História Grow up - Capítulo 11


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Categorias Orange Is the New Black
Personagens Alex Vause, Piper Chapman
Tags Alex, Piper, Vauseman
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Palavras 2.440
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Orange, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Demorei mas cheguei. O capítulo ficou grande demais então dividi em duas partes e a próxima posto logo em breve. Desculpem o ritmo lento do enredo e das postagens e não desistam de mim.

Capítulo 11 - Negações - parte 1



- Okay, que tal esse? Orange is the new black? “uma presidiária encontra sua ex namorada na cadeia” – Félix procurava títulos de séries ou filmes com temática lésbica para que assim a morena pudesse se auto descobrir. Porém mais uma vez ela balançou a cabeça negativamente. 
- The L word é um pouco demais, acho que você precisa de algo mais suave, tipo sobre sair do armário na adolescência. – afirmava ele sorteando em uma lista da Internet algo que pudesse ajudar. 
- Félix eu não quero sair do armário, eu nem sei o que eu sou! Eu tenho um namorado. Sua amiga, louca, eu gostaria de enfatizar esse adjetivo – Ele revirou os olhos – me beijou. Eu não queria nada daquilo. 
O rapaz balançou a cabeça e continuou a procurar algum título.
- Orphan Black, Skins, Titanic...
- Pera, Titanic não tem nenhum enredo gay!
- Não, mas eu achei que poderíamos assistir, acho tão maravilhoso. – ambos riram enquanto Alex jogava uma almofada no amigo. 
Logo singelas batidas na porta de seu quarto interromperam as brincadeiras. Diane estava curiosa pois Alex nunca havia levado um amigo para sua casa. 
A morena ao abrir se deparou com a mãe segurando um prato cheio de biscoitos. 
“Aquela era sua melhor desculpa para bisbilhotar disfarçadamente?” pensou Alex. 
- Mãe, esse é Félix, meu amigo de escola. – ela o apresentou um pouco intimidada. 
O jovem abriu um largo sorriso para a mulher, que devolveu com a mesma empolgação. 
- Eu resolvi trazer algo para vocês não passarem a tarde de estômago vazio, vão estudar? 
A morena não sabia mentir, ainda mais para sua própria mãe. Já sentia -se suficientemente culpada por sair escondida na noite anterior. 
Félix resolveu intervir percebendo a demora que a morena levava para encontrar palavras. 
- Sim, na verdade sua filha está me ajudando com o dever de biologia. 
Alex apenas confirmou com a cabeça. 
Diane suspirou e chamou a filha para uma conversa fora do quarto. 
- Nossa, querida, ele é bonitinho. – sussurrou. 
- Mãe! Ele é só meu amigo, okay? – Alex advertiu-a sabendo o que a mulher quis dizer. 
Perguntou-se mentalmente como Diane não havia percebido os trejeitos do rapaz, ele sequer tentara esconder ou disfarçar. 
- Ok, ok. Mas é um bom partido para você, filha. Na sua idade eu já estava namorando...
Alex pressionou os lábios tentando segurar o som da risada que já subia por sua garganta. Respirou fundo apenas desejando que aquela conversa acabasse logo. 
- Tudo bem, mas não ele...tem um garoto na escola, nós estamos saindo...- revelou. 
Alex e Diane tinham essa cumplicidade, sua mãe parecia uma amiga conselheira e a garota sentia -se à vontade para falar quase sobre tudo com ela. 
Quase tudo. 
- Que orgulho da minha menina. Meu sonho é vê-la casando. – Diane dizia já descendo as escadas. 
Voltou para o quarto e encontrou o amigo deitado em sua cama vendo algo em seu celular enquanto comia um dos biscoitos frescos. 
-“ meu sonho é vê-la casando” caçoou ele, imitando uma voz feminina.  – espero que não seja comigo, sabe posso ser um bom partido, mas você seria traída diariamente com qualquer boy másculo dessa cidade. – ele riu. 
- Ela fantasia muito, acho que tem ascendente em peixes. – sentou -se ao lado do amigo que logo deu um pulo.
- Viu? Tá aí! Característica lésbica detectada, é a louca dos signos. 
Félix apontava o indicador em sua direção. 
- Isso não tem nada a ver com orientação sexual! 
- Tem e muito! – o rapaz virou o celular em sua direção. – achei uma série pra você assistir. Se chama Everything Sucks. É sobre anos 90 e tal, mas também mostra a descoberta da sexualidade para uma garota da nossa idade. 
A morena negou com um balançar de cabeça. 
- Ok, quando estiver pronta, pode ser? Só prometa que vai assistir. 
Ela bufou revirando os olhos, vencida pelo cansaço. 
Passaram a tarde conversando sobre coisas aleatórias. Era estranho para Alex desfrutar tanto da companhia de outra pessoa, ainda mais de um garoto, em vista que nunca se sentiu à vontade com o sexo oposto. Outro motivo é que sempre estava com Piper e poucas pessoas lhe despertavam interesse em manter uma conversa descontraída além da melhor amiga. Não queria se sentir culpada, mas era impossível, quando no fundo admitia que pouco havia pensado nela durante aquele dia, graças a companhia do mais novo amigo. 
Félix se divertia ao ver Alex corar toda vez que recebia uma mensagem de Nicky se desculpando pelo ocorrido da noite passada. 
A preocupação da morena era alguém além deles descobrir. Tinha medo de alguma forma aquele acontecimento fosse parar nos ouvidos de Freddie, ou até mesmo de Piper. 
Chegou a imaginar que a amiga sentiria nojo e a abandonaria. Mas não, aquilo nunca mais aconteceria e não tinha para quê, não era lésbica, não gostava de mulheres, tinha um namorado com quem iria ao baile viver o sonho de qualquer garota no auge de seus 16 anos. 
Em contrapartida Piper desfrutava daquela que considerava a pior sensação: seus pais decidiram realizar uma pequena viagem juntos. 
Não era como as outras famílias reunidas, pareciam cumprir uma obrigação, seguindo um protocolo de pais responsáveis e amorosos. O que incomodava a loira era o quão robótica e fria era aquela convivência, sequer entendia como ainda permaneciam casados se mal trocavam olhares ou contatos físicos.
Piper tentava lembrar da última vez que sentiu o abraço da mãe, todavia nem sua mente conseguia alcançar tal memória. Recebera mais afagos de Eva do que dos pais. Até mesmo Alex vivia abraçando-a e Carol, sua mãe dificilmente a olhava nos olhos. 
Alex, aquilo também era um incômodo crescente, sentia a melhor amiga cada vez mais distante, prova disso era que a garota não tinha mandado nenhuma mensagem durante todo o dia. Ela também não mandaria, não era obrigada a ser a única se importando. Suspirou pensativa recostando a cabeça no banco do carro.
Estavam indo para um resort, como se costume, sua mãe adorava ficar a beira de uma piscina tomando sol no corpo enquanto cochilava com uma grande sombreira na cabeça. 
Piper ficaria boa parte trancada no quarto trocando mensagens com o “namorado” que logo passaria o dia treinando Crossfit.  
- Piper já estamos na metade da viagem, você não quer um sanduíche? – perguntou Carol, observando a filha pelo retrovisor. – Eva preparou ótimos lanches naturais. 
A loira negou com a cabeça. 
Sua mãe torceu os lábios. 
- Por que está tão abatida? Achei que ficaria feliz em sair conosco. - questionou, ela. 
- Por que Alex não podia vir com a gente? Quando éramos pequenas a senhora sempre deixava ela viajar conosco. Agora não posso nem convidá-la mais... – a loira rebateu.
- Já disse que acho essa amizade uma péssima influência. Você poderia ter convidado Blake, faríamos gosto em trazê-lo. Adoro seus pais, são pessoas da alta sociedade.
- Ele estava ocupado, infelizmente. 
Claro que para Piper seria incrível o rapaz como seu acompanhante. Havia o desejado tanto e agora tudo o que mais queria era sua presença. Contou para a mãe que eles estavam se conhecendo, talvez assim a mulher tivesse algum orgulho e parecia ter surtido efeito. 
Ele prometeu que a ajudaria na escolha de um vestido para o baile de inverno, orientou as mais renomadas lojas de grife e Carol não se negou a pagar quando a loira mencionou. Aquela mulher adorava pessoas de gosto refinado. 
- Querida, Alex vai com alguém para o baile? – Carol retocava a maquiagem olhando em seu pequeno espelho.
- Ela está namorando, vai com o namorado. – mencionou arrancando o primeiro olhar espantado da mãe pelo retrovisor. 
- Uau, eu nunca em todos esses anos a vi acompanhada por meninos. Deus, espero que ela saiba escolher uma roupa decente dessa vez. – debochou a mulher de nariz empinado.
Piper deu de ombros enquanto olhava as mensagens em seu celular. Prometeu-se:  não deixaria que as opiniões da mãe  irritassem-na.
- Eu gosto das roupas dela, ela tem um estilo único. -Debateu arrancando uma arfada da mulher e uma leve e curta risada de seu pai no volante, este ainda não tinha dialogado sequer uma palavra. 
- Você sempre defendendo ela...
Xxx
- Sabe o que me espanta? Você não ter telefonado pra ela até agora. 
Félix tragava um cigarro mentolado na parada de ônibus. Já era noite quando se despedia da amiga. 
- Eu vou ligar, ela vai passar horas tagarelando sobre Blake Harper no telefone eu preciso estar 100% livre para esse martírio. 
O garoto riu antes de um novo trago. 
- Se sua amiga é um estorvo porque ainda é tão submissa? – Félix a encarou de forma séria. 
- Eu não disse que ela era um estorvo. 
- Bom você se referiu a ser um martírio falar com ela... - Desafiou-a.
- O estorvo é aquele namorado babaca que ela arrumou. – Sussurrou quase que somente para si.
- Entendi. – o amigo desistiu da discussão. 
“Mas o que ele entendeu?” questionou-se mentalmente. Talvez Félix estivesse fantasiando coisas demais. A garota admitia o quanto odiava o ar de dominância intrigante que o garoto sempre esbanjava, como se já soubesse seus segredos antes dela mesma os descobrir. 
Ele partiu rumo sua casa e logo Alex pegava o celular para discar o número da melhor amiga, sabendo que poderia ser ignorada devido à tarde de extrema ausência. Piper poderia estar com raiva ou chateada. 
Tocou uma, duas, três vezes. 
Quando já pretendia cancelar a ligação escutou a respiração do outro lado da linha.  Podia jurar seu coração começou a palpitar, descompassado. 
- Pipes? 
- Eu. 
- Tudo bem?
– sua voz soava vacilante, sentia que estava certa quando presumiu que a amiga estava irritada. 
- Sim
Piper estava ríspida e monossilabica. Odiava isso, a deixava desesperada para contornar a situação é deixar tudo bem entre elas. Mas não sabia como fazer. 
- Está tão direta e fria comigo.
- Talvez eu tenha motivos. 
- Se fosse assim, eu também teria. 
- Eu aposto que estava com sua nova amizade. 
- Eu senti saudades Pipes, eu estou sentindo na verdade. Onde você está? –
Alex abria a porta de sua casa lentamente enquanto carregava o celular apoiado na orelha esquerda. 
- No resort com meus pais. 
- Ahhhh
- surpreendeu-se negativamente – Blake está ai? 
Poderia agradecer mentalmente por não precisar olhar ou ser Vista por Piper naquele momento, seus lábios estavam pressionados tentando conter certa carga de fúria. 
Lembrava-se da infância, sempre acompanhava Piper nas viagens em família mesmo sem a plena aprovação de Diane, a morena batia o pé para ir de qualquer jeito pois a loira insistia e clamava por sua presença. Agora espantava-se, nem sequer havia chamado para a viagem, talvez fosse tão substituível a ponto da amiga preferir a companhia do namorado ao invés dela. 
- Não ele não veio, na verdade eu não convidei. Minha mãe não deixou que eu te convidasse então eu não quis mais ninguém aqui comigo. 
- Sua mãe? Ela me odeia agora? 

Escutou uma curta risada de Piper do outro lado da linha. 
- Não, acho que não. Mas você sabe né, ela não acha que você e sua mãe sejam bons exemplos para amizade. 
Alex suspirou pesadamente. 
- Não quero começar esse assunto. 
- Eu sei, eu sei. 
- E então como está sendo aí? 

Alex e Piper se jogaram em suas camas. A loira observou o quarto que ficou. Era imenso e com uma porta vidrada dando acesso a uma varanda.
- Tem muitos lençóis e cobertores. Se estivesse aqui estaríamos construindo uma cabana em cima da cama para contar histórias de terror. – Respondeu rindo enquanto acariciava entre o indicador e o polegar um pingente dourado de sua gargantilha. Ela e amiga usavam como símbolo de amizade. 
Alex sorriu do outro lado nostálgica, realizando o mesmo gesto em sua gargantilha. 
- Você lembra quando acampávamos na floresta? Eu quase morria de frio e de medo. 
- Você ia fazer xixi e eu ficava jogando pedras nos galhos secos das árvores pra te assustar.
– a loira soltou uma longa risada. 
- Você sempre foi a mais cruel na nossa amizade. 
Riram por alguns segundos até o silêncio tomar conta de forma abrupta. 
- Alex.
- Sim. 
- Não se afaste de mim, eu sinto sua falta. 

A morena fechou os olhos instantaneamente e sentiu seu peito se aquecer.
- Sente mesmo? 
- Sim, eu sinto. E sei que você está incomodada com o fato de Blake estar na minha vida sabendo que sempre fomos só nós. E eu assumo que estou incomodada com Félix pela atenção que você dá a ele e eu não o acho  merecedor, mas você é a pessoa mais importante nesse mundo e eu não estou sabendo lidar com esse buraco entre a gente. 

Alex quase sentia que o ar em seus pulmões eram insuficientes para respirar e quase sem querer ou pensar as palavras fluíram de sua boca. 
- Eu amo você Piper... – Retomando consciência agora de olhos abertos a morena pigarreou – Volte logo por favor. 
- Também amo você amiga. 

Daquela vez um nó formou-se em sua garganta. 
- Tenho que desligar agora – Disse por fim. 
- Mas já? – A loira sentou na cama em um pulo.
- Sim, é...amanhã preciso estudar, pra prova de biologia – mentiu. – Beijo se cuida e volte logo. 
- Ok, beijo. 
A morena percebeu o tom de voz chateado e desanimado da melhor amiga. 
- Eu também sinto sua falta, segunda vamos conversar sobre isso, ok? 
Piper assentiu e assim finalizaram a chamada. Ambas sentindo -se estranhas, como se algo tivesse faltado no diálogo. Piper apenas abraçou o travesseiro suspirando pesadamente enquanto Alex em seu quarto andava de um lado para o outro desesperada. 
Já havia falado que amava Piper diversas vezes, mas não dá forma que acabara de fazer, sabia que aquele amor que confessou se tratava de outro tipo, um tipo que nunca havia dito a ninguém e a assustava. Ainda tentava entender porque a resposta da amiga a magoou tanto, pois Piper sempre disse que a amava de volta. Mas percebia agora o quão incompatível era o nível de amor entre as duas.
“ também amo você amiga 
Amiga
Platônico? Essa era a palavra? 
Estava apaixonada por Piper? Pela melhor amiga? Mas quando isso aconteceu? Agora? Com uma conversa por telefone? Então afinal, era lésbica? 
Tantas perguntas ferviam em sua cabeça e tantas lembranças se misturavam, os sonhos estranhos que tinha com Piper praticamente beijando seus lábios, o seu desprezo por Blake, as insinuações de Félix. Começou a sentir a pressão de seus pensamentos e caiu em um intenso choro encolhida em sua cama, agarrada aos joelhos. 


Notas Finais


Desculpe os erros. Eu realmente não tive paciência pra revisar tudo. No próximo de verdade a Piper vai se dar um pouco mal como eu havia dito no cap anterior kkkk bjx


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