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História Há estrelas em seus olhos e eles estão brilhando para mim - Capítulo 1


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Notas do Autor


Me apaixonei por uma gif e não consegui dispensar a voz do Gonzalez

Capítulo 1 - Pássaros cegos são livres e condenados por seu sorriso.


Tudo aconteceu em um dia de outono, eu atravessava a rua úmida, de olhos fechados, cantando para a minha alma se libertar e o meu corpo flutuar. Meu molde estava leve e havia um prazer úmido nas palmas das minhas mãos, dedos entrelaçados ao desconhecido e fervoroso medo, era algo maravilhoso. 

Ouvi gritos exaltados e impiedosos, buzinas soando em urgência, meu coração dançando conforme meus passos desajeitados, queria ser bailarina, queria ser veterinária, queria ser livre, livre como os céus em um dia de sombras e ventos frescos. 

O ar soprou em minha nuca, o cachecol dava picos e em um giro perfeito, algo me puxava contra a maciez de veludo e um som surdo tamborilava contra meus cabelos. Algo rígido me prendia contra o montante de tecidos, sons e vozes que nos circulavam, deixando o ar raso. Recusei abrir meus olhos e ver quem me prendia impedindo o meu alçar voo, meu ímpeto de lucidez. 

A voz disse coisas às pessoas, palavras soltas e sem ligações para mim. 

Desmaio. Moto. Polícia. Cegueira. Levar. Licença. 

A melodia de antes voltava a me preencher, fui soltar, mas não senti liberdade.

Fui puxada pelo pulso, andando errante e sentindo olhares sobre meus ombros. 

— Por que não abre os olhos?

— Toda vez que você tem um sonho, você nunca sabe o que isso significa. — Repliquei, imperiosa. 

— Não me parece ruim, eu enlouqueceria.

Admitiu e abri meus olhos, como se fosse a primeira vez após ter o cordão umbilical cortado, a luz em penumbra, corpos em movimento, cores quentes em espiral e jornais molhados contra paredes de concreto, a realidade me foi insuportável aos olhos. 

Quis chorar. 

Olhei para o meu detentor, ele tinha uma expressão delicada e marcações infantis desoladas que me fez querer abraçá-lo e lhe dar um beijo na testa.

— E como você pode me provar que não enlouqueceu? — indaguei acompanhando as linhas das calçadas, um pé na frente do outro, um, dois. 

Eu olhava para a frente assim como ele, se nós olhássemos, o fim seria injusto e poderia sentir aqueles dedos apertando minha carne secular. 

— Eu não sei e você? — havia riso em suas palavras e o som dele era tão bonito, mas ele não sabia, porque toda aquela tristeza por trás das pálpebras o deixaria inquieto. 

— Nunca sei em que estado estou, posso estar dormindo, cantando em compreensão ou andando com um desconhecido que me abraçou como se o mundo fosse apagá-lo se não o fizesse. — Eu ri olhando um avião passar por entre as  nuvens escuras e sabia que ele agora me olhava. 

— Eu apenas fiz — disse sem arrependimentos ou felicitações, como olhar o mar Báltico e não sentir o que os franceses sentiram. 

— Não irei agradecer por aquilo. 

— Eu sei, no fim quem estava sem ritmo era eu. — O olhei, o cabelo preto, os lábios róseos, os olhos estrelados como pequenos botões, ele estava me cegando em algo  hermético e mítico. 

Sorri soltando a mão dele do meu pulso, ergui meu tronco e toquei os seus cabelos com as pontas dos dedos, em um carinho dócil. 

Ele era doce e brilhante, eu despedaçaria meu coração e a minha alma com prazer se os olhos dele continuassem transmitindo aquela sensação de desolação e calor vertiginoso para dentro do meu ser inane. 

Sim, estava destinado, eu sabia que te amei à primeira vista. 



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