História Half a Soul - Capítulo 52


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Categorias Naruto
Personagens Akamaru, Anko Mitarashi, Asuma Sarutobi, Boruto Uzumaki, Chouji Akimichi, Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Hidan, Himawari Uzumaki, Hinata Hyuuga, Hiruzen Sarutobi, Indra Otsutsuki, Ino Yamanaka, Iruka Umino, Itachi Uchiha, Jiraiya, Juugo, Kabuto, Kakashi Hatake, Kakuzu, Kankuro, Karin, Kimimaru, Kisame Hoshigaki, Konan, Kurama (Kyuubi), Kurenai Yuuhi, Kushina Uzumaki, Madara Uchiha, Maito Gai, Minato "Yondaime" Namikaze, Mirai Sarutobi, Nagato, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Obito Uchiha (Tobi), Orochimaru, Pain, Personagens Originais, Rin Nohara, Rock Lee, Sai, Sakumo Hatake, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Shino Aburame, Suigetsu Hozuki, Temari, TenTen Mitsashi, Tsunade Senju, Yahiko, Yamato, Zetsu
Tags Adaptação, Akatsuki, Aventura, Boruto, Clássico, Drama, Hinata, Itachi, Kakashi, Naruto, Ova, Revelaçoes, Shippuden
Visualizações 29
Palavras 4.188
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


O nome do capítulo é "Tudo", mas deveria se chamar "P*ta que pariu"
Espero que vocês gostem <3

Capítulo 52 - Tudo (parte 1)


Fanfic / Fanfiction Half a Soul - Capítulo 52 - Tudo (parte 1)

Aimi POV

Eu não tinha lágrimas para chorar, não naquele momento. Meu coração doía de todos os jeitos possíveis, mas todos nós sabíamos que tínhamos de ser fortes até o final.

Naruto era a chave para a estratégia final de Shikaku. Ele estava demorando muito para entender, mas era isso, não havia outro jeito. E foi nesse momento que Yūta apareceu do meu lado completamente ofegante, como esperado. Mas ele sorriu para mim, e eu sorri para ele.

“Ah, Kami-sama! Que bom que você está bem”, disse Hanae segurando o ombro dele. “Agora que o selamento já era, você pode brincar de lutinha com a gente”, ela disse com um sorriso, sempre positiva.

Antes que pudéssemos dizer qualquer outra coisa, uma das mãos do Jūbi veio de encontro ao local em que estávamos, mas o senhor Hiashi e Neji impediram que ele fizesse muitos estragos. Naruto estava muito atordoado, então levou uma bronca do pai de Hinata, para que prestasse atenção e continuasse lutando.

Estava tudo tão... Estranho. Eu me sentia estranha.

“Como você está se sentindo?”, Yūta me perguntou, percebendo as manchas de sangue nos ouvidos e no rosto, além do cabelo branco. “Kami-sama... Você precisa sair daqui”.

“Pirou na batatinha, amigão?”, eu sorri para ele. “Eu não posso ir embora agora. Pessoas saindo da batalha é a última coisa de que precisamos agora, Yūta. Você entende isso, sim?”.

“Eu entendo sim, Aimi. Mas você não deveria estar aqui, e sabe por que”, ele adotou uma postura mais séria. “Eu amo você. Não quero perdê-la assim sendo que há chances de te salvar. Não quero perder você, Aimi”, ele continuou e eu senti meu coração apertando ainda mais. Hanae olhou para mim e assentiu, concordando com ele. Mas, ainda assim, eu não podia aceitar aquilo.

E se fizéssemos a troca, desse tudo certo, voltássemos e eu morresse logo depois? Parecia estupidez para mim. Eu preferia ter a esperança de sobreviver e fazer essa troca depois do que fazer todo um sacrifício em vão. Fora que, além de TUDO, eu ainda nem sabia quem era a pessoa com a outra metade.

Então eu reforcei minha decisão. Apenas sorri para eles, neguei com o balançar de minha cabeça e me afastei um pouco. Não era a hora certa, ainda não.

Lá de cima, Madara e Obito concordavam que estava ficando difícil demais controlar o Jūbi e que Madara tinha que se tornar seu Jinchūriki logo, só que para isso era preciso que ele tivesse um corpo vivo, e não que permanecesse como um Edo Tensei. Um corpo revivido serviria apenas para um ataque suicida, ou qualquer outra coisa que era arriscada demais para executar.

Depois de uma curta discussão, ficou decidido o que eles fariam.

“Bom, então por que não decide o que faremos agora?”, Madara perguntou a Obito.

“Continuaremos... Ensinaremos a eles, lentamente, o que é desespero”.

Obito estendeu a mão e o Jūbi pareceu enlouquecer, levantando todas as suas mãos de uma vez só e todas elas foram criando pequenos furinhos, e a princípio ninguém sabia do que se tratava, até que Obito anunciou seu plano.

“Mokuton: Sashiki no Jutsu”, ele gritou, anunciando a todos nós que usaria o Estilo Madeira: Madeira Perfurante. E foi aí que eu conheci de verdade o que era desespero.

Como um milagre maligno, espetos começaram a sair das mãos imensas do Jūbi numa velocidade impressionante, chovendo sobre nós e ceifando vidas como se fosse o próprio anjo da morte. Pessoas caiam ao chão como folhas de uma árvore no outono, e aquela visão era perturbadora demais.

Eu senti meu coração doer mais intensamente e soube que dali nada de bom sairia, e essa sensação veio em forma de mais sangramentos.

Os espetos choviam sem parar e todos faziam o que podiam. Criávamos barreiras de pedra, cortávamos espetos com Raiton e lâminas, corríamos para onde podíamos... Fazíamos tudo que podíamos.

Hanae e Yūta estavam bem ao meu lado na hora em que aquela maldita chuva começara, então, gastando mais chakra do que eu realmente podia, eu passeava com eles pelo campo utilizando o Hiraishin para fugir dos espetos. Eu conseguira marcar o campo inteiro com minhas kunai inscritas, então conseguia fugir rapidamente.

Quando enfim conseguimos parar num local aparentemente protegido por uma barreira foi que eu senti a primeira facada. Kaya segurava uma barreira de pedra enorme e Harumi colocava as mãos em suas costas, mantendo seu chakra por causa do ninjutsu médico. Elas estavam sujas e Kaya já sangrava pelos olhos, por ativar e desativar o sharingan, tantas vezes seguidas. Assim que chegamos, eu escutei um barulho desconhecido e escutei a voz de Harumi.

“Essa não”, sua voz saiu quase como um resmungo.

Eu olhei para baixo e vi um espeto que atravessara metade da perna de Harumi que ficara para fora da barreira, e esta caiu para trás, recebendo mais dois espetos, um na barriga e outro no ombro. Eu não era uma Uchiha e não estava ativando meu Mangekyō, mas estava chorando sangue. Sem pensar em nada, eu e Kaya puxamos Harumi pelas pernas de volta para trás da barreira.

“Harumi...”, Kaya disse colocando as mãos sobre a barriga dela, sentindo seu sangue quente nas próprias mãos. As lágrimas já corriam pelo rosto dela, mas eu ainda não entendia bem o que estava acontecendo, apesar de também estar chorando. “Você...”.

“Fale baixo, Kaya”, ela pediu e Hanae cobriu a boca e virou o rosto, pois já estava chorando muito. “Já há barulho demais lá fora”, ela sorriu e nos revelou um sorriso manchado de sangue.

“Harumi-san... O que você fez?”, eu perguntei com as mãos trêmulas.

“Você está horrorosa com todo esse sangue na sua cara”, ela riu e tossiu um pouco de sangue, mas tudo que conseguimos fazer foi sorrir com muita dor no coração.

“Você... Você não pode morrer assim!”, Kaya gritou e segurou sua mão. “Por favor... Você é minha melhor amiga... Eu não quero perder você também”.

Yūta levantou as mãos junto de Hanae, os dois prontos para usar o pouco que sabiam do ninjutsu médico, mas Harumi tossiu e levantou a mão, pedindo que parassem. Não adiantaria, nem mesmo se Sakura aparecesse ali naquele mesmo instante.

“Harumi, deixe-me ao menos levantar sua cabeça”, Yūta pediu e criou um travesseiro de terra fofa com seu ninjutsu. “Como está se sentindo?”, ele perguntou segurando o pulso dela para poder aferir.

“Dormente”, ela respondeu, mantendo aquele sorriso vermelho. “Chega de drama, meu povo. Acho que é isso...”, ela falou e parecia aérea. E estava. Estava em paz. “Obrigada, meus amigos, por cada momento. E, Kaya, você... Você já sabe. Sempre soube e sempre... Saberá”, a última palavra saiu como um sussurro, um último suspiro.

“Obrigada, Harumi-san”.

Kaya segurou a mão de sua melhor amiga e irmã por uma última vez e colocou sobre seu coração, que devia estar doendo tanto quanto o meu. Kaya a soltou e levantou-se do chão sujo de sangue, fechando a barreira, criando assim uma pequena cabana para o corpo de Harumi, deixando-nos num escuro total. Depois de alguns segundos, ela abriu uma abertura do tamanho de um adulto.

“Vamos”.

Ela não se importava mais se sabiam ou não de qual clã era vinha, então usava o Sharingan e desviava de todos os espetos, enquanto eu continuava minhas viagens segurando as mãos de Hanae e Yūta, teletransportando a todos nós de uma só vez. Sempre que eu conseguia ver onde Kaya estava, eu via seu olhar odioso direcionado ao seu próprio pai, e sabia que ela faria algo a respeito, fosse imprudente ou não. A verdade era que Madara conseguira matar vários pedaços de Kaya de uma só vez, e ela não deixaria barato.

Eu não estava aguentando mais, então consegui nos levar até outra barreira de pedra antes de cair de joelhos. A dor de perder Harumi se misturava à dor no coração e às dores físicas, era demais para que eu aguentasse.

“Aimi... Você vai morrer!”, Hanae gritou comigo, sem se importar com os ninjas da areia que seguravam a barreira. “Pare com isso agora!”.

“Eu sei”, falei. “Não consigo mais carregar vocês comigo. Então, faça-me um favor... Não precisamos mais guardar segredo sobre aquilo. Use aquele jutsu e tire o Yūta daqui”.

“Eu não sei se vou conseguir... Talvez eu não seja compatível com a potência deste jutsu!”, ela disse, já entrando em pânico. Ela estava assustada, tanto quanto qualquer um.

“Você precisa conseguir, Hanae-san. Eu confio em você”, eu sorri.

Hanae respirou fundo, mas aceitou. Era um pequeno segredo: ela observara Naruto secretamente durante alguns treinamentos, e como também era possuidora do chakra do vento, descobriu como poderia fazer o Rasenshuriken.

Como se fosse um guarda-chuva giratório e cortante, Hanae segurou o seu próprio Rasenshuriken sobre sua cabeça, agarrando Yūta pelo braço e arrastando-o consigo pelo campo, fugindo e evitando aqueles espetos terríveis. Eu corria em círculos pelo campo de batalha, pois algumas das kunai que eu jogara ao chão formavam um padrão circular.

Mas, num momento em que eu decidi correr até o próximo ponto, percebi que aquela fora a pior escolha de todas.

Eu fiz com que outro muro de pedra surgisse do chão, parando bruscamente, e logo Hanae apareceu ao meu lado, parando de correr e encerrando o Rasenshuriken. Eles estavam todos de costas para mim, mas eu podia ver o que estava acontecendo.

Naruto estava caído, Hinata estava bem à sua frente numa posição que indicava que estava ali para protegê-lo. Com o restinho de forças que me restava, eu comecei a correr na direção deles, mas aparentemente alguém teve a mesma ideia que eu.

Porém, apesar do cansaço, Neji estava em melhores condições que eu, então ele conseguiu chegar antes e fez o que tinha que fazer. Num momento de vacilo, ao perceber o destino que Neji selara para si mesmo, eu caí de joelhos, perto o suficiente para sentir que aquele era o último momento de toda a minha vida e saber que não só eu como também Neji morreríamos parecendo com porcos-espinhos.

 

“Foi a pior piada que eu já ouvi. E na pior hora também”, Hanae disse, e eu percebi que ela olhava para o lado, fingindo estar distraída. Daí eu entendi.

“Ah, Hanae! Você tá chorando! Ela tá chorando, olha pra ela!”, comecei a rir, mesmo que meus olhos estivessem cheios também.

“Como eu queria registrar esse momento...”, Kakashi murmurou. “Mas vamos lá, Aimi. Termine essa parte da história pra gente”, ele pediu e colocou a mão na minha cabeça, amassando meus cabelos como sempre fazia.

 

Mas o destino decidiu ser ainda mais cruel. Quando aquelas estacas de madeira estavam perto o suficiente, quando eu senti que não tinha mais jeito e me encolhi no chão o máximo que pude, eu não senti nada.

Fiquei esperando por elas, esperando pela pior dor física que jamais poderia sentir, mas elas não vieram. Eu sabia que Neji havia sido atingido, e sabia que eu também deveria ter sido atingida, eu pude escutar o som. Então por que permanecia intacta?

Eu estava encolhida em posição fetal, deitada de lado no chão, e quando abri os olhos, minha visão estava direcionada para a imagem de Naruto aos berros, que segurava Neji num abraço, mas se ele estava cheio de estacas cravadas em si... Onde estavam as minhas estacas?

Daí eu escutei o barulho. Algo caiu bem na minha frente, então eu me levantei e ergui o olhar. E a visão que eu tive foi a responsável por terminar de me matar, por arrancar mais um pedaço de mim.

Lembra-se de quando eu falei que eu tinha cinco ‘amores da minha vida’? Então... A vida foi cruel e não quis levar um só. Ela decidiu levar dois – Neji, meu amor jamais confessado, e Yūta, o último amor da minha vida, coautor da melhor coisa que eu já fiz na minha vida.

Eu olhei para frente e vi, caído, bem na minha frente, Yūta Aimoto. Ele olhava para mim e eu podia sentir o cheiro do sangue que saía de seu corpo e que subia por sua garganta. Yūta sorria para mim. Hanae correu na nossa direção sem conseguir parar de soluçar.

“Yūta”, minhas mãos tremulas se moviam devagar para segurar o rosto dele, e quando eu finalmente o toquei, ele fechou os olhos e continuou sorrindo. “Você...”.

“Isso dói bastante”, ele riu. “Só dói mais saber que eu não poderei mais ver você”, ele abriu seus pequenos e puxados olhos, e eu coloquei minha mão sobre meu rosto, como Hanae sempre fazia ao chorar, mas ainda tocava seu rosto com a outra mão. “Eu queria ter tido mais tempo...”.

“Mas... Mas você não pode... Não pode me deixar! Não tinha que ter feito isso!”, chorei como uma garotinha birrenta, mas enfim realizei o que ele fizera – ele não salvara só a mim. “Eu... Eu não lhe contei algo”.

“E o que é que eu não sei sobre você, meu amor?”, ele sorriu mais ainda. Eu não entendia como, mesmo a ponto de morrer Yūta insistia em fazer piada. “Mas, mesmo assim... Conte-me. Antes que eu vá embora”.

Yūta estava sendo dramático de propósito. Durante o tempo que passamos juntos ele sempre caçoava de mim por ser muito emotiva, por ser dramática e exagerada muitas vezes. E ele sempre fora a parte fria e calculista da história, mas sempre adorara fazer piadas na hora errada. Aquele drama todo, toda aquela brincadeira era para compensar toda a frieza com a qual ele se acostumara, então Yūta estava morrendo e fazendo palhaçadas, e eu entendia.

Eu me abaixei um pouco, pois queria que só ele ouvisse aquilo.

“Minha mãe... Eu achei que fosse mentira. Ela me contou afastada de todos, então achei que estivesse mentindo só para impedir que eu viesse lutar, mas...”, eu suspirei e apertei sua mão. “Eu estou grávida”.

Hanae começou a sorrir em meio ao choro, não porque sabia o que eu tinha dito a ele, mas porque viu que deixara Yūta alegre. Lágrimas rolavam dos olhos de Yūta quando ele sorriu mais ainda.

“Isso aqui realmente dói...”, ele disse se referindo às estacas. “Mas saber que ter feito isso salvou meu filho e o amor da minha vida faz com que a dor desapareça aos poucos”, ele sussurrou e fechou os olhos de novo, e eu comecei a balançar a cabeça em negação. “Hanae, você foi a melhor amiga que eu já tive... Talvez porque você tenha sido a única... Mas eu te agradeço por tudo e peço que, por favor, não deixe essa maluca sozinha”, ele tentou falar mais alto para que ela pudesse ouvir.

“Não vou deixar, Yūta-san. Eu lhe prometo, de coração”, ela sorriu para ele e segurou sua mão. “Obrigada”.

“Aimi... Ah, Aimi. Essa situação é dramática e teatral demais pra mim, você não acha? Não é uma morte lírica ou poética como aquelas que você cria nos seus textos, mas já é alguma coisa. E as minhas últimas palavras são só para você”, ele conseguiu levantar a mão livre e fez menção de que eu me aproximasse. Quando senti a respiração falha dele batendo no meu ouvido eu soube que era o fim. “Eu amo você. Você foi a única em toda a minha vida. Jamais amei ninguém como amo você e jamais deixarei de amar”.

“Eu sei que... Que eu nunca consegui dizer isso porque você detesta drama... Você sabe que já amei outras pessoas, mas... Você não é só o amor da minha vida. Você é o amor de todas as minhas vidas, eu tenho certeza”, segredei a ele.

“Cuide do nosso filho. Obrigado por me amar, Konoha no Akai Senkō”, ele sussurrou e piscou, derramando um último par de lágrimas e enfim eu percebi que a respiração dele cessara, e assim mais uma parte de mim foi arrancada a força e dolorosamente.

Yūta fizera daquilo algo suportável, e até engraçado, por assim dizer. Ele era um palhaço, afinal. Mas, de qualquer jeito, não deixava de doer.

Harumi Uzumaki, Neji Hyūga, Yūta Aimoto. Três pedaços de mim arrancados de uma vez só. E eles não eram os únicos, porque nos não sabíamos nem mensurar quantas pessoas haviam partido. A dor era imensa em todos os sentidos, Yūta me salvara de morrer por causa das estacas, mas eu sabia que não havia ninguém para me salvar da dor.

Mas havia pessoas capazes de me salvar de outras coisas, inclusive de mim mesma.

Hanae POV

Eu era incapaz de entender a razão de tudo que estava acontecendo. Era impossível assimilar tudo de uma só vez, e também, a dor era muito intensa.

Eu queria acreditar que era uma brincadeira. Queria acreditar que logo Nagato apareceria e usaria a mesma técnica que usara para trazer todos de volta, assim como fizera com Aimi, Kakashi e outros amigos. A dor que eu sentira por perder Aimi fora momentânea, porque ela havia voltado para mim... Mas eu sabia agora que nenhum deles voltaria, nunca mais.

Aimi chorava como uma criança, numa mistura de sangue e lágrimas, e agora eu derramava lágrimas silenciosas, pois sabia que já estava acabado. Foi quando comecei a escutar uma voz dentro da minha própria cabeça, e não era minha consciência.

Akane não era do Clã Yamanaka, mas conseguia entrar na mente das pessoas. Até hoje sou grata a ela, pois se não tivesse me chamado, Aimi estaria morta. Kaya chegou de repente e levou um susto ao ver a cena, caindo de joelhos, e pela proximidade, Akane permitiu que Kaya a ouvisse. A única que não ouvia era Aimi.

“Hanae-san, eu preciso que você leve Aimi até o Kakashi imediatamente, eles precisam estar em cima de uma das kunai dela. Eles precisam vir para Konoha fazer a troca agora”.

“Agora? Está bem”.

“Agora? Ela não pode morrer durante o teletransporte?!”, Kaya exclamou.

“É melhor arriscar do que deixar que ela morra aí. Se ela ficar aí, temos muito mais a perder do que se ela vier”, ouvimos a voz dizer. “Por favor, façam isso logo”.

“Akane-san, ela pode estar certa!”, eu falei.

“Hanae. Eu preciso que façam isso agora! Se não fizerem, poderão estar cometendo um grave erro! Kakashi já deixou um clone, ele está chegando à kunai mais próxima! Vamos!”.

“Mas nós nem sabemos quem é a outra metade! Onde ela está?!”, Kaya gritou. “Diga onde ela está!”.

“A outra metade da alma de Aimi é o Kakashi! Vamos depressa!”.

Juntas eu e Kaya seguramos Aimi em nossos braços, pois precisávamos levá-la até a kunai mais próxima, e ela precisava de forças para usar o Hiraishin uma última vez. Eu estava em choque por saber que, o tempo todo, quem estava com a outra metade da alma de Aimi era Kakashi, como se a revelação do fato de serem irmãos não fosse suficiente por uma vida. Apesar disso, corríamos o mais rápido que podíamos para salvar nossa amiga.

Quando chegamos lá Kakashi já esperava, e a expressão em seu rosto não era das melhores. Ele arregalou os olhos e estendeu as mãos para pegá-la.

“Mas o que foi que aconteceu com ela?”, Kakashi ficou assustado ao ver o estado da irmã.

“Nós não temos tempo! Vamos! Depressa!”, ouvimos a voz de Akane mais uma vez, ignorando a pergunta de Kakashi. Ela estava certa, não havia tempo.

Passamos Aimi para o colo de seu irmão mais velho cuidadosamente. Ela era carga frágil naquele momento, o único jeito de conseguir fazer a troca era se ela usasse a técnica que lhe dera o apelido de Relâmpago Vermelho, e para isso, seria preciso força.

“Kakashi, você tem certeza que é seguro?”, Kaya perguntou. Estava amedrontada, assim como eu. Não queríamos perder mais ninguém.

“Gente... A Aimi está grávida”.

Não era necessário que se dissesse mais nada. Tiramos as mãos de cima de nossa amiga e deixamos que ela usasse suas últimas forças para tentar salvar sua própria vida. Ela não ouvira nada do que sua mãe maluca dissera, mas sabia o que tinha que fazer.

No momento em que eles sumiram, eu senti certa tranquilidade, mas ao olhar para Kaya e ver o olhar triste que ela tinha no olhar, nós nos abraçamos e nos deixamos chorar por alguns instantes. Chorar era a última coisa que precisávamos, mas não era possível evitar.

Os Céus haviam sido cruéis conosco naquele dia, então rogamos por misericórdia e pedimos que deixassem que ao menos Aimi fosse salva. E nossas preces foram atendidas.

Apesar de toda a tristeza, eu senti a determinação de Kaya no momento em que a abracei. Ela daria uma pequena lição no Madara, nem que tivesse que morrer para isso.

Kakashi POV

Eu apareci no meio de uma clareira que eu já conhecia, estávamos em Konoha, como fora planejado. Aimi, porém, parecia uma criança perdida dos pais, olhando para os lados com os olhos lacrimejando e sem saber bem o que estava acontecendo. Sua energia e seu chakra estavam completamente descontrolados, oscilando como ondas sonoras.

Demos de cara com Kurenai e Akane, que aparentemente já tinham tudo em mãos.

“Céus... O cabelo dela... Está completamente grisalho!”, Kurenai exclamou.

“Eu não me preocuparia com isso se fosse você. Há uma explicação para isso, e logo vocês saberão”, Akane disse e olhou tristemente para a filha que chorava no meu colo.

“Com... Com quem está o resto da minha alma?”, Aimi perguntou e estava completamente distante, ignorando a afirmação de Kurenai. “Alguém a viu por aí? Eu também perdi meus amigos... Eu perdi meus amigos... Eu perdi tudo”.

“Aimi, está tudo bem. Sou eu”, tentei acalmá-la do jeito que pude. Até aquele momento eu só sabia sobre a morte de Neji.

“Eu sei que é você, meu irmão. Mas com quem está minha alma?”, ela riu, mas as lágrimas não paravam de sair de seus olhos. “Meus amigos... Foram embora pra sempre... Minha alma! Eu... Eu preciso achar a outra parte”, ela dizia e era impossível negar que parecia tão distante, tão perdida, tão... Vazia. “Está doendo muito. Por favor, irmão, me ajude”.

“Aimi, eu...”.

“É isso que ele está tentando lhe dizer, Aimi-chan”, Kurenai lhe sorriu. “Não precisa se preocupar. Está tudo certo, vai correr tudo bem”, ela prometeu e Aimi balançou a cabeça de maneira bamboleante.

“Não precisa mais procurar sua alma, minha garotinha. Ela está aqui, sempre esteve aqui... Pois sua outra metade é e sempre foi o Kakashi”, Akane passou a mão no rosto ensanguentado da filha. “Nunca mais mentirei para você. A partir de agora vai ficar tudo bem, eu lhe prometo”.

Nós andamos para a parte central da clareira e Akane pediu que eu e Aimi deitássemos em direções contrárias, mas pediu que segurássemos nossas mãos. Cuidadosamente eu depositei Aimi na grama macia e deitei-me a seu lado, mas na direção contrária, procurando por sua mão ensanguentada para que pudesse segurar a mesma.

Desde que Akane prometera que tudo ficaria bem, Aimi não dissera mais nenhuma palavra, e todos sentíamos que seu chakra tinha enfim se acalmado.

“Eu vou precisar fazer um corte em volta das mãos de vocês. O corte será feito como se as duas mãos fossem uma coisa só, então eu peço que não soltem”, Akane pediu.

Kurenai veio até nós segurando um tipo de cálice. Estava grávida e precisava descansar, mas escolhera estar ali para ajudar. Enquanto Akane segurava nossas mãos e desenhava um círculo em volta delas, Kurenai segurava o cálice para que o sangue pingasse dentro dele.

“Akane-san... E o bebê?”.

“Se fizermos a fusão agora, o corpo de Aimi voltará a ter a idade normal... Isso não vai afetar a criança?”, Kurenai perguntou.

“Não. Mas só porque eu vou tirá-la antes”, ela disse e ficamos assustados. “Acalmem-se. Eu retardei o crescimento de Aimi por muito tempo, dentro do meu ventre e fora dele também. Então, se eu soube retardar, eu sei acelerar”.

“Você quer dizer que...”, perguntei e olhei para o rosto fleumático de Aimi. Era como se ela nem estivesse mais ali.

“Sim, sim. Eu quero dizer que ele vai nascer hoje. E vai acontecer durante a troca, porque, por um lado precisamos que Aimi permaneça nesta forma, mas por outro lado precisamos que ela esteja forte”.

“Se ela fizer isso do jeito que está, vai morrer”, Kurenai me disse e eu assenti.

“Certo”, eu suspirei e apertei ainda mais a mão de minha irmã. “Certo, o que vem agora?”.

“Cabelo. Eu preciso de um fio de cabelo seu, mas vou precisar cortar o cabelo de Aimi de verdade”.

“Cortar tudo? Mas pra quê?!”, perguntei como se fosse a própria Aimi lutando pela sobrevivência de seu cabelo, mas ela não reagia, apenas piscava e respirava calmamente.

“Logo você saberá. Agora, por favor, silêncio. Preciso fazer um parto e uma fusão agora, se não se importa”, ela sorriu e colocou a língua para fora, para se concentrar no que devia fazer. Akane parecia uma adolescente.

Eu estava nervoso, mas estava certo do que estava fazendo. Eu tinha que fazer aquilo, e mais que o sentimento de dever, eu desejava fazer aquilo. Antes era para salvar Aimi da doença que a mataria em menos de um ano, mas agora era para salvá-la de uma morte iminente e ameaçadora.

 

Continua...


Notas Finais


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