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História Half Blood: A Maldição do Titã. - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Nossa missão já começou dando errado.


Esperava ir direto para o colégio no Maine, mas Argos me deixou em frente a um internato no Brooklyn. 

- Quando que elas vão sair?_ Perguntei para ninguém porque estava sozinha e cruzei os braços. O internato onde fui deixada era a nova escola de Thalia e Annabeth, ficava bem perto do Acampamento porque, como disse Quiron, seria mais fácil para ele ajudá-las caso se metessem em encrenca. Ele perguntou se eu queria estudar lá também, mas antes mesmo que eu respondesse ele falou que iria tentar achar uma escola de artes para me matricular. Quiron é um anjo. Ah e acabei descobrindo que o lance que ele tinha pra fazer em Los Angeles tinha haver com a minha antiga escola: O Brunchway, ele foi garantir que eu não reprovasse e pudesse seguir o ano em outro lugar. O QUIRON É UM ANJO!.

Depois de esperar por um tempo elas FINALMENTE saíram carregando sacos de viagem. Annabeth Chase filha de Atena e Thalia Grace filha de Zeus. 

- Estão atrasadas_ andei até elas com as mãos na cintura e minha melhor cara de brava, Anne olhou para mim surpresa, mas logo sorriu. 

- Ray!_ Ela me abraçou animada, Annabeth não havia mudado muito, mas estava mais alta que da última vez que a vi, bem mais alta... Quer dizer ela sempre foi mais alta que eu, mas agora estava ainda mais!

- Feliz em me ver? Eu sei que está_ comentei sorrindo, ela revirou os olhos. 

- Não tô mais. 

- Quiron não avisou que você vinha_ Thalia falou, aquela sim havia mudado muito, lembro dela desde que era um pinheiro. 

- Surpresa!_ levantei as mãos e balancei, Thalia revirou os olhos, mas diferentemente de Annabeth não foi de brincadeira... Nós não havíamos nos dado muito bem e não posso dizer que me esforcei para mudar aquilo. 

- Então... Que tal irmos para... Onde vamos?_ perguntei para Annabeth. Quiron falou que eu tinha que ir para um tal de Westover Hall, mas não explicou como... Até porque eu achei que Argos fosse me levar e não perguntei. 

- Oh... Ah sim, na verdade nós vamos esperar aqui mesmo. 

Inclinei a cabeça em dúvida.

- Aqui? E como vamos chegar lá? Vamos nos teletransportar? Ia ser irado. 

- A senhora Jackson vem nos buscar. 

Fiquei ainda mais confusa. Então a mãe do Percy ia nos levar até os semideuses e o Grover?.

- Eu tô muito perdida_ Murmurei_ Mas que seja... Tomara que ela não demore, estou ficando com frio_ apertei meus braços envolta de mim. Não imaginei que fosse ver a Senhora Jackson tão cedo, mas ao menos vou poder entregar o livro. 

- A propósito, gostei do corte de cabelo_ Annabeth comentou, respirei fundo. Claro que todo mundo vai notar, meu cabelo era tão grande, tão bonito agora está essa titica de galinha. 

- Eu não queria cortar ele... Foi uma loucura momentânea_ cruzei os braços.

- E essas mechas?_ ela perguntou, olhei para ela e ri. Tinha me esquecido, Quiron falou que nenhum deles sabia o que tinha acontecido comigo, confesso que me senti aliviada porque eu havia pensado que eles não estavam nem aí pra mim. 

- É uma longa história... Mas eu não pintei e isso nunca vai sair. 

- Não entendi. 

- E essas bandagens?_ Foi a vez de Thalia perguntar, automaticamente toquei meu pescoço. 

- Ah... Sim, isso faz parte da longa história_ tentei dar um sorriso indiferente, mas não consegui então limpei a garganta e encarei o chão. 

- Ray..._ Annabeth começou com um tom preocupado_ O que aconteceu? 

Olhei para ela e depois para Thalia, não sabia como contar, até eu me confundia com os detalhes e estava cansada de repetir a história porque de certa forma me fazia lembrar o que eu tinha perdido... Mas era a Anne e ela parecia preocupada, eu tinha que contar.

- Eu ér..._ Fui salva por um carro que parou bem na nossa frente. O que pena, minha história foi interrompida.

Sally Jackson acenou para a gente com um sorriso gentil enquanto Percy nos olhou parecendo perdido. É um olhar característico do menino peixe. 

Entrei no carro deixando escapar um suspiro aliviado, esfreguei as mãos antes de dizer. 

- Obrigada pela carona, Sra. Jackson_ ela sorriu. 

- Muito obrigada mesmo e desculpe e incômodo_ Annabeth falou 

- Sem problemas, meninas, isso é o mínimo que posso fazer_ Ela falou como se realmente quisesse fazer mais que apenas ser nossa motorista. A Sra. Jackson era extremamente simpática e legal, nunca tive a oportunidade de falar com ela até porque na primeira vez que a vi ela estava congelada num tipo de chuva de ouro no palácio do meu pai. 

- Hmm, deixe-me ver... Annabeth, Thalia e Rayleen_ nós três balançamos a cabeça concordando em perfeita sincronia. 

- É um prazer Senhora Jackson_ Thalia falou_ E obrigada... De novo. 

Sally riu, esse foi um dos poucos momentos em que houve o mínimo de conversa, todos nós não nos víamos há um tempo e estavamos agora juntos de novo numa missão, o nervosismo daquilo nos impedia de pensar em conversar, eram oito horas de carro de Nova York até Bar Harbor e se não fosse pela Senhora Jackson morreriamos vítimas do silêncio constrangedor. 

- Então, Rayleen como esta a Rose? Não tenho ouvido falar dela_ Sally começou e eu engoli em seco._ Ele nunca chegou a ir na universidade.

Abri a boca para falar mas o único som que saia era: "Aah... Ér... Ar... Ergh."

Balancei a cabeça e respirei fundo, eu sabia que uma hora ou outra a senhora Jackson ia perguntar, ela era amiga da minha mãe afinal, mordi o lábio lembrando dela em sua mansão chique sorrindo e me mostrando o lugar queria que aquela memória prevalecesse, mas ela parecia apenas um sonho e toda vez que alguém falava o nome da minha mãe a única coisa que eu via era ela morrendo. 

- A minha mãe... Ela... Ela morreu a uns seis meses_ falei olhando para as minhas mãos sobre meu colo. O silêncio constrangedor logo voltou a reinar no carro. 

- Ray..._ Annabeth falou ao meu lado e colocou a mão no meu ombro. 

- É... Esse também é outro detalhe presente naquela longa história_ Falei dando um sorriso triste.

- Que longa história?_ Percy perguntou parecendo preocupado_ Ray o que aconteceu? 

- Muita coisa... Mas eu meio que estive fora a maior parte do tempo_ Murmurei. Seis meses para ser mais exata. 

- Eu sinto muito, deuses... Rose eu... Eu sinto tanto, não sabia que..._ A senhora Jackson se embolava nas palavras, estava perdida entre o embaraço e a tristeza.

- Ah não... Ela tá bem agora... Quer dizer não bem, bem... Mas tranquila... Ela tem uma mansão e tudo mais_ falei rápido. 

- O que?_ Thalia me olhou confusa, mas logo pareceu entender_ Ela está no Elísio?! 

Balancei a cabeça concordando. 

- Espera, como você sabe que ela foi para o Elísio e que tem uma mansão lá?_ Percy perguntou sem entender nada.

- Eu fui lá... Queria trazê-la de volta, mas... Não pude... Ao menos ela tem um lugar legal_ senti um nó na garganta... Eu ainda estava tentando aceitar aquilo, mas ainda parecia injusto. 

- Você foi para o mundo inferior?_ Annabeth perguntou. 

- Sim. 

- Tudo isso aconteceu com você nesses últimos meses? 

- Última semana, na verdade... Isso tá parecendo uma entrevista! 

- Estamos preocupados! Ninguém nos avisou nada, é estranho pensar que enquanto eu tinha aula de matemática você estava caminhando pelo reino dos mortos!_ Percy falou me fazendo dar uma gargalhada. 

- Tá tudo bem agora... Eu acho, prometo que contarei os detalhes depois é só que..._  olhei para fora vendo uma fina camada de neve cobrindo a estrada._ Acho que ainda preciso processar tudo o que aconteceu. 

- Realmente sinto muito, Ray_ A senhora Jackson falou com um olhar triste. 

E mais uma vez ficou aquele belíssimo silêncio constrangedor e tenso, agora super carregado do drama do que eu havia acabado de soltar. Graças aos céus que logo a Sra. Jackson voltou a conversar, dessa vez contando as histórias embaraçosas do Percy, de quando ele era um bebê. 

- Quando ele tinha pouco mais de um ano tinha esse negócio que fazia com a água, toda vez que eu o colocava na banheira a água se espalhava por todo lugar e não encostava nele_ Ela falou e começou a rir._ Era como um Mini-Moisés. 

Percy afundou no banco da frente enquanto eu, Thalia e Annabeth nos acabávamos de dar risadas. PERCY MINI-MOISÉS! 

- Aí minha barriga_ Falei entre as risadas. 

- Mini-Moisés!_ Thalia repetiu se acabando de rir ao meu lado.

- Chegamos!_ Percy anunciou mais alto que o necessário. O tempo passou tão rápido que nem percebi que já estava escurecendo. 

Thalia limpou o embaçamento da janela e olhou para fora.

- Ah sim, isso vai ser divertido. 

Enquanto os outros três saiam do carro eu fuçava minha mochila, até ser a única dentro do veículo com a senhora Jackson. Finalmente encontrei o livro e sorri olhando para a capa. 

- Senhora Jackson_ Chamei, ela olhou para trás preocupada. 

- Sim? 

- Aqui... Minha mãe queria que eu te entregasse isso_ estendi o livro e ela o pegou delicadamente.

- Isso é... 

Balancei a cabeça concordando.

- A primeira cópia do último livro dela_ senti novamente o nó na garganta._ Ela estava feliz de finalmente encontrar alguém que a entendia... Era meio bobo... Mas obrigada de qualquer jeito. 

- Eu que deveria agradecer..._ Ela falou ainda olhando para o livro, parecia admirada_ Sua mãe foi uma pessoa incrível. 

- É..._ me preparei para sair do carro.

- Ray.

- Sim?

- Se precisar de qualquer coisa pode falar comigo_ ela me deu um sorriso gentil e eu me surpreendi com o quanto aquele sorriso parecia com o do Percy. 

- Obrigada, Senhora Jackson. 

Sai do carro limpando as lágrimas acumuladas no canto dos olhos e logo me arrependi de ter deixado aquele lugar quentinho, estava terrivelmente frio do lado de fora. 

Olhei para a construção a nossa frente e quis desistir, Westover Hall parecia o castelo de um Lorde Demônio. Era todo de pedras pretas com torres e janelas em fenda, e um grande conjunto de portas duplas de madeira. Ficava sobre um penhasco nevado que era até bonito, de um lado uma floresta e do outro o oceano. Eca, água... Odeio o Oceano.

- Vai ser muito divertido_ Murmurei fazendo careta. 

- Vocês tem certeza que não querem que eu espere?_ A Sra. Jackson perguntou. 

- Não, mãe, obrigado_ Percy disse_ Não sei quanto tempo vai levar. Vai dar tudo certo. 

- Mas como vocês vão voltar? Estou preocupada, Percy. 

Vi as bochechas do Fishman ficarem vermelhas e tive que conter minha risada. 

- Está tudo bem, Senhora Jackson._ Annabeth deu um sorriso tranquilizador_ Nós vamos mantê-lo longe de encrencas. 

A mãe do Percy pareceu relaxar um pouco. Annabeth a tranquilizadora de mães! 

- Está bem, Queridos._ Ela falou_ Vocês têm tudo que precisam?

- Sim, Senhora Jackson_ Disse Thalia_ Obrigada novamente pela carona. 

- Pulôvers de reserva? Vocês tem o número do meu celular? 

- Mãe...

- A sua ambrósia e seu néctar, Percy? E um dracma de ouro para o caso de você precisar entrar em contato com o acampamento? 

- Mãe, é sério! Tudo vai dar certo. Vamos, meninas! 

Percy andou na frente, a mãe dele pareceu um pouco magoada. Eu entendia a preocupação dela, estávamos indo para outra possível missão perigosa. 

- Eu tenho um dracma_ Falei antes de seguir os outros_ Se qualquer coisa acontecer vou chamar o reforço do Quiron rapidinho... Vamos manter o Percy seguro_ completei sorrindo. 

- Oh Ray... Muito obrigada_ Ela respirou fundo ainda parecendo muito preocupada_ Por favor tomem muito cuidado.

Concordei com a cabeça e corri até acompanhar os três. Cruzei os braços enfiando as mãos dentro das mangas da Parka para tentar me esquentar, o vento soprou gelado que só a Frozen me fazendo tremer de frio. 

- Sua mãe é demais, Percy._ Thalia falou assim que o carro da Senhora Jackson sumiu de vista. 

- Ela é bem legal._ O Fishman respondeu_ Mas e você? As vezes entra em contato com a sua mãe? 

Temi pelo Percy assim que ele terminou a pergunta, Thalia lançou para ele um olhar maligno de "Vou arrancar seu fígado com um palito de dente." Olhar esse que ela era perita em fazer.

- Como se isso fosse da sua conta, Percy... 

- É melhor a gente entrar_ Annabeth interrompeu antes da 3° guerra mundial começar_ Grover deve estar esperando. 

Thalia olhou para o castelo e estremeceu. 

- Você tem razão. Só queria saber o que ele encontrou aqui que o fez mandar um S.O.S

Senti um calafrio e aquela familiar sensação ruim que sempre sinto quando tem um monstro por perto. Seja lá o que assustou o Grover era um bicho forte o suficiente pra espalhar sua essência maligna por todo o castelo, e com certeza já estava lá dentro. 

- Nada de bom_ Percy murmurou.

- Eu tô com fome_ Soltei e todos me encararam com expressões que não pude decifrar. Podiam estar querendo rir ou querendo me matar. 

- Sério? É isso que você tem pra dizer?_ Thalia perguntou me encarando com seu olhar maligno. Ainda era estranho olhar diretamente pra ela, quer dizer eu literalmente vi ela "morrer"

- Eu só tô dizendo o que tô sentindo. 

- Você tem o dom de falar coisas estranhas em momentos inapropriados_ Annabeth comentou. 

- Você tem problemas_ Percy falou e eu revirei os olhos_ Se a gente fosse atacado assim que entrássemos, gostaria mesmo que essas fossem suas últimas palavras? 

Fomos andando até a entrada.

- Claro que não... Ainda vou falar muito besteira antes de morrer. Mas se bem que seria engraçado se estivesse escrito na minha lápide "Morreu com fome"_ comecei a rir. Quando estou nervosa eu faço isso, falo coisas sem sentindo e começo a rir... Não me julgue!

- Você é ridícula. 

- E você é lerdo. 

- Lerdeza é surportavel, agora ser ridícula não, sua ridícula_ Semicerrei os olhos. Essa frase é minha!.

- É suportável quando não é você, lerdo. 

Coloquei toda a minha força para empurrar aquela porta de carvalho enquanto o Fishman empurrava a outra, e então graças aos nossos esforços, as portas se abriram com um rangido digno de filme de terror. Annabeth e Thalia entraram primeiro, numa boa como se fossem as donas do lugar. EMPURRAR A PORTA AS BONITAS NÃO QUISERAM.

Entrei tropeçando na neve quase caindo de cara no chão. MINHAS BOTAS NÃO SÃO FEITAS PARA ANDAR NA NEVE!!. 

Me recompus e varri o lugar com os olhos. 

- Uau!_ deixei escapar em admiração. O lugar era enoooooorme. As paredes completamente forradas de estandartes de batalha e armas a exposição: Rifles antigos, machados de guerra, espadas e mais um monte de outras coisas. Quiron falou que era um colégio militar, mas aquela decoração era extremamente exagerada. Passei o dedo pelo meu anel mágico barra espada, a sensação de "monstro-por-perto" estava bem mais forte dentro do castelo. 

- Queria saber onde..._ Annabeth foi interrompida pelas portas que se fecharam violentamente me fazendo dar um pulo de susto. 

- Ooops_ Percy murmurou_ Acho que vamos ficar mais um pouco.

- Se essas portas se mexem sozinhas porque tivemos que empurrar para entrar?!_ falei indignada. Olhe, isso é uma sacanagem. 

- Vocês tão ouvindo isso?_ Thalia perguntou, ficamos em silêncio para escutar logo deu para ouvir música ecoando do outro lado do saguão. Ew Dance music. 

Deixamos nossas coisas atrás de um pilar, coisa que eu não queria fazer porque sabia que ia precisar do meu arco... Falando nele, eu percebi que quando eu prendo ele na mochila ele meio que diminui de tamanho, bacana não?. Aaaah sim, voltando: depois de deixar nossas sacolas (no meu caso mochila) começamos a atravessar o saguão. Não andamos muito até que ouvi passos no piso do chão de pedra e então um homem e uma mulher surgiram do nada bloqueando nosso caminho. 

Os dois tinham cabelos grisalhos e curtos e uniforme preto em estilo militar com debruns vermelhos. O engraçado era que a mulher que tinha bigode e o homem tinha a cara bem lisinha, caminhavam como se tivessem um cabo de vassoura nas costas. Eu achei os dois engraçados, mas a graça logo acabou quando olhei para o homem, primeiro que algo nele parecia familiar, segundo que eu sentia a sensação ruim exalar dele... Ele era o monstro... Quer dizer, os dois podiam ser monstros, mas eu não tinha certeza quanto a mulher já o cara. 

- E então?_ A mulher perguntou_ O que estão fazendo aqui? 

Eita peste, por essa eu não esperava... Não tinha realmente pensado que ia precisar passar por uma entrevista, o que era óbvio até porque é normal que perguntem o que quatro crianças desconhecidas estão fazendo no internato a noite. 

- Bem... Nós só..._ Comecei, mas não sabia como completar_ Nós íamos..._ olhei para meu grupo pedindo ajuda com o olhar.

- Madame nós só estamos..._ Percy começou, mas o homem o interrompeu.

- Ah!_ O cara disparou do nada o que me fez dar um pulo._ Não são permitidos visitantes no baile. Vocês vão ser ecs-pulsos! 

Senti meu coração acelerar em meu peito, minha boca ficou seca e minhas pernas tremeram. Era o mesmo sotaque francês estúpido daquele dia no penhasco, foi ele o monstro que me atacou, não lembrava da aparência dele porque eu não havia visto direito, mas a voz... A voz era sem dúvidas a mesma. Ele olhou para mim e sorriu, parecendo me reconhecer, seus olhos eram de duas cores um castanho e o outro azul, e a coisa que eu mais queria naquele momento era enfiar a minha espada bem no meio dos dois.

Fechei meu punho com força o sentindo tremer, mas antes que eu pudesse fazer alguma loucura Thalia deu um passo a frente e estalou os dedos, o som foi nítido e forte, logo depois disso uma lufada de vento se propagando da mão dela por todo o salão. O vento passou por nós e fez até os estandartes na parede balançarem. Que viagem é essa? 

- Ah! Mas nós não somos visitantes, senhor_ Thalia disse_ Estudamos aqui. O senhor lembra: Eu sou Thalia. E estes são Annabeth, Percy e Rayleen. Estamos na oitava série. 

O monstro francês estreitou os olhos, não sei o que Thalia fez, mas seja o que for não o afetou, mesmo assim ele parecia estar entrando no jogo. Ele pareceu hesitar e olhou para a mulher ao seu lado. 

- Senhora Tengiz, conhece estes alunos?_ Tive que colocar a mão sobre a boca para abafar a risada. Eu sei, era um momento tenso e eu devia estar apavorada e com raiva, mas qual é! O nome da professora é Tem Giz! 

A mulher piscou, como se tivesse acordado de um transe... O negócio que Thalia fez funcionou nela, ou seja, é mortal.

- Eu... Sim. Acho que sim, senhor._ Ela nos olhou carrancuda_ Annabeth. Rayleen. Thalia. Percy. O que estão fazendo fora do ginásio? 

Antes mesmo que pudéssemos pensar em responder, Grover apareceu correndo sem fôlego. 

- Vocês conseguiram! Vocês...

- O que é isso, Senhor Underwood?_ O francês estúpido falou, seu tom deixando óbvio que não ia com a cara do Grover_ O que significa "conseguiram chegar"? Estes alunos moram aqui. 

Quem esse estúpido pensa que está enganando?. Grover engoliu em seco.

- Sim, senhor. É claro Dr. Streppe. Eu só queria dizer que estou muito contente porque eles conseguiram... Fazer o ponche para o baile! O ponche está uma delícia. E foram eles que fizeram!

O Dr. Streppe nos fulminou com o olhar, mas fez questão de parar seu olhar em mim por segundos a mais. Monstro estúpido, fedorento, horrível. 

- Sim, o ponche está excelente!_ A senhora Tengiz falou com um ar sonhador_ Agora vão andando, todos vocês. E não saiam do ginásio de novo! 

Cruzei os braços enquanto Grover, Anne, Percy e Thalia batiam várias continências e repetiam "Sim, senhor" e  "Sim, senhora" 

- Onde está seu respeito aos superiores, Rayleen?_ O Dr. Streppe perguntou e sua voz fez meus ouvidos doerem.

- Ele se afogou_ respondi seguindo os outros com passos pesados. 

- O que foi aquilo?_ Annabeth perguntou quando me aproximei. 

- Nada_ Balancei a cabeça tentando conter minha vontade de voltar lá e encher a cara do Dr. Streppe de tapa.

Grover nos empurrou corredor abaixo na direção da música, no meio do caminho vários professores nos olharam confusos. 

- Como você fez aquela coisa de estalar os dedos?_ Ouvi Percy perguntar.

- Você quer dizer controlar a névoa? Quiron ainda não mostrou a você como fazer isso? 

Então isso é controlar a névoa? Eu consegui fazer àquilo uma vez, mas foi diferente do jeito de Thalia... E não foi graças ao Quiron porque ele nunca me falou sobre isso, mas sim ao Ulisses... Que é o fantasma do garoto do ponto de ônibus. 

- Isso foi legal_ Murmurei_ Eu não conseguir manipular a névoa pra mostrar o que eu quero, o máximo que cheguei a fazer foi dispersá-la. 

- É mais fácil do que você pensa_ Thalia respondeu_ Só precisa focar em fazê-la criar a imagem que você descreve... Mas se você consegue dispersar ela, já é um começo. 

- Quiron também te ensinou a fazer isso?_ Percy perguntou, ele parecia um pouco magoado e eu compreendo. Eu também fiquei um pouco incomodada de saber que Quiron ensinou um truque desse para Thalia e não para mim. Poxa homem-cavalo, tu tinha que me mostrar como fazer esses truques maneiros!.

- Ah não... Eu aprendi... Sozinha? Sim, sim, sozinha... Verão passado quando ainda estávamos no mar de monstros_ respondi ocultando a parte principal "Meu amigo que não é humano e só eu posso ver e ouvir me ajudou." 

- Como? 

- Eu te ensino depois. 

Grover nos levou até uma porta onde provavelmente estava escrito "GINÁSIO" no vidro, mas eu não posso afirmar com toda a certeza, sou disléxica e não consegui ler. 

- Essa foi por pouco_ Grover falou_ Graças aos deuses vocês chegaram! 

Annabeth e Thalia abraçaram o Grovie e ele e Percy deram um High-five. Então o homem bode olhou para mim com um olhar super preocupado e jogou seus braços ao meu redor num abraço doloroso. 

- Ainda bem que você está aqui!_ Falou me apertando_ Ouvi rumores de outros sátiros e fiquei tão preocupado, graças aos céus eram só rumores.

- É... Rumores_ Dei uma risada sem graça. Como assim a história se espalhou entre os sátiros? 

- Rumores? Que rumores?_ Annabeth perguntou.

- Histórias de que a Ray tinha...

- Longa história!_ levantei os braços pra chamar atenção_ Não estamos aqui para isso, temos trabalho a fazer. 

Os quatro me olharam desconfiados, e eu sorri inocentemente. 

- Então, qual a emergência?_ O Fishman perguntou. 

Grover respirou fundo, agora que ele não estava grudado em mim pude perceber como ele havia mudado pouco. Estava mais alto e mais alguns fios de barba haviam nascido, fora isso era o mesmo Grover de sempre.  Usando um boné vermelho sobre o cabelo castanho encaracolado para esconder seus chifres de bode, jeans folgados e pés falsos para esconder sua bunda de bode e seus cascos e uma camiseta preta com algo escrito... Levei um tempo para ler, mas acho que tava escrito: WESTOVER HALL: PRAÇA... Espero que seja praça de alimentação porque estou com fome. 

- Eu encontrei dois_ ele falou nervoso. 

- Dois meio-sangues?_ Thalia perguntou surpresa. Acho que eles não sabiam desse detalhe_ Aqui?

- Um irmão e uma irmã_ Explicou_ Têm dez e doze anos. Não sei quem são seus pais, mas são fortes. E nosso tempo está acabando. Eu preciso de ajuda. 

- Monstros? 

- Um_ Senti meu sangue ferver de ódio_ Ele suspeita. Não acredito que já tenha certeza, mas é o último dia do ano letivo. Estou certo de que não permitirá que eles deixem a escola antes de descobrir. Pode ser nossa última chance! Cada vez que tento chegar perto deles o monstro está sempre lá, me impedindo. Não sei o que fazer!._ Grover olhou desesperado para Thalia , fechei o punho com força. 

- Se ele te impede de chegar perto deles, provavelmente já tem certeza de quem são_ Engoli em seco, o que significa que quem está atrás desses dois é Cronos... Mas porque?_ Ele provavelmente tá montando uma operação, chamando reforços pra tirar eles daqui. 

Os quatro me olharam confusos. 

- E como você sabe? 

- Eu já vi o monstro, ele é um velho amigo meu_ falei com um sorriso maldoso, meus punhos fechados tremendo. 

- Isso só melhora_ Thalia suspirou_ Esses meio-sangues estão no baile? 

Grover assentiu. 

- Então vamos dançar_ Disse_ Quem é o monstro? 

- Ah!_ Grover olhou envolta nervoso_ Você acabou de conhecê-lo._ o olhar do menino bode parou em mim e eu abri a porta que dava para o ginásio. 

- É o Dr. Streppe_ falei com raiva.

Olhei horrorizada para aquela cena na minha frente, bailes de escola são normalmente estranhos, mas bailes de colégios militares são umas dez vezes mais. Tinham balões pretos e vermelhos espalhados por todo o chão, alguns meninos chutavam eles nas caras dos amiguinhos e os outros os enforcavam com as correntes de papel crepom grudadas nas paredes. Garotos são tão estranhos. As meninas andavam de lá pra cá em bandos usando um monte de maquiagem e roupas chamativas, vez ou outra cercavam um pobre coitado como um cardume de peixe, dando gritinhos e risadinhas, quando se afastavam o garoto estava com fitas no cabelo e riscos de batom na cara. Garotas são tão estranhas, adolescentes normais são tão estranhos!. Os caras mais velhos ficavam afastados encostados na parede parecendo desconfortáveis e tentando se esconder. Bem anti-sociais, parecem o nosso grupinho. 

- Lá estão eles!_ Grover acenou com a cabeça para duas crianças mais novas discutindo nas arquibancadas._ Bianca e Nico Di Angelo. 

A garota tava usando um gorro verde e bem frouxo, como se estivesse tentando esconder o rosto. O menino, com certeza seu irmão mais novo, parecia muito com ela, ambos tinham cabelos pretos e pele morena. O garotinho parecia estar embaralhando umas figurinhas e a menina provavelmente estava o repreendendo, olhava para todo lado de maneira bem desconfiada. 

- Eles já... Quer dizer, você já contou a eles?_ Annabeth perguntou e Grover sacudiu a cabeça negando.

- Você sabe como é. Isso poderia deixá-los ainda mais em perigo. Depois que se dão conta de quem são seu cheiro fica mais forte. 

É, Grover tem razão, esse negócio de cheiro de meio-sangue é complicado e já me botou em muita enrascada. 

- Então tá... Vamos lá pegá-los._ Falei, mas assim que dei um passo a frente Thalia colocou a mão no meu ombro me parando. O monstro estúpido, Dr. Streppe, se esgueirara como o rato sujo que é por uma porta ao lado da arquibancada e estava bem perto dos irmãos Di Angelo. Ele acenou com a cabeça em nossa direção e eu senti meu sangue voltar a ferver, finquei as unhas na palma da minha mão e continuei encarando ele, sem nem ao menos notar que estava fazendo aquilo.

Agora a sombra embaçada das minhas lembranças ganhava forma e eu só conseguia pensar nele rindo enquanto minha mãe morria, nos espinhos estranhos que jogou em mim e dele falando no telefone antes de me fazer despencar daquele penhasco.

- Ray?_ ouvi alguém me chamar, mas a voz parecia longe...  Naquele momento era como se só eu e o Dr. Streppe estivéssemos no ginásio. Estava com tanta raiva que só queria correr até lá e enfiar a espada bem na testa dele.

- Ray!_ Thalia sacudiu meu ombro com força e o Percy foi empurrado para a minha frente bloqueando minha visão. 

- Você tá bem?_ o Fishman perguntou confuso. 

- Sim_ respondi ainda apertando a minha mão, minha palma já estava começando a doer a sensação de que minhas unhas já tinham perfurado a carne.

- Será que dá pra se acalmar antes que você estrague tudo?_ Thalia perguntou e eu finalmente sai do meu transe e a encarei.

- Eu tô calma! 

- Não você não tá!_ Ela vociferou brava. Não entendi o que deu nela pra ficar daquele jeito, eu nem fiz nada ainda!_ Você tem que parar ou eles vão enlouquecer! 

Pisquei confusa. 

- Hã.

- Ray, olhe ao redor_ O Fishman pediu e assim eu fiz. 

O ginásio estava mais frio que do lado de fora, a música ainda estava rolando, mas ninguém dançava todos tinham olhares horrorizados como se estivessem presos em um pesadelo, alguns se abraçavam, outros tinham as mãos sobre os ouvidos, outros estavam sentando no chão com o rosto enterrados nos joelhos. Eu fiz isso?. Olhei para Grover e Annabeth do nosso lado e os dois pareciam querer gritar, com as mãos sobre os ouvidos e olhos arregalados.

- E-eu não..._ olhei assustada para Percy e Thalia. Eu não queria fazer isso. Foi a mesma coisa que aconteceu no Carson e no Acampamento, mas agora parecia pior, parecia mais forte. 

- Tá tudo bem, você só se descontrolou_ Jackson colocou a mão no meu ombro_ Só se acalma, respira fundo. 

Fechei os olhos e fiz do jeito que ele pediu, aos poucos a temperatura da sala foi voltando ao normal até que os olhares horrorizados foram substituídos por olhares confusos. 

- Di immortales!_ Annabeth praguejou_ O que foi isso? 

- Desculpa._ não consegui olhar para ninguém então apenas encarei meus pés. 

- Essa coisa que você fez... Eu só senti algo assim uma vez._ Thalia me lançou aquele olhar maligno, ela não falou onde sentiu e nem precisou, pelo olhar irritado e triste dela eu sabia que ele estava se referindo ao dia em que foi atacada e morta na colina meio-sangue. 

- Ray... Isso foi muito assustador_ Grover comentou_ Esse medo, esse ódio... Eram seus... O que o Dr. Streppe fez a você?.

Olhei surpresa para o Grover e depois abaixei o olhar novamente, agora sim eu tinha que responder, depois do que fiz eles passarem agora a pouco explicar o porquê era o mínimo que eu podia fazer. 

- Está tudo bem, nada aconteceu_ Thalia murmurou ao vento e estalou os dedos mais uma vez, manipulando a névoa para todos se acalmarem. Logo todo mundo voltou a festejar como se nada tivesse acontecido. 

- O Dr. Streppe ele..._ olhei para ele do outro lado da sala e o vi com um tipo de sorriso macabro_ Ele veio atrás de mim a mando de Cronos... Por causa dele eu fiquei presa na..._ engoli em seco._ Na prisão de Oceanos. 

Os quatros me olharam espantados, e eu cocei a nuca. 

- Ray eu..._ Annabeth começou. 

- Não precisa falar nada... Isso aqui não é sobre mim temos que dar um jeito de ajudar aquelas crianças.

- Mas... Então não eram rumores_ Grover comentou_ Deuses, Ray! Sinto muito! Se eu soubesse que era verdade eu... Eu...

- Gente... Por favor, agora não.

- Como assim, você tava na prisão de Oceanos e ninguém nos falou? Eu... Porque? Não mereciamos saber? Caramba! Eu fui ao mar várias vezes e ninguém nunca me falou, nenhuma criatura!._ Percy falou super irritado e sim, ele pode falar com criaturas marinhas tipo uma princesa, ele é a Ariel. 

- A prisão de Oceanos não é assim, Percy_ Annabeth explicou_ É um lugar no Atlântico completamente dominado pelo Titã. 

- Os deuses não tem poder lá_ Murmurei_ Mas já passou... Podemos discutir isso depois, agora vamos por favor focar em tirar aqueles semideuses daqui? 

- Ray está certa_ Thalia falou_ Agora temos que... Não, não olhem para os irmãos! Temos de esperar uma oportunidade de chegar até eles. Precisamos fingir que não estamos interessados neles. Despistá-los. 

- Como? 

- Somos quatro meio-sangues poderosos. Nossa presença deve confundi-lo e com sorte, depois dessa demonstração da Ray, ele deve pensar que ela está aqui por causa de uma vingança pessoal ou algo assim. _ Thalia explicou. Meu deslize ajudou? Claro que ajudou, era meu plano o tempo todo_ Misturem-se. Ajam naturalmente. Dancem um pouco. Mas fiquem de olho naquelas crianças. 

Ué, ela acabou de dizer pra não olharmos pra eles.

- Dançar?_ Annabeth perguntou.

Thalia fez que sim, prestou atenção na música e fez careta. 

- Eca. Quem escolheu Jesse McCartney? 

- Eu!_ Grover pareceu ofendido.

-  Ah, meus deuses, Grover! Isso é tão careta. Não dá pra tocar Green Day ou coisa assim? 

- Green o quê? 

- Nada não. Vamos dançar.

- Mas eu não sei dançar! 

- Você consegue se eu conduzir_ Thalia falou_ Vamos garoto-bode. 

Thalia agarrou a mão do Grover e se preparou para sair, mas logo se virou para nós.

- Vocês também! Vão pra pista de dança. 

- Sinto muito, só danço Michael Jackson nas quartas feiras e de pijamas_ cruzei os braços. Nem lascando que eu vou dançar com um desses desconhecidos! 

- Não me faça arrastar você até aquela pista. 

- Você não manda em mim! 

- Se eu não ver vocês dançando vou assá-los no espeto!_ deu um último aviso e saiu puxando o Grover até a pista de dança. 

Annabeth sorriu.

- O quê?_ Percy perguntou.

- Nada. É bom ter Thalia de volta. 

Ia comentar algo, mas antes mesmo de abrir a boca fui interrompida por um dos garotos mais velhos que se aproximou timidamente de Annabeth. O QUÊ? 

- Ér... Ahn... Eu nunca te vi aqui antes e... Eu te achei muito bonita_ Ele falou suas bochechas coradas_ Eu sou o Andrew... Quer dançar?

Minha boca se abriu num "O" olhei para o Percy que também estava "O" e para Annabeth que assim como nos dois estava "O". 
O menino era sim bonito, alto, moreno parecia o Naveen de A princesa e o Sapo. 

- Ah... Ér..._ Annabeth olhou para nós parecendo nervosa, fiz joinha com as duas mãos sem perder minha expressão surpresa. Ela revirou os olhos e sorriu. 

- Sim, eu quero dançar_ O menino suspirou e pegou timidamente a mão de Anne. 

- A propósito, me chamo Annabeth e a primeira coisa que tem que saber sobre mim é: Se pisar no meu pé, eu te mato!_ o menino deu uma risada e respondeu algo que eu não ouvi. O mais assustador daquilo era que ela tava falando a verdade. 

Assim que eles começaram a dançar eu me virei e dei um tapão no braço do Fishman.

- Aí! Pra quê isso? 

- Você não chamou ela pra dançar aí o menino bonito veio e roubou ela! 

- Eu... Ahn... Cala a boca!_ Ele cruzou os braços emburrado, suas bochechas bem vermelhas. 

- Você é lerdo! 

- Ei!_ Thalia gritou para nós. Estava dançando lentamente com o Grover, que ficava tropeçando nas próprias pernas, chutando-a nas canelas. Aquela cena me fez rir e muito.

- Dancem vocês também_ A cabeça de pinha ordenou_ Parecem bobos aí parados. 

Percy olhou nervosamente para mim e depois para o outro lado do salão.

- A gente tem que dançar também?_ Perguntei já sentindo minhas bochechas esquentarem, cruzei os braços mexendo o pé me sentindo um tanto desconfortável. 

- Acho que sim_ Jackson murmurou e eu mordi o lábio desviando o olhar._ Ahn, quem eu devo tirar pra dançar? 

Olhei para ele com raiva. Mas que imundo! 

- Eu não sei, isso é problema seu!_ Falei mais irritada do que pensei que soaria. Me virei de costas para ele e fui na direção da pista sozinha, mas parei assim que vi alguém me observando. Era um dos meninos mais velhos e ele parecia estranhamente familiar, muito familiar. Não era nada discreto quando me pegou olhando de volta para ele sorriu e acenou, olhei para trás e para os lados para ter certeza que realmente acenava para mim. Franzi as sobrancelhas, eu conhecia aquele menino... Ele se desencostou da parede e veio caminhando até mim. 

- Vamos dançar!_ Percy agarrou a minha mão DO NADA e me puxou para a pista de dança. PRECISAVA SER JUSTO AGORA? 

- O que foi? As outras meninas já te deram o fora?_ perguntei com um sorriso maldoso. 

Ele abriu a boca para responder, mas assim que seus olhos encontraram os meus ele desviou o olhar com as bochechas vermelhas. Ainda sem falar nada colocou a mão na minha cintura com muito cuidado e quase pulou de susto quando segurei sua outra mão. 

- Calma, tigre!_ Falei dando uma risada_ Não vou te dar um golpe de judô ou coisa assim... Se bem que seria legal. 

- Não seria! 

- Fishman, relaxa!_ a pobre criatura se movia como um robô, a música que tava tocando era lenta, mas não tão lenta quanto o Percy_ É fácil, é só ficar girando igual todo mundo tá fazendo. 

- Não é tão fácil, e se eu por acaso pisar no seu pé? 

- Aí eu piso no seu e isso vai acabar se tornando aquele brincadeira do pisão... Nem sei se o nome é esse._ Jackson riu parecendo se acalmar um pouco, ele até que não dançava tão mal, mas claro que eu é que estava conduzindo... Até que tava sendo divertido. 

- Como foi lá?_ ele perguntou tão baixo que tive que me aproximar mais um pouco pra escutar._ Na prisão de Oceanos. 

Olhei para ele vendo que dessa vez não evitava meu olhar, o Fishman parecia preocupado e culpado.

- Eu não sei_ respondi rindo_ Eu me afoguei. 

Seus olhos se arregalaram. 

- C-como? 

- Assim quando água entra pelo seu nariz e...

- Isso eu sei!... Como você se afogou e ainda está aqui? 

- Era pra eu ter morrido de vez? 

- Não, não foi isso que eu quis dizer! Estou feliz que você esteja aqui_ Achei que fosse impossível suas bochechas ficarem mais vermelhas, mas ficaram._ É só que eu não entendo como você ainda está...

- Eu também não, mas era uma prisão... E eles me queriam por um motivo, não ia fazer sentido se me matassem.

Ele ficou em silêncio até que ergueu a mão e tocou em uma mecha do meu cabelo. 

- Eu sinto muito... Mas porque Quiron não me contou? Eu podia ter ajudado! Eles não pensaram que a melhor opção pra uma busca no mar era um semideus de Poseidon? 

- Mas também não seria a melhor escolha mandar o filho de Poseidon pra prisão de Oceanos... Seu pai não tem poder lá... E por favor vamos mudar de assunto, eu nem me lembro direito e o tempo passou surfando, já saí!

- Quanto tempo?

Revirei os olhos

- Eu falei "Vamos mudar de assunto" 

- Quanto tempo? 

- Você é insuportável_ soltei um suspiro derrotado_ 6 meses. 

- Isso é horrível! Seis meses? Você passou seis meses lá e ninguém pensou em me... Nos avisar? 

- Quiron não sabia até umas semanas atrás... Agora, por favor será que dá pra mudar de assunto? Eu não gosto de falar nisso. 

Percy balançou a cabeça e continuou brincando com a mecha do meu cabelo. 

- Isso não é tinta não é?_ 

- Da pra perceber? 

- Sim... É como se brilhasse e... Tem essa sensação como se fosse parte do mar_ franzi as sobrancelhas. 

- Quiron disse que era tipo uma cicatriz... Pra provar que estive lá_ Murmurei. 

- Talvez... Mas para mim parece que o mar estava tentando ser parte de você_ ele sorriu. Olhei para as pontas do meu cabelo e depois para o Percy. 

- É a cor dos seus olhos.

Ele me olhou confuso e depois piscou várias vezes, seu rosto ficando ainda mais vermelho, de repente ele olhava para todo lados, mas não conseguia olhar para mim. Claro que eu sendo eu comecei a rir dele. 

- Você é tão insuportável sabia?_ Falou bravo, olhei para ele ainda rindo e limpei o canto dos olhos. Abri a boca pra falar alguma coisa, mas as palavras ficaram presas na minha garganta e eu gelei, olhei na direção das arquibancadas, mas não tinha ninguém lá. 

- Eles sumiram!

- O quê?_ Percy se virou na direção em que eu olhava apenas para não encontrar nada. As duas crianças meio-sangues, Bianca e Nico não estavam mais lá. A porta ao lado da arquibancada estava escancarada e o estúpido do Dr. Streppe também havia sumido. Ah bosta! 

- A gente tem que achar os outros_ Falei olhando em volta, mas só via crianças desconhecidas._ Onde danado eles foram? Sinceramente, parecem que tem rodinhas nos pés!!

Corri entre a multidão que dançava na pista até que me deparei com uma cascata de cabelos loiros. Graças aos céus! 

- ANNE!_ gritei, quando ela me olhou agarrei seu braço._ Eles se foram!

Seu olhar passou de confuso para assustado. 

- O que? Como assim? 

- Eles não estão mais na arquibancada e o Dr. Streppe saiu também!

- Di immortales! Temos que achar a Thalia!_ ela se virou para o Naveen, me esqueci o nome dele tá._ Sinto muito, tenho que ir. 

Depois agarrou minha mão e saímos correndo esbarrando nas pessoas gritando por Thalia e Grover. Juro pelos monstros no tártaro que o número de pessoas pareceu aumentar, o ginásio nem era tão grande, mas Thalia e Grover pareciam ter simplesmente evaporado. ERA SÓ O QUE FALTAVA!

- Vocês já ouviram falar em descrição?_ Thalia falou brava assim que a encontramos. E sim, nós literalmente estávamos berrando "THALIA! THALIA!" Pelo ginásio. 

- Não importa mais, a gente tem que ir atrás deles!_ falei gesticulando fervorosamente com as mãos. 

- O quê? 

- Os irmãos se foram_ Annabeth explicou_ E o Dr. Streppe também! 

Thalia olhou na direção das arquibancadas e praguejou, Grover nos olhou assustado.

- Cadê o Percy? 

- Ele estava bem..._ Me virei vendo que o Jackson não havia nos seguido. Ele foi atrás dos dois sozinhos!_ Caramba, Fishman! 

Nossa primeira reação foi correr até a porta escancarada, seja lá qual monstro o Dr. Streppe for não era coisa simples, o infeliz era forte e rápido e ainda tinha aqueles espinhos, adagas, sei lá o que ele lança, mas dói muito de qualquer jeito. O Jackson não vai conseguir acabar com ele sozinho disso eu tenho certeza.



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