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História Great - Capítulo 5


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Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 5 - Beco Diagonal


1

Erina não disse nada para a senhora Thompson sobre o “treinamento”, pois estava chateada demais para pensar em qualquer coisa. Subiu em seu quarto e olhou a gatinha siamesa Greta tendo um sono tranquilo. 

— Oi Greta. — Erina sentou-se próximo da gata, que acordou e começou a lamber a pata esquerda — Queria ser como você. Gatos não precisam ouvir ofensas das pessoas... gatos não precisam se preocupar se vão ou não agradar alguém... gatos não ofendem e não ferem nossos sentimentos. Vocês só precisam é de amor e carinho. — Erina fazia carinho na cabeça de Greta — Por isso que amo tanto os animais da fazenda. — Erina derramou mais lágrimas, mas as enxugou — Bem, preciso continuar com as tarefas que amanhã preciso comprar meu material para o próximo ano. 

Erina fez todas as suas tarefas domésticas, visitou a casa de repouso para aprender algumas coisas de cozinha com Iara e tentou a primeira receita de um bolo de abóbora integral, mas o resultado não ficou como esperado. O senhor Newton Scamander não reclamou, mas deu para notar que não havia gostado; o senhor Angus Iowe comeu como uma gralha e ainda pediu outro pedaço e a senhora Eileen Snape não quis comer por estar irritada demais com seu filho. 

— Severo não vai aparecer para tomar o café? — perguntou o senhor Newt. 

— Eu não sei. — disse a senhora Snape — Dele eu não quero saber por um bom tempo. Severo traiu a minha confiança e acabou indo visitar aquele déspota do Lúcio Malfoy. E o pior de tudo, levou a Erina com ele. — naquele instante, Erina servia para o senhor Newt uma xícara de café com leite — Aposto que falou um monte de bobagens para a menina. 

Erina preferiu não se manifestar e voltou para a cozinha lavar a louça e escutava a conversa deles. 

— Não acha que está exagerando? Com certeza Severo levou a menina para conhecê-lo. — disse Newton — Eles são amigos, não? 

— Eu não acredito que está falando isso, Newton. É do Lúcio Malfoy que estamos falando! De um Comensal da Morte. 

— Mas ele pode ter se arrependido. Todos merecem uma segunda chance. 

— Seu espiritismo de lufano não vai me persuadir, Newton. Severo me decepciona cada dia mais. Mas sabem de quem é a culpa? Do Tobias. O desgraçado do pai dele influenciou tanto esse menino que vejam o que aconteceu. Só se mete com gente ruim. Eu não criei filho para ser assim. Queria que Severo fosse uma boa pessoa, mesmo com todas as dificuldades que passamos, mas não. Ele prefere se meter com elitistas. 

Erina ficou com raiva das palavras de Eileen, apertando o copo que lavava com tanta força que acabou quebrando-o. Iara que estava ao lado e servindo pedaços do bolo, ouviu o estilhaço e correu para a pia, vendo as mãos de Erina sangrando e a mesma, paralisada. 

— Meu Deus, menininha. Suas mãos. 

Erina não entendeu o que tinha acontecido e quando viu, sua mão direita estava com espuma se misturando com o vermelho do sangue mais os cacos presos sobre os cortes que ficaram manchados. Era como se tivesse despertado de um transe estranho e mal sentia dor. 

— E-eu não percebi... d-desculpa senhora Iara. 

— Desculpa nada. Lava bem esses ferimentos que... o que é isso nos seus olhos? 

— Meus olhos? O que tem eles? 

— Gente... vem ver uma coisa. 

Os três se levantaram para ver o que Erina tinha e ambos se surpreenderam. 

— Caramba... e-eu nunca tinha visto algo assim... — disse Angus. 

— Vocês estão me assustando. — disse a menina que estava com as mãos sendo lavadas por Iara (agora começara a sentir dor) — Falem o que tem nos meus olhos. 

— Eles estão fazendo drama a toa. — disse Eileen — Seus olhos estão púrpura. Apenas isso. 

— Púrpura? Por que? 

— Olha... eu só vi apenas uma pessoa na minha vida que tinha estes olhos. — disse Newton — Foi em uma viagem ao Brasil, onde fui conhecer algumas tribos da Floresta Amazônica e salvar animais mágicos de clandestinos. Eu me encontrei com um bruxo com a cor dos olhos exatamente assim. Ele tinha poderes esquisitos. Fazia levitar as coisas sem usar varinha, sabia o que se passava em nossos corpos e conseguia ver dentre nossas almas. Foi algo... estranho. 

— Não coloque tanta coisa na cabeça da menina Newton. — disse Angus — Isso deve ser indisposição. Olha só. Está melhorando. 

— É mesmo. Não está mais púrpura e nem brilha. 

— Menininha, é melhor você voltar para a sua casa. — disse Iara — Eu agradeço muito a sua ajuda, mas você não está em condições de trabalhar. 

— T-tudo bem. 

Após ter sua mão enfaixada e com o sangue estancado — via toda a hora os cortes feitos na palma, uns quatro no total — Erina voltou para a casa e descansou um pouco, pois daqui a pouco deveria ir até o Beco Diagonal comprar seus materiais. O bom daquilo tudo é que estaria junto de Snape e poderia ter o seu tão sonhado encontro com o amado. 

Subiu até o quarto e vestiu algumas roupas: saia azul escuro que ia até metade da perna (Erina amava essas saias), camisa florida e uma jaqueta bege. Foi até a mesa da cozinha pegar a lista de compras, o saquinho de moedas e se dirigiu a lareira, pegando um pouco de pó de flu.

— Caldeirão Furado. 

Jogou o pó e desapareceu e reapareceu em um grande estabelecimento que estava cheio de bruxos e bruxas que falavam alto e bebiam muito. Também tinha outros bruxos saindo do segundo andar do pub, onde ficavam quartos para hóspedes. Aquele era o Caldeirão Furado, uma das principais portas de entrada para o Beco Diagonal e era lá que se encontraria com Severo Snape. 

Procurou algum lugar vazio e sentou-se. Viu de longe, em uma mesa duas pessoas as quais conhecia somente por imagens de jornal: a editora-chefe (e boateira) do Profeta Diário, Rita Skeeter, a ministra da magia Millicent Bagnold e uma outra mulher de cabelos brancos que usava um vestido preto brilhante e um chapéu com várias penas de pavão em cima. 

Erina queria ouvir o que as três mulheres conversavam, mas o falatório do pub com certeza não deixaria que isso ocorresse. Desviou o olhar e esperou por Snape. 

Demorou alguns minutos para olhar até a lareira do Caldeirão Furado e ver Snape saindo dentre as chamas esverdeadas e caminhando na sua direção, sempre usando suas vestes negras coberto por uma capa da mesma cor que lhe deixava com um ar ainda mais enigmático. 

— Sevinho! — Erina se levantou e lhe deu um abraço. 

— Oi Nina. — Snape lhe deu um beijo na cabeça. 

— V-você me chamou de Nina? 

— Chamei, ora. Agora só você pode chamar as pessoas por apelidos, é? 

— C-claro que não. É que eu achei muito fofo... — Erina ficou levemente corada. 

— O que você fez na mão? 

— Ah é que... — Erina olhou para a própria palma da mão enfaixada — Sua mãe me irritou na hora do café. Ela começou a falar um monte de groselhas sobre você, e acabei quebrando o copo quando estava lavando a louça. 

— Minha mãe conseguiu fazer você sentir tanta raiva a ponto de quebrar um copo com as próprias mãos? Juro que não estou surpreso ao ouvir isso. 

— O pior é que... o pessoal lá começou a dizer que meus olhos haviam mudado de cor. Estavam púrpuras e brilhando. Eu também não me toquei quando quebrei o copo e só vi o sangue escorrendo assim que a dona Iara começou a gritar. 

— Olhos púrpura? É... muito estranho, mas sinceramente, eu não subestimo o talento da minha mãe para irritar as pessoas. Por isso que nem saí do meu quarto hoje para tomar o café e preferi que a dona Iara trouxesse para mim. 

— Ainda tá muito irritado por ontem né? 

— Você não sabe o quanto. 

— Sevinho... quem é aquela mulher de chapéu com pena de pavão que está conversando com a ministra? 

— Não sabe quem é? Essa mulher está sempre estampando as capas do Profeta Diário ultimamente — mesmo assim, Erina fez não com a cabeça — Tudo bem. É a Ministra da Magia do Brasil, Helena Montenegro. 

— A ministra do Brasil está aqui? Por que? 

— Provavelmente pelo Torneio Tribruxo das Américas. 

— Tá, mas... era para o presidente dos Estados Unidos estar presente também... 

— O presidente do MACUSA é um pouco reservado... 

— Queria ser muito um animago agora só para ouvir o que as três estão conversando... 

Erina olhou para a entrada do Caldeirão Furado e viu uma menina de cabelos rosa curtos modelados sob um topete de mais ou menos quinze anos, usando um colete amarelo e calça de couro cinza. 

— É a Tonks! — disse Erina. 

— Vai me dizer agora que é amiga de Ninfadora Tonks... — disse Snape com os olhos atravessados. 

— Sou. Pelo menos, diferente da Tulipa, a Tonks nunca me julgou por eu ser “a inteligente”. E outra que: se você pode ser amigo do Lúcio Malfoy, eu posso ser amiga da Tonks, da Tulipa e da Ever. 

— Está bem. Mas vou adorar dizer um grande “eu avisei” quando algum deles te trair. 

— Digo o mesmo, Sevinho. Já volto. 

Erina se levantou e foi até a mesa de Tonks, que quando a viu abriu um largo sorriso. 

— ERINA! — gritou Tonks, se levantando e dando um forte abraço na menina — A gente quase não se falou no ano passado. Que aconteceu, contigo? 

— Você sabe... problemas com o Georgino e o Elder, o Robert querendo me matar e estudos. 

— Corvinos amam tanto o livros para ficarem com eles grudados na cara? 

— No meu caso sim. Mas sabe... não foi apenas isso que aconteceu. 

— Que? Os boatos são verdade? Cê tá namorando o professor Snape? 

— Shh... — Erina tampou a boca de Tonks — Não alto, por favor. A ministra está aqui. 

— D-duvido q-que ela vá ouvir... — Erina tirou as mãos da boca de Tonks para ouvi-la melhor — O lugar tá cheio. Mas nossa... que estranho esse seu gosto por namorados. 

— Por que estranho? 

— Sei lá... o Snape não é do tipo do cara que eu queria como namorado. E também que eu acho beijo algo asqueroso. Nunca vou namorar na minha vida, credo. 

— Nunca diga nunca, Tonks. 

— Veio comprar os materiais para o quinto ano, monitora? — Erina riu. 

— S-sim. Com o Se... eu posso chamá-lo de Sevinho na sua frente né? 

Tonks começou a rir alto. Erina se desesperou e viu que Snape estava a encarando com desconfiança. 

— Caralho... que escroto. Deste jeito eu nunca mais vou ter medo dele. Você quem inventou? 

— Sim, foi. Qual é o problema? 

— N-nada não, mas isso será de muita utilidade. 

— O que você vai aprontar, hein Tonks? 

— Aguarde, monitora. Eu vou te dar muita dor de cabeça este ano. 

— Veremos. 

As duas se despediram e Erina voltou para a mesa. 

— Do que Tonks ria? — perguntou Snape. 

Erina sabia que, se mentisse, ele leria a sua mente. Então contou a verdade. 

— Do apelido que eu te dei. 

— Contou a ela sobre nossa relação? 

— Todos os meus amigos sabem. Acho que, se não fosse por eles, a gente nem estaria juntos. 

— Óbvio que não. — Snape se levantou e estendeu os braços — Vamos comprar suas coisas. 

Erina lhe abraçou forte, sendo retribuída pelo mesmo. Os dois foram para os fundos do Caldeirão Furado, onde Snape tocou três vezes na parede de tijolos com a varinha, abrindo a passagem para o Beco Diagonal. O lugar estava ainda mais cheio e movimentado do que o próprio pub com bruxos e bruxas correndo por todos os cantos comprando diversos materiais. Também viu várias crianças vestindo uniformes de Hogwarts com as cores básicas, indicando a primeira vez de muitos. 

— Vamos ter muitos alunos novos este ano. — disse Erina — E vou estar ajudando eles a conhecer a escola. Não sei se estou pronta para isso...

— Vai estar. Eu sei que vai. 

Erina deu um sorriso e arrastou Snape até a Floreios e Borrões, sua loja favorita do Beco Diagonal. Comprou os livros para o quinto ano — e alguns a mais — penas, tinteiros e muitos livros em branco, que até mesmo o próprio Snape estranhou. 

— Para que tantos livros em branco? 

— Eu gosto de escrever. Faço anotações de tudo que aprendo e coloco na minha biblioteca particular. Você sabia que todo corvino tem sua própria biblioteca? 

— Sim, sim eu sei de tudo isso. Podemos só voltar às compras? 

— Você também precisa comprar coisas, não é? 

— Sim. Talvez um encadernado novo para anotar nomes de alunos desobedientes e enviá-los direto para a detenção como Ninfadora Tonks, Tulipa Karasu, Ever Molin, Zara Reid... 

— Não comece Sevinho. Sei que está querendo me provocar. 

— E estou mesmo. Mas é brincadeira... uma brincadeira que com certeza será real... 

Erina passou na Farmácia e comprou componentes para poções e depois um caldeirão novo e maior. Comprou também vestes novas na Madame Malkin, Roupas para Todas as Ocasiões, pois as que usava já estavam pequenas e desgastadas. Também passou de relance na loja Artigos de Qualidade para Quadribol e viu uma vassoura em lançamento que estava na vitrine. 

— C-caramba... é uma Cleansweep Seven... nem todo o dinheiro que a mamãe ganha confeccionando daria para comprar uma dessas... 

— E a sua vassoura não é boa? — perguntou Snape. 

— É, mas... tá velha e com o cabo quebrado, graças ao Georgino que me empurrou na partida final. 

— Quando foi que se interessou tanto em artigos para Quadribol? 

— Desde que eu virei apanhadora. Não são aficionada como a Zara, mas sabe, queria tanto poder ter uma vassoura boa. Mamãe iria ficar orgulhosa de mim. Fazer o que? Por isso que quero muito ser auror ou trabalhar no Departamento de Mistérios para que a gente tenha uma vida boa. 

— Você me lembra quando eu era pequeno falando assim... 

— Só que no seu caso, foi mais: virou professor de Hogwarts. 

— Tem suas vantagens e desvantagens. Melhor voltarmos para a casa. 

— Sim. Já comprei tudo. 

Snape segurou nas mãos de Erina, e afastou sua capa, cobrindo os dois e desaparecendo e aparecendo do lado de fora do casarão da casa de repouso. 

— Creio que esta seja a última vez que nos veremos antes das aulas. — disse Snape. 

— Foi tão bom estes momentos que passamos juntos. Podemos sair quando formos para Hogsmeade. 

— Teremos pouco tempo para visitarmos a aldeia, mas quem sabe. — Erina sorriu — E lembre-se: lá, eu sou professor Snape e não Sevinho. 

— E eu sou senhorita Thompson e não Nina. 

Erina correu e deu um abraço, olhando depois para Snape, que lhe hipnotizava com seus olhos negros. Fechou as pálpebras e seus lábios foram tocados suavemente, em um beijo cheio de amor e ternura, misturado com a saudade que ficariam durante aquela semana que não se veriam até a escola. A menina abriu os olhos de volta e depois deu-lhe um beijo rápido, pegou seus materiais e voltou para a fazenda. 

— Mamãe, cheguei. — mas quando Erina abriu a porta, não encontrou a senhora Thompson na sala — Mamãe... voltei do Beco Diagonal. 

Erina deixou tudo em cima da mesa e foi para seu quarto, e encontrou a sua mãe com um rosto muito sério e segurando o livro Magia Muy Maligna. Erina ficou em estado de choque e totalmente paralisada. 

— Onde você conseguiu este livro? 

— M-mamãe? 

— Te fiz uma pergunta, menina. Onde você conseguiu esse livro? 

— E-eu... mamãe... d-deixa eu explicar... 

— Pois eu quero mesmo uma explicação. Você tem o conhecimento de que este é um dos livros que Dumbledore mandou que retirassem da escola por ser altamente perigoso? Eu quero saber porque essa porcaria está com você. Agora eu entendi porque anteontem estava escutando choros enquanto falava com o seu professor. Veio deste livro aqui, não veio? 

— S-sim, mãe... 

— Então fale logo o que isso está fazendo... 

— Foi o diretor. E-ele que disse para eu ficar e guardar com a minha vida. E-eu o encontrei na posse do Robert Johnson e o diretor disse que ele ficaria mais seguro comigo. Por favor mamãe, só estou guardando-o porque Dumbledore pediu. A s-senhora pode mandar uma coruja que... 

— Chega. Bem... se o diretor mandou que guardasse o livro, então não serei eu que vou questionar as decisões de Dumbledore, mas eu não quero que leve-o na escola, entendeu? 

— Sim, mamãe. 

— Leu alguma coisa daqui? 

— Claro que li, mamãe. A senhora sabe que eu sou curiosa, mas foi só por fins acadêmicos. Não vou me sucumbir às trevas. 

— Espero mesmo. 

Claro que Erina pegou um dos seus novos livros em branco e anotou alguns feitiços do livro que poderiam ser úteis em Defesa Contra as Artes das Trevas e guardou-o de volta na sua prateleira com seus lamúrios ecoando por todo o canto. 

Agora era esperar para o início do ano letivo.



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