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História Green Jacket - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Acabei de lembrar que eu tinha essa pérola desde o fim do ano passado.
A história dessa fic foi baseada num caso real envolvendo um fã de Billie Eilish e uma jaqueta... enfim, explico no final.

PS: a história tá metade minha escrita de dezembro de 2019 e a outra metade tá de fevereiro/março de 2020... se ocorrer alguma informação esquisita, podem me avisar!

Capítulo 1 - One;


YUTA NAKAMOTO

Yuta Nakamoto decidiu que sair de Osaka era a melhor coisa que tinha de fazer desde que terminou com a namorada.

— Relaxa, Takoyaki, ela vai ficar bem, tipo, vocês acabaram de boa! — Mina comentou, referindo-se a sua melhor amiga, Sana. — Já combinamos de sair por aí, então, relaxa... vai curtir! 


A baixinha o abraçou forte, ao mesmo tempo em que o vôo para o Canadá era anunciado.

— Aqui, dois ingressos para os SKY, no Dome em Osaka. — entregou a ela. — Eu ia fazer uma surpresa, então, só vai...


— Não faz isso com você, cara!


— Eu estou okay, Mina. É sério!


Ela assentiu, indicando que ele prosseguisse para o embarque.



•••



O término com Sana havia sido saudável. As coisas não iriam dar certo como os dois haviam pensado... eram apenas quatro meses de um relacionamento que não tinha exatamente um nome. Não chamavam de namoro, nem de rolo. Era alguma coisa que não sabiam explicar, entretanto, sentiam que cuidavam um do outro, pois, eram melhores amigos acima de tudo, reconheciam que eram pessoas solitárias e que se encontraram um no outro.


Um dos dois teria que acordar e ceder primeiro, contar a verdade e aceitar a realidade.


Sana fez, pelo menos a parte do término. Yuta cuidou da desculpa, dizendo que eram melhores como amigos.


Ambos concordaram, sorridentes.

Ambos choraram ao darem o último adeus, dentro de seus carros, seguindo para lados diferentes.



•••



O voo demorou mais do que esperava, mas enfim, estava no Canadá.


Toronto era bela no inverno, tal como Osaka, mas era mais fria. Sabia que os canadenses não eram de andar na neve, mas ele queria. Precisava.

Yuta decidiu que não levaria malas ou qualquer coisa além de dinheiro e as roupas que tinha numa pequena mochila. Se fosse uma viagem aleatória, ele saberia como se virar da melhor maneira. Buscou um táxi no aeroporto, encontrando num bairro ali perto, uma casa barata e pequena, onde poderia se hospedar por algumas semanas.

Após pagar o motorista e agradecê-lo com seu inglês mais ou menos, rumou para a rua recém coberta de uma fina camada de gelo, onde seus passos deixavam marcas escuras para trás, alterando a paisagem branca que se estendia atrás de si. A sua frente, uma garagem aberta exibia vários itens que estavam a venda, desde roupas até móveis e outros objetos.

A jaqueta colegial do japonês já estava gélida, ele podia sentir as pernas já dormentes e as juntas endurecendo. Não aguentaria muito tempo de caminhada, então, parou naquela garagem, sorrindo para a dona do brechó e assim, passou a caminhar por entre as prateleiras. 


Precisava de um casaco. 

Tinha dois. Um sobretudo longo e bastante luxuoso, que poderia o esquentar por horas; e uma jaqueta verde, daquelas inchadas e com um verde meio metálico, moderna e chamativa.


Óbvio que ele escolheria a segunda opção, mesmo que o quesito frio não fosse aplicado muito bem a ela.


Quinze dólares.


Yuta vestiu a nova aquisição por cima da sua jaqueta, largando as longas madeixas castanhas por cima dos ombros, arrumando o coque acima da cabeça e assim, seguiu até a casa que alugou antes mesmo de chegar, admirado que era tão pequena que parecia ser uma casa de bonecas.


Era toda de madeira, além de uma lareira acesa que já deixava a casa quentinha. Largou os sapatos, depois os casacos e caiu sentado diante da lareira, estendendo suas palmas para o calor, sorrindo contente e aliviado por estar aquecido.



E ali mesmo adormeceu.



•••



Quando despertou, estava com fome, então, pegou o telefone e ligou para alguma lanchonete próxima, mais que preparado para comer o melhor fastfood do mundo. Nem um pouco saudável, mas era por alguns dias.

Havia um aparelho de som, então, ligou na primeira rádio e pegou-se rindo quando ouvia a música que estava terminando.


"E vocês acabaram de ouvir Obsession, do trio coreano SKY, a grande sensação que invadiu a América e fez um show sold-out ontem em Toronto e prometeram voltar!"


"É Gary, os caras não paravam de dançar e não perdiam o fôlego!"


"O que dizer do público?"


"Misto. Garotos e garotas molhados quando aquele Kai apareceu mostrando a barriga...!"


"E como você aguentou até o fim?"


"Me molhei todo também!"


MARK LEE


O canadense gritou eufórico ao ouvir sobre seus músicos favoritos do ano. Não que Mark Lee fosse antenado em K-Pop e na música de sua terra ancestral, mas sim, os SKY haviam conquistado ele de uma maneira inexplicável. Talvez pelo rap, trap e pop conceitual misturados, já que Mark sempre foi do pop mais comum e das músicas acústicas.

Há poucas semanas havia ido para o show deles em sua cidade, que ganhou de presente dos amigos Jaehyun e Johnny — que moravam nos Estados Unidos — e junto deles e seus namorados — Taeyong e Ten, respectivamente.

— E mais que isso! — Jaehyun anunciou, ao ver Mark chocado com o ingresso em mãos.


— Ta-dah! — Johnny colocou uma pulseira azul no pulso dele. — Meet & Greet com Sehun, Kai e Chanyeol, com direito a foto e algumas palavras. De nada!


— Vocês tão zoando com a minha cara? — Mark falou quase num fio de voz.


— Eu não iria deixar que eles fizessem nenhuma brincadeira do tipo, Mark! — comentou Taeyong, em coreano, que Mark entendia.


— Meu Deus, eu não sei o que dizer... tipo, preciso pedir a meus pais!


— Sério? Você não acha que já não cuidamos disso? — Ten falou em Inglês, como o maior poliglota que Mark já viu. — É o show de sua vida, bebê. Agarra o Sehun com força!


— O Bias dele é o Kai, certo?


Mark assentiu.

— Não vai levar algum presente, tipo... alguma coisa que ele veja, talvez leia ou guarde? — Johnny sugeriu.


— Você tem uma fan-account deles, né?


— Yah, eu era administrador quando eles debutaram, mas não, não sou mais! — justificou-se para Jaehyun. — E eu acho que tive uma idéia!


Mark foi ao shopping com Ten e Taeyong — também conhecido como os fashionistas do grupo — para ajudarem Mark a escolher algo de altura para Kim Jongin, conhecido como Kai.

Taeyong selecionava as peças de roupa e Ten analisava as fotos de Kai e seus diferentes looks no palco, em desfiles de grandes marcas e no aeroporto.

— Nossa, se ele se esforçar mais um pouco, vai se vestir melhor que o Taeyong! — comentou o tailandês.


Mark foi ate uma sessão considerada mais estilosa, com calças cargo e jaquetas enormes. Olhava atento a cada modelo, cor, tamanho... até focar-se naquela verde.

— Foi a que eu pensei, Mark... — Ten disse. — Combina com o tom de pele dele. Veste bem naquele corpão alto e esguio!


— Está secando meu Bias?


— O quê? Eu tenho o Johnny, não preciso de outro homem!


— Tá, tanto faz...!


— E falando nisso, você deveria desencalhar logo!


— Você acha que estou sozinho por opção?


— Você é bonito, não deveria estar nessa situação!


— Obrigado?


O tailandês sorriu e escolheu a jaqueta, passando em seu cartão sem que Mark pudesse reclamar antes.

— Agora faz uma declaração bonita e consiga o coração de seu Bias!


— Acha mesmo que isso é uma fanfic?


— Do que vocês tão falando? — Taeyong voltou com potes de sorvete, distribuindo entre eles.


— Aquele seu primo, Donghyuck, solteiro né? — Ten o perguntou.


— Até onde eu sabia, sim...


— Mark quer o número dele!


— Eu não quero o número dele!


Taeyong revirou os olhos e teclou rápido em seu telefone.

— Enviei o contato dele! — o Lee disse.


Mark bufou, sentando-se ao lado dos dois caóticos fashionistas, enquanto Taeyong destacava uma folha de seu caderno de anotações que tinha desenhos bonitos e Ten oferecia a Mark uma caneta.

— Não seja brega! — pediu o tailandês.


O canadense pensou um pouco.



"Espero que te mantenha aquecido!

Ass: itzmarklee"


Yuta ponderou sobre o bilhete, ciente de que era óbvio que, 1) a jaqueta nunca chegou ao dono; 2) a jaqueta foi dispensada. De qualquer maneira, Nakamoto ficou curioso para saber do que se tratava, afinal.

Em seu celular, buscou o Instagram do tal itzmarklee, encontrando assim o perfil de Mark Lee, de Toronto, vinte e dois anos e, claro, fã dos SKY — tal como Sana, lembrou.


E lá estava uma foto do Lee ao lado de um dos integrantes, com a maldita jaqueta.

— Que droga, Mark Lee... esse cara é um cuzão! — xingou, não muito satisfeito com a descoberta.


Acessou a DM do canadense, vendo que o mesmo estava online.


Digitava e apagava.

Digitava e apagava.

Digitava e apagava.


yutakoyaki:

Oi



Visualizada em apenas cinco segundos.


itzmarklee:

hey

yutakoyaki:

vc é de Toronto, certo?

itzmarklee:

sim...

algum problema?

não fui eu

haha

yutakoyaki:

haha

não é nada demais

hmm, conhece essa peça?


Yuta mirou o celular na jaqueta estirada no sofá, fotografando-a. O outro visualizou, também digitou, mas não respondeu de imediato.


itzmarklee:

onde vc conseguiu?

yutakoyaki:

bem

eu estava passando por toronto e bem, precisava de um casaco e encontrei

tinha um bilhete no bolso e acho que vc queria mandar para alguém

e não era eu

certo?

itzmarklee:

é

na vdd era para uma pessoa distante

digo

...

esquece

é besteira

pode ficar com ela

yutakoyaki:

hey

eu posso devolver

se bem que

eu estou perdido nessa cidade

itzmarklee:

vc é japonês mesmo?

fala muito bem em inglês

escreve

yutakoyaki:

eu me viro

menos no frio canadense

itzmarklee:

tem lugares quentes para ir em minha cidade

droga

acho que eu tô puto

yutakoyaki:

imagino


Mark encolheu seu corpo no sofá da sala, encarando a lareira que tinha a chama forte balançando e criando estalos na madeira fresca que ele colocou.

As memórias daquele dia voltavam, desde o momento que entrou no backstage de seus ídolos e foi guiado pelos staffs nos corredores até a cabine no qual o trio estava recebendo os fãs. Lembrou-se de notar primeiramente que eles pareciam mais reais, que não eram tão lindos como via na TV, mas ganhavam uma beleza diferente por serem mais humanos. Chanyeol era o mais comunicativo, só abria a boca para fazer todo mundo rir, enquanto Sehun era o mais sério, sorrindo e tirando fotos e Kai, o mais tímido.

— Olá, hyungs! — Mark se curvou e foi cumprimentado por todos. Tinha de falar em coreano.


— Hey, Mark, certo? — Chanyeol apontou o Lee. — Ouvimos falar de você... é daqui do Canadá, certo?


Ele assentiu.

— Fuma? Bebe? — o Park ofereceu um maço de cigarro, mas o Lee negou.


— Seus amigos te presentearam com esse Meeting, então, que tal tirarmos sua foto? — Sehun indicou o staff responsável por tirar as fotos.


Mark tremia, quase derrubando o celular no chão ao invés de entregá-lo. Se posicionou entre Chanyeol e Sehun, enquanto Kai se abaixou frente a ele, tirando a foto em grupo.

— Também tem direito a uma foto com bias... você é bonito e tem bom gosto, é certo que ele é meu biased! — Chanyeol se garantiu. Sehun revirou os olhos.


— Eu já stalkeei ele, sou eu! — Kai se garantiu. — Cara, ele é descendente de coreanos... gosta de coisa americana e do nosso grupo. A gente é a parte coreana dele, sacou?


Mark sorriu e assentiu, sentindo o rosto queimar de vergonha, logo, lembrou-se que estava com o pacote em mãos.

— Ah, eu trouxe algo...!


— Que droga, ele ainda traz presente! — o Park reclamou. — Você só tem sorte, Jongin-ah!


O Kim só acenou para que ele se calasse. Focou-se em abrir o pacote e finalmente ver o seu presente — a jaqueta verde. O Kim agiu fofo, mostrando boquiaberto a peça para os amigos — até conseguindo uma reação surpresa do silencioso Sehun.

— Uau, incrível, Mark... ela é linda! — disse o Kim. — Minha cara também. Você tem bom gosto, Chanyeol está certo!


— Meh, foi meme! — Chanyeol os fez rir.


Jongin vestiu a jaqueta, dando uma volta para os amigos e para o fã — que estava prestes a dar um gritinho em meio ao surto.

— Okay, isso merece uma foto! — Sehun pegou o celular do Lee e ordenou que Jongin e Mark se juntassem para mais uma foto.


Tirou umas três diferentes, sorrindo ao ver o mais novo corado.

— Okay, próximo, precisamos ir... Vancouver os espera! — o staff disse.


Mark assentiu, cumprimentando os SKY uma última vez, recebendo um abraço extra de Kai.

— Obrigado pelo presente. Vou guardar e fazer valer em algum momento especial! — ele disse, retirando a jaqueta e entregando aos staffs. — Até mais, Mark Lee!



E ele não poderia estar menos triste. Aquele momento foi especial e mais mágico do que imaginara, mas, vendo a situação neste momento, tudo não parecia ter o mesmo valor.

Ali, em algum lugar perto, um cara aleatório do Japão estava usando a jaqueta verde da moda que escolheu a dedo para seu ídolo.


E também estava perdido em Toronto, pensou o Lee.


Não queria ficar pensando nisso, pois, já criava-se um nó em sua garganta e seus olhos queimavam. Não queria chorar.


itzmarklee:

centro da cidade

as 6

leva um casaco


Yuta sorriu com a mensagem, porém, não respondeu. Mina estava numa chamada.

— Então, você tá dizendo que o Kai simplesmente jogou uma jaqueta caríssima do fã no lixo? Olha, vou cancelar esse desgraçado aqui, eu te juro! — ela disse do outro lado. — Mas, sobre o garoto...


— E lá vem ela...


— Ah, vamo lá, Nakamoto... você precisa se soltar mais. Saudades do senpai terror dos bissexuais da escola...


— Eu não gosto da ideia de acumular bocas beijadas.


— Okay Sr. Namorado-da-Nação! — ela resmungou. Era certo que ela estava revirando os olhos e fazendo bico. — Então, tem um canadense-meio-asiático super puto porquê levou um toco do ídolo dele e você ficou com o presente caro dele e ainda com o bilhete super fofo? Cai em cima!


— Eu não vou me aproveitar da situação dele, nem quero que se aproveitem da minha, então, não, não é como se eu estivesse desesperado... talvez eu fale com ele, vou conhecer melhor a cidade...


— Falou como se... espera, Yuta, você marcou algo?


Silêncio.

Mina riu.

— Desgraçado! — ela gritou, aos risos. — Okay, okay, você está certíssimo! Vai conhecer Toronto, se esquentar... beijar umas bocas quentes!


— Mina... vai se ferrar! — e desligou.


Yuta riu sozinho. 

De algum modo, Mina não estava errada. Estaria agindo diferente se fosse o mesmo de anos atrás — o tal galã de garotos e garotas —, mas não foi assim que conquistou Sana, nem foi assim que conquistou qualquer pessoa de verdade.


yutakoyaki:

okay

até mais tarde então


E mesmo que fosse o cara responsável por marcar o passeio, faltavam poucas horas e Mark estava largado no sofá, com a cara de frente ao computador enquanto falava com os amigos espalhados pelo mundo, com a desculpa de que estava gripado, por conta dos olhos inchados e o nariz vermelho.

— Cara, eu vou cancelar esses malditos aqui! — Chittaphon falou. — Sério, isso é decepcionante!


— Calma, amor... você quer cancelar o mundo! — Johnny comentou.


— Infelizmente vivemos numa sociedade capitalista e heteronormativa! — justificou-se. — Ninguém machuca os gays!


— E desde quando o Markie é gay? — Taeyong franziu. Jaehyun riu a seu lado.


— Desde quando você chama ele de "Markie" e desde que ele anda com a gente! — Ten falou.


— Yah, eu estou aqui! — o Lee resmungou. — O pior é que vou com essa cara de merda... me encontrar com o Yuta!


— Uau, até parece que você conhece o japonês bonitão há décadas! — o tailandês comentou, afiado, como sempre. — Eu dei uma olhada no insta dele e, bem, ele é hétero. Eu vi fotos românticas com um garota... mas, ele está solteiro nas informações de perfil, ela também!


— Sério que você stalkeia pretendentes para o Mark!? — Johnny protestou. — E existem bissexuais no mundo!


— Enfim... — Taeyong chamou atenção dos demais. — Você tem que superar isso. Que droga, realmente, isso foi muito triste, mas se a gente soubesse que seria assim, não teríamos feito você ter passado por isso!


— Eu vou mandar tweets para toda a comunidade. Vão ficar cientes de que os idiotas não aceitam presentes... nem os caros!


— Ten! — Todos falaram ao mesmo tempo.


— Okay, não vou combater as injustiças! 


— Obrigado gente, sério, isso melhorou muito! — sorriu. — Acho que agora estou motivado a ir conhecer o japonês... ele realmente deve estar bem perdido aqui para ter comprado algo de um brechó... eu faço outra call quando chegar, okay?


— Fica bem, Markie! — o Lee mais velho disse, acenando para a camera.


— É... nada de beijar desconhecidos! — Jaehyun completou, também acenando antes de sumir da call com Taeyong.


— Não escuta o casal vanilla... beija se quiser! — Ten mandou um beijo e também desligou.


— Eu nem preciso dizer nada, certo? — Johnny riu. — Não fica triste, Mark. Isso não diz nada sobre você ou eles... 


— Eu não me importo, tipo, sério... foi só o choque da informação, mas estou bem! — comentou, ainda pouco sem jeito. Realmente, estava melhor. — Eu vou dar uma volta, conhecer o estrangeiro perdido e... viver!


— Tá, confio em você, irmãozinho!


Após Johnny desligar, Mark correu para o quarto, buscando a melhor roupa para ir a um projeto de encontro — não que gostasse desse nome. Optou por uma camisa xadrez azul e verde e uma calça jeans, pois, queria mostrar ao japonês que aquele frio não o assustava tanto, mas buscou um sobretudo marrom que combinava com a boina de mesma cor que usava.

Seguiu pelas ruas sozinho, com as mãos enfiadas nos bolsos da calça e guiava-se pelas luzes amarelas dos postes que sobressaiam as correntes de vento que sopravam a neve e deixavam o caminho a frente quase invisível. E estava anoitecendo. Não era legal ficar muito tempo na rua nesse tempo.

Chegou ao bar temático que havia pensado quando conversava com Yuta, um estabelecimento pequeno, revestido de madeira, voltado para cafés e bebidas quentes. Claro, não era lá um lugar para jovens — haviam bares, boates e cafeterias melhores para esse público —, mas Mark gostava do ambiente pequeno e menos movimentado, fazia mais sentido com seu estado de espírito.

Quando as juntas dos dedos pareciam destravadas, enviou a localização para o até então desconhecido e tratou de aguardar, tomando um café com creme que ele mesmo instruia como fazer.

Yuta entrou no local, retirando sua touca de lá e soltando as longas madeixas castanhas, avistando Mark sentado no balcão. Não quis esperar contato visual — nunca foi desses de fazer cerimônia —, então, só sentou ao lado dele, sorrindo quando finalmente foi percebido.

— Ei, oi...! — Mark o cumprimentou. 


— E ai? — o japonês sorriu.


— Café ao creme, você gosta?


— Estou tranquilo. Acho que vou dar uma olhada nos chás... — respondeu com um inglês rasgado. — Não sou muito bom em inglês, desculpe...


— Ah, que nada... sabe hangul?


— Sim... — respondeu já na língua coreana. — Vivi um tempo por lá...


— Ah... apesar dos meus pais serem de lá, eu nunca fui. Acho que eu deveria conhecer!


— Existe uma primeira vez pra tudo! — Yuta chamou o atendente, apontando seu pedido e o especificando, com uma seriedade e educação que deixava Mark surpreso.


— O que está fazendo em Toronto, se me permite perguntar...?


— Na verdade, não sei... — riu. — Eu sempre gostei de viajar em meu país. Fui para a Coréia a estudos e também para treinar futebol, voltei para o Japão e nas últimas vim para cá, na verdade, fugindo de seus ídolos!


— Do SKY? Sério?


— Claro que não. — respondeu rápido, rindo da cara de frustrado do Lee. — Eu terminei um relacionamento esquisito, então, quis visitar um outro país... ficar isolado até esse inferno de ano acabar para voltar para casa em outra década!


— Ah, sinto muito...


— Não sinta. Não é como se tivesse sido a pior coisa do mundo... não. Terminamos bem! — o japonês riu. — Tipo eu e sua jaqueta!


Mark abaixou a cabeça, abafando o riso.

— Então é isso, você recebeu um toco dos SKY?


— Não de todos, mas de meu bias... eu não queria estar triste, mas estou!



Yuta foi rápido ao sacar a sacola de sua mão, deslizando-a no balcão até às mãos pequenas do Lee.

— Isso te pertence... — falou.


— N-não... eu não posso ficar! — Mark o entregou de volta. — Foi um presente!


— Que não era pra mim!


— Foda-se então... você pagou!


— Ah, então você insistiu e eu não gosto dessa merda, então, é, foda-se...! — Yuta recolheu a jaqueta.


O atendente serviu seu chá, pouco chocado com a conversa em coreano dos dois asiáticos. Yuta bebericou do chá, parando para observar Mark perdido nas bolhinhas do creme de seu café.

— Eu me sinto bem agora... — o mais novo encarou o outro. — Obrigado!


— O que esse cara fez foi babaquice... talvez nem se deu luxo de ler seu bilhete!


Mark sentiu o rosto esquentar. Era óbvio que sentiu-se envergonhado ao lembrar-se das palavras escritas naquele papel fofo que Taeyong lhe dera.

— Me manteve aquecido! — completou Yuta, com um sorriso fraco. — Obrigado!


Após conversas soltas sobre o tempo, os dois saíram do estabelecimento e passaram a caminhar, vendo que a neve parou de cair e haviam pessoas suficientes na rua para se terem fluxos nos quais os dois seguiram, indo parar numa praça central onde pais levavam seus filhos para esquiar e montar bonequinhos de neve.

— Quer brincar na neve, Mark Lee?


— Isso é...



Yuta simplesmente caminhou, com toda a sua classe japonesa, largando-se no chão fofo de neve, batendo a seu lado para que o mais novo viesse.

— ...sério? — pegou-se rindo, também obedeceu.


Estavam frente a frente, se encarando com sorrisos abertos e crescentes. Juntavam neve com as mãos, pouco se importando com o gelo deixando seus dedos duros. Modelavam a neve em forma de bola e com vários tamanhos.


Mark era inútil ao disfarçar sua vergonha, pois gargalhava alto a cada atitude que ele mesmo tomava diante daquela situação. Também, pouco voltava sua atenção para Yuta, que não hesitava em olhá-lo nos olhos e o encarar com seu belo sorriso.


Isso, o japonês tinha um belo sorriso que parecia ser projetado somente para deixar Mark nervoso.


Nem era a intenção de Yuta.


O japonês seguia firme com a idéia de criar um boneco de neve, então, foi minucioso na escolha de pedrinhas para servirem de boca e olhos para o boneco, que tinha sua altura sentado. Seu toque final foi roubar a boina de Mark e colocar em seu boneco de neve, chamando a atenção do canadense que pegou-se abobado ao ver a obra de arte do japonês ser finalizada com gravetos como braços do boneco de neve e uma fita verde limão ao redor do pescoço do mesmo.

— Perfeito. — o Lee comentou, largando seu boneco duvidoso, que tinha uma forma irregular.


— Não posso dar a ele a sua jaqueta, pois ele morreria... — zombou. — É como você, Mark Lee. Você é esse boneco de neve!


— Não mesmo... esse é você! — tomou sua boina do boneco dele e colocou no seu. — Este aqui sou eu!


— Você não é feio!


— Depende... mas estou derretido...


— Por causa do meu sorriso?


— Sim... espera, não! Não mesmo! Achei que você ia falar sobre o Kai! — respondeu rápido, um tom acima do habitual. — Você entendeu!


— Sim. Acho que te deixei nervoso, desculpa!


— Não deixou!


— Então olha nos meus olhos... — pediu, já mirando os dele.


Mark riu baixo, focando sua iris escura nas castanhas do japonês, sentindo um repentino arrepio quando viu ele projetar seu sorriso de lado. O próprio Lee cedeu.


Riu, desviando os olhos e garantindo um sorriso vitorioso de Yuta.


— O que mais tem nessa cidade para me mostrar?


— Quer ver uma coisa realmente que te envergonhe?


Mark o chamou, como um ancião chamando o escolhido para uma jornada. Caminharam com passos pesados pela neve, até alcançarem a altura do pequeno monte branco que havia se formado ali, avistando uma pista de gelo com vários jovens. No centro da pista lisa — na verdade, um lago congelado —, fora colocada uma árvore de natal, cheia de luzes e enfeites — e mais de perto, perceberam vários enxertos de visco.

— Aqui é o famoso lugar que os jovens gostam de ficar, porquê...


Mark não precisou explicar, já que duas garotas simplesmente se juntaram ao lado deles e se beijaram.

— ...eu costumava a fazer apostas com os meninos da escola quando conseguíamos sair de casa e...


Fora interrompido. Por um beijo leve de Yuta.

O Lee ficou paralisado, vendo o outro se afastar e desviar o rosto para os lados, como a buscasse por testemunhas.

— O que estava dizendo? — o japonês ergueu a sobrancelha, arrumando a jaqueta que foi coberta de neve após a ação.


— Você me beijou!


— Jura!? — riu. — É tradição natalina, né? Se beijar debaixo do visco? Essas coisas estranhas... pronto. Não precisa ter inveja!


— Eu não tenho inveja! — bufou, saindo da pista de gelo com passos fortes. Yuta o seguiu risonho, mas sem dizer mais nada.



Yuta estava hipnotizado pelas luzes amarelas e as casas enfeitadas, portanto, não percebeu o olhar de Mark bastante cético.

— Quando você vai embora? — ouviu do mais baixo.


— Está me expulsando?


— Não! — exaltou-se, logo percebeu que era brincadeira. — Quero dizer... eu... eu não sei muito bem o que dizer!


— Tenta! — Yuta se aproximou, sorrindo para o canadense. Estranhou quando ele desviou o olhar. — Ei, o que eu fiz?


— Nada. Você não tem culpa de ser legal e ter me deixado profundamente atraído por você!


O japonês pigarreou, surpreso com as palavras. Mark, por outro lado, pareceu se encolher.


— Mark, você é uma pessoa incrível...


— Não enrola. Só... fala logo!


— Eu não sou assim, okay? Do tipo que chega, flerta, fica com qualquer pessoa... — começou, calmo. — Estava num relacionamento estranho com minha melhor amiga, porque eu não tinha ninguém... é por isso que estou aqui hoje, Mark. E eu não quero me confundir, ver que você é especial e de repente criar uma falsa idéia de nós... mas eu sinto uma coisa boa em você. Eu me sinto só o tempo todo, menos hoje!


Mark mordeu os lábios, abrindo os braços para acolher o japonês que, pouco sem jeito, retribuiu o abraço, onde ficaram ali por quase um minuto, em silêncio, até seus rostos se afastarem o suficiente para um contato visual e mais um beijo. Um beijo de entendimento e, de alguma forma, de permissão para alguma coisa. Eram os dois se permitindo, independente da validade do tempo juntos.


•••


Yuta não conseguia parar de pensar em Mark e no quão louca estava sendo aquela viagem.


E tudo isso seria graças ao SKY e o ídolo mal agradecido.


Pegou-se rindo encarando o teto, com projeções das sombras dos galhos de árvore lá fora. Tinha a jaqueta verde pressionada contra seu peito, pensando no quão Mark Lee era fofo e também, entendia muito bem o que era estar sozinho.


Sentia que precisavam um do outro.



•••


Os rostos de Ten, Jaehyun, Taeyong e Johnny exibiam os mesmos traços de curiosidade desde o momento em que Mark contou que saiu com o Nakamoto.


— O que eu tenho a dizer sobre ele? — retomou a pergunta feita por Taeyong. — Ele é muito legal, muito sério. É o tipo de pessoa que você não faz todo tipo de piada... o humor dele é estranho, talvez coisa de japonês. O que eu gostei dele foi o fato de que ele não se limita no que faz. Acho que é sincero em ação e no que fala...


— Tá, ele te beijou?


— Como você sab-ah, Ten! — choramingou, vendo que caiu na jogada do tailandês.


— Você beijou ele? — Taeyong animou-se. — Mark, ele tem minha idade!


— Mark, você é gay! — Johnny e Jaehyun disseram juntos.


— Levando em consideração que eu te conheço, como foi ser beijado, Mark Lee? — Ten acalmou os ânimos gerais.


— Não sei dizer. Era muita coisa acontecendo ao mesmo tempo!


— Tenta de novo! — Johnny falou brincalhão.


— Calma gente... ele só queria resolver a treta da jaqueta. Resolvemos. Ele terminou há pouco tempo, não quer misturar as coisas...


— Mas, se ele disse isso, é porque ele sentiu algo também! — Taeyong opinou, ganhando o apoio dos outros.


— E você está de dias contados no Canadá. — Jaehyun o lembrou. — Ano que vem, provavelmente nenhum dos dois estarão aí. Tudo isso será uma história legal pra contar na roda de amigos!


— Devo chamar ele pra um encontro? — Mark franziu, já com celular em mãos.


— Siga seu coração, Padawan! — Johnny brincou.


Mark ainda discutiu asneiras com o grupo e logo desligou. Ficou aéreo, sentindo-se um idiota por estar com a ponta do dedo em seus lábios, como se pudesse tocar ou sentir a maldita corrente estranha que correu por sua pele quando oa lábios deles se tocaram. Não. Foi antes disso, talvez no primeiro sorriso de Yuta... Mark não sabia. Tudo o que fez foi enterrar a cara num travesseiro do sofá.


O celular vibrou. Nova mensagem.


yutakoyaki:

quatro desconhecidos estão me seguindo e curtindo minhas postagens recentes

todos eles são seguidos por você e te seguem também

não contou que estamos namorando, né?

itzmarklee:

sério?

yutakoyaki:

não

bobinho

itzmarklee:

haha

Ei

O que achou do passeio?

yutakoyaki:

esperava mais de uma cidade canadense em época de natal

itzmarklee:

então...

não gostou?

yutakoyaki:

achei normal

você foi a excessão

obrigado por salvar o passeio, menino do visco

itzmarklee:

aaa

entendi

então 

se quiser

yutakoyaki:

quero

itzmarklee:

espera

Oq

yutakoyaki:

seja lá o que for oferecer, espero

itzmarklee:

então tá

as sete

mesmo bar

e por favor

fique aquecido até lá

yutakoyaki:

estou aquecido

obrigado

kai

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Quando Mark chegou, Yuta realmente o esperava. Sentado em uma das mesas próximas ao vidro, parecendo parte da ornamentação tão bonita.


Mark quase bobeou na força das pernas quando viu que os olhos dele encontraram os seus e, em seguida, ele sorriu.


Não poderia negar que ele era irresistível.


Se cumprimentaram e depois, o canadense acenou para que ele o seguisse.

— Espero que esteja bem quente. Vamos andar um pouco!


O sol aparecia, mas ainda sim, estava frio em Toronto. Era a chance de Mark poder se exibir ao usar bem menos agasalho do que o comum, andando pelas calçadas ainda sujas de neve.


Nem perceberam quando os dois passaram a se empurrar, dar tapas, abraços e até beijos. Na rua. Algo que Mark jamais faria.


Se alguém perguntasse a ele o que era a felicidade para ele, com toda a certeza diria que a felicidade era japonesa, de sorriso bonito e bastante sincero.


— O seu sorriso. — Mark comentou, enquanto aguardavam a bebida que haviam pedido no bar. — Acho que é a coisa que eu mais gosto em você!


— Você me faz rir!


— Ah, fala sério...!


— Eu sei que gosta de meu sorriso, por isso sorrio. É por você, idiota! — empurrou o ombro do mais novo, ouvindo ele gargalhar engraçado. — Já te disseram que você fica mais bonito quando está leve?


— Leve...?!


Yuta se levantou e deu um beijo rápido, deixando Mark de olhos arregalados. O japonês sorriu, apoiando o queixo em uma das mãos, voltando a revirar o menu. O canadense ficou rindo como um bobo.

Mesmo sendo outro país, Yuta conhecia muito bem as bebidas alcoólicas, então, pensou bem em seu pedido, baseando-se em Mark e em sua possível tolerância zero a álcool.

— Eu não sou muito de beber, da última vez que fiz isso, fui bêbado para a igreja... sorte que errei a porta e fui para a casinha de ensaios do coral. — Mark falou, provando da bebida doce. Sua careta fez o japonês rir. — Passei a noite tocando flauta, só que, eu não sabia tocar flauta!


Yuta gargalhou. — Você é doidinho, Mark Lee!


E Mark não podia discordar, deixando claro naquela conversa de que tinha amigos gays muito loucos e claro, uma certa dúvida quanto a sua própria sexualidade.

— Acho que não deve buscar respostas quanto a isso. — Yuta lhe aconselhou. — Só faca o que te faz bem. No final, rótulos so servem para outras pessoas! — segurou o queixo dele, aproximando-o para um beijo. — Você é um incógnita bonitinha!

— Você poderia reinventar a álgebra com seu sorriso!

— E você, revolucionar o termo "cantadas de pedreiro"!


Caíram na gargalhada, altos pelo álcool.

Dados alguns minutos, Mark e Yuta caminhavam bêbados e risonhos pelas ruas de Toronto, de mãos dadas, acenando para as pessoas nas ruas.

Mark se sentia leve, aquilo era diferente e longe de ser efeito do álcool. Depois de certo tempo, era ele quem guiava Yuta, rumando até a conhecida casa de música da igreja, que o Lee sabia bem como abrir a porta de tranca péssima. Os dois entraram, tropeçando na borda do tapete, pois tudo estava escuro e só piorou quando Mark fechou a porta.

— Não tem luz. — o Lee confirmou ao tentar o interruptor.


Yuta era uma silhueta, movendo-se devagar por entre os instrumentos ali. Tateando uma prateleira, encontrou uma flauta, entregando-a ao mais novo.

— Toca pra mim!

— Cara, eu sou péssimo! — Mark choramingou. — O único instrumento que sei tocar é o triângulo, mas ainda precisei de curso!

— Que fracassado!

— Ya, esse tipo de palavra dói!

— Gosto de sinceridade!

— Eu não consigo ser direto. Preciso de um tempo para formular os pensamentos!

— O que quer fazer agora?


Mark se calou, confirmando o que acabara de dizer. — Desculpa!

— O que quer fazer agora? — Yuta insistiu.

— Te beijar. Te abraçar forte para eu ter alguma lembrança de verdade disso tudo... não quero que pareça distante. Eu gostei de você e de tudo isso! — desabafou o Lee, desesperado. — Estou triste, aproveitando cada segundo e... não sei... eu...

— O que quer fazer agora, Mark? — Yuta estava próximo, tocando seu rosto com aquela delicadeza, com o polegar a desenhar os lábios do canadense. — Sou todo seu, por hoje!


E o jovem canadense não hesitou, por um segundo sequer, aproveitar da presença quente e sobretudo amigável de Yuta Nakamoto.

Tudo que o japonês tocava, era uma sensação diferente e algumas até nunca experimentadas antes pelo Lee. Ele foi respeitoso e cuidadoso em cada toque, cujo escuro pareceu ajudar ainda mais aquela situação embaraçosa.


E no fim, ficaram em silêncio. Sabiam que os dois estavam nus no chão empoeirado e olhando para o teto, analisando os padrões dos buraquinhos nas telhas que a luz externa transpassava.

— Me desculpe. — Yuta falou primeiro com a voz pouco falha, devido a respiração não tão estabilizada.


Mark riu, fechando os olhos por um instante.

Quis orar, lembrando que acabara de profanar contra o templo do Senhor — ainda que fosse a salinha de música externa a Igreja.

— Como está o coraçãozinho? — Yuta voltou a falar, virando-se para o menor. Mark sentiu a respiração quente do japonês em seu pescoço.

— Quente. — admitiu, aos risos.


Yuta o envolveu em seus braços, colando seus corpos suados por mais alguns instantes. Sentiam seus corações acelerados, movidos a tristeza daquele momento que, de fato, era o último.

— Me sinto aquecido também! — o japonês concluiu. — Boa sorte na nova década, Mark!

— Boa sorte na nova década, Yuta!


Após saírem dali, os dois foram passear pelas ruas frias, fotografando um ao outro em lugares inusitados enquanto pensavam em colher o máximo de lembranças possíveis daquele momento.


Yuta fez um acordo, no fim.

— Eu não vou avisar quando eu for, mas você saberá, claro que saberá! — riu fraco. — Mas você tem meu contato. Espero te ver crescer!


Mark socou o peito do mais alto, aproveitando para abraçá-lo e descansar sua cabeça bem ali, no cantinho onde acabara de bater.

— Vai com a jaqueta. Espero que ela te mantenha aquecido! — choramingou, incapaz de largá-lo, ainda mais quando o Nakamoto o envolveu num abraço.


Um abraço quente.

— Eu amei você, Mark Lee!

— Também te amei, Nakamoto Yuta!


Notas Finais


CALMA QUE TEM PARTE DOIS!

Sim gente, a história tá com essas divisões bizarras que eu queria tirar e quem sabe melhorar a fluidez, mas tenho medo de querer mexer e acabar mudando a essência da historinha.

De onde veio a ideia do plot?
Basicamente, ano passado surgiu um tweet de uma pessoa que tinha encontrado uma jaqueta num brechó que tinha uma declaração pra a Billie Eilish (algo assim) e nisso, o dono da declaração se revelou e postou uma foto no meet & greet dela, mostrando que tinha dado a jaqueta pra ela e que, de alguma forma, ela se livrou da jaqueta (e não sei se ela falou sobre isso depois, então...). Eu amei a historinha e quis fazer uma one romântica e deu nisso, só que eu tava empacado demais e escrevi só 2/3 da história.

A segunda parte ainda vou escrever, mas prometo que sai logo!
Espero que tenham gostado!
Happy Mark Day!


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