História Há Beleza por trás da Loucura - Fillie - Capítulo 28


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Categorias Stranger Things
Personagens Dustin Henderson, Eleven (Onze), Lucas Sinclair, Maxine "Max" Mayfield / "Madmax", Mike Wheeler, Will Byers
Tags Caleb Mclaughlin, Fillie, Finn Wolfhard, Gaten Matarazzo, Íris Apatow, Jacob Sartorius, Jaeden Liberher, Jillie, Josh Ovalle, Millie Bobby Brown, Noah Schnapp, Sadie Sink
Visualizações 517
Palavras 2.527
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi voltei

Capítulo 28 - O tiro saiu pela culatra


[FINN NARRANDO]



Minutos depois que eu assisti um dos integrantes da quadrilha tampando minhas câmeras na maior tranquilidade, eu avancei até a casa de Íris, devidamente abastecido de munições.

Dirigi devagar quando entrei na referida rua, tentando não chamar atenção pois eu sabia que, aquela maldita quadrilha tinha visão de toda aquela área, e eles sempre souberam dos meus passos esse tempo todo. Avistei o furgão virado com a traseira em direção a porta da casa. As portas abertas, recebendo quadros e outras coisas que estavam roubando. Ali, eu não conseguiria identificar ninguém. Nenhum pedaço de pele deles estava a mostra. Usavam máscaras debochadas, luvas, capuz do macacão de “fantasia de quem faz manutenção na tv a cabo”;


Ousei percorrer mais alguns metros, até perceber que um dos integrantes entrou, deixando a van desprotegida.


Mas eu estava enganado. Ao passo em que saí do meu carro em direção a porta da residência, escancarada, fui surpreendida por um rapaz, que pulou de dentro do veículo branco, apontando um fuzil de assalto pra mim. Ele era miúdo, bem mais baixo e magro do que eu, se fosse um combate corpo a corpo, eu poderia facilmente desmontá-lo, mas isso não aconteceria com ele segurando uma arma potente assim em direção a minha cabeça.


― Fica calado, senão eu atiro ― ameacei sendo bastante prepotente, afinal, o que seria aquele fuzil em comparação ao meu revólver de disparo automático?


― Você não está em condições de fazer ameaças aqui, Wolfhard ― ele disse com a voz mecânica, típica de quem escondia um deturpador dentro da máscara.


Eu não esperava que Millie fosse sair de dentro daquela casa pra ir me socorrer, e isso era a prova de que tudo o que ela havia dito na noite anterior, era mentira.


Ouvi passos altos vindo de dentro do hall. O mais forte deles, que pela composição física, presumo que seja aquele que tampou a visão das minhas câmeras, apareceu, segurando um quadro debaixo do braço, e logo em seguida, apontou mais uma arma pra mim, ainda mascarado, com as mãos trêmulas. Imediatamente eu saquei mais um revólver, mantendo meus braços abertos, uma distância segura dos dois homens que me ameaçavam. Formamos um triângulo, onde eu apontava pros dois e os dois apontavam para mim, até eu me surpreender e ouvir a voz dela gritando lá de dentro.


― Me larga, caralho, eu preciso ir ajudá-lo! ― Millie gritava com alguém que eu não saberia dizer quem. Meu coração acelerou-se naquele momento, e assim que a vi na porta, escapando do puxão do homem atrás dela, também mascarado, ela espantou-se e travou seu corpo finalizando sua frase.


― Finn precisa de mim!


Assim que nossos olhares se cruzaram, ela destravou sua M-4 e deixou-a apontada em minha direção, com o dedo sobre o gatilho, pronta pra me acertar. Os olhos dela pareciam não acreditar no que estavam vendo. Com a respiração entre cortada, Millie mencionou dizer algo, mas sua voz não saiu.


Estávamos todos num beco sem saída. Ela abaixou o cano de sua arma, apontando-a pro chão. Mordeu seu próprio lábio enquanto o silêncio gritava contra nós todos. O último, que havia puxado seu braço, estava em choque, que mal conseguia se manter de pé.


Millie colocou as mãos paradas no ar, em sinal de rendição.


― Emily, não! ― o mais alto deles ordenou que ela não desse nenhum passo em minha direção, mas ela o desobedeceu.


A morena deu uma risadinha, como uma criança que é pega no flagra. Ouvi os gatilhos de todos sendo destravados ao mesmo tempo, indicando que não hesitaram me encher de tiros. Mas eu também não hesitaria se fosse necessário.


― Parece que você descobriu algumas lindas mentiras sobre mim ― ela disse com tom mais calmo do que eu imaginava.


Continuei fitando o seu rosto, com ódio e ao mesmo tempo com medo do que ela seria capaz.


― Emily ― o mais baixo deles disse em direção a garota, sem tirar sua arma da minha direção.


― Pode me chamar pelo meu nome, Nate. ― afirmou a garota.


― Eu vou contar até três e se você não der as costas, eu vou encher vocês dois de tiro ― o fortão disse agarrando Millie pelo pescoço, colocando seu revólver apontado pra cabeça dela.


Engoli seco, e ela também, pois foi pega de surpresa com aquela atitude. Suas mãos fracas seguravam o braço dele, que envolvia ela pelo pescoço, segurando-a com força enquanto o rapaz de trás desvencilhou-a de sua M-4 pendurada em seu ombro até então.


― Solta ela, Clay! ― o que estava ao meu lado gritou.


Esse grupo estava completamente desestabilizado, e era minha chance de tomar alguém pra mim, então rapidamente em um golpe certeiro, acertei o baixinho, que eu julgava ser o “primo falso” de Emily, tomando-o pelo pescoço assim como aquele outro fez com a garota. Apontando a mira do revólver para ele, tínhamos aqui um jogo e quem fosse mais corajoso pra dar o primeiro passo, ia vencer.


― Departamento de Polícia de Mônaco ― anunciei ríspido sem parar de encará-la. Percebi que seu par de olhos amendoados estava úmido demais, prestes a derramar lágrimas.


― Solta ela, Clay, isso já foi longe demais ― o que estava atrás deles, pediu, deixando o capuz cair de sua cabeça, revelando cachos dourados.


Eu e Millie Bobby Brown trocamos olhares. Eu não conseguia parar de pensar na noite passada, na forma como ela se declarou e na voz dela ecoando de dentro do hall dizendo que precisava me ajudar. Ela mentiu. Sua vida foi uma completa farsa, e a única coisa verdadeira que ela me disse, foi que me amava. Isso, eu não poderia jogar fora. Ri por dentro, soltando ar pelo nariz, alto demais, chamando atenção deles ainda mais. Mesmo sem ver seus rostos, eu sentia o cheiro do pânico. Nunca foram encurralados assim e eu precisava mesmo confessar que era um plano genial. Só que eles não esperavam que sua integrante feminina fosse se apaixonar pelo policial.


Ainda prendendo o garoto mais fraco numa espécie de mata leão, o de cachos claros entrou no furgão, retirando de lá alguns pacotes familiares.


― Me solta, Caleb ― Millie disse com a voz firme revelando o nome daquele que segurava ela. ― Já chega disso. Eu quero me entregar.


Aquilo tirou minha respiração. Eu, por um segundo, esqueci o que estava fazendo ali, quando vi a expressão dela se contorcendo de dor, o pescoço em tons avermelhados pela força colocada contra sua pele delicada, as mãos fracas desistindo de segurar os braços grossos do rapaz, cobertos pelo tecido rude do macacão marrom.


― Solta ela ― exigi.


Assim ele o fez. Ela caiu no chão, e escorregou pro meu lado, colocando-se de pé, com as mãos pra cima, nem ousou olhar pra trás, seu fuzil jogado no chão denunciava que ela realmente estava falando sério. Millie jogou sua máscara, que estava presa na parte de cima da cabeça, para trás, derrubando-a na calçada, deixando seus cabelos curtos e sua franja bagunçada, livres.


Tomei uma certa distância, e soltei o garoto que eu segurava. Millie virou-se de costas para mim, juntando as mãos atrás das costas. Aquelas mãozinhas pequenas, macias, delicadas, que haviam acariciado meus cachos pretos durante a noite, enquanto gemia de tesão no meu ouvido. Deslizei minhas mãos pelos pulsos dela, prendendo-a numa algema apertada. O corpo dela tremia, a cabeça baixa, fazia com que os cabelos, jogados para frente, deixassem sua nuca exposta. Eu conseguia sentir o cheiro dela, misturado com o medo, enquanto os outros dois me encaravam ali, e o cachos dourados ligava o furgão.


― Vamos embora, ― o mais forte deles disse, dando apoio para Millie que acabara de se entregar ― se ela quer foder sua vida, que se foda sozinha. ― ele cuspiu, cruel.


Meu sangue ferveu. Que belos amigos de bosta você tem, Millie.


― Assim que eu terminar de arrebentar a cara desse filho da puta, ― falei dando dois passos na direção dele, arrastando Millie comigo ― vocês estarão todos presos.


Soltei a garota com brutalidade, jogando-a na direção do rapaz mais baixo, que rapidamente agarrou-a, empurrando a jovem para dentro do furgão, ainda algemada. Ela resistia, balançando seu corpo, repetindo meu nome, com lágrimas descendo pelo seu rosto perfeito.


― Não, Finn! Eu quero que você me leve! ― ela berrou. Podia sentir a dor em sua voz. Brown realmente não queria mais dar continuidade e eu tive certeza pois via nos olhos dela a mesma sinceridade que ela usou para dizer como se sentia sobre mim.


Notei o medo na expressão do rapaz negro que retirou sua máscara e jogou na direção daquele que segurava minha namorada. Ou melhor, ex.


― Vai ser um prazer arrebentar você ― falou deixando-me ouvir sua verdadeira voz, grave e rude, cheia de brutalidade.


― Quando eu arrebentar ele, você estará presa, pra sempre, Millie ― afirmei olhando no par de olhos castanhos dela. A morena franziu o cenho. O garoto que a segurava, tapou sua boca, enfiando-a para dentro de vez, fazendo com que perdêssemos nosso contato visual. Eu só conseguia ouvir ela esperneando dentro do veículo, e eu tive certeza que ela entendeu o que eu quis dizer.


― A propósito, você é um péssimo companheiro de equipe ― murmurei contra o rapaz que largou suas armas na calçada. Repeti a mesma atitude, deixando claro, que o combate seria corpo a corpo e justo. Mas aquilo, era só um pretexto. Eu sabia o que iria acontecer.



[MILLIE NARRANDO]


O melhor meio de ser-se enganado, é considerar-se mais esperto que os outros.




Bem, já dizia François De La Rochefoucauld. E era verdade. Eu achei que estava enganando Finn Wolfhard durante tanto tempo, mas o jogo virou.


Acordei num galpão escuro, cheio de feno no chão, fedendo a cavalos molhados. Abri os olhos com certa dificuldade, estavam doloridos de tanto chorar. Identifiquei que não havia mais ninguém comigo, e eu ainda estava de macacão marrom, ali, com os pulsos doloridos por causa das algemas em mim colocadas. E eu não tinha nem noção do tempo que passei trancada ali.


― Noah? ― chamei o nome dele e obtive silêncio como resposta.


As luzes fracas entravam pelas frestas das madeiras que compunham as paredes do velho galpão, então, eu supus, que estávamos no horário do crepúsculo.

Ousei subir alguns degraus da escada de madeira bamba que havia ali, levando-me para uma espécie de quarto, sem paredes, no alto do que parecia agora um celeiro. Olhei de cima, tentei achar uma brecha para respirar pois tudo aquilo me sufocava.


― O que você está fazendo aí? ― ouvi a voz familiar vindo debaixo.


Forcei a visão para identificar a pessoa ali na penumbra, e era Caleb. De braços cruzados, com o supercílio ferido, e alguns tons arroxeados sobre sua pele negra, ele me aguardava encarando os passos que eu dava em sua direção.


Sem mais nenhum vestígio de medo, avancei sobre ele, fechando meus punhos, acertando seu queixo e seu peito. O rapaz ficou parado como se tivesse sido atingido por uma bolinha de papel. Meus olhos ardiam, e eu podia imaginar o quão vermelhos estavam.


― O que você fez, seu filho da puta? ― gritei contra ele.


Recebi silêncio em resposta, então disparei nele mais um soco, e dessa vez, senti as mãos fortes de McLaughlin segurando-me pelos cotovelos.


― O que você fez? ― gritei de novo quando fui empurrada contra a parede de madeira.


Caleb se impôs contra mim, passando seus braços pelo meu corpo, apoiando as mãos na madeira enquanto eu fitava furiosamente seus olhos escuros, sentindo ele chegar perto demais de mim.


― O que você fez? ― sussurrei há alguns centímetros de seu rosto.


― Aquele idiota deixou eu arrebentar a cara dele de pancada pra você fugir. E graças a isso, ganhamos o bônus da liberdade ― ele afirmou fazendo minhas pernas falharem.


― O que você fez com o Finn? ― rugi quase cuspindo no rosto dele.


O moreno segurou meu rosto com as duas mãos.


― Ele deixou você fugir, você é burra? Ele deixou eu bater nele, pra ter como se justificar pra polícia, por ter deixado a gente escapar. Ele virou vítima, você entendeu? Por sua causa! Mas eu não bati nele o suficiente! ― exclamou soltando meu rosto.


― Não o suficiente para matá-lo, apenas para deixar alguns dias no hospital ― aproveitei que ele se virou de costas e dei mais um murro, inútil, agora na altura do seu trapézio.


Passei as mãos pelos meus cabelos sujos, senti uma de minhas unhas enrolando nos meus fios pois havia se quebrado bem no limite do meu dedo.


― Me diga agora o que está acontecendo, Caleb? Merda! Por que você não abre essa boca de merda! ― gritei terminando a frase baixo demais por conta da voz embargada.


― Se você não se controlar, vou ter que dopar você de novo!


Dopar? Então é por isso que eu não tinha nem noção do tempo? Ele percebeu meu semblante confuso e espantado e piedosamente decidiu me dar alguma explicação, apontando seu dedo pra mim.


― Você quase arruinou a vida de todos nós. Estamos juntos há anos nisso aqui, e você quase estragou tudo por causa da porra de um romance! Por que está apaixonadinha por aquele filho da puta! Me poupe, Millie. Me poupe! Você disse meu nome pra ele. Você lembra do que eu te disse, há muito tempo? Lembra?


Franzi o cenho olhando para baixo. Eu lembrava sim.



― Se ele é da polícia investigativa e por algum acaso a Apatow falar que haviam pessoas em sua casa, e se por alguma porra de outro acaso, Finn investigar a fundo os casos de roubo de anos atrás em Londres, da gangue mascarada, de Jacob que morreu no píer, do furto a joalheria, do sumiço dos diamantes...Se de alguma forma esse filho da puta ligar os pontos e se por algum vacilo você deixar ele penetrar sua vida e sem querer dar alguma pista pra ele de que tem algo de errado com a farsa que você vive, bem, você sabe! Estaremos fo-di-dos! A polícia é astuta, Millie! Astuta! Você não sabe o quanto.



― Tudo o que eu disse parece ter acontecido, ― ele sibilou deixando escapar o medo em sua voz ― e se não fosse pelo fato dele estar tão cego quanto você está, a essa hora a gente estaria na cadeia. Íamos mofar lá, Deus sabe por quanto tempo…


Respirei fundo tentando recompor minhas feições, tentando abafar o pânico instalado debaixo da minha pele.


― Ele deixou você bater nele para que eu pudesse fugir? ― repeti a informação, com a voz baixa, como se não tivesse acreditado naquilo.


Caleb afirmou balançando a cabeça, lançou um olhar para mim, coçou sua nuca e depois colocou as duas mãos nos bolsos do macacão.


― Onde nós estamos? ― indaguei.


― Em Lyon ― respondeu contendo maiores detalhes.


Eu acabei me sentando no chão, junto ao feno fedido, pois nada mais me importava. Eu só sentia meu peito arder porque mais uma vez, eu fodi tudo. Tudo. Especialmente a vida do cara que eu amo, que além de ter levado uma surra por minha causa, ainda poderia perder o emprego pois certamente, Vanderwall ficaria sabendo que Finn Wolfhard desobedeceu as leis da polícia e estava trabalhando em casa durante seu período punitivo.


O tiro saiu pela culatra sem nem ao menos eu disparar uma bala.


Notas Finais


Por essa vc n esperava


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