História Haechan, você é como qualquer outro? - Capítulo 1


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Notas do Autor


Essa história fala de tópicos como depressão, drogas e suicídio. Não leia se você tiver gatilho.
obrigado @kidol por escutar todos os meus dramas em relação a esse curto texto
obrigado @yugyeom-ah pela capa linda.
Essa história é conectada a outra postada na minha conta, 'Haechan é um garoto como qualquer outro', o link vai estar nas notas finais.

Capítulo 1 - Capítulo refinado no pânico


Encarar as paredes em dias vazios era como uma linda tela em branco de um artista divergente e mal compreendido. A sensação gelada do chão em suas costas era mais surreal quando estava no estado que estava, e as cores eram tão bonitas e vividas que era como se elas pudessem até mesmo conversar consigo. Não sendo gentis, mesmo que cochichando, era como se existisse uma ténue linha entre a realidade a viagem, onde os tons de amarelo das paredes e preto da prateleira gritavam: VOCÊ VAI MORRER SEM DAR QUALQUER JEITO NA SUA VIDA. VOCÊ VAI DECOMPOR ANTES MESMO DE CHEGAR LÁ.

Sei lá, andava difícil aceitar que o céu é azul e as nuvens eram brancas, que por acaso não poderia acabar pintando aquilo de roxo e que, caso realmente o fizesse, ficaria feio para caralho. Dava muito trabalho manter aquela pose que era um artista, uma mente criativa em trabalho constante, um garoto tão legal, tão cheio de tudo, tão certo dos seus erros e perfeições. Chegava uma hora que Haechan só colapsava e deixava que com que as coisas fossem como fossem. Coisas terríveis, como um filme de terror que nunca acaba mas nunca têm matança, vingança, motivação… Tinha nada, mas ainda sim era assustador, consumindo e comendo seu corpo por dentro e por fora, fazendo seu coração bater muito rápido e seu corpo suar frio, tomando aquele gostinho do beijo da dona morte que sempre era muito gostoso de se ter — só se fosse uma dose pequena.

Sentar ali, na sua cama surrada, de frente para a mesa onde bagunçou tudo vasculhando um resquício de algo que fosse lhe deixar um pouquinho entretido com a existência, olhar para o nada, pensar que aquilo era muito mais reconfortante do que tudo que pensava que amava fazer. Tomar um remédio ou outro, nem precisando, aqueles que lhe deixavam meio manso e meio sorrindo, DESEJANDO QUE FOSSE VENENO DE RATO. Seus dedos nem eram magros e suas coxas andavam saudáveis para sustentar seus poucos passos que gastava por semana, mas enxergava-se como uma galinha podre que se aninha em si mesma esperando a morte chegar, com fome e solitária, puro osso, puro óbito.

Tinha mais trezentos que nem ele, homens ou garotas ou coisas, bebendo do próprio rudimentar, egoísmo e criando esse altar de si mesmo que gostavam de comer ou botar fogo de vez em quando, atingindo a insanidade de se odiar extremamente e se amar TANTO E TANTO que acabava afetando tudo e todos que existiam a sua volta. Haechan era como qualquer outro, de verdade, a única coisa especial nele talvez fosse sua capacidade de convencer as pessoas que ele, por acaso, brilhe no sol e é capaz de conquistar o mundo. Ah… como todo mundo é superficial e ingênuo… todo mundo sabia que era mentira, só simpatizavam por dó. Era tão óbvio que ele era a maior mentira do mundo, um esforço tão legal de tentar sorrir e ser o melhor cara do mundo.

Seu rosto estava horrível, dormir só quatro horas por dia, sinceramente, só era um caminho a mais para chegar no auge da sua hora da estrela. Haviam marcas estranhas no seu corpo que ele gostava de fantasiar que ele mesmo havia feito elas, só para suprir essa gostosa e melhor amiga sensação de se odiar tanto. 

 Outro dia ele fez sua melhor amiga chorar por lhe contar que estava quase morrendo, querendo morrer, que nem estava ali no canto de seu quarto, fazendo tudo sorrindo com a cabeça pesando três rios. Outro dia ele fez mais uma pessoa perder o tempo lhe contando o quão bom era o ter ali, somente existindo. Como é que é bom viver se você não pode ter nada? Não deveria ter esse outro lado da moeda?

Se ele não era como qualquer outro, qual é... um dia ele iria ser, nem se fosse na estatística: jovens com talentos não desenvolvidos, jovens que vivem sem renda, viciado em drogas, viciado em drogas antes dos 20, jovens sem convívio social desenvolvido, jovens desajustados, jovens mortos, jovens acabados, jovens demais para morrer.

 Ele iria parar em algum lugar, com um tanto de gente igual a ele, nem que fosse dividindo vala.

 


Notas Finais




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