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História Greatness - Capítulo 6


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Notas do Autor


Oiee, voltei mais uma semana e finalmente aquele hiato acabou e eu estou de volta a ativa, inclusive eu fiz "Teasers" dos personagens, que tão lá no Wattpad nos "00".
Não tenho muito o que dizer, boa leitura a todos :3

Capítulo 6 - O Primeiro Pecado


Fanfic / Fanfiction Greatness - Capítulo 6 - O Primeiro Pecado

Taehyung acordou ao som de um tec-tec um tanto quanto irritante, a claridade daquela sala de paredes pintadas de branco, a visão turva o fez olhar para os quatro cantos com uma imagem duplicada, a cabeça pendeu para um lado de maneira zonza enquanto ele ainda tentava decifrar o lugar onde se encontrava. Olhou para o lençol fino a sua frente e o retirou.

Um som de cadeira arrastando foi ouvido assim que ele se sentou na ponta da cama, os barulhos de tec-tec também cessaram por um instante, em sua frente estava uma cortina branca feita de um tecido bem fino e bruscamente esta foi puxada assustando o garoto que deu um grito tão fino quanto vergonhoso.

— Não precisa se assustar, garotão. — Um homem alto com roupas brancas sorriu lindamente, deixando Taehyung encantado e com vergonha.

— Desculpe, mas foi inevitável! — Respondeu se recompondo.

— Seu primo acordou a pouco. — Sorriu para o garoto o ajudando a levantar.

— Onde eu estou? — Perguntou sentindo muito frio, aquela sala era gelada e tudo nela tinha um ar mórbido muito desconfortável. — E onde ele está?

— Foi para o quarto dele, deve estar se arrumando para a apresentação, algo que você também deve fazer! — Disse. — E antes que pergunte, você está no consultório médico, eu sei que não deveria, mas te tirei da enfermaria a poucos minutos e o trouxe para cá.

— Por que fez isso?

— Queria estudar sua coluna, essas deformidades nos seus ossos parecem incomodar. — Disse rapidamente, Taehynug mordeu o lábio inferior sentindo-se incomodado pelo modo como aquele médico falava de seus problemas. Era impossível escondê-los, afinal os próprios ossos da face eram diferentes da maioria, mas ele não gostava de maneira alguma que as pessoas reparassem, mesmo que não pudesse evitar, situações como aquela aconteceriam uma hora ou outra. — Me chamo Hoseok, aliás. — Sorriu.

— Oi... — Falou sem jeito tentando não transparecer sua frustração, o médico era extremamente bonito e parecia ser uma pessoa simpática, então o pagão tentou ao máximo dizer para si mesmo que ele não faz por mal, ou pelo menos não tinha más intenções quando o usou como "cobaia" para estudos.

— Você sente dor nas costas? — O médico perguntou voltando a teclar na máquina estranha, cheia de botões e com um papel que era atingido por uma haste de metal, Taehyung notou que letras eram grafadas ali, formando palavras.

— Depende, geralmente no frio não muito, mas no calor eu tenho que ficar de cama, pois minha coluna não me deixa nem andar. — Respondeu tentando deixar seu incômodo de lado, ele estava de frente a um médico, treinado e estudado, quem sabe poderia haver uma cura para sua maior aflição, se apegou a esperança de que aquele desconhecido de branco tinha talvez uma resposta.

— Soube que Eryse é muito quente, você deve viver de cama. — Falou dando mais "tics" na máquina estranha. — Sua coluna tem um formato exato de "S", é lindo o modo como é trágico.

— Só trágico por favor, parece mais condizente com a realidade. — Tae continuou olhando ao redor.

— Não diga essas coisas tão pessimistas, você é um rapaz forte e eu tenho certeza que algo aqui pode te ajudar. — Sorriu levantando-se e indo até um dos grandes armários de madeira no canto, estavam cheios de frascos e outras coisas que o caipira não conseguiu enxergar. — Há muitos remédios novos que chegaram, poções analgésicas. — Pegou um frasco. — Feitiços de cura para osso quebrado, o Sacerdote enviou para cá antes dos soldados novos chegarem, ele não manda muitos, mas para a sua sorte o carregamento veio cheio. — Falou levando os frascos até uma mesa próxima, analisando cada um e anotando algo em seu caderno.

— O que está fazendo?

— Vendo as fórmulas corretas, eu tenho certeza que se misturar esses encantamentos eu posso criar uma cura para sua coluna, infelizmente não tenho materiais para reformar seus ossos, mas uma coisa de cada vez, certo? — Perguntou, não dando tempo para que o outro respondesse, Hoseok gostava muito de falar, mas ele não se tocava daquilo, era quase uma compulsão quando estava empolgado com algo, lembrava-se do juramento que fez anos atrás quando se iniciou nesse ramo, jamais esqueceria os motivos um tanto quanto sórdidos que o levaram a estar ali naquela posição, mas garotos como o tal Taehyung eram exatamente aqueles que ele deveria ajudar a todo custo.

— Senhor... — Tae tentou sem sucesso chamá-lo.

— Eu chamo de a "ciência da magia", para falar a verdade não tem nada muito mágico nestes frascos, apenas coisas feitas ou abençoadas pelo Sacerdote com algo que eu não sei, mas sou um Anellin e minha vó era curandeira, então conheço bastante sobre plantas e ervas. — Começou a misturar os ingredientes novamente. — Eu fiz um curso de feitiçaria na faculdade. — Gargalhou.

— Senhor pare, por favor! — Tae pediu tentando chamar a atenção do homem, o olhar de Hoseok foi uma mistura de confusão com medo, a feição do garoto era séria e por algum motivo sentia que levaria uma bronca.

— Há algo errado?

— Na verdade sim, obrigado por sua boa vontade e por ter tanto trabalho por mim. — Levantou-se da cama e se curvou em sinal de respeito. — Mas eu não posso aceitar esses remédios mágicos.

— Por que não? — Perguntou encabulado. — Eles podem te ajudar.

— Mas não é esse tipo de ajuda que eu quero. — Fechou os punhos e acertou a postura da melhor forma que pode. — Eu não sou um Dualista, sou um pagão de Ninnyillin, respeito muito a crença de vocês aqui em Aurum, mesmo que não seja recíproco. — Havia uma mágoa muito grande na voz do rapaz, e Hoseok notou isso, deixando o sorriso desaparecer por completo, dando lugar a uma face de preocupação e incerteza. — A magia do Sacerdote vai contra tudo o que eu acredito.

— Sinto muito, eu não sabia... — Hoseok não sabia onde enfiar sua cara, ele sentia-se mal por não perguntar se havia alguma aversão aos tratamentos convencionais, mesmo que este quase nunca fosse o caso.

— Não me entenda mal, mas eu acredito que a feitiçaria é imoral! — Tentou não ser ríspido em suas palavras, percebeu que o médico já estava desconcertado o suficiente. — Pode me dizer onde é meu dormitório? — Perguntou. — Preciso me aprontar.

— Claro, claro... — Respondeu esticando o braço para a porta de saída, Taehyung colocou suas botas e foi na direção indicada.

— Tae, espere! —Hoseok não tinha intimidade para chamá-lo assim, e o olhar de surpresa do garoto revelou isso, mas o pagão não estava ofendido. O médico estendeu um pirulito e vermelho para o garoto que segurou sentindo as bochechas. 

— O que...? — Perguntou sem jeito segurando o doce e olhando  o caramelo em um perfeito formado de coração. 

— Desculpe se te ofendi, tome esse doce e tente me desculpar, ok? — Perguntou dando um tapinha no ombro do garoto que sorriu e agradeceu. Taehyung não sabia se gostava de doces ou não, nunca tinha comigo em sua vida, doces são prazer, e prazer é pecado, seu pai sempre dizia isso. Viu uma lixeira e logo seu primeiro pensamento foi jogar o doce fora, Hoseok jamais saberia, mas pela primeira vez em sua vida resolveu não seguir o que seu pai dizia, abriu a embalagem e colocou-o na boca com muita relutância, no fim, ele não se sentia diferente. 

⌘⌘⌘

Chegando na Ala F ele olhou de soslaio para todos os mínimos cantos, o lugar em si era uma área extremamente escura, a janela pequena no final do corredor quase não iluminava e as portas de ferro com uma janelinha de vidro no centro deixavam o lugar ainda mais ameaçador.

Sentia-se preso como um pássaro engaiolado, mas sem grades para mostrar-lhe a visão de um belo mundo ao seu redor, era apenas paredes cinzas e portas de ferro. Tocou na maçaneta gelada sentindo seu corpo arrepiar, não estava preparado para o que viria a enfrentar, mas teria que ser forte, Hoseok o avisou que Jeon estava na Ala B, a apenas quinze corredores dali. Então já com a ciência de que não seria acompanhado por um conhecido para amenizar seu sofrimento dentro daquele buraco do inferno, ele entrou.

Três garotos conversavam sobre algo na cama, havia cartas em um caixote de madeira na qual os mesmos se aglomeravam. Os olhares se viraram para Taehyung que sentiu um frio na barriga no mesmo instante, ficou em silêncio parado sem saber o que dizer.

— Um Duende comeu a sua língua? — Um dos rapazes perguntou sorrindo de lado. — Não tenha medo, não vamos morder. — Um dos garotos falou, ele era loiro e tinha um olho vermelho, "provavelmente um mestiço de elfos" pensou Taehyung.

— Só se você pedir. — Outro falou, este era castanho e aparentava ser tão normal quando o terceiro, que após sua fala lhe deu um tapa na cabeça.

— Não seja desrespeitoso com o garoto, prazer eu sou Heike! — O loiro disse, sente aqui conosco. — Ofereceu um lugar.

— Sou Ismar. — O castanho disse.

— Meu nome é Ary. — O garoto que até então não disse nada se pronunciou, Taehyung ainda meio receoso sentou-se onde lhe foi indicado, meio acanhado apenas observava o tal do Heike mexer nas cartas de um lado para o outro e desembolar uma quantidade em sua frente.

— Oi... — Falou num fio de voz. — Me chamo Taehyung, muito prazer em conhecer vocês!

— Você é de Eryse não é? — Ary perguntou virando sua atenção para o garoto, aquilo foi o suficiente para dar-lhe um arrepio na espinha.

— Sim... — Era melhor dizer aquilo do que falar que era um Ninnyllin. Estava com medo de como aquela conversa poderia se desenrolar, tinha medo que batessem nele ou começassem a perseguí-lo, visto que não tinha a menor condição de se defender, ao menos não contra três.

— Reconheci pelo sotaque. — Ary sorriu e virou-se para frente.

— Nós somos de Pik, um vilarejo em Morsch. — Heike falou. — Pois é, você deve estar se perguntando o porquê de Aurianos estarem nos exércitos.

— Sim, eu comecei a me perguntar isso, achei que só estrangeiros servissem a força militar. — Respondeu.

— Não é verdade, mas imagino que seja isso que divulgam no seu país. Nós entramos por vontade própria. — Heike disse.

— Queremos integrar o batalhão da polícia militar em nossa cidade. Então meio que é obrigatório servir ao exército por pelo menos um ano. — Ismar falou levantando as cartas.

— Vai querer jogar? — Ary perguntou. Taehyung olhou para as cartas em sua frente com certo receio, seu pai já havia falado com ele sobre jogos de azar, de como aquelas diversões maliciosas eram prejudiciais e induzem os jogadores a pecarem, a caírem na tentação, apostas, perdas e muito dinheiro envolvido, sempre acabava em morte e desgraça, e Taehyung fazer parte de um ambiente como aquele e se tornar parte dos jogadores, seria sua cartilha de aprovação para o inferno mais quente, onde ele arderá eternamente pelos seus pecados.

— Muito obrigado, mas não. — Tae respondeu procurando sua cama. — Estou meio cansado, vou dormir agora, tem alguém deitado aqui?

— Não, pode ficar com essa, suas coisas foram trazidas para o baú marrom perto da janela. — Ary respondeu se voltando para as cartas.

— Você não vai querer dormir agora, vai? — Heike perguntou, Taehyung parou de arrumar os lençóis e focou no garoto com uma feição aparente de dúvida. — Daqui a pouco será a apresentação, só vamos dormir depois que os oficiais passarem as regras e nós sermos apresentados a equipe.

Não deu tempo de nenhum deles reagir, um alarme alto soou assim como um estrondo gigante, todos foram para fora e uma farda foi jogadas nos braços de Taehyung que a vestiu com muita pressa, em alguns minutos todos os garotos estavam em pé ao lado de suas "celas", era como o pagão encarava os quartos. Nada parecia aconchegante naquele lugar.

Uma marcha iniciou e todos foram até o andar de baixo, no grande salão cheio de cadeiras, era uma auditório com grandes pilares nas paredes e um palco imenso, as fileiras foram divididas de acordo com as alas que os soldados dormiam, ao longe Jungkook avistou seu primo chegar, estava em uma fila à sua direita depois de algumas pessoas.

— Tem tanta gente aqui! — Ouviu uma voz falar ao se ouvido, Taehyung olhou para o lado e avistou uma mulher de cabelos negros lisos, presos a um rabo de cavalo alto no topo de sua cabeça, e então notou uma fileira apenas de mulheres.

— Não sabia que haviam mulheres militares... — O pagão comentou com Heike que estava a sua frente.

— Existem sim, muitas até, as alas são separadas assim, Ala A é apenas de mulheres, B de homens e C de animais, e por aí vai, aprendi com meu pai então não tenho tido muitas surpresas desde que cheguei. — Respondeu sorrindo de lado.

— Todos em silêncio. — Uma voz grossa falou alto, um homem de meia idade entrou vestindo uma farda azul com vários distintivos em seu peito, subiu ao púlpito direcionando seu olhar para todos, tinha uma aparência assustadora e uma feição de raiva, umedeceu os lábios antes de dar mais uma olhada e dizer alto:

— Peço a atenção de todos. — Conseguiu, pois todos agora se concentram unicamente em sua direção, sua voz estava amplificada, a maioria dos garotos se perguntaram se aquilo era magia e para quase todos parecia uma explicação plausível. — Me chamo Niki Toczayk, sou o coordenador deste adorável quartel, lugar onde passarão os próximos dois anos de suas vidas, talvez mais se assim quiserem. — Riu, um riso carregado de malícia e esperteza, Jungkook sentiu imediatamente, enquanto o primo acanhou-se pela voz avassaladora daquele homem.

Houve um momento de pausa nas declarações do coordenador, um momento que jungkook usou para aproveitar e olhar bem as pessoas ao seu redor, tinham muitas, pelo menos cem apenas naquele salão, animais de todos os tipos, reparou em especial no tigre que andava em duas patas ao seu lado, ele parecia assustado, era um tanto quanto mais gordo do que se espera de um tigre.

— Sejam bem vindos, e agora conheçam os funcionários e seus superiores. — Ao proferir aquelas palavras a porta de ferro na lateral esquerda foi aberta, uma fila de homens e mulheres se abriu. Os soldados reconheceram o rosto da mulher que foi até o centro do Púlpito, Taehyung notou que Hoseok estava ali também, ao lado de outros médicos.

— É um enorme prazer ver vocês aqui este ano, me chamo Rachel Rox e sou a diretora do quartel Might e também a capitã da polícia militar de Aurum, este ano resolvi ficar um pouco longe dos meus afazeres na capital e me dedicar a ensinar jovens como vocês a serem poderosos soldados. — Sorriu. — Aqui estão todos os funcionários desta instituição, cada um deles se apresentará para que possam conhecê-los, e em seguida as regras serão ditas. Agora fiquem com meu marido, que será o primeiro a se apresentar. — Dito isto, Hoseok subiu ao centro do palco.

— Olá, me chamo Jung Hoseok e sou o cirurgião chefe e coordenador da ala médica daqui, é um prazer conhecer vocês. — Fez uma reverência e desceu.

Todos os outros homens e mulheres e alguns animais também se apresentaram da mesma forma, o último rapaz subiu ao palco e logo os cochichos se iniciaram, ele tinha cabelos loiros belos e macios, lábios rosados que contrastavam com seus olhos azuis perfeitos como uma safira.

Jungkook sentiu algo em sua barriga apertar quando seu olhar recaiu sobre o rapaz, todos falavam baixo sobre ele, uma conversa que não ocorreu com nenhum dos outros funcionários, os primos se perguntaram o que ele tinha de tão especial para gerar essa repercussão, O senhor Niki então disse um "shiu" arrastado que foi capaz de instaurar o silêncio naquele enorme salão com paredes pintadas de preto.

— Me chamo Park Jimin, e sou um ex-soldado admitido como comandante do 12 batalhão das tropas do norte. Serei o treinador de algumas alas aqui e espero que possam fazer um bom trabalho. — Sorriu docemente, ninguém naquele lugar conseguiu desviar os olhos do rapaz, sua beleza era tamanha que custavam a acreditar que fosse real, um ser perfeito que parece esculpido pelos anjos de uma maneira que nada poderia resumir mais do que "divino".

Antes que ele tivesse a chance de descer do palco as tochas que ficavam no canto do salão foram acesas como em uma grande explosão, todos olharam espantados inclusive os funcionários que pararam um momento para observar e analisar a situação.

— Todos em posição, agora! — Rachel gritou, as filas foram alinhadas em perfeita ordem, a porta de ferro de entrada no centro do salão foi escancarada pelo vento forte que tomou conta do ambiente, ninguém tinha permissão para olhar para trás, as punições eram conhecidas, mas Taehyung não resistiu a tentação quando ouviu os barulhos de passos pesados se aproximarem. 

Havia um grande tapete vermelho com bordados dourados, costurados perfeitamente na borda que formavam um símbolo um tanto quanto sagrado. Os passos tornaram-se mais próximos até que uma grande silhueta formou-se em sombra na luz que entrava do cômodo ao lado.

— Meu senhor! — Os funcionários falaram em uníssono abaixando-se com a mão no peito até ajoelharem-se. Os soldados ao poucos foram fazendo o mesmo, mas ninguém ao certo entendia o propósito daquilo.

Jungkook foi ao chão junto a seus companheiros, olhando de soslaio e vendo seu primo com certa dificuldade de fazer aquilo, se desequilibrando e quase caindo. Mudou a direção do olhar e viu um homem de meia idade, chegando na casa dos cinquenta, roupas pretas dos pés a cabeça, uma bengala com formato de dragão na borda, sapatos de bico fino, reconheceu serem caros, tanto pelo formato quanto pela qualidade.

— Caros soldados! — Sua voz grossa cortou os quatro cantos do quartel, todos levantaram a cabeça receosos olhando para o homem, tanto Heike quanto os outros arregalaram os olhos quando se depararam com a figura masculina.

— Não pode ser... — Ary falou, Taehyung notou lágrimas escorrendo pelo canto de seus olhos.

— O que não pode ser? quem é ele? — O pagão perguntou sentindo-se aflito.

— Me apresente! — O homem falou em direção a Rachel que levantou num pulo e falou em algo e bom som, colocando as mãos para trás:

— Todos reverenciem o Grande Sacerdote de Aurum, senhor Park Taeyoung, porta-voz dos Deuses-Gêmeos nesta Terra, o Senhor único da magia! — Todos repetiram a frase fazendo a mesma posição da mulher, menos Taehyung, que se recusava a saudar aquele homem, que tanto espalhou o ódio, que dizimou seu povo completamente.

— É realmente gratificante ver tantos rostos novos e jovens este ano. — Jungkook se irritou, ele falava num tom de estoicismo tão grande que talvez o próprio realmente acreditasse em tais palavras, o fazendeiro reconhecia uma pessoa ruim de longe quando a via, e aquele homem poderoso não era diferente de todos os outros Aurianos, sempre se achando os melhores, Jeon observou como Taeyoung reparava no rosto de cada um deles, não dando nome ao gado, mas sim números, pois isso era o que todos ali seriam a partir de agora, apenas algarismos em um rebanho pronto para o abate.

O olhar do Sacerdote se encontrou com Taehyung, que mesmo contra gosto mantinha a postura dura e ereta, mas o homem não pode deixar de notar os ossos deformados em seu rosto, um riso de lado foi percebido e o próprio pagão tomou consciência deste fato, por dentro Taeyoung ria da aparência do outro, debochava e pensava em como ele não duraria um mês.

— Infelizmente alguns dos nossos soldados não puderam estar aqui nesta noite, mas saibamos que... — Antes que Taeyoung pudesse terminar de falar a porta foi escancarada com um chute violento, todos olharam surpresos para o homem coberto de sangue andava a passos largos, deixando para trás várias pegadas molhadas do líquido vermelho e viscoso.

Ele subiu ao púlpito sem demora e tomou o lugar do Sacerdote que ficou abismado com tamanha insolência, o rapaz era alto e bonito, possuía cabelos escuros e um olhar mortal e amedrontador, sua voz grossa cortou a sala com as palavras proferidas em ódio:

— Bem vindos ao inferno seus sacos de merda, um conselho meu é aproveitem esta noite para dormir bem, pois será a última de tranquilidade que terão até saírem daqui. É fato que daqui a dois anos quando seu treinamento acabar 50% de vocês vai estar morto, 25% serão os assassinos e os outros 25% vão enlouquecer dentro dessas paredes, os tais loucos vão integrar a polícia militar de Aurum, então escolham bem os seus amigos, e lembrem-se bem que a vida de vocês não vale nada. — O homem disse.

— O que foi isso? — Rachel perguntou indignada se aproximando.

— Ah, perdão madame, não fui educado na presença de vossa alteza? — Falou com o mais puro sarcasmo enquanto seu olhar intercalava entre a mulher e o Sacerdote. — É um prazer conhecer vocês, meu nome é Min Yoongi e sou o capitão da guarda e líder de tropas de Aurum.

— Mas que história é essa? onde estão Phillip e os outros? — Rachel perguntou novamente.

— Todos mortos, O filho de Phillip felizmente sobreviveu e eu o trouxe até aqui, se tiver sorte vai sobreviver. — Sorriu debochado enquanto encarava a mulher, todos olhavam surpresos com tamanha audácia daquele homem, mas ninguém ousaria dizer nada, o pobre tigre gorduxo ao lado de Jungkook abanava o rabo e tremia, estava assustado. — Isso mesmo, todo o meu batalhão foi completamente morto, junto aos meus melhores amigos. — Virou-se para os soldados. — Prestem atenção rapazes, eu sou o futuro de vocês, isto é, torçam para serem iguais a mim. — Piscou numa soberba assustadora, ele parecia despretensioso e muito maquiavélico, se tinha a intenção de assustar os jovens ali, conseguiu.

— Já conversamos sobre isso. — Rachel falou entre dentes, chamando a atenção do homem.

— Já conversamos sobre isso, nhe nhe nhe. — Imitou a voz da mulher muito mais esganiçada e engraçada do que realmente era, fazendo todos ao redor darem risadas discretas, Jungkook num ato súbito gargalhou alto não conseguindo se controlar, Taeyoung olhava para tudo com indignação, detestava Yoongi justamente por sua falta de noção e senso de superioridade, tirando completamente o ar de respeito que aquele lugar possuía.

— Ei você! — Apontou para o Jeon que calou-se no mesmo instante vendo uma rodinha se abrir ao seu redor, ele estava na mira do Sacerdote. — Como ousa gargalhar de seu superior?

Jungkook nada disse.

— Dê um passo à frente. — Ordenou e assim foi feito. — Qual seu nome meu rapaz?

— Eu sou... — Tentou dizer, mas a voz não saiu. — Eu... — Seu coração acelerou, olhou para baixo e viu o chão sumir, sua visão estava turva, amoleceu e caiu no chão frio vendo tudo ficar escuro, a última coisa que conseguiu ver enquanto estava em plena consciência foi o Sacerdote também vir ao chão desmaiado. Um zumbido incômodo veio aos seus ouvidos conforme os gritos e o pânico se instalou naquele local, todos corriam sem saber ao certo para onde ir, mas Jungkook não tinha condições de se importar com o que aconteceria com seu corpo, não tinha mais forças para sequer importar-se.

⌘⌘⌘

Após todo aquele tumulto, Jimin aproveitou o tempo livre que tinha para tomar ar fresco do lado de fora do grande quartel, havia uma torre de vigilância na parte oeste onde quase ninguém ia, seu pequeno lugar isolado onde ele conseguia colocar os pensamentos em ordem e apenas aproveitar a solitude que de vez em quando era a única coisa que conseguia confortar seu coração.

A brisa gelada da noite batia em seu rosto e os arrepios vinham como um tapa de realidade, algo que o provocava constantemente que estava vivo, a luz da lua era clara e iluminava grande parte da enorme floresta que havia ao redor, o barulho do rio que cercava o quartel mostrava que os peixes estavam ativos, mesmo em uma hora como aquela, notou os raios de sol começarem a desbravar o céu azul e admirou-se por ver a lua e o sol unidos ao mesmo tempo. Era uma visão muito bonita, embora ele não tivesse o privilégio de apreciá-la sempre que aparecesse.

Continuou algumas horas ali, apenas refletindo sentado no banquinho de couro, vendo os pássaros voarem ao longe.

Jimin considerava-se sortudo, sua trajetória desde que por vontade própria resolveu entrar no quartel era um motivo de orgulho, a pessoa que se tornou durante os dois anos que esteve ali era uma prova da genuína evolução.

O loiro não era muito bom em aprender, era lerdo em certos pontos, mas era bom no que fazia quando conseguia assimilar os ensinamentos. Tinha um estranho ar de brilhantismo ao redor de si como se o próprio universo o parabenizasse por ser alguém tão grandioso e capaz de muitas coisas, a beleza ocasional permitia que ele se destacasse no meio da multidão, loiros não eram muito comuns e com certeza os traços orientais ajudaram em suas individualidades.

Sempre soube mesmo que de maneira inconsciente que estava destinado a grandeza, mas ainda sim reconhecia que ele havia muito mais para aprender do que ensinar, estava curioso e aflito para saber o que poderia passar de bom para os jovens soldados. Ele tinha uma vantagem natural de ter a magia correndo pelo sangue em suas veias, óbvio que isso não retirava seu mérito de ser um jovem sagaz que corria atrás de seus sonhos e se esforçava para conseguir o que queria e superar a si mesmo, mas não tinha certezas prontas para aquele ano, ao menos não como imaginou.

Decidiu voltar ao seu quarto - não estava com sono - mas não queria continuar ali, mesmo as reflexões sobre a vida levavam a um tédio, pegou o caminho mais longo, dando a volta pelo quartel observando cada parte do lugar, era gigantesco obviamente, nem mesmo ele que estava a anos ali conhecia completamente, haviam andares, alas e salões fechados e completamente interditados, no subsolo havia uma passagem de trilhos por onde um carrinho mineiro passava, mas ninguém tinha permissão de ir lá ou ver se ainda havia uma passagem secreta.

O Quartel foi construído há muitos anos, a segurança reforçada para que ninguém saísse sem permissão, havia apenas um portão por onde todos entravam, os muros cinzentos eram altos demais para que um humano conseguisse escalar, eram lisos e cobertos por óleo todos os dias, tornando-os escorregadios para que invasores não entrassem e caso conseguissem tivessem uma queda desastrosa e mortal.

No fim do corredor avistou o tal rapaz nomeado Jungkook saíndo de dentro da porta de ferro que levava a escada em espiral, Hoseok o tinha liberado. Desde que ele ficou conhecido como "o garoto que desmaiou o Sacerdote" muito foi especulado a seu respeito, as pessoas observavam muito e julgavam em cima disso, todos notaram suas roupas esfarrapadas, ele se vestia com o pior estilo e tinha um gosto terrível, Jimin pensou na possibilidade de ele não ter outra coisa para vestir, ele era um Erysense, e todos conheciam a pobreza extrema que havia naquele lugar.

Jungkook adentrou o corredor para se direcionar a seu quarto, ouviu as risadas e cochichos de todos ali caírem sobre si, estava apenas pensando em chegar logo em seu quarto para deitar e descansar, o treinamento começaria no dia seguinte e ninguém estava realmente disposto para aquilo, achou que seria tudo uma situação muito assustadora, mas pelo contrário ninguém ali realmente queria estar naquele lugar.

O loiro parou de prestar atenção nisso e começou a reparar em algumas rachaduras na parede, ele deveria informar a diretoria, Jimin não era nenhum supervisor e não tinha o dever de informar coisas como aquela, mas não pode evitar.

Bateu com a cabeça no chão quando colidiu com algo, o baque foi alto e logo todos os outros soldados curiosos se aproximaram, viu que o tal Jungkook também estava caído com a mão no rosto gemendo baixinho vários "ai, ai, ai".

— Ei garoto, por que não olha para onde anda? — Jimin perguntou furioso, num tom muito mais alto do que realmente usava, talvez fosse a dor falando por ele.

— Olha você, fica andando com a cara pra cima como se tivesse perdido o cu no teto! — O Jeon respondeu ainda sem olhar quem era o garoto.

— Você sabe quem sou eu? — Jimin perguntou rude, estava com muita raiva daquele garoto imprudente.

— Foda-se quem você é, eu não... — Calou-se quando olhou para a face angelical de Jimin. O coração dos dois acelerou naquele mesmo instante, uma sensação estranha veio da barriga até o peito, os olhares se cruzando e a atenção em cada mínimo movimento. O loiro colocou as mãos no peito se perguntando que sentimento repentino era aquele, olhou novamente para o outro e ambos verbalizaram ao mesmo tempo seus sentimentos:

— Desgosto!

Jungkook levantou-se irritado e estendendo a mão para Jimin que aceitou com certa relutância. 

— Babaca... — Jungkook sussurrou.

— O que? — Jimin perguntou indignado, o outro talvez estivesse surpreso que ele fosse capaz de ouví-lo.

— Eu não falei nada. — Foi cínico.

— Deixa que eu te ajudo a limpar sua camisa. — Jimin se ofereceu dando vários tapas seguidos nas costas do rapaz. — Pau no cu. — Sussurrou e depois riu para disfarçar.

— Filho da puta. — Jungkook respondeu entrando no deboche de se fazer de sonso.

— Vai pra puta que pariu.

— Só se sua mãe for comigo. — Ambos riram sem ânimo nenhum encarando um ao outro, na hora de ir em direção ao seu quarto o Jeon fez questão de dar uma ombrada no loiro que quase perdeu o equilíbrio, mas foi rápido e segurou-se na parede. — Oh, céus! — Debochou. — Me desculpe, eu não quis esbarrar em você! — Deu uma rasteira no garoto e saiu andando enquanto segurava o riso, não ligava para o que as pessoas fossem falar dele, queria apenas descansar.

Adentrou a porta de seu quarto e se jogou na cama, Mark entrou logo atrás com um olhar curioso e aflito. Virou-se para o Jeon que tinha em mente que não teria o tão esperado e merecido descanso, pelo menos não tão cedo.

— Estão todos falando de você.

— Imaginei que falariam. — Virou-se para o outro lado da cama tentando pegar no sono.

— Disseram que você bateu no príncipe de Aurum. — Jeon arregalou os olhos e virou-se para o outro com uma cara de "Quê".

— Quê? — Perguntou sem entender.

— Você bateu no príncipe de Aurum, o filho do Sacerdote. — Afirmou.

— Não, eu apenas "esbarrei". — Fez aspas com as mãos e rindo do momento que veio a sua cabeça. — Naquele garoto chatão, Jinmin eu acho que é o nome dele.

Mark apenas confirmou com o olhar, Jungkook sentiu algo tenso no ar, mas não sabia dizer quais as consequências que aquilo traria para ele.

— Eles não vão cortar minha cabeça fora, não é? — Perguntou. Mark apenas bufou sem conseguir dar uma resposta que satisfaria tanto a ele quanto ao outro, aconselhou que o mesmo fosse dormir.

⌘⌘⌘

Rachel entrou no consultório médico onde Hoseok estava sozinho, todo o resto da equipe de médicos tinha sido liberada, mas ele continuava ali entre aqueles montes de livros, a mulher sabia o que era, ele havia contado um dia antes sobre o tal garoto das costas em "S". A comandante agafou o cabelo escuro com as mãos chamando a atenção do médico que sorriu ao vê-la.

— Ray, o que faz aqui? — Perguntou recebendo um selinho doce da mesma.

— Senti saudades e vim te ver, ainda pesquisando sobre ossos? — Perguntou dando uma olhada rápida nos livros de anatomia.

— Sim, aquele garoto me intriga, eu já vi casos de escoliose antes, mas nunca como a dele. Os ossos são afiados e pontudos, a arcada dentária dele é bestial, tem dentes afiados como os de uma fera, e o rosto... — Suspirou, era antiético falar sobre o quão repulsiva a aparência de um paciente era, mas com Taehyung era evidente.

— O espécime da pesquisa chegou a pouco tempo, não quer dar uma olhada? — A mulher perguntou.

— Trouxeram mesmo eu falando que não queria? — Ele levantou a sobrancelha.

— Não sou eu que mando nessas coisas, apenas assinei a notificação de entrega. — Deu os ombros.

— Vamos, acho que se eu ficar com ele vai ser melhor do que os outros doutores daqui, são pessoas legais, mas não tem muito senso ético. — Afirmou se levantando e acompanhando a mulher pelos corredores, desceram ao subsolo de elevador, pararam no crematório que estava fechado há alguns anos, as cinzas de todos os que morreram ali ainda residiam nas estantes empoeiradas, mas as marcas de botas no chão indicava que eles não eram os primeiros ali, pelo menos não naquela semana.

Hoseok empurrou um tijolo específico da parede e uma portinha se abriu ao lado da estante, entraram pelo corredor escuro e mal iluminado, os candelabros se acenderam e conforme caminhavam foram ouvido o som de martelos batendo no ferro.

O laboratório secreto do quartel havia sido construído e autorizado pelo próprio sacerdote longe dos olhos da esposa, a rainha era uma mulher na qual Hoseok tinha grande admiração, tanto pelos seus atos bondosos com o povo quanto por sua insistência em não ir para a guerra. Mas seu marido era diferente, almejava poder e não escondia esse fato, o laboratório foi erguido no intuito de realizar experimentos obscuros, caminhavam pela evolução de medicina, mas usando métodos desumanos.

— O que temos aqui, Pix? — Hoseok perguntou parando na mesa redonda onde o homem encapuzado esperava parado, com os dedos cruzados e cotovelos sobre a superfície de mármore.

— Eu encontrei essa criaturinha perdida enquanto estava no Deserto de Gan. — Estendeu um pote transparente com uma criaturinha dentro dele, parecia humano, mas tinha a pele azulada com grandes olhos pretos e asas em suas costas. — É um espécime raro, veio do mundo das fadas.

— Pra que ela seria útil para nós? — Hoseok perguntou com vontade de socar aquele homem, um contrabandista de seres mágicos.

— Soube que o Sacerdote valoriza muito o que é feito aqui, as fadas são seres mágicos extremamente misteriosos, talvez o segredo para a cura da enfermidade humana e a vitória das guerras esteja dentro do sulco que corre por essas asinhas. — Deu um peteleco no pote fazendo a fada se assustar.

— Ficaremos com ela! — Hoseok disse tentando pegar o pote, mas o homem segurou-o e disse:

— Primeiro o pagamento, esperei muito tempo por isso. — Sorriu mostrando os dentes podres e irregulares.

O médico olhou para sua esposa e acenou com a cabeça.

— Pague a ele, Ray. — Sorriu vendo a mulher desengatilhar a arma e atirar na cabeça do contrabandista. — Por isso que te amo. — Beijou-a com a fada enfim em suas mãos.

— O que vamos fazer com ela? — A policial perguntou.

— Talvez ela seja a chave para curar aquele garoto... — Respondeu aproximando o rosto daquele pequeno ser. 


Notas Finais


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