História G.U.Y. - Girl Under You - Capítulo 11


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Categorias Keanu Reeves
Personagens Keanu Reeves, Personagens Originais
Tags Amor, Drama, Girlunderyou, Guy, Keanureeves, Relacionamentos, Romance, Segredos
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Palavras 14.263
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá meus amores! Como estão? Espero que bem.

Venho aqui avisar que o capítulo é longo então vão ao banheiro, peguem suas bebidas e algo pra comer. AHAHHAA
Hoje peço que prestem bastante atenção ao detalhes, estamos no passado!!! E sim, terá continuação.

SEM DEMORA! BOA LEITURA E MUITO OBRIGADA PELO CARINHO DE VOCÊS!!

Capítulo 11 - Sorriso perdido


Fanfic / Fanfiction G.U.Y. - Girl Under You - Capítulo 11 - Sorriso perdido

-2007- 
– Amália pelo amor de deus isso é errado!. – Melissa sussurrava para a irmã mais velha enquanto desciam as escadas de incêndio da empresa até o subsolo. – Se alguém souber disso, vão demitir eu, você e aquele homem.

– Melissa por favor, só… confia em mim.

A irmã mais nova suspirou pesado seguindo a outra que abriu a porta e verificou se o local estava vazio fora uma pequena corrida até o almoxarifado, desviaram de alguns funcionários que carregavam caixas e de carrinhos amarelos com buzinas irritantes até a casa de máquinas. Melissa não fazia ideia o quanto aquele lugar era gigantesco o almoxarifado era frio, mas ali, incrivelmente quente, as máquinas grandes, ficou com medo de ser sugada por alguma delas. Desceram um outro lance de escadas ficando atordoada com o som daquele lugar, Amália puxou-a pelo punho mudando de direção de repente e chegarem a um corredor estreito demais para andarem uma do lado da outra, bateu na porta de ferro o mais forte que pode e demorou alguns instantes para de aberta. Um homem abriu tirando os óculos de proteção, estava suado e sujo de graxa, podia sentir o cheiro dali, Melissa tentou não julgá-lo, mas mentalmente fora impossível.

– Oi Hugo. - Amália sorriu e acenou. – Podemos entrar?

– O que?! - Mel a encarou.

– Shh Melissa. Por favor Hugo, precisamos conversar.

O homem apenas acenou, Amália o seguiu e Melissa recusou-se a entrar até que sua irmã voltou para puxá-la. Ali era muito mais apertando, quente, saia vapor dos canos na parede. Por tudo o que é mais sagrado, o que estava fazendo ali? Então pararam de andar, Hugo se abaixou para perto de uma máquina, na verdade Mel não sabia nem o que era, mas tinha os fios expostos, falou sozinho, não, havia lado com alguém e por fim uma garotinha de cabelos curtos se afastou lhe entregando uma ferramenta.

Amália a encarou, agora Melissa entendia toda aquela agitação durante os dias atrás, suas descidas escondidas e comida a mais na hora do almoço. Havia uma menininha escondida dentro da empresa, estava suja assim como o pai, os olhos grandes e verdes a encaravam com certa desconfiança. O coração dela palpitou em pena, abaixou, estendendo a mão.

– Oi… - Ela se afastou segurando no avental do pai.

– Natasha não fala inglês. - Disse Amália. – Hugo veio da Rússia, nosso encontro aqui fora meio… conturbado, mas ele me explicou que não tem onde ficar com a filha, as vezes dormem em banheiros públicos e passam o dia todo no subsolo.

– Meu deus! Amália…

– Não quero atrapalhar ou prejudicar as senhoritas… – Hugo limpou as mãos na calça, seu inglês não era dos melhores, mas podiam entendê-lo. – Mas a senhorita Amália disse que podem ficar um pouco com a minha filha, isso já me ajudaria muito.

– Mel, pode levá-la para casa? - Sua irmã se virou para encará-la.

Melissa acenou sem pensar, nenhuma criança deveria passar por aquela situação, conversaria mais com Amália depois, poderia parecer estranho aceitar tal coisa de repente, sem ao menos saber se era verdade aquela história. Mas era Amália, sua irmã nunca havia se enganado antes, muito menos ser manipulada por alguém, se ela diz que precisam de ajuda, Mel não negaria. Levou alguns minutos até a criança aceitar par ir com ela, mas por fim, acabou cedendo a pedido do pai.
Mel teve que ser cautelosa para levá-la até o estacionamento sem que ninguém a visse. A coitada estava tão suja, as roupas encardidas, rasgadas nem mesmo cabiam mais nela, a levou até o carro sem dizer uma palavra, a garotinha sentou-se no banco de trás colocando o cinto de segurança. Era tão espertinha. Assim dirigiu diretamente para casa, naquele silêncio, a mulher estava com a cabeça repleta de pensamentos, quando chegou estacionou, abriu a porta para a menina que deu um pulinho para descer, a seguiu até a porta que levava diretamente para a cozinha, mas ela não entrou. Sem entender Mel se virou, Natasha mantinha a cabeça baixa encarando os próprios pés, ajeitava a barra do vestido de modo envergonhado.

Agora entendeu. Estava suja e não queria sujar a casa, assim como o carro. Mel se aproximou, estendeu a mão e sorriu, aqueles olhos verdes cansados a encararam de forma doce e logo depois segurou-lhe a mão.

A deixou no banheiro por alguns instantes para que pudesse pegar as toalhas e escolher uma roupa que não ficasse tão grande, quando voltou, parou no batente da porta a observando. Natasha tinha dobrado a própria roupa, deixando-as sobre o vaso até mesmo os sapatos estavam juntos no canto, não pode esconder o pequeno sorriso. Aquela menina era adorável e tão educada. Deu leves batidas na porta, Natasha se virou dando um sorriso lindo, estava sentada dentro da banheira que enchia devagar, jogou um pouco de água, disse algo em russo e Mel apenas acenou.

– Sim, uma banheira. – Aproximou-se ajoelhando ao lado. – Gosta de banheira?

Banheira? - Melissa sorriu ao vê-la repetir a palavra apontando. A mulher acenou positivamente e a menina retribuiu o sorriso. – Banheira.

Melissa estava encantada pela pequena Natasha, assim como sua irmã.

Naquele mesmo dia, mais tarde, Amália levou Hugo até o shopping, apesar dele ter negado muitas vezes sendo necessário duas horas para convencê-lo a aceitar comprar roupas novas para ele e a filha.

Melissa e Amália eram opostos, mas isso as completavam. Nunca que Mel confiaria numa história como aquela de Hugo e Natasha, teria ido ao RH avisando que havia uma criança na empresa, porque na mente dela aquilo seria o certo a fazer, não tinha maldade alguma, foi assim que o pai dela a ensinara. “Tudo tem que estar no lugar, seguir as regras. Ninguém vai ajudá-lo então cresce por si só.”
Já Amália, acreditava que todas as pessoas precisam de uma segunda chance, mesmo a pior delas, mas seu temperamento e personalidade eram fortes. Não gostava de ser mandada, se queria ir sozinha há uma festa, iria, não precisava de ninguém. Sua mãe sempre dizia para seguir seus instintos, além de reforçar, “Algumas pessoas precisam de ajuda para crescerem na vida, estenda a mão sempre que puder, mesmo não recebendo algo em troca.

Amália, a “rebelde”, não aceitou as ordens do pai. Inscreveu-se nas aulas de arquería e tornou-se campeã, aprendeu a falar francês, alemão e como sempre soube impor-se para suas vontades estudou direito. Algumas pessoas precisavam de ajuda para ter voz.”
Melissa foi educada para ser uma dama, levada ao ballet, aulas de etiqueta, pintura, também falava francês, italiano e espanhol. Como nunca pensou no que faria quando fosse mais velha apenas deixou-se ser levada pelas ordens do pai. Até que seguiu os passos da irmã estudando direito.

Amália e Melissa sempre foram melhores amigas, sabiam exatamente o que pensavam, não concordavam com tudo, mas chegavam em um acordo sensato. Mel seguia sua irmã mais velha, a admirava, o julgamento dela sempre correto e decisões rápidas. Não havia mentira entre elas.

A noite, sentados todos na mesa jantando, conversavam sobre o que aconteceu para que Hugo estivesse naquela situação. Ficou visivelmente constrangido e triste ao lembrar-se dos tempos que morou na Rússia.

– Nós morávamos numa cidade no interior, e eu trabalhava em dois empregos na capital então acabava passando semanas sem voltar para casa, e quando chegava, Natasha estava sempre sorridente querendo passar o tempo comigo. - Coçou a sobrancelha. – Mas eu não sabia o que acontecia quando estava fora.

– Natasha ficava sozinha? – Perguntou Amália que sentiu a mão da irmã tocar a sua suavemente.

Hugo negou acariciando os cabelos na menina ao seu lado que ainda comida.

– Antes ficasse. Minha esposa, teve vários problemas, quando Natasha nasceu, ela desapareceu me deixando com a recém-nascida, pensei que não teria como trabalhar e cuidar dela. Depois de quase um mês Ayla voltou. Ficou com ela mas, simplesmente a mal travava, sem motivo, ela não foi educada e sim adestrada. - Balançou a cabeça. – Ayla bateu muito até mesmo lhe deixou cicatrizes, e um dia, pegou todo nosso dinheiro e desapareceu deixando-a presa no porão. - Se calou limpando as lágrimas que escorreram. – Minha filha nunca reclamou de nada, nunca me pediu nada… É quieta, fala pouco mesmo comigo… Me sinto tão culpado, incapaz, arranjei qualquer maneira de sair daquele país e começar de novo, mas só tenho falhado.

– Claro que não senhor Losev. - Amália se apressou. – Natasha parece feliz mesmo com toda a dificuldade, eu vejo a maneira que ela o olha, está tentando, só lhe faltava, uma ajuda. - Sorriu. – E se nos permitir, podemos ajudar.

– Eu não posso pagá-las não por enquanto, é… Demais para mim exigir isso, já estão sendo anjos.

– Não quero soar rude ou esnobe. – Começou Mel. – Mas o dinheiro, nunca foi problema para nós. Acredito na minha irmã e no seu julgamento e também no senhor, acho que chegamos a uma decisão que precisa de ajuda agora.

– Não terá pagamento melhor do que vê-los vencerem, com um lar e ela estudando.

Hugo acenou, não pode conter mais as lágrimas, sentia-se tão agradecido por aquilo, esbarar com Amália foi uma coincidência, teve medo de ser exposto até mesmo de perder a guarda da filha, mas parece que os planos do destino eram outros. Para todos eles.

Deitadas na mesma cama no quarto de Melissa, as irmãs encaravam o teto em silêncio, perdidas nos próprios pensamentos.

– O que te levou à ajudá-lo? – Finalmente perguntou Mel.

– Mamãe. - Suspirou. – Lembra quando quebrou o troféu do papai? - A ouviu resmungar, era uma péssima memória. – O que ele te disse?

– Ele bateu na minha mão e me chamou de desastrada, fiquei de castigo.

– E lembra do que mamãe te disse? – Perguntou virando-se pra encará-la.

Melissa sorriu e acenou.

– Ela disse que todos nós cometemos erros, e me levou para a cozinha tentar “reconstruir” o troféu do papai.

“Só porque ele aprendeu na cinta, não quer dizer que você precisará aprender também. Nem todo mundo aprende levando porradas, apenas alguém que possa te explicar e te ajudar a fazer o certo.”

Melissa se virou também a encarando.

– A gentiliza gerá gentileza. - Amália acenou para a irmã. – Quero ter um coração tão bom quanto o seu um dia.

– E tem Mel, da sua maneira, mas tem. - Beijou sua testa e ajeitou-se na cama. – Vamos dormir.

Melissa ainda tinha muita coisa a aprender com sua irmã.

- 2009 -

Melissa tinha sido chamada na escola para resolver um “pequeno” problema que Natasha havia se envolvido. Não entendeu muito bem pelo telefone, mas a diretora parecia muito incomodada. Os passos apressados pelo corredor já esperavam o pior, bateu na porta e a abriu lentamente avistando Natasha sentada mexendo as perninhas estava tão tranquila.

– Tia! - Levantou-se lhe deu um abraço.

– Oi meu amor, tudo bem? - A viu acenar, então a diretora apareceu lhe chamando, segurou na mão da menina entrando na porta ao lado. – Boa tarde senhora…

– Melissa Smith? - A viu acenar, ajeitou os óculos apontando para que se sentasse, colocou as mãos sobre a mesa. – A senhorita sabe que Natasha é uma boa aula e até dissemos uma vez que ela poderia ser um pouco… dotada certo?

– Sim, claro, mas o que houve? Ela fez algo de errado? Bateu em algum colega?

A mulher abriu a gaveta e deixou sobre a mesa uma pistola feita de papelão.

– Ela fez isso durante o intervalo e atirou no professor.

– Eu não atirei nele, ele apertou o gatilho no próprio olho! - Logo disse ela. – Ele disse que eu era burra demais para fazer algo complicado! - A menina tinha o cenho franzido e um bico nos lábios. – Não me deixou fazer a mesma coisa que os meninos.

– Não é motivo para fazer algo assim Nath. – Disse Mel tocando sobre seu ombro. – Deixe a diretora continuar, sim? - Abaixou a cabeça brava.

– É bem… eu perguntei a algumas crianças e realmente o professor havia separado os alunos entre meninos e meninas.

– Eu NÃO atirei nele. - Repetiu de braços cruzados.

– Natasha. – Melissa lhe lançou um olhar sério. – Sinto muito diretora, entendo que isso foi de certo fato perigoso, mas se ela não realmente atirou nele qual está sendo o problema?

– Ela construir uma arma? Talvez?

– De papelão. - Completou Mel. – O professor separar a sala não é um problema? Natasha apenas… foi desafiada e ela mostrou que podia fazer algo desse tipo, sim é errado, mas…

– Senhorita Smith. - A mulher ergueu os ombros procurando o que falar, mas fora interrompida.

– Natasha é muito habilidosa, é a primeira da classe, ganhou a olimpíadas de matemática e a feira de ciências… Acho que um professor machista dizer que ela não é capaz de algo… a deixou de certa forma irritada. – A mulher desvio o olhar, Mel pegou aquele pedaço bem feito papelão guardando na bolsa. – Isso é errado, vou conversar com ela pode ter toda a certeza. Ela machucou algum aluno? - A diretora negou e então Melissa sorriu. – Tenha uma ótima tarde.

Puxo a menina pela mão saindo para o corredor, Natasha manteve a cabeça baixa com medo que levasse uma broca, mas a única coisa que Melissa conseguiu fazer foi rir.

– Você é doida menina. - Disse. – Como fez isso?

– Papelão, cola quente, canetinha, elásticos e palitos de sorvete. - Citou os matérias que eram facilmente encontrados na aula de artes. – O professor perguntou se disparava e eu disse que sim… Não foi culpa minha ele puxar o gatilho mirando o próprio rosto!

– Meu deus.

Elas foram direto para casa, Amália chegou um pouco mais tarde e já foi arrastada para sala, sentou no sofá cansada, mas estranhou aquela arma sendo posta em cima da mesa de madeira no centro.

– O que é isso?

– Você quer explicar Natasha?

A menina estava de pé ao lado do rack acenou timidamente.

– Eu fiz na aula de artes, porque o professor disse que eu não era capaz de fazer algo complicado.

Amália riu observando a menina de cabeça baixa, bateu palmas.

– Fez isso sozinha? - A viu acenar. – Meu deus você é incrível Natasha, muito melhor do que seu projeto de ciências e olha que foi bom.

– Amália! - Reprendeu Melissa.

– O que? É verdade! Ela mostro pro babaca do professor que podia fazer qualquer coisa.

Melissa balançou a cabeça incrédula.

– Isso é muito errado Amália, não pode incentivá-la a fazer armas, o professor se machucou.

Amália voltou a rir mais alto.

– Você atirou nele? - Natasha sorriu, mas negou com a cabeça. – E isso funciona? Para Mel, essa menina é um pequeno gênio. Não estou incentivando, apenas dizendo que foi um bom trabalho.

Melissa pegou a pequena arma e mirou na direção da irmã acertando a bolinha de plástico diretamente em sua testa, reclamou sem conseguir para de rir.

– Pare de rir! Natasha não faça mais uma coisa dessas está bem, crie qualquer coisa, menos… armas de fogo.

*– Papelão. - Disse Amália que recebeu outro tiro daquela bolinha de plástico segurando o riso.

Natasha prometeu que nunca mais faria algo parecido, Amália guardou aquele brinquedo numa caixa longe da irmã para que não jogasse fora. Melissa não gostava de nada que remetesse a violência, apesar de concordar que deveria elogiar a menina por sua habilidade, também sabia que não se deve incentivar tanto a ponto dela repetir. Mas sua rigidez durou pouco, não conseguia vencer sua irmã quando começava a fazer graça.

- 2010 -

– Natasha cuidado! Sem correr de meia pela casa! – Gritou Melissa vendo passar ela cozinha em alta velocidade. – Se arrume eu vou te levar pro ballet.

– Coitada.- Zombou Amália colocando o chá na xícara e recebeu um tapa na cabeça.

– Se ela faz arco e flecha, pode fazer ballet!

– Hm, então isso é ciúmes? - Viu a irmã mais nova pegar a caneca, encheu de café e se virou para encará-la.

– Não tenho ciúmes, já que EU sou a tia preferida da Natasha.

– Hm – Tomou outro gole do chá. - É mesmo? - Melissa ergueu os ombros. – Besta!

– Me diz, é hoje que terão aquela reunião? - Amália acenou encostando-se na bancada. – Qual nome dele?

– Derek Lynch. O homem tem uma presença assustadora, foi pessoalmente conversar com o Domênico. - Ergueu uma das sobrancelhas. – Acho que até ele teve medo.

Demonico. - Zombou sua irmã. – Qualquer homem de verdade mete medo nele, você é uma.

*Amália riu quase cuspindo o chá. Se pudesse já teria enfrentado seu chefe a muito tempo, mesmo recebendo como advogada de Domênico, o que fazia era ser sua secretária e capacho. Se Melissa soubesse da metade das coisas horríveis que passa com ele… Já teria a mandando sair e iria junto. Estão sempre juntas, nos bons e maus momentos.

– Acho que a reunião vai ser demorada, a apresentação que fiz fala de tudo, tudo mesmo sobre a empresa, o que fazemos, os remédios, as outras parcerias. Não duvido nada que queria visitar as fábricas. - Suspirou pesado. – O contrato deles foi feito muito antes de entrarmos… Não sei porque Lynch quer rever essas coisas.

– Ele deveria é desistir de trabalhar com o Klaus, eu quero parar já. - Recebeu aquele olhar questionador da mais velha. – Só estou cansada Amália, só isso, muita dor de cabeça e nada de reconhecimento.

– Isso eu concordo, se está cansada saia Mel, não há nada que te segure lá.

– Você. - Ergueu a caneca. – Somos uma equipe.

– Somos. - Concordou e viu aquela criatura de rabo de cavalo correr pela cozinha outra vez sentando-se na cadeira.

– Sem correr Natasha. - Alertou Mel outra vez tirando a tigela do armário junto ao cereal, a servindo.

– Vocês vão a apresentação da classe hoje? - Perguntou a menina agradecendo com gesto de cabeça.

– Ih, eu esqueci, hoje não vou conseguir querida, tenho uma reunião chata para caralho! AI! - Apanhou de Melissa.

– Olha a boca! - Botou a lancheira junto a mochila de Natasha. – Eu vou meu anjo e vou gravar para mostrar ao seu pai.

A menina acenou voltando a comer em silêncio. Natasha passava muito tempo com suas tias, já que o pai ficava trabalhando até muito tarde, as vezes nem voltava para casa. Eles tinham uma casa agora, pequena, mas aconchegante e para evitar deixá-la sozinha por longas horas, ficava ali com Melissa que podia trabalhar pelo computador de casa. Após terminar o café da manhã, Natasha saiu para escovar os dentes e não demorou muito voltando com uma caixinha de metal nas mãos.

– Tia. - Aproximou-se de Mel que enchia a caneca outra vez. – Eu arrumei sua caixinha de música.

– O que? - Se virou a encarando, abriu a caixa e sorriu. – Como sabia?

– Andou mexendo nas coisas dos outros de novo Nath? - Amália lhe lançou aquele olhar.

– A tia Mel estava triste, sempre escuta essa música e de repente parou… Eu fiquei curiosa.

Melissa abaixou e lhe deu um beijo no rosto.

– Muito obrigada Nath, fico muito feliz. Mas não pode ficar xeretando nas coisas e ainda pegá-las sem permissão tá bom? - Ela acenou e recebeu outro beijo. – Vamos pegue a mochila e vá para o carro.

Obedeceu pegando suas coisas, ameaçou a correr novamente, mas logo deu pulinhos lembrando das ordens de Melissa. A mulher entregou a caixa para a irmã e abriu um sorriso vitorioso.

A tia preferida!

*Sussurrou levando a caneca até a boca e saiu. Amália riu balançando a cabeça.


Um pouco mais tarde.

Chegando ao escritório, Amália passava de cara fechada pelos corredores, apelidada de “General Smith”, por sua postura sempre rígida e séria. Não havia ninguém que lhe arrancasse um sorriso se quer naquele setor. Eram um bando de homens idiotas movidos as bolas de seus sacos, e gostavam de provocá-la.

– Bom dia Amália, quando teremos a sorte de vê-la com as lindas pernas de fora? - Carlos disse arrancando risadas dos colegas, enfatizando o uso regular de calças socais.

Amália parou em desgostou e se virou.

– Quando sair das fraldas e conseguir ficar ereto sem pilulas.

Simples, voltou a caminhar plena na direção da sua sala, Não ouviu resposta alguma, eles ficaram chocados demais, são raras às vezes que tomava seu tempo para responder-lhes, e quando fazia, não conseguiam debatê-la.

Respirou fundo sentando na cadeira, apertou as pálpebras que saltaram já com o stress, ligou o computador e apoiou-se na mesa já cansada e o dia nem havia começado direito. Os olhos percorreram os objetos sobre a mesa parou naquela fotografia tirada no natal. Estava ela, Melissa, Hugo e Natasha com um nariz vermelho e chifres de rena. O sorriso surgiu instantaneamente. Só deus sabe o quanto ela agradecia por ter conhecido aquele homem cujo o coração era tão puro e amoroso sua filha tinha as mesmas características, além de muito inteligente.

O que a vida queria mostrar? Fora um teste? Com qual propósito? Amália não apenas estendeu a mão para um pai e uma filha, também lhe entregou o coração e o amor. Ambos precisavam de ajuda, o destino se encarregou de uni-los sem aviso. Ninguém até o momento sabia o porque, talvez nunca soubessem. Dar um lar a eles desafiou a desconfiança de Melissa que aceitou o julgamento justo de sua irmã mais velha. E no final de tudo, elas não podiam mais ficar longe deles, principalmente da garotinha que tinha um sorriso tímido e olhos extremamente curiosos.

Deixou aqueles pensamentos de lado, concentrando-se na apresentação que fária daqui algumas horas. Relia, ajeitava mais algumas coisas, estava nervosa, talvez, ansiosa. A EMPIRE é uma empresa de peso e Derek Lynch mais ainda. Ouviu histórias, não podia garantir que todas eram verdadeiras, mas, com certeza aquele homem sabe o que faz. Justo, seguro de si, havia qualidades demais para descrevê-lo, além de acrescentar isso a sua empresa. Não havia uma notícia negativa ou escandá-lo, seu dinheiro era bem investido, exportando, importando produtos, a empresa tinha tantas vertentes que precisaria listar para citá-las.
O telefone tocou, a recepção pediu permissão para deixar dois de seus clientes subirem. Amália ajeitou-se na cadeira e olhou o relógio, faltava pouco para as 10hs00 da manhã e pontualmente Derek Lynch havia chegado. Ela deduzia que ele deveria ser extremamente chato com horários. Fechou alguns arquivos e levantou-se ajeitando a roupa, respirou fundo colocou sua postura autoritária outra vez.

– Quem vê pensa é alguém. - Zombou Carlos novamente a vendo passar. – A secretária esnobe.

*Amália não devia ter parado, apenas ignorado e seguido em frente, mas aquele babaca estava pedindo para ser humilhado devidamente.

– O que foi secretária? Seu chefinho ainda não lhe deu ordens?

Se viro os punhos fechados e caminhou para mesa dele deu a volta puxando sua cadeira e o levantando ficando frente a frente.

– Se acha engraçadinho Carlos? Acha mesmo que pode me rebaixar com essas suas frases treinadas em frente ao espelho? Hm? - Disse alto e bom som recebendo os olhares dos outros. – Você não pode lidar com uma mulher acima de você, imagine o quão decepcionada deve ser sua esposa. - Cutucou seu ombro. – Eu não te mando embora porque gosto de vê-lo desesperado toda vez que cruzo a porta.

Sorriu e se afastou, encarou aqueles homens que evitavam seu olhar sério.

– Façam todas as piadas que puderem, apontem, riam, mas não se esqueçam. - Ajeitou o seu terno colocando as mãos no bolso da calça olhando cada um deles. – Sou eu que mando em vocês. - Lançou o olhar para frente. – Cavalheiros… sigam por favor.

Virou-se mantendo a cabeça erguida, não se importava se Derek Lynch dissesse algo sobre sua atitude, já engolia coisa demais daqueles idiotas, poderia, fofocar o quanto quisessem soltar seu veneno e mentiras. Não se importava. Deu a volta na mesa, mostrando os lugares e por fim estendeu a mão para cumprimentá-los.

– Bom dia senhores, sinto muito pelo que viram e ouviram. As vezes preciso mostrar quem manda por aqui.

– Acredite não há coisa que eu mais goste do que funcionários sendo colocados no devido lugar. - Brincou Caleb acenando com um sorriso no canto dos lábios.

– Tem muitos problemas desse tipo? - Perguntou Derek abrindo o botão do paletó sentando-se.

– Mais do que eu gostaria para ser sincera. - Apoiou as mãos sobre a mesa. – Todavia, não estamos aqui para falar de mim.

– É uma ótima advogada, mas lhe tratam como uma secretária. Não menosprezando esse serviço, porque eu sem minha Helen não seria ninguém. - Ela sorriu com o cometário. – Mas acredito que se não você fosse e sua irmã essa empresa já estaria no vermelho.

– Queria entender porque o outro advogado foi embora? Por curiosidade. - Perguntou Caleb e a mulher ergueu os ombros.

– Se soubesse que teria que limpar as sujeiras de um homem adulto, também teria ido embora. - Eles sorriram acenando. Gostaram daquela mulher. – E acredito que a reunião seja sobre isso… O contrato de vocês com Domênico foi muito antes de mim. Há algo de errado agora?

– Além do seu chefe? - Caleb tem a expressão séria, mas tinha um senso de humor que a agradava.

– Porque ainda estão aqui? - Derek a encarou. – Eu a vi no tribunal e tenho que dizer, não a desafiaria, seria capaz de tirar tudo de quem cruzasse seu caminho.

– Eu estudei para dar voz aqueles que não conseguem, Melissa e eu fazemos de tudo para ganhar da maneira justa.

– Mas trabalham para um homem que não é nenhum pouco limpo. - Ela ergueu uma das sobrancelhas sem responder. – Porque continuam aqui?

Ela olhou para Caleb e depois para Derek. Não sabia o que queriam, mas, com toda a certeza não era sobre o contrato, eles estavam questionando de mais sua lealdade a Domênico o que ela seria sincera… não havia nenhuma. Amália não ia embora porque seu maldito chefe a chantageava. Ele ameaçava sua irmã mais nova. Ajeitou-se incomodada na cadeira pensando o mais rápido que poderia, mas por um milagre seu celular tocou. Não atenderia, mas o nome de Melissa chamou sua atenção.

– Mel?

Amália, graças a deus, você está na sua sala? - A voz de sua irmã estava afobada e de parecia assustada.

– Sim… Mas

Então sai dai.

Ouviu as batidas e sem esperar a resposta Melissa abriu a porta, estava com o rosto pálido.

Vem aqui. - Ela falou em francês, aquilo não era bom sinal. A acenou para os homens sentados.

Amália se levantou apressada, encostou a porta e segurou nos ombros da irmã que tremia.

O que houve você está pálida Melissa.- Entregou-lhe uma pasta vermelha e logo em seguida um envelope. – Tribunal de justiça?

– Domênico está sendo indiciado outra vez, e é muito mais grave… O oficial não pode chegar perto da empresa e nem dele. -
Ergueu os braços mostrando os punhos vermelhos, Melissa segurou as lágrimas. – Os homens dele tentaram me impedir de pegar isso.

Amália sentiu o estômago revirar e o peito queimar de ódio. Acariciou os cabelos da irmã, passou os olhos no setor não poderiam conversar muito ali, então abriu a porta a mandando entrar.

– Perdoem-me por isso. - Amália disse, indo até a jarra de vidro pegando um copo de água entregando a sua irmã. – Se acalme. - Sussurrou a ela.

– Algum problema?

Caleb perguntou franzindo o cenho, mas não conseguiu terminar de falar porque a porta fora aberta com certa violência com dois homens que haviam entrando sem ao menos pedirem permissão. Amália colocou-se a frente da irmã o mesmo instante lhe entregando a carta, Melissa engoliu a seco colocando a carta dentro da jaqueta.

– Posso saber com que autoridade vocês ogros entram no meu escritório no meio de uma reunião?

– Não é da sua conta madame. – Disse um deles empurrando-a para lado, Melissa tentou dar um passo para trás, mas fora agarrada com força no antebraço. – A senhorita vem com a gente porque não deveria estar aqui.

Amália quase avançou contra aquele idiota, mas Derek entrou em sua frente a segurando e Caleb fechou a porta do escritório encarando aquele outro homem que tentou o desafiar apenas se aproximando, mas ele nem se abalou.

– Soltem a moça. - Derek disse naquele tom baixo e intenso. – Caso contrário não sairão daqui.

– Afaste-se, nosso problema não é com o senhor. - O olhou de baixo para cima com desdem. – Ou tera um.

Derek ria fraco, colocando as mãos dentro do bolso da calça mas, não teve tempo de responder, viu Amália colocar-se a frente e empurrar aquele homem bem mais alto que ela e logo o puxou pela gravata.

– Tira essa sua mão imunda da minha irmã seu filho da puta ou o seu problema vai ser comigo e a surra que eu vou te dar.

Ele riu, mas não esperava que a mulher tirasse um estilete da manga o enterrando em seu ombro, não satisfeita Amália lhe deu uma bela cabeça. Puxou Melissa para trás e viu Caleb segurar o outro homem o imobilizando.

– Amália chega! – Mel tentou segurá-la, mas não conseguiu a vendo aproximar-se novamente e de repente Derek parou a sua frente pegando a carta de dentro de sua jaqueta. – O que…

– Deixe isso comigo. - Fez um sinal de silêncio e se virou a tempo de ver o pelo chute que Amália dera na barriga do outro.

Passou por Caleb abrindo a porta, caminhou cheia de fúria pelos corredores, bem ao fundo daquele andar afastado, havia mais uma porta onde estava seu chefe, abriu quase quebrando o pequeno vidro. Domênico Klaus estava inacreditavelmente cheirado cocaína e assustou-se com a violência que aquela mulher entrou, estava prestes a falar algo, mas não conseguiu. Amália pegou o picador de gelo rodando-o pelos dedos e o fincou na mesa de madeira prendendo a manga do homem.

– Dá próxima vez que for fazer alguma merda, pode esquecer que eu existo Domênico, não vou ficar limpando a porra da sua bunda e afundando mais nas suas armações seu desgraçado – Apontou o dedo em seu rosto sujo. – Encoste na minha irmã mais uma vez, e prometo vou acabar com você, ate é a próxima geração.

– Está maluca Amália, eu vou fuder você. Não pode fazer isso, eu sou mais forte que você. Faço o que bem entendo, e trabalhará para mim, estou pouco me fudendo pra você e a vagabunda da sua irmã.

Ela sorriu e negou.

– Não Domênico… Eu sou Amália Smith, a advogada do diabo lembra? E tudo o que você fez fui eu que te livrei. - Apoiou-se na mesa se aproximando. – E agora o diabo está vindo te cobrar, e pode ter certeza, ele não esquece nada!

Puxou o picador e se virou para sair. O homem se levantou.

– Não pode me vencer Amália, tudo o que você se tornou, foi por minha causa sua vaca, nunca vai poder me tocar! – Disse rindo, abriu os braços na intenção de demonstrar seu poder.

Ela se virou e lançou aquele picador, Domênico se abaixou vendo o objeto ficar preso na parede atrás de si acima de sua cabeça.

– Nos vemos no tribunal.

Fechou a porta, o seu ódio estava queimando dentro, foi a gota d’água, um ano inteiro aguentando seus insultos, assédios e chantagens. Amália nunca foi de abaixar a cabeça, seu limite finalmente foi atingido. Ninguém tocaria em sua irmã outra vez. Alguns funcionários estavam curiosos pela barulheira espiando para saber o que tinha acontecido, alguns de pé tentando ver a sala da mulher que entrou e fechou a porta apenas encontrando Derek olhando pela janela.

– Sua irmã está com Caleb, ficará segura. - Se virou. – Já tratei de tirar aqueles dois do prédio, não vão mais incomodá-las.

– É por isso que veio não é? Eu e Melissa. Não tinha nada com o contrato. - Aproximou-se. – O que quer senhor Lynch?

– Uma hora ou outra, Domênico vai se afundar, você sendo advogada e secretária dele está indo para o mesmo caminho e isso não é bom. - Olhou sua mesa depois para ela novamente. – Ser chamada de advogada do diabo não é bom para sua imagem.

– Eu lido muito bem com isso.

– Mas não vai depois que enfrentá-lo, Klaus é um nome grande demais, e não querendo ser rude, você perto deles… Não passa apenas da idiota que o livrou das prisões. - Aproximou-se. – Nenhum caso depois de sair daqui vai importar Amália, vai estar exposta.
Derek tinha razão, sabia disso, mas o orgulho de Amália falava mais alto e iria enfrentá-lo de qualquer maneira. Balançou a cabeça.

– O que quer eu desista? Abaixe a cabeça mais uma vez? Senhor Lynch, não sabe nem da metade do que eu passei aqui dentro, nem minha irmã. Posso arriscar minha carreira, mas eu destruo Domênico Klaus.

Aquilo fez Derek sorrir.

– Gosto de você Amália, é determinada e corajosa. E por isso vim até aqui tirar-lhe desse buraco, você e sua irmã. - A mulher franziu o cenho sem entender. – Vai precisar de ajuda enquanto estiver no tribunal e por isso… - Tirou o envelope de dentro do paletó a entregando. – A EMPIRE está de portas abertas para vocês.

Derek disse ajeitando a roupa indo na direção da porta.

– Está me contratando? - Ela se virou antes que saísse.

– Caleb as acompanhará para ficarem seguras.

Ele sorriu antes de fechar a porta. Agora estava atordoada, começara uma briga com um nome de peso como Domênico Klaus, mas ganhou um aliado ainda mais forte, Derek Lynch.

Mas Amália e Melissa estavam com os nervos a flor da pele. Ambas pegaram seus pertences saindo imediatamente daquela empresa, parecia discutir com olhares, foram acompanhadas por Caleb até a sua casa, a mulher tratou de despedir-se e agradecer o homem por dispor do tempo para companhá-las. E mal entrou em casa Melissa estava de cara fechada.

– Não…

– Não? Você enlouqueceu Amália! - Mel nunca foi de gritar, mas estava nervosa. – Sabe bem que aqueles dois podem processá-la por agressão, saiu descontrolada e cega, ameaçando Domênico. Ficou totalmente fora de controle!

– Eu deveria ter batido mais ainda! Queria que deixassem levar você? Veja o que fizeram em poucos minutos! NINGUÉM TEM DIREITO DE TOCAR EM VOCÊ!

– VOCÊ NÃO SABE DA METADE DO QUE JÁ PASSEI COM AQUELE FILHO DA PUTA AMÁLIA! – Gritou de volta, desviou o olhar sentindo-os encherem de lágrimas.

– Do que está falando Melissa… Melissa olha pra mim. - Aproximou-se puxando-a pelo ombro. – Melissa…

– Ele… fazia o que bem entendia comigo, sempre sabia quando estava sozinha nos arquivos… Ele…

– Tocou em você? - Recebeu um aceno silencioso e aquele ódio só cresceu. – Ele te machucou não é? Chantageou?

– Amália, por favor…

– Eu vou matar esse desgraçado. - Mel tentou segurá-la mas logo se soltou.

– Vamos apenas ir embora, desvincular nossa imagem a ele, Amália não podemos vencê-lo é loucura.

– Eu não tenho medo dele e de ninguém! - Encarava o lado de fora da janela. – Cada contrato, cada filial, cada centavo… Eu vou fazer Domênico Klaus ajoelhar-se na minha frente e chorar. - Se virou e Mel abaixo a cabeça, sua irmã estava assustadoramente cheia de ódio. – Ele me ameaçou, me assediou colocando seu nome no meio… E fez o mesmo com você, não me peça pra ser fraca, abaixar a cabeça e deixar isso de lado. EU NÃO SOU COVARDE!

– Mas eu sou! - Confessou ainda chorando. – Eu nunca tive força para lutar nem contra nosso próprio pai, imagine um homem como os Klaus? Nunca serei uma campeã como você irmã… Será sempre melhor que eu…

– Não. Não Melissa. – Aproximou-se a abraçando. – Eu e você somos diferentes, mas não somos uma melhor que a outra, nunca seremos porque somos uma equipe, eu amo você e por isso quero te proteger.

– Você não é minha mãe… - Brincou Mel rindo baixo.

– Não… - Sorriu. – Mas sou sua irmã mais velha e vou proteger você até o último dia da minha vida e isso inclui acabar com Domênico.

– Amália…

– Derek nos contratou. – Melissa ficou surpresa. – Exato… Ele sabe que Domênico vai se afundar sozinho e queria nos tirar dali, porque somos boas no que fazemos… Imagine Mel… A EMPIRE.

– Nós nem fomos desligadas ainda… Derek te disse isso? - A viu acenar. – Que homem… - Fizeram um breve silêncio. – Você deveria ter deixando ele resolver o problema.

– Ah Melissa, vai toma no cu.

– Ei! - A empurrou sem muita força. – Chega, vamos almoçar e depois ir para a apresentação da escola.

– Eu não vou.

– O que? Porque?

– Vou atrás de provas contra Domênico. - Melissa revirou os olhos e afastou-se pegando a bolsa. – Mel isso é importante.

– Faça o que quiser. - Tirou a chave do carro do bolso indo em direção a garagem. – Você tem suas prioridades e a minha é a Natasha.

E sem responder ao que Amália tentou lhe dizer saiu determinada. Melissa podia entender em partes o ódio e a sede de vingança de sua irmã, mas ela também conhecia os limites, não podiam jogar contra um homem como Domênico e sua família. Seriam esmagadas como baratas. Assim eram suas diferenças, Mel sabia quando desistir e não arriscar ao limite, já Amália, ultrapassava todos eles sem medir consequências.
Melissa estava triste, nervosa e ainda confusa, as coisas começavam a ficar de ponta cabeça e para alguém tão metódica como ela, aquilo a deixava ainda mais apavorada. Passou em um restaurante qualquer para almoçar, depois em uma loja comprando uma pequena pelúcia de gato como presente para Natasha. Dirigiu-se até o colégio, estacionando da rua mesmo, havia diversos carros e pais indo em direção ao portão de ferro pintando de azul. Permitiu-se sorrir, os problemas da empresa e qualquer outro não deveriam passar por ali e apenas aproveitar o momento. Caminhou pelo pátio, corredores até a sala de teatro que estava maior do que da última vez que se recordava.

Seus olhos percorreram a multidão de adultos, crianças e alguns adolescentes, mas quem a encontrou primeiro fora a pequena figura que empurrou alguns colegas indo em sua direção.

– Tia Mel! - Lhe deu aquele abraço apertado. – Que bom que chegou. – Procurou outra pessoa. – A tia Amália… não poderá vir?

– Desculpe querida… Ela está com alguns problemas, também gravarei para seu pai. - A viu fazer aquele semblante triste, mas logo sorriu.

– Tudo bem, papai disse que não poderia vir, mas estou feliz que esteja aqui.

– O que vão apresentar? - A menina deu pulinhos animada e balançou a cabeça.

– Segredo! - A abraçou outra vez. – Tenho que ir.

Nem respondeu, apenas riu a vendo correr de volta para o lado dos professores. Melissa ficou na parte de trás onde conseguia uma visão de todo o palco, as cadeiras na frente todas ocupadas com seus parentes orgulhosos com seus filhos, netos, o que seja. Não havia lembrado que era um show de talentos, apresentações mensais dos alunos diversificadas, muito divertido até. Primeiro foram as crianças, tão fofas e desajeitadas, ria com aquelas que se perdiam e saiam do palco, tão inocentes. Estranhou quando viu alguns colegas da turma da Natasha se apresentarem, mas ela não estava entre eles. Geralmente eram organizados por idades e por algum motivo, não subiu ao palco. Ficou batendo os pés no chão, curiosa e com certo receio.

– Mais um pouco e vai abrir um buraco no chão. – A mulher se assustou dando um passo para o lado encarando sua irmã que sorriu. – Desculpe, por tudo.

– Não me mate mais do coração Amália…

– Desculpa! – A empurrou levemente. – Natasha já se apresentou? - Mel negou com o cenho franzido.

– Não… E estou preocupada, porque… Sabe, apesar de ser boa nas matérias os outros alunos zombavam dela lembra? Por causa que não falava bem o inglês e agora, não subiu no palco com o pessoal da classe.

– Que estranho… - Amália procurou na multidão e encontrou a menina conversando com um rapaz bem mais velho que ela. Parecia encorajá-la, tocava em seus cabelos e sorriu de maneira gentil. – Quem é aquele ali? - Apontou.

Melissa negou sem saber, viu uma senhora passar com uma prancheta na mão ao lado delas e a chamou.

– Com licença… perdão. – Sorriu gentil para a senhora que retribuiu. – Quais são as próximas apresentações? É que… nossa sobrinha não subiu ainda.

– Qual o nome dela?

– Natasha Losev.

A mulher nem olhou nas folhas e apenas tirou os óculos apontando para frente.

– A apresentação do coro e da banda da escola é agora, sempre fica por último. - Ajeitou os óculos mais uma vez e estava prestes a sair, mas Amália se aproximou.

– Como assim? Ela está no coral?

– Sim, e na banda. Eu mesma a convidei, Romeu a trouxe e ela simplesmente é um talento nato. Com licença preciso organizá-los agora.

Sem saber o que falar, ambas se entreolharam.

– A Natasha toca? - Perguntou Amália.

– Ela canta? - Melissa lançou outra pergunta erguendo os ombros.

Boa tarde a todos, estamos felizes que estejam gostando dessa bela reunião. - Disse aquela senhora que abordaram. – Por último e não menos importante, trago a vocês o coral e a banda do colégio, reunidos há uma apresentação muito especial.

Melissa cutucava e empurrava sua irmã que já começava se irritar com sua agitação, agarrou em seu braço dando pequenos pulinhos. Sua animação chegava a ser infantil demais, mas não iria repreendê-la, estava feliz e ela também em ver Natasha não ter medo de subir no palco. Até alguns meses quase não falava nem para apresentar os próprios trabalhos e agora receberam a bomba que estava no coro e na banda. Quer surpresa maior? Sim, por essa elas não esperavam.

O garoto de cabelos loiros que caiam sobre a testa aproximou-se do microfone, as vozes femininas gritaram e assoviaram, ele deu aquele sorriso de canto típico do adolescente conquistador que toda escola tem.

Boa tarde. - Mais alguns gritos. – Bem, muitos de vocês já devem me conhecer, sou Romeu Wright, estou no último ano. – Ergueu os braços. – Pois é, porém o ano ainda não acabou e como um pedido especial, hoje a música é dedicada ao pai dessa mocinha que se juntou a nós. - Se virou estendendo a mão para Natasha que estava vermelha e totalmente tímida.

– Ele é lindo. - Sussurrou Amália para sua irmã. – Era fácil o seu tipo na escola. - Recebeu um soco.

– Cala a boca. - Retrucou, mas acenou com a cabeça. – Com certeza era. - Riram baixo. – Levantar essa câmera mulher! Não podemos perder nada disso. Natasha está tocando para o Hugo.

Amália logo tratou de acalmá-la pegando a câmera dentro da bolsa da irmã. Romeu o rapaz, disse algo para a menina que apenas acenou e fora em direção ao piano no centro no palco. Melissa não conseguia parar de se mexer ansiosa, viu o coral se posicionar, a banda sinalizar que estava tudo certo e o garoto pegou o pedestal com o microfone levando para perto do piano e sorriu acenando.

Can anybody find me somebody to love?

A voz de Romeu era simplesmente sutil tão agradável aos ouvidos, era de se esperar ser o vocal principal, sem mencionar a boa aparência e a presença no palco. Mas para aquelas duas mulheres, o mais impressionante não era ele, e sim a pequena garotinha que na verdade estava crescendo, demonstrando cada dia uma novidade, um talento. Natasha nunca se expressa devidamente, sempre em silêncio com aqueles olhos curiosos observando tudo, não disse nada sobre aquilo e isso deixou ambas emocionadas.
Eram duas idiotas chorando ao vê-la tocando piano, cantando junto ao coro. Aquele jeito introvertido era a coisa mais graciosa no palco. Como pode esconder uma habilidade daquela? Estavam hipnotizadas. E claramente emocionadas com a escolha obvia da música. Queen, é uma das bandas preferidas de seu pai e cantar Somebody to love não era nada fácil, agora, tocar junto? Amália e Melissa pareciam mães orgulhosas, aquela menina era a coisa mais preciosa que poderia ter aparecido em suas vidas.

*Amália virou a câmera na direção da irmã que limpava as lágrimas e acenou para frente e disse claramente. Eu amo você. Melissa não sabia descrever o quanto gostava daquela menina e também de Hugo, eles são parecidos demais. A doçura e o sorriso.

Houve aplausos, mais assovios e muitos deles vinham do fundo – mais especificamente de duas doidas. – As crianças e os adolescentes deram um passo para frente formando uma fila, curvando-se e agradecendo. Romeu acariciou os cabelos de Natasha que ergueu a cabeça sorrindo, e logo acenou para frente vendo Amália e Melissa dando pequenos pulos no fundo, mas ela apontou puxando a camisa de Romeu e pulou do palco correndo.

– O que essa doida tá fazendo? - Perguntou Amália seguindo com o olhar e ali no corredor improvisado, cutucou Mel e apontou. – É um dia e tanto.

Hugo abaixou recebendo aquele abraço tão apertando e cheio de carinho, também tinha lágrimas escorrendo pelo rosto. Era sua princesa, a menina mais doce da terra, não acreditava que conseguiu chegar tempo o suficiente para ver aquele espetáculo, modéstia parte. Estava orgulhoso demais de sua filha e aquela bela apresentação. Romeu se aproximo o cumprimentando e Amália e Melissa se aproximaram.

– Prazer em conhecê-los finalmente, Natasha fala muito de vocês. - Acenou com a cabeça sorrindo logo em seguida para as mulheres. – Desculpe não poder ficar mais tempo, mas preciso ajudar o resto da banda a aguardar as coisas.

– Eu posso ajudar! – Nath disse animada e ele riu.

– Claro que pode bonequinha russa, mas deixe esse serviço para os mais velhos. - Abaixou-se bagunçando mais seus cabelos. – Boa tarde a todos.

Acenou mais uma vez para a menina que retribuiu se virou agarrando a mão do pai que sorriu. Em uma rápida sessão de perguntas, Natasha contou que o garoto a encontrou ensaiando sozinha no piano, queria fazer uma surpresa para o pai e então, Romeu disse que a ensinaria tocar. Podemos dizer que Romeu é um rapaz de bom coração e ficou interessando na menina que se dedicava sozinha a aprender uma música difícil, assim, para alguém com conhecimento nulo.

É engraçado como a vida apresenta diversas pessoas, as fazem passar por nós para aprender algo, cada dia uma lição seja boa ou ruim, sempre um conhecimento diferente. Dias cheios de emoções, surpresas, dúvidas. O destino não brinca em serviço, mantenha os olhos abertos aos detalhes.

Novembro – 2010 – 22hs20 EMPIRE.

Amália estava praticamente enterrada em arquivos, pilhas de papel sobre a mesa, o esmalte da unha era descascado sem perceber por conta de sua concentração lendo outra notícia no computador. Estava irritada, o caso já intitulado Klaus, foi previamente recusado com a ridícula desculpa que as provas eram “insuficientes”, fracas demais. Passou os dedos nos fios suspirando pesado, encostou-se na cadeira retirando os óculos.

– Não está tarde demais para estar aqui senhora Smith? - Amália revirou os olhos encarando Caleb encostado na porta com braços cruzados.

– Você só aparece pra irritar Oswald? - Ele riu aproximando-se ajeitou o terno e apoiou-se ao lado da mesa. – Sabe que não gosto que me chame de senhora.

– Senhorita não é.

– Sai daqui.

Ele riu de novo.

– É verdade o que andam dizendo? - Ela ergueu uma das sobrancelhas. – Que jogou um picador de gelo no Domênico.

– E você agora da ouvidos as fofocas de corredor? - Caleb deu aquele sorriso a fazendo desviar o olhar.

– Não disse que foi aqui. Domênico queria colocar esse fato no tribunal, mas parece que ele não tem provas o suficiente. - A mulher balançou a cabeça.

– Como não? Ele tem o próprio picador com as minhas digitais.

– Realmente jogou nele? - Perguntou outra vez.

– Sim.

– Então acho que você me deve uma bebida. - Ela riu sem entender e Caleb tirou de algo de dentro do terno. Amália se levantou dando a volta na mesa. – Parece que eu te livrei.

Viu o picador, não pode deixar de sorrir, aproximou-se o vendo apoia-se mais sobre a mesa.

– Porque fez isso? - Ele jogou e pegou o objeto.

– Já terá dor de cabeça demais ao enfrentá-lo, não precisa de mais um empecilho. - A encarou. – É boa de mira? - Ela acenou. – Quão boa é?

O sorriso dela foi rápido assim como pegou aquele picador o cravando entre os espaços dos dedos de Caleb que estava sobre a mesa. Nenhum deles pareceu piscar nem por um segundo.

– Boa o suficiente. - Se distanciou voltando para sua cadeira.

– Porque não apostamos… - Levantou-se puxando aquele picador mais uma vez, o jogou de um lado para o outro e se virou a vendo de braços cruzados o encarando. – Há um lugar não muito conhecido, onde podemos beber e atirar, consequentemente, quem fizer mais pontos não paga a rodada.

– Quer me levar para um bar clandestino que tem armas? - Ele simplesmente acenou com a cabeça. – O que faz acreditar que eu aceitaria?

– Eu conheço o ódio e você está cheia dele, nada mais justo do que descontá-lo em algo. Que não seja a cabeça de Domênico. Então vamos…

O que poderia dizer? Caleb era um homem esperto, a bons meses vem se mostrando eficaz e particularmente sedutor. A conhecia melhor que ela mesma muitas vezes. Por mais que esteja certo, não podia perder tempo, tinha coisas importantes para fazer.

– Em parte tem razão. - Disse por fim sentando-se. – Mas eu tenho muita coisa e ficar bêbada em um lugar desconhecido não está nos meus planos. Obrigada pelo convite.

Ela havia acabado de salvar os arquivos quando Caleb puxou o fio do computador da tomada, o encarou agora completamente puta, mas com agilidade puxou-a pelo braço o deixando preso pelas mangas com o picador, assim como fizera com Domênico. Sem aviso ele ergueu seu rosto próximo demais quase a beijando.

– Isso não foi um convite, foi uma intimação. - Ele sorriu ao ver aquele ódio crescer, seus olhos brilhavam. Afastou-se dando-lhe as costas, ajeitou o terno. – Sem estiletes ou picador de gelos está bem? - Abriu a porta e a encarou. – Estou te esperando lá embaixo.

Soltou-se com a vontade gigantesca de enfiar aquele negócio em sua perna, respirou fundo controlando-se, caso contrário realmente mataria Caleb por tamanha ousadia. E mesmo irritada e repleta de ódio, ela gostou. Gostava daquela ousadia de homem. Poderia tê-lo deixando esperando, mas não fez. Desceu até o estacionamento e o viu encostado na parede, jogou o picador e a chaves do carro em sua direção.

– Vamos no meu carro.

Ele sorriu e apenas concordou, guardou aquela prova novamente no bolso e a seguiu.

De certa maneira aqueles dois eram muito parecidos.

O caminho não foi tão longo, mas desconhecido para ela, becos e ruas que nunca pensaria em passar. Um local aparentemente abandonado e vazio, estacionou naquele terreno baldio ao lado de um grande armazém, os sapatos pisavam nas pequenas pedrinhas e Caleb estendeu a mão para ela.

– Quer ajuda? – Ela o olhou de cima para baixo.

– Que mulher eu sou se não conseguir andar com meu salto em terreno perigoso. - Caleb riu. – Lembre-se que trabalhei com Klaus.

– Um verdadeiro campo minado de homens babacas. - Completou ele a acompanhando, bateu na porta e a pequena janela fora aberta e ele nada disse apenas encarou o homem do outro lado. E a porta e abriu. – Aqui não será diferente. – A deixou passar na frente. – Vamos apostar em quantos homens vai pisar agora?

– Começando por você?- Aquele sorriso de Amália o intrigou a seguindo.

Pela parte exterior ninguém daria absolutamente nada para aquele lugar, mas era muito bem mobilhado e bonito, um bar rústico, apenas pelo lado direito havia uma parede espelhada e pelo som abafado ela sabia que ali estavam atirando.

– Aprova de balas e som. - Comentou Caleb ao seu lado. – Aqui tem quase todo tipo de gente…

– Todas com um pé no lado sombrio desse mundo aposto. - Lhe lançou um olhar sob o ombro. - Caso contrário não ficariam escondidos.

Um homem foi jogado daquela porta, caído no chão bêbado, balbuciava algo sobre pagamento e Amália simplesmente passou por cima seguindo para a mesa mais a frente. Sentou-se sendo acompanha por Caleb que abriu o tenro.

– Deixe-me adivinhar… Empréstimo de dinheiro, bebidas, prostitutas, apostas. - Caleb ergueu os ombros. – E uma diversão para os loucos.

– Não há nada tão ilegal assim senhora advogada, apenas escondido para que não precisem registrar as armas que estão la dentro. - Ela riu balançando a cabeça.

– Eu não sou tão chata quanto pareço. - Olhou mais uma vez aquele grande salão. – Alguns são ex-militares, outros não sei… mas veem aqui porque não há outro lugar para suas mentes perturbadas, além de uma clínica.

– Boa observação.

Se entreolharam por alguns instantes antes daquela garçonete se aproximar com dois copos de whiskey, ela acenou brevemente logo saindo, não parecia de bom humor. Amália pegou a bebida e deu um gole surpreendendo-se.

– É boa quem diria. - Ele acenou.

– Eu disse que nem tudo é tão ilegal. - Bebeu logo em seguida. – É verdade? Domênico vai levar o pai para o tribunal?

Ela acenou, o suspiro pesado veio logo em seguida, balançou brevemente o copo pensativa.

– Melissa está com medo e repete para que eu desista, mas não vou, me recuso a ser humilhada por ele de novo. - Ele não disse nada, apenas a observava. – Só de lembrar as coisas que fez comigo e com ela. Puta merda!

– Homens como ele são desprezíveis. - Deixou o copo vazio ali. – E ainda chamou o pai já que não consegue fazer nada sozinho, um lixo com certeza.

– Porque ainda matem o contrato com ele? Não… Para começo de conversa, porque fizeram um contrato com ele?

Caleb encostou-se na cadeira e pensava sobre o assunto.

– Talvez não entenda agora, mas para frente quem sabe o próprio Derek não te explique.

Um homem se aproximou ao lado de Amália que não fez questão de erguer o olhar, ele apoiou-se na mesa e sorriu.

– Olá gracinha, não gostaria de dançar?

– Não. - Terminou de tomar o whiskey.

– Então outra bebida? Hm?

– Não. – O encarou. – Cai fora.

– Ah não fale assim querida… – Ele se sentou na cadeira ao lado, Caleb moveu-se para resolver, mas a viu erguer a mão. – Assim tão bonita e mandona, eu gosto.

– Encoste em mim e sua mão nunca encostara em outra coisa.

O ameaçou vendo sua mão aproximar-lhe de sua coxa, e mesmo assim aquele idiota não recuou apenas sorriu. Amália lançou um olhar para Caleb, ele ergueu o ombro em resposta, seria decisão dela, sabia que sua paciência para aquele tipo de gente era inexistente.

– Meu caro, se não quer apanhar de uma mulher acho melhor escutá-la. - Ele disse por fim recebendo finalmente a atenção do bêbado. – Levante e saia.

– E você é o que? - Ele sorriu torto e se levantou quase cambaleado. – Quer se intrometer porque? Essa mulher aqui…

Amália sentiu sua mão tocar-lhe o ombro e nem avisou uma segunda vez, o puxou para baixo e bateu sua cara na mesa, ele voltou a cambalear com o nariz sangrando. Ela se levantou pegou o guardanapo da mesa e fora em sua direção empurrando o papel em seu peito.

– C A I F O R A!

Deu as costas pegando o copo indo em direção ao bar, o colocou em frente a moça que sorriu pela primeira vez naquela noite e encheu com whiskey outra vez, acenou sutil. Ela virou aquela bebida e o senhor ali encostado ergueu o copo.

– Boa moça.

Amália acenou em silêncio e caminhou na direção daquela parede espelhada e desabotoou o seu terno o retirando, lançou o olhar para Caleb que já se aproximava, o viu dar dois tapas no ombro daquele idiota.

Eu avisei.

Ela passou pela porta, jogou a roupa na primeira cadeira que encontrou, observou aquele lugar era grande, as instalações não pareciam parte do armazém mas, construídas como uma expansão. Parede mais grosas revestidas para abafaram os tiros, alvos de todos os tipos, a mulher calculou pelo menos 50 metros e olhou para chão que parecia ser de metal. Era um lugar bem feito, a deixou deveras impressionada. Ao seu lado direito, antes das cabines de proteção estava um senhor atrás de um balcão cheio de armas que abriu um sorriso ao ver Caleb.

– Oswald! Quanto tempo não o vejo aqui dentro, o que houve? Stress?

– Meu caro Lúcio, hoje quem tem que explodir alguma coisa é ela. - Apoiou-se no cotovelo próximo ao homem que acenou.

– Caso contrário eu vou explodir a cabeça dele. - O velho riu.

– Algo especial ou apenas tiros livres? - Perguntou ajeitando os óculos, forçou a vista analisando a mulher. – Um momento, eu a conheço? - Ela colocou as mãos no bolso e negou com um movimento de cabeça. – Eu juro que já a vi em algum lugar… Espere, espere! - Ele ergueu a mão e se abaixou no balcão, ouviram um barulho de metal, parecia puxar uma caixa, resmungava sozinho e se ergueu com um pedaço de revista na mão. – Eu sabia. - Estendeu para Amália.

– Ah meu deus… - Ela riu apertando a curva do nariz. – O senhor guardou isso? Quanto tempo.

Entregou a Caleb que riu fraco.

Amália Smith pela terceira vez campeã na arquería. - Leu artigo o devolvendo para o velho que sorriu amarelo. – Veja só, parece que realizei o sonho de alguém.

– Só isso também né, porque o resto deve ser um pesadelo. - Retrucou ela sorrindo daquela maneira sugestiva.

– Isso podemos discutir depois. - Sorriu de volta.

Lúcio deixou um arco sobre o balcão e depois pegou aquela aljava cheia de flechas, Amália pode ver os olhos daquele senhor brilharem em admiração, o sorriso no rosto, como poderia negar aquele pedido silencioso. Por mais que estivesse irritada, não era de seu feitio tratar uma pessoa mal, mesmo consumida pelo ódio, ainda mais um homem tão simpático quanto ele. Acenou suavemente pegando aquele equipamento que tanto amava, viu as laterais da cabine abaixarem dando-lhe mais espaço, sorriu passando ao lado de Caleb que apenas a observou.

Cinco alvos, dez flechas dentro da aljava, os olhos vorazes já traçaram um trajeto, pegou duas flechas, puxou e atirou, a campainha do alvo tocou e aquilo se repetiu até enfim acabar com sua munição. O velho torcia animado, batucou o balcão feliz e empurrou Caleb.

– Afiada como nos velhos tempos! 500 pontos senhorita Smith. - Ela sorriu voltando. – Exemplar como sempre.

– Pare com isso, não é para tanto homem. - Lhe devolveu o arco.

– Melhor que Caleb. - Ela riu tão alto ao ver o homem se virar semi cerrando os olhos para o velho de deu ombros. – Você é bom… mas ela é melhor.

– Ganhei a minha noite… - Respirou fundo vendo Caleb retirar o terno. – Hm acho que alguém está ofendido.

– Ofendido não, competitivo. - Jogou a roupa sobre a mulher que o xingou. – Lúcio o circuito.

– Ela também sabe atirar Oswald.

– Eu sei atirar Oswald. - Concordou com o velho que tinha os óculos na ponta do nariz. Lúcio realmente era um fã de Amália para saber tal informação.

– Então vamos ver. - Com as mangas da camisa já levantada Caleb recarregou aquela escopeta de cano cerrado a encarando. – Arme-se até os dentes, porque agora o jogo ficou sério.

Lúcio saiu do balcão com um controle na mão, deu alguns passos e puxou Amália um pouco mais longe próximo ao vidro e apertou o botão. O chão tremeu e as cabines foram descendo, uma outra parede aprova de balas subiu dividindo o espaço. Agora fazia todo o sentindo aquele lugar ser clandestino, a mulher soltou um palavrão sonoro ao ver aquilo, o velho a ajudou a ajeitar as armas e então ficou do lado esquerdo enquanto Caleb já esperava no outro lado. Ele acenou com um sorriso de lado.

Era o seguinte, cada alvo tinha pontuações diferentes dependendo de onde o tiro acertava a contagem terminava até o participante acabar com a última munição, o placar estava acima de suas cabeças na parede. Amália sabia atirar, ser boa naquilo era outra coisa, tinha a vantagem de 500 pontos na frente, mas não seria nada contra Caleb, um ex-militar das forças especiais.
E sim, Caleb não estava de brincadeira. Quando Lúcio deu a partida o homem parecia outra pessoa, concentrado, sério, seus olhos nem piscavam, os tiros certeiros, a recarga da arma ainda mais, sua agilidade em movimentar-se entre os alvos era de outro mundo. Os pontos subiam rapidamente, nenhuma bala era perdida, mas com sua habilidade e treinando acabou antes mesmo que a mulher. Não estava tão atrás na pontuação, mas comparado a técnica dele, com certeza era uma tristeza. Caleb estava de braços cruzados quando a viu dar o último tiro.

3.995 para Amália a 4.010 para Caleb.

– Nada mal, mas parece que perdeu. - A viu se aproximar, respirava um pouco mais rápido. Amália sorriu. – O que?

– Lúcio, quantos pontos vale o pardal ali em cima. – Peguntou sem desviar de Caleb.

– 100 pontos.

– Você não tem mais munição Amália. - Enfatizou ele.

– Não? - Puxou do bolso de trás da calça aquele picador de gelo.

– Filha da puta.

Amália sorriu e se virou lançando o picador, o pardal de madeira foi atingido ficando preso no teto.

4,095.

Ela lhe lançou um beijo e o deixou ali ajeitando a camiseta, pegou o terno esquecido na cadeira e acenou para Lúcio saindo dali. Caleb balançou a cabeça.

– Ficou tão vidrado na competição que nem a viu pegar esse treco na sua própria roupa.

– Ela é esperta.

Disse terminando de ajeitar a gravata, a observava passar pela porta de saída e franziu o cenho vendo certa movimentação no bar. Amália sentiu o vento frio, até mesmo o halito formava aquela fumaça branca, ajeitou os cabelos, a bolsa no ombro indo em direção ao carro. A chave estava em sua mão indo diretamente para a fechadura, mas fora tarde demais quando viu o reflexo de um homem atrás de si, ele a agarrou colocando um pano com cheiro insuportável em seu rosto. Ficou rapidamente tonta, mas conseguiu pisar no pé dele com a ponta do salto, jogou a cabeça para trás batendo em seu queixo, se soltou cambaleando apoiando-se no carro.

– Vadia…

Rosnou aquele homem que avançou contra ela, mas fora agarrado pelos ombros sendo arrastado, recebeu um soco no nariz e tentou revidar, o braço foi parado com facilidade e quebrado no segundo seguinte. Cambaleou gritando de dor, Caleb o chutou no estômago indo de encontro com mais dois homens que corriam em sua direção, puxou a arma que estava presa no quadril, foram apenas dois tiros, mas que atravessaram o cranio deles.

– CALEB! - Ele se virou na direção do grito e Amália estava com um estilete próximo ao pescoço, aquele mesmo homem que tentou levar Melissa.

– Abaixe a arma. - Caleb não obedeceu mesmo vendo uma gota de sangue escorrer pelo pescoço de Amália. - Domênico vai ficar sabendo que estão trabalhando juntos e não vai gostar nada…

– Você não vai viver pra contar. - A voz grave e cheia de ódio intimidou aquele idiota.

*Ao invés de cortar-lhe a garganta, enfiou a pequena lamina em seu ombro do lado direito, empurrou-a para frente na tentativa de ganhar tempo. Caleb lançou a arma para a outra mão, segurou-a com o braço direito e a tirou com a esquerda, viu o corpo cair na escuridão e concentrou-se em Amália.

– Oswald?! - Lúcio e outros saíram para ver o que estava acontecendo. – Ai puta que pariu… Pra dentro todo mundo! Vão, vão porra!

Caleb tirou o estilete e também o terno vendo a camisa branca já cheia de sangue do lado direito, Lúcio se aproximou com um pano.

– Vamos estanque o sangue. - Deu uma breve olhada. – O idiota errou, não vai matá-la. Vamos, vamos tire ela daqui, dessa bagunça eu do conta.

Sem questionar estancou o sangue a levando diretamente para o carro. Caleb dirigiu o mais rápido que pode, Amália estava enjoada e com a visão turva por conta da perda de sangue e também do álcool que inalou. Ele ligou para Derek informando o que aconteceu e onde, precisaram conversar depois, Derek garantiria que Melissa estivesse bem. Não a levou para casa e sim a dele, era melhor garantir que não desse brechas.

Já dentro do apartamento, Caleb a levou diretamente para o banheiro colocando-a sentada no vaso, retirou-lhe a camisa e começou a desinfetar o ferimento para logo fechá-lo. Ele tinha que admitir, Amália era forte sem mencionar corajosa, um verdadeiro osso duro de roer, nenhum momento a ouviu reclamar, chorar até mesmo sentir medo. Terminava de fazer aquele ponto e cortou com a tesoura, afastou-se a observando.

– Você está bem? - Demorou alguns instantes para responder.

– Melissa está bem? - Ninguém era mais importante do que sua irmã. O encarou e o viu acenar positivamente, escorou-se na parede respirando fundo. – Então estou bem.

– Deve se preocupar com o que vira daqui para frente, avisamos que Domênico joga sujo.
– Se acha que estou com medo, não me conhece. - Apenas lhe lançou um olhar sem se mover, não conseguia, estava com muita dor, o corpo parecia dormente. – Se tem uma coisa que eu tenho é persistência e agora… Domênico vai ver quem é o verdadeiro demônio.

– Onde aprendeu a atirar? - Ouviu seu suspiro pesado.

– Meu pai queria criar princesas, mas a única dama que conseguiu foi a Melissa. - Levantou-se e pegou a blusa suja no chão. – Ninguém manda em mim, ninguém me controla e se meu pai não conseguiu, os capachos de Klaus que não vão mesmo.

– Não respondeu a minha pergunta. - A seguiu, Amália se virou irritada.

– Porque a resposta é obvia Caleb.

– Você foi pega de surpresa, ferida e me viu matar três pessoas. – Continuou a encarando. – E em nenhum momento, vejo medo, surpresa ou horror. Porque?

Amália não respondeu, apenas se virou pegando o terno e a bolsa indo em direção a porta, saiu caminhando pelo corredor até o elevador.

– Quantas ameaças, quantos homens teve que enfrentar até chegar aqui? Noites mal dormidas com medo de alguém entrar na casa de vocês e ferirem sua irmã. - Caleb disse ali encostado na parede. – Foi chamada de advogada do diabo exatamente por enfrentar qualquer tipo de chantagem, mas não conseguia fugir da pior delas, a do próprio chefe. Você se armou, se preparou, não para se defender, mas para proteger sua irmã. Ela sabe o que já passou?

– Não.- Virou breve a cabeça sobre o ombro. – E nem você. - Assim que a porta se abriu entrou apertando o botão para o térreo, mas o homem não deixou a porta se fechar. Cansada e com dor Amália revirou os olhos. – Me deixe ir Caleb, preciso ver a Melissa.

– Ela está com Derek. - Respondeu seco. – Saia. – Só não cruzou os braços porque tinha muita dor, mas nem moveu-se o desafiando. – Vou contar até três.

– Conte até mil se for preciso.

Pode ver aquele sorriso, entrou no elevador assim que o sensor da porta apitou e ela se atrás dele. Caleb apertou o botão vermelho que travou as rodas, as luzes se apagaram, mas logo acederam.

– Então vamos contar, mas você só saíra daqui voltando para meu apartamento.

Amália tentou empurrá-lo, porém o braço direito não queria ajudá-la estava sem força, cansada e aquelas doses de whiskey a deixaram ainda mais lenta, o efeito do álcool deveria ter passado com tamanha adrenalina. Jogou a bolsa em sua direção o ocupando por alguns instantes a deixando passar, mas obvio que nem chegou a encostar nos botões, aquele desgraçado era mais rápido que ela. O corpo doía por inteiro e agora tinhas os braços presos para trás, ele encostou o rosto próximo ao dela.

– Você não tem medo de mim, é um grande erro. - Ela riu fraco e logo foi solta, virou-se para encará-lo.

– Eu não tenho medo de muita coisa e com certeza não tenho de você. - Destravou o elevador que abriu a porta quase de imediato.

– Mas não conta toda a verdade para sua irmã. - A seguiu com o olhar a vendo sair e caminhar de volta para o apartamento. – E mesmo assim não vai desistir.

– Estou cansada de discutir com você Caleb. - Girou a maçaneta da porta o encarando. – Da calar a boca?

O ouviu rir atrás de si enquanto entrava de novo no apartamento, jogou a bolsa do sofá sentindo o ombro fisgar, tirou o terno lentamente sua cabeça estava com problemas demais para ficar batendo boca com Caleb que tinha a mesma teimosia que ela. Não sabia onde chegaria depois daquela noite, o que faria, como poderia relacionar aquele ataque a Domênico. Homens foram mortos, estava em choque? Não. Porque? Isso era um motivo dela. Só que precisava uma maneira de destruir aquele desgraçado o mais rápido possível.

Foi na direção do banheiro, após receber uma toalha para tomar banho, tirou aquela camisa cheia de sangue, observou o corte e os pontos bem feitos. Desviou o olhar para a pia suspirando pesado, ouviu batidas na porta e Caleb lhe deixou algumas roupas.

Ela puxou a porta e segurou seu punho, houve um breve silêncio antes dela conseguir dizer algo.

– Obrigada. Se não fosse você não poderia estar nem viva. - Caleb se aproximou apoiando-se no batente da porta. – E tem razão em dizer que minto para minha própria irmã. Quero apenas protegê-la.

– Terá que fazer mais do que ser impulsiva, isso pode te matar. - A analisou de cima para baixo. – É realmente impressionante o tamanho da sua coragem. Gosto disso, mas precisa ser cautelosa partir de hoje.

Amália puxou sua gravata e o beijou. Não precisaram falar nada apenas a troca de olhares foi o suficiente, Caleb entrou no banheiro e fechou a porta.

Janeiro – 2011 –

Melissa caminhava a passos rápidos, ajeitou a luva de couro, o cachecol preto e o sobretudo acinzentado, toda vez que escutava passos tentava disfarçar, estava no subsolo da empresa Klaus. O que ela fazia ali? Nada de bom suponhamos.

Amália e ela estavam com dificuldades para levaram Domênico ao tribunal, a presença de seu pai Crowley era ainda pior, a mulher se tremia inteira apenas de ver suas costas. Com uma certa informação conseguida de maneira não ortodoxa, talvez tenham induzido a sobrinha a fazer um pequeno trabalho, apenas “por curiosidade”, mas para isso precisariam de um acesso de dentro da própria empresa, pois ela não conseguia acessar o arquivo do computador delas.

E era isso que ela fazia ali. Conhecia aquele lugar com a palma das mãos e mais uma vez pediram coisas para a pequena Natasha muito hábil com tecnologia e outras coisas. Por mais que brigassem para não fazer nada ilegal, estavam recorrendo a mais nova para ajudá-las. Depois queriam dizer que Natasha não podia ser curiosa demais, mas elas mesmas se contradizem, sendo iguais. Amália e Melissa não tinham mais acesso ao prédio e como entrariam sem chamar a atenção? Natasha mais uma vez achou a solução. A garotinha de 11 anos levou apenas um dia para criar um cartão magnético que abrisse as portas no prédio.

E funcionava muito bem, Mel caminhava pelos corredores discretamente, o cachecol escondendo parcialmente o rosto, já chegará no andar de TI onde ficava uma sala especifica da segurança onde tiram acesso as câmeras e todo o sistema. Parou, olhou para os lados esperando aqueles funcionários desaparecem pelo resto do andar, com passos mais apressados segurou a maçaneta da porta e passou o cartão vendo a luz verde acender, entrou rapidamente. A sala era apertada por conta das grandes estantes de metal, haviam diversos computadores, telas uma do lado da outra, as vezes empilhados, e ali no fundo, depois de esgueirar-se Melissa chegou ao computador de segurança.

Sentou-se na cadeira, tirou o pendrive encaixando na entrada ali do lado esquerdo, também pegou o celular, mas não teve tempo de ligar, pode ver o login e a senha digitarem-se “sozinhos” e a tela principal ser liberada. Sorriu balançando a cabeça. Aquela menina precisa ir para uma escola melhor. Observou a porta e também o que se passava no computador. Pastas e pastas eram abertas até chegarem aquelas câmeras de seguranças, Mel suspirou pesado assistindo, a que ponto estavam indo.
Elas tentaram legalmente, mas ninguém estava disposto a desafiar o filho de Crowley Klaus, ainda mais depois da primeira audição ter sido um verdadeiro desastre. Noticias sensacionalistas, pressão aumentando a cada tentativa. Não houve outra maneira, Mel concordou com Amália que precisariam jogar tão sujo quanto aquela família. Sua irmã iria para o inferno se fosse preciso, o que podemos dizer, não está nada longe, conseguiria destruí-los mesmo que custasse ainda mais sua carreira. E por isso Melissa não desistiria, Amália foi a mulher que absolveu os diversos crimes de Domênico e isso naturalmente já julgavam como péssimo, uma má influencia. E agora, estava querendo mostrar o contrário de tudo o que fez. Mel não abandonaria sua irmã por medo.

Amália lhe passava a coragem e confiança, não seria fraca e deixá-la receber todo o ódio e mentiras que viriam. Desejava ter pelo menos 1% daquela força e autoconfiança de sua irmã. A admirava, mas também a chamava de louca.

Teve os pensamentos cortados com o sms que recebeu o barulho o celular a fez dar um pequeno pulo da cadeira, encarou a tela do computador que mais uma vez esta bloqueada, pegou suas coisas e com a mesma cautela que entrou, saiu. Deu passo para trás ao avistar dois seguranças, mas não usavam terno e gravata como de costume, falaram com alguém no rádio, Melissa nem esperou, deu meia volta entrando na porta de incêndio. Desceu dois andares, abriu a porta no outro andar e avistou a porta do elevar de carga quase fechar.

– Espere! – Quase se fechou, mas o ascensorista colocou a mão e depois a cabeça para o lado vendo a mulher correr e acenar. – Obrigada.

O homem sorriu, mas fez um gesto informando-a que não ouvia. Ela acenou.

“Obrigada por me esperar senhor.” - O rapaz surpreendeu-se com a língua de sinais. – “Subsolo, por gentiliza.”

“Eu vi o movimento de relance, perdi minha audição quando era novo.” – Apertou o botão e sentiu-se envergonhado. – “São poucas pessoas que sabem a língua de sinais.”

Melissa sorriu acenando.

“Acredito que deveria ser aprendido desde jovem, é uma língua como muitas outras. Não deveriam ser esquecidos.” - Ele voltou a sorrir e acenar. – “Meu nome é Melissa, muito prazer.”

Renato senhorita, prazer é todo meu. - Mel lançou um olhar para os números que diminuam devagar, ele precisava parar de andar a andar. Respirou fundo, tentando controlar a ansiedade, Renato acenou. – “Tem pressa senhorita?”

– “Não se preocupe, faça seu serviço. Não a problema.” - Mas o viu pegar um molho de chaves e parar o elevador apagado todos os botões acesos. – “Obrigada.”

O elevador chegou mais rápido que imaginou, antes de sair apertou a mão do rapaz que ainda sorria.

“Sabe me dizer a melhor saída pelo subsolo que não seja o estacionamento?

Renato acenou saindo do elevador, apontou para o longo corredor.

– “Pelas docas senhorita, apenas tome cuidado com os carrinhos, aqueles garotos não veem nada pela frente.”

Ela sorriu de volta, agradecendo outra vez. Os passos apressados, sem olhar para os lados, ali era abafado o cheiro de fumaça era forte por conta dos caminhões que deveriam estacionar por ali para descarregar os materiais. Caminhou pelos cantos, algumas vezes olhava para trás e distraída acabou trombando com um institor de incêndio que estava no chão, o barulho foi alto. Xingou baixo o levantando o mais rápido que conseguiu, apertou o andar ainda mais vendo a porta automática ainda aberta, alguns carros desciam, a outra porta pequena estava trancada por um cadeado.

– Senhorita, por favor… - Melissa nem olhou apenas continuou andando, ajeitou o cachecol outra vez. O som do rádio indicava que aquele homem era um dos seguranças. – Copiado, a descrição parece a mesma. - Disse um pouco mais audível. - Senhorita, pare um momento.

Mel lançou o olhar para um caminhão de reciclagem que vinha do lado esquerdo dando seta para subir aquela rampa, e agindo sem pensar, Melissa correu e antes que aquele segurança a alcançasse. Com esforço agarrou-se aquele pedaço de ferro subindo e assustando o rapaz que ficava atrás.


– 200 dólares pra você e o motorista subiram o mais rápido que puderem! - A voz saiu mais alto que conseguiu para ser ouvida e com os olhos arregalados, o menino bateu na lateral do caminhão.

– VAI! VAI!

O segurança gritou, mas ele parou correndo na direção oposta para não ser atropelado, o caminhão balançou por conta da pequena lombada subindo, a porta automática começou a se fechar impedindo que o homem conseguisse correr para atravessá-la. Mel permitiu-se sorrir rapidamente, o caminhão parou por causa do transito e então ela pulou, colocou a mão dentro da bolsa e tirou boas notas entregando ao rapaz. Deveria ter mais do que o prometido, mas ela não se importou. Tinha mais pressa do que preocupação com o dinheiro.
Ainda estava perto do prédio, precisava correr e sair dali, de alguma maneira a identificaram mais depressa do que achou que conseguiriam. Mas não teve tanta sorte, apesar de estar na rua de trás, havia mais seguranças ali que a viram, então apenas correu. Foi um belo dia para escolher uma bota sem salto, porque correr entre as pessoas e virar a esquina no solo quase congelado era quase um modalidade olímpica. Quando olhou para trás, teve medo, porque não eram os seguranças do prédio e sim aqueles dois que vira antes. Provavelmente seguranças particulares de Domênico.
Melissa atravessou a rua com o farol aberto, deu sorte dos carros atrapalharem aqueles dois e de repente bateu de frente com alguém que a puxou para o beco. Quase gritou, mas reconheceu aquele rosto sem expressão definida. Caleb tinha um cigarro aceso nos lábios, desabotoo seu sobretudo já o tirando.

Tire isso, as luvas. - Ordenou, lançando o olhar para frente. Tirou seu cachecol o enrolando em seus cabelos a empurrou. – Vai.

Caleb abaixou a cabeça, ajeitou a roupa da mulher em seu braço, tirou o cigarro da boca e se chocou com certa brutalidade naqueles dois homens que resmungaram.

– Olhe por onde andam imbecis! - Disse ele que continuou a andar sem olhar para trás.

Ela voltou a andar de pressa desviando das pessoas, conseguia ouvir as reclamações atrás dela, aqueles homens empurravam quem estivesse a frente acelerando o passo. Estava assustada e aflita, franziu o cenho quando reconheceu aquele outro homem que vinha em sua direção, ergueu o chapéu preto e tirou o casaco da mesma cor. Parou em frente a Melissa, jogou a roupa sobre seus ombros.

– Olá querida.

Foi a única coisa que disse antes de simplesmente beijá-la, puxou seu corpo para perto escondendo seu rosto. Melissa não conseguiu assimilar muito bem, tudo aconteceu muito rápido, apenas viu Derek se afastar seguindo com o olhar os homens que passaram reto deles. Ela suspirou, colocou a mão sobre o estômago e apenas seguiu o homem que acenou com a cabeça. Manteve em silencio o tempo inteiro, ainda precisava abaixar aquela adrenalina, tirou os fios de cabelo do rosto avistando Caleb novamente encostado em um carro, ele lhe estendeu o sobretudo.

– Obrigada, ao dois. - Tirou o casaco de Derek o devolvendo, manteve a cabeça baixa, sabia que não estavam de bom humor.

– Onde está Amália? – Caleb perguntou abrindo a porta do carro.

– Em um hotel acredito eu… - Entrou ajeitou as luvas na mão. – Não a julguem a ideia foi nossa.

– Vocês são inconsequentes. - Derek foi rude e direto.

Ela não respondeu, olhou para a janela e soltou os ombros. Sabia que tinha razão, mas o que fariam agora? Conseguiram o que queriam isso era o importante. Deu-lhes a direção onde estava sua irmã e assim seguiram para lá. Melissa contou o que havia passado e porque decidiram fazer algo ilegalmente, Derek não disse mais nada, apenas escutou assim como Caleb que as vezes lançava o olhar para trás. O carro fora estacionado, Derek desceu primeiro, mandando esperarem no carro, avistou a silhueta de Amália naquela janela do quarto de baixo, nem bateu na porta e entrou a assustando.

*– Você é totalmente inconsequente Amália. – Aproximou-se a puxando pelo braço. – Eu avisei!

– Fala sério! - Ela tentou soltar-se quase conseguindo – Como ficou sabendo?

*Derek a segurou com mais firmeza a fazendo encará-lo.

– Eu sei de tudo e você está desafiando as minhas ordens Amália.

– Quais? - O retrucou sem medo. – Não vou esperá-lo para fazer qualquer coisa, não manda em mim Derek!

– Ei, solta ela seu ogro!

Ele sentiu uma leve dor das costas com o soco que levou e se virou encarando aquela menina de feição fechada, os olhos verdes estavam semicerrados e por algum motivo achou uma semelhança a mulher.

Derek riu baixo balançando a cabeça.

– Tem uma filha? E a trouxe pra isso? É maluca mesmo.

– Nath pra fora. - Ordenou e conseguiu soltar-se de Derek o empurrando para a parede. – Não ouse me chamar de maluca. - Se virou para a menina novamente. – Natasha pra fora.

– Não! – Apontou para a mesa. – Eu consegui.

– O que ela conseguiu? - Amália mais uma vez empurrou Derek indo na direção do computador. – Meu deus Amália, você usou a menina pra isso.

Melissa e Caleb entraram no quarto, a mulher chamou a menina que fora a até ela contrariada, sua irmã se virou com um o sorriso para Derek que via aqueles vídeos.

– E como vai justificar isso no tribunal?

– Isso não vai pro tribunal Derek. - Continuava a sorrir. – Foi “vazado”.

Ele tentou não sorrir, Amália era louca, mas ele gostava de sua atitude.

– Domênico quer jogar sujo, então…

*Derek se virou acenando para Caleb que concordou e tirou aquelas duas do quarto.

– Você colocou sua irmã em perigo. - Acentuou, aproximou-se dela abaixando o tom. – Se eu não tivesse chegado, Melissa teria sido pega pelo homens do Crowley.

Amália olhou pela janela. Mel estava abraçada a Natasha que conversavam, a menina gesticulava como se contasse algo e sua irmã apenas sorria. Não podia mentir dizendo que não esperava que Crowley mandasse os próprios homens para ficar de guarda, mas sinceramente, isso só mostrava que seu filho estava com o cu na mão. Estava com medo dela e de Melissa porque ambas seriam capazes de derrotá-lo.

– Precisa confiar em mim Amália. - Derek disse. – Acredite, eu estou aqui para te ajudar a derrotá-lo, mas não pode mais agir assim. - Segurou em seu ombro. – Eu tenho outro vídeo pra você

– Como?- O encarou.

– Confie em mim.

Amália suspirou pesado e acenou, Derek estendeu a mão e a ela apertou.

Final de Janeiro. – 2011 –

Em todos os jornais, canais de noticias estavam bombados sobre o escândalo Klaus. Após os vídeos de agressão a Melissa Smith ser exposto, junto a Domênico apertando a mãos após uma compra recente com um traficante próximo ao porto. As coisas para o homem não estavam nenhum pouco boas, suas ações começaram a cair e ameaças de quebras de contrato eram mencionados. E o foi exatamente o que inciou a queda livre de Domênico Klaus.

*Primeira página.

CONTRATO ENTRE KLAUS E EMPIRE É ENCERRADO. DEREK LYNCH EXPLICA QUE A TEMPO DOMÊNICO NÃO ATINGIA SUAS EXPECTATIVAS COM TANTOS PROBLEMAS.

A Klaus não oferece mais nenhum beneficio a minha empresa. Não nos relacionamos com bandidos e agressores, certamente um caráter duvidoso.” Derek Lynch, CEO da EMPIRE , respondendo a jornalistas.”

Fevereiro – 2011 –

Depois de mais denuncias anonimas, a policia foi acionada para investigar a mansão de Domênico Klaus cujo os empregados foram pegos queimando documentos, na tentativa de esconder suas conexões.

O juiz balançou a cabeça diante das provas, o juri não poderia nem ao menos opinar, o homem pegou o martelo.

– Eu declaro, Domênico Klaus a 50 anos de prisão por, agressão, assédio, tráfico, extorsão… - Parou de falar apenas batendo o martelo. – Tirem esse homem daqui.

Amália se virou olhando para trás sua irmã a abraçou com força chorando e sussurrou.

Você conseguiu Amália. - Ela negou.

Nós, nós conseguimos! - Abraçou novamente. – Eu não sou nada sem você.

Sorriram felizes, pelo canto dos olhos Amália viu aquele homem alto de cabelos brancos passar, as encarou sem uma expressão especifica, mas ela sabia. Crowley Klaus estava com ódio, cheio de raiva porque elas conseguiram, passou pela porta e ela riu.

Aquela era a sensação, de vitória. Amália estava radiante, ver a empresa ser fechada, sentia-se mal pelos funcionários? Sim. Mas aquilo não era nada perto da satisfação em ler nos jornais como ninguém mais queria ter relacionamento com o nome Klaus. Pelo menos a parte farmacêutica. Seu pai Crowley, simplesmente continuou no seu ramo de vinhos e nunca dera uma entrevista sobre o ocorrido.

*Mas a vitória teve um preço. Elas mexeram com o diabo, e… Ele não esquece nada.

Pensando que tudo ficaram bem, trabalhavam dispostas, a EMPIRE era mais do que um sonho. Só que o pesadelo as seguiu. Amália recebia ameaças, assim como Melissa, mas não eram apenas promessas vazias. Animais mortos foram mandados, pedaços de coisas que não identificavam, Melissa sentia-se observada, perseguida, tinha medo até mesmo de colocar o pé para fora de casa.

O verdadeiro inferno na terra. A policia não achavam os culpados, nem mesmo Derek e Caleb conseguiam encontrá-los. Aquilo os irritava e mais, feria o que eram.

Amália não podia sair do lado de sua irmã, pois entrava em panico. Não importando quantas vezes lhe dissesse que tudo ficaria bem, Melissa tinha certeza que algo ruim aconteceria.

Já que eles não conseguiam assustar Amália… Escolheram outro alvo.

Eles estavam mexendo com a cabeça de Melissa Smith. Medo, pavor, desespero. Melissa era acessível, manipulável… facilmente ferida.

11 DE OUTUBRO DE 2011

Melissa Smith é encontrada morta. A polícia diz suicídio. Amália Smith estava arrasada demais para deduzir qualquer coisa.

O sorriso genuíno, meigo e doce de sua irmã nunca mais seria visto.

Continua...


Notas Finais


E então, como estamos? Espero que tenha revisado certinho hahahaha sempre alguma coisa escapa!
Já podem ficar ansiosos pelo próximo, estou sendo bem cruel agora hahahaha
Obrigada a todos vocês sempre me apoiando e dando comentários maravilhosos!!

Até a próxima. <3


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