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História Growing Pains (Cha Eun Woo - Astro) - Capítulo 11


Escrita por:


Notas do Autor


Oi, meus amores! Como estão? Espero que bem.

Bom, eu não consegui postar no sábado, mas aqui estou, com apenas um dia de atraso! A partit dessa semana, eu realmente vou tentar atualizar a fanfic somente aos sábados, porque é melhor para mim e é mais organizado. Esse capítulo é mais leve e eu espero que vocês gostem, porque eu, pessoalmente, adorei escrevê-lo. Depois de dois capítulos extremamente pesados, tava na hora de um pouquinho de leveza, não é?

Sem mais delongas, boa leitura!

Capítulo 11 - Portões azuis e surpresas à vista


                      ❈ Kim ❈

— O que você e o Moon Bin faziam sozinhos na cozinha? — Eun Woo perguntou assim que entramos no carro.

— Estávamos apenas conversando sobre a formatura de vocês — respondi, colocando o cinto. — Não foi nada demais.

Ele ergueu uma das sobrancelhas, dando a partida e fazendo uma manobra para sairmos da frente do prédio de Jin Jin. Eu não tinha feito nada de errado, mas gelei ao escutar seu questionamento. Não queria entrar em outra discussão, principalmente por se tratar do assunto de sempre: O melhor amigo de Woo. Eu não sei porque ele tinha insegurança em relação a Moon e aquilo me incomodava profundamente, pois eu nunca fiz absolutamente nada para que Cha ficasse tão paranóico assim.

— Eu acredito em você, Hana — o médico falou, tirando uma das mãos do volante para apertar a minha. Um arrepio cortante percorreu minha espinha. — Sei que não arriscaria a vida do seu bebê dese jeito.

Seu bebê. Odeio a forma a como ele se refere a essa criança, como se eu fosse a  única responsável por sua concepção, como se a existência dela fosse minha culpa. Ele a colocou dentro de mim contra a minha vontade, me abusou inúmeras vezes e por isso agora eu tenho esse bebê. Mas de uma coisa ele tem razão: É meu bebê. Apenas meu. Não vou deixar que ele destrua nenhuma vida além da minha.

Como resposta, apenas acenei positivamente com a cabeça. Permanecemos em silêncio até chegar em casa, o que eu agradeci profundamente. Eu só queria que tudo voltasse ao normal, mas ficar me lamentando não iria resolver nada, pelo contrário, só iria piorar. Eu preciso de um plano. Posso esperar o bebê nascer e, não sei, tentar fugir de alguma forma, finalmente criar forças para enfrentar Woo. Posso colocar um sonífero na comida de Cha, ir embora durante a madrugada e...

E isso é ridículo. Eu não conseguiria ir muito longe. Aliás, quem iria acreditar em mim? Quem iria acreditar que o grande, carinho e perfeito Cha Eun Woo seria capaz de fazer uma coisa dessas com a própria noiva? Ele iria atrás de mim e as autoridades me devolveriam para esse inferno, e o médico mataria meu bebê sem pensar duas vezes. Eu teria quebrado minha promessa, então ele também quebraria a dele.

Assim que chegamos, avistamos um outro carro parado em frente à nossa residência, o que me fez franzir as sobrancelhas. Quem estaria nos procurando a uma hora dessas? Woo estacionou nosso veículo na garagem e saiu, seguido por mim. Caminhamos até o carro vermelho e o motorista abaixou a janela, revelando meu irmão do outro lado. Abri um largo sorriso de imediato e corri em sua direção, vendo-o sair do automóvel e me receber com um abraço apertado.

— Meu Deus, Yugy, o que você está fazendo aqui? — perguntei, animada, apertando o Kim mais velho com força. — Que surpresa boa!

— Cunhadinho! — exclamou Woo atrás de mim, talvez com um sorriso no rosto. — O que faz aqui?

— Queria ver os dois — Yugyeom respondeu, depositando um beijo na minha testa antes de se afastar e apertar a mão do meu noivo. — E dizer que o papai e a cobra da Kyung Mi vão comemorar o aniversário de casamento nesse sábado e chamaram vocês dois.

Fechei a cara na hora, em uma careta decepcionada e repleta de irritação. Além de lidar com o inferno que é morar com Woo, ainda terei que aguentar a víbora da minha madrasta e todas as suas artimanhas para me afastar ainda mais do meu pai.

— Nós vamos, com certeza — Woo disse por mim, me abraçando por trás e deixando um beijo na minha cabeça. Forcei um sorriso. — Eu adoro as festas dos Kim, estava com saudades disso!

Yugy apenas assentiu com a cabeça, a testa um pouco vincada, parecia incomodado com algo. Me perguntei se esse foi realmente o motivo para sua visita.

— Eu liguei para você, Hana — meu irmão comentou. — Mais de uma vez, na verdade, mas só deu na caixa postal.

— É que saímos para a casa do Jin Jin, só voltamos agora. Não levei meu celular.

O Kim franziu ainda mais a festa e cruzou os braços, confuso e desconfiado. Senti Woo ficar tenso atrás de mim, o que automaticamente me deixou tensa também. Me perguntei se meu noivo teria coragem de machucar Yugy e lampejos dos dias anterios voltaram a me assombrar.

A resposta é sim, ele teria coragem.

— Você nunca fez isso antes, Hana. Sempre sai com o celular na mão, é quase como uma parte do seu corpo.

Dei um sorriso amarelo.

— Algumas coisas mudam, não é?

Yugy parecia ter aceitado minha resposta e, embora não tenha dito nada, ele continuava desconfiado. Isso estava me deixando extremamente incomodada, porque sua desconfiança o faria se meter em problemas com Eun Woo e eu não queria que nada de ruim acontecesse com meu irmão.

— Bem, nós vamos à festa — afirmei, querendo acabar logo com aquilo. — Melhor você voltar para casa, não é, Yugy? Já está tarde e não acho que seja bom você ficar na rua por muito tempo.

Ele assentiu com a cabeça.

— Claro, só queria checar se você estava bem — o Kim falou e eu me soltei de Woo para poder abraçá-lo mais uma vez. — Se cuida, Hana. Se precisar de mim para qualquer coisa, é só me ligar e eu virei correndo, ok? — ele sussurrou no meu ouvido, para que apenas eu pudesse escutar.

Estremeci. Eu queria tanto, tanto contar para ele, mas sei que não podia. Não podia colocar a vida dele em risco.

— Eu sei. Não se preocupe — sussurrei de volta.

Meu irmão beijou minha testa e sorriu de leve.

— Até mais, Woo. — Ele acenou para meu noivo, que retribuiu o cumprimento. — Nos vemos no sábado.

Yugyeom olhou para mim mais uma vez e entrou em seu carro, desaparecendo do meu campo de visão depois de alguns segundos. Segurei as lágrimas e abracei meu próprio corpo, buscando algum consolo. Eu odiava mentir para o meu irmão, mas eu não tinha escolha. Não poderia arrastá-lo para essa teia pegajosa de sofrimento que se tornou a minha vida.

— Vem, Hana — Woo falou atrás de mim, puxando-me delicadamente pelo braço. — Vamos entrar, já está tarde.

Eu me sentia fora do meu corpo enquanto Eun me levava para dentro, como se apenas estivesse observando os acontecimentos, e não os vivendo. Quando passei pela porta, foi como se fosse a primeira vez e me fiz a mesma pergunta: Como Woo consegui aquela casa? Ela é grande, bonita e espaçosa, deve ter custado bem caro e ele era apenas um estudante de medicina, nem tinha se formato ainda. Aquilo sempre ficou na minha mente, mas eu não iria perguntar a ele, não obteria resposta alguma.

— Gostei quando assumiu o controle da situação e despistou o seu irmão — Cha comentou, me levando para a cozinha e começando a preparar um chá. — Me poupou de bastante coisa.

Dei de ombros.

— Só não quero que você o machuque.

Woo sorriu enquanto pegava duas canecas e as enchia de água quente.

— Ninguém será machucado se você manter sua promessa, querida. E, confesso, estou gostando mais dessa sua nova versão.

Apenas dei um meio sorriso e peguei um sachê de camomila, pois precisava me acalmar. Milagrosamente, Woo permitiu que eu ficasse sozinha, avisando que iria para o quarto, sem antes, é claro, trancar as portas da casa e esconder as chaves. Soltei um logo suspiro e caminhei para o quintal, onde tinha um enorme espaço cheio de flores, que eu mesma cultivei enquanto estávamos namorando, quando eu não sabia o quão maligno ele é. Sentei em uma das poltronas que havia no pequeno deck e fiquei observando o jardim, imaginando que o bebê em minha barriga pelo menos teria um local para brincar.

Tomei um gole do chá, sentindo meu corpo relaxar à medida que o líquido quente descia pela minha garganta. Com a mão livrei, acariciei meu ventre, ansiosa por sentir alguma coisa, mas eu sabia que a ideia era ridícula, pois eu ainda estava com um mês de gestação. Imaginei como seria minha vida dali em diante, quantas batalhas teria que vencer e o mais importante: Como faria para finalmente me livrar de Woo. O pensamento parecia absurdo, mas eu precisava me livrar dele, precisava ser livre. Eu não aguentava mais, sentia que ia enlouquecer se ficasse mais um minuto ao lado de Woo.

Pensando em maneiras de me livrar do lobo, adormeci, e não sonhei com nada.

                           [...]

Amanheci completamente dolorida. Abri os olhos devagar, vendo a claridade do local onde eu estava. Por um momento, me perguntei se Woo havia me matado enquanto eu dormia, mas então me lembrei que acabei adormecendo na poltrona do jardim, e em uma posição nada favorável que simplesmente destruiu o meu pescoço. Ainda meio sonolenta, levantei-me e fui para a cozinha, deixando a caneca na pia. Passei a mão no rosto, tentando recobrar a consciência.

— Bom dia, querida! — Woo desejou, alegre demais, beijando minha bochecha. Olhei-o confusa, escutando sua risada. Espere, eu estava sonhando? Aquilo tudo era muito estranho para se tratar da realidade. — Nossa, você está péssima. Por que não subiu para dormir na cama como gente normal?

— Não sei, acho que estava tão cansada que dormi na poltrona mesmo — expliquei, caminhando para a sala de jantar e me sentando na mesa que, por sinal, estava preparada para o café da manhã. — Chá de camomila me faz ficar com sono.

— Eu sei. Você sempre fica parecendo uma drogada quando o toma — ele comentou brincalhão, sentando na cabeceira da mesa.

Franzi as sobrancelhas. Por que ele estava tão feliz? Por que estava me tratando bem? Me perguntei se aquele chá não continha alguma droga ou se fui teletransportada para um universo paralelo onde Woo era realmente o cara por quem eu me apaixonei, e não apenas um personagem criado para manipular as pessoas.

— Está tudo bem? — perguntei, enchendo um copo com suco de laranja. Ele sorriu. Sorriu.

— Eu estou ótimo, querida. Você não sabe o quanto estou feliz por estarmos nos dando tão bem.

Ele segurou minha mão e a apertou, enquanto eu apenas sorri da melhor maneira que consegui. Certo, essa era minha chance. Ele estava de bom humor e não imaginava momento melhor para pedir aquilo se não fosse agora.

— Eun Woo... Querido.

Ele pareceu contente por escutar o apelido, mas ainda tinha os olhos concentrados no jornal que lia.

— Sim?

— Eu queria pedir uma coisa.

Mordi os lábios. Estava com tanto medo, mas eu precisava tentar.

— Diga, querida. Estou todo ouvidos.

Acho que o fato de ele ainda estar concentrado em ler a coluna de esportes me deixava um pouco mais tranquila.

— Eu queria... Saber se posso trabalhar, pelo menos por um tempinho.

Ele finalmente deixou o jornal de lado e me encarou. Parecia enxergar minha alma e me analisava minuciosamente. Será que ele estava conseguindo sentir minha falta de honestidade? Será que ele conseguiria ler minha expressão e perceber minhas intenções?

— Trabalhar? Por que diabos você quer trabalhar? Você não precisa disso! Seu futuro marido é médico, você não precisa se preocupar com dinheiro nenhum.

— Eu sei, querido. Eu não estou preocupada com isso, sei que você é competente. — Woo parecia satisfeito por estar sendo elogiado e bajulado. Típico dele. — É que... Eu gostaria de trabalhar com crianças, já que teremos uma. Eu só queria... Eu só queria um pouquinho da minha antiga vida de volta. Sei que não vou voltar para a faculdade, então queria fazer isso. Talvez seja bom. Eu juro que não vou tentar fugir e nem vou contar nada que aconteceu no passado, vou ser quieta e obediente. Tudo vai ser do jeito que você quer, apenas... Apenas me deixe ter o prazer de fazer alguma coisa, por favor.

Eu estava praticamente Implorando e isso parecia agradar Eun Woo. Me senti enjoada no mesmo instante, mas mantive minha expressão neutra. O outro pareceu pensar por alguns instantes, refletindo sobre o que eu disse e cogitando a ideia. Conseguia sentir as engrenagens girando dentro de sua cabeça e só esperava que ele não captasse o que eu realmente queria, ou eu estaria ferrada.

— Eu deixo. Mas apenas com uma única condição.

Suspirei de alívio e permiti que um sorriso aparecesse no meu rosto.

— O que quiser.

— Eu vou te deixar e te buscar no trabalho. Você poderá apenas cuidar de crianças pequenas e não quero se relacione com ninguém, você vai ser quieta e invisível. Estamos entendidos, Hana?

Assenti veementemente com a cabeça.

— Sim, estamos entendidos.

Ele sorriu satisfeito e me deixou com meus próprios pensamentos, todos contentes e aliviados.

— Mais uma coisa, Kim.

Ergui os olhos, atenta ao que ele iria dizer.

— Sim?

— Depois que conseguir um emprego, vamos ter um encontro — ele afirmou, sorrindo e ajeitando a gravata antes de pegar a mochila e se preparar para mais um dia como universitário. — Sair para comemorar. Quero ter um tempo com você, como antes.

Tentei sorrir de forma empolgada e acho que consegui. Ele veio até mim e beijou meus lábios, provocando uma onda de repulsa no meu corpo e uma imensa vontade de vomitar. Fiz o meu máximo para retribuir.

— Eu... Posso sair para começar a procurar?

— Sozinha?

— Eu não vou quebrar minha promessa, Eun Woo. Você sabe que nunca quebro nenhuma promessa.

Ele ficou em silêncio por alguns instantes, novamente pensando se deveria me dar aquele gostinho de liberdade. Odiava que a minha vida estivesse em suas mãos e que ele controlasse tudo o que eu poderia ou não fazer, mas me mantive calma, pois eu sabia que, se queria sair daqui, eu teria que jogar conforme as regras dele.

— Tudo bem. Estou confiando em você. Se por acaso...

— Não vai acontecer.

Cha sorriu.

— Ótimo. Tenha um bom dia, querida.

Ele não esperou por nenhuma resposta minha. Me espantei pelo fato de tê-lo convencido tão rápido, mas não reclamei. Mas... E se isso for um truque para me testar e ver se eu realmente cumpriria com a minha palavra? E se ele colocasse alguém para me seguir? Deus, eram perguntas demais para a minha cabeça confusa.

Entretanto, sorri com a perspectiva de trabalhar com alguma coisa e mudar minha rotina. Passei parte da manhã fazendo um currículo que, francamente, estava horrível, mas era o que eu tinha. Depois de feito, tomei um banho e me vesti devidamente, pronta para começar a procurar por um emprego. Peguei uma bolsa antiga e passei um gloss nos lábios antes de dar tchau para Loki e sair pela porta, sentindo que uma nova jornada se iniciava na minha vida.

                           [...]

Todo o meu otimismo sumiu assim que saí do décimo lugar onde deixei meu currículo. Já tinha ido em creches e escolas, mas nenhuma delas parecia interessada em contratar uma jovem inexperiente, ou diziam que não precisavam mais de ninguém, que o número de vagas já tinha chegado ao limite. Suspirei e continuei meu caminho, indo para a próxima Instituição.

Avistei o prédio amarelo ao longe, nem muito grande, nem muito pequeno, tinha um tamanho aceitável. Respirei fundo e andei até o portão, informando ao dois homens que estavam na porta que eu estava ali à procura de emprego. Após me encararem por alguns segundos e pedirem minha identidade, entrei no local, observando a arquitetura e os detalhes. Várias crianças corriam de um lado para o outro, animadas, enquanto uns adolescentes ao longe preferiam manter-se afastados.

— Kwan! Haneul! Hyun! Parem de correr, pelo o amor de Deus! — uma mulher de cabelos curtos e óculos gritou para três crianças que passaram correndo por mim. Ela parecia cansada.

— Com licença — chamei, um pouco receosa. A moça olhou para mim, confusa. — Sou Kim Hana, estou à procura de um emprego. Você é a diretora?

— Ah, não, não. — Ela sorriu de forma gentil. — Sou Arya, professora do fundamental. Posso levá-la à sala da diretora, se quiser.

— Isso seria ótimo.

Antes de começarmos a andar, sorri para a nova conhecida e apertei sua mão, contente por estar na presença de alguém aparentemente gentil. Fomos até a sala da diretora e Arya bateu três vezes na porta e uma voz suave nos mandou entrar. Uma senhora estava sentando em uma cadeira de couro, em frente à uma mesa escura, anotando algo. Assim que nos viu, ela retirou os ósculos meia-lua e sorriu.

— Ah, olá, Arya! — ela exclamou. — Quem é essa?

— Ela está à procura de um emprego aqui, Sra. Han.

— Sou Kim Hana — falei, me aproximando para apertar sua mão depois de fazer uma rápida reverência. — Eu gostaria muito de trabalhar aqui.

— Diga-me, Srta. Kim, tem experiência com crianças ou adolescentes? — ela perguntou, enquanto pegava meu currículo e o analisava minuciosamente.

— Bem, não. — A velha senhora pareceu decepcionada. — Mas eu aprendo rápido e sou muito esforçada — emendei rápido, tentando passar uma boa impressão.

— Aqui diz que você cursou dois anos de psicologia. — Assenti com a cabeça. — Se não for incômodo, a senhorita poderia me dizer o motivo de sua desistência?

Foi como levar um soco no estômago. Como eu iria falar para ela que eu não desisti por vontade própria, que fui obrigada? Como eu poderia dizer que me formar é um sonho que nunca vai se realizar? Fiquei alguns segundos em silêncio, mas pareceu uma eternidade. Eu não tinha resposta para aquilo.

— Algumas coisas aconteceram e, infelizmente, não pude terminar o curso.

Foi tudo o que eu consegui dizer. Ela assentiu com a cabeça, parecendo refletir se deveria ou não me contratar.

— Desculpe a intromissão, diretora — começou Arya, ficando ao meu lado. Ela realmente aparentava estar exausta. — Mas realmente precisamos de ajuda com o jardim de infância e fundamental.

A Sra. Han suspirou e passou as mãos pela testa enrugada, também parecendo estar cansada. Será que eu ficaria assim também se trabalhasse ali? Não me detetive no pensamento, não queria perder as esperanças. Seria um emprego e já estaria de bom tamanho.

— Certo, certo — disse, por fim, se levantando. — Quando poderia começar, Srta. Kim?

— Quando a senhora quiser.

Ela sorriu. Talvez tenha gostado da minha prontidão em começar a trabalhar.

— Segunda-feira está bom?

Abri um sorriso largo.

— Será fantástico! Muito, muito obrigada.

A velha senhora maneou com a cabeça.

— Não precisa agradecer, senhorita. Será uma honra tê-la aqui. Na segunda trataremos do seu salário, horários, férias e todas essas coisas burocráticas — ela informou, voltando a se sentar. — Por enquanto, você ficará com a Srta. Iseul, no jardim de infância, ajudando-a com as crianças. Chamada, lanche, pintura e horários vagos. Também terá que cuidar da parte burocrática do antigo prédio, é um ritual de passagem que todos os funcionários também fizeram. Depois vemos se você poderá ir para o fundamental ou não.

Assenti com a cabeça, animada. Arya sorriu para mim, também aparentando felicidade.

— A senhora não irá se arrepender.

— Tenho certeza que não. Nos vemos na segunda!

Sorri mais uma vez, fazendo uma reverência antes de sair juntamente com a outra professora. Eu tenho um emprego! Não acredito que realmente consegui, estava tão feliz! Eu me sentia dona da minha vida pelo menos um pouquinho, o que me deixou ainda mais contente. Era bom sentir que eu tinha as rédeas do meu mundo.

— Você vai adorar a Iseul, ela é um doce — comentou Arya, me acompanhando até a saída. — Acho que você vai se adaptar bem, tem cara de que se dá bem com os baixinhos.

— Acho que sim. Sempre gostei muito de crianças.

Ela assentiu com a cabeça.

— A parte burocrática é bem chata, mas você consegue.

— O que exatamente eu terei que fazer?

— Antes de se tornar uma escola, era um orfanato — ela contou, caminhando lentamente comigo pelo corredor colorido que levava até os portões. — Foi fechado a alguns anos, várias denúncias de descaso e maus tratos. O prédio é do Estado, então resolveram fazer uma escola, foi um ótima ideia. Depois de algumas reformas, deu certo. Mas o prédio do Ensino Médio ainda faz parte da antiga obra. Toda a papelada da antiga instituição continua aqui, porque muitas crianças cresceram nesse local. Então a Sra. Han e os novatos cuidam dessa parte, mandando todos os papéis restantes para a secretaria de Seul que cuida dessa parte.

Concordei com a cabeça, surpresa ao pensar que aquele lugar repleto de alegria e vida já foi um orfanato onde abusos eram praticados. Ficamos conversando por um tempinho, mas, ao olhar meu relógio e ver que já estava quase no horário de Woo voltar da faculdade.

— Foi ótimo te conhecer, Hana. E, não se preocupe, eu vou te ajudar no que precisar — Arya falou, sorrindo e me abraçando de leve. Fiquei surpresa, porque não esperava por isso e também porque fazia muito tempo que eu não abraçava alguém que não fosse do meu pequeno círculo familiar.

— Obrigada mesmo, Arya. Vou adorar trabalhar com você!

Ela sorriu e eu me afastei, acenando antes de sair pelos portões azuis, com o coração cheio de felicidade e esperança.

                          [...]

Na noite anterior, quando eu cheguei em casa, Woo também não demorou para chegar. Contei a ele sobre o trabalho que consegui e, mesmo incomodado, ele disse que estava feliz por mim e perguntou se eu tinha seguido suas instruções. Depois de me interrogar, ele disse que iríamos sair e eu deveria me arrumar. A contra gosto, o fiz. Ele me levou para o cinema e me senti contente pelo simples fato de sair de casa e ver o mundo novamente. Assistimos a uma comédia muito boa, compramos um vestido para a festa do meu pai e depois saímos para jantar. Quando chegamos em casa, Woo começou a me beijar e transamos. Quer dizer, ele transou, porque eu apenas forcei uns gemidos e pedi mentalmente para que acabasse o mais rápido possível.

Agora Woo estava tomando banho enquanto eu terminava minha maquiagem. Como era uma festa arrumada, Cha permitiu que eu me arrumasse o quanto quisesse, me deu esse pequeno gostinho. O vestido azul que eu usava, beirando ao violeta, acentuou as minhas poucas curvas e me deixou com a aparência mais velha, bem diferente da imagem horrível que eu estava acostumada a ver no espelho. Meu cabelo pareceu colaborar naquele dia e estava arrumado, enrolado nas pontas e com um brilho que há tempos eu não via. Eu me sentia bonita e fiquei feliz por isso.

Depois de pronta, fui para o andar de baixo e esperei por Eun Woo. Não queria que ele visse atrás de mim atrás de mais sexo, porque eu com certeza não suportaria. Fiquei acariciando Loki enquanto o médico terminava de se arrumar, o que não demorou muito. Assim que desceu as escadas, Cha sorriu para mim, completamente elegante em seu terno azul escuro e cabelos para trás. Ele estava ridiculamente bem vestido e parecia exalar elegância a cada passo dado, o que apenas me deixou mais irritada. Quem suspeitaria que um cara boa pinta dessas seria capaz de fazer tantas atrocidades com a própria noiva?

— Você está incrível, querida — ele elogiou, puxando-me para ficar de pé. Mesmo com os saltos, a diferença de altura entre nós ainda era gritante. — Tenho a noiva mais linda do mundo.

Tentei sorrir, mas tudo o que eu queria fazer era vomitar.

— Você também está muito bem.

Ele sorriu satisfeito e beijou minha bochecha. Caminhamos para o carro e, felizmente, o silêncio permaneceu entre nós dois durante todo o trajeto até a mansão do meu pai, que estava extremamente iluminada e cheia de carros. Revirei os olhos. Bem típico dele e de Kyung Mi entupirem a casa de gente. Woo deixou o carro com o manobrista e entrelaçou nossos dedos antes de subirmos as escadas claras e entrarmos na casa, podendo ver bem mais gente do que eu previa no quintal totalmente equipado para eventos como este.

Haviam diversas mesas pelo jardim e a piscina estava coberta, formando um palco. Um DJ tocava umas músicas animadas e minha madastra veio até nós com um sorriso no rosto e uma taça de champanhe na mão esquerda, onde seu anel brilhava absurdamente. Tentei manter a paciência e Cha apertou meus dedos de leve, um fraco sinal de que eu realmente deveria ficar calma e não procurar confusão, uma tentativa falha de ne reconfortar.

— Eun Woo, Hana! Que bom recebê-los aqui — ela disse falsamente. Cha, bem mais educado que eu, beijou sua mão, ao passo que eu apenas a ignorei e procurei por rostos conhecidos.

— Onde está meu pai?

— Ele está falando com alguns amigos do trabalho — ela informou, dando um gole no líquido de sua taça. — Ah, venham tirar algumas fotos!

Kyung Mi simplesmente nos puxou para uma área perto do buffet onde as fotos estavam sendo tiradas. Ela tirou uma comigo, contra a minha vontade, uma com Woo e depois nos mandou tirar uma sozinhos. Bufei, mas não tive escolha, ficando ao lado de Woo enquanto ele passava a mão por minha cintura. Tentei sorrir da melhor maneira que consegui, tentando parecer natural, e suspirei de alívio quando escutei o "click" da câmera.

— Ótimo! Vocês dois formam um casal muito bonito.

— Obrigado — Eun Woo respondeu por nós dois, sorrindo ao mesmo tempo contente e satisfeito. Me limitei a agradecer e procurei por meu irmão, Jackson ou Mark.

— Ah, filhota! — meu pai falou atrás de mim, me fazendo virar rapidamente em sua direção. Como a esposa, ele também tinha uma taça cristalina nas mãos. — Que bom ver você! Eun Woo, bonito como sempre.

Depois de me abraçar rapidamente, meu pai apertou firmemente a mão do meu noivo e deu um tapinha solidário em suas costas. Aquilo me dava nojo. Como ele não conseguia enxergar que eu não era feliz com Cha? Por que todos pareciam cegos ao ponto de não pensarem que era totalmente estranho eu ter sumido por seis meses e logo depois reatado o namoro com Woo?

Balancei a cabeça para afastar aqueles pensamentos. Queria me divertir, pelo menos por aquela noite. Queria contar ao meu pai que consegui um emprego, mas ele parecia mais interessado em conversar com o genro. Foi aí que me dei conta que eu não tinha contado para ninguém da minha família que eu estava grávida. Como eles iriam reagir? Pensei por uns segundos e decidi contar quando todos estivessem reunidos, talvez mais tarde.

Como os dois estavam conversando animadamente, saí sem falar nada. Woo percebeu, mas nada disse. Enquanto me encaminhava para o buffet, porque estava morrendo de fome, senti dois corpos colidirem violentamente com o meu em um abraço apertado.

— Hana! — Mark exclamou, sorrindo para mim enquanto me apertava em seus braços.

— Achei que não fosse chegar nunca — Jackson resmungou, mas tinha um sorriso no rosto. — Eu não aguentava mais o Yugyeom e o Tuan, tenho certeza que vou matá-los um dia.

— Podem largar minha irmã, por favor? — meu irmão perguntou, divertido, afastando nossos amigos de perto de mim para também me dar um abraço. — Ah, você está linda!

Sorri e retribuí o abraço. Disse a eles que eu estava com fome e os três me acompanharam até o buffet, contando as novidades de suas respectivas vidas. Jackson não aguentava mais dividir o apartamento com os outros dois, pois agora eles estavam morando juntos, Mark queria mudar as pizzas na sexta-feira para comida japonesa, mas Wang não permitia, e meu irmão era obrigado a ouvir a discussão deles todos os dias. Eu não conseguia parar de rir. Por um momento, rodeada por aqueles três loucos que me acompanharam desde sempre, me senti a Hana de antes. Não existia mais Eun Woo, Moon Bin, cárcere, bebê, nada. Só eu, meu irmão e meus dois melhores amigos, como costumava ser.

Até que Woo apareceu e me lembrou que nada é como antes e que ainda estou presa em sua jaula.

— Olha só o rei do campus! — Jackson comentou em um tom brincalhão, arrancando uma risada do meu noivo. Continuei a comer e Cha se sentou ao meu lado na mesa. Era claro que o clima havia mudado, mas ninguém se atreveu a falar nada. — Não acredito que vocês dois estão noivos. Parece que foi outro dia quando Hana me contou que vocês dois estavam namorando e agora vão se casar!

O comentário me atingiu em cheio, bem mais do que deveria. Eu lembro bem desse dia, esse fatídico dia. Depois de falar que Woo não poderia sair comigo e meus amigos, porque eu ainda não havia contado a Yugy sobre nosso relacionamento, Cha me arrastou pelos corredores da universidade e encontramos com os três, que me olharam confusos. Eu apresentei Woo como meu namorado e todos parecerem felizes, com excessão de Mark. Ele sempre me disse que nunca gostou muito de Woo, que não confiava em nenhum dos populares daquele lugar. Agora, sentando na mesa junto conosco, Tuan tinha a mesma expressão que habitava seu rosto quando meu noivo estava perto: Desconfiança. No fim, meu amigo estava certo e eu deveria tê-lo escutado. Meu irmão também parecia ligeiramente incomodado.

— Sim! Nem acredito que realmente vamos nos casar — Cha retrucou, beijando minha bochecha. Sorri sem mostrar os dentes, porque estava de boca cheia. — E vamos ter um bebê, é simplesmente... Simplesmente indescritível a sensação.

Quase cuspi a comida e acabei me engasgando. Todas na mesa me olharem confusos e preocupados, enquanto Woo segurava minhas costas e também me encarava com a feição preocupada.

— Hana, você está bem? — Mark perguntou.

Tossi um pouco e finalmente engoli a comida, tentando lembrar como se respirava. Porra, por que Woo fez isso? Qual é o problema dele? Há uma semana ele estava praticamente arrancando o bebê no meu ventre com as próprias mãos e agora se vangloriava para todo mundo que aparecia que iria ser pai. Francamente!

— Eu estou bem.

— Que história é essa de terem um bebê? — meu irmão indagou, com as sobrancelhas franzidas.

— Pensei que a Hana já tinha contado para vocês, estamos tão felizes! — meu noivo argumentou, fingindo inocência e virando-se para mim. Queria socá-lo. — Me desculpe, querida.

— Você está grávida? — Jackson inquiriu, tão chocado quanto os outros.

Respirei fundo. Não era desse jeito que eu queria contar a eles.

— Sim. — Todos continuaram calados, absorvendo a informação. — Sinto muito por não ter contado antes, soubemos a pouquíssimo tempo.

— Vou pegar um suco para você — Woo informou, apertando levemente meu ombro antes de deixar a mesa, o que agradeci profundamente.

— Você está realmente feliz com isso? — Mark questionou, olhando-me como se pudesse ler minha alma. — Realmente quer se casar com ele?

— Ele é... Ele é o meu primeiro amor, pessoal. Vocês sabem disso — afirmei,  me sentindo horrível por estar enganando as três pessoas que eu mais amava no mundo. — Estou feliz que seja com ele. Sei que sou nova, mas... Vou dar conta. Aliás, consegui um emprego hoje.

Meu sorriso pareceu contagiá-los. Embora tivesse um sorriso pequeno, Yugyeom parecia tenso e seus olhos entregavam sua preocupação. Segurei sua mão, atraindo sua atenção para mim.

— Já disse que não tem porque se preocupar — disse ao meu gêmeo, lhe dando um pequeno consolo. Eu sentia o peso da mentira em meus ombros, mas o Kim parecia mais aliviado ao escutar minhas palavras. — Eu realmente estou bem, gente. Eu estou feliz — assegurei, olhando para os três.

— Sabe que pode contar com a gente, não é? — Jackson falou, me oferecendo um sorriso gentil. — Sempre.

Eu assenti com a cabeça e Woo retornou, me entrando o suco que tinha ido buscar. Sua tonalidade era um vermelho claro, então supus que fosse acerola, que tomei de bom grado. Ficamos um tempo conversando e, pela primeira vez, percebi que Eun Woo estava sobrando. Não me senti mal com isso, porque sempre é o contrário. Normalmente ele é que tomava a palavra, ficava no comando da conversa e fazia com que os outros esquecessem que eu estava ali. Mas agora era ele que fazia apenas algumas observações vez ou outra e ria quando escutava alguma piada de Jackson.

Aquele era o meu grupo de amigos, pessoas com eu tinha convido desde a infância, e ele nunca poderia mudar isso. Me senti eu novamente, alegre, feliz, engraçada e cheia de vida. Fazia tanto tempo que eu não via essa minha versão que pensei que ela tivesse sumido, mas fiquei aliviada ao ver que ela ainda estava ali, escondida, esperando o momento certo para voltar a ficar no controle. Sei que esse momento vai chegar. Preciso acreditar que esse momento vai chegar e que vai ser permanente.

— O tio Namjoon chegou! — Yugy anunciou, sorrindo e se levantando. Olhei na mesma direção que ele e o imitei, caminhando na direção do mais velho.

Taehyung, meu primo, estava ao lado dele e outro homem os acompanhava. Aquele rosto era familiar, mas não recordava seu nome e nem de onde o conhecia. Ao chegar perto do trio, abracei meu tio fortemente, me reconfortado em seus braços que sempre foram meu refúgio.

— Hana, você está deslumbrante! — ele comentou, baixinho, para que apenas eu escutasse. Sorri.

— Obrigada, tio. O senhor também está fantástico.

Ao meu lado, meu gêmeo abraçava nosso primo, que tinha aquele lindo sorriso quadrado no rosto. Quando se soltaram, foi a minha vez de abraçar Taehyung.

— Oi, tampinha — ele cumprimentou, me fazendo revirar os olhos levemente, mas sem deixar de sorrir.

— Oi, palhaço.

Ele riu e beijou minha testa de leve. Sem dúvidas, ele e Namjoon eram as pessoas que eu mais gostava naquela família, depois do meu irmão, é claro. Olhei para o outro homem, que sorriu para mim, aparentando estar meio tímido.

— Hana, Yugy, lembram-se de Kim Seokjin, não é? — meu tio perguntou, dando um tapinha nas costas do citado.

É isso! Ele é melhor amigo de Namjoon, já o tinha o visto algumas vezes em sua casa. Entretanto, ele parecia mais jovem agora, como se algum peso tivesse sido retirado de suas costas. Tinha um ar mais jovial, apesar de ter a mesma idade do meu tio, e as olheiras haviam sumido. Ofereci-lhe um sorriso e apertei sua mão após uma breve reverência. No instante em que iria desejar que ficasse à vontade, a voz do meu pai, meio grogue, inrrompeu pelo jardim, chamando nossa atenção. Olhamos na direção do pouco, onde meu pai estava, apertando de forma agitada o microfone que tinha nas mãos.

— Só gostaria de avisar a todos que eu vou ser avô! — ele disse, com um sorriso extremamente largo e apontando para mim. Todos os olhares se voltaram e me senti péssima por ser o centro das atenções. — Minha filhinha está grávida! Uma salva de palmas, meu amigos!

Todos fizeram o que o anfitrião pediu, inclusive os quatro rapazes que estavam comigo. Abri um sorriso tímido, agradecendo por toda aquela comemoração desnecessária. Quem diabos havia contado ao meu pai? Foi então que vi Eun Woo ao seu lado, recebendo do sogro tapinhas nas costas, e meu sangue ferveu de raiva. Qual é o problema desse cretino? Por que pelo menos isso eu não poderia fazer do meu jeito? Eu que estava carregando a criança, esse direito deveria ser meu.

Após receber felicitações do meu tio, primo e de Seokjin, fui atrás de Woo, que estava enchendo uma taça de champanhe. O puxei antes que pudesse ter a vidraça preenchida por completo, passando pelas portas duplas e entrando na casa, o levando para longe daquela loucura toda. Me senti extremamente frustada e minha vontade era de quebrar aquela taça na sua cara.

— Posso saber por que caralhos você fez isso? — perguntei, irritada, cruzando os braços e ficando frente a frente com ele.

— Fiz o quê, querida?

Aquilo só me fez ficar mais raivosa.

— Você vai se fazer de desentendido? Você sabe muito bem. Há uma semana você estava quase matando essa criança e agora fica se vangloriando dela a cada dois segundos!

Ele deu de ombros, bebendo seu champanhe, parecendo extremamente despreocupado.

— O bebê é meu afinal de contas, não é? Além do mais, percebi que é muito bom ter algo e poder falar para as pessoas, principalmente se for algo que elas também querem.

O encarei com completa incredulidade. Eu não tinha palavras para descrever o quão enojada estava.

— Que seja, Eun Woo. Você não tinha o direito de sair espalhando isso para a minha família e amigos desse jeito, principalmente num evento desses! Eu queria contar na minha hora, do meu jeito, queria ter pelo menos isso!

Ele revirou os olhos e bufou, tratando aquele assunto com desdém.

— Hana, eu...

— Com licença — uma voz falou atrás de nós. Imediatamente ergui meu olhar para cima do ombro de Woo, me deparando com Seokjin, o melhor amigo do meu tio. Ele parecia estar extremamente envergonhado por estar se metendo na nossa briga. — Desculpe atrapalhar, mas... Queria saber aonde é o banheiro. Namjoon me falou o caminho, mas essa casa é enorme e eu não sei muito bem me direcionar.

Assenti com a cabeça, entendendo sua situação. Woo virou em sua direção e, por um momento, pensei que ele fosse cair duro no chão. Parecia ter visto um fantasma e ficou muito travado de repente.

— Terceira porta à direita depois do corredor, Sr. Kim.

O mais velho agradeceu e fez menção de sair, mas pareceu lembrar-se algo e voltou-se para Cha, que gelou no mesmo instante.

— Você é o pai? — Seokjin perguntou, oferecendo um sorriso para o meu noivo.

— S-Sou.

Franzi as sobrancelhas. Nunca tinha visto Eun Woo gaguejar ao falar com um desconhecido, ele sempre é firme e simpático. O mais velho estendeu a mão para o médico, que apertou-a somente depois de alguns segundos. Parecia perdido, confuso e estranhamente infantil.

— Parabéns, meu jovem. Você, com certeza, ganhou na loteria — ele afirmou, me lançando um olhar gentil.

Woo limpou a garganta antes de responder:

— Obrigado.

E então ele sorriu mais uma vez e seguiu seu caminho, sumindo de nosso campo de visão. Mesmo depois de já o termos perdido de vista, Woo continuou olhando na direção que Seokjin andou, parecendo estar em um transe pessoal.

— O que aconteceu?

Minha pergunta aparentou ter o trazido de volta para a realidade. Woo virou-se novamente para mim, me encarando de uma forma estranha e, depois do que pareceu uma eternidade, respondeu:

— Nada.

Não insisti, mas era óbvio que alguma coisa tinha acontecido. Woo passou o resto da festa olhando para os lado a todo instante e era evidente que tinha ficado atordoado com algo.

O que teria o deixado desse jeito?

                           [...]

Segunda-feira chegou e, com ela, o meu primeiro dia de trabalho. Acordei mais cedo do que deveria, a ansiedade pulsando em minhas veias. Depois de sábado, percebi que a única coisa que eu realmente teria controle seria apenas o meu trabalho, então tratei de aproveitar ao máximo. Depois do banho, coloquei uma blusa social branca, uma calça jeans azul e um tênis. Amarrei os cabelos em um rabo de cavalo alto e coloquei os brincos, o que me fez parecer mais madura. Eu estava tão animada que quase acordei Woo, mas sabia que ele não gostaria. Quando ele despertou, eu não estava no quarto.

Uma hora depois, já estávamos no carro e ele percebeu minha empolgação. Ao contrário do que pensei que faria, ele apenas sorriu de canto e deu a partida no carro. Então percebi que, para ele, aquilo era uma coisa qualquer, uma coisa básica. Ele já tinha trabalhado e sua vida era comandada por si mesmo. Ele não entendia a importância que aquilo tinha para mim, ou fingia não entender.

Quando chegamos na escola Canto Feliz e Woo encarou o prédio amarelo, novamento pareceu ter visto um fantasma. Ele apertou o volante com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos.

— Ei — chamei, fazendo-o voltar sua atenção para mim. — O que foi?

— É aqui que você trabalha?

— Sim. Por quê?

Woo negou com a cabeça e respirou fundo, me deixando ainda mais confusa.

— Nada. Bom trabalho, querida.

— Obrigada. Tenha um bom dia.

Abri a porta e fiz menção de sair do carro, mas Woo segurou no meu braço, obrigando a encará-lo.

— Não está esquecendo de algo? — ele perguntou, ao que eu franzi as sobrancelhas. Ele riu e apontou para a própria bochecha. — Meu beijo, Hana.

Soltei um "Ah" descontraído e forcei um sorriso antes de deixar um beijo rápido em sua bochecha. Ele não parecia satisfeito, mas nada disse. Saí do carro finalmente e fui até a calçada, acenando para ele antes de cumprimentar novamente os dois homens que ficavam nos portões azuis e entrar na escola. Haviam apenas poucas crianças, mas já me deixou animada. Arya estava sentada em um baco, tomando café e sorriu ao meu ver, prontamente caminhando na minha direção.

— Oi, Hana!

— Oi, Arya! — cumprimentei, contente. — A diretora já chegou?

— Ainda não, mas ela vai chegar logo. Ela me pediu para entregar para você a chave do seu armário.

Sorri e peguei a chave prateada que ela me estendia, feliz pela ideia de ter um lugarzinho só meu naquela instituição, fazia com que eu me sentisse parte do grupo. Ficamos imersas em um silêncio agradável enquanto andávmos para a sala dos professores, e eu reparei em todos os detalhes possíveis durante nossa caminhada para o segundo andar. Eu ainda não sabia a realidade daquela escola, mas parecia ser bem cuidada e funcionar direito, o que me deixava aliviada.

— Ah, e não se preocupe com os outros professores, todos são muito gentis — ela falou, sentando em um sofá creme que havia perto dos armários. Abri o meu, colocando as coisas que não iria precisar nele. — São todos muito acolhedores, você vai ver.

Assenti com a cabeça, abrindo um sorriso. Ela estava sendo tão gentil comigo, esperava que pudéssemos ser amigas. Embora Woo tenha me dito que não queria que eu tivesse nenhum relacionamento aqui, isso vai ser quase impossível e eu realmente queria conhecer pessoas novas. Se quisesse ter uma chance, eu precisava fazer amigos. 

— Você não fala muito, não é? — ela perguntou, mas eu sabia que não havia acusação em sua voz. Se fosse em outros tempos, eu teria enchido o ouvido da mulher com minhas perguntas, desejos, expectativas e curiosidades, mas eu estava vivendo em uma realidade em que eu não tinha muita voz, então aprendi a ouvir mais e ficar na minha.

— Sinto muito. Acho que estou apenas um pouco nervosa.

Ela sorriu de forma compreensiva, me reconfortando.

— Eu entendo. Também estavam assim no meu primeiro dia.

Fechei meu armário e sentei ao seu lado, mas foi uma total perda de tempo, pois no mesmo instante o sinal tocou, indicando que nosso dia iria começar. Era apenas o primeiro sinal, mas nós deveríamos ir para nossas respectivas salas.

— Você vai ficar com o jardim de infância, são crianças de cinco, seis anos. É uma turma pequena — ela informou, caminhando comigo para onde eu deveria ficar. — Elas terão aula de música agora e o professor é adorável, vocês vão se dar bem. Ele sempre sai dez minutos mais cedo, porque ainda faz faculdade e, bem, ele já nos ajuda muito por estar somente aqui. Então, quando ele for embora, você continua o que ele ensinou na aula, ok? Normalmente são apenas alguns exercícios vocais simples ou apenas coloque um vídeo para distrair os pequenos enquanto o outro professor não chega.

Era informação demais, mas consegui entender. Assenti com a cabeça e ela me levou até a sala, parando comigo na porta. O professor já estava lá, de costas, ajeitando alguma coisa no computador enquanto seu violão estava em um dos puffs que havia ali. Arya fez um sinal positivo com a mão e sorriu para mim antes de me deixar e ir para sua própria sala. Entrei na sala devagar, sem fazer barulho, franzindo a testa por achar aquela silhueta tão familiar.

— Hm... Olá. Eu...

No momento em que o rapaz se virou na minha direção, senti meu coração bater mais rápido e meu estômago se encher de borboletas. Quando aqueles olhos encontraram os meus, senti que iria cair devido às minhas pernas bambas e molengas. Seu semblante estava cheio de confusão, assim como o meu.

— Hana?

— Moon Bin?


Notas Finais


FOGO NO PARQUINHOOOOOO

Espero que vocês tenham gostado, meu amores! Logo estarei trazendo o próximo capítulo e as coisas vão andar um pouquinho mais rápido agora, porque eu tenho que fechar as pontas soltas. Tenho certeza que vocês, assim como eu, estão ansiosos para descobrir mais do passado do Woo e finalmente descobrir sobre o plano dele.

É isso, meus amores! Nos vemos na próxima!
Beijinhos de luz ❤️ ❤️


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