História Guardiães Alpha I - Selos de Proteção - Capítulo 39


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Categorias Histórias Originais
Tags Anjos, Demonios, Drama, Mistério, Poderes, Profecia, Romance, Segredos, Sobrenatural, Verdade
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shounen, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 39 - 38. Primeira Fase de Revelação Pt. IV - O Poder da Luz


05 de Abril; Ano 16

23:51hrs.

 

Jack não fazia ideia do que fazer com a mudança drástica de acontecimentos. Seus olhos iam do local atingido por algo que viera em alta velocidade para a figura em chamas que se encontra no alto de um edifício. Em relação a esse garoto, Jack sente uma energia familiar vinda dele. Sem contar que, mesmo envolvido pelo seu poder, não esconde o seu rosto. Aquela aparência... é o mesmo jovem que está sendo procurado nos EUA com suspeita de ter sido um dos responsáveis pelo ataque em Illinois.

Do meio dos escombros uma criatura horrenda se levanta, possuindo duas cabeças — uma humana e outra de gato — encarava furiosamente o seu possível agressor... é a conclusão que Jack consegue tirar daquela situação.

Há uma nova energia se aproximando da direção possível de onde aqueles dois surgiram. Impressionante e imprevisivelmente, Jack se vê envolvido em uma batalha que não começara ali, mas que foi transferida. Karin, ao seu lado, observa a cena atônita, como se não acreditasse no que seus olhos estavam vendo.

Tão rápido que foi incapaz do Jack ver seu movimento, Rayner, sem controle algum de suas ações, avança na direção do demônio. Antes mesmo de chegar na metade do caminho desejado, algo segura sua camisa, gira o seu corpo e se aproveitando do impulso feito pelo próprio Rayner, o arremessa para longe, ao ponto de ultrapassar várias paredes de casas e edifícios, e desaparecer de vista.

Jack não havia conseguido acompanhar Rayner com os olhos devido a sua velocidade, porém, alguém mais presente teve uma reação melhor. Aquele ser com uma aparência feminina e atraente, que mesmo possuindo uma aura muito poderosa e tentara ser gentil com Jack, mostrara parte de suas habilidades. No segundo em que Rayner se colocou em movimento, aquela mulher já estava preparada e agiu com uma certa facilidade. Precisou apenas se mover ao mesmo tempo, alcançar Rayner e o jogar distante com uma certa facilidade... ou assim foi o que deu a entender.

Aquele anjo em forma humana observava o local onde arremessara o garoto em chamas, perplexa e de certa forma, preocupada. Não sabe explicar como isso é possível, mas se apegara àquele jovem rapidamente. Se conheceram a pouco tempo, no dia em que ela sentiu a sua energia e de outra humana emanar mais forte que o comum de sua raça... mas chegar ao ponto de se interessar por ele dessa forma, ela mesma não consegue entender.

Demorara alguns instantes para perceber que acabara queimando a mão que tocará na peça de roupa do garoto. Nada grave, mas também a marca de queimadura começava a lhe incomodar. Aquelas chamas eram mais do que simples... chamas.

Com um movimento ágil, Kesabel se joga para o lado, girando o corpo com maestria e caindo em pé, majestosamente. Jack só conseguira ficar maravilhado com aquele giro. Kesabel havia desviado de um golpe vindo de cima. Uma garota ruiva descera violentamente, seu pé tocando o asfalto e criando uma cratera no local. Jack também a reconhecia: era a garota fugitiva que era vista ao lado do garoto das chamas.

Ele nem precisou procurá-los, pois eles vieram por conta própria... ou melhor, a situação constava para uma possível aparição deles.

Kesabel lançou um olhar de diversão para a nova companhia. A ruiva, com um semblante furioso, não desgrudava seu olhar do anjo. A tensão formada pesava e Jack conseguia sentir, mesmo que estivesse a metros de distância. Karin, por outro lado, parecia sorrir discretamente. Esse gesto não passou despercebido por Jack, que a analisou confuso.

Aquela criatura horripilante cansou de esperar e avançou. Do outro lado, Rayner descontrolado também corria em alta velocidade. Jack se preparava para um imenso impacto, entretanto, mais uma vez, Kesabel fez sua parte.

Olhando irritada para a criatura, murmurou algumas palavras em um tom baixo que, devido à distância, Jack não conseguiu entender... mas funcionou.

Correntes bem grossas surgem do solo, envolvidas em uma manta mágica de cor negra, cobrindo o corpo do demônio e o prendendo. Ele até que tentava se soltar, mas era em vão. Aquelas correntes eram mais do que se podia ver e tinha a força suficiente para prender a criatura.

Sem perder tempo, ela havia virado o corpo, passado por Lise e segurado o rosto de Rayner com a mão, liberando uma energia que o arremessa a alguns metros de distância e cria as mesmas correntes para prendê-lo.

Anelise detestou ver aquilo e dava alguns passos à frente, porém é interceptada pela própria Kesabel.

— Você pode ficar tranquila, já tinha dito antes que não sou a inimiga de vocês, ao menos, não no momento. — O anjo diz, fixando seu olhar bem firmes nos olhos de Lise, que recua um pouco.

— E você quer que eu acredite em você, anjo caído? — Anelise retruca, demonstrando o maior desapego por esse ser. Desde pequena aprendeu a detestá-lo, quando seus pais falavam sobre a bíblia, e agora, diante de um deles que revela estar interessado no garoto ao qual está apaixonada, não deixará as coisas seguirem como sua adversária bem quer.

— Eu não tenho motivos para mentir a você. — Kesabel fala, voltando a encarar Rayner, que luta incansavelmente para se livrar das correntes. — Estou interessada nesses jovens que possuem habilidades especiais, como você querida, e principalmente o esquentadinho ali. Poderia me dizer o que aconteceu para ter deixado ele assim?

— Não é da sua conta! ­— Lise responde de imediato, afastando-se ainda mais de Kesabel, que reage rindo da garota.

— Você está precisando relaxar.

Jack havia se aproximado e ouvido a conversa. Não pode evitar sentir-se curioso, pelo simples fato de que algo assim pode acontecer com ele também... como possivelmente aconteceu. Se ele puder evitar que mais alguém faça atos que trará arrependimentos para o resto da vida devido ao descontrole de seus poderes, Jack não pensará duas vezes em ajudar.

— Será que poderia nos contar? — Jack indaga, parando próximo a elas. — Também gostaria de saber.

— Quem é você? Lacaio dessa aqui? — Lise retruca com fervor, suas palavras agressivas fazem Kesabel sorrir ao lado, adorando aquela irritação da garota.

— Não, sou como vocês. — Jack não se deixa abalar e baixa um pouco de sua camisa, revelando a sua cicatriz em formato de dragão.

Os olhos de Anelise arregalam ao ver a marca, pois não esperava por isso. Encontrar mais alguém como eles em um momento tão crucial é definitivamente inesperado... ou talvez não seja e que ela apenas estava focada em trazer o Rayner de volta.

Ao suspirar fundo e entender que agir de maneira arrogante não levará a nada, decide contar a eles o que aconteceu. Não poupa detalhes, revelando desde o momento em que eles precisaram desviar do primeiro golpe da criatura, passando por toda a batalha que tiveram e concluindo com o sacrifício de Sophia para salvar a vida de Rayner. Falar em voz alta sobre a morte da amiga abala Lise, que sente um aperto no peito e a deixa imobilizada. É como se libertar tais palavras também trouxessem junto a dor que conseguia manter presa em seu interior.

Jack ouvia tudo atentamente, absorvendo melhor as técnicas utilizadas por Lise e o Rayner e percebendo que ele parece estar atrás deles no quesito controlar suas habilidades. Também não deixou de notar como o descontrole emocional é causado por um baque muito forte, como ver alguém querido de ferindo grave ou mortalmente diante de seus olhos. É algo que eles, jovens especiais, terão de trabalhar melhor para evitar que volte a acontecer.

— Esse idiota não sabe cumprir um simples trabalho? — Kesabel solta, olhando furiosa na direção do demônio que desistiu de se soltar das correntes e permanecia imóvel, analisando a cena à sua frente. Anelise não deixou essa informação passar despercebida.

— Eu entendo ele, sei como é entrar em desespero dessa maneira. — Jack solta, ainda assim tentando afastar as lembranças que aconteceram em sua cidade natal.

Kesabel se põe ao lado de Lise e Jack, atraindo a atenção deles, pronunciando:

— Tudo bem, eu vou me unir a vocês, vamos tentar trazer o nosso garotão ali de volta à sua consciência. Relaxem, já disse e repito que não sou inimiga de vocês. Estou fascinada e quero estudar cada um de vocês, humanos com habilidades especiais. – Nesse instante, o som de correntes de quebrando chama a atenção deles, reparando Rayner em plena fúria conseguindo se libertar. – Ele romperá minhas correntes com facilidade, ao contrário do babaca ali. – Ela continua, apontando na direção do demônio que continua parado. – Vamos ter algum tempo para acalmar o esquentadinho, mas não será muito. Manter ele preso por muito tempo não será possível, pois eles estão a caminho também.

— Eles quem? – Lise pergunta, mas não obteve resposta. Tanto Kesabel quanto Jack estavam focados em Rayner, concentrando-se, armazenando energia para o início de um combate. Respirando fundo, Anelise faz seus preparativos também, acalmando-se, deixando o seu poder fluir livremente pelo seu corpo. Não sabe como esses dois – que agora são seus companheiros de luta, o que era improvável para ela algo assim acontecer – vão agir, enfrentando Rayner com cautela ou sem preocupação em feri-lo, mas Lise fará o que for possível para que consigam colocar Rayner para dormir sem ter de machucá-lo demais para isso.

— Tentem se aproximar dele e fechar seus olhos, da última vez funcionou. – Ela comenta, observando os dois ao seu lado balançando a cabeça em forma afirmativa. Ainda não confia neles, mas sabe que será uma ótima ajuda.

No instante em que Rayner se livra das correntes, Jack é o primeiro a se mobilizar, correndo em diagonal, se aproximando de Rayner rapidamente, que o observa atento, indo imediatamente em sua direção, criando enormes bolas de fogo e as arremessando. Jack desvia e bate as duas mãos no chão, liberando uma imensa carga elétrica, que surge como raios vindos do solo, destruindo o asfalto e atingindo Rayner. Entretanto, ele se defendera sem problemas, voltando a se aproximar logo em seguida.

Nesse meio tempo, Anelise havia se movimentado pelo outro lado, aproveitando a distração de Rayner com Jack. Enquanto corre, concentra o maior número possível de energia e libera uma rajada de vento que se intensifica a cada segundo. Ao chegar a dez metros de Rayner, porém, ele nota sua presença e desiste da batalha contra Jack para focar-se nela.

O que foi seu erro.

Jack teve tempo o suficiente para se aproximar e lhe deferir uma sequência de golpes. Soco direito… esquerdo… cruzado… pontapé na região dos joelhos colocando-o para baixo, saltando, prendendo seus pés entre a cabeça de Rayner e, girando seu corpo, o arremessa. Rayner pode estar num nível alto de poder mágico, mas Jack leva vantagem no corpo a corpo.

Rayner se levanta, mas é surpreendido mais uma vez por Jack, que volta a assolá-lo com golpes certeiros, resultado de anos de treinamento ao lado de sua tia, que se revelou ser um anjo. Ela o ensinara a ser um ótimo lutador, a ponto de obter uma certa vantagem contra um inimigo que nitidamente tem um poder superior ao seu.

Ajudando Jack, Lise usa o ar para segurar o corpo de Rayner e o arremessar para o alto, deixando-o sem equilíbrio. Kesabel, que até então só observava, aproveita a oportunidade e salta, criando uma energia negra em sua mão direita e tocando o estômago de Rayner, arremessando-o com violência ao chão, destruindo de vez o que sobrava do asfalto daquele cruzamento de vias.

A energia negra havia deixado Rayner desabilitado, confuso, levando as mãos à barriga, com dificuldades para se levantar. Tentando não perder a oportunidade, Jack corre e se ajoelha, levando sua mão esquerda aos olhos de Rayner, com intenção de fechá-los e terminar de uma vez com esse confronto.

Seria fácil demais se ele conseguisse.

Com uma descarga de energia… que lembra muito a habilidade que Jack havia usado instantes na batalha, ele é atingido em cheio, sendo arremessado para longe. Lise, que por segundos havia baixado a guarda acreditando que eles tinham conseguido parar Rayner, vê o garoto desaparecer diante de seus olhos. Ela só soube onde ele tinha ido quando ouviu um grito agonizante de dor vindo de Jack. Quando o encontra, o vê deitado ao chão, cuspindo sangue, após Rayner prensá-lo ao chão com suas duas pernas. Foi um golpe em cheio que levantou pedaços do solo abaixo. Lise se pergunta o quão grave deve estar os ferimentos de Jack com esse ataque.

Kesabel havia se aproximado às costas de Rayner e girado seu corpo tenta acertá-lo no rosto, mas é bloqueado por uma camada de fogo. Nesse instante, algo acontece… Rayner, que até então batalhava com um semblante vazio, sem emoção alguma, começa a rir. Inicialmente baixo, aos poucos ganhando intensidade até se tornar uma gargalhada sinistra, digna de vilões de filmes de super-heróis. Entretanto, aquilo era real e era muito mais assustador. Rayner ria tão alto que era possível imaginar que suas cordas vocais estivessem no limite.

Duas asas surgem de suas costas, rasgando a pele, dando-lhe uma característica ainda mais assombrosa. Aquelas asas de fênix veio junto com um “boost” em seu poder mágico, que apesar de já estar alto antes, deve vez foi duplicado.

Kesabel tentou se afastar devido a alta temperatura gerada pelo aumento de poder de Rayner, mas é segura pelo pescoço numa velocidade tão grande que Lise não conseguiu ver o movimento… mais uma vez. Rayner pressionava o pescoço do anjo sem piedade enquanto ela tentava se libertar inutilmente. Lise, no impulso avança, tentando evitar que Rayner mate aquele ser dessa forma. Porém, Rayner a percebeu e arremessa Kesabel em sua direção. Lise a segura, deitando-a no chão, vendo tentar recuperar o ar. Ao olhar para frente, não vê mais Rayner, mas o sente às suas costas. Antes de poder se virar, ela sente uma dor aguda na lateral esquerda de seu corpo e ao olhar para baixo, vê metade de sua barriga aberta.

A ficha não demorou muito para cair. Rayner, com o pouco tempo que teve no instante em que Lise segurava Kesabel e a colocava no chão, avançou até ela e a feriu gravemente.

Colocando uma grande quantidade de sangue pela boca, Lise cai de joelhos ao solo, sem acreditar no que está acontecendo.

Jack se vira no chão, trincando os dentes devido a dor, observando aquele cenário. Eram três contra um e nem mesmo a mulher chamada Kesabel, que tem um poder latente três vezes maior que a dele no momento, foi derrotada de certa forma fácil. Aquele garoto das chamas está num nível muito acima, e isso está se tornando perigoso, tanto para as pessoas próximas, quanto para ele próprio.

Só que, de repente, Jack sente uma energia reconfortante abraçar seu corpo. Suas dores começam a cessar e as costelas quebradas e órgãos danificados estão sendo curados. Inicialmente pensou que seria sua própria autorregeneração, mas nota que a energia é diferente.

É algo externo.

Ele procura com os olhos Kesabel e Anelise, mas se surpreende ao vê-las atônitas também, pois também estão sendo curadas, e em uma velocidade maior que a regeneração deles era capaz. É alguma habilidade de outra pessoa por ali perto, mas quem seria? Havia dezenas de pessoas em frente a delegacia assistindo àquele combate. Será que essa pessoa está ali entre elas? Ou está em algum outro lugar? Jack procura desesperadamente, mas não consegue distinguir de onde essa habilidade de cura está vindo.

Lise, por sua vez, apesar de estar maravilhada com aquele poder externo que cura suas feridas, ela está mais preocupada com Rayner. Ele agora prestava atenção nos civis e esticara sua mão direita. Um enorme símbolo em cor vermelha surge… exatamente o mesmo símbolo de fogo representado pelo número zero que estava desenhado no diário da mãe de Alice e Annie.

Dava para sentir a quantidade exorbitante de energia que Rayner acumulava ali. Era questão de segundos até ele disparar aquilo e com toda a certeza eliminaria todos os inocentes que estavam ali próximos.

Anelise começa a sentir suas lágrimas escorrerem livremente pelo rosto. Ela se sente fraca, despreparada, uma inútil. Não consegue nem ajudar o garoto que tanto se importa quando eles mais precisa. Ela não quer vê-lo se arrependimento de atos que fizer por estar descontrolado. Não quer perdê-lo por causa desse poder que o consome. A pele dele já começa a descascar e os músculos estavam à vista em diversas partes do corpo. O próprio poder dele está o consumindo.

Seu coração parece apertado e o desespero preenche o seu interior. Lise trinca os dentes e não consegue desgrudar os olhos de Rayner. Aquele símbolo mágico já brilhava intensamente e em poucos segundos seria liberado sua imensa quantidade de poder. Ela precisava fazer algo urgente, mesmo que esteja em um estado deplorável.

Começando a se arrastar pelo chão, já sentindo a ferida em seu estômago se fechar, Lise se levanta e… Seus olhos se encontram com os dele.

Os olhos deles estavam visíveis, pesar de estarem em um tom vermelho. As chamas que os escondia havia desaparecido.

Seus lábios tremiam em uma tentativa desesperada de dizer algo. Lise percebeu nesse instante que o próprio Rayner estava lutando internamente para se libertar daquele pesadelo. Aquela mesma sensação que teve quando o viu pela primeira vez – referindo-se ao encontro duplo – lhe instiga. Mas há algo a mais nisso. A ligação entre eles está em um nível diferente… mais conectado.

Uma vontade gritante de chamar por ele lhe assola e ela solta… ao mesmo tempo que Rayner também libera:

— Ane!

— Rayner!

Algo dentro de Lise se rompe, como se desmoronasse e uma dor aguda lhe atinge nas costas. Asas brancas… de pégasus se liberta, dando-lhe também muito mais energia que possuía até então. Sem perder tempo, não se preocupando em maravilhar o que havia acabado de acontecer, Lise avança rapidamente na direção de Rayner antes que seja tarde demais.

Rayner não esboçou nenhuma reação com a aproximação de Lise, ou talvez não tenha tido tempo para agir, ou aceitou a sua aproximação. Ane o alcança, abraça-o com o braço esquerdo enquanto com a mão direita, fecha seus olhos, da mesma maneira como foi instruída a fazer no ataque ao shopping e o círculo mágico se desfaz. Poderia ser um momento de conquista e comemoração, mas infelizmente, com o canto do olho, notara uma movimentação próxima aos civis que observavam aquela batalha na frente do posto de delegacia. O demônio que atacara a mansão Hayes e tirara a vida de Sophia havia se libertado sem que ninguém percebesse e avançava com gana até as pessoas indefesas. Possivelmente essa era sua intenção, ficar calmo e esperar a melhor hora, quando ninguém estivesse prestando atenção nele, para se soltar e fazer um ataque surpresa. Ele já havia agido assim outras vezes, eles deveria já esperar por algo assim.

Lise só teve tempo de percebê-lo criando uma imensa energia negra em sua mão direita e mirando naquela multidão, quando o mundo à sua volta escureceu.

De repente, ela podia sentir pisar em solo e sente uma pequena margem de água banhar seus pés. Aos poucos, seus olhos se acostumam com aquele breu e vão notando algumas luzes vindas por todos os lados, porém distantes. Ao virar-se, ela se surpreende. Parece não haver nada ali, mas é nítida a presença de paredes invisíveis, que entram e foco e voltam a se “esconder” em tempos constantes.

– São os selos que me mantém longe de Rayner e o impossibilita de usufruir nossos poderes com total força. – Uma voz atrás de Lise a assusta e ao se virar, fica atônita ao ver Fênice.

– Fênice! – Anelise exclama, entendendo enfim o que havia acontecido. – Então, eu estou dentro do subconsciente do Rayner?

Fênice se aproxima, parando ao lado de Lise e a encarando com seus brilhantes olhos vermelhos. Anelise não havia analisado bem quando a viu naquela lembrança onde esteve com Rayner e Penélope, mas esse ser é majestosamente bela.

– Bem-vinda ao meu mundo, Anelise. Vocês dois possuem uma conexão muito forte, bem mais do que eu imaginava. Essa ligação que houve entre vocês agora é a mesma de quando vocês se viram no encontro duplo.

– Aquela sensação de que tudo ao meu redor tivesse desacelerado ao ponto de parar… – Lise adentra o raciocínio. – Mas dessa vez eu não senti isso.

– Você verá quando retornar. – Fênice faz um gesto com a cabeça para o outro lado das barreiras. – Consegue enxergar para além dos selos?

Anelise cerra os olhos tentando enxergar algo naquela escuridão. Inicialmente não vê nada e estava prestes a responder isso, quando o vê. Ali está Rayner, desacordado, preso a fios brilhantes e vermelhos, que liberam uma certa energia familiar para Lise.

– Aquele é…

– A consciência de Rayner. – Fênice completa. – Ele sempre está ali, preso por esse poder. Até mesmo quando veio me visitar, o que aconteceu foi que ele apenas despertou aqui dentro, mas não perdeu as amarras. O mais interessante é que ele não percebia estar amarrado, era como se não sentisse isso.

– Você sabe o motivo para ele estar assim? – Algo de repente surge na mente de Lise. – Espera, há uma parte de mim que também está acorrentada em meu subconsciente?

– É uma possibilidade. – Fênice começa a caminhar próximo às barreiras, chamando-a para vir junto. Então, elas começam uma caminhada de um lado a outro, sem perder o ritmo da conversa. – Responda-me Anelise, sentiu algo de diferente antes de se conectar ao Rayner?

– Diferente, como… – Mais uma vez Lise estava prestes a responder de imediato, mas sua mente trabalha rápido e lhe faz lembrar daquilo que aconteceu antes de suas asas surgirem. – Está se referindo à sensação que tive de que algo dentro de mim havia se rompido?

– Olhe para baixo. – Fênice pede.

Anelise imediatamente observa o chão e ali, de maneira turva por estar demarcada no solo que fica abaixo da superfície rasa da água, há duas linhas tênues mais fundas, como se algo existisse ali e tivesse sido… destruído.

– Isso é…

– Vocês dois, com essa conexão, desfizeram juntos o segundo selo. – Fênice explica, fazendo-as parar no mesmo ponto onde começaram a caminhada. – Agora podem utilizar de quarenta por cento de todo o potencial que possuem.

Algo chama a atenção de Lise. Do outro lado das barreiras há algumas bolas transparentes, mas que emitem algumas imagens. Ela tenta decifrar o que aquelas imagens significam, mas é difusa e confusa para poder chegar a uma conclusão.

– O que está acontecendo ali? – Arrisca perguntar.

– São algumas memórias do Rayner… ou mais especificamente, as memórias que ele perdeu.

– O que!? – Anelise exclama estupefata.

– Toda vez que ele passa por uma situação parecida com algo que já vivenciou ou uma situação reativa em sua mente, uma dessas lembranças voa em direção ao corpo amarrado dele, unindo-se a ele… – Nesse instante Fênice percebe o corpo de Anelise começar a desaparecer, fazendo-a suspirar. – Você está retornando. Lembre-se Anelise: vocês são a força e esperança de um ao outro, por tudo que vem acontecendo, dá para perceber isso. Entretanto, também são a fraqueza um do outro. Pense bem nisso… o que seria de vocês se ficassem um tempo, distantes? Conseguiriam se fortalecer como vem fazendo, ou o aperfeiçoamento das habilidades que possuem e a recuperação de memórias não tem nada a ver com a união que vocês possuem, e continuaram evoluindo se estiverem bem longe um do outro?

Ao abrir os olhos, Anelise leva cerca de dois segundo para entender o que estava acontecendo. Fênice estava certa. Mesmo que tenha passado alguns minutos conversando com ela, é como se não tivesse passado tempo algum no mundo real. Ela despertara no instante em que adormecera e reagindo o mais rápido que pode, força suas asas a pará-los no ar antes que caíssem no chão.

Infelizmente, não deu certo. Mesmo que as asas tenham aparecido, não obteve o seu controle. Ambos caem e rolam pelo solo. Lise mantém seu corpo unido ao de Rayner até eles pararem. Rayner, como ela esperava, estava adormecido, de maneira tranquila, o que a deixa aliviada.

Lembrando da última coisa que vira antes de se conectar a Rayner, Lise se vira no instante em que ouve Jack gritar:

– Karin!!!

 

 

Jack havia prestado atenção no que tinha acontecido. Ficara paralisado, surpreso por ver aquela garota ruiva e o cara das chamas se conectarem e ao mesmo tempo aumentarem suas energias. É como se naquele momento eles tivessem subido de nível… deixando-o para trás. Não conseguiu evitar de sentir uma sensação de inferioridade.

Quando deu por si, notou aquele demônio que deveria estar preso indo na direção de Karin e os civis, com uma sede de sangue, seu ataque já preparado. Ele gritou, tentou correr, mas ele mesmo sabia que era esforço em vão. Aquele monstro parara a quatro metros e lançara sua energia, provocando uma forte explosão, o suficiente para fazer veículos e destroços que estavam próximos do local serem arremessados para o alto, caindo em outros quarteirões.

Jack permaneceu parado, vendo a fumaça se dispersar lentamente, sem acreditar no que acabara de acontecer. Infelizmente, sua mente o levara à batalha em sua cidade natal, onde, assim como nesse momento, pessoas inocentes foram mortas, e ele não teve forças o suficiente para salvá-las.

E mais uma vez, o sentimento de ser fraco o assola, fazendo-o cair de joelhos.

O demônio, contente pelo estrago que causou, percebe a presença de Jack e sem perder tempo, avança em sua direção. Jack estava desorientado, não tinha reação alguma para se defender ou desviar do ataque. Só observava aquele demônio se aproximar rapidamente. Sua mente já se preparava para aceitar o golpe… mas esse não veio.

A criatura tentou lhe acertar com um soco direto no rosto, mas atingiu uma barreira mágica brilhante de cor branca. Jack não entende o que estava acontecendo. Olha para os lados, mas nem Lise e nem o anjo fizeram algo. Elas também estão surpresas pelo ataque daquele demônio ter sido parado. Voltando a analisar a barreira, Jack sente a sua energia… é a mesma que sentiu quando seus ferimentos estavam sendo curados na última vez.

Novamente, alguém estava agindo na batalha, protegendo a ele e aos seus companheiros.

Nesse instante, uma imensa energia é emanada, vinda do local da explosão. Com um clarão incrível, que obrigou a todos ali presentes protegerem os olhos, a fumaça desaparece. Uma incrível barreira, idêntica à que protege Jack, salvou a vida de todas as pessoas ali presentes.

E ali na frente, com os braços erguidos para frente, está Karin… mas ela está diferente.

Seu corpo brilha e se Jack observar melhor, consegue ver através dele… como se tivesse ganho uma coloração meio transparente. Seus olhos estão brancos e brilhantes e o seu sorriso é magnífico. Mais acima, na região da testa, há uma espécie de chifre com sua ponta também brilhante. O seu cabelo – eu sei que já disse isso antes, mas é necessário repetir – brilha, assim como o resto do corpo, mas sua tonalidade é mais intensa.

Karin havia se transformado inteiramente.

Ela abre a boca e sua voz emana diferente… com mais força, mais impacto. Ela ressoa:

– Sou a protetora da vida e a fonte da felicidade; representada pelo número dois na fortaleza divina; Eu me chamo Karin Christensen… Deorsum Ferentur Izzy… Guardiã Alpha do clã da Luz!

Ao pronunciar cada palavra impactante, seu nível de poder se elevou ainda mais. Jack não conseguia mais ter a noção do quão forte ela havia se tornado. Seus olhos brancos brilhantes observam o demônio que estava paralisado. Jack, por estar mais perto, percebe a criatura tremer.

Será que ele está com medo?

 

– Você deve ser punido. – Karin diz e desaparece.

Jack, piscando os olhos confuso, procura Karin por todos os lados mas não a encontra e nem mesmo sente mais sua energia. É como se ela tivesse desaparecido do mapa. Tão inesperado quanto seu sumiço, Karin surge próximo a Jack, virado para ele, sorrindo em sua direção. Ela estava de costas para o demônio que, ao senti-la às suas costas, virou-se velozmente, mas foi surpreendido pela loira que gentilmente tocara seu peito.

– Sexta forma da luz: PROFUGUS MEAM! – Karin entona calma e serena, demorando cerca de segundos com sua mão na pele do demônio  até retirá-la e voltar-se para Jack. – Você está bem?

Jack pensara em responder, mas não teve tempo. O demônio não se mexia e seus olhos haviam perdido o seu brilho. Na verdade, todo o seu corpo parecia estar mais escuro e, após um tempo em pé, ele desaba ao chão, começando a desaparecer… cada pedaço do corpo se corroendo e se unindo ao solo.

Isso foi inacreditável!

Com apenas um toque e palavras ditas, Karin destruiu aquele demônio como se não fosse grande coisa. Até mesmo Kesabel a observa aturdida, sem acreditar no que acabara de ver.

Karin, percebendo todos os olhares para ela, suspira, desfazendo de imediato a sua transformação e voltando a ser a mesma garota gentil e preguiçosa, que dependia da irmã mais nova para resolver seus problemas.

– Vocês poderão alcançar esse nível quando tiverem três de seus selos rompidos. – Ela diz, dando a mão e ajudando Jack a se levantar.

A conversa mal começou e foi interrompida. De repente, todos ali presentes sentem uma forte tensão no ar, deixando-os paralisados. A maioria dos humanos comuns que haviam observado toda a batalha desabam no chão, sem conseguir manter o equilíbrio e nem mesmo se levantar. A única que não sentia o impacto e que na verdade abria um enorme sorriso era Kesabel, que virou o rosto para o final daquela rua. Jack, Lise e Karin fazem o mesmo e notam a presença de dez pessoas ali... ou melhor, seres, que se aproximam a passos confiantes até parar a cerca de oito quinze metros deles.

– Vocês finalmente chegaram! – Kesabel exclama, indo até eles saltitante, caindo nos braços de um deles e o beijando. A cena deixou a todos mais desnorteados do que já estavam.

Jack pensava em perguntar o que diabos estava acontecendo, entretanto Kesabel responde como se tivesse adivinhado o seu intento:

– Bem garotos, deixe eu apresentar eles. Esses são meus irmãos que vieram comigo para a Terra. Há mais por aí, bem mais por sinal, mas nós... – Ela faz um gesto apontando para todo o grupo. – Com exceção de um que deve estar vagando atrás de uma diversão, somos os anjos mais poderosos dentre os que caíram... e cá entre nós, cada um de nós fazia parte de seleto grupo de trinta anjos mais poderosos que o Pai criou...



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