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História Half-Blood - Segundo livro da série Convenant - Capítulo 5


Escrita por: DudaBittencourts2

Capítulo 5 - Capitulo 5


O dia seguinte foi como voltar no tempo para mim - acordar demasiado cedo para conseguir pensar direito e vestir roupas feitas para ser chutada no traseiro. Desta vez, porém, havia algumas coisas diferentes.

Olhando para Aiden, por exemplo, ficou claro que ele não ia ser como os Instrutores que eu tinha antes. Eles tinham sido Sentinelas ou Guardas feridos no trabalho ou aqueles que queriam sossegar. Naquela época, eu sempre acabava com Instrutores que eram antigos como sujeira ou chatos.

Aiden não era nenhuma dessas coisas.

Ele usava o mesmo estilo de calças de treino que eu tinha roubado do almoxarifado, mas onde eu usava uma camisa branca modesta, ele tinha uma t-shirt sem mangas. E cara, ele tinha braços para mostrar. Sua pele não era enrugada; ele estava longe de ser chato; e ele estava realmente lá fora, caçando daimons.

Mas ele tinha uma coisa em comum com meus antigos Instrutores. No momento em que entrei na academia, ele era todo negócios. Pelo jeito como ele me mandou fazer vários exercícios de aquecimento e ordenou-me a desenrolar todos os tapetes, eu sabia que iria sofrer até o final do dia.

— Quanto você se lembra de seu treinamento anterior?

Olhei em volta, vendo coisas em que não tinha posto os olhos em três anos – esteiras de treinamento para facilitar as quedas, manequins com pele que parecia real e um kit de primeiros socorros em todos os cantos. As pessoas costumavam sangrar em algum momento no treinamento. Mas a parede mais distante me interessou mais.

Estava coberta com perversas facas com as quais eu nunca tinha chegado a praticar.

— As coisas normais: coisas de livros didáticos, formação ofensiva, técnicas de chutes e socos. — Eu me aproximei da parede de armas, era como compulsão.

— Não muito então.

Pegando um dos punhais de titânio delgados que os Sentinelas geralmente transportavam, eu assenti. — As coisas boas começavam exatamente...

Aiden me cercou, arrancando o punhal dos meus dedos e colocando-o de volta na parede. Seus dedos permaneceram sobre a lâmina com reverência. — Você não ganhou o direito de tocar essas armas, especialmente aquela.

No início, eu pensei que ele estivesse brincando, mas uma olhada no rosto dele me disse que ele não estava. — Por quê?

Ele não respondeu.

Eu meio que queria tocá-la novamente, mas puxei minha mão de volta e me afastei da parede. — Eu era boa em tudo o que aprendi. Eu podia bater e chutar forte. Eu podia correr mais rápido do que qualquer um na minha classe.

Ele voltou para o centro da sala e colocou as mãos em seus quadris estreitos. — Não muito então. — repetiu ele.

Meus olhos seguiram-no. — Você poderia dizer isso.

— Você deve se acostumar a esta sala. Vamos passar oito horas por dia aqui.

— Você está brincando, certo?

Ele não parecia estar brincando. — No final do corredor tem um ginásio. Você deve visitá-lo... muitas vezes.

Minha boca abriu.

Aiden me deu um olhar brando. — Você está muito magra. Precisa ganhar peso e músculo. — Ele estendeu a mão e tocou meu braço esquelético. — A velocidade e força, você tem naturalmente. Mas agora, uma criança de dez anos, poderia derrubá-la.

Fechei minha boca. Ele tinha um ponto. Esta manhã, eu tive que amarrar o nó duas vezes em meus cordões para ele se aguentar. — Bem, não era como se eu tivesse três refeições por dia. Falando nisso, eu estou meio com fome. Não tenho café da manhã?

O olhar duro nos seus olhos suavizou um pouco e por um momento parecia o olhar que ele tinha quando estava em meu quarto na noite anterior. — Eu trouxe um batido de proteína.

— Eca. —gemi, mas quando ele pegou o recipiente de plástico e me entregou, eu peguei.

— Beba. Nós vamos cobrir algumas regras básicas primeiro. — Aiden recuou. — Vá em frente e sente. Eu quero que você ouça.

E lá se foi a aparência mais suave e gentil. Revirando os olhos, sentei-me e cuidadosamente coloquei a garrafa nos lábios. Cheirava como chocolate velho e parecia um milk-shake aguado.Nojento.

Ele parou na minha frente com aqueles braços impossivelmente fortes em seu peito. — Primeiro: não beba ou fume.

— Xi. Isso significa que eu tenho que largar o vício do crack.

Ele olhou para mim, claramente não impressionado. — Você não poderá deixar o Covenant sem permissão ou - não olhe para mim desse jeito.

— Meu Deus, quantos anos você tem? — Eu sabia totalmente quantos anos ele tinha, mas queria perguntar.

Aiden inclinou o pescoço. — Farei 21 em outubro.

— Huh. — Eu balancei a garrafa. — Então, você sempre foi assim ... maduro?

Suas sobrancelhas franziram. — Maduro?

— Sim, você soa como um pai. — Eu aprofundei a minha voz e tentei um olhar severo. — "Não olhe para mim desse jeito ou então".

Aiden piscou lentamente. — Eu não soei assim e eu não disse "ou então".

— Mas se você tivesse, como o "ou então" seria? — Eu escondi o meu sorriso com a garrafa.

Ele olhou para o lado, franzindo a testa. — Você poderia apenas não interromper?

— Tanto faz. — Eu tomei uma bebida. — Então por que não posso deixar a ilha?

— É para sua segurança e minha paz de espírito. — Aiden retornou à sua posição original, os braços sobre o peito, as pernas abertas. — Você não pode sair desta ilha sem estar acompanhada por alguém.

— Meus amigos contam? — Eu perguntei, apenas meio séria.

— Não.

— Então, quem tem permissão para acompanhar-me?

Aiden fechou os olhos e suspirou. — Ou eu ou um dos outros Instrutores.

Eu agitei o líquido em torno da garrafa. — Eu sei as regras, Aiden. Você não tem que me lembrá-las.

Parecia que ele queria salientar o fato de que eu provavelmente poderia precisar de um lembrete, mas, ele cedeu. Depois que terminei, ele tomou o batido e caminhou de volta para onde estavam vários sacos de pancada encostados na parede.

Levantei-me e me estiquei. — Então, o que vou aprender hoje? Acho que devemos começar com qualquer coisa que não envolva você chutar minha bunda.

Seus lábios tremeram como se estivesse lutando contra um sorriso. — Os princípios básicos.

— Os princípios básicos. — Eu fiz beicinho. — Você tem que estar brincando comigo. Eu sei o básico.

— Você sabe o suficiente para não se matar de imediato. — Ele franziu a testa enquanto eu pulei de lado a lado. — O que você está fazendo?

Parei, encolhendo os ombros. — Estou entediada.

Aiden revirou os olhos. — Então vamos começar. Você não vai ficar entediada por muito tempo.

— Sim, mestre.

Ele fez uma careta. — Não me chame assim. Eu não sou seu mestre. Só os deuses podem ser chamados de nossos mestres.

— Sim... — Fiz uma pausa enquanto seus olhos brilhavam e sua mandíbula apertava — senhor.

Aiden olhou para mim um momento, e depois assentiu. — Okay. Quero ver como você cai.

— Eu quase te dei um bom golpe na fábrica. — Senti a necessidade de recordá-lo.

Virando-se para mim, ele apontou para uma das esteiras. — O quase não conta, Alex. Nunca conta.

Arrastei-me mais e parei na frente dele quando ele me circulou. — Daimons não usam apenas força quando atacam, mas também magia elementar.

— Sim. Sim.

Daimons poderiam ser ridiculamente fortes, dependendo de quantos puros ou mestiços eles tinham drenado. Ser atingido por um deles usando o elemento ar era o mesmo que ser atropelado por um trem de carga. A única vez que daimons não eram perigosos era quando eles estavam drenando éter.

— A chave é nunca deixá-los te derrubar no chão, mas isso vai acontecer, mesmo com o melhor de nós. Quando isso acontece, você precisa ser capaz de voltar para cima.

— Seus olhos cinzentos se focaram em mim.

Isto era chato. — Aiden, eu me lembro do meu treinamento. Eu sei como cair.

— Sabe?

— Cair é o mais fácil...

Minhas costas bateram no tapete de treino. Dor me atingiu. Fiquei ali atordoada.

Aiden pairou sobre mim. — Isso foi apenas um toque de amor e você não pousou corretamente.

— Ow. — Eu não tinha certeza se podia me mover.

— Você deveria ter caído em sua parte superior das costas. É menos doloroso e mais fácil de manobrar. — Ele ofereceu sua mão. — Pensei que você soubesse como cair?

— Deuses. — eu disse. — Você não poderia ter me dito em primeiro lugar?

Ignorei a mão e descobri que podia me mover. Eu estava de pé, olhando para ele.

Um sorriso torto se formou em seus lábios. — Mesmo sem um aviso, você tem um segundo antes de cair. Você tem tempo mais que suficiente para posicionar seu corpo corretamente.

— Role os quadris e mantenha seu queixo para baixo. — Fiz uma careta, esfregando minhas costas. — Sim, eu me lembro.

— Então me mostre. — Ele parou, olhando-me como se eu fosse algum tipo de espécime estranho. — Ponha seus braços para cima - aqui. Assim. — Ele posicionou meus braços para que eles bloqueassem meu peito. — Mantenha-os fortes. Não há braços de espaguete.

— Ok.

Ele fez uma careta para os meus braços finos. — Bem, mantenha-os tão fortes quanto você puder.

— Hardy Har Har3.(Lippy the Lion & Hardy Har Har (no Brasil , Lippy e Hardy). Lippy era um leão , andando sempre na companhia de seu amigo Hardy, uma hiena  pessimista ( crônica e profunda).)

Ele sorriu novamente. — Tudo bem.

Em seguida, ele bateu meus braços com o lado mais largo dos dele. Na verdade, ele não me bateu forte, mas eu ainda caí. E caí do jeito errado. Rolei, estremecendo.

— Alex, você sabe o que fazer.

Rolei e gemi. — Bem... parece que é algo que eu esqueci.

— Levante-se. — Ele ofereceu a mão, mas eu ainda não a peguei. Levantei-me. — Coloque os braços para cima.

Eu coloquei e me preparei para o ataque inevitável. Eu caí, repetidas vezes. Passei o seguinte par de horas nas minhas costas e não do jeito certo. Chegou a um ponto em que Aiden reveu os mecanismos de queda como se eu tivesse dez anos.

Mas, finalmente, do lixo inútil flutuando no meu cérebro, eu retirei a técnica que tinha aprendido há muito tempo e eu acertei em cheio.

— Até que enfim. — Aiden murmurou.

Nós paramos para o almoço, que consistia em eu comer sozinha enquanto Aiden saiu para fazer o que queria. Cerca de quinze minutos depois, uma puro-sangue em um jaleco branco apareceu na minha frente. Engoli um bocado de comida. — Oi?

— Por favor, siga-me. — disse ela.

Olhei para meu almoço meio comido e suspirei. Eu larguei meu prato e a segui para a construção médica atrás das estruturas de treinamento. — Estou recebendo um exame físico ou algo assim?

Ela não respondeu.

Qualquer tentativa de conversa foi ignorada e eu desisti na hora em que pulei em cima da mesa. Vi-a ir para o armário e mexer ao redor por alguns segundos. Ela virou, sacudindo o fim da seringa.

Meus olhos se arregalaram. — Uh ... o que é isso?

— Por favor, levante a manga de sua camisa.

Cautelosa, eu fiz como instruída. — Mas o que vocês estão me dando... porra! —

Minha pele queimou onde ela aplicou no braço. — Isso dói como o inferno.

Seus lábios se curvaram em um sorriso amarelo, mas suas palavras escorriam desgosto. — Você será lembrada em seis meses para receber outra dose. Nas próximas quarenta e oito horas, por favor, tente abster-se de atividades sexuais sem proteção.

Tente abster-se? Como se eu tivesse incontroláveis impulsos animalescos e pulasse em cada mestiço à vista? — Eu não sou uma piranha louca por sexo, senhora.

A pura virou as costas, claramente despachando-me. Pulei para fora da mesa, puxando minha manga para baixo. Eu não podia acreditar que tinha esquecido sobre o controle de natalidade obrigatório no Covenant para fêmeas meio-sangues. Afinal, a prole de dois mestiços era como os mortais e inútil para os puros. Isso nunca tinha realmente me incomodado desde que eu duvidava que fosse desenvolver um desejo maternal. Mas a pura poderia ter pelo menos me avisado antes de me picar.

Quando voltei para a sala de treinamento, Aiden olhou-me esfregando meu braço, mas eu não expliquei. De lá, ele mudou para outra de minhas técnicas favoritas: ser derrubada e me levantar rapidamente. Eu era uma droga a isso também.

Até o final da prática, cada músculo nas minhas costas doía e minhas coxas pareciam como se algum otário as tivessem perfurado. Eu estava um pouco lenta a guardar os tapetes. Tanto que, eventualmente, Aiden assumiu.

— Vai ficar mais fácil. — Ele olhou para cima quando eu cheguei mancando até onde ele estava acumulando os tapetes de treino. — Seu corpo vai se acostumar com isso novamente.

— Eu espero que sim.

— Você deve se manter fora da academia por alguns dias.

Eu poderia tê-lo abraçado.

— Mas você deve definitivamente fazer os alongamentos de aquecimento à noite. Irá ajudar a relaxar os músculos. Você não vai estar tão dolorida depois.

Eu o segui até a porta. Parecia um bom conselho. Fora da sala de treinamento, esperei enquanto Aiden fechava as portas duplas.

— Amanhã vamos trabalhar com o salto um pouco mais. Então vamos passar para técnicas de bloqueio.

Comecei a apontar que eu tinha aprendido várias técnicas de bloqueio, mas me lembrei de quão rapidamente o daimon tinha me mordido na Geórgia. Minha mão foi para o meu ombro sobre a cicatriz ligeiramente irregular.

— Você está bem?

Soltando a minha mão, eu acenei a cabeça. — Sim.

Como se ele pudesse de alguma forma ler mentes, ele adiantou-se e roçou minhas costas por cima do meu ombro. O toque ligeiro provocou um arrepio. — Não é ruim. Vai passar em breve.

— Vai cicatrizar - já está começando.

— Alguns diriam que tais cicatrizes são medalhas de honra.

— Sério?

Aiden balançou a cabeça. — Sim. Ela mostra o quão forte e corajosa você foi. Não é nada para se envergonhar.

— Claro. — Eu forcei um sorriso rápido e brilhante.

Eu poderia dizer pelo olhar em seu rosto que ele não acreditou em mim, mas não insistiu. Eu saí mancando, voltando para o meu quarto. Caleb esperava fora da minha porta com um punhado de sacolas de compras e um olhar nervoso no rosto.

— Caleb, você não precisava fazer tudo isso. E você vai ser pego aqui.

— Então me deixe entrar em seu quarto antes que me peguem. E não se preocupe com as compras. Eu tive algumas garotas gostosas experimentando as roupas para mim. Confie em mim, dia mutuamente benéfico.

Eu bufei quando manquei para o sofá e sentei. — Obrigada. Fico te devendo.

Caleb me atualizou de todas as coisas que eu tinha perdido durante a minha ausência - que era como eu estava me referindo a isso agora - enquanto eu retirava várias calças jeans, vestidos e bermudas que eu duvidava que estivessem incluídos no código de vestimenta do Covenant. Balancei minha cabeça. Onde no inferno eu deveria usar algumas dessas coisas? Na esquina de uma rua?

Aparentemente, pouca coisa havia mudado. Todo mundo ainda fugia e ficava com alguém. Lea com sucesso colocou dois ou três meninos uns contra os outros na esperança de ficarem entre as pernas dela. Jackson parecia ser o vencedor, se ontem tivesse sido qualquer indicação. Dois anos e meio mais velhos do que nós, Rosalie e Natanael tinham se formado e eram Sentinelas agora e eu estava fora de mim de inveja.

Após a prática de hoje, eu duvidava que Aiden ainda pensasse que eu tinha qualquer potencial.

Luke, um mestiço com quem eu costumava sair, saiu do armário no ano passado, não que ser gay ou bissexual fosse remotamente um grande negócio por aqui. Ser descendentes de um monte de deuses com tesão que não discriminavam ao escolher seus parceiros sexuais, deixava pouco para se chocar quando se tratava de sexo ou atividades relacionadas.

Parecia que eu era a única virgem por aqui. Suspirei.

— O treinamento foi tão ruim assim?

— Acho que quebrou minhas costas hoje. — eu brinquei.

Parecia que ele queria rir. — Você não quebrou suas costas. Você está apenas...fora da prática. Em um par de dias, você vai espancar Aiden.

— Duvido.

— Então o que ele queria ontem? Cara, eu vou ser honesto. Estou esperando ele aparecer aqui e me esculachar por estar em seu quarto.

— Então você não deveria estar aqui, se está com medo.

Caleb ignorou isso. — O que Aiden queria ontem?

— Eu acho que Lea me delatou. Aiden sabia sobre a coisa na sala de recreação. Ele não foi realmente um cão, mas eu poderia ter passado bem sem a palestra.

— Porra, ela é uma vadia, às vezes. — Ele sentou-se na cadeira, passando a mão pelos cabelos. — Talvez pudéssemos lhe queimar as sobrancelhas ou algo assim. Tenho certeza que Zarak não ficaria triste com isso.

Eu ri. — Tenho certeza que não vai ajudar a minha causa.

— Você sabe, eu fiquei...

— O quê? — Eu gritei, quase saindo do sofá. Movimento errado. Doeu. — Por favor, me diga que você não ficou com Lea?

Ele encolheu os ombros. — Eu estava entediado. Ela estava disponível. Não foi ruim de todo...

Com nojo, joguei um travesseiro em sua cabeça e o interrompi. — Eu não quero saber os detalhes. Eu só vou fingir que você nunca admitiu isso.

Um sorriso apareceu em seus lábios. — Bem, parece que Lea está determinada em te ferrar se ela te delatou.

Deitei-me, pensando nas outras pessoas na sala. — Eu não sei. E sobre a pura que estava na sala?

— Quem? Thea? — Ele balançou a cabeça. — Não há como ela ter contado a ninguém.

— O que Thea está fazendo aqui, a propósito?

Era estranho ver qualquer puro no Covenant durante o verão. Eles ficavam durante o ano letivo, mas quando chegava o verão, eles saíam com seus pais, provavelmente viajando pelo mundo e fazendo outras coisas ridiculamente caras.

Diversão, coisas totalmente legais. Claro, eles tinham Guardas que os acompanhavam em suas aventuras, apenas no caso de um daimon ter alguma ideia.

— Seus pais estão no Conselho e não têm tempo para ela. Ela é muito legal, mas super tranquila. Eu acho que ela tem tesão por Deacon.

— Deacon, como o irmão de Aiden?

— Sim.

Eu poderia dizer que havia algo por trás do fato de Thea gostar dele. — Qual é o problema? Ambos são puros.

Caleb arqueou uma sobrancelha para mim, mas depois pareceu lembrar que eu não tinha estado aqui durante três anos. — Deacon tem uma reputação.

— Okay. — Tentei libertar um súbito nó nas costas.

— E Thea também. E vamos apenas dizer que Thea ganhou o prêmio de pureza. Bom saber que eu não era a única virgem. — E?

— A reputação de Deacon é... mais do - hmm, como faço para explicar agradavelmente? — Ele fez uma pausa, parecendo pensativo. — Deacon segue as tendências de Zeus - esse tipo de reputação.

— Bem... os opostos se atraem, eu acho.

— Não tão opostos.

Dei de ombros, e depois fiz uma careta pela dor.

— Quase me esqueci. Você não vai acreditar no que eu ouvi hoje na cidade. Uma das proprietárias da loja estava ocupada fofocando enquanto eu pagava, totalmente indiferente sobre quem poderia ouvi-la, mas - oh yeah, a propósito, essa proprietária da loja provavelmente acha que eu sou um drag-queen agora.

Eu ri.

Seus olhos se estreitaram pela minha apatia. — De qualquer forma, você se lembra de Kelia Lothos?

Meus lábios franziram. Kelia Lothos - o nome soava familiar. — Ela não era uma Guarda aqui?

— Sim, cerca de dez anos mais velha do que nós. Ela arrumou um namorado.

— Bom para ela.

— Espere, Alex. Você deve esperar. Seu nome é Hector - não sei o seu sobrenome. De qualquer forma, ele é um puro de uma das outras comunidades. — Ele parou para dar um efeito dramático.

Corri a mão no meu rabo de cavalo, não tendo certeza para onde ele estava indo com tudo isso.

— Ele é um maldito puro-sangue. — Ele ergueu as mãos. — Lembra-se? Não é permitido.

Meus olhos se arregalaram. — Oh não, não é bom.

Ele balançou a cabeça e fios de cabelo loiro caíram sobre seus olhos. — Eu não posso acreditar que eles foram estúpidos o suficiente para sequer pensar em algo assim.

O fato de que não éramos autorizados a ter qualquer tipo de relacionamento amoroso com um puro era uma regra enraizada em nós desde o nascimento. A maioria dos meios-sangues nem sequer questionavam, mas, novamente, a maioria dos mestiço não questionava muito. Éramos treinados a obedecer desde cedo.

Tentei encontrar uma posição confortável. — O que você acha que vai acontecer com Kelia?

Caleb bufou. — Ela provavelmente vai ser despojada de seus deveres de Guarda e enviada para trabalhar em uma das casas.

Isso me encheu de irritação e ressentimento. — E Hector receberá uma palmada na mão. Como isso é justo?

Ele me olhou estranho. — Não é, mas é o que acontece.

— É estúpido. — Eu senti algo apertar na minha mandíbula. — Quem se importa se um mestiço e um puro ficam juntos? É realmente um grande negócio a ponto de Kelia ter que perder tudo?

Os olhos de Caleb se arregalaram. — É a maneira que é, Alex. Você sabe disso.

Cruzei os braços, perguntando por que eu me sentia tão ressentida sobre isso. Era o jeito que as coisas tinham sido por eras, mas parecia tão injusto. — É errado, Caleb. Kelia basicamente vai acabar como uma escrava só porque se engraçou com um puro.

Ele ficou quieto por um momento e então seus olhos se concentraram em mim. — A sua reação tem algo a ver com o fato de o seu novo treinador pessoal ser o puro pelo qual todas as meninas babam?

Eu fiz uma careta. — Absolutamente não, você está louco? Ele vai acabar me matando. — Fiz uma pausa, afundando na almofada. — Acho que é o que ele planeja.

— Que seja.

Esticando as pernas, encarei-o com um olhar sério. — Você se esqueceu que eu passei três anos lá fora, no mundo normal - um mundo onde puros e mestiços nem sequer existem. Ninguém verifica o pedigree de alguém antes de sair com essa pessoa.

Ele olhou para longe alguns minutos. — Como era?

— Como era o que?

Caleb mexeu na ponta da cadeira. — Estar lá fora, longe de tudo... isso?

— Oh. — Apoiei-me no meu cotovelo. A maioria dos mestiços não tinha ideia de como era. Claro, eles se misturaram no mundo exterior - sendo misturar a palavra-chave - mas eles nunca eram uma parte dele, não por tempo suficiente. Nem os puros.

Para a nossa espécie, a vida mortal parecia violenta, onde daimons não eram as únicas coisas más com as quais as pessoas tinham que se preocupar.

Sim, tínhamos nossos loucos também. Os caras que não tinham a palavra "não" em seu vocabulário, as fofoqueiras e as pessoas que fariam qualquer coisa para conseguir o que queriam. Mas não era nada parecido com o mundo mortal e eu não tinha certeza se isso era uma coisa boa ou ruim.

— Bem, é diferente. Há tantas pessoas que são diferentes. Eu meio que me incluía até certo ponto.

Caleb ouvia com entusiasmo demais para seu próprio bem, enquanto eu tentava explicar como era lá fora. Sempre que nos mudávamos, a mamãe tinha que usar compulsão para me levar para o sistema escolar local, sem transcrições. Caleb mostrou interesse de forma demasiada no sistema escolar mortal, mas era diferente do do Covenant. Aqui, passamos a maior parte de nossos dias lutando nas aulas. No mundo mortal, eu tinha passado a maior parte das minhas aulas olhando para o quadro-negro.

Ser curioso sobre o mundo exterior não era necessariamente uma coisa boa. Geralmente levava alguém a fazer uma corrida para ele. Mamãe e eu fomos mais bem sucedidas do que a maioria das pessoas que tinham se aventurado lá fora. O Covenant sempre achava as pessoas que tentavam viver no mundo exterior.

Eles haviam nos encontrado um pouco tarde demais.

Caleb inclinou a cabeça para o lado enquanto me estudava. — O que você está achando de voltar pra cá?

Deitei-me de costas, olhando para o teto. — Bom.

— Sério? — Ele se levantou. — Porque você já passou por muita coisa.

— Sim, eu estou bem.

Caleb veio para onde eu estava e sentou-se, praticamente empurrando-me de lado.

— Ai.

— Alex, a porcaria que aconteceu tem que ter, você sabe, te incomodado. Teria mexido comigo.

Fechei os olhos. — Caleb, agradeço a sua preocupação, mas você está praticamente sentado em cima de mim.

Ele se mexeu, mas manteve-se ao meu lado. — Você vai falar comigo sobre isso?

— Olhe. Eu estou bem. Não é como se não me incomodasse. — Eu abri meus olhos e encontrei-o me observando. — Okay. Mexe comigo. Feliz?

— Claro que eu não estou feliz.

Uma coisa em que eu não era boa era em falar de como me sentia. Inferno, eu não era boa nem em pensar em como me sentia. Mas não parecia que Caleb ia se contentar tão cedo. — Eu... tento não pensar sobre isso. É melhor assim.

Ele franziu a testa. — Sério? Preciso usar a psicologia básica em você e ir com o "provavelmente não é uma coisa boa você não pensar sobre isso?"

Eu gemi. — Eu odeio psicologia, então por favor não comece.

— Alex?

Sentei-me, ignorando a dor aguda em minhas costas, empurrando-o para fora do sofá. Ele apoiou-se facilmente. — O que você quer que eu diga? Que eu sinto falta da minha mãe? Sim. Eu sinto falta dela. Que é totalmente uma merda vê-la sendo drenada por um daimon? Sim, é uma merda. Lutar com daimons e pensar que eu ia morrer foi divertido? Não. Não foi divertido. Isso também foi uma merda.

Ele assentiu, aceitando o meu pequeno discurso. — Você teve um funeral para ela ou algo assim?

— Essa é uma pergunta estúpida, Caleb. — Eu empurrei para trás o cabelo que escapara do meu rabo de cavalo. — Eu não cheguei a ter um funeral. Depois que eu matei o daimon, houve um outro. Eu corri.

Seu rosto empalideceu. — Alguém voltou para buscar o seu corpo?

Eu me encolhi. — Não sei. Eu não perguntei.

Ele pareceu meditar sobre isso. — Talvez se você tivesse uma cerimônia para ela, iria ajudar. Você sabe, uma reunião só para lembrar dela.

Joguei um duro olhar para ele. — Nós não vamos ter um funeral. Estou falando sério. Se você sequer pensar em algo assim, vou arriscar ser expulsa apenas para chutar o seu traseiro. — Ter um funeral significava enfrentar que minha mãe estava morta. A parede de resistência que eu tinha construído em torno de mim, iria quebrar e eu... eu não podia lidar com isso.

— Certo. Certo. — Ele ergueu as mãos. — Eu só pensei que iria trazer-lhe algum encerramento.

— Eu tive um encerramento. Lembra-se? Eu a vi morrer.

Desta vez, foi ele quem se encolheu. — Alex... Sinto muito. Deuses, eu nem sei como você deve ter se sentido. Não posso nem imaginar isso.

Ele então deu um passo adiante, como se pretendesse me abraçar, mas eu acenei que não. Caleb pareceu entender que eu não queria falar mais sobre isso e voltou a falar sobre temas mais seguros - mais fofoca, mais contos de travessuras no Covenant.

Fiquei no sofá depois dele ter saído do dormitório. Eu deveria estar pronta para ir comer ou para ir socializar, mas não estava. Nossa conversa - a parte sobre a minha mãe - permaneceu como uma ferida purulenta. Eu tentei focar na fofoca que tinha descoberto. Eu até tentei pensar em como Jackson parecia bem agora - mesmo Caleb, porque ele realmente cresceu nos últimos três anos - mas suas imagens foram rapidamente substituídas por Aiden e os seus braços.

E isso era tão errado.

Deitei e voltei a olhar para o teto. Eu estava bem. Eu estava ótima, na verdade.

Estar de volta ao Covenant era muito melhor do que estar lá fora, no mundo normal ou a limpar banheiros na casa de algum puro. Esfreguei meus olhos, franzindo a testa. Eu estava bem.

Eu tinha que estar bem.

 



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