História Hakanai. - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Suga
Tags Realeza, Yoonseok
Visualizações 34
Palavras 7.772
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa noite rs
Eu to escrevendo isso tem quase um ano e talvez nem esteja tão bom, mas eu prometi postar pras yoonseoka/idaero então eu vou postar porque esse plot é meu xodózinho.
Espero que esteja bom e que vocês comentem, eu fiz com muito amor e nem espero a beta porque eu sou desesperada demais, cês não tão me entendendo!!!!!!
Agradecer a mayu pela capa, a larinha por parte do Lemon, ao meu pãozinho eren pela outra parte e a jully por me suportar pedindo essa betagem sempre. Obrigado tudinho!
Enfim.
Boa leitura :c

Capítulo 1 - Uniq


Fanfic / Fanfiction Hakanai. - Capítulo 1 - Uniq

– A PRÓXIMA É POR MINHA CONTA! – Siwon gritou e aquele urro de alegria correu por todo o lugar. Eu não podia fazer nada além de sorrir e continuar lavando a louça. Aish, mais alguns meses daquilo e meus dedos ficariam eternamente enrugados.

Minha preocupação não era a louça, apesar de tudo, muito menos minhas mãos de moça.

O clima na taverna era sempre tão alegre, os aldeões se divertiam como nunca quando tinham um copo gigante de cerveja espumante na mão, e minhas belas garçonetes lhes servindo enquanto dançavam e traziam mais bebida.

Era o sonho de todo homem velho e solteiro daquele reino: mulher e álcool. Os dois juntos, faziam um estrago e tanto na cabeça de um pobre ex-soldado.

No entanto, nada daquilo me alegrava. O dinheiro era suficiente, as companhias atrás do balcão eram mais do que agradáveis, a taverna era famosa e vivia lotada nos fins de semana, compensando as moscas dos dias de trabalho assíduo daqueles camponeses. Porém, nada me parecia encantador e merecedor dos meus sorrisos se aquele contador de histórias não estivesse por perto.

Jung Hoseok era o nome do meu pequeno gnomo.

Não que ele fosse baixo, mas Taehyung dizia que eu encarava o moreno como se ele fosse me levar ao pote de ouro no final do arco-íris. Ele até que parecia ser mais alto do que eu.

Eis mais um fato lastimoso: nunca ter trocado uma palavra com aquele homem. Veja bem, estávamos em uma época em que dois homens só se trombavam para uma briga de espadas, troca de sangue, exposição de ossos, dentes voando pelo chão de areia. Aquilo virava uma bagunça quando uma das garçonetes saía do caminho e dois projetos de gorilas acabavam se encostando durante uma dança.

Taehyung era aquele que sempre levava na cara por tentar proteger sua noiva no meio daqueles brutamontes.

Eu não sabia esconder emoções perto de Hoseok. Seu tambor soava e eu corria para o lado de fora, ver o banquinho de madeira sendo colocado no meio do mercado e várias, várias, várias, várias pessoas se juntarem a sua volta para ouvir mais uma de suas aventuras.

Era tanta gente que eu era obrigado a admirá-lo de longe. Ouvia algumas palavras, alguns nomes, mas me concentrava apenas em seus sorrisos. E em quando ele juntava as sobrancelhas para dar ênfase em algum golpe. Quando ele fazia um bico enorme para imitar os sons.

Naquele dia, por algum motivo, ele me notou sentado na janela da taverna, olhando feito um bobo residente da terra de Hoseok para seus cabelos aparados. Sua franja costumava ser grande, as pontas de traz provavelmente faziam cócegas em sua nuca quando ele se movia, mas ele havia cortado. Estava tão curto, que seus olhos ficaram livres, suas orelhas pareciam mais chamativas e eu me peguei apreciando o modo como suas bochechas eram avantajadas.

Ele sorriu pra mim.

Céus, eu tive que me segurar pra não cair daquela janela. Pela altura em que estava, quebraria ao menos uma perna.

Seu sorriso me arrebatou de uma forma que eu vi sua reverência ser dada em câmera lenta. Como a língua dele passou devagar por entre seus lábios e como ele sorriu tímido antes de largar seus vestidos e voltar a encenar.

Meu coração estava feito um louco, desgovernado, completamente insano dentro do peito.

O contador de histórias sorriu pra mim.

Eu segui aquela semana como um pinto no lixo, um porco na merda, um Hoseok em cima de seu banquinho contando suas histórias.

No outro fim de semana ele estava lá de novo e eu consegui chegar mais perto, sai do balcão assim que ouvi seu tambor e pude presenciar seu primeiro sorriso anunciando a hora em que ele faria nossos corações se agitarem, nossas mãos suarem, nossas pupilas dilatarem e nossas mentes saírem vagando pelo mundo dele.

Eu não precisava ouvi-lo, eu sentia tudo aquilo só olhando para ele. Sentia-me um completo prisioneiro no mundo fantasioso daquele contador de mentiras sem ter ouvido sequer uma palavra do que ele dizia. Meu coração só faltava entalar na minha garganta a cada risada que ele dava quando interpretava o rei barrigudo e tirano que governava nossas terras. Minhas mãos suavam e tremelicavam com o desejo de tocar em seu rosto quando ele fechava os olhos pra sentir a história fluindo através de sua boca.

As partes da rainha eram minhas favoritas. Era uma mulher adorável, mas completamente desinibida. Ninguém no reino havia visto seu rosto, mas Hoseok falava dela com tanta segurança e a interpretava com tanta convicção do que dizia, que já tínhamos até dado um rosto para ela. E se, para todos os outros, ela tivesse o rosto daquele homem, como tinha para mim, ela seria a rainha mais linda e amada que todos os reinos já tiveram o prazer de ver.

Hoseok rebolava em cima do banquinho e mexia em seu cabelo imaginário, as vezes até suspirava e se encostava em alguns homens que passavam apenas para representar a mulher que tinha um senso de humor impagável.

– Meu amo está tão velho, mas tão velho que, se eu quisesse me deitar com ele, teria que arrumar uma outra cama de casal porque, cruzes, ninguém aguenta aquelas bufas. – Ele abanou a mão na frente do rosto e se sentou no banquinho, parecia entediado, ainda interpretando. Eu ri alto, me dando conta apenas quando senti alguns olhares sobre mim. Não importava tanto, contanto que ele fosse uma dessas pessoas, eu queria que ele risse comigo, me fizesse sentir aquele comichão na garganta de quando estamos prestes a rir com prazer. Não me importava de receber milhares de olhares surpresos se o motivo fosse ele. Hoseok cruzou as pernas e só então reparei que ele usava calças.

Todas as vezes que o via, usava um vestido longo por cima das calças, mas estava apenas com as benditas e uma camiseta que não deveria ser apropriada. Seus braços estavam a mostra e, na posição em que ele estava, inclinado para frente com a mão apoiada no queixo e o cotovelo sobre a perna, parte do seu peito ficava livre para quem quisesse ver. Para Min Yoongi ver e começar a suar frio.

– Parecia não ser suficiente pra rainha ter tamanha riqueza e liberdade para ser o que ela quisesse. – Ele mantinha um sorriso de canto, apenas a pontinha de sua boca estava inclinada para cima e, nem quando ele falava, se desfazia. Eu já estava sem ar, completamente atônito a todos os outros por causa daquele mísero sorrisinho diabólico. Porém, quando subi o olhar e percebi que ele me encarava, foi impossível segurar o sorriso e um rubor insuportável começou a subir pelo meu pescoço. – Ela queria a emoção de ter uma vida considerada indigna pelos nobres. Queria saber como era estar em uma cama diferente a cada noite. – Hoseok se levantou. Eu me sentia preso. Um gatinho encurralado pelo seu olhar predatório e feroz. Céus, ele parecia tão mais alto, sua voz tão alegre soava grave como se ele tivesse a intenção de parecer perturbador e, ao mesmo tempo, terrivelmente desejável. – Queria aquele pálido camponês que a espionava todos os dias através daquela janela desgastada de sua taverna.

Ele deu mais alguns passos para o meio da multidão e ficou parado olhando para mim por bastante tempo. Tempo demais, vamos dizer. Eu já não sentia minhas pernas e o interior das minhas bochechas deveria estar em carne viva. E, então, ele resolvia ficar me encarando? No meio de todos? Eu, com certeza, já não estava tão pálido.

Ouvi o som das botas que eu tanto temia e engoli em seco. Hoseok olhou para trás de mim, dando um sorriso tão doce que eu quase me esquecia que estávamos do lado de fora, provavelmente, na frente de alguns guardas e que poderíamos ser açoitados a qualquer instante por causa daquela troca de olhares.

Eles até que tinham demorado. Se fosse outro camponês desconhecido, já teria sido mandado para o palácio para receber uma punição. Porém, era Hoseok. O famoso Hoseok. Aquele que até o rei requisita para ouvir suas histórias antes de dormir.

Aquele que arranca suspiros até das crianças, é gentil com todos, até com os bêbados; distribui sorrisos de graça e com graça, nunca está metido em confusões e, eu poderia arriscar dizer, era desejado por muitos. Homens e mulheres. Mesmo que em segredo.

Pudera, era só olhar para ele e veria o porquê de tanta gente na sua bota. Eu não tinha direito algum sobre aquele homem, mas me apertava o peito vê-lo sorrindo para seu ajudante de dentes grandes. Me corroía vê-lo dançando com as camponesas durante os festivais, notar como elas se jogaram para cima dele e não via mal algum.

Eu me sentia tão frustrado, estava bem ali na frente e não podia sequer lhe dar um abraço. Aish, se meu pai soubesse que eu desejo abraçar um homem com carinho, ele riscaria meu nome do livro da família.

– E então, querem saber o que acontece com a rainha libertina? – Ele continuou, como se nada tivesse acontecido, voltando para seu amado banquinho e o pegando na mão. – Voltem na próxima semana e serão agraciados com uma das minhas raras histórias eróticas. – Sussurrou a última parte, o que arrancou risadas dos ouvintes e suspiros de algumas mulheres, se curvou diante dos aplausos e me olhou mais uma vez, fazendo seu caminho para casa, provavelmente.

Eu deveria segui-lo? Seu olhar me pareceu bem sugestivo. O que era um olhar sugestivo, afinal, Min Yoongi? Eu sabia como era flertar? Que sensação esquisita era aquela? Porque aquele frio na barriga?

Céus, eu precisava voltar pra taverna, já passava da hora do almoço e aquilo iria explodir em alguns minutos.

Tudo bem que o maldito guarda que insistia em andar com aquela coisa tenebrosa que é aquele elmo já tinha ido embora e só os comerciantes de sempre ficaram por ali. Ninguém me veria indo, era só eu andar e agir como se estivesse indo ver um amigo.

– Certo, vou visitar um amigo. – suspirei e bati as mãos na roupa, espantando qualquer poeira que tivesse grudado durante minha crise momentânea de ser humano possivelmente feliz.

Não que eu fosse infeliz, mas, sempre foi como eu havia dito antes, era tudo monótono demais e rotineiro demais. Jung Hoseok quebrava isso com histórias e sorrisos diferentes todos os dias e, por isso, ele era o único que me fazia querer gargalhar até eu perder o ar.

Até porque eu perdia o ar só em vê-lo.

Céus, eu estava perdido.

Segui pelo caminho que o via fazendo todos os dias, logo avistando a grande tenda do contador de histórias. Engoli a saliva, tentando mandar junto com ela o nó que se formava na minha garganta.

Eu não podia passar mal, não naquele dia. Estava fora de cogitação. Que tivesse um ataque de ansiedade depois, o médico me trataria depois, me faria chás e, com sorte, até uma massagem. Então, era bom que meu estômago se controlasse.

Fiquei repetindo para mim mesmo que eu só iria dizer oi, conversar, conhecer o famoso Jung, tentar me passar por um ouvinte assíduo e mais um mero fã. Porém, assim que o vi passar pela abertura da tenda com um bule em mãos, eu travei no lugar.

O que eu estava fazendo ali afinal? Era meio de tarde, eu estava na frente da casa de um homem, suando frio, tremendo dos pés a cabeça, sentindo um enjôo insuportável e minha cabeça começava a dar sinais de que pararia de funcionar se eu continuasse ali.

Fora uma ideia ruim, uma ideia péssima. Eu tinha que voltar. A taverna estava cheia, tinha certeza disso, Taehyung iria me comer com molho de alho se eu não aparecesse lá em cinco minutos e eu tinha certeza que, se passasse mais um segundo ali, o dono daquela tenda me notaria e me denunciaria como um louco perseguidor. O que ocasionaria uma acusação de homossexualismo e, consequentemente, minha cabeça rolando pelo chão da praça principal, sendo assistido por todos os aldeões e seus filhos sem noção nenhuma do que é saudável de se ver.

Suspirei, finalmente conseguindo acalmar meu corpo e dei meia volta, pronto pra sair dali e não voltar até ser convidado propriamente. Com palavras e não um sorriso simpático.

– Onde pensa que vai? – Aquela voz calma e alta, que tinha sempre um tom de sorriso, preencheu o ambiente ocupado apenas pelo assovio do vento e meu corpo respondeu com um arrepio violento.

– Eu estava procurando meu porco. – joguei sem pensar, só notando tamanho absurdo depois de ter dito.

– Seu porco de estimação? – Ele tinha que sorrir sempre? Será que seu rosto doía? Era naturalmente simpático ou ele só estava feliz por me ver? Assenti, ignorando minhas divagações sobre seus sorrisos e ele riu, dando passos em direção ao seu pequeno espaço onde suas roupas estavam estendidas. – Não leve ele a taverna, talvez fique traumatizado e coma seu pé enquanto dorme. Não confie em porcos, coma-os.

Eu já não o via, seu corpo estava perdido entre as roupas e eu apenas seguia seus pés por baixo. Aproveitei que ele não me olhava e sorri, me sentindo um idiota por ter mentido no primeiro diálogo que tivemos. Não que ele tivesse acreditado, seu tom despreocupado mostrava que ele não botava a mão no fogo por um provável porco de estimação perdido entre seu jardim e o caminho até o palácio.

Hoseok morava numa área afastada de todos. Por segurança, talvez, mas era imensamente deslumbrante o local que sua tenda fora colocada.

Parecia que a natureza queria proteger o contador de histórias. Em volta do lugar, havia uma espécie de proteção com arbustos e flores. Como se fosse uma caixa e Hoseok devesse ficar eternamente ali dentro. Porém, bem do lado do seu pequeno grande lar, havia uma estrada que levava diretamente para o palácio e, constantemente, cavalos passavam por ali com inúmeros guardas do rei e da rainha desconhecida.

Um deles passou quando Hoseok me chamou até onde ele estava e fiquei inseguro em tocar em suas peças tão bem limpas, então, apenas fiquei ali atrás, olhando para o pano e sentindo o cheiro do sabão que passei a comprar por causa dele.

O tal guarda olhou desconfiado, diminuindo a velocidade do cavalo, até ver Hoseok atrás dos panos e sorrir, antes de arrancar de volta pro seu caminho.

– Fique tranquilo, já vai escurecer, eles não passam por aqui durante a noite. – disse convicto, ainda sem mostrar sua face.

Céus, se fosse pra ficar tão perto, que eu pelo menos visse seu rosto.

Afastei a primeira peça e ele não estava ali. Olhei para o chão e não conseguia ver seus pés. Hoseok riu, provavelmente, entendendo o que eu estava tentando.

– Por quê? – Perguntei para evitar de continuar avançando e fiquei parado, fitando meus pés.

Outra risada.

– Porque eles dizem que eu sou muito barulhento e é vergonhoso ouvir um homem se tocando de forma tão inapropriada.

Sua voz parecia tão mais próxima. Um rubor intenso me tomou as bochechas, estava desacreditado do que ouvira. Sabia do quão desinibido e fora dos padrões de etiqueta Hoseok era e, apesar de tanta coragem para se expor e expor seus pensamentos, ainda era um homem tão doce e delicado quanto uma torta folhada sabor morango. O mais doce dos morangos. Os mais suculentos e vermelhos.

Abri caminho por mais uma das peças de roupa e grunhi, frustrado por ele também não estar naquela fileira. Sua risada soou de novo e eu suspirei, afastando do meu caminho um de seus vestidos.

Fiquei imaginando se um dia teria a honra de tirá-los daquele corpo, mas logo afastei tais pensamentos pois senti um sopro no meu ouvido que me fez encolher o pescoço e olhar para trás.

– Min Yoongi. – Ele chamou e eu fechei os olhos, tentando ouvir de onde sua voz vinha. Aquele jogo já tinha dado conversa demais e eu nem sequer havia aberto minha boca. – Eu espero que seja miserável.

– Por que diz isso? – Indaguei, realmente ofendido com seu desejo. Ele queria que eu fosse um miserável? Porque estava insistindo naquilo? Ele queria me humilhar? Podia ter feito aquilo na frente de todos, porque esperar chegar em sua casa?

A ideia de ser apontado na frente do mercado fez meu corpo estremecer e o frio na barriga voltou.

Pelo menos, eu sabia onde ele estava.

Dei um passo para o lado e puxei o lençol atrás de mim, me virando conforme o pano revelava a imagem de um contador de histórias. Ele sustentava um sorriso depravado na boca, mas seus olhos pareciam ainda mais brilhantes de perto, fazendo eu me perder completamente do fato dele estar sendo tão desinibido na frente de um homem.

Eu não podia ter acertado, podia?

Ele me lançava um olhar tão analítico, talvez estivesse inseguro em relação aos meus desejos. Como eu estava em relação a ele.

Estava. Pois, depois do que ele disse em seguida, eu apenas queria pegá-lo em meus braços e amá-lo em todos os lugares possíveis.

– Porque eu não quero sentir sua falta amanhã de manhã quando eu acordar e sentir seu cheiro nos meus lençóis.

Meu sangue passou a correr tão rápido, meu coração estava feito uma velha bêbada usando aqueles tamancos gigantescos enquanto dançava alucinada. Havia entrado em pane por segundos tão curtos que, quando caiu a ficha de que eu era igualmente desejado, não esperei um momento a mais.

Hoseok tinha um sorriso quase imperceptível nos lábios, seus olhos estavam fixos na minha boca lacrada pela surpresa. Ele riu quando viu que eu não diria nada, mas foi só nossos olhos se encontrarem que ele se calou de imediato e deu as costas para mim, caminhando lentamente até sua tenda.

Eu queria xingar um palavrão. Mas xingar mesmo, gritar, me beliscar, ser atingido por algo, só pra ter certeza de que aquilo era real.

Estava entrando na tenda do homem que abençoou meus sonhos durante meses, que acarinhou meus ouvidos e embelezou aquela vila com seus sorrisos de duzentas mil moedas de prata. Não podia ser assim tão fácil.

Podia?

– Vem vindo outro. – Ele disse sem parar de andar. Olhei para trás, procurando sobre o que ele dizia e ouvi algumas galopadas. Era outro cavalo do palácio provavelmente mais um guarda o montava. Minhas mãos suavam tanto, meus olhos quase pulavam para fora enquanto eu pensava no que faria. – É só entrar, taberneiro.

Corri pra dentro da tenda, braços me seguraram e sua risada atingiu meus ouvidos. Meu sorriso se abriu sem que eu me desse conta. Aquele homem me tirava dos eixos. Riscava minha mente e depois passava um pano molhado por cima.

Um completo breu, era como minha cabeça ficava quando Hoseok estava por perto. Era só ele e ele. E meu contador de histórias estava bem na minha frente. Eu podia até sentir seu hálito quente batendo no meu rosto. Seu nariz em contato com o meu.

O abracei pela cintura, meu coração arremetendo feito um atirador de guerra profissional dentro do meu peito.

– Não me chame de taberneiro, seu mentiroso. – Minha voz soava divertida, o que surpreendeu até a mim. Eu sequer havia gaguejando.

Ele riu.

– Porque exatamente me chamas de mentiroso, taberneiro? – seu sorriso brincava nos lábios.

Lábios esses que encostavam nos meus e pareciam pequenas enguias que queriam me matar de ansiedade para sentir seu poder de uma vez.

– És um contador de histórias. Teu trabalho é dizer mentiras aos aldeões e profanar contra o rei. És deveras corajoso, senhor Jung. Invejo-lhe grandemente.

Eu poderia ter desmaiado naquele instante, quando sua boca tocou na minha. Terrivelmente vergonhoso seria. Diferente do que imaginei, ele não tinha intenção de ser rápido, ou afoito. Talvez romântico e gentil descreviam bem aquele selar.

Seja como for, meus dedos pressionaram sua cintura, achegando-o ainda mais. Se minha cabeça se tornava um borrão quando eu pensava nele e apagava quando estávamos perto, aquele beijo fez meu sistema nervoso entrar em curto circuito.

Por tanto tempo, meu corpo e alma desejaram aquele homem em segredo. Minha vida havia se tornado um disfarce apenas por causa dele. Ser, enfim, recompensado por tudo, fazia eu querer dançar polka de calção pelo mercado. Mesmo que essa recompensa fosse um beijo singelo que findou tão rápido quanto começou.

Hoseok deu um passo pra trás e sorriu de uma forma que eu nunca vi.

Era pequeno, suas bochechas estavam ruborizadas, seus olhos bonitos e cortantes pareciam querer fugir de mim. Quase como se ele estivesse com vergonha de ter assumido o controle da situação. Apertei meus punhos com tanta força, mas tanta, que senti meus dedos dormentes depois. Tudo porque o Jung havia se sentado em sua cama e estava começando a tirar suas vestes.

Meus olhos queimaram seu peito assim que foi descoberto, seus braços magricelas e sua barriga lisa sendo expostos para mim. Só para mim. Me vi perdido nas curvas de sua cintura e em como elas se encontravam perfeitamente com o quadril delineado.

Hoseok só podia ter sido feito a mão, tamanha era sua perfeição.

Se com tantas roupas, eu me via salivando e sonhando com como seria tocar seu corpo, mesmo que por cima dos panos, vê-lo tão entregue e aberto a mim fez eu me questionar se aquilo estava mesmo acontecendo.

Se seus olhos em minha direção eram reais. Se seu sorriso curto estava realmente ali para mim. Se seus cabelos haviam mesmo caído enquanto ele desfazia as amarras da calça e puxava a fita como uma prostituta faria com suas fitas de cintura.

Céus, estava comparando meu amado com uma prostituta qualquer. O que aquele homem fazia com a minha cabeça?

– Conhece a rainha, senhor Min? – Tirou-me dos meus devaneios com aquela pergunta, enquanto eu tinha os olhos fixos no caminho que sua mão fazia.

Ele iria mesmo fazer aquilo na minha frente? Seu tom era brincalhão, ele parecia estar se divertindo meu colapso silencioso ali na frente. Suas mãos passeavam pelo abdômen livre de marcas, pêlos, músculos, qualquer coisa que fizesse o Jung se esconder. Era ele e puramente ele.

Neguei sem proferir uma palavra, sem tirar a atenção de seus dedos atrevidos e prendendo a respiração quando eles se enfiaram entre as calças do contador de histórias.

Ele estava se tocando. Na frente de um homem. Na minha frente.

– Pelos deuses. – Sussurrei, engolindo o nada enquanto dava um passo pra trás. Eu me sentia tonto. Mais ainda quando ele jogou a cabeça para trás e fechou os olhos, parecia que eu não estava ali. Que ele não precisava de ninguém. Que sua mão e uma brisa fria eram suficientes pra fazê-lo se sentir... Cheio.

Eu não deveria me sentir tão surpreso por suas ações depois dele ter dito com todas as palavras o que pretendia, mas eu não podia deixar de ficar zonzo, zureta, completamente desnorteado vendo-o se dando prazer. Vendo-o tentando me provocar. Vendo-o tirar meu autocontrole a conta gotas.

Era tão lento e tortuoso que eu podia perfeitamente ver sua língua passeando pelos próprios lábios, os umedecendo para abrir a boca novamente e deixar aqueles sons contidos saírem.

– Uma vez ela me disse que o marido não a amava. – Hoseok não para de se tocar. Sua voz não vacilava e, ainda sim, ele parecia querer gritar. – Que não adiantava o quanto ela tentasse, ele não a tocava. Então ela passou a se tocar e a se descobrir, a se dar valor e a se amar como ninguém mais faria. Não tinha vergonha quando eu a pegava em tal ato e me ensinou tudo. – Acenei positivamente, prevendo que seria mais uma de suas histórias.

Estava até pronto pra ouvir, pelo menos minha mente não se desintegraria por inteiro se eu continuasse ouvindo sua voz soando ofegante e até um pouco sorridente. Tinha como uma voz ser sorridente? A de Hoseok era.

Ele sorriu pra mim, tirando minha atenção da sua mão por uns segundos e me permiti chegar mais perto. Corrigindo, rastejei para o mais próximo possível dele.

Não que eu não quisesse tocá-lo. Queria substituir sua mão pela minha, tomar sua boca novamente. Arrebatar a sanidade dele como ele estava fazendo com a minha. Porém, não ouvi uma permissão clara de que eu podia tocar em seu corpo e aquilo estava me matando.

– O problema é que eu estou cansado de fazer isso sozinho, taberneiro.

Na sua fala calma, no seu semblante firme, nas palavras que ouvi. Em lugar nenhum havia espaço para dúvidas. Meu corpo tremeu por inteiro e minha mente parecia que iria dar pane a qualquer segundo. Jung Hoseok, o contador de histórias, o protagonista das minhas noites em claro e meus desejos mais devassos estava bem ali, na minha frente, se tocando e me convidando para experimentá-lo por inteiro. Eu mal podia acreditar.

Mesmo que nenhum músculo meu parecesse querer responder aos meus chamados, movimentei-me para mais perto do Jung, estancando meus pés no chão quando chegamos frente a frente; minhas pernas viraram gelatinas e eu quase agradeci por não ter de pedir desculpas por isso, quando Hoseok apoiou sua mão livre no meu ombro e me ajoelhou. Estava perdido entre as curvas do seu corpo e sua pele amorenada, como parecia macia, como desejava tocá-la. O sorriso que adornava os lábios do contador de histórias me deixava quente; era travesso, cheio de palavras não ditas, lascivo.

Sentia-me um tonto por estar tão nervoso enquanto Jung parecia sereno e desinibido. Queria questioná-lo se esse era mais um dos ensinamentos da rainha.

Estava preso em seu olhar, mas, com a visão periférica, vi seu braço direito se mexendo e logo senti os dígitos gelados tocando meu pulso. Olhei para baixo e meu rosto esquentou de imediato, estava a poucos centímetros da intimidade do Jung e ele levava minha mão trêmula até lá.

Toquei tão superficialmente em seu membro, porém, ele suspirou audível e disse um “Está tudo bem” seguido de uma risada soprada. Aquele homem estava longe de estar tão nervoso quanto eu.

Deslizei minha palma por toda aquela extensão, apertando um pouco quando cheguei ao topo e senti o líquido dele escorrer. Seu gemido foi tão alto que eu até esqueci que estávamos tão perto do rei e sorri, gostando daquilo, minha intimidade pulsando violentamente. Subi o olhar para seu rosto, sem parar de movimentar minha palma naquele lugarzinho tão sensível.

Os sons de molhado nem se comparavam aos que saíam da boca de HoSeok. Ele tinha os olhos fechados, mordia os lábios constantemente pra logo depois abrir a boca e soltar todo o ar. Cada vez mais se inclinava pra trás, cada vez mais me instigava a me aproximar e calá-lo com a minha boca na sua.

Estava perdendo os sentidos aos poucos, minha mão estava afoita em seu sexo e aquele beijo singelo que deu início àquelas carícias não foi o suficiente. Eu precisava de mais do Jung.

Depois de senti-lo em minhas mãos, meu corpo não estava satisfeito e grunhi impaciente, tomando seus lábios uma segunda vez. Ao contrário do beijo de Hoseok, o meu exigia mais do que só alguns toques e sorrisinhos bobos. Céus, eu estava descarregando meses de tortura silenciosa naquele ósculo. Estava desfrutando de sua boca, chupando sua língua, nossos dentes trincavam pela fome com que eu ia pra cima dele, mas era o melhor beijo que eu já tinha dado na vida.

Toda a paixão que senti pelo contador de histórias nesse longo período de tempo parecia ter explodido naquele momento. Quando nos separamos, buscando o pouco de ar necessário para continuarmos, segurei na dobra de seus joelhos, o empurrando pra se deitar na cama. Os olhos de Hoseok estavam fechados, haviam rugas no meio de sua testa e da boca entreaberta soltava sua respiração pesada; era demais para meu psicológico fraco aguentar. Meus olhos percorreram seu corpo, seu peitoral desnudo, suas coxas grossas, seu sexo túrgido que parecia implorar por atenção e por fim novamente o rosto do contador de histórias, que me passava algo mais do que apenas tesão. Era um misto de sentimentos que só ele conseguia ser, só ele conseguia transmitir. Apoiei meu corpo por cima do seu e deixei que minhas mãos passeassem lentamente por cada curva do corpo dele; meus dedos apertavam sua cintura e acariciavam seu baixo ventre, apertavam suas coxas e entravam para a sua virilha, tudo da forma mais calma que meu corpo era capaz de fazer. Hoseok era simplesmente perfeito, e eu sentia a necessidade de experimentar cada pedacinho da sua perfeição. Hoseok abriu os olhos e encarou-me intensamente, o olhar parecendo querer penetrar minha alma. Desviei do seu olhar e enterrei meu rosto na curvatura do seu pescoço, envergonhado. Se ele soubesse de todas as coisas que passavam pela minha cabeça agora, poderia taxar-me louco. Mas eu era, inteiramente louco por ele, e só agora me dava conta do quanto realmente o desejava. Meu corpo estava entrando em combustão, suado, quente.

Hoseok tirou suas mãos que fincaram nos meus fios de cabelo para a barra da minha camisa, puxando-a para cima, sem demonstrar nenhuma pressa. Olhei-o novamente, as bochechas coradas, sendo agraciado com mais um dos seus sorriso, como se me dissesse sem palavras mais um dos seus “está tudo bem, taberneiro”; e eu não poderia duvidar dele, nem se quisesse. Estava sim, tudo bem. Estava tudo ótimo. Larguei do seu corpo e o ajudei a retirar minha camisa, jogando-a junto das suas vestes em algum canto da sua cabana que pouco me importava, senti seus dedos tocarem minha pele desnuda e arrepiei-me por inteiro, suspirando apenas com aquele toque. Sua mão era leve e macia, parecia querer fazer-me cócegas e não marcá-la com selvageria, como suas unhas faziam ao deslizar pela minha pele. Ele agarrou-se às minhas costas, fincando as unhas na carne, puxando meu corpo com o seu, ao enlaçar suas pernas na minha cintura. Nossos quadris se chocaram e a fricção de nossos membros juntos nos fez soltar um gemido conjunto, harmonioso.

Não dava para esperar.

Sentia o sangue correr rápido por minhas veias, o som ecoando em meus ouvidos, como se estivesse em transe, minhas mãos agarradas firmemente na cintura marcada, os dedos tocando nervosos e ansiosos cada pedaço quente daquela pele aveludada em uma urgência desmedida, o receio do que poderia vir com o amanhã, esquecido, jogado em algum canto, assim como as peças de roupa, retiradas sem nenhum pudor.

Sonhara com aquilo, quantas vezes não se pegou imaginando aquele contato, sua boca sobre a carnuda alheia, o corpo macio, quente e esguio de Hoseok abaixo do seu. Ondulando, pele contra pele, suspiros e gemidos urgentes e necessitados. Ah, queria ouví-los, cada um deles, queria ouvir sua voz urgente pedindo por mais, ser abraçado pelas coxas macias, marcado pelos dentes branquinhos. O queria por inteiro. O teria. O faria seu.

Voltei a ajoelhar entre suas coxas, as mãos novamente na cintura do mesmo, permanecia com a calça mesmo que minha intimidade estivesse pulsando, rígida, apertada, roçando contra o tecido grosso de algodão. Meus cabelos com certeza estavam bagunçados, os fios escuros caindo sobre a testa enquanto fitava os olhos brilhantes e questionadores logo abaixo com um olhar bêbado de desejo, sentia seus pés roçando delicadamente, de um jeitinho vicioso, a parte de trás das minhas coxas.

Minha respiração tensa enquanto movimentava o corpo contra o de Hoseok, ondulando em um ritmo lento como em uma balada romântica, roçando o volume notável entre minhas pernas em seu membro carente de atenção, usando o tecido rústico como estímulo para em seguida inclinar o corpo, voltando a cobrir o do mesmo, observando as expressões do moreno mudarem a cada roçar.

Prendi os pulsos delgados acima da cabeleira escura bagunçada para, então, distribuir selinhos nos lábios carnudos e inchados pelo ósculo, algo quase inocente, passando a explorar o corpo pecaminoso, querendo conhecer cada ponto fraco do meu contador de histórias, ouvindo seus suspiros e sorrindo de canto ao ver a pele amorenada se arrepiar deliciosamente enquanto usava minha boca para morder, lamber e chupar cada centímetro de pele dentro do alcance, marcando a pele macia.

Seu gosto era como o da mais cara e deliciosa especiaria, a mais refinada, quase ambrósia mesmo para um pobre humano como eu. Traçava um caminho molhado até os mamilos clarinhos, sua pele começava a brilhar pelo suor. Ainda arrisquei olhar de relance para o rosto tenso de prazer, conseguindo ver um sorriso brincar nos lábios cheios e ofegantes. Correspondendo ao sorriso, senti o rosto queimar subitamente, mesmo que minha mente nublasse com o pensamento de estar com a pessoa que ocupou meu subconsciente, queria que fosse especial, queria provar cada pedacinho daquele corpo, percorrer cada curva, por isso não me contive.

Mantendo seus olhos presos aos meus, inclinei a cabeça, a língua brincando com a pele lisa por alguns segundos antes de, por fim, abocanhar um dos botões delicados, sugando como se fosse algum doce, mordiscando o biquinho duro, sem força, enquanto liberava as mãos do menor, o vendo quebrar a conexão ao lançar a cabeça para trás deixando um longo gemido escapar e agarrar meus fios, os puxando sem força. Minha boca abusava dos biquinhos sensíveis e nossos corpos investiam um contra o outro em uma dança sensual e quente.

Levando a destra ao cós da calça puxei os cordões com pressa, sem cuidado algum, querendo me livrar daquele aperto, o membro latejava dolorido e saltou ao ser liberto, dando mais um passo ousado, voltei a colar nossos corpos, tomando os lábios de Hoseok, abafando mais um de seus gemidos ao envolver as duas ereções juntas e iniciar uma lenta masturbação, gemendo rouco de encontro aos lábios do menor. Sorri ao sentir seus dentes puxado meu inferior e deixei uma risada baixa escapar.

– Isso não pode ser um sonho... – Abri os olhos devagar, encarando nossas intimidades juntas. Só pra ter certeza de que não era um sonho, larguei a minha e passei o polegar pela fenda bonita e brilhante do seu amiguinho.

Deveria ser constrangedor para mim tocar num homem daquela forma, mas HoSeok não era meu primeiro. Infelizmente, alguns homens já haviam sido tocados por mim. No entanto, nenhum deles havia me visto nu, como estava na frente do contador de histórias. Nenhum deles tinha sido beijado por mim. Nenhum deles fizeram meu corpo tremer só de sentir seu cheiro se misturando ao meu.

– Por favor, Yoongi. – Ouvi o moreno suplicar no meio de um gemido e achei que meu nome não fosse tão especial até ter ouvido ele saindo de sua boca daquela forma. Soltei um som incompreensível até pra mim e dei um beijo em sua testa.

Eu vi seus olhos se arregalando, vi ele me olhando com algo diferente naquelas íris escuras e brilhantes. Eu vi seu lábio tremer e fiz de novo, mas segurei seu rosto com as duas mãos. Dei um dos meus sorrisos mais doces, com todo o amor que sentia queimar em meu peito por ele e meus olhos marejaram, mas os fechei pra que ele não visse. Seria super desconcertante se seu parceiro chorasse durante o ato sexual.

Parceiro.

Ri sozinho e meu peito aqueceu um pouco mais quando ouvi aquele som dos céus que era sua risada. Estava mais tímida, mais rouca, mais baixa, mas eram os sons perfeitos para uma noite perfeita com o homem perfeito.

Sua mão, atrevida por assim dizer, levou meu membro direto para seu orifício e meu ar sumiu por alguns segundos. Ele abriu a boca, nossas testas juntas só deixava o calor mais intenso. A conexão mais forte. Estávamos nos unindo e eu senti meu coração bombardeando meu peito furiosamente. Fervorosamente. Apertei os lençóis, me segurando para não machucá-lo, mas aparentemente só eu sofria com o aperto.

Meu mentiroso fechou as pernas em minha cintura e empurrou com os pés meu quadril contra ele até eu estar completamente dentro de si. Ele não chorou, não me arranhou, não me pediu pra sair como a maioria fez. Ele simplesmente soluçou e agarrou meus ombros. Meu peito bateu com força contra o seu e eu senti seu nariz bonito e pontudo passeando pelo meu pescoço.

Eu sorri e ele gemeu lânguido. Meus movimentos estavam ritmados e lentos, disciplinados, mas minha mente parecia coberta por mil enxames. Enxames de pequenos HoSeok's com seus gemidos manhosos e seus dedos compridos apertando meus ombros pálidos.

Me afastei um pouco, podendo olhar em seu rosto como sempre quis. Como sempre desejei, mas melhor do que tudo que já imaginei.

Ele estava tão rosado, seus olhos mal se mantinham abertos e ele mordia os lábios com força na intenção de segurar seus sons. Talvez estivesse doendo, ou talvez ele brincasse bastante com aquele lugarzinho, mas nunca pensei que pudesse dar tanto prazer pra alguém.

Talvez ele me ame também.

Meu quadril começou a arremeter com mais rapidez, com força, fazendo um som gostoso ecoar pela tenda. Peguei sua mão direita de meu ombro e entrelacei nossos dedos, sorrindo bobo para a imagem que tinha embaixo de mim.

– Me preencha. – Sussurrou e minha mão foi apertada com força, assim como meu íntimo foi esmagado por suas paredes e nossas barrigas ficaram melecados. Estava tão ocupado olhando cada centímetro do seu rosto perfeito tomado pelo clímax que demorei pra perceber que prendia a respiração. Quando a liberei, meu corpo estremeceu e eu o abracei.

O abracei e o enchi como havia pedido. Apertei meus braços em volta do seu corpo e gemi com ele enquanto nossos corpos se arrepiavam juntos, se comunicavam uma última vez.

🥀

– Senhor Jung, por favor, saia da tenda ou seremos obrigados a invadir. – Uma voz forte demais gritava do lado de fora de casa, mas eu só virei pra outro lado e tentei pegar no sono novamente. Taehyung daria conta da taberna.

Suspirei algumas vezes e apertei o corpo quente encolhido em meus braços, procurando conforto de volta pro mundo dos sonhos.

Mais batidas me fizeram abrir os olhos, tão devagar quanto aquela pessoa era desesperada. Mas um pouco e derrubaria a porta.

O cheiro não era o cheiro do meu quarto. Não me lembrava nem de ter ido pra casa. Os cabelos castanhos jogados no travesseiro faziam cócegas no meu nariz e eu fechei os olhos novamente pra poder inspirar aquele aroma com paixão.

– Senhor Jung. É o último aviso. O senhor tem 200 segundos. Temos ordens específicas do rei e devem ser cumpridas antes do sol alcançar seu ponto mais alto. Exijo que se vista e saia, imediatamente. – E então ele começou a contar, como uma criancinha que estava aprendendo a falar ali, naquele instante. Repetindo uma voz superior.

Deslizei a palma da mão por seu braço, depois voltei. Desci até sua cintura e sorri quando notei que ele ainda estava sem roupas. Assim como eu. Fazia sentido. Tudo pareceu ter caído sobre mim como uma manter que esquecemos de pegar pra nos proteger do frio.

– Você devia ter ido embora assim que acabamos. – Ouvi um murmúrio rouco e meu sorriso se abriu ainda mais. Ele apertava minha mão que segurava possessivamente sua barriga. A que passeava por seu corpo se juntou a elas e eu enfiei o rosto em seus cabelos, distribuindo beijos quentinhos por sua nuca. Eu podia sentir seu sorriso.

– Eu não pude. – Sussurrei de volta e o homem nervoso do lado de fora chegou no 80.

– Obrigado por ter ficado. – Não sabia exatamente o que era aquilo, mas algo em sua voz me fez franzir o cenho. Me afastei um pouco pra que ele pudesse virar de frente pra mim e meu coração deu mais um salto quando encarei seus olhos brilhantes pela manhã. Foi impossível segurar o sorriso.

Minha mão correu para tocá-lo e acariciar aquelas maçãs das bochechas avantajadas e luminosas por causa do suor. Ainda assim, com cheiro de sexo e os cabelos bagunçados, meu pequeno gnomo era o ser mais estonteante da face da terra.

Ele beijou minha mão que o acariciava. Levantou da cama e começou a se vestir enquanto eu o encarava. Até que minhas roupas foram jogadas em cima de mim e ele sorriu travesso, como aquela criança do dia anterior falando sobre as libertinagens da rainha.

– O que eles querem? - Me referi ao impertinente do lado de fora e ponderei se deveria sair ou só me esconder até que fosse seguro voltar pra casa. HoSeok suspirou e forçou um sorriso, meu estômago revirou de uma forma absurda e eu tive que me sentar pra poder colocar a roupa de cima devidamente.

– Provavelmente querem algumas frutas. Ou o rei quer ouvir uma história. Talvez a rainha esteja cansada e solicitou minhas massagens. Não dá pra saber, eu só preciso servir até que digam que eu não preciso mais. - Deu de ombros e o embrulho em meu estômago parceria virar uma queimação pior ainda. Eu queria perguntar, mas engoli minha curiosidade e caminhei até ele, vestido apropriadamente.

Não sentia vergonha do que fizemos, nem ele parecia se arrepender de ter alimentado minha paixão. O abracei pela cintura e suas mãos macias foram até minha nuca, me fazendo fechar os olhos para aproveitar a carícia.

Poderia ser coisa da minha cabeça, meu contador de histórias parecia distante. Não estava ali e, ao mesmo tempo, parecia querer ficar ali por muito tempo.

Ou talvez eu só estivesse apaixonado demais pra perceber algo naquele sorriso amarelo de antes, ou no seu olhar perdido quando se virou pra mim na cama.

Talvez eu só quisesse acreditar que aquela noite foi a primeira de muitas e que aqueles sorrisos direcionados à mim durante toda a noite foram do fundo de seu coração.

– Eu sabia. Você não é bom em esconder. - Abri um olho, só pra rir de sua sentença e colei ainda mais meu corpo no seu, deslizando minha mão por suas costas, por baixo daquela camisa que mostrava demais. Ele sorria também e eu senti aquela covinha funda e doce se afundando em sua bochecha bonita. Céus, era a personificação da perfeição. Um anjo caído dos céus só pra mim e eu não me importava de parecer tão caipira e egocêntrico pensando tais coisas. Era meu anjo e eu não deixaria ninguém me separar dele. Não depois daquela noite.

– Ainda bem. – Sussurrei, deixando meu hálito quente bater em seus lábios que tão logo se juntaram aos meus. Não evitei de apertar sua cintura, de respirar fundo, de repetir pra mim mesmo que eu deveria manter a calma ou meu coração pararia de uma vez. Ainda era inacreditável poder tocar aquele homem de nariz grande sem me sentir um completo sujo.

Seu corpo abandonou meus braços sem que eu pudesse protestar e meu sorriso foi sumindo aos poucos enquanto ele revelava o guarda atrás da porta. Fiquei atrás dele, para que não me vissem, mas foi impossível passar despercebido quando meu amado levou um golpe nas pernas e caiu ajoelhado na frente do grande homem de armadura.

Acho que senti meu estômago afundar naquele segundo, como se o golpe tivesse sido desferido naquele lugar e não nele.

O chamei, assustado, me ajoelhando ao seu lado pra conferir se estava bem e ele sorria ainda, mas não gostei daquele sorriso.

Era amarelo e cínico, como aqueles guardas que nos olhavam com nojo.

– Senhor Jung, senhor Min. Precisam nos acompanhar e rejeição não é uma escolha. - Ele deu alguns passos pra trás e dois daqueles postes pegaram HoSeok e a mim pelos braços. Rudes e com força desmedida. Eu olhei feio para o que apertava os pulsos de HoSeok e ele riu pra mim.

– Fique tranquilo, meu bem. Vamos ficar bem. - Ele disse com um dos sorrisos que eu amava. Fazia seus olhos parecerem mais arredondados e sua boca se tornava uma curva tão linda quanto as de seu corpo. Já estava com saudades do seu gosto, do seu abraço, do seu calor. Devolvi o sorriso e percebi que seu cheiro estava em mim.

Quando subimos nos cavalos, achei que iríamos para o castelo. Que eu enfim veria a fuça do rei, que a rainha seria desmascarada e eu descobriria algo sobre o maravilhoso contador de histórias que surgiu na vila a alguns anos. No entanto, estávamos voltando pro mercado.

Meus joelhos começaram a tremer sem que eu sequer pudesse pensar o porquê de estar indo ali. Onde todos me veriam sendo escoltado. Onde todos os meus clientes e suas famílias, seus filhos, me veriam com as roupas de ontem e sentiriam o cheiro de outro homem em minha pele.

A vila inteira estava a postos na frente daquele guarda com o elmo e ele segurava uma corda com força, o fim dela serpenteava pelo chão. Eu não tive coragem de olhar para os rostos na nossa frente, mas encarei com firmeza as lâminas cortantes daquelas guilhotinas reservadas no meio do mercado para nós.

Eu não era bobo, sabia que era pra nós. Sabia que alguém ouviu HoSeok gritando por mim durante a noite. Sabia que ficaria tudo bem, mesmo que nossas cabeças estivessem sem vida pelo chão.

Sabia que a vila perderia a alegria sem o moreno ao meu lado e que TaeHyung cuidaria bem da taverna.

HoSeok segurou minha mão. Estávamos sozinhos ali em cima. Junto com o portador do elmo. Uma platéia nos encarava e eu não quis ver suas reações. HoSeok me olhava.

O único homem que eu amei estava do meu lado, segurando a minha mão, seu pescoço descansando na madeira, assim como o meu. Tinha um sorriso acolhedor nos lábios e eu me vi de volta em sua tenda, com a umidade nos cobrindo e seu cheiro me abraçando de forma graciosa pra nunca mais soltar.

Um choro estridente vinha de algum lugar, provavelmente uma admiradora do contador de histórias. Porque ela queria roubar sua atenção enquanto o guarda contava os últimos 20 segundos de nossas vidas na terra?

– Eu te amo. - Seus lábios disseram, mas não ouvi som algum.

Na verdade, ouvi um grito em algum lugar. Um urro assustado, um último grito de esperança de uma mãe solitária com um marido controlador e sem voz sobre o próprio reino.

"FILHO!"

Treze segundos é tudo que temos depois que nossa cabeça se separa do corpo. O mundo gira e tudo fica oco. Não precisei de treze segundos pra ter certeza de que estava acabado. Bastou seu sorriso, assim que eu acordei aquela manhã, pra deixar claro que nada seria tão doloroso quanto ter que dizer adeus.

Não interessa quem tu amas, onde é que amas, porque é que amas, quando é que amas ou como é que amas, o que interessa é que amas.

E pra sempre amarei. Mesmo que custe minha vida mil vezes, meu mentiroso.


Notas Finais


É isso :c


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