o parto seja humanizado, espero ter forças para isso, por sorte tanto eu quanto ela somos saudáveis e podemos aguentar esse tipo de parto.

— Sabe que depois de tudo isso o mínimo que poderá fazer é se parecer comigo, não é, Avalon? — era estranho conversar com minha barriga mas de qualquer forma a vida habitando dentro dela é a minha melhor amiga, eu não nego sentir vontade de jogar tudo para o alto e abrir mão de tudo isso, mas ela me motiva, eu não sei como, apenas sinto e agradeço a Deus por sentir isso. Minha filha é toda a minha esperança, penso nela ao imaginar dias melhores e imagino o seu rosto de todas as formas para encontrar motivação, eu não sei porquê deposito sobre alguém que se quer vi tantos sentimentos mas hoje ela é tudo que eu tenho, exatamente tudo e eu nunca abriria mão disso. Ao deslizar a mão pela pele inquieta da minha barriga volto a enfatizar para mim mesma a seguinte palavra: esperança. 

— Hope... 

— Avalon Hope Bieber é um belo nome, não acha? — questiono e então novamente sinto um chute, iria considerar isso um sim. Sorri fracamente e então pendo o rosto para trás o encostando na cabeceira da cama ao fechar meus olhos cansados, ela continuava a se mexer e isso não me permitia dormir mas de qualquer forma eu buscava algum tipo de conforto, afinal, estou com sono. Volto a endireitar a minha postura e a abrir meus olhos quando a porta do quarto é aberta e a figura de Justin é visualizada por mim, o mesmo se encontrava com os cabelos bagunçados, rosto amassado e olhos fundos, uma calça moletom cinza era tudo que cobria o seu corpo. Estreito os lábios ao o encarar ali e ele franze a testa provavelmente por me ver acordada, não demora para que o loiro olhe para minha barriga que explicitamente mostrava a “festa” que a filha dele fazia. Imagino que tenha entendido a razão pela qual estou acordada uma hora dessas. 

— Se arrume. Vamos viajar em uma hora. — ele diz e eu concordo com a cabeça enquanto o analiso se virar e sair do cômodo, desde a nossa discussão no carro/rua não trocamos nenhuma palavra. Ele foi me seguindo durante todo o caminho que fiz até pegar um táxi e continuou atrás de mim até que eu chegasse no hotel, é óbvio que em algum momento do meu percurso a pé eu parei para voltar a gritar com o mesmo mas no fim das contas tudo que recebi além de comentários afirmando que eu era louca foi uma paciência forçada, eu via sua tentativa de se controlar e isso em partes me confortou já que me mostrou que de alguma maneira ele não queria fazer mal a mulher que carrega a sua filha. De qualquer forma toda a sua “tranquilidade” mudou quando chegamos aqui, por sorte eu já havia pedido o meu jantar quando ele simplesmente começou a revirar o hotel quebrando tudo, apesar da minha curiosidade não ousei sair do quarto que estava, eu não me envolveria ou cederia as suas loucuras, não o seguirei por esse caminho maluco e confuso, Justin não me arrastará para o inferno em que vive e isso eu prometo para mim mesma.

Minha visão a respeito de Justin continua deturpada e eu não posso fugir dessa ideia, ele transou comigo quando eu estava bêbada apenas para sentir que se vingou do meu pai e isso é tão baixo. Ele não se importa de forma alguma com a minha presença e muito menos com a nossa filha, não ao ponto de se esforçar para estar perto de nós duas. Eu não nego tentar olhar o lado positivo e ser grata por ao menos ele não me machucar fisicamente já que é isso que muitos criminosos fazem mas de qualquer forma é tudo tão razo e triste, Justin vez ou outra me parece ser uma pessoa não tão estúpida mas ele mesmo destrói essa imagem rapidamente, é como se ele gostasse ou então não quisesse abrir mão dela e isso me magoa porque em certo ponto me vejo amarrada por tempo indeterminado ao mesmo. No fim das contas eu entendo que estou pagando sentença por ter o beijado naquela noite, de qualquer forma sei que isso também está acontecendo com ele e isso é tão triste porque eu sinto tanto medo. 

Suspiro pesadamente ao me levantar com determinada dificuldade da cama, minha mala já estava arrumada, consegui outra para guardar todas as coisas que eu tinha comprado, mesmo exausta fui deitar tarde, inevitavelmente fiquei preocupada com o “show” dado pelo demônio de Atlanta, não sabia o que estava acontecendo e como o hotel lidaria com isso, além do que, pelo barulho, ele não aparentava estar bem. Justin é um completo mistério para mim e por isso não fui atrás do mesmo, eu não poderia fazer isso dada às circunstâncias. 

Resmungo algumas coisas para a barriga em todo o percurso que fiz até o banheiro onde além de fazer minha higiene matinal também tomei um banho, tentei não demorar muito pois o tempo que eu tinha era curto, eu adorei todo o conforto desse hotel, queria ter a oportunidade de aproveitar essa banheira, terá que ficar para a próxima. Após finalizar meu banho e me vestir com uma roupa já separada por mim me analiso no espelho, meu rosto está acabado e entrega a noite mal, ou melhor: não dormida. Encaro novamente o relógio e vejo que não me restava muito tempo e considerando o fato de que provavelmente não verei ninguém, lutei contra toda a minha crise existencial e peguei um óculos escuro, após o colocar e arrumar o restante das coisas saio do cômodo, Justin estava com Khalil na sala do hotel, não troquei muitas palavras com nenhum dos dois, além do meu receio estava evidente que ambos estavam cansados e de mau humor.

— Guardou tudo? — Justin me questiona e eu concordo com a cabeça ao cruzar meus braços, além do vestido vinho que chegava até pouco mais da metade das minhas coxas eu usava uma jaqueta jeans e coturnos pretos. Tudo estava destruído nesse quarto, o sofá estava revirado, a televisão se encontrava quebrada, o barulho que Justin causou ontem realmente fez justiça ao estrago, ele no mínimo seria processado por fazer essas coisas aqui. Durante o tempo que os dois levaram para pegar tudo eu decidi fazer um rabo de cavalo e quando já estávamos no carro optei por colocar um gloss, todo o caminho foi rápido e silencioso, não nego ter me sentido completamente constrangida ao passar na frente de todos os funcionários do hotel, Justin havia sido um imbecil e seus punhos cortados e roxos mostravam isso para quem quisesse ver. Suspiro ao visualizar o avião a minha frente, apesar dos pesares dois dias foram o suficiente para que eu tivesse completa ciência de que sentiria falta de Paris, esse lugar é magnífico. 

— Obrigada. — murmuro sorrindo fracamente com a ajuda que Khalil me deu para subir as escadas do jatinho, Justin conversava com dois homens na pista de pouso. O moreno brinca dizendo que eu teria que o recompensar depois mas logo se acomoda em uma das primeiras poltronas, eu segui e me sentei em uma das poltronas do meio, a mochila preta que eu segurava logo é colocada por mim na poltrona de trás e eu pego um travesseiro tentando me acomodar, após Justin entrar e alguns minutos serem passados o avião decola, deduzo que o mesmo tinha dito que sairíamos após uma hora apenas para que eu me arrumasse rápido já que de acordo com minhas contas já se passaram duas horas e meia, agora é só esperar as próximas oito horas, é, isso não é brincadeira para ninguém. 

— Até a próxima, França. — murmuro encostando a ponta da minha unha na janela de vidro, após isso fecho os meus olhos ao bocejar. Além de precisar dormir ficar acordada com esses dois loucos é um perigo, a viagem de vinda para cá foi extremamente tranquila mas o que me garante que a volta será assim? Depois do surto repentino do loiro tudo é possível para mim e eu não arriscaria nada. Em busca de conforto decido tirar os óculos escuros e os coturnos, quando me acomodo de melhor forma Justin se levanta do seu lugar e se senta ao meu lado, eu estava no canto perto da janela, inevitavelmente o encaro, todo o meu corpo ficou rígido com sua presença que por si só traz algo pesado. 

— Podemos conversar? — questiona e eu não esboço reação, apenas desvio o olhar do seu mostrando que não o enfrentaria se quisesse dizer algo, o ronco de Khalil já é completamente audível, como ele dormiu tão rápido?

— O que você espera de mim? — sua voz novamente ecoa e eu umedeço os lábios, não imaginava que ele fosse fazer uma pergunta dessas. 

— Onde você quer chegar com isso? Vo...

— Só responda a porra da pergunta, Emma. — me corta impaciente, o encaro. 

— Eu só quero que me respeite, tá legal? Eu estou grávida e... Droga, Justin, eu preciso de apoio. Qualquer mulher no mundo precisaria. — digo e ele logo suspira pesadamente, eu havia sido sincera em minha fala e não tinha tentado colocar uma barreira, mesmo não querendo estaremos em um local fechado pelas próximas oito horas, se ele buscou está conversa está explícito que não terei para onde fugir. O mesmo visivelmente estava sem paciência. 

— Eu não posso prometer nada disso para você. — diz e então entorto os lábios, novidade. — mas não aceito que diga ou ache que não me importo, porque mesmo não gostando da ideia ou a querendo cem por cento, eu me importo com minha filha. — finaliza e então eu o encaro incrédula, é impossível não me irritar com ele. 

— Não percebe o quão ruim isso soa? É justamente por se importar com ela que o mínimo que você tem para fazer é me apoiar, Justin. Caramba, eu perdi tudo e você só consegue fingir diálogos, eu não sou uma idiota. — digo ao gesticular com as mãos, eu estou tão frustrada com ele, é como se eu não conseguisse ver nenhum de seus esforços.  

— Eu não tenho opções se não fingir, porra! — exaspera de maneira rude, engulo a seco. — o que quer que eu faça? Que eu seja ruim o tempo todo? Caralho, Emma! Você não entende que eu não consigo ver graça em toda essa situação? Eu tenho me esforçado para olhar pra porra da sua cara e não lembrar do filho da puta do seu pai, eu tenho me esforçado para encontrar pontos positivos na vinda de Avalon, eu tenho me esforçado para parecer um homem melhor diante toda essa merda mas não posso colocar sentimentos nisso. — finaliza, eu já não o olhava mais, não acredito que o mesmo esteja me dizendo tudo isso, eu realmente não acredito. Nego com a cabeça ao piscar algumas vezes, ele é um idiota egoísta, tudo que disse foi se tratando de si, e o que eu estou sentindo?! Eu não posso simplesmente ter a opção de não colocar os meus sentimentos e isso é injusto. 

— Por favor, sai de perto de mim. — digo quase em um sussurro, o olhando de canto de olho pude perceber que o mesmo tinha a testa franzida, torço os lábios quando ele toca em minha mão e logo recuo para me afastar do contato. 

— Não pode fugir desse assunto porque ele te machuca, Emma. Você será mãe porra, precisa crescer. 

— E VOCÊ SERÁ PAI. — acabo por não controlar o meu tom de voz ao exaltar meu corpo sob a poltrona, seguidamente nossos olhos se encontram em uma disputa acirrada e imaginaria na minha cabeça. Eu conseguia ver toda a sua raiva de forma transparente e explícita, por trás de todo o mistério que habitava no olhar cansado do loiro ele ainda sim mostrava mais do que queria. Nego com a cabeça ao me endireitar na poltrona, o ronco de Khalil continuava sendo a trilha sonora de todo esse drama. O mesmo logo bagunça seus fios loiros e os puxa para cima em sinal de frustração, um diálogo entre nós dois é tão difícil, será que tudo será assim quando Avalon nascer?

— Você tá fodendo com tudo. — murmura de maneira inquieta e eu o olho ao morder os lábios, isso é tão exaustivo. 

— Não pode me culpar por...

— Meu pai morreu, porra. — confessa após me cortar e então eu recuo o meu corpo que novamente havia avançado para o responder, foi por essa razão que o mesmo quebrou tudo?

— Aquele filho da puta morreu e eu se quer sei quem fez isso... — diz encarando o banco, eu havia conversado muito com Pattie e o pai de Justin acabou sendo um dos assuntos, ele não me parecia ser um bom homen e só passou o crime para Justin tão cedo porque muitas pessoas queriam a sua cabeça, Bieber dizer que não sabia quem havia feito isso com tanto peso me deixou explícito que ele havia sido pego por algum inimigo. 

— Eu sinto muito. — é tudo que consigo dizer, ele continuava olhando para frente e não demora para balançar a cabeça inquieto ao soltar um riso nervoso, o mesmo está aparentemente transtornado, é visível que não dormiu. Avalon havia voltado a se mexer em minha barriga, de uns dias para cá ela simplesmente não para.  

— Ele foi um pai fodido, Emma. — confessa e eu reprimo os lábios o ouvindo, Pattie havia dito isso quando conversamos sobre a personalidade difícil de Justin, segundo ela o pai do mesmo teve muita influência sobre isso. Ela não entrou em detalhes mas as poucas coisas que disse me mostraram que ele não se importava tanto com o garoto, o via mais como a continuação perfeita de todo o negócio da família, desde cedo o treinou para ser o melhor. 

— Mas foi o meu pai e... — pausa a continuação de sua frase e fecha os olhos, droga, eu o odeio mas sou ser humano, isso é um inferno. Mordo o canto dos lábios, em partes eu sabia o que era perder um pai, mesmo que o meu continuasse vivo. 

— Porra, eu só quero ser melhor que aquele desgraçado. — a frustração em sua voz é evidente, engulo a seco quando o mesmo me encara, seus olhos fundos se encontravam avermelhados. 

— Eu quero que a minha filha tenha um pai e não um maldito treinador, eu quero que... — logo ele se atrapalha em suas palavras e pausa a sua frase. 

— Eu não posso ser como ele. — finaliza enquanto olha o fundo dos meus olhos, eu não sabia como reagir a isso. Minha mão logo se ergueu e foi com cautela para o seu braço, não tenho resposta alguma e isso parte o meu coração porque enquanto para mim eu tenho a real ideia de ter perdido o meu pai, Justin talvez se quer tenha tido um que fizesse justiça ao papel. Umedeço os lábios passeando a minha mão por sua pele coberta pelo moletom até que eu chegue em suas mãos machucadas e frias. 

— Eu escolhi o segundo nome de Avalon. — digo de forma despretenciosa e ele me encara confuso e frustrado, provavelmente por não entender a razão desse meu comentário agora. Volto a desviar o meu olhar para a sua mão machucada, isso deve estar doendo. 

— Será Hope. — continuo e então volto a olhar para o seu globo ocular, o mesmo sorri fracamente. 

— Esperança? — questiona ainda com um sorriso pequeno, seu olhar estava distante mesmo que verdadeiramente estivesse me encarando, concordo com a cabeça dedilhando os seus dedos roxos e cortados com cuidado. 

— É tudo que resta para nós dois. — digo quando percebo que o nome também tinha uma ligação direta com ele, o mesmo reprime os lábios ao concordar com a cabeça e logo desvia o olhar para a minha barriga, ele nunca teve nenhum contato carinhoso com ela, mesmo que já tivesse a tocado e brincado poucas vezes, nada nunca havia sido sério, talvez ela se quer o reconheça como pai, afinal nesse e em todos os outros quesitos eu o rejeito totalmente. 

— Ela está mexendo? — questiona ao notar a elevação em alguns pontos da minha barriga, concordo com a cabeça e então o mesmo suspira erguendo a mão que eu tocava e a depositando em cima da barriga, desço o olhar para aquela região e o analiso alisar a minha pele e sentir com clareza todos os movimentos da nossa filha, não quis encarar o seu rosto para não ver sua feição se tratando de um momento tão puro. 

Ela é o que há de mais puro em nossas vidas. 

Eu estava ciente e me preparava para entender e aceitar que nada mudaria, essa conversa veio porquê no momento Justin está sozinho. Longe de todos e tudo, só teve a mim e a nossa filha para recorrer em um momento ruim e eu não me condeno por recuar um passo e o aceitar nesse diálogo, mesmo negando isso para mim e tendo certeza de que ele também nega para si, nós dois não podemos fugir de um fato claro: em alguns meses, seremos oficialmente uma família e não há discordância ou diferença que possa anular isso, nossa maior esperança também parece querer vir repleta de desafios. Avalon incrivelmente complementa um espaço antes vazio em minha vida, mas junto desse sentimento que só cresce é totalmente inevitável não lembrar das circunstâncias que nos trouxeram até aqui, eu temia por muitas coisas óbvias agora e analisando o loiro distraído com os movimentos da criança em minha barriga me lamento de forma extrema ao perceber que o que eu tinha certeza a poucas horas atrás acaba se esvaindo pouco a pouco, o olhando dessa forma depois dessa conversa posso cogitar a infeliz ideia de o seguir de maneira involuntária e nem de longe eu poderia ceder a algo forte como isso.


Notas Finais


E então? Preparem o coraçãozinho, acho que o próximo capítulo será divertido. Digam o que estão achando, a opinião de vocês é importante para mim. Até a próxima babessss, beijinhossss


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