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História Guardians - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Tell Him


Fanfic / Fanfiction Guardians - Capítulo 1 - Tell Him

YeJu fechou os olhos, sentindo a brisa fria e típica das manhãs dos Recantos da Nuvem acariciar seu rosto. Aquele clima era totalmente diferente do que era acostumada em seu antigo vilarejo. Lá era extremamente quente e ela odiava o calor com todas as suas forças, preferia mil vezes o clima ligeiramente gélido de onde estava atualmente.

Após a meditação matinal, seguiu para o pavilhão central onde encontraria outras discípulas como ela. Naquela parte do Recantos da Nuvem era estritamente proibida a presença de garotos, já que uma das quatro mil regras do clã Lan dizia que os homens e as mulheres cultivadores deveriam ficar separados para não haver conflitos indesejados. O único homem que YeJu conhecia era justamente o líder do clã, Lan Xichen ou Zewu-Jun, que foi quem a trouxe como convidada para se tornar uma discípula de seu clã.

YeJu ainda se lembrava do dia em que o viu pela primeira vez. Nunca havia visto alguém das seitas maiores em toda sua vida, então quando seus olhos encontraram um homem de roupas em um tom claro de azul e excepcionalmente limpas, com uma fina fita na testa e expressão gentil, não soube muito bem o que fazer ou como tratá-lo. Não se lembrava exatamente o motivo de Xichen tê-la trazido consigo para a residência do clã que liderava, mas era grata a ele mesmo com as quatro mil regras (um exagero em sua opinião) que era obrigada a seguir. 

Como se sentisse que estava vagando pela mente de alguém, Xichen atravessou uma das pontes que ligavam os dois lados do pavilhão de maneira calma, sem a menor pressa. Era o único com permissão de ir e vir, afinal quem ousaria dizer ao próprio líder do clã o que ele pode ou não fazer? 

—ZeWu-Jun. – YeJu sorriu, juntando as mãos na frente do corpo e se curvando. Normalmente se referia a ele pelo nome de cortesia, mas havia um tempo que não se viam e ela não tinha muita certeza do quão íntimos continuavam sendo. 

Xichen amparou os braços da menina com uma das mãos enquanto segurava sua flauta com a outra. Seus olhos e o leve sorriso em seus lábios deixavam transparecer um certo carinho pela pessoa a sua frente. Carinho este que era semelhante ao que sentia por seu irmão, Lan Wangji. Já que havia acompanhado o crescimento de YeJu dentro de seu clã desde que a menina tinha 10 anos, acabou por acolhe-la como uma irmã mais nova e quase tão teimosa quanto Wangji já foi. 

—O que o traz aqui depois de tanto tempo? 

ZeWu-Jun respondeu erguendo uma pequena pulseira composta de pequenas bolinhas de madeira e um pingente de jade no centro. YeJu não pode evitar levar a mão até o pulso direito, rezando para que aquela não fosse a dela. Infelizmente era. 

—WangJi achou isso próximo a fonte fria. – Xichen mantinha seus lábios ligeiramente curvados, enquanto olhava para a discípula de maneira que deixava bem claro que sabia onde ela esteve na noite anterior. – Acredito que seja sua. 

—Ah... É. – YeJu sorriu da maneira mais doce que conseguia, esticando a mão para pegar a pulseira. Porém, o líder do clã Lan a ergueu ainda mais alto. 

—Por que fugiu de novo depois de tanto tempo? 

Sentindo o coração começar a bater mais rápido, YeJu desviou o olhar para as plantas que ficavam entre os dois pavilhões, tentando pensar em qualquer coisa que justificasse sua saída sem que precisasse ser punida. Shuren, a líder entre as mulheres, era responsável pelas punições e nunca aliviava nem mesmo para a própria irmã, quem dirá para a suposta favorita do líder do clã. Sentia-se tremer apenas com a ideia de ser punida depois de tantos anos. 

—Precisava acalmar minha mente. – Contou, ainda sem olhar para ele. Aquilo pegou XiChen um tanto desprevenido, YeJu nunca havia evitado seus olhos antes, nem mesmo quando mentia. – Eu tive um sonho... digo, um pesadelo...

—E o que houve neste pesadelo? – Xichen abaixou a mão, estendendo a pulseira para ela novamente. Dessa vez, não a levantou quando a menina tentou pegá-la. – O que é tão grave que te faz evitar me olhar nos olhos enquanto fala? 

—Eu fiz algo nele, ZeWu-Jun. – Os ombros de YeJu tremiam, a medida em que ela tentava prender a pulseira em seu pulso por conta própria. Estranhamente, uma tarefa tão comum parecia muito mais difícil naquele momento. Ao ver a dificuldade da menina, Xichen prendeu a flauta na lateral de seu quadril e afastou uma das mãos dela, prendendo a pulseira em menos de três segundos. – Obrigada... 

—Me diga, o que está te incomodando tanto? O que você fez? – YeJu finalmente olhou para ele pela primeira vez naquele dia, seus olhos estavam vermelhos e úmidos, como se estivesse segurando as lágrimas de todas as maneiras possíveis. Uma das mãos de Xichen ainda estava em seu pulso. 

—Eu... – De repente, não conseguia falar. Não importava o quanto tentasse, seus lábios pareciam grudados um no outro. 

Xichen logo se deu conta do que estava acontecendo. O encanto do silêncio era usado por membros do clã Lan para repreender seus discípulos, se tentasse forçar seus lábios a se separarem com certeza se machucaria. 

YeJu olhou para o líder do clã com o cenho franzido, como se perguntasse o que ele estava fazendo, mas logo percebeu que não havia sido obra dele. Xichen mantinha uma expressão quase tão confusa quanto a dela enquanto tentava retirar o encantamento. Para sua surpresa, mesmo que conseguisse retirá -lo, no momento em que a menina abria a boca seus lábios se colavam novamente.

—O que é isso? – Murmurou, olhando em volta a procura de qualquer pessoa que pudesse estar usando o encantamento contra ela. Aparentemente, só haviam os dois ali. 

O sino que indicava o início das aulas daquela manhã tocou ao longe, fazendo YeJu arregalar os olhos enquanto gesticulava que tinha que ir. Xichen teve o vislumbre dos lábios da menina voltando a se abrir quando ela atravessou a ponte e franziu o cenho. Quem estava a impedindo de falar com ele? 

Antes de seguir seu caminho, olhou em volta mais algumas vezes procurando qualquer membro de sua seita que pudesse ter sido o autor do feitiço. Novamente não havia ninguém. De repente, Xichen se sentiu preocupado. E se tivessem descoberto a descendência dela? 

—Irmão? 

—Shuren. – Xichen sorriu assim que seus olhos encontraram os da líder do pavilhão das mulheres. Lan Shuren, ou Lan Chun, havia crescido junto com ele e WangJi, sua personalidade era praticamente uma mistura das personalidades das duas jades.

Os dois se curvaram e Lan Shuren o encarou com um semblante preocupado. 

—Você não costuma vir aqui. Aconteceu algo? 

—Inicialmente, eu vim por dois motivos. – Começaram a caminhar lado a lado enquanto Xichen mantinha uma expressão séria e distante. – Vim devolver a pulseira da YeJu e te avisar que WangJi voltou. 

—WangJi voltou? Isso é ótimo. – O rosto de Shuren se iluminou um pouco, deixando claro o quanto ela estava segurando suas emoções. Não gostava muito de demonstrá-las. – Disse que veio devolver a pulseira da YeJu.

—Eu já resolvi isso com ela, ou melhor, estava resolvendo antes de... – Parou por alguns instantes, de repente preocupado em falar sobre aquele assunto em um lugar aberto. – A-Chun, sabe se alguém descobriu sobre... você sabe.

—Não chegou nada até mim. Por que? Ela te disse alguma coisa? 

—Não, mas percebi algo estranho hoje.

A medida em que percorriam o caminho até a saída do pavilhão, Xichen contava sobre o estranho comportamento de YeJu naquela manhã sem descartar o ocorrido com o encantamento do silêncio. Shuren prometeu ficar atenta aos detalhes e ver se sua irmã sabia de algo, também disse que iria dar boas vindas a Wei Wuxian e Lan WangJi quando pudesse. Estava com saudades do irmão e do cunhado.

—XiChen, já que o Jovem Mestre Wei voltou, pretende contar a ele sobre a YeJu? – Lan Shuren perguntou, parando ao lado do irmão em frente ao portão de entrada e saída do pavilhão. Nunca passava dali quando o acompanhava. 

ZeWu-Jun suspirou. Se contasse, provavelmente colocaria Lan WangJi em uma posição desagradável, já que ele também sabia do segredo. 

—Talvez eu deixe WangJi contar. 

—Tenho a sensação de que Wei Wuxian não vai gostar de termos escondido ela por tanto tempo. – Shuren cruzou as mãos atrás das costas enquanto tentava decifrar a expressão do irmão. – Um de nós deveria contar. WangJi descobriu por acidente e fomos nós quem a escondemos aqui, nos Recantos da Nuvem. Não cabe a ele contar. 

—Como poderíamos contar? – XiChen murmurou, com o olhar distante. – Ela me pediu para manter segredo.

—Se não me engano, isso foi há quase cinco anos atrás. YeJu te deu permissão há um tempo, se lembra? Você mesmo me disse que contaria a ele quando os dois voltassem a Gusu. – Shuren tombou a cabeça levemente para o lado, estranhando a forma como seu irmão parecia não querer cumprir com sua palavra. – O que está acontecendo, irmão? Por que eu sinto que você não quer contar a ele?

XiChen fechou os olhos por alguns segundos, tentando expulsar a imagem incômoda que havia se instalado em sua mente. YeJu quase foi assassinada por causa do sobrenome que carregava e ele tinha medo de que não pudesse protegê-la caso aquilo voltasse a acontecer. A partir do momento que Wei Wuxian descobrisse que havia alguém de sua família em Gusu, com certeza procuraria esta pessoa e sua aproximação atrairia olhares curiosos, até mesmo maldosos. XiChen tinha medo do efeito que aquilo poderia surtir sobre YeJu.

—Lan Huan, você sempre foi um homem digno, que cumpre com suas palavras. – XiChen abriu os olhos novamente ao se dar conta do tom de repreensão que Shuren estava usando. Nada era tão raro quanto a jovem se referir a ele por seu nome de nascimento. – Se isso não mudou durante todos esses anos, não vai ser agora que eu vou deixar que mude. Entendo que queira protegê-la, mas Wei Wuxian é primo dela e a única família que ela tem. Sabe que vai se arrepender o resto de sua vida se quebrar sua promessa e separar os dois. E sabe que, como sua irmã mais velha e amiga da YeJu, eu jamais permitirei que você faça isso. 



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