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História Gravity (Woosan - Ateez) - Capítulo 4


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Notas do Autor


Olá!
Trouxe mais uma atualização para vocês! Esse capítulo é bem curtinho, mas espero que gostem!

Boa leitura ♡

Capítulo 4 - O caminho até o lago


Fanfic / Fanfiction Gravity (Woosan - Ateez) - Capítulo 4 - O caminho até o lago

Quem me consertará agora?
Mergulhará quando eu afogar?
Salve-me de mim mesmo
Não me deixe afogar
Quem me fará lutar?
Me arrastará para fora vivo?
Salve-me de mim mesmo
Não me deixe afogar
Drown - Seafret 

San

Correndo e correndo, sempre da mesma forma, eu apenas corria. Podia sentir os meus pulmões bombearem o ar, quase explodindo, mas por algum motivo o meu corpo não podia parar. Novamente fui barrado contra a minha vontade, imergindo dentro da imensidão gélida e sombria daquele lago, com todas as minhas forças eu me debatia, indo cada vez mais fundo conforme lutava de forma falha. Cansado de tentar emergir, cessei os movimentos e o último resquício de oxigênio existente em meus pulmões se esvaiu. Novamente observei a corda vermelha entrelaçada em meu dedo mindinho, se estendendo até a superfície d’água, e novamente minha consciência já estava indo embora, mas, de repente uma mão foi estendida em minha direção e enlaçou o meu torço em baixo d’água, me levando até a superfície.

Enfim puxei o ar, ouvindo a bela sinfonia de violino que tocava baixinho em meu consciente. E ao me afugentar pela grama húmida na beira do lago, fitei o garoto de cabelos roxos que mantinha a expressão preocupada em seu lindo rosto.

– Você está bem? – ele murmurou envolvendo o meu rosto entre as suas mãos quentes e novamente lhe abracei com ternura. – Eu consegui te salvar! – me afastei alguns centímetros de seu corpo, na intensão de observar o seu rosto com afinco e então pude ver uma lágrima descer em sua face delicada.

Em meio a uma euforia de sentimentos e sensações, me inclinei buscando os seus lábios rosados, enquanto o envolvia pela cintura com cuidado. Ao sentir os seus lábios macios e doces tocarem nos meus, o meu corpo pareceu inflamar instantaneamente, puxei o ar quando as mãos do garoto deslizaram pelos meus cabelos molhados, emaranhando os seus dedos finos ali e inclinado delicadamente o seu rosto para o lado, passando com a língua quente entre os meus lábios e invadindo minha boca com intensidade. Minhas mãos molhadas e frias percorreram toda extensão de suas costas, sentindo o calor de seu corpo me esquentar de uma forma surpreendente. Mas, de repente me lembrei de que não tínhamos muito tempo ali.

– Me diga seu nome – murmurei contra os lábios dele, sem afastar nossas bocas.

– Me chamo Wooyoung – continuou o garoto, agora descolando os lábios dos meus – E você, diga-me como se chama?

– San – disse antes de concluir por completo – Eu me chamo Choi San.

De repente, como um estalo, aquelas palavras surgiram em minha mente: “Seja esperto, nem tudo fica apenas dentro dos sonhos”.

Sem esperar, de forma rápida procurei por algum objeto material que conseguisse relembrar fora dos sonhos. Então mirei um colar em meu pescoço, que estava ali à anos, na verdade eu nem me lembrava de quando o havia ganhado.

– Eu quero que fique com esse colar, para quando te encontrar lá fora, consiga reconhecer você – disse, enquanto prendia gentilmente a pedra branca em torno do pescoço de Wooyoung – Não importa onde estiver, eu vou te encontrar – acrescentei, convencendo à mim mesmo de que o plano forjado á segundos atrás daria certo. Ao segurar o delicado rosto do garoto entre as minhas mãos, observei uma lágrima solitária escorrer por ali e a enxuguei com o polegar – Eu prometo, não desistirei de você, eu irei te encontrar... – a sensação de estar desaparecendo começava novamente. Então, o envolvi com carinho, o abraçando apertado, enquanto uma lágrima quente escorria pelo meu rosto. Eu o amava incondicionalmente, por algum motivo desconhecido, eu o amava tanto que doía.

– Está... está começando de novo, eu não quero acordar San – o garoto disse despencando-se em lágrimas, enquanto se afundava em meus braços e eu o apertei, sentindo todas as terminações do meu corpo ferverem – Eu te amo Choi San... – a voz dele soou embragada e quase como um eco em meu consciente.


[...]


A minha mente desperta.

O travesseiro atrás de minha cabeça está completamente encharcado de lágrimas, eu soluçava de tanto chorar, meu corpo inteiro doía, mas nada se comparava a maldita dor contida em meu peito. Pela primeira vez eu não queria acordar, a realidade paralela era onde eu queria estar, algo dentro de mim dizia que eu precisava voltar de alguma forma, nada ao redor fazia sentido sem a presença dele.

– Como era seu nome? – minha voz soou trêmula e completamente embargada, eu fechei os olhos me forçando a tentar dormir novamente, mas de nada funcionou – Por... Por que tem que ser assim? – bati com certa força sobre o lençol da cama, enquanto minhas incontáveis lágrimas eram abafadas pela fronha branca – Eu quero voltar... por favor me faça voltar – fechei os olhos com força outra vez, tentando abafar um grito, que desta vez não foi sufocado.

– Filho! – a porta do quarto se abriu e minha mãe entrou por ela, completamente assustada e correndo em direção a minha cama, envolvendo o meu corpo em um abraço forte, me segurando como se eu estivesse prestes a me quebrar por completo – San meu filho, você está bem? – as lágrimas apenas escorriam, encharcado o ombro dela, enquanto aquela dor em meu peito sucumbia devagar – Você teve um pesadelo? Quer conversar sobre isso?

Eu não respondi, apenas permaneci ali, envolto entre os seus braços, até que repousei a cabeça sobre o seu colo e por consequência peguei no sono novamente, a companhia materna abrandava um pouco a maldita dor contida em meu interior.

[...]

O despertador ao lado da cama soou marcando sete horas da manhã, mas eu já estava acordado há horas, olhando fixamente para o teto de madeira acima de minha cabeça em completo silêncio. Eu não havia sonhado novamente, vagamente me lembrava de ter adormecido no colo de minha mãe, mas foi um sono normal, sem pesadelos e isso me atordoava de uma maneira inexplicável.

Aquele tinha sido o último sonho.

Conclui assim que me levantei com dificuldade da cama e vesti um moletom grande o bastante para me manter aquecido durante o frio lá fora, sem esperar abri uma das gavetas do guarda roupa e peguei o mapa junto de uma bússola, que meu avô havia me presenteado no natal passado. Segui para a cozinha e peguei a chave do carro, no momento eu não tinha tempo para comer, procurar o lago era minha prioridade.

Desci pelos lances de escada do edifício, seguindo até a garagem e entrei dentro do automóvel da família, desenrolei o papel amarelado dado por Mingi e o coloquei sobre o banco do carona, seguindo todas as orientações dadas nele. Vaguei alguns minutos pela rodovia principal da cidade, observando que a rota ditada pelo mapa era mais longa do que o esperado. Segui com atenção todas as instruções escritas no papel e ao chegar a um certo ponto da rodovia desviei para uma rua desconhecida por mim, e ao andar mais alguns quilômetros à frente me deparei com uma estrada de terra. Por pura insegurança chequei outra vez o mapa, mas a rota traçada em tom vermelho era exatamente por ali. Eu dirigia apreensivo e ansioso à procura do destino tão esperado à dias por mim.

Minhas mãos estavam suando e o volante parecia escorregadio demais. Eu continuei seguindo a rota e olhando por cima do ombro vez ou outra, tentando visualizar alguma parte ou cenário do sonho. Mas não havia nada. Eu simplesmente não relembrava.

Acima da estreita estrada de terra, possuía uma floresta de ciprestes, mas eu não a reconhecia, meus sonhos eram tão genuínos, mas tudo ali parecia tão estranho.

Enfim o caminho de terra acabou, deixando apenas uma trilha estreita no meio de árvores altas, busquei por sinal de seu celular, na esperança de mandar mensagem para Mingi, para saber se quando pequeno ele fazia aquela mesma trilha. Mas nada, nem se quer uma barrinha cheia. Então, respirei fundo e peguei a bússola, seguindo a orientação do mapa.

Adentrei a floresta mal iluminada, ouvindo o canto dos pássaros, o som do vento batendo nas copas das árvores e nenhum sinal de um lago, mas continuei sendo persistente, decidido de que não desistiria tão facil. Caminhei atentamente marcando a direção que havia entrado, para não correr o risco de me perder naquele lugar desconhecido e continuei me aprofundando cada vez mais na floresta.

Andei pacientemente por mais alguns minutos e parei exatamente em um ponto destacado no mapa. Segundo aquele papel, ali era localização do lago, mas no local havia apenas um enorme arbusto de folhas e galhos secos, então resolvi atravessá-lo na esperança de que o lago poderia estar do outro lado. E assim o fiz, passei pelos galhos secos sentindo alguns deles me arranharem mesmo por cima do moletom, mas não me importei com aquilo.

O sol da manhã refletiu pela água límpida e o barulho calmo ecoou em meus ouvidos. O lago estava ali, bem a minha frente, e sem conter minha felicidade um sorriso despontou em meus lábios. Caminhei pela grama verde indo até a beirada do lago e me ajoelhei tocando a água com as mãos, mas nada vinha em minha mente, absolutamente nada. Passei as mãos pelos cabelos, aflito, o ar ficou entalado em meus pulmões e engoli a seco.

Me levantei de abrupto e de repente deixei com que o mapa caísse sobre o chão, fazendo com que o papel se molhasse com a grama úmida. Com um ataque de raiva, amassei o papel velho e o arremessei dentro d’água. O mapa flutuou sobre a superfície d’água, mas eu me sentia afundando e me afogando naquela água gélida. Eu tentei. Eu juro que realmente tentei. Pensei alto, me sentando pela grama húmida, agarrei meus cabelos entre os dedos, como se estivesse segurando a minha sanidade com aquele ato. Dez minutos depois e eu ainda estava ali, sentado na mesma posição e sentindo como se todas as minhas esperanças estivessem indo para os ares.


Notas Finais


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