História Guardiães Alpha I - Selos de Proteção - Capítulo 22


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Tags Anjos, Demonios, Drama, Mistério, Poderes, Profecia, Romance, Segredos, Sobrenatural, Verdade
Visualizações 6
Palavras 3.574
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shounen, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 22 - 21. O Ataque à Cidade... Perdas, Pt 1.


04 de abril; Ano 16

15:02hrs.

 

As chamas consomem toda a frente da casa, impedindo a entrada ou saída de qualquer pessoa. O corpo de bombeiros ainda não havia chegado, já que não faz muito tempo que houve a explosão. Dois veículos da polícia estão parados o mais próximo possível, em uma distância segura do fogo, enquanto os policiais tentam afastar os curiosos que se juntam aos montes para ver e registrar o ocorrido.

Jack havia perdido a noção da realidade por um tempo, como se sentisse hipnotizado pelas chamas. Sua mente processa vários pensamentos a mil, levando-o a se preocupar com Kristy e Lara. Elas não podem estar lá dentro, senão já estariam mortas, consumidas pelo fogo. Essa ideia acorda Jack, que balança a cabeça de um lado a outro e ordena suas pernas a obedecerem.

Em disparada, sem dar atenção aos protestos de Raíssa sobre ser perigoso demais avançar, Jack corre em direção à multidão, empurrando qualquer pessoa que fique em seu caminho, abrindo espaço, tentando alcançar a casa. Desvencilhando-se de um policial que tentara mantê-lo longe, Jack grita que é sua casa e se aproxima, sentindo o calor tocar sua pele.

As chamas devoram tudo que encontra no caminho. Dá para se ouvir o grito das chamas, felizes por ter o que se alimentar. O calor é intenso, e mesmo estando a alguns metros da entrada, Jack sente seu corpo suar. Seus olhos reclamam com toda aquela luminosidade, e sua garganta seca o incomoda.

Não há como entrar, ele já havia percebido isso. Pode sentir pelo seu corpo reclamando do imenso calor que não é imune a queimaduras. A princípio não sabia mais o que fazer, até lembrar que pode haver alguma entrada acessível pelos fundos. Sem perder mais tempo, Jack corre, dando a volta na propriedade e alcançando os fundos.

A primeira coisa que ele vê é o extenso gramado até o lago alguns metros à frente, recordando-se da noite de anteontem quando conversou com Kristy e ela o beijou. Eles ainda não tiveram a oportunidade de retomarem o assunto, ele ainda não teve a chance de poder entender melhor os sentimentos dela. E se ela estiver morta, tudo terá desaparecido.

Lutando contra as lágrimas que insistem brotar em seus olhos, Jack vira em direção a casa e percebe que a situação é bem melhor nesse lado. Jogando-se contra a porta dos fundos, arrancando-a das dobradiças, Jack adentra o local, levando uma mão à boca para evitar que respire demais a fumaça tóxica. Ajustando sua visão o máximo que pode, vasculha todos os cantos da casa. Cozinha, corredores, sala de estar, sala principal, quartos, banheiros. Não havia sinal de Kristy ou de Lara. Quanto mais tempo ele explorava, mais feliz ficava ao não encontrar nenhuma delas, a esperança de que elas não estavam em casa no momento da explosão, ou que conseguiram sair a tempo se tornando mais real. Porém, tornava-se cada vez mais difícil manter-se firme, pois respira bem pouco e seus pulmões já reclamavam de dor. Ele suportou até verificar o último cômodo, ter certeza de que elas não estão em canto algum, e quando alcançou seu objetivo, se projetou contra a janela mais próxima, caindo do primeiro andar até o terreno dos fundos da casa.

O impacto da queda não lhe provocou fortes dores, o pior mesmo era a respiração. Tossia bastante, sugando o máximo de oxigênio que conseguia, os pulmões ardendo em seu peito. Sua visão está embaçada, dificultando sua percepção das coisas à volta. Tentava entender a situação, percebendo que sua família estavam a salva, pelo menos, não foram mortas pelo incêndio. Mas onde elas estão? O que ocasionou toda essa destruição? Foi acidental ou alguém fez isso? São tantas perguntas e ele ainda não tem respostas para elas.

Jack percebe alguém se ajoelhar ao seu lado e leva alguns segundos para reconhecer Raíssa. Seu semblante preocupado, iluminado por apenas um lado, luz vindo da casa em chamas, faz Jack entender o quanto essa garota realmente se importa com ele.

― Ei Jack, você está bem? ― Raíssa indaga, tocando seu rosto gentilmente.

― Preciso me recuperar um pouco. ― Jack responde com dificuldades, ainda tentando recuperar a normalidade de sua respiração.

― Você é um tremendo maluco. O que estava pensando quando decidiu entrar no meio do incêndio dessa forma?

O tom de voz de Raíssa não é pesado, não está dando-lhe uma bronca. Na verdade, a serenidade dela, o modo como o trata tão bem, com certo carinho, impressiona Jack, que leva alguns segundos para responder.

― Eu precisava ter certeza de que minha família não estava morta lá dentro.

― Elas são tão importantes assim para você?

Novamente, uma pergunta que o surpreende. Raíssa, de uma certa forma, está agindo diferente com ele, como se estivesse ali para cuidar dele, como se já o tivesse conhecido antes. Como se fosse alguém importante que ele havia esquecido.

― Quem é você? ― Jack indaga, surpreendendo-se por ter dito em voz alta..

Sua intenção intenção era despistar a pergunta feita por ela; É óbvio que sua família... que Kristy e Lara são as pessoas mais importantes de sua vida. É tudo que tem. O motivo de lhe perguntar tal coisa é que ele se apegou a ideia repentina de que, por algum motivo, ela começou a lhe parecer tão comum.

Aquele olhar sereno, a voz tranquilizante, os lábios sorridentes… Lembram-lhe a sensação de que, Jack conhece alguém que age dessa forma. Entretanto… de quem se trata? Kristy é doce, mas enérgica em suas palavras. Lara é determinada e fria. Jill e Tedd são mais brincalhões do que exatamente amorosos…

Quem exatamente ele conhece que lhe trata dessa maneira tão carinhosa?

Não adianta… Não consegue se lembrar.

Raíssa apenas sorri delicadamente, concisa, olhando para os lados. Nesse instante, seus olhos se arregalam, o medo ganha cor em seu rosto. Sua boca se abre num formato de “o” e se mantém assim, sem emitir um único som.

Virando-se para o lado, em direção à mata que há no canto esquerdo de sua propriedade, Jack entende o motivo do medo de Raíssa. Dezenas de criaturas horripilantes deixam as sombras das árvores, sendo iluminadas pelas chamas. Suas aparências são grotescas, revestidas de pelo em cor vermelho bem intenso. Andam lentamente em quatro patas, algumas se erguendo nas duas traseiras, mostrando que podem utilizar as duas dianteiras para atacar. Mãos e pés cheios de garras bem afiadas e cada uma delas possuem uma cauda de um metro de comprimento, onde na ponta há uma divisória em duas partes, com pontas escuras bem afiadas nos dois lados. Possuem enormes chifres pretos e seus olhos têm um tom tão escuro que se pode dizer que há um imenso abismo neles. Seus rosnados guturais arrepiam Jack, um som aterrorizante que não se compara a nada que tenha ouvido até esse momento em sua vida.

Eles estão cercados, não há uma escapatória fácil dali. Jack se levanta lentamente, evitando fazer qualquer movimento brusco. Raíssa fica ao seu lado, dois passos atrás, seus olhos ainda arregalados para o que vê. Jack sente que precisa protegê-la, que uma humana comum como ela não tem chance alguma de enfrentar criaturas tão grotescas. Ele próprio não sabe se conseguirá derrotá-los, mesmo sabendo ser diferente das demais pessoas. Nunca havia visto algo parecido como aqueles monstros, não pode chegar a uma conclusão exata do que pode acontecer se enfrentá-los.

Quando a primeira criatura faz menção de atacar, Jack se vira para Raíssa, pegando-a nos braços e a erguendo. Ela demonstra não fazer ideia do que Jack está tentando fazer, e para ser sincero, nem mesmo ele sabe. Pensava inicialmente em correr, mas as criaturas se revelam bastante rápidas e no primeiro movimento dele, elas avançam, quebrando a distância entre eles em segundos. Mudando de plano, Jack se desculpa com Raíssa, sussurrando em seu ouvido, e a arremessa na direção da floresta, rezando para que não haja monstros por lá e que não frature nenhum osso durante a queda, para ter alguma chance de sobreviver.

Raíssa grita, porém, no instante em que some dentre a escuridão da mata, a primeira criatura morde o braço direito de Jack, levando-o ao chão. A dor é excruciante e Jack grita. Outros dois monstros pulam em cima dele, arranhando-o com as garras em diversas partes do corpo, fazendo-o perder muito sangue. Eram dezenas delas, mas apenas três estão o atacando. Os gritos de terror vindo do outro lado da casa em chamas lhe informam que as pessoas também se tornaram alvos desses monstros. Imediatamente sua mente vai até Raíssa. Dessa forma, ela ainda pode estar correndo perigo.

Conseguindo chutar umas dessas criaturas para longe, Jack se desvencilha de outro, mas aquele que lhe abocanhou o braço direito não quer soltar. Ele pode sentir os dentes da criatura no osso do braço, quando a cabeça da criatura é arrancada de seu corpo e o sangue negro dela banha o rosto de Jack.

Ao erguer a cabeça, ainda sentindo muita dor por todo o corpo, ele sorri ao ver Lara parada ao seu lado, segurando duas catanas já banhadas de sangue negro, sangue desses monstros.

Ela mostra-se bem, com apenas manchas de fuligem e lama espalhada pelo corpo. Entende o motivo para estar suja de fuligem, mas de onde ela tirou toda aquela lama? Os olhos dela, brilham intensamente, numa concentração que Jack conhece muito bem.

Quando ela entra nesse modo, nem mesmo ele, usando suas habilidades especiais, consegue derrotá-la.

― Consegue se levantar? ― Lara indaga, observando as outras duas criaturas, que no momento, apenas estão parados, analisando a nova pessoa que chegara e matara um de seus companheiros.

― Isso não é nada, em poucos minutos estarei perfeito, como se nunca tivesse me acontecido nada. ― Jack diz se levantando, referindo-se à sua regeneração avançada.

― É bom ouvir isso, pois vou precisar de uma ajuda para eliminar essas criaturas.

― Demorou demais para pedir.

Os monstros atacam e Jack se envolve com um deles. Deixando o inimigo passar por cima dele durante seu salto, com um simples abaixar de corpo, Jack usa de sua “super força” para arremessar a criatura para dentro da casa em chamas com um único chute. Ao se virar, Lara já estava com as catanas enfincadas no corpo do monstro, que dera seu último suspiro.

― Vamos, ainda há muitos deles pela cidade. ― Lara diz e Jack concorda com a cabeça.

Enquanto caminham a passos largos em direção às ruas principais da cidade, deixando para trás o lar deles que queima sem um fim próximo, Jack não consegue parar de admirar Lara. Ele a considera como uma mãe, mesmo que ela tenha pedido para ele não a chamar assim. Desde que se lembra das coisas, esteve treinando com ela, e mesmo nos dias em que usava suas habilidades especiais, ele nunca vencera ela em uma luta. Lara era bastante rápida para o normal de um ser humano e inteligente, conseguindo surpreendê-lo sempre que possível. As catanas que ela segura, ele só as viu uma única vez, e foi ao acaso, quando Lara as limpava. Vê-la usando essas armas em um momento necessário lhe enche de esperanças sobre a batalha que precisam travar.

― Tia Lara, onde está Kristy? ― Jack lembra da prima, enquanto tenta ao máximo acreditar que Raíssa esteja bem, e fugindo o mais rápido que puder. Ele só pode imaginar, já que, fez uma busca rápida pelo local onde Raíssa deve ter caído com o canto do olho e não havia ninguém lá, nem mesmo marcas de sangue pelo chão.

― Sinceramente, eu não sei. Quando chegamos em casa mais cedo, a Kristy subiu para seu quarto e se trancou, sem querer conversa comigo. Cinco minutos depois, ela saiu de casa às pressas, também sem me informar para onde estava indo.

― Temos de encontrá-la então.

Jack não quer admitir, mas sua preocupação maior é com Kristy e Raíssa do que com a cidade. Ele quer salvar as pessoas, evitar que elas morram destroçadas por essas criaturas, mas antes, ele precisa ter a certeza de que Kristy está bem, e principalmente, que ainda está viva. Assim como Raíssa.

O caos já tomou conta da cidade. Lara e Jack alcançam uma das encruzilhadas mais famosas, onde liga uma avenida a duas das principais ruas. Para todo lado que Jack pode ver, há gritaria, desespero, pessoas fugindo por suas vidas, carros que se envolveram em acidentes espalhados a cada cinco metros, mais ou menos... o mais aterrorizante, claro, eram os demônios que atacam qualquer ser humano que viessem pela frente.

Lara se vira e olha Jack diretamente nos olhos, séria, com um comprometimento evidente em seu semblante.

― Vamos nos separar. ― Ela diz. ― Precisamos salvar essa cidade e destruir todos os demônios que encontrarmos.

― Tudo bem, enquanto isso eu vou procurar a Kristy. ― Jack afirma, já pensando em seguir em frente, quando uma dúvida surge de repente. ― Tia Lara, por que nossa casa foi o primeiro alvo deles? Estavam à minha procura?

― Não só à sua procura Jack, como à minha também. ― Ao responder, Lara usa um tom mais ameno, ou melhor, mais abalado. Jack não deixou passar a mudança drástica na voz de sua tia.

― O que isso quer dizer? Tem algo que está escondendo de mim?

― É sobre quem você e as outras nove crianças realmente são e... quem eu realmente sou. ― Jack já abria a boca para pedir uma explicação melhor, quando é interrompido por Lara, que estica a mão e pede um tempo. ― Vamos conversar sobre isso depois, está bem? Primeiro, temos de salvar o maior número de pessoas que pudermos.

Antes que Jack tivesse a ideia de protestar contra essa decisão, Lara aperta firme as catanas em suas mãos e se vira, indo pela esquerda da avenida, em direção ao que parece ser a região onde os maiores ataques acontecem. Jack a observa partir, logo depois dando um giro de trezentos e sessenta graus, ainda no mesmo lugar, absorvendo toda a destruição. Ele quer gritar, se jogar ao chão e se encolher, rezar para que isso seja apenas um pesadelo. As coisas estão acontecendo rápido demais e sua mente demora demais para processar os fatos.

Uma imagem surge em sua mente.

Trata-se de uma noite chuvosa, onde ele se encontra de costas encostado em uma árvore, no meio de uma floresta. Está mais novo, e sente bastante medo. A única coisa que deseja é estar com seu pai e sua mãe, mas sabe que isso não é possível naquele instante.

Quando um trovão estoura acima, Jack desperta, seus olhos pregados em um veículo que explode um pouco mais adiante.

Mantém-se estagnado. O que diabos foi aquilo? Alguma lembrança que havia esquecido? É provável, pois ainda sente a sensação de precisar de seu pai e mão, mesmo que não lembre quem eles realmente são.

Dando alguns tapas no rosto, para despertar a si mesmo dessa conformidade cruel da realidade e desse fragmento de memória que escolheu a hora errada para aparecer, Jack tenta imaginar aonde exatamente Kristy pode ter ido. Ele sabe de três lugares que sua prima costuma ir quando está frustrada ou quer ficar sozinha. O fundo dos terrenos da casa, mas esteve lá a poucos minutos e ela não se encontrava por lá, sem contar que Lara informou que Kristy havia saído pela porta da frente. Então, ela pode ter ido à casa de sua melhor amiga, que fica a quatro quarteirões de onde Jack está nesse exato momento, ou ter ido ao parque que fica próximo à escola.

Escolhendo à casa de Victoria, melhor amiga de Kristy, por ser mais perto, Jack corre na direção contrária por onde Lara se dirigiu, pulando os destroços e desviando dos carros amontoados pelas estradas.

A pequena cidade em que mora encontra-se em estado grave. Noventa por cento das residências que Jack observa estão destruídas, muitas delas sendo consumidas pelas chamas. Havia muitos corpos sem vida para todos os lados, e Jack não queria olhar, mas era inevitável. Precisava absorver o máximo possível da situação para lutar sem restrições. Quanto mais crueldade esses demônios fazem, mais ele terá o desejo de exterminar a vida desses monstros.

Já havia percorrido metade do caminho sem encontrar nenhuma criatura, acreditando estar com sorte de seguir por um caminho já abandonado pelos demônios, quando viu os primeiros deles surgirem das sombras e avançarem em sua direção.

Jack continua correndo, enquanto dois demônios se aproximam pelos lados, com suas bocas respingando sangue pelo chão. Após percorrer dez metros, Jack salta para a esquerda, caindo bem em cima de um deles. Segurando a cabeça asquerosa do demônio, Jack usa sua força ao limite, para arrancá-la do corpo e jogar para longe. Uma terceira criatura salta do alto de um poste que já se encontrava torto, devido a sua base estar comprometida, pois um caminhão acertou-o em cheio. Com o impulso recebido, o poste enfim acaba despencando, bem na direção de onde Jack havia parado. Jogando-se para o lado, ele evita ser esmagado por pouco.

Ao se levantar, os dois demônios já partem em sua direção, sem lhe dar um tempinho sequer. Jack já estava preparado para lutar mano a mano contra os dois, quando um deles é atingido em cheio por uma flecha, caindo já sem vida para o lado. Jack se vira para ver Kristy abaixada em um canto, na frente de uma loja de armas, segurando uma besta firme em mãos.

― Não se distraia Jack, o outro ainda está indo até você. ― Kristy grita ao perceber que Jack havia perdido a compostura ao vê-la ali.

A criatura salta na direção de Jack e Kristy consegue disparar mais uma flecha, mas Jack nota que essa não acertará o monstro. Usando sua ultravelocidade, Jack joga o corpo para trás, desviando-se da boca do demônio. Antes mesmo de cair no chão, ele estica a mão esquerda e segura a flecha atirada por Kristy, fincando na cabeça da criatura, matando-a antes mesmo que pudesse alcançar o chão.

Kristy corre até Jack, que se levanta reclamando de um arranhão sofrido nas costas ao acabar de cair.

― Onde você estava? ― Jack pergunta, ainda sentindo dor. ― E onde arranjou essa arma?

― Eu estava na casa da Victoria... ― “Bem como eu imaginei.”, Jack pensa. ― E eu roubei a besta da loja de armas. Não me olhe torto, com todo esse caos, eu só me aproveitei de uma loja já abatida e me preparei para o combate.

― Não sabia que você gostava de bestas. Poderia ter pego alguma arma de fogo mais potente.

― Eu prefiro esse tipo de arma, faz mais meu estilo. ― Kristy havia levantado a camisa de Jack para ver o arranhão, que acaba não sendo nada grave, mas olha para o resto do corpo dele e vê diversos outros ferimentos. ― O arranhão nas costas é bem mais leve que as mordidas que você já levou desses monstros.

― Não se preocupe com isso, sabe muito bem que daqui a pouco esses ferimentos vão ter sumido.

― E o que nós faremos agora?

― Iremos para o centro da cidade. Lá o caos está maior e as pessoas devem estar precisando de uma ajuda extra.

Jack e Kristy começam a correr pelas ruas destruídas, seguindo rumo ao centro da cidade, para onde Lara havia ido. Jack aproveita a pequena chance de paz que tem e lhe conta o que aconteceu com a casa, e tudo que ele passou até encontrá-la. Kristy não diz nada, apenas balança a cabeça, captando tudo que ele diz. Jack notou uma mudança no semblante dela, mas escolheu não se preocupar com isso no momento.

O caminho mais curto para o centro estava bloqueado, então, Jack e Kristy dão a volta, pegando algumas ruas mais estreitas. Notam a presença de alguns demônios por ali, o número deles aumentando ao ponto de que vão se aproximando do núcleo do caos.

Jack salta, jogando sua força para os pés e aumentando o impulso, fazendo-o subir cerca de sete metros acima do solo, para poder segurar uma criatura que estava tentando entrar pela janela de um apartamento, onde havia uma mulher desesperada evitando que isso acontecesse. Ao descerem, Jack cai por cima do monstro, esmagando-o e sendo banhado pelo sangue escuro dele. Por todo o caminho, Kristy não poupa as suas munições, atirando em cada monstro que vê pela frente, matando alguns, apenas ferindo outros, dependendo de onde acertava. Jack só pode imaginar que ela havia pego dezenas de flechas, para não ter medo de gastar dessa forma.

Já estavam alcançando o final do desvio quando Jack houve um grito, e lhe é muito familiar. Ao parar, nota estar na rua defronte à escola em que fora expulso naquele dia, só que mais cedo. Esse fato parece estar tão distante...

― O que houve? ― Kristy pergunta ao parar ao lado dele, olhando para a mesma direção.

Jack não responde, ele já havia notado o que estava acontecendo e começava a dar vários passos naquela direção, orando para que seus olhos estejam enganados. Quanto mais se aproximava e ouvia as lamúrias dela, mais Jack percebia que aquilo era realmente verdade. Bem de frente ao portão de entrada da escola, Jill chora desesperada, segurando o corpo de Tedd. Na verdade, apenas metade do corpo dele, da cintura para cima...



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...