1. Spirit Fanfics >
  2. Guerra dos Reinos- Interativa. >
  3. Capítulo IV: Ao leste.

História Guerra dos Reinos- Interativa. - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


Bom, todos aqueles que responderam o capítulo da pergunta falaram que preferem capítulos longos, então seguimos a programação normal hsuahsua.

Capítulo 5 - Capítulo IV: Ao leste.


Fanfic / Fanfiction Guerra dos Reinos- Interativa. - Capítulo 5 - Capítulo IV: Ao leste.

–Sou Alduin, minha mãe cuidava de você antes.– O dragão falava com uma voz firme que ressoava por toda a torre. 

–Quando ela vai voltar?– A criança perguntou sem se aproximar da enorme criatura. Estava quase correndo para as escadas quando a voz dele a fez parar. 

–Não vai. Ela se foi. 

 

Por anos Gwyndolin teve contato apenas com uma criatura, e era ela. Sentiu sua garganta queimar em puro fogo enquanto tentava segurar as lágrimas. Queria saltar sobre o muro alto e ir com ela para um lugar sem sofrimento e solidão, mas em vez disso, desceu as escadas com a maior velocidade que conseguiu, se afastando do filho de sua antiga protetora, se afastando de tudo.

.....…..

O dia amanheceu com um vento frio, vindo do Sul. Fausto, Alduin, Aurora e Alba esperavam Gwyndolin se juntar a eles enquanto tomavam um farto café da manhã. A garota apareceu como no dia em que pisou em Firya: com os cabelos presos em uma trança, os lábios vermelhos e o típico vestido branco. 

 

–Ual.–  Alduin disse  se levantando e puxando uma cadeira para ela sentar. 

–Me desculpem o atraso. Eu chegaria mais cedo mas, visto como vocês parecem acordar magicamente arrumados, me sentiria mal se meu cabelo fosse como de um leão. 

 

Alba riu de seu comentário, embora soubesse, pelos olhos levemente avermelhados da garota, que o problema não foi o penteado que fizeram em suas madeixas. 

 

–Não se preocupe. Coma algo antes de começarmos.– Aurora disse um tanto séria. Gwyn não sabia se era pela preocupação por seu reino ou se achava seu atraso um desrespeito, mas rezava para ser a primeira opção. 

–Pietra e você dormiram bem?– Gwyndolin perguntou a Fausto como que para quebrar o gelo que sentiu que se formaria enquanto pegava um pequeno prato com frutas. 

–Sim senhora, obrigado.

–Ótimo, então já podemos iniciar essa reunião. Quanto mais rápido começarmos, melhor. 

–Bom, eu concordo com oque a senhorita Alba disse ontem.– Alduin disse como que surgindo das sombras.– Se está buscando refúgio, Kribal não deve ser uma opção. Sugiro algum reino do Sul, como Ruz’san ou qualquer outro do Leste. 

–Ruz’san? Não acho que seja uma opção. Não gosto como tratam os estrangeiros.– Fausto respondeu desviando o olhar. De todas as suas viagens pelos Reinos, Ruz’san foi aquele que lhe causou mais estresse. 

–Creio que se conversarmos com eles, irão acolher Pietra e você como se fosse da família.– Gwyn falou olhando nos olhos dele. Não sabia que feitiço aquelas cores distintas tinham, mas sentia que dizia a verdade.–Os minotauros têm todos os motivos para odiar a espécie humana, magos e afins, mas eles apenas protegem os seus, não odeiam nada. Isso é muito honrável, pois são um povo assim. Irão proteger vocês como se fossem da mesma espécie, 

 

Faustino ficou em silêncio. Acreditava de verdade no que a Rainha de Ta’re falou, mas não conseguia se sentir à vontade ainda em um Reino com os “traumas” de Ruz’san. Além do mais, no Sul havia ainda um reino que não se aliara a eles e, assim como no Oeste, poderia causar problemas caso se juntasse a Yazrack. Se quisesse um local para não se sentir ameaçado com Pietra, todo o continente do Sul fora também descartado. Expos esse ponto para os demais na mesa, que pareceram pensar por um longo tempo sobre a possibilidade de uma desestabilidade. 

 

–Bom.– Alba disse, quebrando o silêncio.– Então só te sobra os reinos do Leste e, sendo inteligente, sugiro que escolha pensando naquele que tem maiores recursos para protegê-los, se é que me entende. 

–Ta’re. Os recursos são seus magos e seu dragão.– Aurora disse em um tom sarcástico. Alduin a olhou com uma sobrancelha arqueada e Gwyndolin sentiu suas bochechas queimarem. 

–Eles não são recursos, são seres vivos. Protegem Ta’re porque querem, não porque os compramos como “recursos” de proteção.– Gwyn responde com um tom irritado pela primeira vez durante sua viagem a Firya e Kribal. 

–Eu não quis dizer que eles eram os recursos.– Alba tinha uma voz firme, porém não o suficiente para um confronto.– Estava me referindo aos recursos naturais que o terreno oferece, aos suprimentos da estavel  cidade comercial, a estrutura forte das construções de Ta’re e a própria barreira natural que Tarchy possui. 

–Desculpe.– Aurora disse enquanto terminava de ajeitar os cabelos.–Eu me expressei mal. 

Gwyndolin apenas a olhou e voltou a comer. Sua perna ainda balançava por baixo da mesa, como uma tentativa de conter o nervosismo. 

 

–A última vez que visitei Ta’re, Klaus ainda reinava.– Fausto fala olhando para a Rainha e seu acompanhante.– Acredito que está melhor do que antes, mas se importa se eu dar uma “checada” antes de me decidir, senhora? 

–Claro que não.– A irritação da voz de Gwyn estava diminuindo.– Todos os reinos do Leste irão te tratar com todo o respeito possível e, caso se sinta melhor em Vadak ou Tarchy, não iremos nos irritar. 

–Eu agradeço, mas devo ressaltar que não quero ficar em dívidas com ninguém. Então, o'que querem em troca? 

 

Alduin e Gwyndolin se entreolharam. A garota fez um sinal para que ele tomasse a frente do rumo da conversa e se encostou mais na cadeira.

 

–Não somos um reino que cobra para ajudar. Mas estamos em guerra e tudo que peço é para que lute contra os invasores de onde escolher ficar caso seja necessário. Do contrário, jamais pediremos para se arriscar em troca de abrigo. 

 

Alba, Aurora e Gwyn permaneceram em silêncio, olhando para Alduin e Fausto, esperando uma resposta. 

O Conde raramente confiava plenamente em tudo que lhe era falado, mas não tinha escolha no momento a não ser viajar para o Leste e decidir seu próximo passo. Oeste não era mais um território seguro para pensar por horas e tomar decisões difíceis, então, se precisasse fazer isso, faria em um local que o inimigo não poderia simplesmente se instalar. 

 

–Iremos com vocês.– Disse finalmente, se levantando e se preparando para fazer uma reverência como agradecimento. 

–Não faça isso.– O tom brincalhão na voz de Aurora havia retornado.–Somos iguais aqui, não vê a mesa redonda?  

 

Todos soltaram uma risada curta e se levantaram em seguida. Alba e Aurora iriam com eles para o Leste, onde encontrariam o Rei de Ruz’san, Vadak e Tarchy os esperando para uma rápida apresentação. Voltariam para seus respectivos reinos no meio do dia seguinte para discutirem estratégias com seus exércitos. Não poderiam perder tempo agora, principalmente Aurora, que estava cercada de oficiais “inimigos”. Alba tentaria conversar com o único reino do Sul que não havia formado nenhuma aliança antes de Yazrack ter a mesma ideia ou, caso o azar insistisse em segui-los, o próprio reino buscar o Norte. 

Faustino buscou Pietra no chalé em que se instalaram e encontrou todos na entrada do reino, cerca de 1h30min depois da conversa que tiveram. Gwyndolin estava conversando algo com Alduin quando viu ambos se aproximando com seus cavalos. 

 

–Nós vamos voando dessa vez. Demora muito se formos cavalgando. Se importam em deixar eles aqui por um tempo?  

–Voando?– Etra perguntou para Fausto. Seus olhos brilhavam com a ideia. 

–Acho que ela respondeu por nós dois.– O conde disse com um pequeno sorriso no rosto. 

–Ótimo.– Gwyn fez um sinal para os guardas levarem os cavalos para um local seguro e se virou novamente para a dupla.– Ei, isso é uma espada?

–Sim, senhora.– Pietra respondeu timidamente, tentando manter o respeito com a Rainha que lhe dirigia diretamente a palavra pela primeira vez. 

 

Gwyn suspirou um pouco. Pensou em dizer a frase de sempre: “Senhora? Eu tenho cara de Senhora? Já disse um milhão de vezes para me chamar de Gwyn!”. Mas apenas sorriu e disse:  

 

–Incrível! Talvez possa me ensinar algumas coisas durante sua estadia no Leste, o que acha? 

 

Pietra olhou para Fausto novamente. A garota era tímida e geralmente preferia ficar sozinha com seus pensamentos. Gwyn entendia a dificuldade que tinha em entender as pessoas a sua volta por sua pouca experiência com relações e, talvez por se identificar tanto com a garota foi que tentara se aproximar. 

 

–Vai pensando durante a viagem.– A garota se afastou da dupla, indo na direção de Alduin.– Muito bem, passageiros! Mantenham os braços dentro do veículo durante o trajeto.

–”Veículo”? Já tá abusando.– Alduin disse em um tom de brincadeira.

 

O garoto se afastou um pouco e um forte vento levantou a areia que Kribal trazia em sua entrada, fazendo todos protegerem os olhos. A nuvem girou em torno dele e no centro, algo parecido com fogo se acendeu. Depois de alguns segundos o vento parou e a areia voltou para seu lugar. O Alduin de 17 anos desapareceu, dando lugar para um imenso dragão verde com algumas manchas vermelhas. Suas asas tinham alguns ferimentos de anos, o'que estranhamente o deixavam ainda mais charmoso. Olhou para todos, que o encaravam com admiração e surpresa. Deitou-se de costas para o grupo, que só se moveu quando Gwyndolin andou na direção dele, sacudindo a areia do vestido. 

 

–Vamos, irei ajudar vocês a subirem. 

–Não brinca!– Aurora foi a primeira a correr na direção da enorme criatura. Sempre quis ver um dragão e a empolgação estava estampada em seu rosto. 

 

Gwyn estendeu a mão para ela e indicou onde devia pisar. Continuou com os braços estendidos caso se desequilibrasse, mas Aurora conseguiu subir sem nenhum problema. 

 

–Isso é incrível! Venham logo!

 

 Alba foi a próxima a se aproximar, recebendo as mesmas indicações. Não era difícil como parecia e a sensação de estar em cima de um ser místico deixava tudo mais excitante. Pietra e Fausto se aproximaram juntos. Gwyn estendeu a mão para eles, mas Etra recuou um pouco. 

 

–Não se preocupe, eu só quero auxiliar melhor onde pisar. Pode segurar a mão dele se preferir. Imagine que essa cauda é uma trilha e, casos e sentia mais confortável  segurando nas próprias escamas do Alduin, ele não irá se importar. 

 

Fausto balançou sua cabeça positivamente para a garota e a ajudou a subir. Pietra se soltou de sua mão e se abaixou para conseguir apoio no próprio dragão, que a ajudou levantando um pouco a cauda. Fausto estava logo atrás dela, sendo seguido por Gwyn. 

Alduin abriu suas grandes asas e todos se seguraram como que por instinto. A sensação de subir em um dragão era ótima, mas nada se comparava com a de sentir ele se levantar e bater as asas. Ele levantou voo rápido, mais do que um pássaro conseguiria com os poucos movimentos que fez. 

Os reinos eram lindos quando vistos de perto, mas vê-los de cima dava uma visão ainda mais magnífica de tudo. Kribal era como uma pintura de areia e mar, Gwiazda parecia o reino mais colorido do Oeste e Iakhi tinha uma nuvem de aves a sua volta. Não demorou nada para o Leste ser avistado, juntamente com suas sombrias cordilheiras. Alduin se aproximou de Ta’re, voando um pouco mais baixo. Crianças da cidade corriam na direção dele, brincando de apostar corrida enquanto homens e mulheres acenavam e comemoravam; a volta de sua rainha

Aurora ria como uma adolescente na garupa de uma moto grande e rápida como um foguete. Alba a acompanhava enquanto Pietra apontava pontos para Fausto. Gwyn os observava com um pequeno sorriso, que lutava para não desaparecer em meio às preocupações.

 

–Cara, a gente devia ter feito isso mais vezes.– Aurora disse enquanto levantava os braços.

–Essa é sua primeira viagem conosco.– Alba falava enquanto ria da inocência da garota. 

–Ei. Posso sonhar? Vou te jogar daqui de cima. 

–Não se joguem ainda, não quero traumatizar a população.– Gwyn comentou em um tom sarcástico.

–”Ainda”? Rainha Gwyn! 

 

Todos riram. De novo a sensação de pertencer a um mundo onde guerra e conflitos não existiam reinou em todos. Sabiam que isso era impossível, mas estavam agora em cima de um dragão e não se sentiam no direito de falar o'que era ou não possível. Naquelas terras, onde três tipos de seres místicos se encontravam, nada parecia absurdo. Então talvez e somente talvez, a guerra poderia se dissolver como as lágrimas no mar e ser esquecida como as areias de uma praia abandonada.

 Assim, talvez poderiam sorrir sem medo e dormir uma noite sem interrupções. 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...