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História Green Witch- Jacob Black - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Prólogo


Fanfic / Fanfiction Green Witch- Jacob Black - Capítulo 1 - Prólogo

VANCOUVER, CANADÁ- FEVEREIRO DE 2006.

AS GRANDES CAMADAS DE NEVE que cobriam toda a extensão do jardim do pequena prédio da cor azul bebê, seria uma das coisas que Mary Ann sentiria falta, junto com todos os pequenos rostos que a olhavam com curiosidade. Alguns aguardando o possível aviso e outros tentando descobrir mentalmente o motivo da sua professora ter parado a aula cinco minutos antes do horário de saída.

A verdadeira realidade é que Mary Ann não estava segurava ali, a qualquer momento uma legião de bruxas poderia entrar sobre aquelas portas e mata-la ali mesmo na frente daquelas crianças. Mary corria perigo todos os dias que passava naquela cidade, e desse perigo ela não sentiria falta, a incerteza ao deitar a cabeça sob o travesseiro, sempre em alerta, a adrenalina correndo em suas veias.

Mary Ann era solitária, e isso de certa forma ajudava em uma luta ou ataque. Não tinha ninguém com quem se preocupar além de si mesma.

Para alguns, a garota era incontrolável, sua idade física não condizia com a sua idade mental, ela sempre lutava com bravura e tanta raiva diante de inimigos que ela conhecia o suficiente para temer.

Mas Mary não temia ninguém além de si mesma, e isso de certa forma a manteve viva. O sangue em suas veias sempre a lembrava quem ela realmente era, a herdeira de uma poderosa linhagem, caçada pelas bruxas que invejam seu poder.

- Crianças.- A professora da sala, Annabeth, chama a atenção do grupo pequeno de crianças enquanto bate as mãos.- Tenho uma notícia para lhes dar.

Annabeth é uma mulher magra e esguia na casa dos trinta anos, com cabelos loiros apagados, como se não tivessem uma boa lavagem a bastante tempo, nariz arrebitado e um olhar severo por trás dos grandes óculos de grau redondos. - Nossa ajudante, Mary Ann, irá sair da escola por tempo indeterminado.

Um leve grito da garotinha de 4 anos sentada em uma das últimas carteiras é ouvido, e em seguida seus olhos derramam lágrimas descontroladamente. O pequeno grupo dentro da sala, ficam perplexos com a recém notícia. Todos adoravam a ajudante da professora.

Mary Ann sentiu um aperto em seu coração, ao abraçar cada um de seu alunos. Era muito difícil se despedir deles, até chegou a pensar sobre evitar a despedida, mas não seria justo com os pequenos se ela simplesmente desaparecesse.

A pior parte foi quando Melina, uma miúda de cabelos loiros quase tão platinados quanto o da mais velha, segurou nas pernas de Mary Ann, chorando compulsivamente a pedindo para não deixá-la.

Melina era um caso especial. A mãe morrera durante o parto, e o pai alcoólatra que culpada a pobre garota da morte de sua esposa, se tornando bastante agressivo. A garotinha era retraída e bastante solitário ao se socializar com outras pessoas. Com a chegada de Mary Ann no começo do ano letivo, ambas se aproximaram mais do que o esperado. De certa forma Melina reconheceu Mary Ann como uma figura materna, que a protegeria de todo o mal e estaria ali como sua mãe não pode estar.

Mas Mary Ann não era sua mãe, e tão pouco podia acolher a garotinha. Ela tinha seu pai, e por mais que fosse um péssimo exemplo paterno, não iria e nem aceitaria que sua menininha fosse tirada de si. E para a Mary, Melina ficaria melhor em uma companhia familiar, com seus parentes de sangue.

Pelo menos era o que a mulher dizia a si mesmo todas as noites antes de se deitar para dormir. Não podia intervir em assuntos que não eram a respeito de si. Mas isso não impediu a mulher de criar um laço forte com a garotinha.

Mas Mary Ann não era fria, e muito menos sabia virar as costas quando enxergava algum tipo de injustiça. E aquela garotinha a lembrava bastante da sua própria história, que poucos conheciam, e que Mary preferia deixar o mais escondido possível em seu subconsciente. Não era algo que a mulher gostava de se lembrar, por mais que não podia negar sua própria linguagem, o seu próprio sangue que passava por todo o seu corpo.

A casa de Mary Ann ficava a poucos minutos da escola, estava nevando, o frio era suportável, o casaco grosso da mulher a esquentava durante o caminho. O trajeto era feito todos os dias pela mulher, que preferia andar a pé, ao se submeter a transportes coletivos ou individuais, ela de fato nunca se acostumou com todas as mudanças que viu passar conforme os anos, e transportes automotizados era um desperdício na visão da mulher. As carruagens eram sua forma de se locomover preferida, os cavalos eram seus animais favoritos na face da terra, mas pouco os via nos dias atuais, eram utilizados apenas carros e ônibus, fazendo assim, os cavalos serem excluídos do meio da sociedade. Aviões, esses sim, eram transportes que mereciam o devido valor. Levavam centenas de pessoas de um continente para o outro em algumas horas apenas.

Em sua juventude, barcos, grandes a vela, eram utilizados para tal locomoção, levando meses no mar para chegar ao seu destino.

As paredes pintadas de um amarelo claro, que faziam contraste com as janelas brancas de vidro. A casa de Mary era pequena, uma escada em madeira de 3 degraus, faziam barulho conforme as botas da mulher pisavam sobre ela, revelando a velhice das mesmas. A porta de madeira pintada de tinta branca, rangia sempre que a Mary passada por ela. O interior era simples e aconchegante. Havia pouca mobília e a decoração era antiga, quase uma raridade, apenas um pequeno sofá de couro preto que se mantinha no centro da sala a frente de uma tv antiga que transmitia apenas imagens em preto e branco. A cozinha ao lado direito era separada da sala apenas por uma pequena bancada, onde Mary Ann deixou as chaves sobre. Os armários de aparência velha eram abertos pela mulher enquanto ela procurava um objeto em questão. Mary colocou a água para ferver e virou as costas em direção ao pequeno corredor onde se localizava apenas duas portas, o quarto e um banheiro.

Mary tirou o cachecol dos ombros o jogando sobre a cama de lençóis de seda roxos. O sobretudo que antes estava sobre os ombros da mulher, agora se encontrava dobrado sobre a cama. Suas malas estavam ao pé da cama, já devidamente arrumadas e fechadas. Mary era de fato uma mulher organizada, e muito precavida.

Com a toalha em mãos e os cabelos agora soltos, adentrou o box do banheiro ligando a água o mais quente possível.

A quentura não incomodava a garota, muito pelo contrário, a acalmava.

Mary Ann deixou a água cair sobre seus cabelos que chegavam até a cintura da garota sem nenhum problema. Belos cabelos de cor branca. Cabelos brancos eram uma genética de sua família paterna, que foi passada a ela. Juntamente com seu poder de cor verde.

Seus pensamentos rapidamente foram invadidos por um rosto angelical e de cabelos tão claros quando os seus, Mary de alguma forma se sentia culpada e responsável pelo bem estar da pequena Melina, era um sentimento novo para a mulher, que não saiu de sua cabeça desde que resolveu que era hora de volta para casa.

Mary Ann nascera na Inglaterra, durante o reinado de Eduardo IV. Sua mãe, Margarida era filha do rei, e prometida a um conde de outro reino distante quando ainda fora recém nascida. Mas o destino uniu David, seu pai, e Margarida sua mãe, em um amor impossível e perigoso.

Mary nunca soube muito sobre sua mãe, apenas que era uma mulher boa e amada por todos que a conheciam. Seu pai, fora um bruxo de linhagem antiga, os Lothbrok, uma família antiga e poderosa. Agora só restava ela, a última descendente direta.

Um sobrenome que a fazia um alvo.

Mary Ann era uma sobrevivente, uma guerreira, tão poderosa quanto seu sobrenome descrevia. Era uma mulher leal, e corajosa ao extremo. Tão bondosa e letal ao mesmo tempo.

A mulher secou os cabelos com magia, enquanto tirada a água do fogão. Mary adorava chá, principalmente o de hortelã. Sempre gostou do cheiro da folha e o gosto em sua boca. Era de fato alucinante para a mulher.

Com uma xícara em mãos se sentou sobre o sofá de couro preto, repousando a pequena porcelana em sua mão sobre a mesa de centro. Em suas mãos, um exemplar de Valperga, um dos antigos livros que Mary Ann apreciava ler. E foi assim que passou grande parte de sua tarde até o começo da noite.

Mary ficava horas lendo e relendo os clássicos que tanto admirava. Livros repleto de paixões alucinantes, mistério e segredos. Era de fato revigorante.

Seus olhos se desviaram do livro apenas quando o telefone de fio tocou sobre o balcão na cozinha. A mulher levantou deixando o livro para trás, enquanto caminhava, se perguntou mentalmente para quem havia passado o número de seu telefone. Não era como se tivesse amigos e muito menos familiares que soubessem de seu paradeiro.

Mary colocou o objeto sobre o ouvido ainda acanhada.- Alô?- O silêncio do outro lado era deveras suspeito, se ouvia apenas uma respiração descontrolada e pequenos gemidos de dor.- Quem fala?.

Mary focou os olhos no relógio em sua parede que marca 07:35pm. Seu vôo saia as 09pm em ponto.

A ligação ainda estava em silêncio, mas agora Mary podia ouvir o som de passos, passos firmes e pesados.

- Mary.- Uma voz doce e trêmula soou atravéz do telefone. A mulher estremeceu ao indentificar o seu suposto dono. Não..- Ele está vindo.

- Quem está vindo Melina?- Mary estava preocupada, receosa com a repentina ligação. Não era do fetiche da garotinha ligar por qualquer coisa.- Fale comigo querida.

- Meu pai.- Sua voz saiu mais baixa do que o normal e os passos estavam cada vez mais próximos.- Acho que ele quer me machucar.

- Querida você está em casa?- Uma corrente elétrica passou pelo corpo da mulher lhe causando uma sensação ruim.

- Me ajuda Mary.- Sua voz saiu em um sussurro. Logo após um grito agudo assustou a mulher.

- Melina.- Chamou não obtendo resposta - Melida fale comigo, por favor.- Quando a chamada foi terminada Mary Ann saiu às pressas de sua casa, vestida apenas com uma calça de moletom e uma blusa de alça fina. O frio não a incomodou enquanto corria desesperadamente até o endereço que conhecia. A cada passo que dava o coração da mulher apertava e a sensação de perda crescia em seu interior. A culpa estava sobre seus ombros, havia decidido não se intrometer, e agora a garotinha estava em perigo. Péssima decisão Mary.

A casa velha com aparência abandonada foi avistada pela mulher que apertou os passos para ir mais rápido, era rápida, mas não tão rápida quanto gostaria.

Mary Ann adentrou a casa de maneira violenta e buscando com os olhos os cabelos claros de Melina. O primeiro andar estava vazio, e a casa parecia tão abandonada por dentro quanto por fora, a pintura descascando sobre as paredes, as várias teias de aranhas por toda a extensão, céus como ela vivia aqui. A culpa só aumentava sobre seus ombros.

Um barulho de choro atraiu a mulher até o andar de cima, onde encontrou Melina em um dos quartos no canto abraçando os próprios joelhos com a cabeça abaixada. A garotinha chorava e tremia de forma descontrolada.

- Melina.- A mulher a chamou ao se agachar em sua frente. A garotinha levantou os olhos azuis, os focando no rosto da mulher em sua frente. Um suspiro saiu da sua boca enquanto a mais velha alisava seus cabelos.- Você está machucada?- O semblante preocupado de Mary fez o coração da pequena se acender. A miúda balançou a cabeça negativamente enquanto ainda tremia.

O pai de Melina, era um homem grande de aparência assombrosa, cabelos grandes e loiros que caiam sobre seu rosto fino, seu nariz pontudo e olheiras profundas abaixo dos olhos, consequências das noites que virou se alcoolizando.

Mary Ann sabia o que era se sentir em perigo, sabia qual a sensação de estar sobre um fio de vida, por mais que tivesse a eternidade a sua frente, sua parte humana a permitia se machucar, a sangrar, e nunca quis saber se também a permitiria morrer. Melina era jovem demais para se sentir assim, Mary desejou que a garota nunca mais experimentasse dessa sensação sufocante que conhecia tão bem.

Antes que Melina falasse algo e antes mesmo que o homem a agarrasse, a mulher ergueu uma de suas mãos sentindo o poder em seu tom verde se manifestando. Melina caiu em um sono profundo induzido pela mais velha, enquanto o homem que estava prestes a atacar travou no lugar, atrás de Mary, e agachou de forma brusca, se sentia obrigado a fazer esse movimentos, como se algo o controlasse, e de fato controlava, a loira o controlava.

A mulher levantou trazendo a garotinha em seu colo, era considerada pesada para pessoas normais, mas leve igual uma pena para Mary. Caminhou para fora do quarto ainda com o controle sobre o homem.

- Sugiro que você nunca mais nos procure.- Sua voz sai embargada, com ódio evidente.- Você vai querer ter escolhido não ter me conhecido.

A jovem com a criança em seu colo, desce as escadas sentindo o chão frio sobre seus pés descalços, ao passar pela porta da frente o frio envolve o corpo da mulher a fazendo arrepiar, isso não a mataria, por enquanto, balançando uma de suas mãos, sentindo o poder manisfestar sobre seu corpo, pode ouvir com a audição apurada, quando o pescoço do homem se quebrou e seu corpo sem vida bateu sobre o chão.

Nunca deixe testemunhas, era o que Bridget tinha a ensinado. Principalmente pessoas iguais aquele homem, repulsivas, que não pensariam duas vezes se pudessem atacar ela. Mary Ann não teve remorso, nunca tinha.

Bridget foi uma amiga de Mary, uma das únicas amigas em toda sua vida. A mulher já teve vários aliados, conheceu várias pessoas de cultura diferentes, Bridget fora uma bruxa  poderosa que deu sua vida pela dela, durante a caça as bruxas de Salem.

Mary caminhava em passo largos enquanto cantava uma de suas músicas favoritas no ouvido da garotinha em seu colo. Podia sentir a magia se remexendo dentro dela, emanando calor sobre seu corpo e o da pequena, expulsando os pequenos vestígio de frio que havia sobre as duas.

Mary Ann agora tinha mais um coisa com que se preocupar, ou melhor, mais alguém. Não seria fácil, mas algo dentro de si falava que seria o mais perto que ela chegaria de felicidade plena. Não poderiam olhar para trás, e muito menos se arriscar. Respirar ficaria mais difícil, mas conseguiriam no final, elas teriam que conseguir.

A fortaleza dos Lothbrok, erguida sobre pura magia, as grande colunas de pedra, localizada em uma cidade pequena no interior de Washington, EUA, para onde seus antepassados fugiram afim de se esconder dentro das grandes paredes daquele lugar. A mansão era rodeada por magia, magia que protegeria as duas garotas de futuros ataques, estariam momentaneamente seguras.

Entre as lacunas

Na noite coberta de neblina

Sinto sombras

Parece que algo está se movendo lá

Eu chamo, mas ninguém me responde

O céu estrelado de Vancouver foi rapidamente substituído por uma onda de raios, não havia vestígio de tempestade, mas ainda assim, os raios caiam um atrás do outro. O céu parecia dançar em uma sincronia perfeita enquanto Mary cantava animadamente a música em voz alta.

Você viu as luzes da rua

Brilhando na aldeia?

Você viu o que eles fizeram lá?

Você se lembra do estado das coisas?

Alguém estava procurando por mim?

Mary Ann estava voltando, voltando a sua origem, voltando até o ponto inicial da sua magia. A mansão Lothbrok a aguardava, ansiosa pela chegada da primogênita da família.

E a mulher agora levava em seu colo, um futuro brilhante.

“ Tomorrow comes and goes before you know ”

Beautiful -Bazzi



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