História Guerreiros Celestiais - Parte 1 - Capítulo 34


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Categorias Saint Seiya
Personagens Abel, Afrodite de Peixes, Ágora de Lótus, Aiolia de Leão, Aioros de Sagitário, Alberich de Megrez (Estrela Delta), Albion de Cefeu, Aldebaran de Touro, Apolo, Ártemis, Bado de Alcor, Camus de Aquário, Dohko de Libra, Freya, Hades, Hagen de Merak, Hilda de Polaris, Hyoga de Cisne, Hypnos, Ikki de Fênix, Io de Scylla, June de Camaleão, Kanon de Gêmeos, Kiki de Appendix, Marin de Águia, Mascára da Morte de Câncer, Mime de Benetnasch, Miro de Escorpião, Mu de Áries, Pandora, Perséfone, Personagens Originais, Poseidon, Saga de Gêmeos, Saori Kido (Athena), Seiya de Pégaso, Shaina de Cobra, Shaka de Virgem, Shido de Mizar, Shion de Áries, Shiryu de Dragão (Shiryu de Libra), Shun de Andrômeda, Shunrei, Shura de Capricórnio, Siegfried de Doube, Thanatos
Tags Cavaleiros, Deuses, Mitologia, Saint Seiya, Semideuses, Shaka
Visualizações 53
Palavras 4.759
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Hentai, Literatura Feminina, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oiiiiiiiiiiiii, meus amores ♥♥♥
Voltei com mais um capítulo desta fic, ainda que com uma semana de atraso.
Ah sim, peço que desconsiderem a questão dos fuso-horários pros acontecimentos fazerem sentido.
Espero que gostem, boa leitura!

Capítulo 34 - O Avançar dos Ponteiros


Fanfic / Fanfiction Guerreiros Celestiais - Parte 1 - Capítulo 34 - O Avançar dos Ponteiros

Um mês depois...

Aisha corria o mais rápido que podia, mas isso parecia não fazer diferença alguma. Independentemente do quão veloz se movesse, o mesmo som de passos e sussurros parecia sempre acompanhá-la. Já havia perdido a noção do tempo em que corria perdida por entre as paredes daquele labirinto lúgubre. Para piorar, a quase completa escuridão dificultava ainda mais o seu avanço.

Seu sexto sentido apurado lhe dizia que algo a espreitava das sombras, mas não fazia ideia do que era. Estava apavorada, mas o cansaço a obrigou a dar uma pausa para respirar fundo. Naquele instante, sentiu um súbito vento frio.

Estremeceu. Sabia que não era algo natural, alguém estava se aproximando.

– Quem está aí? Apareça!

Ela se colocou em posição defensiva, virando-se rapidamente de um lado para outro para tentar ver alguma coisa. Tentava a todo custo conter o tremor no corpo. Aquilo não podia saber o quanto a assustava... Ou as coisas ficariam ainda piores.

Ouviu o som de risadas que pareciam vir de todas as direções. Mordeu os lábios para não gritar e voltou a correr numa direção qualquer, mas as risadas continuaram nos seus ouvidos, cada vez mais próximas e sinistras. Uma voz em sua cabeça dizia que a fuga era inútil e que só sairia dali após se livrar daquelas coisas. Porém, a fuga ainda parecia a escolha mais fácil e lógica para ela.

Continuou sua corrida desenfreada até chegar a um beco sem saída. De repente, percebeu que estava cercada. Um grito escapou da garganta dela ao sentir alguma coisa fria e escorregadia tocar suas pernas. Tapou os ouvidos para não ouvir mais o som das risadas e chutou desesperadamente até aquilo lhe soltar. Então, em um ato desesperado, usou sua telecinese para flutuar e sair dali pelo ar.

Só percebeu que a fuga aérea não daria certo quando um ser voador agarrou-a pelas costas, usando os pés com unhas enormes e pontiagudas para segurá-la pelos ombros. Ela começou a se debater freneticamente, querendo se libertar a qualquer custo. Mas, em vez de soltá-la, aquilo a agarrou com ainda mais força e cravou as unhas na carne dela, fazendo-a gemer de dor.

– Deixe-me em paz! – Aisha gritou, conseguindo se virar de barriga para cima.

Começou a chutar as pernas da criatura com força até finalmente ser libertada. No entanto, aquilo aconteceu rápido demais e, antes que pudesse raciocinar, chocou-se fortemente com o mármore gelado do chão. Sentiu uma dor enorme se propagar por todo o corpo e lágrimas brotaram dos seus olhos em resposta.

Tinha certeza de que quebrara alguma coisa, mas isso se tornou secundário quando se deu conta de que estava completamente vulnerável naquela posição. E, de fato, não tardou para que alguém subisse em cima dela e prendesse seus braços fortemente enquanto outro par de mãos afagava seu corpo de forma lasciva.

Sentiu uma vontade imensa de gritar, mas não conseguiu fôlego para isso. Uma súbita falta de ar se apossou dela e a sensação de sufocamento tornou aquilo ainda mais doloroso.

– Por favor, pare! – a celestial conseguiu dizer com a voz esganiçada, mas o pesadelo só piorou. O ser que imobilizava seus braços começou a torcê-los com tanta força que não demorariam a quebrar, e o par de mãos atrevidas começou a acariciar-lhe o ventre sob a camisa – Por favor! – conseguiu reunir fôlego e gritou alto, mas tampouco isso fez com que aquela tortura parasse.

– Lute! Só você pode fazer isso parar...

Aisha conseguiu ouvir mais uma vez aquela voz em sua cabeça, mas parecia tão baixa e tão distante que soava como se fosse dirigida a outra pessoa.

– Por favor!

– Lute! – ouviu mais uma vez. Percebeu que não adiantaria chorar e implorar. Só sairia dali por seus próprios esforços.

Fechou os olhos e buscou o ar e as forças em meio a todo o pavor que sentia. Precisava fazer alguma coisa.

Sentiu um toque frio nos seios e mais lágrimas escorreram por seu rosto. Não podia permitir que mãos nojentas a tocassem daquela forma, então puxou os pulsos com toda a força que tinha. Sentia uma dor sufocante nos braços, mas o asco que sentia por aquele ser era maior do que tudo.

Com muito esforço, conseguiu trazer os punhos para perto do rosto e, consequentemente, a criatura também aproximou a face da dela. Num impulso, bateu a cabeça com toda a força no que devia ser o nariz do ser e conseguiu libertar os braços, usando-os juntamente com as pernas para empurrar a criatura para longe. Por fim, agarrou aquelas mãos nojentas e elevou a temperatura ao seu redor o bastante para transformá-las em cinzas.

Assim que se viu livre, tentou se colocar de pé para sair dali, mas a dor excruciante nas pernas tornou a tarefa impossível. Cerrou os dentes com força para não gritar mais uma vez. Já se sentia patética o bastante, jogada e indefesa naquele chão gelado. Mas como não conseguiria se mover mesmo, simplesmente fechou os olhos e ficou imóvel à espera do que quer que fosse. Nem mesmo o som de passos por perto a fez tomar alguma atitude.

– Está tudo bem. Já acabou! – Aisha ainda tremia quando foi erguida por braços fortes, mas gentis, que a carregaram e depositaram numa superfície macia – Você não foi nada mal!

– Não precisa mentir! – a loira sentia uma dor intensa no corpo, mas isso não se comparava à vergonha por ficar naquele estado. Quase um mês se passara desde que Shaka havia começado a treiná-la daquela forma e ainda se portava como uma criancinha assustada – Eu sou a pior pupila que você poderia arrumar!

– Vamos ver... Você não entrou em estado de choque, não desmaiou e não botou fogo na minha casa. Isso já é um avanço e tanto! – Aisha abriu os olhos para fitar Shaka, esperando ver alguma ironia na expressão dele. Não fazia ideia de que ele realmente estava satisfeito com seu progresso. Era fato que ela ainda estava longe de vencer o medo que sentia, mas vê-la tomar uma atitude em vez de simplesmente paralisar significou muito para o virginiano – Agora me deixe ver os estragos!

Aisha gemeu quando Shaka retirou a camisa dela e começou a percorrer seu corpo com as mãos em busca de danos. Como esperado, os joelhos e algumas costelas foram fraturados na queda, bem como os braços levemente deslocados por causa da força empregada na fuga. Contudo, o homem mais próximo de deus não teve dificuldade para curá-la.

– Vocês já terminaram o treino? – indagou uma mulher jovem e franzina de pele amendoada, olhos e cabelos negros e lábios naturalmente vermelhos, adentrando o quarto.

– Sim, Maya. Você se importa de preparar o banho de Aditya?

– Não, Senhor!

– Obrigado! – Shaka tornou a se virar para a celestial – Descanse um pouco depois do banho. Eu te aviso quando o jantar estiver pronto.

Ele afagou carinhosamente os cabelos dela antes de se retirar dali, deixando-a sozinha com a serva.

***

– Ana!

– Por favor, afaste-se! – a ruiva pediu com a voz mais segura que conseguiu, mas ainda assim o guerreiro de Benetnasch percebeu que segurança era a última coisa que havia ali.

– Sinto muito, eu não posso! – Mime se aproximou e a puxou para si com firmeza, envolvendo a cintura sinuosa com os braços. Ana arfou quando os corpos se colaram – Eu tentei, mas isso é mais forte do que eu!

– Mime, eu sei que te dei esperanças. Peço perdão por isso, mas estou com o Camus e estamos bem agora! – ela falou, evitando olhar para as íris magentas do asgardiano. Tinha medo de fraquejar diante dele.

– Por que não repete isso olhando nos meus olhos?

Mime segurou o rosto dela e o virou para si, forçando-a a manter o contato visual que tanto temia. Ana mordeu os lábios e implorou a todos os deuses para que tivesse força para resistir àquela tentação em forma de homem.

– Nós nunca mais brigamos e...

Foi calada pelo dedo indicador que ele pousou em seus lábios.

– Não é isso que me interessa. Eu quero saber se você o ama. Se me disser que sim, prometo nunca mais me aproximar de você! – Mime fitava Ana com tamanha intensidade que a fez perder a linha dos pensamentos – Diga-me que treme quando ele se aproxima de você assim! – ele apertou a ruiva ainda mais contra si e deslizou o nariz pelo pescoço dela, sentindo o cheiro inebriante que brotava dali. Isso a fez fechar os olhos e todos os pelos do seu corpo se arrepiaram instantaneamente.

– Mime, isso não é certo...

– Diga-me que passa o dia inteiro pensando nele e sonhando com suas carícias, que morreria para provar os lábios dele uma última vez! – ele voltou a olhá-la e acariciou suavemente as bochechas rosadas com a ponta dos dedos, reparando em cada reação que isso desencadeava.

Foi impagável ver a forma como a respiração dela ficou pesada e o tremor que a percorreu quando a tocou tão delicadamente. Ele não pôde evitar que sua mente pensasse em como ela reagiria a toques mais ousados e íntimos. O simples pensamento de tê-la suada e gemendo sob seu corpo foi suficiente para excitá-lo. No entanto, não avançaria mais enquanto ela não admitisse diretamente o que sentia... Ou enquanto estivesse com o noivo.

Ana, por sua vez, não conseguia pensar em nada, exceto no calor que se apossava de cada átomo do seu corpo. Precisava lutar com todas as forças para não cair nos braços daquele homem. Desde que provara daqueles lábios apetitosos, tivera a mente invadida por toda a sorte de pensamentos pecaminosos que lhe eram completamente inéditos.

– Por que nega o que sente se o seu corpo me mostra a verdade? – ele deslizou os dedos pelos lábios dela. Ver a boca se entreabrir em resposta tornou a vontade de beijá-la irresistível.

– Eu preciso ir. Camus me disse que vinha jantar em casa e ainda não dei instruções à Marion quanto ao que preparar!

Mime sorriu de canto ao ver aquela tentativa tão descarada de esquiva.

– Tudo bem, mas antes...

Sem que Ana pudesse se preparar, Mime a segurou pela nuca e beijou seus lábios com paixão. Com a outra mão ele apertou-lhe a cintura, puxando-a para si com uma vontade louca.

Ana tentou resistir, mas ter a boca colada à do guerreiro deus minou completamente suas forças. Simplesmente envolveu a língua dele com a sua e agarrou-lhe os cabelos com força, entregando-se como nunca antes fizera. Mime era como o fruto do Paraíso, proibido, mas apetecível demais para ser ignorado. Naquele curto espaço de tempo, ela se esqueceu completamente de Camus e de todas as coisas que a ligavam a ele para simplesmente desfrutar daquele beijo.

Por um longo tempo, os lábios permaneceram colados e as línguas travaram uma doce batalha por espaço e dominação na boca um do outro. Somente a falta de ar os fez se separarem, mas, se antes Mime possuía alguma dúvida acerca do que a ruiva sentia, agora havia sido completamente minada. Era impossível fingir aquele tipo de reação que ela tivera ao seu beijo.

Ana estava tão tonta após o que aconteceu, que Mime precisou segurá-la até recuperar as forças. Mas, antes de soltá-la, voltou a fitá-la com olhos ardentes e aproximou os lábios da boca dela para falar. Por consequência, isso a fez estremecer mais uma vez.

– Não se esqueça de quem é o dono do seu coração e dos seus pensamentos... – ele então roubou um selinho e sussurrou no ouvido dela com a voz rouca – E em breve, do seu corpo também!

A ruiva sentiu um súbito vazio quando Mime finalmente a soltou. Mas o calor, o formigamento no ventre e a respiração ofegante continuavam ali e a fizeram correr para o toalete. Só um banho gelado poderia lhe devolver um pouco da sanidade roubada pelo maldito guerreiro deus.

***

– Eu sou muito ruim, Maya! – Aisha falou com a voz desanimada.

– Não é verdade, você está indo bem. Ele mesmo disse! – a serva fazia uma massagem nas costas da celestial e tentava animá-la um pouco – Tome um pouco de martíni, vai te fazer bem.

– Como você consegue estas coisas? Shaka não permite bebidas em virgem! – Aisha perguntou, pegando a taça da mão da serva e sorvendo um pouco do seu conteúdo – Isso aqui é delicioso, obrigada.

– Eu tenho meus meios, Aditya! – a serva se dirigia à celestial com essa intimidade a pedido dela mesma.

– Você também é uma ótima massagista, sabia? Devia ter falado antes. Eu estaria aproveitando isso há mais tempo!

– Obrigada, é um prazer. Desculpe não ter mencionado isso antes!

– Esconda a taça, por favor. Shaka está chegando! – Aisha falou com urgência ao sentir a aproximação do virginiano.

– O jantar já está pronto!

Shaka chegou ao quarto em seguida, como a celestial previra.

– Eu já vou descer, obrigada! – a loira fitava o virginiano com um sorriso forçado.

– Você está bem?

– Estou sim.

Aisha não queria que Shaka tivesse pena dela, então continuaria a fingir não sofrer com o que acontecia nos treinos. Não havia sido fácil convencê-lo a treiná-la daquela forma, mas era a única maneira de ficar realmente forte.

– Até já então.

O virginiano fingiu acreditar nas palavras da celestial. Sabia o quanto aquele treino estava sendo duro para ela, mas foi a única maneira que encontrou de ajudá-la a superar seu trauma.

***

Deitada na cama e envolta em cobertas, como não fazia desde criança, Lara deixava as lágrimas rolarem ininterruptamente por seu rosto. Maldita Chanter! Como podia simplesmente desistir da busca? A ruiva ficava repassando vezes sem conta as últimas palavras que a americana lhe dissera antes de ir embora, deixando tudo para trás.

Aquelas palavras haviam sido como espadas no coração da celestial e a obrigaram a admitir aquilo que negava a si mesma. E, como numa tela de cinema, diversas cenas se passavam por sua mente. Lembranças de coisas que vivera ao lado das amigas e que a moldaram na guerreira que havia se tornado...

Era o fim de uma tarde de sexta-feira. Lara acabara de chegar à Creta com o grupo de semideusas. Tirando um punhado de garotas que já havia se preparado para seguir um destino como aquele, a maioria, como ela, não fazia ideia do porquê de estar ali.

O medo estava estampado na face da filha de Ares. Ela prestava atenção às palavras ditas por uma mulher no púlpito, mas estas pareciam não fazer sentido algum. Só sabia que ainda ontem estava com a mãe na segurança de sua casa e agora estava ali, rodeada de pessoas, mas se sentindo estranhamente só. Torcia para tudo não passar de um pesadelo e que, ao despertar, estivesse de volta ao que era seu lar.

– A partir de agora, devem se esquecer de quem foram antes de chegar aqui. Devemos nos tornar uma grande família, irmãs unidas por um propósito e um destino em comum. Vocês são privilegiadas por terem o sangue divino correndo nas veias. Por si só, isso já as torna superiores à grande maioria dos mortais, mas vocês são ainda mais privilegiadas por terem sido escolhidas para seguir um caminho grandioso. Servir diretamente ao Grande Zeus, Senhor dos Deuses, é a maior honra que alguém pode desejar!

Como podiam pedir que ela se esquecesse de quem era? Isso significaria se esquecer da mãe, coisa que jamais seria capaz de fazer. E em nome de quê? De um deus que nunca fizera qualquer coisa por ela? Isso jamais aconteceria! Nem mesmo em nome do maldito deus que a tirara de casa se dizendo seu pai. Ares. Um nome que não significava nada para ela.

É claro que a ruivinha sabia quem ele era, mas isso não importava. Jamais recebera qualquer coisa do deus para que pudesse lhe exigir algo.

Lara só esperaria a noite cair antes de voltar para casa. Na certa, Ares não conhecia seus dons. Bastaria que se descuidassem um pouquinho para que pudesse se teleportar para o lugar de onde jamais devia ter saído. A ruivinha ainda não dominava suas habilidades, mas sabia que era capaz de voltar para casa sem problemas, afinal conhecia o lugar bem o suficiente.

– Bem, agora que já sabem por que estão aqui, devo falar sobre a rotina de vocês neste santuário, mas antes...

A expressão da mulher se tornou sombria quando passou os olhos pela arquibancada, fazendo cada semideusa sentir como se tivesse a alma e os pensamentos esquadrinhados por ela. Para Lara não foi diferente. Quando a guerreira voltou a falar, ela sentia o pesado par de olhos azuis sobre si.

– Tenho certeza de que vocês estão cientes dos dons ou, ao menos, de parte dos dons que possuem por serem filhas de quem são. Também sei que devem se sentir especiais por possuírem tais dons... E são mesmo! Mas não se enganem, não importa o quanto se achem fortes, estes dons não poderiam livrá-las da fúria de Zeus caso fosse dirigida a vocês. Eu já mencionei que devemos nos tornar uma grande família a partir de agora, mas saibam que o Senhor dos Deuses pune ainda mais severamente aqueles que carregam o seu nome. Quem de vocês conhece a história de Tântalo?

A mulher voltou a percorrer a arquibancada com os olhos, mas viu somente uma mão levantada.

– Estou decepcionada, esperava que as histórias antigas continuassem a ser difundidas nos dias de hoje. Mas tudo bem, você que levantou a mão, fique de pé!

A pequena garotinha fez o que lhe fora pedido e fitou a guerreira com confiança.

– Por favor, diga-nos o seu nome e quem é o seu progenitor divino!

– Eu me chamo Aisha e sou filha de Apolo, o deus da luz, patrono da profecia, da arte de usar o arco e a flecha, da juventude, da medicina e o protetor dos rebanhos.

Por momentos, a mulher pareceu impressionada com a forma como a menina falou, mas logo retomou a expressão severa de antes.

– E quem foi Tântalo?

– Filho de Zeus com sua irmã Plutó e rei da Frígia e da Lídia.

– Está certa! – a mulher então abriu espaço na arquibancada e subiu até o local onde a garotinha estava – Agora nos diga, Aisha, qual foi o crime que Tântalo cometeu e qual foi sua punição por isso.

A menina sentiu um frio na barriga com a proximidade da guerreira, mas logo fez o que lhe fora pedido.

– Os deuses convidavam Tântalo para seus banquetes, mas por orgulho ele começou a contar aos mortais os segredos divinos que ouvia nestas ocasiões. Por conta disso, Zeus o lançou no inferno e o condenou à fome e sede eternas. Ele ficava mergulhado numa fonte de águas límpidas, mas não conseguia alcançá-la para beber e tinha sobre a cabeça cachos cheios de frutas frescas, mas quando tentava alcançá-los, eles fugiam das suas mãos.

– Obrigada, Aisha! – a mulher desceu as escadas da arquibancada e voltou para o púlpito onde estava antes – Eu só quero que levem esta história em conta antes de pensarem em alguma gracinha. A partir de agora, a vida de vocês pertence ao Senhor dos Deuses e deve ser dedicada unicamente a servi-lo. Se tentarem fugir desta responsabilidade, ele as achará onde estiverem e as punirá com severidade!

Aquelas palavras feriram ainda mais o coração de Lara. Imediatamente pensou na mãe e percebeu que não podia voltar para casa ou ela acabaria pagando por isso. Aquilo fez a ruivinha sentir um aperto tão grande no peito, que simplesmente não conseguiu mais prestar atenção em coisa alguma. O resto da reunião passou como um borrão para ela enquanto a ficha finalmente caía. Quando voltou a si, já estava sendo encaminhada para o dormitório no qual passaria a viver e dormir todos os dias.

Naquela noite, Lara não conseguiu pregar os olhos um minuto sequer. A saudade que sentia da mãe pesava demais e só lhe dava vontade de chorar. Ela até tentou abafar os soluços com o travesseiro, mas mesmo assim o som acabou incomodando as companheiras de quarto.

– Ei, pare de chorar, precisamos dormir! A general falou que todas precisaríamos estar de pé às seis.

– É verdade! Além disso, vamos treinar. Precisamos estar descansadas para isso.

– Me desculpem! – Lara enterrou o rosto com ainda mais força no travesseiro. Aquelas garotas não tinham culpa no final das contas, também eram vítimas e estavam ali contra sua vontade.

– Por que você está chorando? – indagou uma voz ao lado. Lara ergueu o olhar para ver quem estava falando e reconheceu a menina que contara a história de Tântalo na reunião.

– Estou com saudades de casa e da minha mãe! – a ruivinha admitiu diante do olhar curioso e compassivo da garota loira.

– Não chore... Como é o seu nome?

– Me chamo Lara.

– Seja forte, Lara! Estar aqui não é tão ruim como parece. Se tudo der certo, sua mãe ficará orgulhosa de ver você lutando para proteger a Terra.

– Proteger a Terra? – Lara não entendeu o que Aisha queria dizer. Pelo que ouviu na reunião, pensou que estavam ali para servir àquele tal de Zeus.

– Você não sabe? Zeus é o protetor da Terra. Ele esteve ausente por muitos anos. Enquanto isso, Atena que esteve encarregada de cuidar do planeta. Mas agora ele voltou e fez uma trégua entre os deuses para que não haja mais guerras. Zeus também decidiu formar um exército de guerreiros para lutarem ao seu lado. É por isso que estamos aqui!

– Como você sabe disso tudo? – esta pergunta veio de uma menina morena, com um curioso par de olhos azuis.

– Eu ouvi uma conversa entre meu pai e meu tio! – Aisha respondeu com naturalidade.

– Como assim? Você conhece seu pai e seu tio? Digo, conheceu antes de te buscarem para vir para cá?

– Buscarem? – Aisha piscou os olhos sem entender a pergunta.

– Não foi seu pai quem te buscou para vir para cá?

Lara e a menina morena estranharam ao ver Aisha abrir um sorriso amarelo.

– Na verdade...

– O que você está fazendo aqui? – as quatro meninas se sobressaltaram com a presença do quinto elemento no quarto, mas Aisha parecia a mais afetada delas.

– Pa-papai? – a voz da loirinha estava trêmula, mas de surpresa, não de medo como as demais.

– Pai? – outra menina, loira e de olhos verdes, perguntou, mas Apolo simplesmente a ignorou.

– Aisha, responda o que eu perguntei. O que está fazendo aqui? – o deus do sol repetiu a pergunta pausadamente, fitando a filha com uma expressão severa.

– APOLO! – todos olharam para a porta, que acabara de ser aberta pela mesma mulher que havia falado na reunião – Por que está aqui?

– Helena... – a voz do deus estava ainda mais cortante ao falar com a guerreira preferida de Zeus – Por que minha filha Aisha está aqui?

– Você é quem deveria saber! Ela chegou com as demais crianças que você enviou.

A loirinha se encolheu perante o olhar severo que a mulher lhe lançou.

– Eu entreguei doze de meus filhos, mas Aisha definitivamente não estava entre eles! – Apolo estava furioso ao fitar Helena, mas ela não se deixou intimidar por isso.

– Eu recepcionei pessoalmente cada uma das meninas. Aisha foi entregue por Hermes juntamente com as demais!

– Isso é uma mentira! Meu irmão sabe que eu jamais a entregaria.

– Papai, na verdade... – Aisha deu alguns passos hesitantes na direção do deus do sol, olhando-o com uma expressão que estampava a culpa que sentia.

– Como você chegou aqui? – Apolo e Helena perguntaram ao mesmo tempo. Enquanto isso, as demais meninas fitavam o trio sem entender coisa alguma.

– Eu coloquei uma capa e me misturei entre as meninas que viriam para cá. O tio não sabia que eu estava entre elas!

– Por que fez isso? – a expressão de Apolo não mostrava mais fúria, mas descrença – Você não deveria estar aqui! – ele se aproximou da filha e se agachou para ficar na mesma altura que ela.

Helena e as demais meninas observavam silenciosamente a conversa entre pai e filha.

– Eu quero me tornar uma guerreira celestial e lutar ao lado de Zeus para defender a humanidade! – Aisha fitava o pai com um nervosismo nunca sentido antes.

– Se quer lutar, pode ser ao meu lado. Não precisa vir tão longe!

– Ser uma caçadora não seria a mesma coisa, papai. Você sempre me protegeria e me trataria diferente dos demais guerreiros. Servir a Zeus é a minha única chance de ser verdadeiramente forte!

– Ela está certa, Apolo! – Helena resolveu se manifestar. As palavras de Aisha a impressionaram. Era difícil acreditar que uma menina tão pequena tivesse convicções tão fortes.

– Não se meta no que não é da sua conta! – o deus retorquiu com raiva.

– Por favor, pai...

– Aisha, você é a minha menininha! Como pode me pedir isso? Faz ideia do quanto este treinamento será duro? Você pode até morrer... E aqui eu não posso te proteger.

– Tudo o que seu pai diz é verdade. Se escolher ficar aqui, será tratada da mesma forma que as demais garotas. Se quiser ir embora, esta é a sua chance. Não poderá se arrepender depois! – Helena se sentiu no dever de avisar Aisha, mas realmente torcia para que a menina escolhesse ficar ali.

– Papai, me deixe ficar! – a pequena olhava o pai com olhos pedintes.

– Por favor, volte comigo! – Apolo puxou a filha para seus braços e a apertou com força contra o peito – Eu te amo, não quero ficar longe de você.

– Também te amo, papai. Mas eu quero ser forte o bastante para me proteger e proteger os outros. Esta é a minha melhor chance! – Aisha retribuiu o abraço do pai.

– Está bem. Mas me prometa que será forte, meu pequeno raio de sol. Eu não posso te perder!

– Eu prometo!

– Eu juro pelo Estige que sempre virei te visitar.

– Obrigada, muito obrigada.

Apolo abraçou a filha com ainda mais força antes de ficar de pé e soltá-la.

– Cuide bem dela, Helena, ou eu juro que nem mesmo meu pai poderá te proteger da minha ira!

– Darei o meu melhor! – a general fitava o deus com confiança, prometendo a si mesma se esforçar ao máximo para transformar a garotinha numa guerreira poderosa.

– Ótimo! – Apolo então pegou a filha no colo e beijou a testa dela com carinho – Cuide-se, meu amor! – após isso, teleportou-se de volta a Delfos.

– Você fez a escolha certa, Aisha! – Helena falou, aproximando-se da menina – Mas agora volte a dormir, você e as demais. Daqui a pouco é hora de levantar!

Lara, assim como as demais garotas, obedeceu à ordem dada, mas a atitude e as palavras de Aisha lhe deram força para suportar aquela provação. E, mais tarde, aquela admiração deu início à grande amizade entre Alison e elas, pois a morena também presenciara o que havia acontecido ali...

Lara não podia desistir de Aisha. Jamais. Alison e ela haviam estado ao seu lado em todos os momentos, amparando e dando força. Só a morte podia fazê-la parar aquela procura, mas talvez Chanter estivesse certa em um ponto. Ficar pulando de país em país não faria com que encontrasse a amiga. Precisava de um plano melhor. Mas qual?

Resolveu falar com a única pessoa que a entenderia. Fazia quase dois meses que não se viam. Estava com saudades.

– Lara? Aconteceu alguma coisa? – indagou uma voz do outro lado da linha. Pela hora, deveria ser uma emergência.

– Ali, é tão bom ouvir sua voz. Estou sentindo tanto a sua falta, sua e da...

– Eu sei, também sinto, mas não chore! – Alison sentiu o coração se quebrar ao perceber a tristeza na voz da amiga e ouvir os soluços que denunciavam seu choro.

– Eu quero te ver. Por favor, Ali! Preciso dar uma pausa nisso tudo ou vou acabar enlouquecendo...

– É claro que vamos nos ver, boba. Não precisa pedir duas vezes. Quando e onde quer me encontrar? – a egípcia usava a voz mais leve que conseguia, preferindo ocultar sua própria dor. Precisava fortalecer Lara a qualquer custo. Não podia deixá-la desabar, como parecia prestes a ocorrer.

– Eu posso te buscar em Adis Abeba[1]? Queria que saíssemos juntas, como fazíamos antes de ela desaparecer. Um pouco de distração nos faria bem. O que acha de irmos naquela boate em Atenas?

– Tem certeza de que não prefere um lugar mais tranquilo?

– Eu não suporto mais tanta tranquilidade. Eu preciso beber e me distrair. Por favor...

– Tudo bem, Larinha. Dezenove horas é um bom horário pra você?

– É perfeito. Até amanhã então! Obrigada, Ali.

Falar com a melhor amiga aquietou um pouco o coração da filha de Ares. Pelo menos por algumas horas, tentaria fingir que estava tudo bem. Depois disso acharia uma forma de encontrar a filha de Apolo. Com aquele pensamento em mente, finalmente conseguiu se acalmar um pouco e adormecer. As preocupações ficariam para a manhã seguinte...


Notas Finais


Nota explicativa:

[1] Adis Abeba é a capital da Etiópia.

E entãooooooo? O que acharam dos acontecimentos após este salto no tempo? E o que acham que aconteceu durante este período? Pleaseeeeeee, deem-me as teorias! Só adianto que muitas coisas interessantes ocorreram, algumas bem inesperadas e que devo ir revelando aos poucos...
Ah sim, quando eu disse que a Ali presenciou o que aconteceu ali, é porque ela era a menina morena no quarto; já a outra loirinha, que chamou Apolo de pai e foi ignorada por ele, era a Chanter.
Beijinhos, até o próximo!


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