História Guerreiros de Midgard : Almas da Mudança - Capítulo 22


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Categorias Ragnarök
Personagens Personagens Originais
Tags Almas, Arquimago, Atirador, Aventuras, Biolabs, Cavaleiro, Desordeira, Guerreiros, Jornada, Midgard, Mistério, Paladino, Prontera, Ragnarok, Rekenber, Rune-midgard, Sacerdotisa
Visualizações 12
Palavras 4.177
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Esse capítulo é bem descontraído (e awkward). Eu acabei gostando bastante de como ficou a cena do baile, eu não queria restringir muito, deixar mais aberto e simples, e eu também queria um capítulo mais assim, que aproximasse a todos.
Bão, espero que gostem!
E críticas são sempre bem-vindas.

Capítulo 22 - Uma Noite Inesquecível


- ..Ficar me lamentando não vai me ajudar.

 

Ian tentava se convencer ao longo das movimentadas ruas da capital do Reino. Resolveu que faria como o de costume; não era como se cada dia que vivesse não possuísse perigo à sua vida: Se seguraria em sua fé e seguiria em frente. 

 

Dessa vez o movimento da hora consistia de poucos mercadores e muitas pessoas bem vestidas; além de uma carruagem ou outra seguindo para o Castelo Real.

 

"Pobres pecos..."

 

Ia à passos lentos para a Igreja onde a sacerdotisa o esperava, agora atrasado pelo tempo que ficou sentado na cama - com os pensamentos na (pouca) vida que lhe restava.

 

E, não havia como pôr a culpa na garota ou mesmo ficar com raiva dela.. Havia uma certeza ali, e essa era que Karol salvou sua vida. Aliás: a estendeu.

"Mas, quem sabe a Karol já não tem a cura..? Como vou falar disso.."

 

Fitava as estrelas à procura de respostas para o futuro quando alguém lhe acertou um peteleco.

 

- Ai ?

 

Foi se virando para ver quem era o engraçadinho, mas esse se adiantou e pulou pro seu lado.

 

- Eaí, cara! Tá perdido ? Vai pra algum enterro? - Ele esbugalhou os olhos, encarando o paladino de cima pra baixo - VOCÊ VAI CASAR!?

 

Claro, quem mais falaria daquele jeito! 

Até mesmo indo pra uma festa como a que iria ocorrer, seu melhor amigo não deixava de ser cômico. Ele usava o traje formal que pediam, mas...Não exatamente.

 

Por cima, estavam a jaqueta de couro aberta e amarela da classe e a bermuda de mesmo material, ambas com aqueles estranhos toques de pelos brancos em algumas partes.

 

- Não, não e não - E Ian ri das perguntas - Estou indo pra esse baile aí.

 

E aí os olhos do atirador ficaram mais arregalados ainda.

 

- U, UUUQUEEeEE! VOCÊ! Indo pra lá?!

- É, ué.

- Ahn, te ameaçaram ? Como, COMO, te convenceram, se nem dizendo que vai ter DOCES, DOOOCEES ..você me ouviu? DOOOCES! Nem falando isso te convencia a ir !

 

O paladino riu da reação do amigo. Se alguém quisesse fazer o atirador cair em alguma pegadinha, era só fazer uma armadilha açucarada.

 

- Ha ! - Se lembrou do jeito que Karol o chamou- Eu acho que ela tava quase pra me ameaçar mesmo, haha.

 

O atirador sorriu, achando graça do comentário.

 

- Heh. Cara, essa garota é boa. Ela conseguiu te trazer aqui sem te ameaçar, amordaçar ou acorrentar e arrastar por Prontera até lá ..Imagina o resto. - Ele olhou pra cima por alguns segundos - Ha. - E deu uns tapinhas no ombro do amigo.

 

Ian estranhou aquilo, mas não é como se o amigo não fosse estranho.

 

- É. Imagino mesmo..- Concordou, com os pensamentos na preocupante mensagem. - ..Eles vão te deixar entrar assim ?

- Então! Sei lá ...eu to indo assim pra ver como reagem, sabe? Indo bonito, indo feio, indo azul ou azedo..A galere lá só quer saber de falar mal um do outro, mesmo.

- Uhuum. Tá. Conta a verdade agora.

- ...Droga. - Ele ri - Eu manchei essa porcaria com molho daquele estabelecimento totalmente confiável da esquina e não tava com a mínima vontade de limpar. Mas, eaí. Descobriu algo de novo hoje?

- É. Várias coisas. Mas ...

 

-------------

 

- Isso é bizarro.

 

Falou o suficiente da mensagem pro atirador entender, sem se importar (muito) com quem o seguia. Com o que sabia por agora, julgava que eram pessoas da Rekenber. A substância que Karol usara para o salvar não devia ser algo que a Corporação simplesmente dava pra qualquer um, então deveriam estar o observando. Claro, se a sacerdotisa se encaixar na descrição de "qualquer uma".

 

- Então, nossa serva de Deus preferida usou um ...jeitinho diferente pra te ressuscitar, hein?

- É o que nós estamos achando também.

- Hm..Eu tenho uma leve ideia de como te ajudar; de quem pode, aliás, mas vam' falar disso depois.

- ...Certo. Quantos são ?

 

Legolelo olhou pros lados à procura de algo.

 

- Fora esse zé ruela que respira como um porco andando do nosso lado, tem mais dois. Um até que anda sutilmente pelos telhados, mas camuflar o som de pulos é reservado pros grandes mestres do esconde-esconde. O outro...- Ele dá uma pausa e funga o ar algumas vezes; então fazendo uma careta e tapando o nariz- Urgh! Tá precisando parar de te seguir e tomar um banho. Ahn..deve ser algum novato em sua grande primeira perseguição, suando frio.

 

Assim que terminou os insultos, o atirador pendeu a cabeça um pouco pro lado e desviou de uma pedra, completando:

 

- Um arruaceiro novato? Deve ser...

 

Ele respira profundamente e, por fim, diz:

 

- Três. São três.

- Ah. Hm..Bom. Eu tive meu nome limpo há poucos dias, isso deve ser aceitável, depois daquela missão..

- Ah ? - Legolelo fez como se tivesse entendido algo e começou a falar com o "nada" atrás do paladino- Você tá servindo de bandeira branca, né? Por isso tá respirando que nem um Selvagem. - Aí deu uma risada- Mas o pagamento é bom, não é? E nós vamos comer de graça. Então, faz um favor pra nós dois e respira que nem gente. - Ele levanta o dedo, anuindo com a cabeça - Isso, isso.

- ...Cara, como você sabe disso ? - O paladino ri e pergunta, mas sua verdadeira dúvida era sobre como a pessoa que atirador insultava não havia o esfaqueado até agora.

- Ah. Todos que já trabalharam com certo tipo de contrato devem saber disso. A guilda ou o contratante mesmo explica. Afinal, são muito poucos os que estão dispostos a mexer com algum queridinho dos mercenários e amanhecer cheio de furos.

- Hm..É, faz sentido.

- Mas, bão! Olha só . Esse amarelo até que ficou bonitinho nela. E, humm..Que amigas boas. Booaas.

 

De onde estavam, a única coisa que Ian conseguiu enxergar era um vulto amarelo e o que pareciam mais duas pessoas.

 

- ...

- ..Eaí ? Não vai falar nada ? - Legolelo parou e pensou um pouco - Aaaah, é! - E falou em deboche - Você não enxerga lá, né ? Que peeena.

- ..Já te chamaram de babaca hoje ?

 

O esquisito do cabelo rosa responde imitando uma cara cômica de tristeza, olhando pra frente e balançando a cabeça pra cima e pra baixo.

 

- Todos os dias...todos os dias.

 

E eles riram.

 

- Mas hein... - Legolelo cerra os olhos na direção do trio de garotas, que ficava cada vez mais próximo - Você . . .êita. - Ele olha pro paladino; parecia até meio assustado - Iiih.

- Que foi? Se cagou ?

 

O amigo fica alguns segundos em silêncio.

 

- ... Êita. Boa sorte.

- Com o que ?

- Heh. Você vai ver. Er, então...eu vou indo na frente. - Ele disse apressado - Eu preciso... guardar a mesa de doces..!  Boa sorte com o trio que gosta da parada dura.  - E saiu correndo.

 

O paladino cerrou os olhos por o motivo do amigo correr parecer uma desculpa e com o que ele disse depois...

 

....

- NÃO PODE SE

 

Exclamou ao ver quem eram as duas pessoas que conversavam com a sacerdotisa. Agora entendeu porque sair correndo dali era uma boa..

 

" Ruiva..! Loira..! E aquela branquela, no final das contas, era!"

 

Karol avistou Ian e foi até onde ele estava e, por alguma sorte divina, Ruby e Owen se despediram e entraram na Igreja.

 

" ...Essa foi por pouco."

 

Ademais distraído por o que acabara de descobrir, não percebeu o quão a garota estava diferente enquanto ela vinha em sua direção.

 

- Oi, gatão! - Karol animadamente falou.

 

Ao menos ela parecia estar bem melhor.

Ian, por outro lado..

 

- O-oi.

 

Só conseguiu soltar um constrangido "Oi", fazendo a sacerdotisa o olhar brevemente como se esperasse algo mais.

 

- ..Tudo bem?

 

Karol pareceu desapontada por um momento, mas seu sorriso logo voltou.

 

As lembranças que vinham à tona o faziam não prestar atenção no que fazia - ou no que deveria ter feito.

 

" Só hoje..eu já descobri que ela é uma espiã dupla; que ela realmente me tornou uma cobaia da Rekenber e que ela é muito..."

 

Refletindo melhor sobre o que acabara de descobrir, soube que aquilo era a menor das menores..."Aliás", nem deveria ser uma preocupação; agora que conhecia melhor como era a pessoa que mais conseguiu o constranger nos dias de treino espiritual na Igreja como espadachim transcendido. Mesmo Ruby - a sacerdotisa ruiva que sempre achava cantadas novas; tão ruins quanto as de um ferreiro, toda vez que topavam pela Igreja - não conseguiu o constranger tanto quanto ninguém menos que Karol naqueles dias.

 

- Bem, na medida do possível. Então...Por quê demorou tanto? - A pergunta não parecia a que ela queria fazer.

 

O paladino decidira - tentar - a tratar como de costume.

 

- A-ah. Pensando na vida.

 

Falhou.

 

- Huuum. - Foi o que ela respondeu, anuindo com a cabeça. - Sabe, eu recebi um bilhete estranho hoje...

 

Seria da mesma pessoa que escrevera para o paladino? Não importava, pois ele não prestou atenção no que a sacerdotisa disse. Um silêncio constrangedor iria tomar os dois, mas Ian acabou soltando:

 

- Então, Karol..Você gosta de espadachins, é?

 

 ...O que fez a garota franzir o cenho em surpresa e levantar uma sobrancelha; tanto com a súbita pergunta, quanto com a resposta que não esperava.

 

- De onde você tirou isso, seu doido?

- Ah..nada. Só.. uma coisa que lembrei..

 

Karol continuou a estranhar o que o paladino falara. Era muito provável que ela tivesse esquecido.

 

- ....Sei. Doido.

 

 Então, como se quisesse evitar mais estranhas perguntas, a sacerdotisa olhou de um lado pro outro pelas ruas da cidade, até exclamar: " Ah, chegou!".

 

O paladino procurou o que havia "chegado" e acabou por se deparar com uma carruagem, puxada por dois peco-pecos bem..enfeitados.

 

Melhor que a cara que o paladino fazia era a cara que os pecos faziam.

 

O cocheiro cumprimenta os dois e diz: " A carruagem vos aguarda."

 

Só que ainda encarava aquilo como se não acreditasse no que via.

 

" Mas..mas ! É bem aali...!"

 

E volta o olhar pra sacerdotisa sem dizer uma palavra, meio assustado.

 

- ... - Karol o encara de volta, então chega perto dele e sussura- OOh, você deve saber a dor que é ter que andar de saltos altos, né? Afinal, né, hehehe. - E ela aproveitou a chance pra caçoar dele. - Mesmo essa distância é um porre de salto alto. - E se afastou sorrindo.

 

Ian cerrou o olhar e deu como resposta um único sorriso maroto - pra surpresa da garota.

 

"...É. Você pediu pra eu me vingar agora."

 

- Eer..- Karol falou um pouco surpresa- E-então. Vamos, cavalheiro? - Ela fez questão de enfatizar.

 

O paladino preferiu ignorar o que quer que a garota tenha tentado dizer com aquilo, abrindo a porta do aparato que usariam para a longa viagem e a ajudando a adentrá-lo.

 

- Vamos, dama. - E enfatiza, como ela.

 

- Huum, obrigada. - Karol respondeu com ironia. - Ao menos isso você não esqueceu.

 

Ficou processando o que ela quis dizer mais uma vez, mas não chegou a qualquer conclusão.

 

.....

 

"Claro que eu não ia saber quem era ela...eu mal conseguia olhar na cara dela naquela época!"

 

Estavam ambos sem dizer uma única palavra sequer. Karol fingia que olhava lá pra fora, às vezes pras próprias unhas ou pro vestido amarelo, provavelmente constrangida pelo paladino. Seus olhos cerrados não paravam de a encarar.

 

Iria falar. E isso ainda poderia ser uma ótima vingança pelas piadinhas.

 

Não podia esclarecer as outras importantes dúvidas que surgiram pelo dia, "Mas essa!".  Aquele era o lugar perfeito e...provavelmente já estava sem tempo.

 

Reuniu, "forças", "coragem" e..!

 

 

- ..TARADA!

 

Soltou aquela palavra!

 

Uma cara de espanto sem igual perante a súbita acusação apareceu no rosto da sacerdotisa. Se recuperando rapidamente do choque, ela retruca:

 

- Mas...mas que! Que que foi isso agora ?! E-eu não sou isso !!

- Aah! Você não lembra, né! Daqueles dias...!

 

O garoto começou uma série de imitações exageradas e cômicas.

 

- "Nossa senhor espadachim, essa roupas parecem tão apertadas em vocêÊê, vem comigo..eu te ajudo a tirar !

 

Karol começou a ficar vermelha. Arregalou os olhos. Ela não acreditou de começo; preferiu não acreditar. Não era possível, é coincidência demais!

 

- " Senhor espadachim, reza aqui no meu rosário!" - Ele balança o peitoral de um lado pro outro rapidamente.

 

Karol ficava cada palavra mais vermelha e mais procurava por um buraco para se esconder.

 

- "Senhor espadachim, aposto que levanto sua espada melhor que você! "

 

E ele movimenta as sobrancelhas exageradamente e dá um sorriso debochado.

 

A garota cobriu o rosto com as mãos e deu muitas risadas nervosas em meio à "barragem" que o paladino fazia; a única coisa que ela conseguiu dizer foi :

 

- Meu Deeeeus! Você é aquele espadachim...!

 

- Pois é. Mas, pera aí! Tem mais! Beeem mais! Como é mesmo o sinal que você fazia? - Ele fez um "hmm" forçado- Ah, é! - Ele põe os dedos em forma de V na boca e movimenta a língua rapidamente- ...Claro, precisei de ajuda pra saber o que era, mas, caramba! Você, hein ?

 

Karol tentou falar "para", mas as risadas nervosas não deixavam e fizeram parecer que ela estava cantando com as mãos cobrindo a boca e a face totalmente vermelha.

 

- O que? "Fala mais" !? Tá bom! "Senhoooor espadachi-im, vem mostrar todo esse vigor no meu quarto!", e " Senhor espadachim ? Você ainda não passou no teste d.."

- NÃO, POR ODIN! - Karol dispara - CHEGA!

 

Levar lanças de fogo na cara, depois passar álcool e ir tomar Sol na praia deixaria uma pessoa menos vermelha que a sacerdotisa.

 

E agora o paladino sorria com uma satisfação..

 

Mas o clima ali ficou completamente estranho. Era capaz até do mais frio dos mercenários ficar envergonhado só de respirar aquele ar de constrangimento total que dominava a pequena cabine.

 

Karol fez o melhor que pode para recuperar a compostura; respirou profundamente uma ou duas vezes e falou:

 

- Ugh..Eu juro que não sou daquele jeito, Ian!

 

..E o tal Ian expressou o quanto ele acreditava naquilo com um “uhum” e um simples olhar .

 

- Olha..- A carruagem para, e Karol acaba por segurar a porta para que não abrissem.

- É pra algo indecente?

 

A garota ficou vermelha de novo, mas ignorou o paladino e declarou :

 

- Vê se entende, Ian; várias coisas tinham acontecido e aí aquelas duas apareceram na minha vida.. Eu tava tão empolgada que acabei caindo na delas...- E dá uma pausa- algumas vezes..

- ...Você fez isso com mais gente ?

- ...é.- E ela afundou a cara na mão.

 

Dava pra ver que ela estava arrependida..e ainda muito, muito envergonhada.

 

- B-b-bom. Era por isso que você estava estranho ?

 

O paladino desconsiderou o que não podia falar e concordou com ela.

 

- Que bom . - Então ela falou de um jeito manhoso- Você é mal..

 

Aquilo foi fofo.

 

- .. Você também foi. - Ian retrucou, rindo.

 

 Por alguns segundos, o momento passou de "vergonha total" para...menos vergonhoso, enquanto os dois se olhavam encabulados. Então, concordam em descer.

 

A garota dá dois toques na porta e o cocheiro a abre, a ajudando na descida; com o paladino saindo logo depois.

 

A primeira vista do lugar foi algo surpreendente.

 

O portão estava impecavelmente decorado por faixas e iluminado graciosamente por chamas mágicas assim como a ponte que dava acesso. Tapetes ilustres sumiam Castelo adentro junto aos tantos passantes, chegando em carruagens que os esperariam no lado de fora. Guardas usavam armaduras brilhantes que mais pareciam peças cerimoniais do que algo útil em si, e um grupo de pessoas muito bem vestidas aguardava na entrada, cumprimentando todos que entravam.

 

"Confesso que isso é bem mais do que eu esperava..."

 

 Havia um ar ali; um ar muito convidativo. Era como se todos estivessem animados com o que ia acontecer ali. Era como se precisassem daquilo.

 

Talvez a noite fosse ser muito mais do que simplesmente pensou que seria.

 

Assim que se veem na entrada do que parecia ser uma grande comemoração, Karol diz:

 

- Bem. Eu vou falar formalmente aqui. Um pouco além, ainda..

- Certo..Vou te acompanhar nessa chatice também.

- Hihi. Brigada. Mas..huum..Eu só precisava de uma coisa agora, Ian.

- O que?

 

Ela se põe em uma postura fofinha e pergunta:

 

- Estou bonita ?

- Ah.

 

" ... Era por isso que ela tava daquele jeito... Ops."

 

Agora reparando melhor na sacerdotisa, viu o quão bela ela estava. Os cabelos negros eram presos em um elegante coque, deixando duas mechas ondularem pelos ombros; esses que, por sua vez, ficavam à mostra, com uma fina e bem detalhada malha amarela descendo seus braços. Um tecido de mesma cor e menos transparente cobria seu pescoço, realçava seus seios até seu quadril; onde então formava um grande e exuberante vestido para completar o deslumbrante visual. Em suas orelhas brilhavam um par de brincos de onde pendiam pequenos cristais de cor celeste; além do lacinho rosa não ficar de fora nem naquela ocasião, apesar de estar apenas amarrando o coque como se fosse uma fita simples. Um perfume também vinha dela; um cheiro que não conseguia identificar. Um aroma de flores; um sutil lembrete de rosas e jasmins? Não sabia. Acabaria se perdendo mais na garota, até se concentrar em seu rosto..

 

Suas bochechas estavam ligeiramente rosadas; os olhos possuíam certo brilho e, a boca, uma cor suave e provocante.

 

Karol coçou o nariz, demonstrando um pouco de vergonha na fala.

 

- E-então? Estou ?

- ..Sim. – Ian passou a mão atrás da cabeça, desviando o olhar com um pouco de vergonha - Muito.

 

A sacerdotisa não pareceu saber bem como reagir ao elogio sincero. Ela respondera apenas com um sorriso encabulado, estendendo uma mão ao paladino.

 

Então, juntos, adentraram a pomposa festa. Nas paredes vinham lindos tecidos; do teto, lustres com uma iluminação surreal. O vasto salão de festas se abriu diante deles; diversas mesas o preenchiam e se viam nobremente decoradas; as pessoas, elegantes, a animação... contagiante.   

 

Ainda no corredor, um pouco mais escuro e ambientado como o salão..

 

- Karol.

- Oi?

- Eaí, "este galante traje está deveras justo à minha pessoa"? - Ian a provocou, em tom de deboche. Com estilo.

 

A garota ficou um pouco vermelha, mas ela manteve a compostura e ainda retrucou com elegância.

 

- ..De fato está, meu airoso companheiro.

 

Ian olhou pra cima com a cabeça um pouco inclinada, como se procurasse o significado da palavra no ar; o que fez a sacerdotisa dar um sorriso discreto de vitória, enquanto passavam elegantes pelo corredor e cumprimentavam todos os outros por ali.

 

- ..Mas..- Ela deu uma risada abafada- Eu gostei.

 

-X-

 

Legolelo e Ian estavam sentados e conversando à uma das diversas e bem-decoradas mesas, espalhadas pelo cheio salão. Em cima dos belamente desenhados panos que as cobriam, copos com sortidas e saborosas bebidas reluziam à luz das velas em candelabros, dividindo espaço com pratos bonitos cheios de petiscos rune-midgardianos, como crótons temperados com ervas vermelhas e pequenos sanduíches cremosos. A iluminação mais escurecida dava uma ambientação única pra tudo ali. Garçons e garçonetes passavam e passavam, levando de tudo que se podia pensar em bandejas, enquanto muitas pessoas, elegantes aos seus próprios modos, também competiam seus espaços com eles, conversando, se galanteando; iniciando a festa.

 

Uma banda de Comodo deixava sua magia tocar os ânimos de todos ali, odaliscas dançavam e hipnotizavam em pares e sozinhas no palco, bardos tocavam belos instrumentos e cantavam em duetos com elas e entre eles ritmos inspirados, que encantariam a todos ali por todas suas vidas; músicas com gosto de nostalgia, de calma, de amizade e animação; com gosto de amor e de aventuras ainda a ser descobertas.

 

Alguns pares já aproveitavam para dançar; pessoas se recostavam à pilastras e paredes conversando e se divertindo, outras faziam isso sentadas, muitas esperando pela grande hora.

 

Com um tempo já de festa, os cavaleiros e guardas puderam trocar seus trajes e finalmente participar. A solenidade se completava com um discurso acalorado do Rei sobre como ele agradecia à população e ao reinado, sobre como ele os amava, agradecia a todos os guerreiros que serviam Prontera e sobre como todos ali deveriam aproveitar a chance que estavam tendo; fechando com um copo levantado para cima que seria acompanhado por todos ali.

 

- Vá aproveitar, pequena.

 

E foi isso que Karol foi fazer, deixando o lado do Rei, porque uma chance como aquela de se divertir era impossível de não agarrar. Todos ali, como ela, precisavam daquele ânimo, daquele ar, da música e da descontração que toda a ocasião oferecia. Seus corações precisavam de um pequeno descanso; uma pausa nos pensamentos sobre o futuro.

 

Estavam à mesa, então: Ian, Legolelo, Viton e Mahzinha que chegaram ambos deslumbrantes juntos, Lisara, com uma elegância admirável, e Karol, trazendo um ânimo contagiante para ali. Conversaram animadamente, até que Feerus e Maya também chegaram e completaram a equipe, com um entusiasmo que todos partilhavam. Brincaram um pouco na pista de dança e encontraram Amu e Luhan dançando agarradinhos; e mais gente se juntava naquela noite memorável ao grupo. Chegaram até a avistar Gori uma hora, mas, discreto como ele era, não o avistaram mais pelo resto do grande baile.

 

O salão estava cheio. Todos estavam felizes, animados. A música estava excelente, a ambientação, memorável.

 

Tudo ali...

Era tudo que simplesmente... se tornaria inesquecível.

 

Não eram cavaleiros, mercenários, bruxos, sacerdotes ou bardos naquela noite. Não eram guerreiros. Eram pessoas, noite à dentro se divertindo como podiam.

 

Cantaram e conversaram, dançaram e trocaram risadas. O mundo acompanhava o balanço daquela festa, feliz em ver ao menos parte de seus guerreiros sendo pessoas por um dia.

 

Algumas vezes os casais escapavam e iam trocar amores pelo lugar. Outras, solteiros não eram mais por um tempo.

 

Quando a hora da grande dança chegou, sabiam, que mais do que antes, era hora de se entregar ao momento. Hora de chamar para dançar aqueles que o coração mandava, hora de, quem sabe, se declarar e tentar a sorte. Quando a música lenta, um e dois e um.. e dois, começou, a energia do lugar era outra. Era linda, nostálgica. Calma, e, ao mesmo tempo, aventuresca, aconchegante. Era como se todos ali fossem amigos ou amores de longa data por uma simples noite.

 

No escuro ambientado para a dança, até Legolelo arranjara um par. Lisara foi surpreendida por Lawrence, seu subordinado templário, com um belo convite e bem ensaiados movimentos, e Ian e Karol estavam perdidos no olhar um do outro. Amu e Luhan discretamente se mesclavam com os outros dançantes, mas seus passos eram lindos de ver. Viton e Mahzinha roubavam a atenção para si deixando a paixão os guiar em uma dança admirável, e Feerus e Maya se olhavam e dançavam com um amor visível, lindo, de se sonhar. A pista de dança estava repleta, de velhas e novas, belas histórias, de fins e começos, pra lá e pra cá...

E todos ali queriam apenas um algo em comum,

e era a noite não ter por hoje; que não tivesse, que não viesse, ao menos uma vez,

com um

...fim. 

 

-------

 

Karol, descalça, e Ian, segurando a mão dela, corriam na frente enquanto os amigos tentavam os jogar coisas. Lisara segurava seus doloridos sapatos em uma mão e se apoiava em Lawrence na outra. Feerus carregava Maya nas costas, que dormia de um jeito engraçado. Legolelo e uma moça conversavam animada e até um pouco maliciosamente, e Amu ia de olhos fechados, escorada no braço de um corado Luhan. No final da ponte do Castelo de Prontera, Viton e Mahzinha conversavam de um jeito bem apaixonado. Pelo caminho estavam algumas pessoas desmaiadas, algumas outras tentando as acordar. As antes lindas luzes chamejantes que decoravam a entrada e a ponte já não se faziam tão impressionantes competindo espaço com o Sol raiado. O cansaço já tomava conta de todos ali, mas a felicidade demoraria muito para sumir. Muito.

 

A festa, infelizmente, chegou ao fim, para eles, com a outra manhã. Karol convidou a todos para dormir em sua casa, e assim fizeram. Foi uma grande, divertida bagunça, para fechar muito bem aquela linda, animada e agradável... noite inesquecível.

 

Os casais ficavam em um dos vários quartos, os não tão solteiros assim dormiam em camas no chão e nos sofás. Legolelo dormiu na varanda, sob um céu diferente, uma fresca brisa. E Ian, vendo o quão todos ali estavam bem, roncando, dormindo com sorrisos nos rostos; alguns juntos, vendo o quão divertida foi aquela noite, se aconchegou em cobertores no sofá com um belo sorriso.

 

Mas...

 

- ian..ian. tá acordado ? – alguém sussurrava pra ele, o cutucando levemente.

 

Quem disse que já havia acabado?  

 

 



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