História Guerra é Guerra (antiga Friends and rivals) - Capítulo 6


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Categorias One Direction
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Personagens Originais
Tags Harry Styles, Liam Payne, Romance, Violencia
Visualizações 8
Palavras 4.587
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Festa, Hentai, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Demorei mas volteiiiiii
oi môres, nem vou me desculpar porque não tenho como resolver a situação do meu pc ainda, então devo continuar a demorar a att, mas vou atualizar mesmo que demore ok?

Capitulo cheio de emoções este, vocês vão ver um Liam mais próximo, e um Harry heroico.
espero que gostem
BOA LEITURA

Capítulo 6 - Blue Day


Fanfic / Fanfiction Guerra é Guerra (antiga Friends and rivals) - Capítulo 6 - Blue Day

Alice Canavan

Minha boca estava aberta, mas as palavras não saiam. O que ele fazia aqui? Meu subconsciente clamava por uma resposta, mas nenhuma das que eu formulava faziam sentido. Sua postura ainda era perfeita como quando estava na empresa, porém, dessa vez ele usava calças jeans e blusa branca, o que o deixava com um ar mais jovem e relaxado. O ouvi pigarrear chamando minha atenção, e então meus olhos voltaram a piscar em sua direção.

— Eu espero que você diga logo alguma coisa, porque estou à beira de chamar os paramédicos. Você parece estar a ponto de ter uma síncope, estagiária. — Liam murmurou com ironia escorrendo entre suas palavras. Ele tinha uma sugestão de sorriso nos lábios, mas era muito difícil de saber. — Não vai me convidar para entrar? — Perguntou, e então fechei a boca que antes estava entreaberta, e clareei a garganta antes de falar:

— Ah, claro que sim! Entre. –Eu queria me estapear por agir como uma boba sempre que estava perto dele, mas o filho do senhor Geoff simplesmente me deixava nervosa como um inferno. Dei espaço suficiente para que ele passasse, e segundos depois Liam já estava na minha sala de estar.

— Querida você já...— mamãe entrou na sala dizendo algo, mas abandonou a frase ao notar a presença do meu chefe. Um vinco se aprofundou em sua testa, quando notou que não conhecia o homem que estava ali, ela me lançou um olhar rápido, mas logo em seguida se voltou para Liam.

— Oh, me desculpe pelo mau jeito. Não sabia tínhamos visitas. — Minha mãe se desculpou, enquanto secava suas mãos molhadas no avental preso ao seu corpo. Ela me olhou de soslaio, foi um movimento rápido e discreto, como quem pede explicações, mas eu não tinha como respondê-la, porque eu também não sabia o motivo do meu chefe estar aqui.

— Liam Payne, muito prazer Sra. Canavan. — Liam se aproximou da minha mãe, estendendo-lhe a mão e sorrindo gloriosamente. Minha mãe apertou sua mão estendida no ar, e aproveitou o momento para checa-lo rapidamente.

— o prazer é todo meu! —Mamãe respondeu educadamente, eu sabia que ela tinha gostado do meu chefe tirano só pelo seu tom de voz. — Você deve ser algum colega da Alice, não é mesmo?

— Mamãe, na verdade o Liam não...

— Poderia deixar de conhece-la, e sim! Sou um colega de trabalho da sua filha. Desculpe incomodar a esta hora da noite, mas é que eu precisava falar com Alice ainda hoje. — meu chefe tomou a frente terminando minha frase. — Alice me falou muito sobre a senhora. — Encarei-o atônita com a mentira deslavada, o que ele pretendia?

Meu estomago estava revirando, e minhas mãos pareciam gelar mais a cada segundo. O primeiro pensamento que percorreu minha mente era de que ele estava prestes a me demitir, por isso não se apresentou como meu patrão, mas logo descartei essa hipótese. Ele não iria se dar ao trabalho de vir até aqui só para me demitir, não é mesmo?! eu estava rezando para que estivesse certa, Logo em seguida minha mente voltou ao ponto em que ele disse precisar de mim para resolver alguma coisa, provavelmente era algo a respeito da empresa, essa opção me pareceu mais provável, até porquê pude comprovar ainda hoje que ele não ligava de importunar seus funcionários fora de seu expediente.

— É mesmo? — Mamãe desviou seu olhar para mim. Poderia apostar milhões que ela estava se perguntando por eu não havia comentado nada com ela. — Espero que bem, não é mesmo?! — Ela comentou bem humorada, voltando a dar mais de sua atenção para meu patrão, e Liam a respondeu com um 'definitivamente' igualmente animado. — Bem, vou deixar vocês sozinhos para resolverem as suas coisas, não quero atrapalhar. — Mamãe disse. Mal sabendo que a última coisa que eu queria era estar sozinha com meu chefe. Por dentro eu clamava para que ela não se movesse dali, porque enquanto ele estava distraído conversando com ela, eu estava a salvo.

— Não se preocupe, sua companhia não é incomodo algum! — Liam respondeu tão cortês, que se eu não tivesse experimentado pessoalmente da sua grosseria, pensaria que estava diante de um cavalheiro, mas eu sabia que esse não era o caso. Minha mãe saiu apressada da sala, provavelmente para olhar suas panelas no fogo, e então Liam reforçou sua postura ereta, e dirigiu seu olhar contido para os porta-retratos sobre a estante, parando em um específico. Raspei a garganta chamando sua atenção, e ergui as sobrancelhas, mas ele não se tocou, ou não se importou que essa era a deixa para ele dizer o que queria.

— Senhor, eu posso ajudá-lo em alguma coisa? — Perguntei, já que ele não havia dito nada.

— Sim, sim. Você definitivamente pode! — Murmurou sem olhar para mim. Sua atenção ainda estava nas fotos. — Quem é este homem? — Pegou o porta-retratos de madeira, onde estávamos: eu, minha mãe, minha tia Adele, e meu pai. Aquela foto tinha sido tirada na minha formatura do ensino médio.

— Meu pai. — Falei

— Hum, eu ainda não o conheci.

— Nem vai! — Ele ergueu as sobrancelhas, e eu me impeli a explicar porque sabia o quão grosseira minha resposta tinha soado. — Ele morreu a dois anos atrás. Acidente de transito. — O rosto dele pareceu lamentoso, e seu corpo se encolheu um pouquinho.

— Sinto muito! — Murmurou e eu assenti.

— Então... O que posso fazer por você? Há algum problema no meu setor? — Eu rezei para que essa não fosse a situação.

— Não! na verdade preciso que me ajude em algo um pouco pessoal. — Arquei a sobrancelha o olhando concisa. O que esse homem pensava que eu era? A droga de uma faz tudo? Já não bastava invadir minha intimidade aparecendo na minha casa sem avisar.

— Você sabe que eu sou só uma estagiaria e não sua escrava não é mesmo ?! sabe que eu não tenho obrigação nenhuma de te ajudar em assuntos não relacionados a qualityIn não é? — Ele concordou com a cabeça, e se aproximou de mim.

— Sim, eu sei. — Puxou o ar parecendo entediado, e voltou a falar: — Mas eu te darei os dias necessários de folga para que você cuide disto para mim.

— E o que seria isso? O que, quer de mim?

Me sentei no sofá atrás do meu corpo, e indiquei a poltrona vazia na minha frente para que ele se sentasse também. Não conseguia imaginar nada na vida daquele homem que eu poderia ajudar a resolver.

— Minha prima que mora na Austrália, estará de volta a Londres em poucos dias, e preciso que você mobilhe e organize algumas coisas no apartamento dela para mim. Eu mesmo faria isso, mas estou trabalhando ao máximo, não posso deixar a qualityIn por sequer um segundo. — Suspirei aliviada, por saber que seu pedido era algo simples.

— Tudo bem, eu posso fazer isso! — Respondi. 

 —Aliás, minha secretária te ligou um zilhão de vezes, por que raios você tem um celular se não o atende? — um punhado de palavrões borbulhou na minha mente, mas me obriguei a ficar calada. Folgado! Isso é o que Liam era. Um folgado.

— Eu não chequei meu celular ainda, nem sei onde o deixei na verdade. —Expliquei mesmo tendo vontade de mandar ele se foder.

— Tudo bem. — Liam respondeu monótono. Ele não disse mais nada, apenas ficou parado como se estivesse a vontade. Como se esta casa fosse sua própria. Depois de algum tempo sem falarmos absolutamente nada, uma tensão se instalou no ar de forma quase palpável. Era terrível ficar calada diante dele porque isso fazia minha mente vagar para uma lembrança nada cômoda. A lembrança do nosso meio beijo. Não sei dizer se aquilo poderia ser considerado um beijo de fato.

Não estava olhando para Liam, mas ainda assim conseguia sentir seus olhos queimarem sobre mim, eu tinha certeza que ele me observava! Só quando se levantou e me chamou por seu habitual "estagiária" foi que eu arrisquei levantar o olhar e fita-lo. Rosto a rosto.

— Me acompanha até a porta? — Liam perguntou, enquanto seu olhar se declinava, para se alinhar ao meu.

— Claro. — Me levantei agradecendo a todos os santos por não ter caído, ou feito algo estúpido como de costume.

— Vamos? — Sua voz rouca soou, murmurei um "vamos" e toquei sua mão que estava estendida para mim. Nossos corpos deslizaram até a porta de saída, e eu a abri esperando que ele saísse. Isso não aconteceu. O olhei esperando que ele dissesse algo ou fosse embora de uma vez, mas ele continuou ali, parado. Seus ombros se esticaram fazendo sua postura ficar retilínea de novo, e então ele ergueu o dedo em riste apontando para mim, e depois para a varanda. Ele queria que eu fosse até lá, e eu estava tão intimidada com seu olhar firme e imponente, que nem ao menos me opus.

Saí passando por ele, o sentindo vir logo atrás de mim. Segundos depois estávamos nós dois na varanda pouco iluminada da minha casa. Cruzei os braços, e me encolhi um pouco pelo frio. Era outono em Cambridge, mas ainda assim o tempo gelado não dava trégua.

— Você disse para minha mãe que éramos colegas. — As palavras saíram sem que eu me desse conta, mas não me importei, eu estava curiosa de todo jeito.

— Eu sei o que eu disse. — Respondeu, enquanto alisava a barba rala, e suspirou parecendo cansado. — Eu não vim aqui só para pedir um favor para você estagiária. — Ele soltou de repente, e eu o olhei confusa.

— Droga, eu sabia! Você vai me demitir não é mesmo?! Eu já esperava por isso, mas peço que o senhor reconsidere, eu realmente preciso deste estagio. Eu posso me dedicar mais se for o caso, estagiar finais de semana e tudo mais, e também posso fazer hor...

— pelo amor de Cristo, respire mulher. Desse jeito você vai ter um infarto! — Liam me interrompeu. — E não! Eu não vou demitir você, na verdade eu vim pedir desculpas pelo episódio na minha sala no sábado, mas quando eu cheguei aqui eu desisti, porque me pareceu muito estupido pedir desculpas por algo que eu não me arrependo, e nem ligo. — Eu o olhei com os olhos arregalados tentando absorver sua última frase, mas ela soava ridícula na minha cabeça. Eu não devia ter escutado certo, essa era a única explicação.

— Desculpe, o que você disse?

— Já vi que você fala como uma desesperada, mas para escutar mesmo você não é muito boa. — Fechei a cara com seu comentário, e traguei o ar tentando encontrar calma. Levantei um pouco mais a cabeça e o olhei de forma contida. Eu estava terrivelmente envergonhada com a confissão de Liam. Ele era meu chefe, e isso por si só, já fazia toda essa situação um grande erro. Tudo bem que ele disse que não ligava, mas isso não deixava a coisa toda menos louca. — Eu não queria te assustar. — declarou cauteloso, prestando atenção a cada reação minha.

— Isso é algum teste? — Perguntei.

— O que? Não!

— Mas o senhor disse que não se arrepende de...de ter.. — Gesticulei com as mãos. — Você sabe o que eu quero dizer. — falei por fim.

— De ter te beijado? — Arqueou as sobrancelhas grossas sugestivamente. — Não, eu não me arrependo. Não me entenda mal, eu não costumo me envolver desta forma com funcionários, e nem quero que você me taque um processo por assédio e tudo mais, mas não posso dizer que estou arrependido de nada. Não seria sincero se eu dissesse isso.

— O senhor não pode estar falando sério, isso não faz sentido.

—Por deus, pare de me chamar de senhor, não estamos na empresa. E não dê tanto credito a isto, apenas faça como eu, e esqueça o que aconteceu naquela maldita sala. Esse assunto não deve vir à tona me entende? odeio burburinhos em volta de mim. Acha que é capaz de manter isto em segredo? — Perguntou, e segurou meus ombros esperando uma resposta minha.

— Claro! Eu não tenho interesse nenhum que ninguém saiba disto. — Ele concordou com a cabeça, e tirou as mãos de mim se afastando.

— Bom saber que continua uma pessoa integra chaveirinho. — Um punhado de flashbacks vieram na minha mente quando ele disse isso. Liam tinha me chamado pelo apelido que eu tinha ganhado na oitava série por ser a baixinha da turma.

— Como você sab... — Eu ia pedir uma explicação para ele saber de algo tão íntimo da minha vida, mas ele já tinha dado as costas, e descido os degraus da varanda deixando para trás só o cheiro do perfume amadeirado que usava.

[...]

Sábado, 8:30 pm, noite do blue day

Eu e Lilian estávamos em um táxi, a caminho da festa anual da qualityIn. Ela se mantinha ativa a todo tempo, era possível sentir a excitação da garota a quilômetros de distância, olhei para ela que dizia algo sobre conseguir um namorado, e sorri. Lilian estava usando um vestido de alcinha e rendado, de cor azul escuro, ao contrário do meu que mesmo sendo azul, tinha um tom bem claro, quase transparente, e era tomara que caia, colado ao corpo. Era o que mamãe tinha me dado.

O táxi reduziu a velocidade e então parou de vez em frente a uma mansão vitoriana, daquelas que só vemos pela tv. Pagamos o taxista, e saímos. Eu olhava tudo fascinada, movendo o pescoço para todos os cantos a fim de não perder nada, era tudo tão grande e magnifico, e eu sequer tinha entrado ainda. O fluxo de carros que chegavam era enorme, os donos saíam, e entregavam a chave de seus caros para que os encarregados de os estacionar fizesse isso.

— Nossa! — Lilian murmurou olhando em direção da escadaria que as pessoas subiam. — Isso é tão grande! Eu nunca vi nada assim. Nem em filmes. — completou.

— Nem eu! — respondi tão boba quanto ela. Nós subimos a escadaria larga, seguindo o fluxo de pessoas que faziam o mesmo, e então paramos, de frente para um homem elegante vestido em um smoking. Ele pegou nossos convites os conferindo, e então nos autorizou a entrar. Já de cara eu e Lilian paramos de boca aberta, e olhos arregalados. O salão era enorme, com as paredes brancas, o teto alto, e o piso xadrez. Garçons com uniformes muito bem alinhados ao corpo, serviam taças de bebidas, e quitutes. Ao fundo era possível ouvir alguma musica lenta, eu não a conhecia, mas gostei da melodia que se espalhava. Lilian e eu caminhamos mais para dentro, e pegamos cada uma, uma taça de champanhe.

— É bem doce! — Lilian disse dando mais um gole. — Mas é bom! tem gosto de riqueza. — Ri de seu comentário, e revirei os olhos. Ela era meio maluquinha.

— Olá senhoritas. — Nós duas nos viramos quando a voz de um homem soou atrás de nossos corpos. Lilian parou com a taça travada perto da boca por alguns segundos, até conseguir voltar ao normal. O homem parado na nossa frente era lindo de morrer. Loiro, e alto, aposto que estava na faixa dos tinta e cinco anos. Ele me lembrava um daqueles super heróis da Marvel, só que mais sério.

— Olá! — Respondi depois de reparar que tinha o deixado muito tempo sem uma resposta e Lilian fez o mesmo.

— Sou Brandon Laroche. — Estendeu a mão primeiro para Lily, que se apresentou e depois para mim. Eu fiquei estasiada por alguns segundos com o olhar voraz que ele tinha. Bendito seja Deus, que abençoou os homens desse lugar. pensei.

— Alice Canavan. — Ele ainda segurava minha mão, e me olhava quando eu respondi. Eu até poderia ficar o admirando pela noite toda, mas meu homem estava passando logo atrás de Bandon. Harry estava por ali, e tudo bem que ele não era meu homem realmente, mas era impossível não fantasiar isso, ainda mais vendo ele tão elegante como estava.

— Tudo bem com você? — Brandon perguntou arqueando as sobrancelhas, e então virou o tronco procurando na multidão o que poderia ser o foco da minha atenção. Graças aos céus, tinha muita gente por ali, Brandon não saberia quem eu estava secando com os olhos.

— Tudo ótimo, só pensei ter visto um conhecido, mas foi engano! — Indaguei, mentindo tão firme quanto pude.

— Vocês são clientes da qualityIn? não me lembro de te-las visto antes.

— Não, não. Nós somos só meras estagiarias mesmo! — Lilian respondeu.

— Um estagio em uma das maiores empresas da Inglaterra? Garotas de sorte vocês! — Brandon comentou, mas sua atenção já não estava mais em nós, ele pegou uma taça de alguma bebida, e eu olhei para o lado, na mesma direção em que ele fixava o olhar. Ele estava observando Harry, que por sua vez parava a cada passo para cumprimentar alguém, não demorou muito para que ele se desse conta de que era observado. Foi estranha a reação de Harry ao tomar conhecimento de Brandon, ele parecia com raiva. Seus olhos estavam mais escuros, sua mandíbula travada, e o corpo tenso. Ele caminhou até nós, no entanto eu poderia jurar que ele nem tinha reparado em mim e Lilian ali quando chegou.

— Brandon! — Sua voz ecoou firme, e sombria.

— Harry. — Os dois travavam uma guerra só no olhar.

— Eu não pensei que você fosse vir. Lugar de gente descente não é muito sua praia! — Eu e Lilian nos entreolhamos, e encolhemos o corpo. Nós estávamos no meio do fogo cruzado, e as coisas pareciam que iam piorar. Estava pronta para cair fora, e levar Lily comigo, mas o toque que eu senti sobre meu ombro me fez congelar.

— Acabei de conhecer duas das funcionárias do Geoff. Devo admitir que vocês sempre tiveram bom gosto ao contratar. — Harry girou seu olhar para mim e para Lilian se dando conta que nós existíamos ali, mas isso deve ter durado menos de cinco segundos porque logo depois ele já estava com a atenção de novo em Brandon. Harry se aproximou dele com uma expressão que assustaria até dementadores, e falou algo baixo, saindo logo depois. Pela cara de Brandon ele não deve ter dito algo muito amigável.

— Bem meninas, a festa continua não é mesmo?! — Brandon falou e pegou um copo de bebida da bandeja de um garçom que passava, depois desse vieram muitos outros.

Eu e Lilian andamos por todo aquele lugar, bebemos até criar coragem de conversar com as pessoas chiques dali, e depois de inventar todos os nomes e profissões possíveis quando nos perguntavam quem éramos e o que fazíamos, nós riamos! até por que a bebida mesmo que pouca, já tinha nos deixado "altinhas"

— Lily, meu homem sumiu! cadê ele? — Perguntei com exagero mais que o necessário, e Lilian girou o corpo pelo salão me ajudando a procurar.

— Seu engenheiro bonitão sumiu. É dele que você está falando né?

— Claro! — Disse. — Vou procurar.

— Eu vou pro outro lado, se eu encontrar eu te ligo. — Concordei e saí sem rumo como uma louca. Peguei outra taça no meio do caminho, mas quando a primeira gota bateu na minha boca meu estomago revirou e eu a coloquei de volta em uma mesa. "Ar puro Alice. Você precisa de ar puro". Falei pra mim mesma, e me forcei a caminhar na direção de uma grande porta escondida atrás dos jarros altíssimos de flores. Aquilo parecia ser a saída dos fundos, eu rezava para que fosse!

— Alicia aonde você pensa que vai com tanta pressa bonitinha? — Parei subitamente quando escutei meu nome ser chamado, mesmo que errado, e me virei para Brandon que estava com os olhos moles, e a voz embargada. Aquele ali estava bem pior do que eu. — Nós nem conversamos direito. — Ele indagou, chegando mais perto e o cheiro de álcool chegou até mim, fazendo meu estomago embrulhar. Brandon segurou meu queixo de forma grosseira, não o suficiente para a machucar, mas o bastante para me deixar desconfortável.

— Desculpe, eu preciso ir. — Falei, mas ele segurou meu braço me impedindo de sair. Olhei para onde a mão dele estava e vi o local ficar avermelhado com o aperto forte. Dei um tranco puxando meu braço e me virei saindo rápido dali, eu escutava os passos pesados de Brandon me seguir pelo corredor largo e escuro que levava até a porta, e comecei a me sentir apavorada. Aquilo parecia uma perseguição. Quando o senti mais perto de mim, eu dei um tranco e passei pela porta. Não deu tempo de trancar antes que ele a empurrasse e eu caísse no gramado do lado de fora da mansão com todas as coisas da minha bolsa esparramadas.

— Sua vadiazinha pobre! QUEM VOCÊ PENSA QUE É PARA ME DAR AS COSTAS? — Ele gritou, me puxando do chão com força, e em seguida me jogando lá de novo. A bile na minha garganta era insuportável, e agora eu me dava conta que que era melhor ter passado mal no meio de todas aquelas pessoas, mas estar segura, do que passar mal aqui fora a mercê deste homem louco.

— Por favor, me deixe ir. Eu não estou bem. — Pedi com a voz e o corpo trêmulos.

— E eu com isso?! Eu estou pouco me fodendo pra se você está bem ou não sua putinha de quinta.

— putinha e vadiazinha, é a vó. — Me levantei dando socos e cuspindo nele, que me parou tão facilmente que me senti patética ao extremo. Meus braços doíam com o aperto dele, mas o que mais me assustou foi o olhar de ódio que Brandon mantinha.

— Eu vou te ensinar a calar a boca enquanto eu falo! — Meu corpo palpitou de medo quando ele começou arrancar o sinto da calça.  Me levantei tropeçando nos meus próprios pés e quando tentei voltar até a porta, as mãos dele puxaram meu cabelo, fazendo meu pescoço envergar e meu corpo cair. Meus olhos arderam de dor, mas as lagrimas não caíram, eu já tinha chorado muito nessa vida. Vi a sombra do seu corpo, e senti o cheiro de Brandon perto de mim, então apertei os olhos e quando os abri, senti meu coração falhar uma batida. O rosto daquele insano estava bem de frente para o meu, e seus olhos estavam nos meus seios, tentei dar um chute nas bolas do infeliz, mas ele me segurou outra vez, e eu já não aguentava a dor de bater no chão. Fechei os olhos de novo, e desejei baixinho que meu pai estivesse aqui para me salvar. Ele sempre me salvava!

— SOCORRO! ALGUÉM ME AJUDA. — Eu gritei a ponto de fazer minha garganta queimar, mas não adiantou nada. De onde eu estava até o salão de festas era um caminho longo e ainda tinha a música alta que passava lá dentro.

Senti meu celular vibrar perto do meu cotovelo e quase chorei de alivio. Juntei todo meu alto controle pra não estragar a oportunidade, e quando Brandon se aproximou eu deixei. Mesmo sentindo vontade de vomitar. Só Deus sabe como eu consegui apertar o botão para receber a ligação, mas eu consegui!

— Pode gritar vadia. Ninguém vai te escutar! grita que eu gosto, me deixa mais excitado!

— Brandon, não faz isso, você tá bêbado, e vai se arrepender! — Falei sabendo que quem estava do outro lado da linha iria escutar.

— EU NÃO LIGO! — O riso áspero que saiu dele me fez estremecer, e uma sucessão de soluços me alcançou. Eu estava com tanto medo que me encolhia até com a respiração dele. Quando a alça do meu vestido foi puxado eu tentei tirar a mão de Brandon, mas ele respondeu meu ato com um tapa estalado no rosto, e então a ardência na bochecha e no olho voltou, e eu estava certa de que hoje seria o dia que eu voltaria a chorar. Foi quase impossível registrar o momento em que o corpo de Brando foi arrastado pra longe de mim, e jogado para longe. Tirei o cabelo que grudava na minha cara, e vi Harry bater muito em Brandon.

— Deus do céu, olha pra você. — Lilian se abaixou perto de mim, e me olhou com os olhos cheios d'água.

— O Harry vai matar ele Lilian. — Eu apontei e me levantei indo até Harry segurando seu braço, mas ele parecia um animal. Brandon estava bêbado, merecia aquela surra, mas Harry iria se ferrar se o pior acontecesse com aquele verme —HARRY PARA, PARA! — Gritei mas ele não me deu atenção. Era impossível o controlar. Se ele continuasse a bater em Brandon assim, ele o mataria, e não que eu estivesse sendo benevolente com aquele infeliz, mas Harry tinha muito mais a perder. — PARA COM ISTO! — Gritei. Ele parou, mas só quando viu que Brandon mal se mexia no chão. Na verdade ele mal respirava!

— Será que ele está vivo? — Perguntei com um fio de voz.

— Claro que está! — Harry garantiu passando a mão pelo cabelo e andando de um lado para o outro. — Esse tipo de gente demora a ir pro inferno. — Murmurou desdenhoso, e congelou o olhar em mim quando me viu direito. — Vou te levar ao hospital! — Ele disse me olhando de cima a baixo, e então eu também olhei para os meus braços e pernas. Estava tudo roxo e dolorido, meu ombro direito estava inchado pela quantidade de vezes que eu tinha caído sobre ele, não conseguia ver meu rosto, mas imaginava que também estivesse um caos.

— Não. Eu não quero ir pra hospital nenhum! — Afirmei, e vi que Harry estava pronto para rebater mas seu celular tocou, e ele se afastou para atender. Alguns minutos depois ele estava de volta.

— Vocês duas esperem ali. — Ele apontou com o queixo um portão de ferro que estava um pouco distante de nós — Liam vai levar você pra casa — Falou com Lilian. — e você para um hospital e depois para uma delegacia. — Eu sacudi a cabeça negando.

— Você não ouviu o que eu disse? Eu não vou pra hospital nenhum, menos ainda pra delegacia. Eu só quero ir pra casa.

— E você está vendo seu estado? — apontou o dedo para o meu corpo. — É assim que mais mulheres vão ficar se você cruzar a droga dos braços. — Harry disse exaltado e cansado simultaneamente.

— Ele tem razão Alice. — Lilian concordou, e eu suspirei assentindo. Ela me puxou em direção ao portão, mas antes de ir eu me virei e fui até Brandon que tinha aberto os olhos inchados, e gemia de dor.

— Você não vai fazer isso com mais ninguém seu porco nojento. — Gritei e cuspi nele antes de me virar e ir embora.

Lilian estava escorada no pilar do portão, e eu estava sentada na calçada de paralelepípedo. Nenhuma de nós duas tinha dito nada ainda, mas eu podia sentir a quilômetros de distância a preocupação em Lilian.

— Você se sente melhor? ...quer dizer, menos mal?

— Bem, minha cabeça está explodindo, e meu estomago ainda tá uma merda. Mas de resto está ok.

— E quanto a sua mente Aly, como você está? — Lilian perguntou apreensiva enquanto se abaixava até mim, mas antes que eu respondesse qualquer coisa a luz do farou do carro de Liam clareou a estrada, e parou do nosso lado. Vi ele sair do carro contornando-o ainda com seu smoking muito bem alinhado, e parar na nossa frente. Ele desceu os olhos pelo meu corpo piscando algumas vezes, mas então voltou a expressão ao normal.

— Vou levar você em casa Lilian, e então levo Alice a um hospital. — Liam disse, e foi abrir a porta para Lilian enquanto eu me mantinha estática, sem acreditar que ele não tinha me chamado de estagiaria, ou srta. Canavan. — Não vai entrar? — Pisquei e percebi que liam me esperava com a porta do carro aberta. Assenti, e entrei permitindo que ele me ajudasse. Essa noite estava sendo mais longa do que eu imaginava.



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