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História Gringa Grudenta - (Catradora) - Capítulo 7


Escrita por:


Notas do Autor


Fiquei meio emotiva escrevendo esse capítulo.

Avisos de gatilho: violência policial, racismo, capacitismo, luto.

Para quem não sabe, capacitismo é como nomeamos a violência institucional contra pessoas com deficiência física ou mental. É como homofobia, racismo, só que direcionado a pessoas com deficiência.

Capítulo 7 - O Casamento do meu Irmão


São onze da noite e Catra está sentada na cama, recostada à parede enquanto conversa com a mãe pelo whatsapp, com o lençol cobrindo todo o seu corpo da cabeça aos pés e deixando somente o rosto e as mãos de fora, como um conjunto de capa e capuz. Na cama do outro lado do quarto, Entrapta, como sempre, mexe em seu notebook. “Ás vezes eu me pergunto se ela nasceu grudada com esse treco”, pensa Catra, a espiando por cima do seu celular novo.

Ela ajeita os fones e dá play no último áudio de sua mãe.
- Filha, não precisava disso... a gente tá conseguindo se virar sem você, nós prometemos viu? Jê conseguiu um trabalho de empacotador no mercadinho do Tião. Guarde seu dinheiro pra você, ouviu?

Catra havia enviado uma mensagem mais cedo avisando à mãe que depositara parte do seu salário para ela, e desde que ela chegara do trabalho, há poucos minutos, vinha tentando convencer Catra a não fazer mais isso e insistindo em devolver o dinheiro. Revirando os olhos, a garota começa a digitar.

Catra

poh parah

tah doida? esses mané me pagam mt mais q eu consigo gasta

eu to de boa

é pra tu cata o dinheiro e volta de uber do trabalho agr ouviu?

chega de conduçao lotada pra sinhora mae

Mamãe está gravando um áudio...
- Você é um amor, minha filha... mas você tem sua própria vida, eu não quero que fique se preocupando com a gente, mesmo que seja difícil a gente sempre deu um jeito, não foi?

Catra

oh veia teimosa para de teima k7

ce cuido de mim por 18 anos

agr eu tenho dinheiro eu vo cuida doceis ue

Enquanto sua mãe grava um novo áudio, Catra aproveita para checar seu twitter. Já fazia algum tempo, desde a sua época no São José, que amigas e companheiras insistiam que ela criasse um perfil oficial, com seu nome e foto, para lidar com o público, e ela nunca gostou da ideia. Assiste um vídeo de um filhotinho de gato escalando a perna do dono, outro de dois gatinhos filhotes brincando numa cama, e logo chega a notificação da mensagem de sua mãe.
- Eu entendo como você se sente, minha filha... eu teria feito o mesmo. Obrigada.

Pelo tempo que ela levara para gravar a mensagem, Catra havia imaginado que seria algo bem mais longo do que isso.

Catra

issae

oh faz seguinte

procura umas escola de ingleis pros pirralho

sepah uma escola particular tb

de burra na família jah basta eu

e tb ve uns plano de saude pra sinhora mae

eu vo paga

A mensagem de voz seguinte é gravada rapidamente.
- Ai Catrina, você é impossível – ela ri, imaginando a cara de desprezo que sua mãe deve estar fazendo agora. Antes que Catra comece a digitar, outra mensagem de voz é enviada – e para de se chamar de burra, eu odeio quando você faz isso!

Catra

ue

qria eu num se burra neh

mae ta tarde aq oh

tenho q dormi

senao fico desabituada pros horario dos treino

Mamãe

Durma bem meu anjo <3

Catra

ce tbm

flw

Catra deixa o celular na mesinha-de-cabeceira ao lado da cama e se deita pra dormir, mas a luminosidade do notebook de Entrapta ainda a incomoda.
- Hey! Entrapta! – ela chama. A garota tira os olhos do computador por um momento – i want to sleep!
- Oh, desculpe! Não vou demorar...

Naquela noite, Catra sonha com o rosto que mais sente falta no mundo, e também o rosto que ela mais deseja esquecer.
- Caio...

O ambiente é estranhamente claro. É como se estivesse enxergando as coisas por trás de algum desses filtros ridiculamente brilhantes do instagram. E ali está ele, Caio Rodrigo Macieira, exatamente do jeito que Catra se lembrava dele: uns quinze centímetros maior, ombros largos, cabeça raspada, o mesmo tom de pele, olhos castanhos profundos bem diferentes dos seus próprios olhos heterocromáticos. Ele se apoia numa janela observando o horizonte. Catra sente que estão num prédio, mas ao se aproximar não vê nada através da janela. Há apenas branco. Ela toca em seu ombro.
- E aí, maninho – ela diz, sem abrir a boca. Diz, em linguagem de sinais. Alguma coisa lhe diz que já se passaram anos desde a última vez que ela precisou usar linguagem de sinais, mas a razão lhe foge à memória. Incomodada, ela empurra esse pensamento para o fundo de sua mente. E como sempre, ele a recebe com um sorriso aberto de dentes brancos contrastando com a pele escura, e responde, também em linguagem de sinais:
- E aí, maninha.

Eles permanecem o que parecem horas jogando conversa fora. Catra lhe conta sobre como comprou um videogame e jogou um jogo incrível chamado The Last of Us. Conta o final de The Last of Us Left Behind, onde Riley e Ellie ambas descobriram ser imunes, levando aos acontecimentos do jogo anterior em que Joel e Tess guiam as duas até um laboratório dos Farfláis para desenvolverem uma cura, e como ao chegarem lá, Tess confessou seu amor para Marlene e as duas se casaram após salvarem o mundo. Caio comenta sobre partes do jogo, fazendo aquelas piadas internas idiotas e causando risadas em Catra quando ela menos espera. E ele também conta sobre sua vida desde que saiu de São José: como conseguira arrumar um emprego, assim como sua namorada, e como ambos estão vivendo uma vida confortável num apartamento no centro de São Paulo. Ele convida Catra para visitá-lo quando a temporada acabar. Diz que tem assistido a todos os seus jogos.
- Eu já te contei que vamos nos casar? – ele conta.
- É O QUÊ?! – Catra grita, e começa a fazer gestos freneticamente – como assim você vai se casar?! E ia deixar pra me contar quando, seu filho de uma rapariga?! – Caio ri com a reação da irmã.
- Eu estou contando agora! Pedi ela em casamento na semana passada – ele responde, fazendo seus sinais de forma tão frenética quanto Catra.
- Mas que filho da puta! – ela fala e gesticula ao mesmo tempo, e então transmite o resto da mensagem apenas gesticulando – já marcaram o dia do casamento? Se precisarem de qualquer ajuda, eu ajudo ouviu?
- Não precisa se preocupar, irmãzinha. Nós conseguimos nos virar bem, guardei dinheiro o suficiente para isso. Até comprei uma aliança de ouro de verdade para ela – Caio conta, orgulhoso.
- Ihhh alá, o muleque tá ostentando! – brinca Catra, falando ao mesmo tempo que usa linguagens de sinais mais uma vez.

Alguma coisa no fundo da mente de Catra pede desesperadamente para que ela o abrace. É um sentimento horrível, como um incêndio devorando ela por dentro. Engolindo em seco, ela tenta resistir ao instinto, mas é forte demais. Ela acaba  cedendo e pula sobre ele, envolvendo-o em seus braços com toda a sua força. Fecha os olhos com força, tentando impedir as lágrimas de saírem.

E no instante seguinte, ela vê um teto cinzento com uma fraca luz matinal que vem do lado de fora.

Caio não está mais aqui.

Já faz quatro anos.

Nunca houve emprego bom em São Paulo. Nunca houve aliança de ouro nem pedido de casamento. O que houve foi um funeral, uma nota num jornal online onde ignorantes o chamavam de bandido, diziam “conhecer esse tipo", diziam que "se estava correndo, coisa boa não estava fazendo", que "se a polícia atirou, é por que ele deu motivos".

É desesperador. Ela se sente de volta no dia em que recebeu aquela ligação. Sua mãe e seu padrasto estavam no trabalho, e ela em casa cuidando da pequena Luana. Caio havia sido baleado pelas costas pela polícia por não parar de correr ao darem a ordem. Ele era um cara atlético, sempre ia andar de bicicleta ou jogar futebol com Catra desde que haviam nascido, e mantinha uma rotina de corridas matinais diárias desde que se mudara para São Paulo com a sua namorada, sob a promessa de que na cidade das oportunidades, eles teriam mais chances de encontrar um emprego, mesmo na sua condição de casal surdo-mudo.

Ele não poderia ter ouvido aquelas ordens. Não poderia nem ter ouvido o momento do disparo daquele policial covarde, cujo a identidade nunca foi revelada. O coração de Catra dói só de imaginar a confusão e o terror que ele deve ter sentido quando subitamente percebeu que estava sangrando igual um cão sem motivo nenhum. Quando percebeu uma dor sem explicação. Catra se culpa por nem ao menos ser capaz de explicar o que ele deve ter sentido.

Ela enterra a cara no travesseiro, abafando um horrível grito de raiva, o choro, a dor, a impotência, o luto. Tudo o que ela queria era cinco minutos num quarto fechado com o policial que fez aquilo ao seu irmão mais velho. Queria amarrar aquele ser humano nojento numa cadeira e submetê-lo a todas as piores torturas que sua mente perturbada fosse capaz de imaginar. Queria ver esse policial desejar nunca ter nascido. Queria matá-lo com suas próprias mãos.

Queria Caio de volta.
- Catra? Você está bem? – ela ouve aquela voz esganiçada de Entrapta vindo da porta.
- Leave me alone – pede a brasileira. Entrapta encolhe os ombros e torna a sair do quarto.

Ela volta para a cozinha, onde Scorpia e Perfuma tomam café da manhã – com Perfuma sentada no colo de Scorpia, vale a pena frisar.
- O que foi? Ela se machucou? – pergunta Scorpia.
- Não sei, ela só pediu para ficar sozinha – diz Entrapta, um tanto soturna. Ela torna a se sentar no seu lugar e continua comendo seus mini-sanduíches. Enquanto isso, Perfuma tenta enfiar um garfo com um pedaço de maçã picada na boca da namorada.
- Vamos, amor. Tem que comer fruta também!
- Amor, eu já como fruta a semana inteira – replica Scorpia – deixa eu descansar, é fim de semana...

Entrapta acha graça na interação. Fica com os olhos fixos no casal nesse vai-e-vem até que Perfuma convence a namorada a comer apenas meia maçã hoje, e ela comeria o resto. Finalmente, ao Scorpia terminar de mastigar, elas voltam ao assunto inicial.
- Eu vou tentar falar com ela depois – diz Scorpia – a Shadow Weaver tá colocando ela na reserva pro próximo jogo por causa da contusão, mas ela acha que já está totalmente recuperada. Catra estava bem frustrada no treino ontem, deve ser por isso.
- Amor! – Perfuma chama sua atenção.
- Ai meu deus, desculpa! A treinadora Weaver! – ela se corrige.

A treinadora Weaver odeia seu primeiro nome. E não é pra menos. Muitos são os que se perguntam onde diabos seus pais estavam com a cabeça quando decidiram por aquele primeiro nome que a fazia soar como uma vilã de desenhos infantis.

É quando a porta do quarto de Catra e Entrapta se abre e a brasileira se arrasta pra fora, sua juba selvagem completamente bagunçada e a cara amassada. Ela evita olhar para as suas colegas de apartamento e caminha até a geladeira, em silêncio.
- Bom dia! – cumprimentam Scorpia e Perfuma ao mesmo tempo.
- Bom dia – Entrapta, um pouco atrasada.
- Olá... – Catra responde baixinho. Scorpia nota que os olhos da garota parecem vermelhos e seu rosto, um tanto úmido. Catra pega uma garrafa de suco, e alguns potes na geladeira e vai preparar um sanduíche na pia, de costas para as outras. Funga algumas vezes e esfrega o rosto na manga da camisa, tentando sutilmente secar o que ainda restam de lágrimas.

Quando ela termina de fazer seu sanduíche – pão integral, queijo branco, tomate, manjericão e azeite – decide comer na pia mesmo. Não quer que as outras vejam como está agora.

O silêncio no ambiente é mortal.

Catra termina de comer e vai se sentar no sofá da sala com o celular no colo.
- Então... o que vocês têm para fazer hoje? – pergunta Scorpia, tentando ignorar o clima estranho. Ela sabe muito bem o que cada uma das garotas presentes tem para fazer.
- Eu vou encontrar Hordak na biblioteca mais tarde, estamos quase terminando um projeto – diz Entrapta.
- E eu vou passar o resto do dia com o amor da minha vida – responde Perfuma, dando um beijo no rosto de Scorpia, que fica levemente corada, ri e devolve o beijo.
- Hey, Catra! – chama Scorpia. A garota levanta os olhos do celular e a encara – o que você tem para fazer hoje?!

A brasileira reflete por alguns momentos sobre o que a outra está dizendo, tentando decifrar a mensagem. Ela acha que entendeu o que Scorpia disse, mas não tem certeza absoluta. Ela dá de ombros e balança a cabeça.
- Nada – responde seca. Não é sua intenção soar seca, mas é inevitável. Scorpia se retrai na cadeira, levemente magoada.
- Acho que ela não está afim de companhia – Perfuma tenta tranquilizá-la.
- Não, tudo bem.

Já é pouco mais de meio-dia.

Catra passara boa parte da manhã conversando com Jefferson, seu irmão mais novo. Com ela fora, ele se torna o novo irmão mais velho da casa. Contou sobre seu sonho, sua recuperação, perguntou se ainda estava frequentando as batalhas de rap.

Catra

oh maninho vemkk

ce puracaso inda sabe língua de sinal???

sei mana

eu e o lucas inda praticamo as vez

pq mana

Catra

tava pensando q algm tem q insina a baxinha

ceis pode insina ela????

uai pq

Catra

pq eh bom sabe ue

pergunta idiota

ta a gnt vai tenta

mana

a mae falou q ce vai paga escola de ingles pra nois

ta certo issae

Catra

e plano de saude e escola particular tb

eu soh vou me aposentar qdo vcs 3 forem dotor ta ouvino?

mana eh mt caro

n precisa n

o lucas ta começano a estuda pra se dj, o mlk leva jeito

eu to com emprego novo 

a gnt consegue se vira com q tem mana

Catra

a cala boca

mano eu fui ve minha conta no dia q recebi meu primeiro salario

vei

dava 8 mil da moeda daq

doelar eteriano o nome

dolar teclado burroo

da mais de 25 mil reau

como q eu vo gastar td isso mano

n tem condiçao

KRL

25 MIL REAU

POHAAAA

Catra

intao mano

eu n sei se a mae vai realmente ir atras das parada saca

ent se ela n fo vc e o lucas vao

se quiserem compro ateh casa nova no centrao proceis

ta bom

mana vo ajudar a baxinha no dever da escola aq

fica na paz ae flw

Catra

flw maninho

n esquece oviu? eh pra procura escola particular, escola de ingles e plano de saude pa veia

se fo mt longe pode pega uber q eu do o dinheiro proceis

kkkkkkkkkkkkkkkkk ta ostentano msm essa minha mana

ta bom

Catra

ostenta vai ta ceis 3 daq uns ano

ostentano diploma da USP na frente de td mundo e tacando aqueles chapeuzin ridiculo pra cima

fodase o sistema

e pau no cu do bolsonaro

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ta

flw

Catra guarda o celular no bolso e se levanta, esticando os braços, costas e pernas. Ela pensa em sair de casa para dar uma volta depois do almoço. Pensa no dia de amanhã, quando pegarão um ônibus para a cidade de Alwin para a partida contra o Alwin United. Espera que ao menos a treinadora Weaver tenha a decência de colocá-la pra jogar no segundo tempo.

Perfuma e Scorpia saem do quarto ao mesmo tempo, de mãos dadas, ambas sorrindo bobamente, levemente suadas e descabeladas. “Ihhhh alá tavam transando”, pensa Catra com um sorrisinho malicioso. Elas se dirigem à cozinha e começam a preparar o almoço. Catra se junta a elas na cozinha.
- Espero que cêis tenha lavado as mão – cutuca Catra num tom alto e irônico, exibindo as próprias mãos e chamando a atenção das duas – wash hands! Wash hands!
- Oh, não se preocupe Catra. Eu sempre lavo as mãos antes de cozinhar! – Perfuma a tranquiliza, mas Catra não entende nada da segunda frase e decide se satisfazer com o “don’t worry Catra”.

As três estão lavando a louça após o almoço quando o interfone toca. Scorpia vai atender e volta com um sorrisinho malandro para a cozinha.
- O que foi, amor?
- Nada, não – ela vira os olhos para a outra – hey Catra, tem alguém subindo. Você pode atender a porta?

Catra fica olhando pra cara de Scorpia sem realmente entender o que ela falou.
- A porta – repete Scorpia – atender, a, porta.
- Ah tá – Catra termina de secar e guardar um prato e no instante seguinte ouvem-se batidas – JÁ VAI! – ela grita num volume exagerado por cima do ombro, sobressaltando Scorpia e Perfuma.

- Meu deus, que susto... – murmura Scorpia, botando a mão sobre o coração, enquanto Catra joga o pano de prato sobre os ombros e vai com seu andar gingado até a porta.

Ela poderia esperar absolutamente qualquer coisa no mundo, menos o que vê quando a abre. E o que ela vê é aquela mesma loira do bar da faculdade de outro dia, usando camisa social branca, colete preto, calça social preta, sapatos marrons brilhando de tão polidos, carregando um buquê de flores brancas numa mão e uma bandeja de plástico com um bolo circular na outra. O queixo de Catra cai e ela fica ali, completamente estupefata, encarando abobada a loira que sorri de um jeito constrangido.
- Maquiporréessa.
- Ahn... bem, como eu começo? – Adora segura um bilhetinho na mesma mão do buquê de flores, e começa a ler com o pior sotaque que Catra já ouviu em sua vida – Ágata Catrina, sei que começamos com o pé errado. Eu te machuquei emocional e fisicamente devido à pura irresponsabilidade e estraguei seu primeiro jogo em Etéria para você. Entenderei se você ainda acha difícil me perdoar, mas queria mostrar que lamento minhas ações de qualquer maneira. Eu juro que terei mais cuidado no nosso próximo jogo.

Adora havia escrito aquele texto no google tradutor e esperava ao máximo que ele não tivesse bagunçado sua mensagem toda.
- Como que cê sabe onde eu moro? – pergunta Catra saindo do estupor e começando a gesticular e andar de um lado pro outro freneticamente, completamente confusa com a situação – vadia, que que cê tá falando? Cê já pediu desculpas porra, eu já aceitei! – quando ela se torna para Adora, vê em seu rosto que ela não entendeu nada – it’s okay! I am okay! How you know my home?!
- Oh, a Scorpia me disse – e acena por cima do ombro de Catra com um sorriso amigável. Catra olha por cima do ombro e vê Scorpia e Perfuma acenando de volta.

Catra se lembra de ter visto ambas na seleção de Etéria no Fifa. “É claro que elas tinham que se conhecer”, pensa, revirando os olhos. Quando torna a olhar para Adora, ela está estendendo o buquê de flores para ela, quase as enfiando na sua cara. Catra agora percebe possuir um envelope com um fechamento todo chique junto. Ela pula para trás, tentando escapar das flores.
- It’s okay! – repete ansiosamente, já sentindo os olhos e garganta começando a coçar. Um pouco de pólen devia ter voado na sua cara – I am okay! Tira essas flor daqui, caraio!
- Eu só... – Adora começa a ir atrás da brasileira, “invadindo” o apartamento, mas é interrompida por um espirro de Catra.

“Esse é o espirro mais fofo que eu já ouvi”, Adora, Scorpia e Perfuma todas pensam ao mesmo tempo, surpresas, e logo têm sua corrente de pensamentos interrompidas por um ataque de tosse da brasileira, que tenta se afastar da eteriana correndo para a cozinha.
- Eu acho que ela é alérgica! – Scorpia avisa alarmada, fazendo Adora dar um gritinho agudo e jogar o buquê para fora do apartamento sem pensar. Ela deixa o bolo, que tem escrito “I’m sorry” em chantilly na cobertura, em cima da mesa e corre atrás de Catra.
- Meu deus, me desculpa, eu não sabia! – ela encontra Catra se apoiando na pia e tentando tampar o nariz e a boca para segurar a tosse e acalmar a respiração, e faz menção de ir apoiá-la, mas a brasileira se vira desesperada na sua direção.
- NÃO! – ela grita, assustando Adora – tá cheio de pólen nas tua roupa, fica aí!

Os olhos da brasileira estão vermelhos e lacrimejando e sua expressão é de desespero. Ela odeia, odeia, odeia que vejam suas vulnerabilidades.
- Me desculpe – pede Adora novamente, dando um passo para trás. “Que ideia mais idiota”, a loira pensa. “Por que eu fui fazer isso? Agora ela me odeia ainda mais!”, pensa.
- Só... só me dá um segundo – Catra diz, tentando recuperar o controle da sua respiração. Esconde o rosto com as mãos e respira fundo, apenas para soltar mais um espirro. Ela gesticula para que Adora se afaste – caraio mina, cê se esfregou num girassol é?! Sé loco!
- Eu... eu vou embora – diz Adora, dando dois passos para trás e logo se virando para a saída, assustada com a situação que acabara de causar.
- Ué? Por que ela vazou? – pergunta Catra, tornando-se para Scorpia e Perfuma – why she leave?
- Huh. Eu vou falar com ela, Wild Cat – diz Scorpia, saindo do apartamento e correndo atrás de Adora. Enquanto isso, Perfuma vai socorrer Catra na cozinha.


Notas Finais


Eu imagino que agora vocês estejam se perguntando: “mas como a Catra nunca teve uma reação alérgica vivendo na mesma casa que Perfuma, que com certeza seria do tipo a enfiar florzinha e plantinha em todo canto da casa?”. A resposta é:
1- eu só inventei essa da Catra ser alérgica agora, portanto não havia feito nenhum planejamento sobre isso antes, MAS eu não teria usado essa ideia se depois de estudar um pouco as minhas possibilidades eu não achasse nenhuma aplicável que fizesse sentido, e assim vamos ao ponto mais importante:
2- pelo o que eu estava pesquisando, não são todas as flores que causam reações alérgicas, apenas flores que produzem pólen leve e em grandes quantidades de forma a ser transportado pelo ar, algo que não são todas as flores que fazem. As flores que a Adora levou são margaridas (um dos tipos ruins para alérgicos). Girassol, outro tipo que a Catra menciona, também é horrível para alérgicos por produzir uma quantidade absurda de pólen, e ter aquela parte do núcleo toda aberta, facilitando o transporte pelo ar (lembrem-se que a alergia não é à flor como um todo, e sim ao pólen). Mas flores como gerânios, orquídeas ou rosas não produzem ou produzem quantidades muito baixas de pólen, ou não soltam o pólen que produzem no ar, sendo assim “seguras para alérgicos”. Então basta imaginar que a Perfuma coincidentemente não tem nenhuma das flores ruins para alérgicos em casa.

No caso a Adora não apenas levou margaridas, um tipo de flor ruim para alérgicos, ela também entrou numa floricultura e ficou lá vendo as flores e escolhendo e checando cada uma delas e ficando naquele ambiente lotado de pólen no ar por um bom tempo, de forma que ele se impregnou no corpo dela.

Eu pensei em comentar essa coisa dos tipos de flores durante o capítulo, mas eu achei que ficaria pouco natural porque:
- a Perfuma entende tudo o que se tem para entender sobre flores, então ela já saberia na hora a razão da Catra nunca ter tido problemas com a decoração dela, tendo noção de que suas flores são do tipo que não soltam pólen;
- a Scorpia não está pensando nisso;
- não faz sentido para a Catra ficar explicando pra si mesma como a alergia dela funciona;
- a Adora além de não estar pensando nisso, não vive ali e não está prestando atenção em como a casa é decorada, e se prestasse atenção, ela só ficaria confusa e não saberia explicar as reações distintas, visto que não é bióloga, nem médica, e nem entende de plantas, flores ou alergias.
- a Entrapta não tá presente ):

Por isso eu decidi explicar aqui nas notas finais.

Se quiserem ouvir mais ou menos como a Adora leu aquela mensagenzinha pra Catra, entrem nesse link aqui e cliquem para ouvir : https://translate.google.com/#view=home&op=translate&sl=en&tl=pt&text=%C3%81gata%20Catrina%2C%20sei%20que%20come%C3%A7amos%20com%20o%20p%C3%A9%20errado.%20Eu%20te%20machuquei%20emocional%20e%20fisicamente%20devido%20%C3%A0%20pura%20irresponsabilidade%20e%20estraguei%20seu%20primeiro%20jogo%20em%20Etheria%20para%20voc%C3%AA.%20Entenderei%20se%20voc%C3%AA%20ainda%20acha%20dif%C3%ADcil%20me%20perdoar%2C%20mas%20queria%20mostrar%20que%20lamento%20minhas%20a%C3%A7%C3%B5es%20de%20qualquer%20maneira.%20Eu%20juro%20que%20terei%20mais%20cuidado%20no%20nosso%20pr%C3%B3ximo%20jogo.

E finalmente, vamo lá, quem aí acertou sua teoria de quem era o Caio? O que acharam?


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