História Gumiho - Capítulo 1


Escrita por: e monwriters

Postado
Categorias Monsta X
Personagens Ki Hyun, Won Ho
Tags B De Que, Gumiho, Kiho, Kihyun, Lendas, Monsta X, Monwriters, Winter Challenge, Wonho, Xcollab
Visualizações 71
Palavras 5.408
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ecchi, Fantasia, LGBT, Slash, Suspense, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


E aí galerinha do barulho, eu voltei hoje, BEM ATRASADA, com a minha primeira fic para o projeto Monwriters que teve seu comeback mês retrasado, esses são os tema e o casal do mês de julho que só consegui concluir hoje por falta de tempo e inspiração, mas pelo menos consegui terminar né mesmo? Essa história também faz parte do projeto “B de quê?” com o intuito de trazer a visibilidade bi para o mundo das fanfics e do winter challenge e é o tema 17 - que não tenha um final feliz, mas garanto para vocês que vale a pena ler, mesmo que o final não seja feliz, bom, na verdade fica aberto a interpretação, porque, pra mim, não foi necessariamente um final triste. ENFIM, estou me prolongando. Deixo aqui meu agradecimento a linda da Yasmin que fez a capa chuchuzinha de linda <3 e já peço desculpas pelos possíveis erros porque não revisei e provavelmente não irei revisar nunca mais, relevem, por favor. Sem mais delongas, espero que gostem de ler tanto quanto eu gostei de escrever, amo vocês e beijinhos da titia Jess Xx.

Capítulo 1 - Love a monster - único



Não sou um especialista em contar histórias como minha falecida tia avó era, mas prometo tentar o meu melhor para deixá-los entretidos. No entanto devo avisar que essa não é uma história inventada, aconteceu de verdade e eu, infelizmente, era o protagonista junto dele.

Eu morava fora da zona urbana, em uma casinha simples e antiga, quase uma casa de campo, trabalhava até tarde e exatamente por isso, naquele dia, eu dirigia meu carro velho pela rua vazia e silenciosa. O fim da rua trazia apenas a minha casa e, por esse motivo, eu era o único que transitava por ela, independente da hora do dia; o fato de eu fazer esse caminho todo dia a, pelo menos, dois anos não diminuía meu medo daquela rua deserta, mas naquele dia algo diferente aconteceu, uma coisa que quase me matou de susto e me fez gritar igual uma criancinha assustada.

Eu dirigia calmo e atento pela rua feia, vazia e silenciosa, olhava em todas as direções e, por causa do silêncio mortal, qualquer barulhinho me chamava a atenção, as folhas balançando por culpa do vento se igualavam a um furacão em meus ouvidos. No entanto, estava tudo normal, até que eu tive que desviar de um buraco, concentrando toda a minha atenção no ato e esquecendo-me totalmente de prestar atenção nos sons ao meu redor, e então eu gritei, gritei muito, enquanto apertava com força os pedais de freio e embreagem.

O carro cantou pneu, o som se misturando ao meu grito agudo, até que finalmente parou me jogando para frente e para trás com brutalidade e então eu o vi, parado ali a pouquíssimos centímetros do meu para-choque, encolhido, tremendo, machucado e quase despido. Ele era jovem, cabelos cor de laranja levemente compridos tapando os olhos e com o corpo coberto apenas por uma bermuda totalmente rasgada. Eu cheguei a pensar em buzinar como um louco até que ele saísse da minha frente, inclusive levei minha mão ao volante, pronto para expulsá-lo do caminho, mas desisti no segundo em que seus olhos se elevaram, encontrando-se com os meus.

Todo o medo que eu sentia simplesmente se esvaiu, seu olhar era inocente e assustado como o de um animal ferido e completamente assustado. E idiota como eu sempre fui, cometi meu primeiro erro de muitos que virão pela frente nessa história: levei-o para a minha casa e o ajudei.

Não vou dizer que aquela noite fora fácil, ou as noites seguintes, logo após tomar banho, e se acomodar em um colchão na minúscula sala, ele chorou até dormir e sem falar uma palavra sequer comigo. E isso se repetiu por um tempo, não é como se eu não tivesse tentado conversar com ele, eu tentei, muito, até desistir. Ele apenas me ignorava ou chorava mais ainda a cada pergunta.

A rotina se seguia a mesma, eu ia trabalhar e o deixava no sofá assistindo televisão e quando voltava, tarde da noite, ele estava no mesmo lugar. Recebia apenas um balançar de cabeça quando perguntava se havia comido durante o dia e seguia para o banheiro tomar um banho quente e relaxante. E foi assim que cometi meu segundo erro: não tranquei a porta do banheiro quando entrei.

A água caia em jatos quentes sobre meu rosto, eu estava totalmente distraído até que a porta abriu e eu quase cai no chão com o susto. Meu primeiro instinto foi de tapar minha área íntima e virar de costas para o intruso, isso até eu me lembrar que, provavelmente, minha parte traseira era mais reveladora que a dianteira. Com o rosto completamente vermelho e orelhas queimando de vergonha, peguei a toalha e me enrolei nela; estando um pouco mais decente - ao menos minhas partes íntimas estavam cobertas - finalmente dei atenção para o homem.

Ele tinha os cabelos alaranjados bagunçados e o rosto sem expressão, parecia indiferente a toda minha vergonha, embora me analisasse com minúcia.

― O que você quer? ― perguntei, mesmo que minha vergonha gritasse para que eu saísse correndo banheiro afora. Pensei que ele iria me ignorar como sempre fazia, ou que ele simplesmente abaixasse as calças para fazer sua necessidades, já que o estranho parecia não ter senso nenhum de vergonha e/ou espaço pessoal, mas ele sorriu, um sorriso tão lindo e brilhante que esqueci momentânea de toda a minha vergonha ou a falta de tato social dele.

― Kihyun. ― foi a primeira coisa que saiu da boca dele, além das lágrimas e soluços, desde que o vi e eu não poderia ter ficado mais feliz, assustado e encantado. Feliz e assustado pelo mesmo motivo, ele finalmente dirigir a palavra a mim depois de fingir, por dias, que eu sequer existia. E encantado por conta da sua voz, a voz dele era, de longe, a voz mais linda que tive o prazer de ouvir em toda minha vida.

― O que? ― perguntei. Aqui entre nós, confesso que fiquei tão encantado com a voz dele que de verdade não prestei atenção no que ele verbalizou; e então ele deu uma risadinha debochada - acho que ele riu de mim - que fez toda a minha vergonha voltar. Assim que percebi que parecia um idiota na frente daquele rapaz bonitinho minhas orelhas voltaram a pegar fogo e o desconforto tomou conta do local.

― Meu nome é Kihyun. ― explicou e simplesmente me deu as costas e saiu do banheiro. Devo ter ficado mais uns dez minutos parado olhando para a porta, pensando em nada, antes de me dedicar a terminar meu banho interrompido.

Depois daquele dia fatídico no banheiro duas coisas importantes aconteceram, a primeira foi que Kihyun mudou da água para o vinho a partir do momento em que eu saí do banho. O garoto que era calado e sempre reservado passou a ser um tremendo tagarela, ele falava de tudo e, principalmente, perguntava sobre tudo.

Descobri, com toda nossa conversa diária, que Kihyun não se lembrava de nada que aconteceu antes do dia que o salvei, mas descobri, no mesmo dia, que ele era um ótimo mentiroso. Mentiroso porque durante a noite ele chorou igual um bebê enquanto dormia, tremendo e pedindo para que não o machucasse, claramente sonhando com o dia que o acolhi na minha casa e com o que aconteceu antes de eu encontrá-lo.

A segunda coisa é que ele não mudou somente na parte de se tornar um tagarela, mas seu tato de espaço social diminuiu drasticamente também. Kihyun se sentia extremamente confortável em deitar ao meu lado na cama e dormir calmamente, me tocar mais do que o necessário para uma conversa, me abraçar demasiadamente - principalmente por trás enquanto estou cozinhando -, sentar no meu colo para assistir televisão, entre outras intimidades que ele me enfiou goela abaixo. O grande problema foi o que passou a acontecer com o tempo.

Já havia se passado duas ou três semanas desde a mudança de Kihyun, eu já estava acostumado com sua proximidade e intimidade exagerada, no entanto não estava nada preparado para mais uma mudança súbita em seu comportamento. Os toques que antes eram inocentes, apesar de intimamente desnecessários, tornaram-se desconfortavelmente maliciosos.

Foi um espanto quando Kihyun sentou em meu colo e passou a rebolar disfarçadamente, fingindo se ajeitar melhor sobre minhas coxas; lembro que cheguei a cogitar que a maldade estava na minha cabeça, mas tudo só piorou a cada dia. Suas mãos acariciavam meu abdômen quando me abraçava por trás, ou então apertavam minhas coxas e bunda quando deitava ao meu lado para dormir. Apesar do susto inicial, acabou virando uma rotina e, apesar de eu me sentir desconcertado às vezes, nunca o impedi de prosseguir com os toques abusados. E aqui chegamos a mais um erro: eu nunca estabeleci limites para Kihyun.

Sejamos sinceros nessa narrativa, eu era um homem adulto, estabilizado financeiramente, bissexual, muito bem resolvido com a minha sexualidade, mas que não transava há meses, eu estava literalmente subindo pelas paredes e Kihyun era um homem bonito que me provocava todos os dias. Não tenho vergonha de confessar que por inúmeras vezes bati uma no banho pensando nele, ou a facilidade que ele me deixava de pau duro, muitas vezes sem nem fazer nada.

Não foi nada programado - não por mim pelo menos, talvez Kihyun planejasse aquele dia desde o começo -, mas em um dia comum, com Kihyun me provocando a cada oportunidade, por um descuido meu - que eu não lembro até hoje de cometer - Kihyun entrou no banheiro enquanto eu tomava banho e acabamos fazendo sexo. Não vou dizer que foi o melhor sexo da minha vida, mas é exatamente isso que estou dizendo.

Fui totalmente surpreendido quando o baixinho, logo após chupar meu pau como um filho da puta profissional, me jogou na parede fria do banheiro de costas para ele e me fodeu com a selvageria de um animal necessitado, com uma força e brutalidade até então desconhecida por mim, mas muito bem vinda. Foi incrível.

E então mais uma mudança drástica aconteceu, da minha parte dessa vez, passei a ver Kihyun com outros olhos. Toda vez que o ruivo estava por perto era como se algo exalasse  dele, uma névoa inebriante tomava conta de mim, me deixando completamente necessitado e entregue a ele; e com isso cenas como a do sexo no banheiro se repetiam quase que diariamente, alguns dias mais de uma vez. Eu passei a ser totalmente dependente do prazer que Kihyun me dava e nem percebi.

A partir dessa parte já não consigo lhes informar há quanto tempo Kihyun morava comigo, pois não fazia sentido eu continuar contando os dias, semanas ou meses quando nossa relação estava tão boa. Conhecíamos um ao outro como a palma da nossa mão. Kihyun parecia ter um mapa de meu corpo gravado em sua mente, sabia como me tocar para me deixar excitado, conhecia todos meus pontos erógenos - e descobriamos novos a cada dia -, meus gemidos, pedidos e choramingos, Kihyun era capaz de me fazer chegar ao limite só usando de palavras chulas. E eu, bem, eu sabia provocá-lo como um profissional, sabia reconhecer seu estado de espírito só pela forma como ele me comia, sabia exatamente do que ele gostava que eu fizesse e, principalmente, como fazê-lo gritar de prazer a cada sentada. Nossa relação estava maravilhosa.

Mas então eu notei algo, que hoje posso caracterizar como mais um de meus erros: eu estava criando sentimentos por Kihyun, sendo mais específico, para vocês perceberem como eu estava fodido - e nem estou falando no sentido sexual -, eu me peguei apaixonado por Kihyun e nossa relação de apenas amantes sexuais já não era mais suficiente para mim e eu estava amedrontado. Eu queria mais toques, mais beijos carinhosos, as vezes queria apenas ficar deitado abraçado vendo filmes ou Doramas melosos, mas Kihyun queria apenas sexo, algo carnal e eu não podia pedir mais do que isso a ele, nunca havíamos discutido sobre nosso relacionamento - na verdade nunca discutimos sobre nada -, então reprimi meus sentimentos o máximo possível.

Kihyun sempre parecia muito cansado, embora não fizesse nada durante o dia - apenas assistia televisão enquanto eu ia trabalhar - e, por isso, quase sempre dormia depois de uma foda, independente da hora. Nesses momentos eu aproveitava para suprir minhas necessidades de carinho sem que ele percebesse, eu o observava, acariciava e ficava abraçado com ele o maior tempo possível. Foi enquanto ele dormia também que eu descobri onde ficava cada pintinha em seu rosto, até hoje sou apaixonado por aquela manchinha que ele tinha na ponta do nariz.

Eu já estava acostumado a não receber um carinho de volta e embora me doesse eu me apaixonava por ele cada dia mais, era um sorriso diferente na minha direção e eu já estava suspirando, mas um dia aconteceu uma tragédia que resultou numa descoberta que colocou em risco todos os sentimentos que eu tinha por ele.

Eu estava no trabalho quando a notícia chegou, lembro bem que houve uma paralisação geral no escritório, um dos funcionários mais querido da empresa havia sido encontrado morto. Até a hora que a notícia chegou até nós, estávamos todos preocupados com o atraso dele e a falta de notícias, mas seguimos trabalhando até que a notícia nos pegou desprevenidos e deixou a todos mal. A empresa inteira entrou de luto e fomos dispensados do dia de trabalho e do próximo.

Até hoje a imagem de Woojin morto não sai da minha cabeça, eu não queria ver, no entanto fora passada em todas as redes televisivas existentes na cidade, e, só no caminho para minha casa, exposta em dois outdoors diferentes, informando para a população tomar cuidado por onde anda porque um animal selvagem está a solta pela cidade.

Pelo que ouvi, dos meus colegas de trabalho, Woojin não foi o primeiro a ser morto por aquele animal selvagem e hoje eu percebo o quão imerso eu fiquei em Kihyun, eu só respirava e pensava em Kihyun, tão alienado que nem percebi o que acontecia ao meu redor, com meus amigos. Mas foi nesse mesmo dia, da morte trágica de Woojin, que descobri mais um de meus erros: eu abrigava na minha casa, na minha cama, alguém totalmente desconhecido. Eu confiava cegamente na ilusão que eu mesmo criei de Kihyun, mas eu não o conhecia de verdade.

Após ser dispensado do trabalho, totalmente arrebentado mentalmente pela perda do meu colega, voltei para casa dirigindo totalmente alheio a tudo. Hoje eu me lembro de ter ouvido um barulho diferente na mata, mas naquele dia passou despercebido. Quando finalmente cheguei em casa fui direto para o banheiro tomar banho, nem procurei por Kihyun, só queria ficar sozinho um pouco. O banho foi longo e eu chorei, chorei muito, é muito triste quando alguém do nosso convívio social se vai, mesmo que não seja a pessoa mais próxima de você, mas Woojin era, ele era próximo de todo mundo e não merecia morrer assim. Quando finalmente saí do banheiro já estava um pouco melhor e fui fazer algo para comer, nessa altura já tinha até esquecido de Kihyun e nem havia percebido a falta dele na casa, só fui me dar conta de que ele não estava ali quando um uivo se fez presente muito alto do lado de fora da casa.

Meu corpo inteiro gelou e na hora só consegui pensar que o mesmo animal que matou Woojin estava na minha varanda, se preparando para me atacar. A porta abriu com um ranger medonho e eu me senti na porra de um filme de terror barato, pela fresta da porta uma bata enorme de pelagem laranja passou e logo depois a enorme raposa alaranjada, com o pelo todo manchado de sangue, estava parada majestosamente na minha sala, eu estava imóvel, quase sem respirar, ela ainda não tinha me visto e a última coisa que eu queria era chamar sua atenção para mim. Eu estava paralisado de medo, mas assim que os olhos ferozes daquele bicho me alcançaram pude vê-los mudar de predadores para surpreso e então aquilo aconteceu bem na frente dos meus olhos: a raposa caiu no chão, com seu emaranhado de caudas no ar, e se transformou em Kihyun.

A cena mais feia que eu pude presenciar na minha vida fora essa, a imagem de Woojin destroçado ou qualquer foto de gangrena que as pessoas adoram compartilhar na internet, nada, nada me deu tanta repulsa e aversão quanto a cena que se desenrolou lentamente na minha frente. Os pelos sumindo dando lugar a pela alva de Kihyun, o focinho diminuindo até se transformar naqueles lábios que tanto me beijaram, as patas retorcendo e se esticando até tomar a forma das mãos bonitas que me seguram com força na hora do sexo. A transformação em si não era feia ou nojenta, estranha talvez seja a palavra certa, o que me causou repulsa foi associar tudo o que recebi de Kihyun durante a estadia dele aqui a essa raposa laranja horrenda. Hoje eu penso no erro que cometi hospedando uma pessoa desconhecida na minha casa, poderia ser qualquer um ali sob o meu teto, um fugitivo da polícia, um psicopata, um ladrão ou até mesmo um dependente químico agressivo, mas nem nos meus piores pesadelos eu imaginaria que o homem estranho que deixei dividir a casa comigo era a merda de uma raposa.

Diante todo o meu horror a raposa se transformou completamente em Kihyun, no meu Kihyun, com direito a todas as pintinhas que eu tanto amava e a mancha na pontinha do nariz, ele estava todo sujo de sangue e desmaiado. Meu coração gritava para que eu o socorresse, mas meu subconsciente me impedia de sequer me mexer, me lembrando incansavelmente que aquele sangue todo não é dele, que ele não estava machucado, mas sim machucou alguém. Bem no fundo, meu coração dizia que ele não era o culpado por aquelas mortes, que o fato dele ser uma raposa era horrível, sim, mas não o tornava culpado. E meu coração venceu o subconsciente, Kihyun estava mais indefeso do que eu no momento, e foi aí que cometi mais um dos meus erros: cuidei e confiei em Kihyun mesmo sabendo o quão perigoso ele poderia ser.

Kihyun ficou desacordado por horas enquanto eu estava uma pilha de nervos, não aguentava mais pensar, minha cabeça estava doendo de tão contraditórios eram meus pensamentos. Eu estava preocupado com Kihyun na mesma proporção que estava preocupado comigo mesmo, lembro que velei seu sono aflito por acontecer qualquer coisa que pudesse colocar a vida dele em risco, no entanto uma faca descansava sob meu travesseiro só por precaução caso ele me atacasse.

Meu subconsciente dizia para que eu fugisse, me protegesse dele, que ele era perigoso, mas meu coração apaixonado fazia questão de me lembrar que ele, Kihyun, nunca havia feito mal nenhum a mim, muito pelo contrário. Eu estava de olhos fechados, curtindo minha dor de cabeça infernal e minha total desgraça quando senti a cama ao meu lado se mexer e Kihyun resmungar dolorido, me fazendo sobressaltar alarmado empunhando a faca com as mãos trêmulas.

― O que caralhos é você, Kihyun? ― em minha defesa, eu estava com muito, mas muito, medo e não consegui controlar minha boca, me julgue se quiser. Kihyun piscou lentamente os olhos e os focou na faca que eu tinha em mãos, ficando em posição de defesa automaticamente e ali eu pensei que ia morrer, pedi até perdão pelos meus pecados, mas Kihyun sequer se moveu, apenas ficou em alerta.

― Porque você está com uma faca, Hoseok? ― ele perguntou quase incrédulo e eu ri de nervoso, sentindo minha mão suar e a faca perder a firmeza, Kihyun pareceu perceber também e no segundo seguinte eu estava prensado contra a parede e faca muito longe do meu alcance, foi tão rápido que eu não tive nem tempo para gritar assustado.

― A faca era para me proteger de você! ― praticamente gritei na sua cara, a essa altura já havia perdido todo o senso do perigo que eu estava correndo. ― Vou perguntar de novo, Kihyun, que merda você é?

― Você não precisa ter medo, eu nunca te machuquei e não é agora que isso vai mudar, Hoseok. ― sua voz baixa e calma fez todos meus pelos se arrepiarem, Kihyun se afastou o suficiente para pegar a faca e a devolver para mim, mostrando que eu poderia confiar nele e eu trouxa acreditei. ― Eu sou um Gumiho, raposa de nove caudas, do que você quiser me chamar, mas eu prefiro que me chame de Kihyun, Hoseok. ― eu fiquei paralisado igual um idiota com a faca na mão, me lembro que a única coisa que eu fiz foi rir, rir muito, ao me lembrar das histórias que minha tia avó me contava. Eram apenas lendas, não eram?

― Gumiho é só uma lenda. ― o respondi descrente, já puto por ele estar brincando com a minha cara, isso é impossível. ― Isso é impossível. ― externei meus pensamentos e quem riu dessa vez foi Kihyun, que se afastou e sentou na cama, deu de ombros e simplesmente uivou. Isso mesmo ele uivou, o mesmo uivo alto e sombrio que ouvi mais cedo antes daquela raposa, que era o próprio Kihyun, invadir minha sala.

― Se você tiver uma explicação plausível para uma raposa se transformar no seu namorado na frente dos seus olhos, Hoseok… ― novamente ele deu de ombros e só então eu vi um emaranhado de caudas brilhantes se balançando atrás de seu corpo. Mas outra coisa mais importante chamou minha atenção, lembro que por cerca de cinco segundos fiquei me perguntando se tinha ouvido certo o que ele falou, não podia acreditar que ele estava falando sério.

― Meu namorado? ― tenho total noção que parecia um idiota prostrado na frente dele e a risada que ele deu confirmou minha suspeita. Kihyun adquiriu uma falsa expressão indignada ao mesmo tempo que levou as mãos ao peito como se estivesse ofendido.

― Sim, namorado. ― respondeu com um sorriso travesso, muito bonito como todos seus sorrisos que me deixavam encantado. ― Não acredito que para você eu era apenas sexo, Hoseok… ― perdi muito tempo o xingando mentalmente por sempre colocar meu nome ao fim de cada frase e não percebi quando ele se levantou, só lembro que estava no meio de um palavrão quando seu corpo grudou ao meu contra a parede e seus lábios tomaram meu pescoço num beijo sensual que jogou todas minhas armas no chão. ― Eu esperava mais de você, eu criei sentimentos por você, pensando ser recíproco, enquanto você só me usava para satisfazer seu tesão, Hoseok.

― Não! ― eu me desesperei, e para deixar bem claro até hoje me arrependo do que disse a seguir. ― Eu me apaixonei por você, Kihyun, eu nunca disse nada porque pensei que para você fosse só sexo. ― acusei e dei risada, nessa hora já não me importava mais nada a não ser o fato de que fui um bobo escondendo meus sentimentos quando Kihyun já até se considerava meu namorado. ― Nossa, eu fui muito bobo por não ter falado isso antes, eu sofri tanto calado…

― Sim, você foi um bobo, Hoseok. ― ele deu uma risadinha e me beijou, hoje sei que ele estava me chamando de bobo por outros motivos. ― Mas tudo bem, agora estamos entendidos, Hoseok.

E eu simplesmente esqueci tudo o que tinha acontecido até ali, meu cérebro só processava o toque das mãos de Kihyun, seus beijos, seus carinhos e como tudo estava bem porque nós dois nos amávamos. Mais um erro meu foi ter me entregado novamente de corpo, alma e coração para Kihyun. Quando voltei a raciocinar, eu já estava de costas na cama com Kihyun no meio das minhas pernas me fodendo com força, porém não era apenas sexo, todos os toques eram cheios de cuidados, ele me segurava com leveza e me olhava com devoção, como se eu fosse a coisa mais preciosa que ele já havia posto as mãos. E após fazermos amor dormimos juntos, eu aninhado em seu peito como um bebê coala e ele me acolhendo com todo o amor que disse sentir por mim.

Acordei no dia seguinte, sozinho na cama, com a ligação do meu chefe perguntando se eu iria no enterro de Woojin e foi só aí que meu cérebro voltou a funcionar; meu namorado é a porra de um Gumiho - e eu nem estou fazendo propaganda gratuita daquele Dorama de mesmo nome -.

Dispensei a ligação do meu chefe dizendo que não tinha emocional para enterrar Woojin, o que não era mentira, e levantei raivoso atrás de Kihyun, o encontrando na cozinha fazendo nosso café da manhã. Num ímpeto de raiva o peguei desprevenido e o joguei com força no chão, montando em seu corpo para o imobilizar.

― Você matou Woojin, você é a merda do animal selvagem que está a solta na cidade matando pessoas inocentes, Kihyun! ― eu estava cego de raiva, totalmente desestabilizado, pouco me importava se Kihyun poderia me matar em menos de dois segundos, eu queria vingança, queria que ele sofresse o mesmo que eu e os familiares de todas as pessoas que ele matou.

Eu não sei que reação eu esperava que Kihyun tomasse, me atacar e acabar com toda a palhaçada que eu estava fazendo provavelmente era a melhor opção, mas eu nunca, jamais, esperava que ele começaria a chorar como um bebezinho e fiquei totalmente sem reação por alguns segundos, até a raiva se apossar de mim novamente.

― Você não tem o direito de chorar, você é um assassino de sangue frio. ― acusei e ele chorou mais ainda, chegando a soluçar.

― Eu posso explicar, Hoseok. ― eu não queria escutar, não tinha desculpa para o que ele fez. ― Eu não tenho culpa, Hoseok. Não tenho culpa de ser um Gumiho e muito menos das mortes, deixa eu me explicar, por favor, Hoseok.

― Tudo bem. ― falei contra toda a minha vontade, tudo o que queria era enfiar a faca no coração dele e acabar com isso de uma vez, mas minha parte racional me impedia de fazer tal atrocidade, principalmente sem nem ouvir o lado dele da história. ― Você tem cinco minutos, acho bom resumir a história furada.

― Eu era uma raposa normal até o dia que eu matei e comi a recém nascida de uma feiticeira, há muito tempo atrás, muito mesmo. Eu estava com fome, não comia a dias, e era um ser irracional, não me julgue por isso, Hoseok. ― eu estava mesmo julgando-o por isso, mas ele realmente não tinha culpa se ele ainda era uma raposa irracional, na época. ― A feiticeira me amaldiçoou, me transformou em um Gumiho, minha maldição é ser imortal e viver transitando entre ser humano e uma raposa, sem ter o controle total de ambas as partes, Hoseok. Depois de quase seiscentos anos, tudo o que eu quero é morrer e acabar com isso, mas eu não consigo e eu já tentei, muitas vezes, Hoseok. ― a essa altura ele voltou a chorar e seus olhos perderam o brilho, ali ele me quebrou, pude ver todo o passado sofrido de Kihyun. O quanto ele sofreu em cada tentativa de suicídio sem sucesso, até hoje eu tento imaginar o quanto ele sofreu e o quanto ele suportou durante tanto tempo. ― Você é a primeira pessoa para quem eu conto isso, Hoseok.

― Mas você ainda é o culpado por todas as mortes que causou, Kihyun. ― meu tom já não era acusatório, minha voz era pesarosa, eu estava com pena e não conseguia esconder. Deixei meu corpo cair ao lado do dele no chão e fiquei encarando apenas o teto, não tinha coragem de olhar em seus olhos.

― Você pensa que eu não sei, Hoseok?! ― falou com a voz alterada, indignado com a minha constatação. ― É minha culpa porque aquela raposa assassina, querendo ou não, sou eu, mas eu não tenho controle sobre as ações da raposa quando me transformo e muito menos consigo controlar quando vou me transformar, Hoseok. ― sua voz era cansada, como se ele mesmo não aguentasse mais esse assunto, e provavelmente não aguentava mesmo.

― Você deve viver em um inferno. ― divaguei sozinho.

― Inferno é um elogio, Hoseok. ― ele riu, mas foi uma risada triste, sem emoção. E ficamos os dois deitados no chão por vários minutos, cada um preso no seu próprio pensamento. Eu já não o culpava mais, tinha apenas pesar no meu coração, uma compaixão por seu inferno pessoal.

Não sei até hoje o que Kihyun pensava naquele momento, provavelmente no seu próximo passo, mas eu pensava desesperadamente em uma solução para sua maldição, minha tia avó contou sobre a cura, mas eu não conseguia lembrar de jeito nenhum.

― Tem que ter um jeito de acabar com sua maldição, eu lembro que quando minha tia avó me contava a lenda do Gumiho… A história do Gumiho ― me corrigi. ―, havia mais de uma forma de quebrar a maldição, mas eu não consigo me lembrar!

― Mas tem, Hoseok. ― falou calmo, sem um pingo de empolgação. ― E é por isso que minha raposa mata tanto, se eu devorar uma quantidade absurda de corações humanos a maldição é quebrada e eu posso escolher se vou envelhecer até morrer como uma raposa ou como humano, Hoseok. ― meu corpo inteiro estremeceu com sua fala, sua voz era baixa e profunda, trazendo um ar assombroso para a frase. Kihyun se virou para me olhar e eu fiz o mesmo, encontrei seus olhos vermelhos pelo choro e totalmente cansados, ele já não aguentava essa vida.

― Essa é a única forma? ― e essa pergunta foi mais um de meus erros, talvez o pior de todos, mas o erro fatal com toda certeza. Ao ouvir meu questionamento Kihyun se alvoroçou, ele jogou seu corpo sobre o meu e se apoiou no ombro para poder me encarar de perto, em seu rosto um sorriso bonito apareceu.

― Tem sim, Hoseok. ― deixou um selar em meus lábios e a essa hora eu já estava desconfiado. ― Se um humano se apaixonar por um Gumiho mesmo sabendo de sua condição hora raposa hora humano, se for um amor realmente verdadeiro, a maldição será quebrada e o Gumiho envelhecerá como humano ao lado do amado, Hoseok. ― eu já estava tão hipnotizado por suas palavras sussurradas que nem percebi quando seus olhos mudaram de cor, assumindo um tom amarelo igual ao da sua raposa, mas eu estava tão feliz que poderia quebrar sua maldição que não via mais nada além disso. O sorriso dele aumentou e o meu o acompanhou, Kihyun lambeu os lábios antes de prosseguir. ― Você me ama, Hoseok?

― Há muito tempo, Kihyun. ― respondi sem nem pensar, como se eu estivesse numa espécie de transe.

― Mesmo sabendo que sou um Gumiho, um monstro, que matei seu colega e várias outras pessoas? Você me ama de verdade, Hoseok?

― Sim, Kihyun, mesmo sabendo de tudo isso eu te amo de corpo e alma.

― Fico muito feliz ao ouvir isso, Hoseok. ― nessa hora senti suas unhas cortando a pele de meu ombro e só então voltei a prestar atenção em tudo novamente. Seus olhos, os caninos afiados, as garras e as caudas agitadas atrás de seu corpo, embora estivesse tudo ali na frente dos meus olhos eu ainda não era capaz de ligar os pontos, Kihyun precisou me explicar. ― Só não podemos esquecer de um simples detalhe, eu não sou um Gumiho natural, eu fui amaldiçoado, Hoseok. E as palavras da feiticeira foram bem claras: você é um monstro, e monstros não merecem viver o amor verdadeiro, para quebrar a sua maldição você deverá comer o coração da pessoa que te amar. Você entendeu, Hoseok? Para que eu possa descansar em paz eu tenho que te matar, o que é uma pena porque você é uma pessoa legal, Hoseok.

Hoje eu não sei dizer ao certo como eu me sentia a essa altura da história, só sei que chorava, e muito, lembro também de ter tentado fugir desesperado do seu aperto. Mas se tem uma coisa que nunca, mas nunca mesmo, vou esquecer é de ver Kihyun, o meu Kihyun, se transformar naquela raposa asquerosa. Sei que disse um pouco antes que a cena mais feia que presenciei na vida foi a da raposa se transformando no Kihyun, mas isso foi até eu presenciar essa cena que se desenrolou a centímetros do meu nariz. Ver o corpo bonito de Kihyun se deformando para se transformar na raposa, seu rostinho de anjo tomando a forma demoníaca daquele animal assassino, sentir suas unhas me rasgando e seu bafo quente no meu rosto, tudo, tudo mesmo, sendo absorvido pelo meu cérebro e ganhando a forma do meu pior pesadelo.

Quando a transformação se completou a raposa uivou, bem acima de mim, seu uivo era triste, como se não estivesse cem por cento feliz com o que tinha que fazer, como se ponderasse se o preço que teria que pagar para se ver livre da maldição não era muito caro. E então eu fiz algo que muitos vão considerar como um erro, mas eu não acredito até hoje que seja e não me arrependo também, afinal eu estava apaixonado e faria de tudo para que Kihyun parasse de sofrer.

― Está tudo bem, Kihyun, pode prosseguir eu quero, mais que tudo, que você se veja livre dessa maldição. Eu te amo e isso não vai mudar mesmo que eu morra. ― e não mudou.


Notas Finais


Link do projeto b de que para quem se interessar: https://www.spiritfanfiction.com/jornais/projeto-b-de-que-10889729


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