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História Guiadas pelo Amor - Capítulo 23


Escrita por: AbreuParrilla

Notas do Autor


Olá anjos, finalmente chegamos na última parte do que inicialmente eu tinha planejado como sendo um capítulo, mas que no fim das contas se dividiu em 3 capítulos (o 21, 22 e agora 23)! 😂😂 Demorei um pouco pra voltar mais por motivos de estar passeando um pouco com a família aí acabei ficando sem internet, minha 3G não carregar nem as mensagens do WhatsApp. E também porque eu estava sem um mísero segundo de silêncio e paz pra finalizar alguns detalhes do capítulo e revisar. Só consegui ter isso agora! Kkkkk
Não sei se vocês também são assim, mas eu muito raramente consigo fazer as coisas no meio de um monte de gente falando alto, gritando… o tumulto só me atrapalha quando preciso fazer algo importante e que exige atenção.

Bem, mas agora que consegui uma brecha… 😅 Boa leitura! Aguardo os surtos de vocês (inclusive do povo que tá sumido e só de 👀). hahaha 😘

Capítulo 23 - Tempo


Fanfic / Fanfiction Guiadas pelo Amor - Capítulo 23 - Tempo

 

Parecia não ter passado muito tempo desde que elas finalmente adormeceram novamente, mas os raios de sol já alcançavam a janela do pequeno quarto e consequentemente, o rosto de Gwendolyn.

 

A ruiva despertou e aos poucos se acostumou com a luz da manhã. Logo pondo seus olhos na figura da companheira ainda adormecida em seus braços. Ela reparou que Mildred havia se mexido durante a madrugada e que isso fez com que o robe afrouxasse. 

 

A secretária teve um pequeno vislumbre dos seios, parte da barriga da morena e da perna que estava sobre a sua.

 

Na noite anterior, quando ela viu Ratched sair do banheiro com a camisola dobrada nas mãos e depois de ouvi-la confessar que não tinha outro pijama, ela imaginou que Mildred estava usando apenas o robe. Mas ter a certeza através daquela imagem da mulher pela manhã… aquilo mexeu com ela.

 

Apesar da situação, seu coração acelerou e ela pôde sentir o calor do seu corpo, que já estava aquecido por estar abraçando a enfermeira, aumentar. Bennett teve que se esforçar para não deixar a própria respiração sair do controle ao ponto de acordar a morena.

 

Se fosse uma situação diferente ela com certeza admiraria e acordaria a companheira com muitos beijos e carícias amorosas, e então elas aproveitariam o momento - assim como Mildred lhe disse que gostaria de fazer.

 

Quero isso como nunca quis algum dia.” “Quero fazer a mulher que eu amo se sentir bem!” Ela lembrou das falas em que Ratched revelou os desejos e os planos que tinha. 

 

Bem, mas infelizmente a realidade era diferente. 

 

E a única coisa que a secretária fez foi aproveitar a pequena abertura do tecido para checar se havia algum resquício de ferimento que pudesse ter sido causado por Tolleson. Afinal, ela não conseguia deixar de estar preocupada com o que a mulher havia lhe revelado após o pesadelo.

 

Ela observou cada centímetro que o pano não cobria, e viu marcas que não aparentavam ser recentes.

 

Isso a confortou de certa forma, porque significava que Edmund não havia encostado em Mildred, mas mesmo assim, a ruiva sentiu aquele aperto forte no peito. O coração doendo por ver e ter certeza de que aquelas eram apenas algumas das muitas marcas que o passado havia deixado na morena.

 

Gwendolyn fechou os olhos tentando conter o choro que já apertava em sua garganta.

 

Então ela tentou tomar uma longa respiração e não resistiu em abraçar a companheira um pouco mais perto.

 

 

— Baby? — a morena chamou com a voz ainda arrastada de sono. 

 

 

Bennett olhou para baixo, da forma como conseguiu, e então ela percebeu que a mulher ainda estava com os olhos fechados. Provavelmente ainda dormindo. 

 

 

— Durma um pouco mais, querida. Ainda há tempo. — a ruiva sussurrou baixinho.

 

 

Ela não obteve resposta por parte da enfermeira, o que indicava que Mildred havia voltado a dormir. 

 

A secretária então se perdeu em pensamentos e acabou adormecendo novamente.

 

 

 

XXX

 

 

 

Mildred havia acordado há pouco tempo, mas ela sequer se mexeu ou pensou em proferir alguma palavra. A morena queria desfrutar ao máximo do calor e da segurança que a envolviam. Ela ainda não estava preparada para se soltar do abraço da ruiva, principalmente por ainda estar sendo assombrada pela possibilidade de nunca mais poder estar naqueles braços.

 

Ratched respirou fundo e tentou aproveitar mais daquele momento, mas o despertador logo tocou e ela precisou se levantar do ombro de Gwendolyn e se afastar para que a mulher pudesse desligar o aparelho. 

 

Foi então que ela percebeu que o robe estava completamente frouxo e que partes do seu corpo ficaram descobertas por muito tempo.

 

A enfermeira então se lembrou de ter escutado a voz de Bennett em algum momento enquanto ainda estava sonolenta. 

 

“Se ela tiver visto… Se tiver pensado que foi proposital e que estava desrespeitando seus pedidos, tentando mudar a decisão dela de alguma forma…” Mildred pensou balançando a cabeça em negação enquanto se virava de costas para a companheira, já sentindo o rosto arder de vergonha.

 

Quando o alarme parou de tocar, ela sentiu o colchão se mexer e olhou para trás brevemente, encontrando a ruiva sentada de lado olhando na sua direção.

 

Nenhuma delas havia dito uma palavra até então.

 

O ar parecia pesado, exatamente como depois da discussão.

 

Ambas se sentiam como se os momentos durante a madrugada tivessem sido parte de um sonho e agora a realidade havia caído completamente sobre elas, como um balde de água fria.

 

Tudo isso com que a morena engolisse em seco e hesitasse antes de se pronunciar.

 

 

— Bom dia. — desejou com o tom de voz baixo beirando a relutância.

— Bom dia. — a secretária desejou de volta contraindo o canto da boca em um pequeno sorriso, mas que aos olhos da enfermeira, pareceu forçado, devido à tensão entre elas — Você dormiu melhor depois.... ?

— Sim. Obrigada por... me acalentar e… bem, obrigada por tudo. — a enfermeira agradeceu e logo desviou o olhar, sentindo o rubor ficando mais forte em suas bochechas.

 

 

Bennett mordeu o interior da bochecha tentando conter um sorriso ao se lembrar do momento em que a morena corou diante do questionamento sobre o quê a ajudava a se sentir melhor depois dos pesadelos. 

 

A secretária respirou fundo enquanto balançava a cabeça, como se tentasse afastar os pensamentos para voltar à realidade.

 

 

— Bem, eu preciso tomar um banho e me arrumar para a reunião. Tudo bem se eu fizer isso antes de irmos tomar café? — Gwendolyn perguntou enquanto se levantava da cama e ia até a própria mala pegar sua roupa.

— Claro! Não há problema algum.

— Okay.

 

 

Elas ficaram em silêncio, com a ruiva segurando a roupa dobrada e a toalha nas mãos e Ratched ainda sentada segurando o robe firmemente para que ele não abrisse.

 

 

— Você quer usar o banheiro antes que eu entre?

— Não, está tudo bem. Eu posso usar depois. Vou arrumando as coisas aqui enquanto isso. — a enfermeira garantiu.

 

 

A Bennett acenou em concordância e se retirou para o banheiro. 

 

Quando Mildred ouviu o barulho da porta sendo fechada, ela respirou fundo tentando conter algumas lágrimas que ardiam em seus olhos, fruto da decepção e da tristeza por ser a causadora de tudo aquilo.

 

 

 

 

 

 XXX

 

 

 

 

O restaurante não estava tão cheio quando chegaram e elas agradeceram por isso, pois dessa forma ambas poderiam tomar o café da manhã sem muita demora para serem atendidas, e com calma para apreciarem a manhã. 

 

Gwendolyn havia conseguido o jornal do dia e seus olhos vagavam rapidamente pelas notícias.

 

Enquanto isso Mildred permanecia observando o local e a vista através da janela. Ela estava tentando disfarçar o incômodo que sentia diante do silêncio entre ela e a companheira, mas a cada segundo que passava ela se sentia ainda mais angustiada.

 

Então os olhos castanhos se voltaram para a figura da secretária e, após pensar várias vezes, a morena se pronunciou.

 

 

— Alguma notícia?

— O quê? — Bennett perguntou ao ser pega de surpresa e não ter prestado a devida atenção na pergunta da enfermeira.

— Há alguma notícia diferente?

— Aparentemente não. Parece que apenas repetiram as notícias do dia anterior e adicionaram apenas novidades de entretenimento e promoções.

— Hum…

 

 

Ratched não disse mais nada, ela não sabia o que dizer, na verdade. Então apenas desviou a atenção da mulher, ou ao menos tentou. 

 

A ruiva percebeu o pesar e o desconforto nas feições da companheira e dobrou o jornal, colocando-o sobre a mesa.

 

 

— Está tudo bem? — Gwendolyn perguntou, atraindo os olhos castanhos novamente para si.

— Sim. Tudo bem. 

— Você teve alguma notícia diferente quando ligou para o hospital ontem? — a ruiva resolveu perguntar, imaginando que aquela aura pesada também poderia estar sendo causada por uma má notícia vinda de Lucia.

— Não. Altman disse que estava tudo bem, todos os pacientes bem, recebendo os devidos cuidados e com os quadros estabilizados. Apenas Celine que não estava conseguindo dormir. 

— Oh pobrezinha! E você procurou saber o porquê dela não estar conseguindo dormir? — a secretária perguntou, visivelmente preocupada.

— Rosy disse que ela não quis falar nada para ninguém. — a enfermeira respondeu e percebeu Bennett ficando ainda mais preocupada, com as feições tensas. — Mas então eu consegui falar com ela e Celine me disse que estava com saudade de nós duas. — explicou dando um pequeno sorriso de canto.

 

 

Gwendolyn sentiu um forte aperto no peito ao escutar que a pequena estava com saudade das duas mulheres. Ela quase se arrependeu de ter convidado a morena para fazer aquela viagem, uma vez que ela imaginava que a ruivinha provavelmente não sentiria tanto se tivesse a presença da morena.

 

 

— Ela perguntou por você. — Ratched continuou.

— Perguntou? — a secretária questionou com a voz falhando, já sentindo algumas lágrimas queimando nos olhos.

— Sim. Ela até pediu para falar com você! — Mildred disse não conseguindo conter o enorme sorriso surgindo em seu rosto. — Mas eu disse que você estava dormindo e que lhe falaria para ligar para o hospital quando pudesse… para falar com ela.

— Claro! Eu irei! — Bennett confirmou de imediato — Só não vou ligar agora porque, ainda é muito cedo, ela deve estar dormindo.

— Sim, acredito que sim…

— Então, mais tarde eu ligarei.

— Ela vai amar falar com você! Ela te ama, Gwen. Você é muito especial para ela! — a enfermeira disse e não conseguiu conter algumas lágrimas, assim como a ruiva também não conseguiu.

— Você também é!

 

 

Ambas sorriam grandemente, mesmo em meio as lágrimas, mas quando perceberam que o garçom estava trazendo o pedido, elas enxugaram rapidamente o rosto. 

 

 

— O café de vocês, senhoritas.

— Obrigada! — responderam em uníssono.

 

 

 

XXX

 

 

 

Nenhuma palavra mais havia trocada. Elas comeram em silêncio e dessa vez foi a secretária quem se distraiu olhando para a paisagem além da janela.

 

 

— Gwendolyn?

— Sim?

— Está tudo bem? Preocupada com alguma coisa… com essa reunião?

 

 

Ratched fez a segunda pergunta de uma maneira um tanto hesitante, tentando demonstrar que só estava interessada em saber sobre a ruiva, não sobre o assunto da reunião em si. Afinal, a enfermeira estava ainda mais temerosa em passar a impressão de que estaria perguntando sobre o trabalho da ruiva para tirar proveito das informações.

 

 

— Oh não. Não tenho preocupações com a reunião. Estou bem com isso.

— Que bom! — a morena disse, no entanto, não resistiu em perguntar novamente — Mas… há algo lhe preocupando? Você me pareceu pensativa de repente.

— Bem… só estou pensando em algumas coisas que quero falar com Celine. — Gwendolyn revelou a fim de tranquilizar a companheira, mas além disso, aquela resposta pareceu despertar a curiosidade da mulher. — Pedirei para ela me ajudar em uma missão séria de lhe mostrar que não é um monstro. 

 

 

Mildred deu um pequeno sorriso ao ouvir a explicação da secretária, mas que logo se desfez ao pensar melhor sobre aquilo.

 

 

— Gwen… mas eu lhe pedi… você- você disse que não contaria à ela sobre tudo. — ela disse gaguejando devido ao nervosismo.

— Sim, eu disse e eu não falarei nada!

— Então como você chegará nesse tópico com Celine? 

— Ah… eu tenho minhas maneiras! — a ruiva respondeu com uma sobrancelha arqueada.

— Oh, claro, senhorita Bennett! — Ratched respondeu antes de levar a xícara de café aos lábios, na tentativa de disfarçar um sorriso que queria crescer em seu rosto.

 

 

 

 

 

XXX

 

 

 

 

— Governador Wilburn está extremamente preocupado com a segurança e saúde do povo, com isso ele vem apoiando alguns projetos em prol dessas melhorias. Ambos os focos estão concentrados, principalmente, no hospital de Lucia. Que, até então, é o único centro especializado em tratamento psiquiátrico do estado. E lá estão sendo desenvolvidos e colocados em prática muitos tratamentos para diferentes distúrbios, desde o mais brando até o mais grave. Um exemplo desse último, que andou sendo de grande ameaça para a sociedade, é o caso do assassino Edmund Tolleson. Ele está sendo mantido na área de maior segurança e privacidade do hospital, enquanto recebe o devido tratamento e aguarda a sentença merecida. 

 

 

 

Havia uma mesa grande onde todos os envolvidos com a política local estavam sentados. E todos prestavam atenção ao discurso de Gwendolyn, que estava de pé e era a única - além de Wilburn - que estava na reunião como representante do governo estadual da Califórnia.

 

Ela fazia o discurso com propriedade e segurança. Contudo, ela estava percebendo que os detalhes sobre os tratamentos e os pensamentos apoiados por Wilburn não lhes agradava.

 

E isso não demorou a ser confirmado, quando a palavra foi passada para o representante da cidade.

 

 

— Nós agradecemos o interesse e consideração, governador Wilburn. Mas receio dizer que não compactuamos com as ideias que o senhor vem apoiando. Como tratamento através da tortura e execução brutal, por exemplo. Diante disso, acreditamos que não há mais nada a ser tratado nessa reunião.

 

 

Aquele foi o encerramento mais curto e direto que Bennett havia presenciado em todo o seu tempo como secretária de imprensa.

 

De certa maneira, ela ficou aliviada por ouvir e saber que haviam pessoas na política que não eram apoiadoras de crueldades como Wilburn era. Mas por outro lado ela se preocupou com as consequências que aquela falta de apoio em Stockton resultaria.

 

Não demorou muito para que ela e o governador estivessem deixando o prédio que a reunião havia acontecido e o homem já estava extremamente raivoso e xingava aos quatro ventos. 

 

A ruiva agradeceu mentalmente quando o viu indo para um caminho contrário ao que ela precisava pegar para ir até o carro, onde Mildred estava lhe esperando.

 

No mesmo instante que a morena viu a imagem da companheira, ela percebeu que algo não estava bem. E quando Gwendolyn adentrou o carro e fechou a porta, ela teve certeza disso ao conseguir ver a exaustão da mulher.

 

 

— Pela sua feição, parece que as coisas não foram tão bem lá. — a enfermeira disse baixo.

— Não para Wilburn, pelo menos. Ele não conseguiu o apoio dessa cidade, o que pode passar a interferir diretamente nas decisões das outras, até mesmo as que já disseram que o apoiariam. — a secretária confirmou. — Temos que estar preparados para qualquer mudança de opinião de última hora, de qualquer forma. 

— Claro. Você está certa. 

 

 

Bennett fechou os olhos e encostou a cabeça no encosto do banco, soltando um suspiro pesado e sobrecarregado.

 

 

— Eu não sei como serão as coisas a partir de agora. No entanto, já sei que terei que me preparar para ouvir muitas reclamações e muitos xingamentos. — a ruiva lamentou soltando outro suspiro.

— Shii! Não pense nisso agora! — Ratched pediu enquanto colocava a mão sobre o ombro da companheira e movia o polegar levemente. — A reunião já acabou e não há motivos para ficar se sobrecarregando com os pensamentos do que pode ou não acontecer daqui para frente. Wilburn não conseguiu adiantar a data das eleições, conseguiu?

— Não. Não conseguiu.

— Pois bem. Ainda há tempo até que elas cheguem e as coisas comecem a ficar mais tumultuadas. Por agora, tente relaxar um pouco. Hun?! — a morena sugeriu.

 

 

A ruiva pareceu levar em conta a sugestão da companheira, uma vez que ela permaneceu quieta e com os olhos fechados. 

 

Aquilo fez Gwendolyn bocejar e ela de repente sentiu o peso do cansaço dobrar sobre seu corpo.

 

 

— Tente dormir um pouco, querida. — Mildred disse sem pensar o bastante para conter o apelido amoroso. — Você quase não dormiu noite passada. Pode ficar tranquila, eu estou bem para dirigir e já me certifiquei de verificar quais os melhores caminhos para a viagem de volta. Apenas relaxe. — completou enquanto dava partida no carro.

 

 

 

 

XXX

 

 

 

 

Já havia anoitecido quando elas chegaram ao estacionamento do hotel de Lucia. 

 

Bennett havia assumido a direção quase no fim da viagem, após elas terem parado em um pequeno restaurante. 

 

A morena estava com as duas mãos juntas sobre o colo e ela pressionava os próprios dedos, cutucava o canto dos polegares, tudo por conta do nervosismo e do temor que sentia cada vez maior.

 

Gwendolyn também não havia dado uma palavra. Todos os momentos daquele dia pareciam ter se resumido a isso: ausência de comunicação entre as duas, até que uma delas ousasse romper o silêncio.

 

Mas naquele momento, ela não sabia o que dizer diante da tensão que pareceu apenas crescer durante a volta. Suas mãos ainda estavam segurando o volante e seus olhos miravam o oceano diante delas.

 

Ratched respirou fundo tentando aliviar o aperto em sua garganta. Ela também estava tentando afastar a sensação de que aquele momento era o fim de tudo. 

 

Mas infelizmente ela não conseguia.

 

 

— Bem… Eu imagino que isso seja um adeus? — a enfermeira disse por fim, não suportando mais aquela angústia e quebrando o silêncio.

 

 

Os olhos azuis se voltaram para ela, que olhou para a companheira no mesmo instante.

 

 

— Um adeus? Não. Isso não é um adeus!

— Não? — Mildred perguntou baixinho, internamente se martirizando por, ainda assim, deixar a esperança e o alívio sobressaírem tanto em sua voz.

— Não. É apenas um “até logo”. — a secretária disse tentando tranquilizar a companheira, e também o próprio coração. — Eu apenas preciso de um tempo sozinha, para pensar em tudo, colocar as coisas no lugar que devem ficar… Eu não gosto de tomar decisões importantes sem ter os pensamentos em ordem.

— Claro. — a morena concordou.

 

 

Então a mente traidora de Ratched levou-a novamente para um caminho onde a última fala da companheira significava que ainda poderia haver um “adeus”. 

 

Ela tentou empurrar aqueles pensamentos para longe, voltando à realidade do momento e realmente dizendo coisas que eram importantes serem ditas.

 

 

— De qualquer forma, se cuide! Não faça muitos esforços e tente ir até o médico para ver sobre o incômodo que você vem sentindo… Ligue se precisar de algo… ou se quiser… eu provavelmente estarei no hospital nos próximos dias.

— Okay, enfermeira Ratched! — a secretária disse revirando os olhos, claramente implicando com a mulher. — Mas você também deve fazer isso!

 

 

No entanto, Mildred sequer conseguiu pegar o humor e a preocupação recíproca na fala da companheira, tampouco percebeu as lágrimas se acumulando nos próprios olhos até que uma delas já estivesse deslizando pela bochecha. 

 

 

— Ok. Bem… até logo então. — ela disse fungando e com o coração doendo enquanto saía do carro antes que não tivesse mais controle sobre o próprio choro e antes que tudo ficasse ainda mais doloroso. 

 

 

Ela apenas escutou Gwendolyn retribuir com um “até logo” enquanto pegava sua mala no banco de trás. 

 

A morena achou que tinha visto Bennett enxugar o próprio rosto. Mas antes que ela pudesse ter certeza e perguntar se a ruiva estava bem para fazer o caminho para a própria casa sozinha, o carro já estava se afastando. 

 

Ver a secretária indo embora foi ainda mais doloroso e fez com que a sensação de se sentir a pior pessoa do mundo ficasse ainda mais forte dentro dela.

 


Notas Finais


Então…
O que vocês acharam?

Pelo menos já tivemos a Gwen tranquilizando o coração da Milly e de todo mundo que tá lendo, de que é apenas um “até logo”.
Pra muitas coisas na vida, precisamos de tempo pra conseguir organizar e realizar da melhor forma como deve ser. Nem sempre conseguimos e nem sempre é bom querer resolver tudo de uma vez só, tudo no calor do momento. Né?!


Bem… Aguardo vocês nos comentários/mensagens, aqui no Spirit e/ou nas nossas redes sociais (Twitter: @shouldblikethis ) & (Instagram: @guiadaspeloamor ) 🙃🥰😘


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