1. Spirit Fanfics >
  2. Half >
  3. Ímisy.

História Half - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


finalmente, eu nem vou falar muita coisa pq a izabela tava quase me matando, porém aqui estamos, com um capítulo novo :)
boa leitura! <3

Capítulo 2 - Ímisy.


A primeira metade da vida passa-se a desejar a segunda; a segunda, a recordar a primeira.

— Alphonse Karr

 

Na época em que eu conheci o Yibo as coisas não eram flores, nem um pouco. E se eu fosse comparar com flores, a gente podia comparar com um jardim enorme queimando com fogo se alastrando muito rapidamente, certamente essa era uma comparação que eu poderia fazer com o cenário da época em que eu e ele nos conhecemos.

Yibo era certamente o motivo de 90% dos meus sorrisos na época do ensino médio, ele me fazia rir como ninguém. Surpreendente, não é? Nós éramos completamente opostos até na escola, já que ele era o centro das atenções daquele lugar, mesmo que não ligasse. Todas as garotas do colégio eram apaixonadas por Yibo e seu cérebro gigante, ele era certamente o melhor aluno da escola no segundo ano e se dedicava completamente ao curso que havia escolhido, que era algo haver com direito… se me lembro bem ele queria se formar em direito, e se não estou errado ele fazia aulas de serviços jurídicos, acho que era isso.

Eu só conhecia Yibo por conta de bocas e bocas que falavam dele na escola, mas eu não era o melhor amigo dos clichês, eu na verdade era um insuportável que fazia aula de música com ele, e a gente só foi se aproximar por conta de boatos.

Ok, eu sou um grande fofoqueiro, eu admito. Mas não há quem me conheça que não saiba disso, eu deixo bem explícito que eu sou curioso. Acabei indo atrás dele numa sexta-feira, depois da aula de música, já que eu tinha ouvido boatos sobre ele, Wang Yibo, matar a aula do curso. Quem em sã consciência imaginaria que o melhor aluno da escola mataria aula dia sim, dia não, ainda mais aula do curso técnico…?

Bom, eu fui conferir se o boato era verdade, e, não é que eu tava certo?

Mas foi diferente, era meia verdade. Diziam que ele matava aula pra ficar no agarramento com uma garota do terceiro ano que era afim dele — nossa Xiao que novidade do caralho, quem que não era afim dele naquele colégio… —, mas era tudo mentira, ele ficava dormindo no banquinho do campo esporte (pra você que não sabe, na nossa antiga escola tinha um campo abandonado que era onde antigamente ocorriam os torneios esportivos, mas que acabou sendo parado de usar e construíram uma quadra coberta justamente para isso). Lembro até hoje do momento em que importunei ele pela primeira vez…

 

[...]

 

2016. — campo esporte, último período.

 

Eu não acredito que eu tô indo atrás daquela bicha muda. O que a gente não faz pela verdade né? Pensando assim, pareço até um jornalista, mas eu sou só um fofoqueiro desocupado que deveria estar indo pro último período de PPIP. Bom, uma aula a menos não faz tanta diferença, né?

Chegando próximo ao portão onde se encontrava o campo, notei a porta estar levemente aberta, o que já me fez presumir que havia alguém ali. Realmente não consigo acreditar que o melhor aluno do ensino se encontrava ali, molhando o biscoito e matando aula, que nojo, que nojo, que nojo. E que irresponsável também. Na verdade, eu não sou o melhor aluno pra chamar ele de irresponsável, convenhamos…

Me adentrando no campo, vejo um pouco distante a capa de um guqin posicionada como se estivesse apoiado na parede do vestiário feminino, e visualizei rapidamente o mesmo sendo retirado do lugar.

Era óbvio, Wang Yibo estava ali. Agora, Yibo, me diz porque o vestiário feminino?

Caminhei tentando evitar fazer barulho, até chegar a porta do vestiário, mas não ouvia nada, então tive a grande e brilhante ideia de apoiar meu ouvido na porta.

Péssima ideia.

A porta já um tanto danificada empenou com meu peso e me fez cair no chão, com minha mochila pesada nas costas sobre mim e eu fiz de tudo pra que minha xiao* não fosse danificada.

E na minha direita… bem, na minha direita havia um Wang Yibo com cara de cu — que aliás era a mesma cara de bunda que ele sempre teve, e ele sempre tava, aquela cara de Bella do crepúsculo sem emoção nenhuma — e que provavelmente não ligava pro fato de eu estar ali.

— Meu deus, eu odeio minha vida… — Eu dizia me levantando e passando a mão pela roupa, para retirar o empoeirado de algumas partes do uniforme. — Como assim você vem aqui pra tocar guqin criatura?

— Quem é você? — Fez a pergunta num tom seco e sem muito interesse, mas ainda sim sentia que ele provavelmente queria saber como eu fui parar ali.

— Eu sou da sua aula de música, Xiao Zhan. Eu sou do grupo do sopro, então a gente não se fala muito. Aliás, tanto lugar pra você vir tocar e toca aqui nesse ninho de rato? Sabia que tão espalhando boatos sobre você? E outra…

— Você fala muito. Não é novidade espalharem mentiras sobre mim, e ódio gratuito é algo que já estou acostumado a lidar. Pode me dar licença, por favor? — Falou em tom calmo e parecia querer sair do local ao ver que eu faria muitas perguntas. 

— Foi mal, é costume falar muito e rápido… pulseira bonita, deixa eu ver? — Me aproximei e toquei seu braço na intenção de ver melhor a pulseira, uma pulseira azul bonita que parecia ter pequenos desenhos de nuvem. Uma gracinha, parecia de criança.

— Você é sempre assim?

— Assim como? — Ainda me encontrava tocando seu braço e vendo os detalhes da pulseira. 

— Agitado. 

— Sim, e você, vem sempre aqui? — Desviei a atenção do seu braço para seu rosto, levantando uma sobrancelha ao fazer a pergunta. — Pensei que te encontraria aqui com uma das garotas do segundo ano, ou do terceiro, tipo a Qiao…

— Qiao? Por Deus, eu tenho senso , e Xin Qiao definitivamente nunca vai ser meu tipo. — Ele respondeu parecendo indignado. Não pensei que eu o ofenderia por falar da garota mais insuportável daquele colégio. É, talvez por isso ele tenha se sentido ofendido.

Xin Qiao era obcecada por Yibo, todo mundo na escola sabia disso, mas ela era obcecada de verdade. E pensava que de alguma forma ele estava interessado nela, coisa que eu não sei onde ela via, sinceramente, pois tudo que aquele garoto fazia quando ela estava presente era se afastar o mais rápido possível pra que ela não tentasse nenhuma loucura.

— E sim, eu venho aqui de vez em quando. Conta mentalmente daqui a duas sextas e volta aqui que eu te conto uma história. — Pegou o guqin e saiu do local, me deixando sozinho com meus questionamentos.

 

[...]

 

Ok, talvez Yibo não havia baixado a guarda tão rápido. Na verdade, eu me lembro de que naquele ano, passamos dois meses indo todo dia naquele lugar e conversando, e ele chegou a, depois de muito tempo, me dar a pulseira azul com desenhos de nuvem. Dizia ele ser coisa de família ter uma daquela, e eu tenho aquela pulseirinha até hoje. Depois de alguns meses matando aula juntos, acabamos por nos aproximar, e bom, ele foi a primeira pessoa para quem eu assumi meu verdadeiro eu, assumi que eu era gay, depois de muito tempo de negação. Ele certamente foi a pessoa em que eu confiei minha vida por muito tempo, e é até hoje, já que ainda guardo um carinho imenso por ele. Eu me sentia completo com Yibo, era como se ele fosse o recheio que faltava no meu bolo. Éramos completamente opostos, e combinávamos de forma tão harmoniosa que era de se espantar quem nos visse. Também foi a pessoa que mais ajudou a me amar, aceitar meu eu por dentro e por fora, da forma mais sutil e carinhosa do mundo. Wang Yibo era cheio de surpresas e quanto mais eu o conhecia, mais me encantava pela pessoa que eu tinha próxima a mim. Pra mim era inacreditável existir uma pessoa tão única quanto ele, eu juro por toda a minha vida, nunca encontrei alguém que talvez eu pudesse comparar ao Yibo de forma igual, ele era tão singular em tudo que eu me chocava. Até seus defeitos para mim eram os versos mais perfeitos de uma poesia.

Recordar dessas memórias envolvendo Yibo é doloroso, já que não o tenho mais por perto. Sinto-me como uma das metades do mito de Aristófanes, esperando minha metade, mas dessa vez, esperando-a voltar para mim. Parece que foi ontem onde passava minha juventude esperando a vida adulta chegar, e agora, passo a relembrar a adolescência com um pouco de melancolia, desejando-a novamente, e sem saber se terei a oportunidade de aproveitar novamente todo o tempo que tive com minha perfeita metade.

Mas, a única coisa de que tenho certeza, foi que certamente, Yibo foi a melhor coisa que já me aconteceu, e, a poesia mais bela que eu já li.

 


Notas Finais


*Xiao: a xiao é um instrumento chinês antigo, parecido com a flauta simples.

obs: sim, campo esporte existe na minha escola e as pessoas costumam usar para fins desagradáveis, se assim posso dizerkkkkk
obrigada por ler até aqui! até o próximo capítulo <3

ps: amo você boiola @topathosmouv


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...