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História Gravity (Woosan - Ateez) - Capítulo 3


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Notas do Autor


Olá!
Trouxe mais uma atualização para vocês! Espero que gostem e me desculpem pelos erros!

Boa leitura ♡

Capítulo 3 - O concerto


Fanfic / Fanfiction Gravity (Woosan - Ateez) - Capítulo 3 - O concerto

E então eu olhei para cima e vi o sol
E conseguiria ver
Oh, o jeito que a gravidade nos puxa
Em você e em mim
E eu olhei para o céu
E vi o sol
E o jeito que a gravidade empurra
Em todo mundo
Gravity - Coldplay 


Wooyoung

O nervosismo já era evidente em todo o meu corpo, minhas mãos suavam e meu coração estava acelerado como nunca. Esta seria a maior apresentação já feita por mim, o palco onde as acomodações dos músicos estavam dispostas em um meio círculo era enorme, assim como a área dos assentos da plateia, que estavam sendo preenchidos aos poucos pelas pessoas que entravam no local.

Minha mãe e irmã ocupavam duas cadeiras da primeira fileira no auditório, e mesmo que de longe elas tentassem me transmitir um sentimento de confiança, eu ainda me sentia incrivelmente nervoso diante de todo o público. E pareceu piorar em escalas quando o professor decidiu que o meu solo seria a atração principal da noite, não que eu duvidasse da minha capacidade quando o assunto era tocar violino, mas eu me sentia completamente sobrecarregado por conta disso.

E ainda tinha aqueles sonhos que ainda me atormentavam sem piedade. Eu havia cochilado algumas horas durante a tarde, e tive outro pesadelo costumeiro, sempre do mesmo modo, buscando por alguém importante para mim, que se afogava dentro do maldito lago. Mas este sonho não foi tão desesperador quanto os das derradeiras noites, pois, de alguma forma, eu havia conseguido salvar aquela pessoa do afogamento. E mesmo não me lembrando de sua feição, eu me senti totalmente cativado ao acordar de abrupto sobre a cama, e desejei com todas as forças poder voltar para o momento que a envolvi com cuidado entre meus braços e a tirei daquela água gélida.

Com um último sinal do professor, me direcionei até o meio circulo em cima do palco, e me acomodei da melhor forma possível no lugar reservado a mim. Suspirei fundo pela milésima vez na noite, tentando não demonstrar todo nervosismo contido em meu interior. Mas tudo pareceu mudar em grandes escalas quando Mingi cruzou a porta principal do teatro, acompanhado de San, que estava bem vestido como de costume, as roupas sociais de tonalidade escura deixava a sua beleza ainda mais estonteante.

Observei Mingi seguir para trás das cortinas e ajustar o seu violoncelo antes de subir no palco, já San também ocupou um dos assentos da primeira fileira do auditório sem pressa alguma. E assim que o seu olhar se encontrou com o meu, senti o meu coração se acalmar de uma forma inexplicável, porém, outras sensações desconhecidas por mim brotaram em meu interior.

Desviei de seu olhar, focando nas partituras colocadas a minha frente, mas não pude deixar de sorrir brevemente quando algumas borboletas passaram a dançar uma espécie de valsa em meu estômago.

Era sempre dessa forma. E mesmo que eu me sentisse péssimo, por de certa forma, estar traindo os sentimentos existentes por aquela pessoa desconhecida que rondava os meus sonhos, aquelas borboletas bagunçavam o meu interior sem alguma autorização. Ou talvez esta fosse a única desculpa encontrada por mim para tentar justificar a minha paixonite encubada por San desde que entrei no colégio.

Endireitei a postura sobre o assento assim que o maestro se posicionou em cima do palco, acomodei o violino em minha clavícula da melhor forma que consegui e olhei na direção de San por uma última vez, antes da maior apresentação da minha vida iniciar.



San

Logo que coloquei os pés dentro do anfiteatro, meus olhos se desviaram para Wooyoung, acomodado belamente em cima do palco com o seu violino em mãos. Todos os alunos já estavam dispostos pelo espaço, assim como meu melhor amigo que tratou de seguir com rapidez até lá.

As luzes fixadas no teto acima de nossas cabeças foram direcionadas ao palco quando um homem de terno caro e aparência polida se posicionou no centro do semicírculo, formado inteiramente pelos alunos do colégio. Aconcheguei o meu corpo sobre o estofado da cadeira ao observar que o grande espetáculo estava prestes a começar.

Então, o maestro deu início, regendo com uma calma impressionante os instrumentos de corda da esquerda. E sem conseguir evitar, novamente os meus olhos foram de encontro ao rapaz de cabelos roxos, posicionado em um dos primeiros bancos colocados ao lado esquerdo do semicírculo. Wooyoung usava uma camisa social e de mangas compridas em uma tonalidade preta, acompanhada por um colar da mesma cor, que ficava agarrado ao seu pescoço, destacando ainda mais os seus fios de cor púrpura.

Wooyoung tratou de iniciar a sinfonia de abertura, tocando seu violino calmamente. As notas serenas se intercalaram pelas cordas sintéticas do instrumento delicado, aos poucos os outros lhe acompanharam e assim a melodia encantadora se intensificou ao passo que o homem de terno os regia.

Logo Mingi acompanhou o maestro com seu violoncelo e em seguida os outros alunos com os baixos, fazendo com que, deste modo, uma linda harmonia crescesse durante aquela canção fascinante. Por algum motivo desconhecido por mim, os meus olhos não desgrudavam da imagem de Wooyoung, como de costume, a intensidade que ele manuseava o violino não me permitia fazer isso. Meu coração pulsava conforme as notas da música eram dispostas pelo arco do pequeno instrumento.

Alguns poucos minutos depois e a canção de abertura já havia acabado, mas eu ainda mantinha os olhos fixos no violinista. Eu sentia uma sensação estranha contida em meu peito, como uma angustia, meus olhos estavam úmidos e minha boca completamente seca. Eu apenas me mantinha estagnado, olhando para o garoto de bela postura à minha frente, ao passo que minha mente viajava, como um frenesi.

O espetáculo continuou e a orquestra tocou vários clássicos da música clássica. E quando tudo já estava prestes a acabar, Wooyoung se posicionou ao centro do palco e apenas acompanhado de um pianista, finalizou o show com um lindo solo. Reconheci a canção imediatamente, Chopin Nocturne in C Sharp Minor, Mingi a escutava quase todos os dias no apartamento ao lado, e tive que admitir que esta música tinha sido uma ótima escolha para o solo de encerramento.

Wooyoung manuseava o instrumento como nunca, com toda a certeza ele era o melhor entre todos. Sua confiança sobre o violino fazia com que alguns arrepios percorressem a extensão da minha coluna, a emoção contida nas notas da sinfonia era impetuosa e pela segunda vez em poucas horas, respirei fundo tentando conter as lágrimas que teimavam em despontar de meus olhos.

Antes do espetáculo ser encerrado, todos os alunos se reuniram no centro do palco e agradeceram as palmas da enorme plateia. Wooyoung e Mingi possuíam enormes sorrisos estampados no rosto, os rapazes pareciam felizes como nunca, e não era por menos, pois toda a apresentação havia corrido dentro dos conformes. Então, assim que todos receberam as saudações do público, Mingi seguiu até a plateia, saindo com rapidez pelos fundos do palco e andou em minha direção.

— Isso foi incrível! — ditei assim que o mais alto se aproximou — valeu muito a pena assistir!

— É claro que valeu! Eu estava tocando, não tinha como ficar ruim! — exclamou Mingi, sorrindo largo e não pude deixar de sorrir junto dele — Alguns caras do terceiro ano me convidaram para ir beber e comemorar o sucesso do espetáculo! — acrescentou o mais velho, não conseguindo conter sua felicidade — Quer ir com a gente? Eu te apresento á eles!

— Ah... melhor não, pode ir com eles — dei de ombros – eu já estava pensando em ir para casa mesmo.

— São só nove horas, tem certeza que já vai? — questionou o mais alto.

— Eu tenho algumas lições de casa atrasadas para terminar — continuei, tentando achar uma boa desculpa para não atrapalhar Mingi durante a sua noite com os caras populares do terceiro ano, ele realmente não estava brincando quando afirmou estar subindo na escala social do colégio — Não posso pisar fora da linha com o supervisor — dei de ombros e observei Mingi assentir em entendimento.

— Então nos vemos depois? — ele questionou e lhe dei um leve toque de mãos como despedida – vou dar um jeito de pegar um taxi para voltar para casa! Até depois San!

— Até mais!


(...)


Depois de alguns minutos dirigindo pela rodovia finalmente cheguei a casa, assim que destranquei a porta principal notei que todas as luzes do apartamento estavam apagadas, provavelmente os meus pais ainda não haviam voltado do jantar.

Eu me sentia o um completo idiota por ser adolescente e não estar curtindo a noite como a maioria dos outros estavam fazendo no momento, mas eu tinha as minhas razões, afinal, se eu saísse para beber com Mingi e os outros caras do colégio, não aguentaria seguir até o lago no dia de amanhã. E no momento isso era o mais importante a se fazer.

Então, me joguei no sofá da sala e desabotoei alguns botões da camisa, afim de poder relaxar durante essas poucas horas que eu teria sozinho em casa, e coloquei uma música calma para tocar, tentando acalmar a euforia instalada em meu interior desde o momento do concerto.

Eu já estava prestes a fechar os olhos por conta do cansaço acumulado, mas, de repente um ruído estridente me tirou dos meus devaneios, um barulho irritante de uma campainha tocando para ser mais exato.

Mas o ressoar agudo não vinha da porta do meu apartamento, mas sim da do lado. Levantei de forma preguiçosa e segui em direção à porta, prevendo que Mingi já havia voltado e provavelmente estaria completamente bêbado. Porém ao girar a maçaneta observei o garoto de cabelos roxos, parado a frente da porta do vizinho.

— Oi — ele cumprimenta.

— Oi — repito, percebendo que os olhos do rapaz passearam dos meus pés até minha cabeça, e em seguida ele prende a ponta do lábio inferior entre os dentes. Então, apenas quando olho na mesma direção que o rapaz fitava a segundos atrás, percebo que minha camisa estava aberta.

— Mingi está? — estreitei a abertura da porta, fechando os botões da camisa do modo que conseguia. – Ele deixou o violoncelo no meu carro, queria entregar à ele – acrescentou o rapaz em tom de voz doce.

— Ele ainda não chegou, acho que vai demorar um pouco. Ficou bebendo com alguns amigos – dei de ombros e quando já havia fechado a camisa devidamente, abri porta por completo.

— Já que não estou com pressa, acho que vou esperar por aqui — o rapaz murmurou e já estava prestes a encostar o corpo no batente da porta.

— Quer entrar? — perguntei, surpreso diante de minha atitude, usualmente eu ficaria o encarando como um idiota — espere ele aqui dentro.

— Não é necessário – as maçãs do rosto de Wooyoung tomaram um tom rosado – não quero incomodar.

— Não vai incomodar, estou sozinho também – dei de ombros – bom que fazemos companhia um ao outro – acrescentei e o rapaz pareceu pensar por alguns segundos, e logo em seguida assentiu, me acompanhando para o lado de dentro do apartamento. – Aceita beber algo? Café ou um chá?

— Eu aceito um chá – Wooyoung respondeu e logo me acompanhou até a cozinha.

A companhia do rapaz ainda me deixava incrivelmente nervoso, mas decidi relaxar e tentar esquecer os sentimentos que me invadiam quando ele se aproximava. Wooyoung se apoiou no mármore frio do balcão assim que chegamos do cômodo e permaneceu ali, me observando calmamente, enquanto eu preparava duas xícaras de chá. Isso também ajudaria a me acalmar.

— Faz quanto tempo que se mudou para a cidade? – lhe perguntei depois de alguns minutos.

— Acho que uns seis meses. Minha mãe vivia nessa cidade quando era mais nova e depois do divórcio, nos trouxe para cá – entoou Wooyoung, dando de ombros em seguida.

— Entendi. Então, os seus pais se separaram? – questionei, vendo o rapaz passar com as mãos pelo tecido da calça que trajava, não parecendo muito confortável diante da pergunta – me desculpe, se quiser não precisamos falar sobre isso – praticamente gaguejei as últimas palavras.

— Não, está tudo bem – Wooyoung continuou, brincando com um anel entre os seus dedos – eles se divorciaram há alguns meses, antes de nos mudarmos para a cidade. O motivo da separação foi adultério da parte dele – ele deu alguns segundos se pausa, respirando fundo – nunca me passou pela mente que ele faria isso com a gente.

— Eu sinto muito, Wooyoung – disse, largando automaticamente das bebidas que preparava há segundos atrás e me aproximei de seu corpo – venha cá! – envolvi as suas mãos entre as minhas com cuidado, tentando resistir ao impulso de abraçá-lo, e o direcionei até a banqueta alta de madeira perto do balcão e me sentei ao seu lado. Um silêncio confortável se instalou ao redor e depois de alguns segundos percebi que ainda segurava as mãos de Wooyoung, desenhando círculos com os polegares nos dorsos delas. A sua pele era macia contra a minha e um pouco úmida, talvez este não tenha sido um bom assunto para ter nesse momento, eu me sentia um idiota por ter lhe perguntado sobre isso. – Você tocou muito bem hoje – desviei o assunto e soltei as suas mãos apenas para pegar a xícara de chá em cima da bancada e a direcionar até ele.

— Obrigada! Tocar violino é uma das poucas coisas que realmente sei fazer direito, no meu antigo colégio, haviam até me promovido para as aulas de composição avançada – ele disse graciosamente, antes de levar a xícara até os lábios.

— Eu achei perfeito, te confesso que até me emocionei ao longo da apresentação – continuei, observando Wooyoung soltar uma risada gostosa, a melhor risada que eu já havia escutado em roda vida. – A música que vocês tocaram na abertura, é a mesma que te vi tocando no colégio outro dia, não é?

— Sim, eu que compus – continuou ele, com um olhar brilhante, apertando as xícara entre os dedos – foi um pouco intrigante na verdade, porque eu escutei essa canção durante um sonho e no outro dia apenas a coloquei no papel. Mas eu não consegui lembrar ao certo o que acontecia no sonho, mas a canção não saia da mente, é estranho sabe?

— Entendo. Também tenho alguns sonhos estranhos de vez em quando – pigarreei o fitando confuso e respirando fundo.

— Porque foi embora tão cedo do concerto? – antes que eu pudesse responder, a campainha tocou desenfreadamente e em seguida um grito alto se tornou audível para o prédio todo “San, o meu pai vai me matar! Acho que perdi meu violoncelo!”. Levantei despreocupadamente da banqueta e me direcionei até a porta da sala, tentando conter o riso por todo o escândalo de Mingi bêbado.

— Boa noite, Mingi!

— Cara, o meu pai vai me matar, perdi o meu violoncelo! O que eu faço? Liga para policia, faz alguma coisa, por favor! – assim que abri a porta Mingi desembestou a falar e não pude deixar de rir por todo seu desespero desnecessário.

— Se acalme! Você deixou ele no meu carro Mingi, não se lembra? – Wooyoung disse, vindo caminhando despreocupadamente da cozinha e em seguida apanhou a mala de cor marrom em cima do sofá.

— Ah meu Deus! Obrigado Woo! Você é um anjo! – sem esperar, Mingi apanhou a mochila das mãos de Wooyoung e seguiu rapidamente para o seu apartamento.

— Então, acho que eu deveria ir – as palavras de Wooyoung soaram em tom inserto, enquanto encarava os meus olhos, e por alguns instantes percebi que não queria que ele fosse embora, eu gostava da sua companhia e de simplesmente olhar para ele.

— Está bem – estreitei os lábios em forma de um sorriso – boa noite!

— Boa noite, San – ele se distanciou, seguindo em direção à porta. – Obrigado pelo chá e pela conversa, foi bom me abrir com alguém! Até mais! – ele se despede com um sorriso nos lábios.

— Até mais! – repeti, o acompanhando até a porta. E assim que ele saiu, observei os seus passos até o elevador e logo em seguida, bati na porta do apartamento ao lado. — Mingi! Não acha que está se esquecendo da sua parte do combinado? – questionei e ouvi passos do outro lado da porta.

— É mesmo, me desculpe! – ele abriu a porta, com um papel nas mãos – Está aqui! E já que cumpriu o combinado perfeitamente, não vou apenas te emprestar o mapa, vou te dar! Aqui, é todo seu San!

— Seu pai não vai achar falta?

— Não, ele nem vai se importar, faça bom proveito!

— Obrigado Mingi! Você não faz ideia do quanto isso vai me ajudar! – o agradeci – então agora já vou indo, boa noite e beba muita água, está bem!

— Fique tranquilo, vou me cuidar! Boa noite, San!

Voltei para o apartamento e assim que fechei a porta de meu quarto, abri o mapa um pouco velho e desgastado e observei o caminho traçado com um marcador vermelho. Aquele era o caminho. E a esta altura do campeonato, tudo parecia tão surreal.

Talvez o lago fosse escondido e por isso não havia nada pela internet.

Talvez não tenha sido encontrado por muitas pessoas.

Ou talvez o lago simplesmente não exista.

Coloquei o papel amarelado dentro de uma das gavetas de meu guarda roupas e em seguida me debrucei pela cama, torcendo para que a localização do lago estivesse correta. Eu precisava de respostas.

E pela primeira vez em dias, não me importei em dormir. Por mais ruim que fosse a sensação de se afogar, escolhi passar por isso novamente. Eu precisava rever aquela pessoa dos meus sonhos.


Notas Finais


O que acharam do capítulo? Deixe o seu comentário ♡

⚠️LINKS IMPORTANTES⚠️
Música de abertura do concerto:
https://youtu.be/tXq8sAurgPQ

Solo do Wooyoung: https://youtu.be/T7k2pmKUXxI


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