História Green Arch - Capítulo 2


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Hoseok, Minv, Robin Hood, Sobi, Sope, Taemin, Vmin, Yoongi, Yoonseok
Visualizações 111
Palavras 4.356
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Slash, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi!

Muito obrigada por todos os comentários e favoritos <3

O título do capítulo é da música "Nervous" do The Neighbourhood.

Capítulo 2 - Falling again, I need a pick-me-up


 

O dia da festa da realeza chegou mais rápido do que Yoongi esperava e ele se sentia feliz por isso, estaria livre daquela onda intensa de ensaios que não lhe davam dinheiro algum. É óbvio que ele poderia ter se recusado quando o príncipe Taehyung lhe chamou para fazer parte dos músicos que tocariam na festa do castelo; mas Yoongi também sabia que se ele tivesse negado, o rei proibiria seus filhos de chamá-lo para tocar mais vezes na corte, e a realeza pagava muito bem.

Havia ficado até tarde ensaiando no dia anterior e recebido suas roupas que seriam usadas na hora da festa. Yoongi precisava estar no castelo antes do pôr do sol para uma repassagem do ensaio para que não houvesse erros na hora da festa. Por conta disso, deixou jantar e café da manhã prontos para seus irmãos mais novos, provavelmente só voltaria para casa na manhã seguinte; as festas da corte eram sempre longas.

— Cuide bem deles, está bem Soyeon? Se qualquer coisa acontecer com Hyemin, ela piorar ou mostrar que não está se sentindo bem; use o resto das moedas de ouro que estão no pote para chamar Chaewon, não me importo com o dinheiro se Hyemin estiver bem. — Yoongi dizia enquanto colocava seu violino nas costas e pegava a mala com as roupas formais da realeza com o maior cuidado.

— Você não vai dizer da onde conseguiu aquele dinheiro, irmão? Até dois dias atrás nós não tínhamos nem uma moeda naquele pote, hoje ele está cheio de moedas de prata e outro.

— Não importa, Yeonnie, o que importa é que eu consegui o dinheiro, não é? Você não precisa se preocupar com isso. — Yoongi fitou os olhos da irmã e deixou um beijo na bochecha da mesma. — Você será a responsável hoje, mas Jimin já disse que qualquer coisa pode chamá-lo. Fique bem, você e as crianças.

— Nós vamos, Yoongi, toque bem para o rei e os príncipes, uh? Eles são exigentes!

Yoongi sorriu saindo de casa, ele sabia que a realeza era exigente, mas já estava acostumado com eles o suficiente para não cometer erros e acabar sendo punido severamente. Seguiu seu caminho floresta a dentro, se sentindo bem.

Já dentro de casa, Soyeon olhou pela janela vendo que seu irmão já estava fora de vista e encostou a porta tentando ser cuidadosa. Ficou na ponta dos pés para pegar o vaso com as moedas de ouro e prata dentro e fitou mais uma vez aquele símbolo preso na trouxinha de moedas; não existia uma pessoa naquele reino que não conhecesse o símbolo gravado no pano.

Suspirando, ela levou o pano até seu peito, bem próximo do coração. Sentindo-o doer por já saber que o irmão havia passado por cima de suas próprias crenças por causa deles.

— Ah, Yoongi, você não deveria… — A garota fechou os olhos e logo ouviu a voz de Eunbi a chamando no quarto. — Já estou indo!

Ela colocou o vaso no lugar novamente e jogou a trouxinha dentro dela de novo, ouviu Eunbi chamando-a novamente e Soyeon correu para ver o que a garotinha queria.


 

 

A música clássica estava atingindo os ouvidos de Yoongi como um calmante; ele sempre fora um grande amante da música e devia isso a sua mãe, que tinha sido quem lhe ensinou a tocar o violino.

O salão estava cheio de garotas jovens e até mesmo algumas mulheres mais velhas, o baile era aberto para algumas plebeias selecionadas, já que os cinco príncipes que tinham a maior idade tinham que escolher alguém para se casar, mas principalmente Seokjin, que iria assumir o trono no próximo ano.

O olhar de Yoongi encontrou Taehyung conversando com algumas garotas e seus olhos pareciam tão entediados, quase como se ele não quisesse estar lá. Bem ao lado dele, estava Seokjin conversando com algumas pessoas importantes e ricas, ele já tinha que dar uma boa impressão para os magnatas e governadores pequenos. O Min tentou encontrar os outros príncipes, mas não conseguiu, apenas os mais jovens dançando no meio do salão de dança. Eles eram principalmente crianças, então ninguém se importava. Nem mesmo o rei que estava bebendo tranquilamente em seu trono improvisado com a rainha ao seu lado, ele tinha um olhar frio em seus olhos, quase como se estivesse julgando todos ali.

A rainha tinha um olhar amoroso nela; tão diferente do marido dela. Yoongi não conseguia entender por que ela ainda conseguia ter aquele rosto feliz e amoroso, mesmo sabendo que metade daqueles príncipes e princesas ali presentes, eram filhos de seu marido com outras mulheres. Não era novidade que os reis sempre tinha mais de um amante, às vezes eram homens, às vezes eram mulheres e outras vezes eram os dois, mas sempre havia uma figura de rainha para mostrar ao público.

Yoongi não sabia como a rainha acabou se casando com o rei, afinal, o rei Kim era o monarca desde muito antes de Yoongi nascer, mas ele certamente sabia que ela merecia mais do que ele. O Mín lembrava-se de algumas coisas que sua mãe lhe contara sobre dois reinos se reunindo e que sua rainha era filha única de um velho rei moribundo; o rei não acreditava que as mulheres pudessem governar, então ele fez um casamento com o príncipe mais próximo e deixou-o tomar suas terras.

Às vezes, Yoongi se perguntava se as pessoas ainda se casariam amando umas às outras.

O intervalo do grupo de músicos Yoongi chegou e ele sentou-se em um dos bancos atrás dos músicos que haviam assumido a posição dos antigos, suas mãos estavam um pouco doloridas por ter tocado por vários minutos seguidos, mas nada que não fosse suportável.

Uma das criadas do castelo lhe entregou um copo com água gelada para que ele pudesse tomar, Yoongi a agradeceu e tomou-o por inteiro em questão de segundos. Todos os músicos tinham um tempo de descanso para que não ficassem exaustos até o fim da festa.

— Você não acha que festas reais são entediantes? — uma voz surgiu ao lado de Yoongi, sentado no banco vazio e o Min tomou um susto — A plebe sabe fazer festas muito melhores do que esse rei horrível.

— Hoseok. — Yoongi falou sem nem olhá-lo por mais um segundo, o tom dele não era lá dos mais simpáticos. — Está me perseguindo?

— Por que é que eu faria isso? — Hoseok murmurou bebendo mais um pouco do vinho em seu copo — Sou amigo de um dos príncipes e ele me chamou aqui; porém, como eu havia dito, a realeza realmente não sabe como fazer festas e esses músicos novos são ruins, preferia seu grupo.

— Era pra isso ser um elogio? — Yoongi perguntou olhando para o ruivo mais uma vez.

— Não, apenas a verdade. Não gosto de mentiras.

— E eu não gosto de ladrões. Vou procurar Jungkook. — Yoongi disse levantando da cadeira e levando seu violino consigo.

— Não vai encontrá-lo, Yoongi, — Hoseok cruzou suas pernas, bebendo mais um pouco do vinho em seu copo de vidro, sustentando o olhar pesado de Yoongi em si — olhe para o príncipe Namjoon.

O moreno fechou os olhos e suspirou, deixou que seus olhos varressem, o local e não foi difícil encontrar Namjoon, ele era alto e suas covinhas eram fáceis de encontrar. Jungkook estava com ele e ambos sorriam um para o outro.

— O rei sabe e não dá a mínima, mas você provavelmente não vai querer atrapalhá-los. — Hoseok murmurou mexendo em seus cabelos vermelhos lentamente.

— Por que… — Yoongi engoliu seco — Nós não somos amigos, Hoseok, eu nem conheço você. Não é porque eu peguei dinheiro seu quando estava precisando que vou continuar falando com você, se você quiser, eu te pago de volta. Não ligo.

O Min colocou o violino em suas costas e saiu pela porta de serviço do salão, se sentindo sufocado por tudo aquilo e se arrependendo mortalmente por ter pego dinheiro logo com o princípe dos ladrões. Mas ele precisava do dinheiro, ele não podia deixar seus irmãos morrendo de fome; eles eram crianças e não deveriam estar passando por essa situação. E Hyemin estava doente, não comia direito já fazia tempo, se ela não colocasse pelo menos alguma fruta nos lábios, ficará desnutrida.

Yoongi estava sentado no chão do corredor de serviço do castelo, somente os trabalhadores e serviçais passavam por ali; e ninguém ia se importar com um dos músicos sentados no chão gelado abrindo os botões de sua camisa formal sem conseguir respirar direito.

— Sufocante, não é? Toda essa gente falsa junta no mesmo lugar. — Yoongi virou o rosto e viu o príncipe Taehyung na mesma situação que ele. — As pessoas pensam que só porque sou um príncipe gosto desse tipo de coisa, é desapontante.

O plebeu estava confuso, sempre imaginou que príncipes gostassem de toda aquela atenção e festas formais demais, com músicas clássicas demais e gente puxando seu saco o tempo inteiro. Mas, Yoongi engoliu seco e fitou o rosto do príncipe.

— Você é humano, Vossa Alteza, humanos têm direitos de terem seus gostos e desgostos; até mesmo de se sentir mal com certas coisas. É difícil parecer feliz e sorridente o tempo todo, dinheiro e poder não traz felicidade a ninguém. — Yoongi abaixou os olhos mais uma vez, sabia que não deveria encarar alguém da realeza por muito tempo sendo da classe baixa.

— Por que... desviou o olhar? — Taehyung perguntou confuso, franzindo as sobrancelhas. — Min Yoongi, não é? Por que abaixou seu olhar?

— É o certo, Vossa Alteza, não devemos olhar nos olhos da realeza quando somos das classes mais baixas. É um sinal de respeito.

O príncipe começou a dar risada, um tipo de risada alta e escandalosa que Yoongi nunca havia visto alguém da realeza dar; eles sempre pareciam tão delicados e inalcançáveis. Taehyung estava quase chorando de tanto que ria.

— Olha, Yoongi, posso te chamar assim, não é? — Taehyung perguntou quando se acalmou de sua risada e Yoongi assentiu — Meu pai é um babaca que inventou esse tipo de lei; pra falar a verdade eu estou cagando e andando para o que ele pensa; mas é claro que não posso dizer isso ainda, ele é o rei afinal. E... por favor, não me chame de "Vossa Alteza", Taehyung está ótimo.

Yoongi sorriu, sabia que estava certo em gostar mais do príncipe Taehyung. O Kim levantou do chão e limpou suas calças com as mãos.

— Tenho que voltar daqui a pouco meus irmãos sentem a minha falta, — Taehyung umedeceu os lábios — sugiro que você volte também, Yoongi, a próxima troca de músicos acontecerá daqui a pouco. Mas, sinta-se melhor primeiro, ok?

Ele assentiu, respirando fundo e arrumando os botões de sua camisa formal. Taehyung entrou novamente no salão com um sorriso estampado no rosto; os olhos de Yoongi fitaram a parede e ele queria realmente ter perguntado como Taehyung sabia seu nome.

Depois de alguns minutos, a respiração de Yoongi ficou muito melhor e ele resolveu voltar para dentro do salão. Desamassou suas calças e afinou seu violino antes de voltar, fez sua melhor expressão e abriu a porta de serviço. Seus ouvidos logo pegando o final da apresentação dos músicos.

Em questão de segundos, tomou seu lugar novamente e seu grupo e Yoongi começaram a tocar novamente. Ele conseguia sentir as notas tocando em seu interior, leves e precisas. Quando levantou os olhos de seu violino, viu o príncipe Taehyung sorrindo para ele e levantando um copo de vinho antes de bebê-lo e ser atingido por milhares de pessoas querendo conversar com ele.

Yoongi continuou tocando seu violino calmamente, seguindo as notas que já havia gravado mentalmente anos atrás. Aquela era uma música que amava desde que era criança, foi a primeira música que aprendeu a tocar perfeitamente.

O sorriso em seus lábios sumiu quando seus olhos encontraram Soyeon dançando com um dos príncipes no meio da pista, ela tinha os cabelos negros e longos caídos como cascatas contra seus ombros até o meio das costas, usava um vestido azul claro que parecia ser caro e uma maquiagem fraca no rosto que combinava perfeitamente com sua beleza juvenil.

Yoongi errou uma, duas, três notas. Todos os músicos pararam de tocar e todos os olhares estavam fixos no violinista, incluindo o de sua irmã e o furioso do rei. Jungkook o cutucou com força e todos começaram a tocar novamente como se nada houvesse acontecido.

As mãos de Yoongi estavam tremendo, mas ele conseguiu tocar o violino lindamente, tomando todas as notas certas, tentando fazer todos esquecerem seu erro anterior, mas ele sabia que isso era impossível, ele não podia voltar no tempo e seu coração doía toda vez que ele via sua irmã dançando com algum cara aleatório.

Ela tem apenas 15 anos. Ela não deveria estar aqui. Era a única coisa que podia acontecer; Suas mãos trabalhavam no automático, sabendo administrar o violino com a experiência de alguns anos.

O próximo intervalo dos músicos não demorou para acontecer, antes que Yoongi pudesse respirar para fora do palco, um dos guardas do castelo chegou ao seu lado.

— O rei deseja falar com você na sala do trono. — O guarda tinha um sotaque forte, deveria ser de fora do reino. — Por favor me siga.

Yoongi engoliu seco e seguiu o guarda até a saída do salão de festas, ele conseguia sentir o olhar pesado de Hoseok sobre si — o ruivo não havia saído da cadeira onde estava sentado antes.

Enquanto caminhava pelo grande corredor do palácio, Yoongi não poderia ter mais certeza de que estava completamente fodido. Tinha ficado completamente óbvio que quem errou primeiro foi Yoongi e o rei não deixaria isso passar, ele tinha certeza.

— Tome cuidado, garoto, o rei não está muito feliz. — O guarda falou sem desviar seu olhar para Yoongi ao seu lado, logo antes de abrir a porta da sala do trono e entrar. Yoongi o seguiu em silêncio.

— Meu rei, aqui está quem a vossa senhora pediu-me para chamar.

— Pode se retirar, Jiyong, volte ao seu posto inicial. — O rei disse sem olhar para Yoongi e o guarda se retirou da sala.

Eles estavam no verão, mas tudo parecia frio naquele lugar. Todas as paredes tinham algum tipo de ouro e você podia se ver no chão como estava limpo. A sala estava vazia, exceto pelo rei e seu filho mais velho, Seokjin. O rei estava sentado em seu trono e o príncipe estava bem ao lado dele, com pena em seus olhos. As mãos de Yoongi tremem um pouco, e qualquer um poderia perceber por causa do violino em suas mãos.

Yoongi mordeu o lábio inferior, mantendo a cabeça baixa. Não podia manter o olhar no rei, isso era sinal de que você desafiava a autoridade dele; ele já estava errado nessa situação toda. Um ruído limpo soou no ar, a porta da sala do trono estava trancada. Os pulmões de Yoongi pareciam que ele mal podia respirar, mas ele conseguia escutar alguém andando até ele.

— Qual o seu nome, plebeu? — O rei disse caminhando ao seu lado, Yoongi levantou a cabeça, seus olhos fixos na parede atrás do príncipe.

— Yoongi, Min Yoongi.

— De qual parte do reino você vem, Min Yoongi?

— Do Norte, Vossa Majestade.

O rei deu uma risada baixa, mas pelo local estar completamente vazio, a mesma ecoou; fazendo um som irritante nos ouvidos de Yoongi.

— Eu deveria ter imaginado, — o rei olhou Yoongi de cima a baixo — a parte pobre do reino. Ninguém do Sul ou até mesmo das fronteiras faria isso. Você não concorda, meu filho?

O sorriso sádico do rei atingiu o olhar de Seokjin próximo do trono, mas ele se manteve em silêncio, não havia nada que ele pudesse fazer; Seokjin não era rei ainda.

— Min Yoongi, você tem família? — O rei ficou frente a frente com Yoongi, ele era vários centímetros mais alto que o Min.

— Sim, Vossa Majestade, eu tenho família. — A voz de Yoongi tremeu um pouco, é claro que ele tinha medo daquele rei.

O rei Kim era maluco, ninguém conseguia adivinhar o que ele poderia fazer, ele passava por cima até mesmo de sua mão direita, que o ajudava a governar aquele país, quando queria.

— Como você se sentiria se alguma coisa acontecesse com eles? Se um dos meus guardas aparecesse na porta de sua casa e matasse sua família um por um? Seria um ótimo sentimento, não é? — O indicador do rei tocou o queixo de Yoongi, levantando sua cabeça e forçando-o a olhá-lo nos olhos.

— Não, senhor, não seria um sentimento bom. — O rei soltou bruscamente o rosto do Min, deixando seu pescoço dolorido.

— Então por que você fez aquilo, plebeu? Por que errou notas em seu violino barato? Meus filhos não fizeram um ensaio correto com você e os outros músicos patéticos? Deveria eu punir meus próprios filhos?

Agora ele falava mais alto, como se quisesse que os ecos da sala doessem nos ouvidos de Yoongi como uma punição, mas, Yoongi não estava tão preocupado assim consigo mesmo, se preocupava mais com sua irmã, que ainda estava no baile, no meio de milhares de pessoas desconhecidas.

— Me responda, plebeu. Eu deveria punir meus filhos? Foi culpa deles? O motivo de você ter me envergonhado na frente de meus súditos e de príncipes e princesas de outros reinos?

— Não, Vossa Majestade, a culpa é toda minha. Fui eu quem cometeu um erro.

— Ótimo.

Mas a voz e o olhar do rei não pareciam satisfeitos. O rei tirou o violino e o arco de madeira das mãos de Yoongi de maneira bruta, o atrito da madeira antiga contra a pele já frágil de Yoongi por ter tocado a noite inteira, fez que a mesma sangrasse.

Os olhos de Yoongi seguiram as ações do rei; a primeira coisa que ele fez foi quebrar o arco com a cerda nova que Yoongi havia comprado no dia anterior. A segunda, foi jogar o violino com raiva no chão várias vezes, até que o mesmo estivesse em pedaços.

— Esteja feliz de que foi seu instrumento e não a sua cara a ser esmagada aqui. Eu nunca mais quero ver a sua cara, Min Yoongi, no castelo, na rua, em lugar algum. Se acontecer de eu vê-lo, será você e a sua família no lugar deste violino velho. — O rei cuspiu no chão.  — Pegue os restos de seu instrumentos e caia fora do meu castelo. Você tem dez minutos.

O rei saiu da sala em passos largos, fazendo o barulho ecoar pela sala mais uma vez. Os joelhos de Yoongi fraquejaram, mas ele se segurou para não cair no chão.

Seokjin, o príncipe, saiu correndo do lado do trono e foi até Yoongi, entregou-lhe uma sacola de pano para que pudesse pegar o que havia restado de seu instrumento precioso, ignorando os olhos marejados do plebeu; Seokjin sabia que ele provavelmente não queria falar sobre aquilo.

— Tome cuidado, Yoongi. — Seokjin acariciou as costas de Yoongi, que estava ajoelhado no chão pegando os pedaços de madeira.

Aquilo foi a única coisa que Seokjin disse antes de deixar a sala do trono minutos depois. As lágrimas de Yoongi insistiam em cair, mas ele não queria dar seu braço a torcer e ser fraco, ele precisava ser forte; precisava aguentar aquilo. Era o preço a pagar por seu erro.

— Vamos, plebeu, você precisa ir. — Jiyong, o guarda que havia lhe levado até a sala do trono apareceu ali do nada. — O príncipe Seokjin me mandou aqui para levá-lo até a saída.

Yoongi balançou a cabeça, levantando do chão e pegando a sacola de pano com cuidado, mesmo sabendo que ela machucaria suas mãos mais ainda de qualquer jeito. O guarda o acompanhou até a saída dos fundos, ninguém da plebe deveria sair pelas portas da frente do castelo; principalmente não depois de ser expulso pelo próprio rei. Yoongi fechou os olhos ao ouvir o portão de ferro ser fechado atrás de si.

Suas pernas estavam fracas e as mãos ainda sangravam, manchando suas roupas e a sacola de madeira onde carregava os restos de seu violino. Pegou a estrada principal, passando pela floresta para chegar até sua casa; havia andado tanto que não tinha mais noção do tempo, se sentia quebrado e machucado por tudo que havia escutado, porém ainda estava preocupado e bravo com Soyeon.

No meio da floresta, havia um rio. Yoongi se ajoelhou na borda do mesmo e abriu a sacola de pano que Seokjin havia lhe entregado. Jogou todo resquício de madeira e tudo que o lembrasse de seu violino ali, naquele rio. A sacola foi esquecida na margem da água.

Yoongi deu as costas e continuou andando rumo sua casa. Queria ter esperado Soyeon, para que pudesse trazê-la para casa, mas Yoongi não sabia o que o rei faria se o visse do lado de fora do castelo esperando por sua irmã.

Temeu por seus irmãos, por seus vizinhos e até mesmo pela própria vida; mesmo não sendo comum Min Yoongi pensar em sua própria vida quando se tratava de seus irmãos mais novos.

Chegou em casa como um fantasma, assustando Jimin que estava dormindo no colchão infantil da cozinha, com a cabeça apoiada na parede e segurando uma lamparina já apagada. Pelo menos Soyeon havia chamado Jimin para tomar conta de seus irmãos.

— Yoongi, céus! Você está sangrando! — Jimin falou levantando num pulo do colchão e pegando nas mãos de Yoongi, as duas tinham cortes grandes e sangravam sem parar. — Sente-se, eu já volto.

Sem responder nada, Yoongi sentiu sobre o colchão onde Jimin antes estava adormecido e observou o mais novo sair de dentro da sua casa. Suas pernas estavam cruzadas e ele se sentia pequeno demais, mesmo sobre aquele colchão.

Yoongi apoiou as costas de suas mãos sobre seus joelhos e viu os cortes das palmas, alguns fiapos de madeira estavam presos em sua pele e aquilo doía e ardia demais, mas não havia dor pior do que a que estava em seu peito. Ele nunca deveria ter se metido com a realeza.

— Você foi feito para ser extraordinário, meu filho, e isso é uma oportunidade! Imagine só se algum maestro ou músico famoso encontra você naquele palácio tocando? Você será conhecido e poderá tirar a gente daqui, Yoon.

A voz de sua mãe ecoou em sua cabeça, ele realmente desejava que sua mãe estivesse certa; mas uma coisa que ele havia descoberto com o passar dos anos, é que até mães podem estar erradas.

Jimin voltou correndo para dentro da casa dos Min, carregando uma caixinha de madeira polida numa mão e na outra um vaso com água.

— Minha mãe não é curandeira, muito menos enfermeira, mas ela aprendeu algumas coisas com a mãe dela. — Jimin murmurou sentando no chão com a caixa de madeira em seu colo. — Vovó foi enfermeira na Grande Guerra e, ela era boa.

O Park pegou a mão direita de Jimin e a limpou com a água e um pano limpo, pegou uma pinça e tirou todos os fiapos de madeira presos ali. O corte havia ficado feio, mas não havia muita coisa a ser feita. Jimin limpou o ferimento com álcool e o fechou para não infeccionar.

Yoongi estava extremamente quieto enquanto Jimin fazia os curativos em suas mãos, não reclamava nem mesmo de dor ou de algum incômodo — nem mesmo com o álcool forte que a senhora Park produzia com as canas de açúcar de seu quintal. Ele parecia perdido demais para falar qualquer coisa.

— Você quer me dizer o que aconteceu, Yoongi? — Jimin perguntou enquanto passava o algodão com cuidado sobre a mão esquerda de Yoongi, aquela estava pior que a outra e não queria parar de sangrar. Os fiapos de madeira presos nela, eram maiores e mais afiados. — Não foi cortando lenha que isso aconteceu. Isso aqui é madeira polida e envernizada, como um instrumento musical.

Na mesma hora, Jimin se tocou do que havia dito e levantou seu olhar da mão de Yoongi para o rosto do mesmo, o Park não havia percebido, mas Yoongi estava chorando baixinho, deixando suas lágrimas molharem a roupa de qualquer jeito; ele nem mesmo fungava. Parecia que toda a energia de seu corpo havia sido drenada.

— Está tudo bem, Yoongi, está tudo bem, — Jimin o abraçou, deixando a cabeça do mais velho apoiada em seu ombro — você está em casa. Vai ficar tudo bem.

Yoongi não tinha certeza sobre aquilo, mas quando foi falar algo, sua voz saiu cortada e tudo que conseguiu fazer foi soluçar, deixando que o choro tomasse conta de si. Jimin nunca havia visto Yoongi chorando daquele jeito, nem mesmo quando a senhora Min havia morrido.

— Não precisa dizer nada, — Jimin fechou seus olhos, acariciando as costas de Yoongi — eu não preciso saber o que aconteceu.

Foram vários minutos até Yoongi conseguir se controlar novamente, estava se segurando a tanto tempo que imaginava que quando acabasse desabando seria de uma vez. A dor de ter perdido sua mãe ainda estava presente, a preocupação com Soyeon, com Hyemin, seu violino que tinha sido presente de sua mãe estraçalhado, mas é claro que Yoongi não conseguia colocar isso em palavras certas.

— Minhas mãos… — Yoongi sussurrou com  a voz embargada e rouca contra o ombro de Jimin — elas estão doendo tanto, Jimin.

— Eu sei, eu sei. Deixe eu terminar de fazer o curativo, ok?

O Min suspirou e soltou o mais novo, que não disse nada sobre o rosto avermelhado de Yoongi, muito menos sobre os longos minutos que ele havia passado chorando, apenas continuou fazendo o curativo em sua mão.

Por sorte, os irmãos mais novos de Yoongi tinham o sono pesado e não acordaram com o barulho.

Quando Jimin terminou, Yoongi olhou para suas duas mãos encaixadas e para as manchas de sangue em suas roupas, que na verdade nem suas eram; eram as vestes do castelo. Suas roupas tinham ficado no vestiário dos músicos.

— Vou levar isso de volta e avisar para a minha mãe que vou passar a noite aqui.

O Min não contradisse nada, não tinha nem a cabeça para fazer isso. Seus olhos somente olhavam para suas mãos machucadas e cansadas enquanto a cena do rei quebrando seu violino se repetia em sua cabeça.

Depois daquele dia, Yoongi nunca mais tocou num violino.

 


Notas Finais


Se alguém quiser me xingar por causa desse capítulo, tô sempre lá no @vminsure no twitter.

Acho que o próximo saí sábado ou domingo, até lá <3


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