História Gyeoul Seuta - Capítulo 68


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Angst, Bottom! Jimin, Drama, Fluff, Jikook, Jikook Flex, Lemon, Menção À Got7, Menção À Song Joong Ki, Mpreg, Sexo, Side Yoonseok, Top! Jungkook, Yaoi
Visualizações 548
Palavras 4.681
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Particularmente não gosto do desenho dessa capa, mas tá valendo!


Espero que vocês tenham tido um ótimo Dia das Mães! (ou um ótimo domingo no geral para aqueles que porventura não comemoram a data s2) E se alguém ainda não estiver familiarizado com o sistema de Throwbacks, não se preocupem, esta é só uma memória do passado, não há mais tretas por aqui!

Capítulo 68 - Throwback - Família Jeon


Fanfic / Fanfiction Gyeoul Seuta - Capítulo 68 - Throwback - Família Jeon



 

O ano era 2015, e já se encontrava em meados de Novembro, época do ano em que Busan sediava um dos maiores eventos musicais do ano, o Asia Song Festival. A cidade sede estava cheia de cores e vida, e haviam também muitos turistas – de dentro e fora do país – para acompanhar a festividade.

 

E nesta segunda edição, o festival contaria também a presença do grupo de crescente popularidade, o Bangtan Sonnyeondam.

 

O evento propriamente dito aconteceria apenas dia vinte e quatro de Novembro, mas, aproveitando-se de uma rara folga na agenda, Jungkook e Jimin decidiram adiantar em um dia sua descida à Busan. Com a permissão de Bang PD, é claro, afinal ele não poderia negar depois de ouvir seus motivos em particular. Jungkook visitaria seus pais em Yeonhwa-ri, juntamente de seu namorado. O Jeon sentia-se enfim preparado para encarar sua família e se assumir diante deles como quem realmente era, e também apresentá-los novamente à Jimin, desta vez sem meias verdades ou receios, apresentaria Park Jimin, seu namorado. O homem da sua vida.

 

O casal já estava devidamente nervoso com a ocasião, e o cansaço da longa viagem parecia somente agravar isso.

 

— Faz tanto tempo desde a última vez que fui à Yeonhwa-ri que esqueci como é longe. — comentou Jimin fadigado, observando os hectares de terra vazio que se estendiam na paisagem da janela vizinha à sua esquerda.

 

— Estamos passando por Sirang-ri agora. Já estamos chegando. — constatou Jungkook observando da sua janela a paisagem urbana salpicada à beira da estrada.

 

Essa região de Busan era marcada pelo contraste do cenário urbano de um lado e a terra batida do outro. Pequenos vilarejos estendiam-se à beira da estrada, parecendo praticamente exilados, cercados das planícies de terra, sendo a única coisa que as conectava, as auto estradas. A estação de trêm também não cortava a cidade, motivo pelo qual tiveram que continuar seu percurso de ônibus.

 

— Chim, eu estou com medo. — confessou subitamente com um suspiro pesado, não conseguindo relaxar no banco ou mesmo distrair-se com a vista da janela.

 

Jimin voltou sua atenção à ele, e, notando o estado caótico do namorado, cobriu-lhe a mão com sua própria, apertando-a numa tentativa de confortá-lo.

 

— Você também sentiu medo em algum momento? — o maknae perguntou, quase aterrorizado.

 

— Sim. Eu senti. — confessou o mais velho.

 

— Mas... você acha que eles vão aceitar?

 

Jimin crispou os lábios, escondendo o rosto em seu ombro. Lhe doía mentir para o amado, mas não queria desencorajá-lo, portanto consentiu.

 

— Eles são seus pais, Jungkook. Eles te amam à cima de tudo, não se esqueça disso.

 

E Jimin esperava mais que tudo que esse amor fosse forte o bastante para sustentar a sua relação com a família depois que soubessem da verdade. Pois esses anos todos não tem sido fácil nem para o próprio Jungkook aceitar quem ele era, porque afinal ele ainda parecia acreditar bem lá no fundo ser hétero, acreditava que Jimin era apenas sua exceção. Mas o Park não ousaria interferir nos conflitos internos do namorado, permitiria que ele chegasse sozinho às suas conclusões, sabia que ele era perfeitamente capaz disto.

 

Mas não podia negar que estava preocupado com a reação dos seus "sogros", afinal em sua última visita ao lar dos Jeon, Jimin percebeu muitas coisas distorcidas ao respeito destes. E a principal delas era a forma como todos esperavam muito do pobre Jungkook, faziam eles mesmos projeções mirabolantes para o seu futuro, era como se sua opinião nem contasse no que dizia respeito à sua própria vida! E mesmo quando o jovenzinho ganhou sua permissão para seguir sua carreira artística longe do lar, sua família não esteve realmente o apoiando, mas presenteando-o com uma falsa liberdade, ganhando sua confiança. Na primeira oportunidade em que tiveram, quando Jungkook retornara para Yeonhwa-ri revê-los, eles já haviam lhe providenciado uma noiva e se falava em herdar os negócios da família!

 

Jimin ainda se pergunta se ele teria cedido se não estivesse lá com ele na ocasião, se não estivesse lá por ele.

 

— Chegamos. — grunhiu Jungkook, visivelmente engolindo em seco no momento em que passaram pela placa do vilarejo.

 

Seu ponto de parada seria na encosta da montanha, onde ficava o apartamento da família Jeon, mas antes disso passariam na frente do já familiar Jukdo Resort, um dos pontos principais da cidade. Yeonhwa-ri era um pequeno vilarejo de pescadores, sempre movimentado e decorado na alta temporada, mas bastava as temperaturas mais amenas da primavera começarem à se extinguir – levando consigo os últimos turistas – para este voltar à sua forma original: uma simples vila de pescadores. Pequena, pacata e tranquila. Era até estranho tentar imaginar Jungkook crescendo ali, logo ele que tinha tanto da "cidade grande" em si.

 

— Vamos? — Jimin o encorajou à se levantar quando já alcançavam o ponto de ônibus que seria sua parada final, acionando a campainha.

 

Jungkook assentiu lento o seguindo.

 

Recolheram então sua pouca bagagem e desceram do ônibus, sendo brindados pelo frio gélido da brisa do mar de Novembro. O céu estava opaco, melancólico até, retendo chuva como alguém que segura suas lágrimas. O clima pesado parece ter afetado ainda mais o humor do casal que se entreolhou decepcionado. Nem mesmo o solzinho persistente que os recebeu no aeroporto horas antes conseguiu segui-los até aquele ponto.

 

Caminharam em silêncio até o apartamento não muito longe dali, rua à cima, chegado lá Jungkook interfonou o número de seu antigo lar sendo respondido quase imediatamente.

 

Quem gostaria? — uma voz feminina atendeu, sendo facilmente reconhecida sob a estática do aparelho.

 

— Omma, sou eu.

 

— Ah que bom, Gukkiezinho! Estive esperando por você!

 

O apelido ainda era um pouco desconcertante, e tudo que o dono do mesmo pôde fazer foi corar sob o risinho do namorado.

 

Com isso sua entrada foi autorizada e não muito mais tarde o casal se encontrava no corredor do sexto andar, encaminhando-se sem muita pressa até a porta. Jungkook considerou durante o percurso fazer exatamente como Jimin já havia feito e tentar a sorte ao apresentá-lo como seu namorado direto na primeira oportunidade.

 

"Mãe, pai, esse é meu namorado."

 

E ele poderia até ter recorrido à essa tática não fosse o fato de ter perdido toda sua coragem no momento em que a porta foi aberta e o sorriso deslumbrante de sua mãe o saudou acompanhado de um abraço apertado.

 

— Meu amor! Eu senti tanto a sua falta!

 

— Eu... eu também, mamãe.

 

...

 

— A... a vovó não está em casa, está? — perguntou Jungkook receoso, depositando de volta a xícara de chocolate quente na mesinha de centro.

 

— Não. Nessa época mais fria do ano é mais difícil de tirá-la de casa. Mas eu poderia... levá-lo até a fazenda, se quiser vê-la. — sugeriu sua mãe rapidamente, um pouco esperançosa demais em propor o reencontro.

 

Eunha bem que gostaria que avó e neto pudessem fazer as pazes depois de um ano sem se falarem, resultado daquele... desentendimento com relação à gerência do Resort. Se bem que a vovó Jeon ainda parecia irredutível.

 

— Eu passo. — recusou ele tão rápido quanto. — O papai e o hyung também estão fora?

 

— Ér... sim. Aparentemente vamos ser apenas nós três esta tarde. Mas eles voltam à tempo de jantar, não se preocupe! Eu preparei biscoitos caseiros, vou trazê-los. Esperem um minutinho. — garantiu ela sorrindo dócil para sua visita antes de girar nos calcanhares e seguir de volta para a cozinha.

 

Jimin e Jungkook buscaram o olhar um do outro em conforto. A situação ainda estava tão... engessada. Eles nem mesmo se permitiam sentar juntos um do outro, Jimin ocupava a poltrona de um lado da sala e Jungkook o sofá de três lugares sozinho na outra.

 

Vai ficar tudo bem. — sibilou o mais velho, lhe sorrindo pequeno. — Eu estou aqui.

 

Jungkook assentiu, ainda consumido pelo seu nervosismo. Isso seria tão mais fácil se tivesse o amado ao seu alcance naquele momento, só o seu calor já lhe trazia confiança.

 

A mamãe Jeon retornou alguns instantes depois com uma tigela cheia de biscoitos quentinhos e... três álbuns grandes de foto. Jungkook travou num primeiro instante para depois rir negando.

 

— Querido Jimin, eu não tive a oportunidade de embaraçar meu filho na sua presença da última vez. Mas eu acredito que nunca é tarde para isso! — ela declarou bem humorada ao depositar a tigela na mesinha de centro, ocupando em seguida o assento ao lado do filho e fazendo-se confortável. — Venha aqui, vou te mostrar um pouquinho do passado obscuro do seu dongsaeng! — completou dando tapinhas no assento ao seu lado.

 

Jimin sorriu charmoso e rapidamente foi juntar-se à eles no sofá grande.

 

— Vamos começar por esse. — ditou Eunha abrindo o primeiro álbum, o mais largo, em um azul naval. — Ah! As fotos mais antigas... ele não era um bebê adorável?

 

Jimin sorriu leve ao encontrar a imagem ainda inédita para si: Jungkook por volta de seus primeiros meses de vida, com cabelos espessos e escurinhos, vestindo um macacãozinho, deitado na cama ao lado de um infante que não aparentava ser muito mais velho. Junghyun, com certeza.

 

— Tão lindo, parece um bonequinho.

 

— Não é mesmo? Haha!

 

Os três ficaram sentadinhos ali por um bom tempo, saboreando dos biscoitos caseiros enquanto caçoavam inevitavelmente de Jungkook. O clima parecia até mais descontraído depois de um tempo, havia uma leveza no sorriso do Jeon mas Jimin sentia seu coração pesar só de imaginar o que esse sorriso escondia.

 

— Oh, olha a hora! Eu preciso começar à preparar o jantar! — à certa altura a mamãe Jeon se ausentou de volta para a cozinha às pressas.

 

— A senhora precisa de ajuda? — Jimin prontamente se ofereceu.

 

— Bem, eu faria bom uso de uma ajudinha sim... Jungkook, você levante e venha também! — ela completou olhando mandona para o filho, este suspirou e assentiu concordando. — Não esperava que você fosse vir também, Jimin-ah. Mas é sempre bom ter alguém tão solícito como você por perto.

 

...

 

— Jimin-ah, me alcança por favor aquela panela vermelha em cima do armário. — pediu a matriarca ocupada cortando os temperos na pia, pois ela mesma não alcançaria.

 

 — Sim, só um instante! — Jimin respondeu de pronto.

 

— Alto demais pra você?

 

Ao ouvir o comentário zombeteiro de Jungkook, a mamãe Jeon procurou-o por sobre o ombro achando que foi direcionado à ela, mas foi surpreendida com a cena que encontrou: Jimin esticava-se para alcançar a panela sobre o armário aéreo, encontrando alguma desvantagem com sua baixa estatura, Jungkook então para ao seu lado e apoia uma mão em sua cintura, esticando-se para alcançar o utensílio ele próprio, caçoando de seu hyung baixinho ao fazê-lo. Jimin lhe fez cara feia mas não pareceu se importar com a mão que não abandonava seu quadril.

 

Eles pareciam tão... íntimos, daquele jeito.

 

Depois do breve episódio a matriarca se flagrou observando-os vez ou outra, como se os vigiasse em busca de algum comportamento... diferente, por assim dizer. Pode-se dizer que a própria Vovó Jeon plantou certa desconfiança nela há algum tempo a alertando para as tentações da vida de artista, mas Eunha duvidou na época que Jungkook pudesse ter uma mente fraca o bastante para ceder à tais. Mas ela percebeu mesmo algo estranho. Não era assim tão difícil de ler os rapazes, Jungkook e Jimin interagiam com tanta naturalidade que talvez nem tenham percebido o quão eles próprio se entregavam. Podia ser num gesto simples como quando o Park recolheu uma flanela limpa para secar o suor que escorria sob a franja do mais novo, uma vez que este tinha suas mãos ocupadas numa bacia de acelga; ou como Jungkook lhe ofereceu uma porção de Kimchi direto na boca, perguntando se faltava sal. Uma proximidade um pouco amistosa demais.

 

E algo lhe dizia que Jungkook não agia assim perto de seus demais hyungs.

 

— Não, deixe que eu faço isso pra você. É perigoso! Sai, sai! — Jimin chiou, interceptando uma faca bastante afiada da mão do maknae, prosseguindo em fatiar ele mesmo o filé de peixe. Jungkook somente obedeceu, dando um passo para trás e sorrindo para o mais velho sem nem perceber.

 

As horas transcorreram rápido, e a refeição já estava pronta quando Jimin se ausentou para ir ao banheiro, deixando mãe e filho para pôr a mesa. A mamãe Jeon esteve quieta por algum tempo, tendo um pequeno debate mental com base no que observara nas últimas horas. Eles não estariam...? Não, não mesmo! Jungkook nunca apresentou aquele tipo de inclinação antes, jamais, ele teve até uma namoradinha ou duas já. Apesar de que já faziam uns bons anos que não convivia com seu filho rotineiramente, não podia exatamente encher a boca pra dizer que o conhecia bem.

 

Afinal, o quanto uma pessoa poderia mudar realmente?

 

— Omma. — Jungkook  a chamou à certa altura, sem tirar os olhos da louça que punha. — Eu não tive a oportunidade de perguntar isso antes mas... o que a senhora achou do hyung? — ele perguntou acanhado, com as bochechas coradas e um olhar... hesitante.

 

Oh.

 

Oh não!

 

— B-bom, eu... o que eu acho do Jimin? E-ele é um bom garoto... muito prestativo também. Não foi ele quem mandou os cartões de natal ano passado? — se embolou a matriarca, sem saber direito como reagir. Se fosse o que realmente estava pensando... seu filho estava apaixonado por outro garoto.

 

Como deveria reagir à isso? Céus! Estava tão despreparada! E o que as pessoas iriam pensar? Seu menino, seu Jungkook... gay!

 

— Sim! Ele mandou para as famílias de todos nós, não foi legal? — Jungkook se animou de súbito ao tocar no assunto. Ele tinha um brilho de admiração tão puro no olhar, e pensando bem era assim toda vez que falava sobre o rapaz mais velho. — E ele também cuida de mim desde que nos conhecemos em Seoul, ele se preocupa com todos os membros, é tão talentoso e esperto... não há nada que ele não consiga fazer, na verdade. É até injusto eu ser chamado de Golden Maknae quando ele é muito mais aplicado que eu, haha...!

 

O que eu devo fazer? — Eunha se perguntava perdida.

 

Jungkook adorava o Park, isso se tornou nítido para ela, a última vez que viu o filho tão entusiasmado com algo assim foi... com suas audições. A música. A única outra coisa que parecia competir à altura de Park Jimin para Jungkook era a música. Teria sido o Park a real razão para Jungkook confrontar sua avó àquela vez, negar tão ferreamente deixar o grupo para assumir a empresa?

 

Àquela foi a primeira vez que a matriarca viu Jungkook enfrentar alguém, em especial sua avó, quem ele nunca desobedecia. Achou que fosse apenas rebeldia passageira e que sanaria com o tempo, mas... ele não voltou atrás em sua palavra até então.

 

Ele está sendo influenciado. — concluiu Eunha nauseada. — Só pode ser isso!

 

Jungkook nunca agira daquela maneira antes, desobediente, insistente, impulsivo, agressivo... como também nunca antes demonstrou interesse em alguém do mesmo sexo! Aquele rapaz, Park Jimin, era charmoso e sabia conversar, e ele também era mais velho, pode muito bem ter feito a cabeça de seu filho usando de todo tipo de artifício. É claro! Fazia todo sentido! Ainda na época de trainee Jungkook confessou à sua mãe estar bastante desmotivado e considerando retornar para casa, mas algo mudou... logo depois que esse Park Jimin chegou. Jungkook devia ter tanto respeito por ele que começou à segui-lo e obedecê-lo cegamente.

 

E depois disso seu filho não falava de outra coisa. Ele era só elogios ao seu "hyung favorito".

 

— Jungkookie, querido, você poderia tirar o lixo pra mim?

 

— Hm, claro.

 

O rapazinho então foi até a cozinha recolher o lixo à ser jogado fora, não demorando-se muito em deixar o apartamento, e tirando proveito disso Eunha seguiu para o final do corredor onde ficava o banheiro comum. Estava decidida à ter uma conversa em particular com o Park. E conseguiu alcançá-lo assim que o mesmo deixava o cômodo.

 

— Oh, Eunha-ssi. — ele surpreendeu-se à encontrá-la logo ali no corredor. — A senhora...

 

A mulher não dispunha de muito tempo então decidiu ser direta, cortando-o.

 

— Eu vou perguntar isso como mãe e não espero menos que a verdade. Park Jimin, você seduziu o meu filho?

 

A face de Jimin caiu.

 

— Senhora Jeon...

 

— Me responda! — insistiu em total distresse. — Eu já percebi a maneira como ele te olha, como trata você. Ele não trata nem o seu próprio irmão com tanto afeto! Tem sido assim à bastante tempo pelo que vejo!

 

A senhora percebeu... — Jimin realizou surpreso. Tinha certeza de que estavam sendo discretos, afinal conseguiram disfarçar diante das câmeras desde o debut! Como ela descobriu?

 

— Então você admite que realmente o seduziu?

 

— Não! A senhora entendeu errado! Jungkook e eu, nós... estamos juntos. Estamos namorando. Pretendíamos contar à todos ainda hoje e...

 

Namorando?! Jungkook namorando outro... outro homem?!

 

— Mentira! — ela lhe cortou num tom mais ácido, obtusa, não queria acreditar naquilo. — Você colocou ele nisso! Meu filho nunca se prestaria à tal coisa! Jungkook nunca... nunca gostou de meninos. Pelo contrário! Ele vivia recebendo cartas e declarações de garotas na escola o tempo todo! Meu filho é um homem!

 

Jimin engoliu em seco, sentindo-se mal ouvindo tudo aquilo.

 

— A senhora ouviu uma palavra do que eu disse? Estamos juntos. — frisou numa tentativa de fazê-la entender, apesar de que o desgosto na face da mulher estivesse o magoando profundamente. Até poucas horas atrás esteve sendo tão bem tratado! — Jungkook não está comigo contra a própria vontade. Não é assim que funciona! Ele está comigo porque quer, porque me ama. E eu também o amo! A senhora não poderia ficar um pouco mais feliz por ele?

 

Amor? Se ele dissesse que fosse apenas atração a mulher até conseguiria acreditar. Mas amor era uma palavra forte demais para ser usada em vão! Cenas dos dois se beijando, se tocando invadiram sua mente a deixando furiosa e enojada!

 

Eunha se calou por um instante, o fitando profundamente nos olhos como se buscasse palavras para rebater.

 

— O que você quer para ficar longe do meu filho? — soltou num único fôlego.

 

— O quê...?

 

— Você me ouviu. Vá até ele e acabe com esse... com tudo! Eu faço o que você quiser.

 

Jimin sentiu-se tremendamente enojado ao ouvir aquilo. E por um momento desesperou-se, perguntando-se onde raios se meteu Jungkook. Sua mãe parecia ter se transformado completamente em outra pessoa ali!

 

— Ele nem mesmo é gay! — insistiu a matriarca apelativa. — Jungkook é um menino lindo, saudável e capaz. Eu o criei para se tornar um homem de verdade, trabalhar, se casar, formar uma família e me dar um neto. Você nunca poderia dar isso à ele. E você sabe disso... sabe que em algum momento ele vai abrir os olhos e perceber que você foi só um erro, no máximo uma atração passageira, uma aventura da adolescência! E quando isso acontecer... — as palavras saíam dela de forma tão desesperada que era mais como se a própria Sra. Jeon estivesse tentando se convencer disto.

 

— Não!

 

— Quando isso acontecer ele vai te largar, de qualquer forma. Vai ser como se nada tivesse acontecido!

 

— Não diga isso! Para, por favor!

 

Jimin sentia-se à beira das lágrimas agora. Não queria ouvir nada daquilo, não queria ter seu maior medo jogado na sua cara daquela forma. Amava Jungkook, não podia se imaginar um dia separando-se dele. Como a Senhora Jeon conseguia dizer coisas tão tóxicas, tão ruins?! Por que ela não aceitava? O que poderia resultar de tão ruim em amar uma pessoa?!

 

Nenhum dos dois ouviu a porta ser reaberta e Jungkook adentrar o apartamento acompanhado de seu pai, irmão e cunhada, com quem esbarra ao ir descartar o lixo no térreo. Ao passar do hall de entrada foram capazes de ouvir a comoção, as vozes exaltadas, e imediatamente foram em direção às mesmas. Encontrando assim Eunha e Jimin parados no corredor no meio de uma discussão acalorada.

 

— Jimin...! — Jungkook nem mesmo processou o que estava acontecendo, agindo por instinto no momento que percebeu o estado emocional do amado. — O que aconteceu?

 

— Jungkook. — sua mãe surpreendeu-se com sua chegada súbita.

 

— O que está havendo aqui? — o Senhor Jeon se aproximou confuso, seu olhar indo de sua esposa alterada para a figura do rapaz aos prantos sendo acalmado por Jungkook.

 

— Jeon Jeongguk, se afaste desse rapaz agora! — ordenou Eunha, surpreendendo aos demais. — Você é só uma criança praticamente, não sabe o que está fazendo. Esse garoto está claramente te manipulando! Se aproveitando de você!

 

— O quê?

 

Jungkook estava boquiaberto, mas finalmente pareceu ter juntado aos pontos. Sua mãe já estava sabendo do seu namoro, e não parecia nada contente com isso, e descontou em Jimin.

 

— Eu sei muito bem o que estou fazendo, Omma. — respondeu cauteloso, protegendo a figura de Jimin do olhar alucinado de sua genitora. Alguma coisa deu muito errado no pouco tempo em que se ausentou.

 

— E o que você está fazendo, Jungkook? — seu pai interferiu, tentando se pôr entre a esposa e os dois adolescentes. Não sabia o que estava se passando mas percebeu que a situação precisaria de um mediador ou iria acabar muito mal.

 

— Eu estou namorando o Jimin! — respondeu à plenos pulmões, sem hesitação alguma. Aquele não era momento de fraquejar, Jimin precisava dele.

 

E naquele momento foi como se todos presentes tivessem prendido a respiração, recebendo a notícia como um soco no estômago. Junghyun e Hari na retaguarda se entreolharam pesarosos, eles já sabiam naturalmente, mas a situação não estava indo nada bem. Com isso Eunha bateu o pé e gritou em distresse, negando.

 

— Pare de falar besteiras! Não vê o quão isso é errado?! Abra seus olhos, meu filho! Eu não sei o que ele te falou pra te convencer à aceitar isso, mas é errado! Está tudo errado! Eu poderia aceitar até mesmo aquela tonta da Yeri que sua avó arrumou pra você, mas isto? Eu nunca vou aceitar isso! Ele é um homem! Eu o amaldiçoou, Park, por ludibriar meu filho! Eu amaldiçoo à você e toda sua família, está me ouvindo?! Você não fará parte desta família! Nunca! Você não terá o meu filho!

 

Até mesmo seu pai estava surpreso com o rompante inesperado da esposa, ela nunca pareceu tanto antes sua própria mãe falando. Toda aquela raiva era assustadora, era como se estivesse retendo dentro de si até explodir. Mas nem a ocasião dava motivos suficientes, de fato.

 

— Eunha-yah, tenho certeza que um assunto delicado desses não pode ser discutido dessa forma. Vamos sentar e conversar civilizadamente. — o papai Jeon tentou convencê-la.

 

Mas se algo estava para ser provado aquela noite, era que o sangue dos Jeon era quente. E eles não baixavam a cabeça para ninguém, nem mesmo uns para os outros.

 

— E quem é você para amaldiçoá-lo, hun?! Quem é você para dizer o que é certo ou errado?! — rebateu Jungkook em fúria. Sua mãe até mesmo hesitou, dando um passo para trás. Seu filho estava... se rebelando contra ela? — Não é o que você queria ouvir, não é mesmo? Eu devo ser uma enorme decepção! Então exploda seu descontentamento em mim, desconte sua decepção em mim! Mas jamais dirija palavras de ódio à pessoa que eu mais amo na vida! Ou eu nunca mais serei capaz de te perdoar, mãe.

 

— Jungkook... m-mas isso não vai durar! Não tem como durar, é só... só uma aventura.

 

O rapaz riu com escárnio, transtornado com a suposição arrogante da mãe.

 

— Pode apostar que, o que eu e o Jimin temos aqui, vai durar muito mais que seu casamento por interesse! — rebateu frio. Todos retesaram, aquilo tinha ido longe demais.

 

Não era novidade para ninguém que o casamento de seus pais foi arranjado pela vovó Jeon; a velha boçal que vivia às sombras de um sobrenome que um dia já foi muito importante na região. Os Jeon. Sua filha, Eunha, já possuía um título então só faltava o dote, aí que entrou Kim Daewon, o jovem bem apessoado e rico que chamou a atenção da moça. Ela perseguiu-o até que o conquistou e o laçou de vez, mas o homem não teve nem mesmo a alegria de dar seu sobrenome à esposa, pois uma das condições para o casamento era que ele adotasse o sobrenome Jeon, desfazendo-se do seu próprio.

 

— Jeongguk! — seu pai o repreendeu de imediato. Jungkook ainda o fitou por um momento, percebendo o quão aquela acusação o magoara, e sentiu-se mal por envolver indiretamente seu pai na confusão. Daewon era um bom pai, não merecia aquilo.

 

O maknae então suspirou pesado, parecendo imensamente frustrado.

 

— Esquece...! Eu só vim aqui para deixar uma coisa clara. Quer você goste ou não, mamãe, eu sou gay! E não, eu não descobri isso ontem. Cheguei à esse conclusão há muito tempo atrás, se quer saber. — declarou num tom mais contido de voz, usando o termo mais "vulgarizado" de propósito para impactá-la, querendo dar aquela discussão por encerrada ali mesmo. Jimin atrás de si sentiu o coração disparar, nunca ouviu o namorado admitir aquilo em voz alta antes! Achou até mesmo que fosse um tabu ele conseguir assumir para si próprio sua sexualidade. — E ter reconhecido isso por meio do meu amor pelo hyung não torna meu auto esclarecimento menos válido. Eu não preciso ter vários homens na minha vida para provar que sou homossexual, eu na verdade nem preciso provar nada à ninguém! Eu amo o meu Jimin, e apenas ele pra mim já basta.

 

Jimin soluçou baixinho em meio ao seu choro contido, já não sabia mais se chorava de raiva ou emoção. As palavras do amado rebuscadas ali em cima da hora, sem tempo para treinar ou se preparar mentalmente, carregavam a mais pura sinceridade do mundo.

 

E ter alguém confessando seu amor por você, assim, de peito aberto e sem medo... era lindo demais.

 

Não houve retaliação depois disso, na verdade ninguém conseguiu dizer mais nada. E Jungkook ficou tão decepcionado com seus pais, magoado na verdade. Em momento algum eles demonstraram interesse em tentar entender sua situação, procurar saber um pouco mais da sua vida, quem sabe até... dizer que estava tudo bem, que eles ainda o amavam. Lhe dar o conforto e a garantia que esperava, como os pais de Jimin fizeram.

 

Mas eles não disseram nada. E dentre todos os cenários ruins que temia, esse talvez tenha sido o que mais doeu. A indiferença deles.

 

Junghyun então interveio e os acompanhou de mala e tudo para longe dali, hospedando-os outra vez em sua casa. Jimin não conseguia encontrar palavras para amenizar a dor evidente do amado, então o consolou por meio de gestos. Jungkook não disse nada por horas, ele sequer chorou. Seu silêncio gritava sua dor.

 

O casal tentou se recuperar do baque logo mais, ou pelo menos fingir que nada aconteceu. E conseguiram até mesmo performar com sucesso no palco do Asia Song Festival no dia seguinte, mas apenas alguns dias depois vieram as mensagens de sua mãe. Nas quais ela implorava para que ele mudasse de ideia, ela barganhava e chantageava, fazia tudo que estava à seu alcance para convencer Jungkook à terminar seu relacionamento com Jimin. Ela chegou à ameaçar ir até Seoul e rasgar seu contrato com a produtora, uma vez que Jungkook ainda era de menor e ela foi a responsável que autorizou a assinatura. Mas ela nunca cumpriu com sua ameaça, tudo que conseguiu na verdade com isso foi magoar ainda mais seu filho.

 

Jungkook nunca mais seria o mesmo depois daquela noite. E tampouco seu relacionamento com a família seria.



 


Notas Finais


Ordem cronológica da relação dos rapazes que eu repito à mim mesma pra não esquecer:

*2010 - Hit It Audition; Foi quando eles se conheceram e se tornaram amigos, Jungkook entrou primeiro e Jimin entrou lá pro final do ano (isso não é o que aconteceu de verdade, eu sei, usei uma pitadinha de liberdade de escrita);

*2011/12 - Já estavam namorando, mesmo sendo trainees;

*2013 - Debutaram e trocaram alianças de 2 anos de namoro, além de contar para os amigos que estavam juntos;

*2014 - Viajaram à Busan e Jimin contou à família que estavam namorando;

*2015 - Jungkook se assume pra família;

*2016 - Logo mais se assumem para os fãs e então Jimin descobre que está grávido.

(Me embolei um pouco nas datas antes, 😶)







Alguém aí com o coraçãozinho apertado agora que sabe o que aconteceu entre eles para o Jungkook ter tanto rancor da família?


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