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História Há estrelas no céu - Capítulo 21


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Notas do Autor


Voltei com mais dor e sofrimento! muahmuahmuah (risada maléfica)

Sim, eu sei que eu disse que a fic tava acabando, mas nem por isso eu ia deixar de colocar drama no final! hahaha

Mais drama??? SIIIIIMMMMM


Venham sofrer comigo amores =3

kissus e boa leitura!

Capítulo 21 - Cabeça partida


Jessica e Sam se casaram uma semana depois da morte de Jo, por insistência de Ellen. Ela lamentou o que tinha que lamentar, mas depois do enterro disse que era hora de fazer o que sua filha gostaria de ver: um belo e doce casamento, como haviam planejado; para deixar o passado descansar e renovar a energia de todos.

A festa é simples, como era o esperado. Sam usava a calça jeans de sempre, mas Chuck encontrou no estoque uma camisa cinza e sapatos pretos que combinavam. Sam penteou o cabelo para trás e foi isso, a roupa toda, mas não poderia ser melhor.

-Você está nervoso? - Dean pergunta da entrada de sua cabana enquanto observa seu irmão enrolando as mangas de sua camisa.

-Depois do que fizemos na semana passada isso será moleza.

-Hmm, bolo ... Puxa, como sinto falta.

-Talvez Ellen tenha conseguido cozinhar algum.

-Talvez ... Mas eu não me importaria se ela não o fizesse.

-Ninguém iria.

No silêncio trazido pela tristeza, Sam sentiu o coração doer e, enquanto lutava contra a ferida profunda da mão esquerda, decidiu mudar de assunto; ou melhor, ele tentou inquirir Dean.

-Como está Cas? - pergunta a ele diretamente.

-Melhor. - vem a breve resposta - Andando devagar, mas eu também faço com que ele se deite na maior parte do tempo.

-Bom. E como estão, você sabe ... vocês dois?

Dean apenas deu de ombros, colocando as mãos nos bolsos.

-Acho que a ideia de um casamento é a noiva se atrasar, não o noivo, Sam.

Ele zomba para evitar a pergunta, mas seu irmão o conhece bem. Virando-se para encarar Dean, Sam esquece por um momento que este é o seu dia e pergunta com calma:

-Dean, está tudo bem?

Não há uma resposta. Alguma coisa vai ficar bem? Porque pelo que Dean pode se lembrar, suas mãos estão repletas de erros; ele se sente impuro cada vez que olha para Cas, como se um vazio se instaura-se em cada grão do seu ser, e não há nada que ele possa fazer a respeito. Ele coça as costas da mão com força, marcando a pele em cores vermelhas, no entanto ele não para de arranhar a cútis, achando aquilo uma distração conveniente.

-Cas está ... Ele estava muito ferido, Sam. - ele quase murmura, tentando bloquear a lembrança de Cas espalhado no chão coberto de vermelho; e ele coça as mãos com mais força.

Sam se aproxima, parando ao seu lado e tocando seu ombro. Dean se sobressalta e ergue os olhos para encontrar o olhar de seu irmão.

-Eu sei. Mas ele está aqui agora. – Sam reafirma com um gentil aperto em seu ombro, porém Dean tem a respiração apressada da mesma forma, incapaz de esquecer.

-Se eu não fosse teimoso, se eu tivesse te ouvido quando eu perdi minha memória, ele não iria—

Balançando a cabeça, Dean pensa e repensa em tudo que ele poderia ter feito para impedir essa bagunça. Se ele não tivesse deixado Castiel andar sozinho em uma cidade fantasma, se ele tivesse o obrigado a ficar no acampamento, se ele não o afastasse, se ele não se despedaçasse e se perdesse no meio de um mundo onde o mais forte come o mais fraco; se ele não perdesse a memória ... Se ele não existisse.

Esses medos se multiplicaram dentro de sua cabeça como uma ferida aberta nos últimos dias – desde a morte de Jo e todo o caos instaurado por sua culpa; porque ele decidiu fugir um dia onde as responsabilidades de ser o líder daquele acampamento se fizeram mais pesadas, porque ele obrigou Castiel a se tornar uma pessoa tão cruel quanto ele a fim de encontra-lo. Tudo isso para ser rejeitado por Dean, maltratado e ferido de tal forma que ele não mais sabia o que fazer.

Saber da verdade sobre seus sentimentos era um alívio e uma tortura ao mesmo tempo, pois agora Dean compreendia o quanto fez o moreno sofrer. Cada uma dessas ideias enraizava-se em seu cérebro, infectando todas as áreas de sua mente, enchendo-a de culpado, monstro, sujo, sujo, sujo. Ele coçou a mão um pouco mais.

Então Sam agarra seu ombro sacudindo seu irmão para acordá-lo, porque ele conhece Dean e tem certeza que ele está pensando demais - o que para ele nunca é uma boa coisa:

-Não faça isso consigo mesmo, Dean.

-Se não eu, então quem vai? - ele pergunta quase gritando -Você? Cas? Ellen? Ninguém me culpa por nada!

-Porque não é culpa de ninguém!

-Tanto faz, não vou discutir isso agora, não no seu casamento.

-Bom, mas vamos conversar mais tarde.

Dean revira os olhos e sai da cabana. Suas mãos doem.

Porém não é uma dor física, e sim de culpa.

Dean sempre viu uma linha de sangue em suas mãos, em tudo que ele tocou em cada pessoa em sua vida. Ele acariciou os cabelos dourados de sua mãe na noite do incêndio antes dela morrer, abraçou o corpinho de Sam quando o tirou de casa e desde então seu irmão mais novo só sofreu. Ele segurou a mão de John antes de seu pai partir para o campo de batalha antes de morrer, deixando-o para trás com a única tarefa de cuidar de Sam - e ainda assim ele falhou tantas vezes.

Foi a mão dele que guiou aquelas crianças do acampamento para uma invasão que os levou à morte prematura; foram suas palavras de desespero que levaram Ash e Jo a um ataque suicida a um lugar cercado de inimigos.

E desde o primeiro momento em que suas mãos repousaram sobre Castiel ele o contaminou com a maldita destruição que possuía. O enfermeiro que ele queria proteger; a pessoa que Dean encontrou em um lugar tão improvável, em um tempo cruel e mesquinho, e ainda assim ele se recusou a dar a Castiel a chance de viver com alguém melhor, marcando-o com seu veneno.

Como ele poderia não se culpar? Nenhum deles viu essa queimadura escura ao redor de sua alma? Ele estava podre e continuará o ser até o fim de sua vida. Porque pessoas como Dean corrompem o mundo ao seu redor, dizendo mentiras a si mesmo, enganando-se de que tenta fazer bem; mas na verdade está apenas procurando uma desculpa para continuar sobrevivendo. Dean ainda tentava encontrar uma razão para lutar contra o inevitável: sua própria morte.

Jess começou a entrar no pequeno corredor de pessoas e cadeiras, e os pensamentos de Dean se fecharam no momento; suas mãos coçando.

Ela é linda, sorrindo como Dean nunca a tinha visto sorrir antes. Ela usava a camisola branca que ele conseguiu encontrar, mas o vestido caía perfeitamente em seu corpo, deixando-o semelhante a uma daquelas figuras enevoadas de pinturas a óleo caminhando no meio de um teatro de guerra.

De orelha a orelha, Sam sorriu para ela, esperando que a garota fosse trazida a ele por Bobby o mais rápido possível.

Enquanto estava ao lado de seu irmão, Dean olhou para Jessica, mas seus olhos pararam em Castiel. Ele estava sentado algumas fileiras à frente e, se não fosse pelo sobretudo bege pesado que vestia, qualquer um seria capaz de ver os rastros das feridas em seus braços, tronco e pernas.

Ele tomava analgésicos à noite quando pensava que Dean não estava vendo.

No meio do caminho de Jessica, Castiel apertou os lábios num sorriso, olhando para ela. Ele sorriu e sibilou quando uma dor ardente atingiu seu corpo- e Jessica veio ao lado de Sam.

Castiel tentava se ajeitar na cadeira sem provocar movimentos bruscos.

Bobby beijou sua testa e apertou a mão de seu irmão.

Castiel endireitou-se na cadeira, esfregando os cotovelos doloridos.

Dean se sentiu fraco só de olhar para ele.

A cerimônia terminou rapidamente, pois estava frio demais para todos ficarem do lado de fora, e após um breve beijo dos recém casados, sons de apitos e palmas de mãos, Dean caminhou em direção a Castiel, ajudando-o a sair da multidão para colocá-lo confortável no salão de jantar.

-Vou pegar um pouco de comida para você.

Dean fala rapidamente, não deixando o enfermeiro se manifestar. Suas mãos apenas escorregaram pelo braço de Castiel, quase sem tocá-lo, e logo ele se foi, incapaz de olhar por mais de dez segundos para ele.

Ele precisava apenas sair dali; de Cas e a constante lembrança de seu fracasso com o enfermeiro. Ele precisava de ar.

Pegando o primeiro copo de bebida que conseguiu encontrar - um líquido branco nojento que alguém no acampamento deve ter feito - Dean o engoliu, apoiando as costas na parede enquanto seu coração nunca parava de bater. O vidro em suas mãos estava sendo pressionado cada vez mais pela palma, ameaçando quebrar. Então seu momento de solidão foi perturbado por uma voz insuportável e conhecida:

-Então, você voltou, uh?

Dean vira o olho para o lado, vendo Balthazar dele com um pequeno curativo no nariz. Ele bufa com a observação do homem.

-Eu nunca deixaria de voltar.

Dean responde, no entanto Balthazar capturou o pequeno tremor de incerteza em sua voz.

-Estou feliz que você ... Trouxe Castiel de volta.

Assentindo em concordância, Dean vê o olho ainda roxo acima da bochecha de Balthazar junto com um nariz torto que pode voltar ao lugar com o tempo - ou não.

-Desculpe pelo seu nariz. - ele diz apenas por cortesia, mas na realidade Dean não sente o menor arrependimento. E, oh, Balthazar sabe disso.

-Lamento que você esteja vivo, mas a vida não é perfeita.

Dean bufa, bebendo um pouco mais, com a bebida estranha mitigando seu estômago e pensamentos coerentes.

-Só não estrague as coisas desta vez, hein? – Balthazar emenda a fala, tornando a demonstrar seu sotaque mesquinho e tom superior.

Rindo, Dean termina sua bebida pegando outra da mão de um cara e dizendo para ele se virar antes de engolir.

-Não me dê sermões. - Dean diz mais asperamente do que gostaria, com o forte hálito de bebida saindo de sua boca.

-Seja um homem crescido e me escute, seu cabeça de batata. - Dean arregala os olhos, mas nada diz -Eu realmente gosto de Castiel. Portanto, cuide dele.

Dean pode ver pelo canto do olho Castiel sentado em uma cadeira enquanto Jessica fala com ele. O enfermeiro ainda tem seus ferimentos evidentes em seu corpo, e lembrando-se da condição frágil que Dean o encontrou uma semana atrás ... Isso causa uma convulsão em seu estômago, torcendo a bebida e doendo mais do que uma agulha perfurando sua nuca. Ele engole em seco, segurando o copo e fazendo uma promessa a Balthazar e a si mesmo:

-… Eu irei.

Ele profere sem tremer a voz e Balthazar bufa um -é bom mesmo- antes de deixar o líder sozinho. Dean esfrega a mão novamente, desta vez para remover os pedaços de vidro quebrados ali.

(...)

Após o casamento Castiel estava de volta ao seu quarto, ou melhor, à cabana de Dean, para descansar um pouco mais, pois lá ele teria mais conforto.

Ele recebe visitas quase o dia todo, todos querendo sua recuperação total, trazendo flores e outras coisas. Dean espirra com o cheiro que impregna seu quarto - será uma merda se livrar disso - mas ele não reclama.

Seu guarda-roupa logo é preenchido novamente com as roupas de Cas; sua mesa tem uma pilha de livros e aparelhos médicos. O enfermeiro nem piscou quando Dean pediu que ele voltasse. Ele queria por tanto tempo estar com ele mais uma vez.

Castiel havia perdido as esperanças desde sua última briga com Dean, contudo após a última tentativa de seu irmão de matá-lo e o fato de Dean tê-lo salvo de novo- acrescentou alguns pontos positivos para equilibrar as ações anteriores estúpidas do loiro.

Mesmo assim Dean se comportava como se caminhasse sobre um vidro fino, tocando o enfermeiro com dedos fantasmas nos ombros, nos pulsos, um toque na cabeça para brincar com os cabelos negros, beijos castos, e nada mais.

Parte disso era porque Dean não sabia o quanto Castiel o havia perdoado. E por causa disso ele fez tudo ao seu alcance para se redimir; cuidando de Cas, ficando ao seu lado o tempo todo, não participando de incursões que poderiam preocupá-lo. Além disso, seus ferimentos levariam algum tempo para cicatrizar, e Dean sabe que Cas precisava ficar afastado dos demais para superar a tortura que Alistair praticou nele.

A tortura. Alistair tinha um dom bizarro para quebrar as pessoas, não só com o tratamento físico, mas também com as palavras. Castiel ganhou vários cortes ao longo da parte interna das coxas, atrás dos joelhos o tendão foi danificado, tornando impossível para Cas andar por alguns dias, o obrigando a ficar sentado por pelo menos mais uma semana para se recuperar.

Dean o observa sorrindo, apesar do que ele passou, incapaz de pensar o que manteve Cas sã durante o processo.

E talvez ele só estivesse fingindo por causa de Dean, fingindo que ele não era o culpado pelo que aconteceu, quando na verdade Dean sofre internamente por ter demorado muito, por causar feridas no enfermeiro antes de Alistair; porque ele nem consegue imaginar o tamanho da solidão de Castiel ao ter Dean tão perto e longe ao mesmo tempo nos momentos em que sua memória havia falhado – isso porque Dean havia perdido suas forças num vácuo de desesperança na primeira noite dos sonhos com Castiel.

Ele estava fingindo ser forte esse tempo todo, mas na verdade Dean está tão, tão fraco; por não querer ficar sozinho, por não querer perder seu irmão e Castiel.

E a culpa daquilo tudo era sua; mesmo assim, ainda assim era incapaz de deixar Castiel livre, de o permitir ter uma vida boa. Dean não entendia como o moreno podia sorrir para alguém feito ele. Como pode Castiel perdoá-lo?

Dean nunca fala o que está pensando, contudo, os toques ou a falta deles, dizia tudo para Castiel.

Seus dedos não alcançam sua pele ou mal arranham a superfície, e dentro de Castiel dói ter Dean de volta, mas ainda sem ver o homem que ele ama inteiramente ali, sentindo que ele está escorrendo por entre suas mãos, e logo ele será incapaz de segurar os pedaços perdidos de Dean.

No jantar, a raiva misturada com confusão tomou Castiel, e ele não podia mais fingir que estava tudo bem.

-Dean, há um problema? - questiona-o, mas o outro encolhe os ombros, sem olhar para ele.

-Huh? Não por que?

-Você ... não quer me tocar.

Dean levanta a cabeça com os lábios entreabertos, pondo a colher no prato.

-Sim eu quero.

-Isso não foi o que eu quis dizer.

Esfregando a nuca, Dean se moveu na cama bufando, não querendo discutir.

- Cas, você ... - ele suspira. - Aconteceu tanto e ...

Os lençóis doem na pele como algo corrosivo. Castiel se livra deles em busca do toque de Dean, não dessa carícia gentil em seu rosto, ou um beijo casto em seu cabelo. Não é disso que ele precisa para parar com essa dor ardente no seu âmago. A forma como Dean se move ou o evita, os olhares longínquos, a falta de palavras ou mesmo uma explosão de raiva do loiro deixa tudo tão... Incompleto, sem substância. Oco. É como se ele dissesse adeus aos poucos; é como desistir e ele não quer isso, não quando Dean se lembrou dele.

Segurando as duas mãos no rosto de Dean, Castiel o puxa para um beijo duro, travando suas bocas em um suspiro, sem qualquer espaço entre os lábios para separá-los.

Dean coloca as mãos na cintura do menor, apertando a blusa leve que Castiel usa. Seus polegares acariciam em círculos suaves a bainha em busca de pele, sentindo o calor se espalhando por suas palmas imediatamente. Dean geme enquanto sua língua luta pelo controle da boca de Cas, absorvendo seu gosto e ignorando qualquer freio posto em sua cabeça, porque este é o gosto que ele ansiava por muitos dias, o peso que ele queria ter em suas mãos e a sensação deste homem ao seu redor ...

Com um gemido, Castiel inclina a cabeça para permitir a Dean mais espaço enquanto seus corpos descem na cama ali, com Dean balançando a cintura entre as coxas de Castiel. O enfermeiro silva, puxando ar por entre os dentes e abandonando o beijo uma vez que o movimento atinge uma área ferida, e suas feições se contorcem de prazer a dor, notado em um piscar de olhos por Dean.

Ele abre os olhos verdes e pula para longe de Cas, ofegando e praguejando, uma vez que vê as gazes e pontos escuros em seu estômago.

-Merda ... sinto muito, Cas ..., sinto muito ...- ele começa a se desculpar novamente, não apenas por isso, mas por todos os erros que cometeu até agora, carregando em seu tom todo o peso dos últimos dias.

E isso enfurece Castiel ainda mais.

-Quer parar com essas desculpas?!

Dean levanta sua cabeça resignada para encontrar um par de olhos azuis ferozes. Ele engole em seco, segurando os lençóis com uma das mãos.

-Cas, você sabe por que eu—

-Sim, sim, e já perdoei tudo o que aconteceu!

-... Isso é um absurdo, Cas.

-Pelo amor de- Dean, pare de pensar muito com esse seu cérebro estúpido!

- Eu machuquei você, Cas! Muito; em mais de uma maneira! Se você ficar comigo, só haverá mais dor! Eu só vou causar mais dor para você!

-Por que?

-Como assim por quê?! Porque é isso que eu faço! Eu destruo tudo que toco!

Castiel fica em silêncio por um momento.

-Não se atreva a se afastar Dean, não agora; você não tem esse direito, não depois do que passei, do que fiz ... Você não pode desistir disso. – Castiel fala cada vez mais desesperado, apontando para o espaço entre os dois numa tentativa frustrada de chamar a atenção de Dean, de fazê-lo compreender o que estava em jogo.

No entanto Dean só vê mágoa, dor; aflição nos cortes e curativos desenhando seu corpo antes imaculado. Ele só pode imaginar um futuro melhor se ele simplesmente não existisse.

-Todo mundo vai ficar melhor sem mim ...- ele murmura, esfregando o rosto cansado.

-Eu não vou.

Bufando, Dean desliza na cama sem paciência.

-Você irá. Deus, eu não sou normal. – o loiro ri seco, passando a mão sobre seus cabelos, quase os arrancando - Tenho problemas pra duas vidas inteiras!

-Eu não me importo. – rebate o moreno sem pestanejar.

-Mas eu me importo, porra!

Ele grita, batendo com o punho fechado na mesa de cabeceira e quebrando um copo no chão. Castiel abre a boca e depois a fecha, não acreditando nas desculpas esfarrapadas.

-Não é uma questão deles, somos nós!

-Cas—

-Não, cale a boca! Você não é um desistente, disso eu sei.

-... Talvez eu finalmente tenha acordado. – Dean responder querendo acreditar em si mesmo, querendo dar força a sua voz fraca.

-Ou talvez você tenha batido sua cabeça de novo.

Dean se afasta dele em penitência, mostrando um semblante distorcido a Castiel, e isso é o suficiente, é demais para ele suportar; ter Dean, perdê-lo, trazê-lo de volta e vê-lo indo embora assim por um mero capricho dele.

Não permitindo que ele saísse da cama, Cas segura o pulso de Dean com força, ganhando sua atenção - um brilho cheio de medo também.

-Dean, você pode me tocar. Eu não vou quebrar. – tenta novamente, buscando os dedos do outro, instigando-o a se aproximar.

Mas ele balança a cabeça em desacordo.

-Eu não… - Dean sente a boca seca.

-Me toque.

Tremendo os lábios, Dean levanta a mão em um movimento inseguro e desliza alguns dedos no antebraço de Cas.

Lá estava, então, o pesadelo criando vida; a fantasia macabra surgindo como realidade. Pois cada toque seu parecia abrir jorros vermelhos de cicatrizes, feridas e coisas que Dean não pode consertar, que ele causaria de novo e de novo em Castiel simplesmente por ter escolhido ficar junto dele, porque ele era fraco e incapaz de permanecer sozinho nesse mundo perdido.

E, oh, ele traria Castiel para o fundo do inferno junto dele através de suas mãos podres.

Ele pula e foge, sem respirar, vendo Castiel observando-o com incerteza e um tanto desapontado.

Em seguida, seu rosto é cortado em uma lima vermelha, dividido em dois, e o sangue está nas mãos de Dean, e ele quer limpá-lo, oh Deus, ele só quer limpar todo o sangue dele.

O loiro esfrega os olhos, balança sua cabeça dum lado ao outro, querendo se livrar da visão deturpada de Castiel ferido. O enfermeiro, por sua vez, muda sua tristeza por preocupação ao notar as ações errôneas de Dean. Algo não estava certo.

- Dean?

O chama, e quando o loiro o encara Castiel é surpreendido por um urro de angustia vindo dele. Os olhos verdes balançam como se enxergassem algo aterrorizante, seu peito sobe e desce desesperadamente apressado; o ar entrando nos pulmões, porém era como se não fosse o bastante, como se o oxigênio escapasse aos poucos, Dean arfava sem ar, os dedos tremiam, as pernas cambaleavam,  e antes que Castiel pudesse chegar até ele, Dean corre para fora da cabine.

Continua


Notas Finais


Pra quem não percebeu, Dean sofreu um ataque de ansiedade misturado com estresse pós-traumático.

Coisas ´serias gente, procurem sempre a ajuda de um médico ou psicólogo quando precisarem, cuidem da sua saúde mental <3


Papo de tia preocupada à parte, eu disse que ia ter mais drama =3

Acho que mais 2 capítulos pra essa belezinha acabar.

E Sem Compromissos? - to escrevendo, calma que a criatividade da tia Yume as vezes falha!

E Nosso mês de Setembro? - tô reescrevendo o capítulo perdido, então tenham fé que esse ano sai o final dessa fic!

E NÃO ME DEIXE IR É A FI NÚMERO 1 DE SUPERNATURAL NO SPIRIT! UHUULLL!!!!

Obrigada pelo carinho de todos =33

kissus e até breve!


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