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História Half Blood: O Mar De Monstros - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Morrer por Caríbdis ou Squila? Eis a questão!


- Queria estar morta_ Sussurrei enquanto passávamos por um tipo de  corredor escuro, que como todo o navio, estava lotado de soldados zumbis. Estávamos num tipo de excursão contra a nossa vontade, Clarisse nos fez andar por todo o navio. QUE SACO!. Vimos o depósito de carvão, as caldeiras e o motor, que ao meu ver estava quase explodindo porque Clarisse era louca e provavelmente estava sobrecarregando aquilo. Vimos também a casa do leme, o paiol de pólvora e o convés de artilharia, o lugar favorito da brutamontes, estávamos fazendo aquela excursão porque Clarisse queria amostrar seu navio inclusive ela saiu explicando tudo daquele convés: tinham dois canhões Dahlgren (Nome estranho) de cano liso a bombordo e estibordo e um canhão Brooke estriado de nove polegadas na proa e na popa, todos especialmente adaptados para disparar lulas de bronze celestial. Eu não entendi bulhufas do que aquilo queria dizer, só queria mesmo parar de andar e descansar um pouco. 

Os marinheiros confederados ficaram bem interessados em saber quem eramos, ficaram muito felizes com Annabeth quando ela disse que era da Virgínia, porque é claro que na guerra de Secessão a Virgínia era um estado confederado. Rayleen Dallas dando aula de história. Tiveram um interesse maior no Fishman por ter Jackson no nome, creio eu que relacionaram com o general Thomas J. Jackson, mas a fada aquática estragou tudo dizendo que era de Nova York. Todos eles vaiaram e disseram pragas contra os Ianques.

Comigo foi um pouco diferente, eles me olhavam estranho, e quando percebiam meu olhar sobre eles logo pararam de cochichar, praguejar, o que fosse e me davam uma leve saudação. O mais estranho foi que isso foi antes de eu dizer que era do Texas, que também foi um estado confederado. Mas quando eu disse, ficaram bem mais animados e me trataram com ainda mais respeito. ISSO É MUITO ESTRANHO! 

Mantive minha boca fechada, porque queria muito dizer que os confederados eram perdedores fedorentos, mas com certeza não era uma boa idéia. Hahaha eu sou mal.

Tyson ficou aterrorizado com os fantasmas, pediu pra segurar minha mão e foi a apertando durante toda a excursão. E DOEU MUITO. Achei que fosse quebrar, mas pelo menos parecia diminuir o medo do grandão. Aí, aí o que eu não faço por esse ciclope.

- Vocês estão muito encrencados_ Clarisse falou no fim da excursão. FINALMENTE!

- Nós sempre estamos encrencados, nascemos encrencados_ falei dando de ombros. Depois de tanto andar finalmente fomos escoltados para o jantar. 

Bem, o que posso dizer sobre o alojamento do capitão? Ele era vergonhoso! Tinha o tamanho de um closet, mas mesmo assim era maior que qualquer outro recinto. Esse navio é uma grande caixa de fósforo. Desculpe estar sendo tão crítica, mas depois de ter estado no princesa Andrômeda não poderia ter outra reação, o Birmingham não era páreo pra ele... O Princesa Andrômeda é perfeito, o navio que mereço, se não fosse um covil do mal é claro.

A mesa estava posta com linho branco e porcelana, quem estava servindo a comida eram os tripulantes fantasmas, foram colocando na mesa manteiga de amendoim, sanduíches de geléia, batatas fritas e refrigerantes. Meu estômago roncou, quase chorei de tanta emoção de finalmente comer, claro que adoraria que ali também tivesse meu donut com cobertura de chocolate.

- Obrigada_ agradeci emocionada para um dos fantasmas. Comida, aí como eu amo comida. 

- Disponha, minha senhora._ ele respondeu, eu teria ficado envergonhada, mas na hora nem havia escutado direito estava muito focada na comida.

- Tântalo expulsou vocês por toda a eternidade_ Clarisse falou com ar de superioridade_ O senhor D disse que se mostrarem a cara de novo no acampamento vai transformá-los em esquilos e passar por cima com sua caminhonete. 

Dei uma leve risada, confesso que não fiquei tão preocupada como achei que ficaria, Tântalo e senhor D sendo dois babacas cruéis, aquilo não era novidade... E eu tinha plena certeza que voltaria ao acampamento com um sorriso cínico para os dois. 

- Graças aos deuses, assim não vou ter que cumprir os castigos do morta fome da meia-noite_ Murmurei dando uma golada no refrigerante. Clarisse revirou os olhos.

- Tântalo falou que caso visse você de novo ia ter um castigo tão ruim que o do senhor D ia parecer um dia no parque. 

- Então deve ser muito ruim... Dias no parque são assustadores._ retruquei... Tântalo nunca me assustou, me irritou isso sim, mas assustar, nunca.

- Então foram eles que deram esse navio pra você?_ Percy perguntou mudando de assunto.

- Claro que não. Foi meu pai.

Engasguei com o refri e comecei a tossir, Ares ajudou Clarisse? Não pode ser, Ares ajudando alguém? Nunca!. Será que ele não tá sobre o controle de Cronos de novo? Ah não, só falta isso ser mais um problema.

- Ares? Ares te deu o navio? Ares?_ Percy perguntou incrédulo

Clarisse deu um sorriso sarcástico.

- O que? Acha que seu pai é o único que tem poderes no mar? Os espíritos do lado perdedor de todas as guerras devem tributo a Ares. É sua maldição por terem sido derrotados. Pedi ao meu pai por um transporte naval, e aqui está ele. Esses caras vão fazer tudo o que eu mandar. Não é, capitão? 

O capitão zumbi estava de pé atrás dela, rígido e zangado. Dava pra dizer só de olhar que aquilo era uma maldição, porque o capitão não estava gostando. 

- Se isso significa dar um fim a essa guerra infernal, madame, finalmente a paz, vamos fazer qualquer coisa. Destruir qualquer um. 

- Destruir qualquer um. Eu gosto disso_ Clarisse falou com um sorriso macabro, assustando Tyson que engoliu em seco. Ela é louca. 

- Clarisse_ Annabeth começou_ Luke também pode estar atrás do Velocino. Nós o vimos. Ele tem as coordenadas e está indo em direção ao sul. Tem um navio de cruzeiro cheio de monstros...

- Bom! Vou explodí-lo para fora da água_ Ela retrucou interrompendo Annabeth. 

- Pelo amor, Clarisse. O Birmingham não ia conseguir fazer nem um arranhão no princesa Andrômeda, Luke está muito bem preparado, ele tem um exército de monstros!_ falei começando a entender onde Annabeth queria chegar, ela queria unir forças com Clarisse, talvez com o navio dela a gente chegue mais rápido ao velocino e também poderíamos usar a tripulação de fantasmas para atacar a ilha de Polifemo, sem contar que deixar Percy num navio bem armado é uma batalha ganha, nunca admitirei isso em voz alta, mas ele é incrível, principalmente na água. 

- Exatamente, ele está muito forte nas condições atuais_ Disse Annabeth_ Precisamos unir forças. Deixe-nos ajudá-la...

- Não!_ Clarisse deu um murro na mesa_ Está é a minha missão, garota esperta! Finalmente chegou a minha vez de ser a heroína, e vocês três não vão roubar a minha chance!_ falou furiosa. Meus deuses, ela está agindo como eu no verão passado! Só que eu não tava tão louca assim, não recusava ajuda, só exigia minha participação.

- Onde estão seus colegas de chalé?_  Percy perguntou_ Você teve permissão de trazer dois amigos, não teve? 

Clarisse olhou para mim por um breve momento, parececendo desconfortável.

- Eles não... Eu os deixei para trás. Para proteger o acampamento. 

- Você quer dizer que nem mesmo as pessoas do seu próprio chalé quiseram ajudá-la_ Jackson pegou pesado aí.

- Cale a boca, Percy! Eu não preciso deles! Nem de você! 

Clarisse parecia estar incomodada com algo a mais, era óbvio que ninguém quis vir com ela, eles acham que é uma causa perdida e Tântalo obviamente não moveu um dedo para ajudar.

- Clarisse_ Percy falou_ Tântalo está usando você. Ele não se importa com o acampamento. Adoraria vê-lo destruído. Está armando para você fracassar.

- Não! Não me importa o que o oráculo..._ ela se interrompeu antes de completar. 

- O que o oráculo disse?_ perguntei_ Qual foi a sua profecia? 

- Nada._ As orelhas dela ficaram vermelhas_ Tudo o que vocês precisam saber é que vou terminar essa missão e vocês não vão ajudar. Por outro lado, não posso deixá-los ir...

- Então somos prisioneiros?_ Annabeth perguntou. Essa doida nem ousaria

- Hóspedes. Por enquanto_ Clarisse apoiou os pés na toalha branca e abriu outro refrigerante_ Capitão, leve-os para baixo. Ceda redes para eles no convés-dormitório. Se eles não se comportarem bem, mostre-lhes como lidamos com espiões inimigos. 

Fiz careta para ela, mas resolvi não arrumar briga. Parecia ter algo incomodando Clarisse, ela estava com medo que roubassemos sua missão, e algo me dizia que o oráculo indicara que faríamos isso.

O capitão nos escoltou até o convés-dormitório, ele era pequeno, como todo o navio, pelo menos as redes eram confortáveis, claro que não tão confortáveis quanto as camas do princesa Andrômeda, mas dava para o gasto, mesmo assim eu não consegui dormir. Fiquei balançando na rede tentando pegar no sono, mas nada. Clarisse estava escondendo algo, e sua teimosia em não nós deixar ajudar poderia atrapalhar... Aaaah, e eu ainda pensava que Ares podia estar novamente sendo controlado por Cronos. É MUITA COISA PRA MINHA CABEÇA. 

Desisti de tentar dormir, me lembrando do sangue da Hidra que eu tinha guardado. Saltei da rede sem fazer barulho. Like a ninja!. Peguei minha aljava cheia de flechas e meu casaco e sai do convés-dormitório.

Me esgueirando, furtiva como um ninja, subi até o convés principal, alguns soldados zumbis perguntaram o que eu estava fazendo ou se tinha permissão pra perambular por aí, claro que menti, eles acreditaram me saudaram e voltaram a suas atividades. Porque eles ficam me saudando? Oxe, bando de louco.

Me sentei no chão olhando as estrelas, ainda não conseguia entender nem ver as costelações, mas as estrelas continuavam bonitas. Pontinhos brilhantes que não tem que se preocupar em pegar uma pele de carneiro guardada por um ciclope para salvar um acampamento. Só na vida boa.

Tirei o frasco com sangue de Hidra do bolso e desenrolei, despejei as flechas na minha frente e comecei meu trabalho, separei as flechas explosivas e as com fluído que eu pretendia colocar fogo, ficando só as  normais, destampei o frasco e com muito cuidado comecei a passar o sangue na ponta das flechas.

- Você não deveria estar aqui!_ Me assustei ao ouvir a voz de Clarisse, quase derrubando o frasco com sangue. Ô CACETE!

- Caramba, Lispector, quer me matar do coração?

- Mandei você e seus amigos para o convés-dormitório porque não queria que ficassem perambulando pelo meu navio.

- Não estou perambulando_ falei voltando o meu foco para as flechas_ Estou fixa em um ponto.

- Há há muito engraçado, quero ver continuar assim quando eu te atirar pra fora do navio_ olhei para ela e sorri

- Provavelmente farei piadas enquanto  estou caindo_ mandei um beijo no ar, Clarisse revirou os olhos e se sentou ao meu lado.

- Eu não suporto você, Dallas.

- Também não vou com a sua cara, Lispector.

- O que está fazendo?_ perguntou pegando uma de minhas novas flechas envenenadas. Estou comprando feito para não dar trabalho.

- Passando sangue de Hidra nas flechas.

- Esperto... Vão ficar bem mortais, um tiro em qualquer lugar do corpo e a pessoa já era_ falou e deu um sorriso maléfico. Que doente, não pretendo usar isso em pessoas._ Guarde um pouco pra minha lança. 

Olhei para ela erguendo uma sobrancelha. Ela vai realmente envenenar a ponta da lança elétrica dela? Deus tenha piedade, é muito poder pra uma só Clarisse maluca. 

- Sua lança já dá choque! Pra quê envenená-la também?_ perguntei um pouco assustada. 

- É pra uma das minhas lanças normais, não a elétrica sua idiota. 

- Tá, mesmo assim... Como vou saber que não vai usar em mim? 

- Não vai. 

- Aí eu te dou veneno que você possivelmente pode usar em mim?_ ela sorriu 

- Vai viver com esse risco. 

- Sua brutamontes!_ falei indignada. ela sorriu fechando o punho e batendo na minha cabeça

- Nanica fracote_ pus a mão no lugar que ela bateu e a encarei com uma lágrima no canto do olho. Isso dói! 

- Vai ter volta, Lispector, vai ter volta. 

- Você sempre diz isso, mas nunca consegue fazer nada. É muito fraca para me enfrentar.

Olhei pra ela com uma sobrancelha erguida. 

- Te dei uma voadora e quase acabo com a sua raça no último treinamento de combate do verão passado_ falei me lembrando da cena épica, muito soco, muito chute, Pam Bum pam Pam! 

- EU que quase acabei com você no treinamento_ ela falou confiante. Na verdade nem uma nem outra, foi empate._ E sobre a voadora, você vai morrer por isso. 

Ela falou de uma maneira muito assustadora que fez meu estômago gelar. Calma Clarissinha, não é pra tanto. Engoli em seco ainda encarando ela.

- Você é patética, Dallas_ falou depois olhou para cima._ Mas, parece diferente. 

- Diferente? Eu?_ perguntei confusa. Clarisse tá parecendo muito brisada, cadê o ódio de mais cedo por termos invadido sua missão? 

- Sim. Não parece tão fraca como quando nos conhecemos.

- Você diz quando tentou enfiar minha cabeça no vaso e me deu um soco?_ perguntei, ela riu orgulhosamente. Essa Cabeça de privada

- Isso aí_ fiz careta. Que nojenta. Depois olhei para minhas flechas, de certo modo ela tinha razão, eu me sentia mais forte mais capaz, ainda a mesma medrosa, porém diferente. Devia essa mudança a tudo o que aconteceu verão passado, santo Péricles, foi tanta coisa! 

- Acho que foi a missão, encarar a realidade monstruosa da vida de um semideuses_ falei pensativa_ Não  tem nada do glamour que eu esperava, não é mágico. Trocaria isso tudo por uma carta de Hogwarts.

- Eu acho incrível_ Ela confessou._ Estar aqui comandando esse navio, numa missão importante, explodindo tudo... Incrível!_ olhei para ela, Clarisse realmente parecia estar adorando aquilo, mas ainda tinha aquele olhar preocupado.

- Por isso que eu quero vocês fora!_ falou voltando a sua carranca normal. DO NADA._ É a minha missão e eu não preciso de vocês me atrapalhando. 

- Você entende a gravidade da situação? Luke e Polifemo não são brincadeira. 

- Vou explodir os dois! 

- Ah claro, com certeza_ falei revirando os olhos_ Você precisa de nós e sabe disso_ Murmurei.

- Não, não preciso... Eu já disse. Minha missão! Não vou deixar você e o Jackson roubarem ela de mim._ ela já estava brava, mas eu podia ver que tinha algo a mais, ela também estava com medo. E se o oráculo disse que ela vai fracassar por estar sozinha?. 

- Nós não queremos roubar sua missão, viemos porque Hermes nos ajudou._ tentei explicar, ela só pareceu ficar ainda mais furiosa.

- E daí? Não ligo se Hermes mandou vocês, meu pai me mandou aqui! Não são especiais por terem a ajuda de um deus._ suspirei alto voltando a focar em minhas flechas. Acho que estamos chegando no ponto, Ares, ele tá fazendo alguma coisa. Se o oráculo não estressou ela o suficiente, pode saber que Ares o fez. 

- Também estamos aqui por causa do Grover... E vamos salvá-lo, ele e o acampamento_ falei olhando pra ela. Desisti de tentar achar argumentos para convencer essa bruta, Clarisse é muito cabeça dura._ Se for esperta vai unir forças com a gente. 

- Vocês não tem nada a oferecer a não ser a mão pesada do ciclope, meus marinheiros e meus canhões são tudo o que preciso_ falou confiante. Tá com a bixiga, nos humilhou bonito aí.

- Mentira, também temos flechas envenenadas_ falei balançando minha flecha na frente dela. 

- Cala a boca, Dallas. Se você quisesse realmente me ajudar teria ficado no acampamento_ ela falou. DO NADA, de novo. Olhei para ela sem entender. O que diabos isso significa? 

- Como é?

- Nada! Cale a boca. Volte ao seu trabalho!_ suas orelhas ficaram vermelhas novamente. Esperai, ela não pensou em me chamar para a missão com ela não né? 

- Você ia me chamar pra...

- NÃO!_ ela me interrompeu_ Você é fraca, não ajudaria em nada... E meu pai... Ah vá dormir!_ se levantou rapidamente.

- Espera, como assim?

- Não me perturbe!_ e saiu com passos pesados. Ah doida véia. 

Confesso que me senti mal, nunca imaginei que Clarisse fosse querer me chamar pra ir na missão com ela. Claro que também não tenho culpa porque não planejei fugir, foi Hermes que surgiu do nada e me fez entrar nessa... E ainda tem Ares, que fez alguma coisa, por isso que ela não quer aceitar nossa ajuda. TINHA QUE SER ESSE CÃO!

Fiquei novamente com a cabeça cheia de coisas. queria usar o Obliviate e esquecer até meu nome. 

Terminei com as minhas flechas, guardei tudo e voltei ao convés-dormitório. Um lado bom de toda aquela conversa foi que minha cabeça ficou tão cheia que me deu sono. Assim que me deitei na rede apaguei. 

E então tive um pesadelo. Esse foi diferente, estava tudo escuro realmente escuro, não podia ver nem minhas próprias mãos, o ar ao meu redor também estava muito gelado, podia sentia meu corpo tremer de frio. E então veio a voz, Cronos novamente, mas dessa vez ele não falava nada novo, ele só repetia uma frase, a frase do meu primeiro sonho com ele depois de meses.

*É isso que eu gosto em você, sua bravura e convicção. Quando fracassar em proteger aquilo que mais ama, quando os deuses a desapontarem mais uma vez. Eu estarei aqui por você e juntos vamos afundar o Olimpo no caos* 

Aquela era a frase que me atormentava desde a primeira vez que ouvi. Ele só ficou repetindo e repetindo...

Até que acordei com uma sirene bem alta soando pelo navio, o que obviamente me assustou. 

- EITA BIXIGA!_ gritei caindo da rede com o susto. 

E então a voz áspera do capitão: 

- Todos para o convés superior! Encontrem Lady Clarisse! Onde está aquela garota? 

Fechei meus olhos ainda deitada no chão, tentando acalmar as batidas do meu coração que estavam aceleradas por causa do ataque cardíaco que eu quase tive. 

- Levante-se, ianque. Seus amigos já estão lá em cima._ Abri os olhos vendo o capitão falar com o Percy que ainda estava em sua rede. AI MEUS DEUSES, UM FANTASMA!... Ah é. Esperai, já estão lá em cima? Quem? Como? Onde?

- Você também, madame_ o capitão falou assim que me notou_ Estamos nos aproximando da entrada. 

- Entrada do quê?_ Fishman e eu perguntamos ao mesmo tempo. VERDE, CHÃO, TAPA E BELISCÃO.

O capitão deu um sorriso esquelético e assustador. 

- Do Mar de Monstros, é claro. 

Percy e eu nos olhamos assustados. Okay, isso aconteceu mais cedo do que eu esperava.

~~~~~~~

O capitão não havia mentido, não havia nem sinal de Annabeth ou Tyson. Eles haviam acordado antes e já estava no convés principal. Aqueles nojentos, poderiam ter acordado a gente também.

Guardei os poucos pertences que sobreviveram ao ataque da Hidra numa mochila velha que encontrei ao lado da minha rede, mas realmente não tinha me sobrado quase nada. Enfiei o arco e a aljava na mochila também, prendendo no mínimo espaços que não deu pra fechar com o zíper, mas de um jeito que fosse rápido de sacar. Coloquei a mochila nas costas e amarrei na frente, deixando bem presa. Algo me dizia que ia ser um dia agitado e provavelmente nossos últimos momentos no Birmingham.

- Porque eu sou o "Ianque" e você é "Madame"?_ Percy falou. DO NADA. Parecendo um pouco ofendido com o tratamento que estava recebendo. Ri batendo no ombro dele. 

- Porque você É um Ianque fedorento_ repeti um dos xingamentos que ele recebeu na noite anterior e comecei a rir. 

- Você é muito boba_ falou saindo do convés-dormitório_ Podemos até ser fedorentos, mas pelo menos ganhamos a guerra._ sorriu orgulhosamente, olhei por todo lado vendo se não tinha nenhum confederado perto antes de dar um tapaço na nuca do Fishman.

- Shhh! Fala baixo peste!... Vai se vangloriar da vitória dos Ianques num navio confederado? Você é burro desse jeito?_ Percy deu de ombros. 

- Eles já não gostam de mim mesmo. 

- Bobão_ falei passando na sua frente. Estava subindo quando senti uma presença que me fez paralisar. E então comecei a ser dominada por uma vontade enorme de começar uma briga e de cair no soco com alguém... Era uma raiva incontrolável, se alguém me desse bom dia eu responderia com: " NÃO É UM BOM DIA SE VOCÊ TA RESPIRANDO!"... Eu odiava essa sensação porque indicava que o deus babaca estava perto.

- Tá sentindo isso?_ Percy perguntou, sacudi a cabeça concordando.  

- Tá vindo de baixo_ Murmurei. Olhei para Percy e depois para o caminho que estávamos seguindo, por outro lado, o Fishman olhou para o lado oposto, de onde vinha a presença raivosa. 

Sem trocar nenhuma palavra concordamos em bisbilhotar. Em vez de seguir o nosso caminho e subir para o convés principal, nos arrastamos até a beira da grade de ventilação. Olhei para baixo vendo que dava para o convés das caldeiras. 

E lá estava Clarisse logo abaixo de nós, falando com uma imagem que tremeluzia no vapor das caldeiras. Eu conhecia aquela imagem, e era ela que estava me dando aquela raiva e enorme vontade de brigar. Era a imagem de um homem musculoso, com roupa de motociclista de couro preto, o corte de cabelo era estilo militar e ele usava um óculos escuro de lente vermelhas que escondia os olhos de cão queimando do deus da guerra, isso mesmo, aquele era Ares o pai de Clarisse.

- Não quero saber de desculpas, garotinha_ O deus rosnou.

- S... Sim, pai

- Você não quer me ver zangado quer?_ revirei os olhos. 

- Nem é tão assustador_ Sussurrei, Percy balançou a cabeça rindo. 

- Não, pai. 

- Não, pai_ Ares imitou Clarisse_ Você é patética. Eu devia ter deixado um dos meus filhos assumir essa missão. 

Fechei o punho com raiva, agora eu entendia a preocupação de Clarisse, era só Ares sendo um merda com ela. 

- É melhor mesmo_ ele advertiu. AAAAH EU QUERO DAR OUTRA VOADORA NELE!_ Você me pediu essa missão, garota. Se deixar aquele desprezível do Jackson ou a insolente da Dallas roubá-la de você...

- Mas o oráculo disse...

- NÃO ME IMPORTA O QUE O ORÁCULO DISSE!_ Ares gritou com tanta força que sua imagem tremeu. Ui ele tá bravinho._ Você vai conseguir. Se não...

Ele ergueu o punho e mesmo sendo só uma imagem no vapor, Clarisse se encolheu de medo. Quanto mais Ares existe mais eu odeio ele, como ele consegue ser tão desprezível? 

- Estamos entendidos?_ Ares rosnou. 

Continuei apertando meu punho com raiva, só queria descer lá e mandar Ares ir a merda. E então as sirenes tocaram de novo. 

- A gente tem que ir_ Percy falou baixo bem na hora que vários passos começaram a se aproximar. Concordo.

- VÃO, PREPAREM OS CANHÕES!_ os oficiais começaram a gritar vindo em nossa direção. EITA BIXIGA. 

- Vem, rápido!_ segui Percy engatinhando para longe da grade de ventilação, quando nos afastamos o suficiente, corremos direto para o convés superior indo nos reunir com Tyson e Annabeth. Furtivos como ninjas!! 

- Que cara são essas?_ Annabeth perguntou assim que nos aproximamos_ Qual é o problema? Foi outro sonho? 

Olhei para o Jackson sem saber o que dizer, a raiva já havia passado e o que tinha ficado era só o incomodo causado por aquela conversa. Eu realmente não gostei de como Ares falou com Clarisse. 

- S-sim_ Percy falou, mas não deu detalhes, eu apenas segui concordando com acenos de cabeça. Isso aí que ele disse, concordo com tudo, não falou nada de errado.

Clarisse subiu as escadas logo atrás da gente, já tinha se recuperado da conversa ou estava disfarçando muito bem, porque estava com sua expressão normal. Ela agarrou um par de binóculos de um dos oficiais zumbis e olhou na direção do horizonte. 

- Até que enfim. Capitão, adiante, a todo vapor! 

Olhei na mesma direção que ela, mas não vi quase nada. O céu estava nublado e o ar era nevoento e úmido. Algo me dizia que tinha algo lá na frente que não era bom.

- Se estamos nos aproximando da entrada do Mar de Monstros ir em frente a todo vapor não seria uma ideia ruim?_ perguntei, é chamado de Mar de Monstros por um motivo, tem monstros lá! Estamos possivelmente indo direto pra boca de algum deles. 

- Sim_ Annabeth concordou_ É uma ideia muito ruim... Entrar no Mar de Monstros desse jeito é imprudência.

O motor do barco começou a fazer uns barulhos estranhos assim que aumentou a velocidade. ESSA BOSTA VAI EXPLODIR. 

- Pressão demais nos pistões. O motor não foi feito para águas profundas._ Tyson falou nervoso, não faço ideia de como ele sabe disso, mas não duvido da palavra dele. EU DISSE QUE AQUELA LOUCA TAVA SOBRECARREGANDO ESSA BUDEGA!

Depois de uns minutos deu pra ver umas manchas estranhas e escuras bem a nossa frente. Ao norte, um monte de rochas altas se erguiam do mar, uma ilha com falésias de pelo menos trinta metros de altura. Lá provavelmente estava Squila. Há erca de um quilômetro para o lado sul, uma outra mancha de escuridão que se transformava numa tempestade. O Mar de Monstros era terrivelmente assustador, eu não esperava isso tudo.

- Aquilo é um furacão?_ Annabeth perguntou olhando na direção da tempestade.

- Não_ Respondeu Clarisse_ Caríbdis.

Meu corpo todo ficou gelado. 

- E você tá indo direto pra lá_ falei encarando a filha de Ares_ Ficou louca? 

- É a única entrada para o Mar de Monstros. Bem entre Caríbdis e sua irmã Squila_ Clarisse apontou na direção das falésias, só de olhar para lá meu corpo estremeceu. 

- Não, não é a única entrada_ falei sem perceber o quanto soava desesperada. É o que se espera quando está a caminho da morte, Caríbdis e Squila são morte certa. Mas realmente tinha outra entrada, a que Jasão usou. 

- Não pode ser a única entrada_ Percy falou_ O mar é tão largo! É só contorná-las! 

Dei uma pausa no meu desespero pra olhar incrédula para o Percy. Sério? Ele disse mesmo isso? CARAMBA, JACKSON, NÃO POSSO TE DEFENDER DESSE JEITO!

- Não, Fishman, só... Não.

- Você não sabe nada? Se eu tentar contornar elas vão simplesmente aparecer no meu caminho de novo. Se quer entrar no Mar de Monstros precisa navegar por entre as duas._ Clarisse explicou. Na verdade não precisa, ela que é cabeça dura.

- E as Simplégadas, as Rochas Colidentes?_ Annabeth falou, isso aí, ela é a voz da razão, sensata!_ São outro portal. Jasão o usou.

- Eu não consigo explodir rochas com os meu canhões_ Clarisse falou_ Mas monstros, por outro lado...

- Você não vai conseguir explodir nem Caríbdis nem Squila se é isso que está pensando!_ falei brava. Ela é louca, primeiro que Caríbdis fica dentro da água e não tem como atingí-la diretamente, segundo que Squila é muito rápida e só surge pra pegar a tripulação, um por um... A GENTE VAI MORRER! 

- Você é louca!_ Annabeth falou para Clarisse que apenas deu um sorriso confiante. 

- Olhem e aprendam_ a brutamontes se voltou para o capitão_ Em curso para Caríbdis! 

- Sim, Milady.

O motor continuou com os barulhos estranhos, as chapas de ferro chacoalharam e o navio começou a ganhar velocidade. A gente vai morrer, a gente vai morrer.

- Clarisse, Caríbdis sugar o mar. Não é essa a história?_ Percy perguntou, olhei para Clarisse esperando a resposta, e que a noção pegasse ela e ela percebesse a ideia bosta que estava tendo.

- E o cospe de volta depois, sim. 

Cruzei os braços, claro que isso não ameniza o estrago que ela faz. 

- E Squila?_ o menino peixe voltou a perguntar.

- Ela vive em uma caverna, no alto daquelas falésias. Se chegarmos perto, suas cabeças vão descer e começar a arrancar os marinheiros do navio. 

Ou seja, morte certa! 

- Então escolha Squila!_ o Fishman sugeriu, ergui uma sobrancelha e o encarei_ Todo mundo vai para o convés de baixo e passamos direto.

Suspirei e depois ri. Mais  estava rindo de nervosa.

- Não é tão fácil assim, Fishman_ respondi a teoria dele_ Squila não vai se deixar ser enganada. Se ela não conseguir o almoço facilmente é capaz de pegar todo o navio e NHAC!_ expliquei simulando o ataque com as minhas mãos. Nhac, nhach, somos o almoço dela.

- Além disso, fica muito no alto pra conseguirmos uma boa mira. Meus canhões não conseguem atirar pra cima. Caríbdis fica sentada lá, no centro do seu redemoinho. Vamos avançar diretamente para ela, mirar nosso canhões e mandá-la para o Tártaro!_ Clarisse falou com muita confiança, como se fosse um plano genial com 100% de chance de sucesso. Suspirei alto em derrota. 

- Isso vai tão não dar certo_ murmurei.

O barulho do motor foi aumentando, as caldeiras esquentavam tanto que dava pra sentir o convés se aquecendo embaixo dos meus pés. As chaminés soltavam muita fumaça, se chegasse perto o pulmão apodrecia na hora. 

A medida que íamos nos aproximando, o som de Caríbdis ficava mais alto, uma grande rugido molhado, muito do macabro. Ta amarrado no nome de Péricles. Toda vez que Caríbdis inspirava, o navio estremecia e era arremessado para a frente, e quando expirava, subiamos na água e éramos presenteados com ondas de três metros. 

- Temos que fazer alguma coisa_ Falei assustada_ Isso aqui é muito perigoso, o que Clarisse quer fazer é suicídio! 

Se eu calculei certo, Caríbdis leva cerca de 3 minutos pra sugar e destruir tudo num raio de... Acho que um quilômetro, talvez um pouco mais. Para evitar ela, a gente tem que passar bem perto das falésias de Squila, que já são perigosas mesmo sem o monstro perigoso que vive lá. MORTE CERTA! 

Os marinheiros zumbis continuavam fazendo suas tarefas com calma. Eles realmente não precisavam se preocupar, já estão mortos, não podem morrer de novo. 

- Ray tem razão!_ Annabeth falou agarrando-se à murada._ Percy, você ainda tem sua garrafa térmica cheia de vento? 

- Sim, mas é perigoso usá-la no meio de um redemoinho como aquele. Liberar mais vento só vai tornar as coisas piores. 

Estremeci, não podíamos fazer nada, mas também não podíamos aceitar esse fato. A GENTE VAI MORRER. Annabeth pareceu pensativa por um momento.

- E se... Ray e se você tentasse controlar Caríbdis? Como você fez no princesa Andrômeda! Só por alguns segundos... E Percy, que tal controlar a água?_ Annabeth perguntou_ Você é filho de Poseidon. Já fez isso antes.

Ela parecia estar certa daquele plano, talvez a parte do Percy pudesse funcionar, mas eu não tinha certeza da minha. Eu não posso simplesmente controlar Caríbdis, é um monstro muito forte... EU NÃO MANDO NOS BICHO NÃO! 

- Pode funcionar_ o Fishman falou parecendo um pouco esperançoso_ Eu tento acalmar o Oceano e você tenta acalmar Caríbdis. Trabalho em equipe! 

Tentei forçar um sorriso. Não custa nada tentar e fracassar.

- Okay, vamos lá então_ falei fechando os olhos. Tentei usar todos os sentimentos que estava sentindo no momento, que se resumiam a raiva e medo, eu tinha bastante desse aí. Consegui sentir Caríbdis, a força que ela emanava era enorme, assustadora e perigosa, também pude sentir Squila, mas tentei ignorar. Meu corpo começou a tremer de medo inconscientemente. 

"Caríbdis pare!" Pensei como se conversasse com ela, em troca ouvi um rugido bem mais alto que o anterior. Senti uma tontura, abri os olhos perdendo o equilíbrio e quase caindo. 

- Não consigo_ falei triste. Não posso usar a Aura de Hades em Caríbdis, ela é muito forte. 

- Eu... Eu também não_ Percy falou no mesmo tom. Não somos tão fortes assim.

- Precisamos de um plano B_ a loira falou. precisamos nos humilhar pedindo misericórdia para Caríbdis, isso sim._ Isso não vai dar certo.

- Annabeth está certa_ Tyson falou_ O motor não está bom.

- O que você quer dizer?_ Perguntou ela 

- Pressão. Os pistões precisam de conserto. 

VAI EXPLODIR! CLARISSE É LOUCA! EU FALEI. 

Antes que eu pudesse expor meus pensamentos em palavras, Caríbdis, o gigantesco vaso sanitário mitológico deu descarga e começou a sugar tudo com um grande CHUÁÁ. O navio se lançou para frente e eu acabei sendo arremessada no convés, estávamos no redemoinho. AI BOSTA.

- RETAGUARDA TOTAL!_ Clarisse gritou mais alto que o barulho do bicho.

O mar estava ficando agitado, as ondas arrebentaram o convés. As chapas de ferro agora estavam tão quentes que fumegavam.

- Levem-nos à linha de tiro! Preparem os canhões de estibordo! 

Os zumbis confederados corriam pra lá e pra cá acatando as ordens de Clarisse. Mesmo com o esforço do motor para reduzir as marchas do navio, continuamos a deslizar para o centro do vórtice.

Um marinheiro zumbi saiu correndo do porão na direção de Clarisse. Seu uniforme fumegava e sua barba estava pegando fogo.

- A sala da caldeira está superaquecendo, madame! Vai explodir!

EU FALEI!

- Bem, desça até lá e conserte!

- Impossível!_ o marinheiro gritou_ estamos nos vaporizando com o calor.

Clarisse deu um murro na lateral da casamata.

- Só precisamos de mais alguns minutos! Só o bastante para chegar a linha de tiro! 

- Estamos indo depressa demais_ o capitão falou de um jeito um tanto sinistro_ Preparem-se para morrer.

Meu coração acelerou, batendo tão forte que eu achei que fosse explodir. Mas não o que vai explodir vai ser o navio. AAAAH EU NÃO QUERO MORRER.

- NÃO!_ Tyson urrou_ Eu posso consertar. 

Clarisse o olhou incrédula. 

- Você?

- Ele é um ciclope_ disse Annabeth_ É imune ao fogo. E entende de mecânica.

- Vá!_ berrou Clarisse.

Nesse momento eu percebi o que elas estavam querendo, Tyson ia ter que entrar no porão com o motor sobrecarregado, entrei em desespero, aquela budega corria grande risco de explodir e eu não queria o Tyson lá em baixo com essa bomba. Ele é imune ao fogo, não a explosão.

- Tyson, não!_ Agarrei o braço dele na mesma hora em que o Percy agarrou o outro. Sincronia perfeita. 

- É perigoso demais_ o Fishman falou. 

- Você não pode descer lá_ completei 

Ele olhou para mim e depois para o Percy dando um sorriso reconfortante.

- É o único jeito_ sua expressão era determinada e confiante. Ele sabia o que estava fazendo, mas aquilo não me aliviou_ Vou consertar. Volto já.

Nos o soltamos e ele seguiu o marinheiro zumbi. Tive uma sensação ruim com aquilo, algo me dizia pra não deixar ele ir de jeito nenhum. Mas antes que eu pudesse pensar em ir atrás dele o navio foi lançado para a frente de novo. E dessa vez, deu para ver Caríbdis.

Ela estava alguns metros a distância, no meio de muita névoa, fumaça e água. Lá tinha um recife, um rochedo negro de coral com uma figueira agarrada ao topo, algo bem tranquilo no meio de toda aquela zona. Por toda a volta, a água girava como num funil. E então, vi a coisa mais feiosa e horrível ancorada no recife: Uma boca enorme, com lábios vistosos e dentes pontudos cobertos de musgos do tamanho de botes a remo. E pior ainda, os dentes tinham aparelho, tiras de metal corroídos e infectos com pedaços de peixe, madeira podre e lixo flutuante preso entre eles. ECA. Caríbdis não quer ter o dentes tortos, mas também não limpa o aparelho, que nojenta.

Todo o mar a volta do monstro, foi sugado para aquela boca podre e para o meu desespero, logo, logo o Birmingham seria o próximo.

- Lady Clarisse!_ bradou o capitão_ Canhões de estibordo e proa ao alcance!

- FOGO!_ ordenou Clarisse.

Três tiros foram disparados. O primeiro atingiu um dente arrancando um pedaço do mesmo. Outro desapareceu em sua garganta. E o terceiro bateu no aparelho e ricocheteou de volta, arrancando o mastro da bandeira de Ares. Uhuuul que coisa boaa! 

- DE NOVO!_ ela ordenou.

Os artilheiros recarregaram os canhões. Mas continuava sendo inútil, como eu disse antes não tem como machucar Caríbdis com tiros de canhões, não dá pra atingí-la diretamente. Para piorar nossa situação, continuavamos sendo sugados... E bem depressa.

Então as vibrações no convés mudaram. O barulho do motor ficou mais forte e começamos a nos afastar da boca. OH GLÓRIAS! 

- Tyson conseguiu!_ Annabeth falou. Meus deuses, aquele ciclope é incrível. 

- Espere!_ Disse Clarisse_ Precisamos ficar perto! 

Olhei para Clarisse com muita raiva. TEU RABO! 

- Vamos morrer!_ Jackson gritou_ Temos que nos afastar! 

Me segurei na murada enquanto o navio lutava para não ser sugado. A bandeira arrancada de Ares passou direto e se prendeu no aparelho de Caríbdis. Se ela ver, vomita. O navio não fazia progresso, mas pelo menos mantinha a posição. Tyson havia conseguido fazer algo lá embaixo, e aquilo deu força o suficiente para que o Birmingham não fosse tragado. 

De repente, a boca se fechou, o mar ficou calmo e a água encobriu Caríbdis. Então, com a mesma rapidez que se fechou, a boca se abriu com tudo, numa explosão gigante, cuspindo meio mundo de água. Ejetando tudo que não era comestível, incluindo as balas de canhão. Uma deles atingiu o costado do Birmingham com um simples Plim! 

E então fomos lançados para trás numa onda muito mais muito alta. De algum jeito nada natural, o navio não emborcou, mas continuou rodopiando fora de controle, na direção das falésias ao lado. Meu estômago revirou milhares de vezes, até quis vomitar a minha alma. ODEIO ISSO.

Outro marinheiro saiu do porão, todo desesperado na direção de Clarisse, quase derrubando os dois no mar. 

- O motor está a ponto de explodir!

- Onde está o Tyson?_ Percy gritou. 

- Ainda lá embaixo_ disse o marinheiro_ Segurando as pontas, não sei como, mas acho que não por muito tempo. 

Senti meu estômago embrulhar. Não podemos deixar ele lá, que segurar as pontas o que, ele tem que fugir!

- Temos de abandonar o navio!_ o capitão falou.

- NÃO!_ Clarisse berrou.

- Não temos escolha, Milady. O casco já está rachando. Ela não pode...

Ele não terminou a frase. Rápido como um raio, algo marrom e verde desceu do céu agarrou o capitão e subiu de novo, deixando só as botas do zumbi. Aí não, por favor que não seja...

- Squila!_ Um marinheiro gritou, enquanto outro raio reptiliano se lançava da falésia e o arrastava para cima. Era tão rápido que não dava para ver a cara, mas consegui ver o dentes, e aquilo já me assustava muito.

- Todo mundo para baixo!_ Percy gritou sacando sua espada mágica. 

- Não podemos!_ Clarisse gritou também sacando sua espada_ O convés inferior esta em chamas!

- CUIDADO_ um dos marinheiros gritou, por impulso me joguei para o lado bem na hora que uma das cabeças da Squila desceu, saquei minha espada de ferro estígio e me levantei sentindo minhas pernas tremerem, estava pronta pra atacar, mas o bicho já havia subido de volta antes que eu pudesse fazer algo. 

- Botes salva-vidas!_ Annabeth gritou_ Depressa!

- Eles nunca passarão pelas falésias, seremos comidos!_ Disse Clarisse. Se eu não estivesse com tanto medo, teria gritado que tudo aquilo foi culpa dela... Vou lembrar de fazer isso se sobreviver.

- Temos de tentar. Percy, a garrafa térmica!

- E o Tyson?_ perguntei vendo que o plano de fuga de Annabeth era imediatamente para aquele momento. Temos que ir buscar o Tyson antes de fugir. 

- Não posso abandoná-lo_ Percy disse 

- Temos de ir preparando os botes!

Clarisse seguiu as ordens de Annabeth, ela e alguns do seus marinheiros confederados removeram a cobertura de um dos dois botes de emergência enquanto as cabeças de Squila caiam como meteoros e continuavam arrancando marinheiros um após o outro, tentei atacá-las diversas vezes, mas eram rápidas demais. 

- Precisamos pegar o Tyson!_ gritei_ Ajude Annabeth com o outro barco_ pedi a um dos marinheiros zumbi.

- Sim senhora_ ele fez uma saudação e correu até a loira. 

- O que vai fazer?_ ela gritou 

- vou atrás do Tyson! 

- Não, não sozinha_ Percy falou pegando a garrafa térmica_ Pegue o outro barco_ jogou-a para Annabeth_ Vamos buscar o Tyson.

- SEUS LOUCOS, VOCÊS NÃO PODEM_ Ela gritou_ O CALOR VAI MATÁ-LOS!

Por incrível que pareça eu não estava preocupada com aquilo, eu precisava ajudar o Tyson e era só nisso que pensava. Corri na direção da escotilha das caldeiras, mas antes que chegasse perto fui atirada ao chão por um dos confederados, pensei em gritar com ele e o xingar, mas antes que eu pudesse fazê-lo, Squila o levou. Ele me salvou.

E para meu desespero, ele não foi o único a ser levado. 

- PERCY!_ gritei assim que o vi ser erguido, entrei em desespero sem saber o que fazer, não tinha tempo de sacar o arco e atirar na Squila e ainda tinha que ir ate o Tyson.

- Você tem que ir, Milady_ um dos marinheiros agarrou meu braço.

- O quê? Não... O Percy! O Tyson!_ me mexi tentando fazer ele me soltar, meu coração estava muito acelerado e eu não conseguia acalmar minha respiração.

- Você não pode descer lá e não pode ficar aqui com Squila! Não posso deixar que se machuque. 

- ME SOLTA!_ gritei desesperada, sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. Eu tenho que salvá-los.

- Me desculpe por isso!_ o marinheiro falou. Me assustei e olhei para ele sem entender, ele deu um leve aceno de cabeça e com uma força sobrenatural me arremessou para fora do navio.

Cai na água e então...

CABUUUUUM!

O Birmingham explodiu, de dentro da água eu não vi quase nada a não ser as chamas, todos os pensamentos horríveis passando pela minha cabeça. Choviam destroços por todo lado, partes do navio caindo dentro da água com um Plup!

Usei o resto de minhas forças para nadar de volta a superfície. Quando emergi não vi muita coisa, só pedaços do que antes era um navio, também havia fogo por todo lado. E eu só consegui pensar no Tyson.

- RAY, RÁPIDO!_ Annabeth estendeu a mão, ela estava em um dos botes a remo._ Vem logo, antes que Squila apareça de novo! 

Agarrei a mão dela e ela me ajudou a subir no bote, não consegui falar nada, senti um nó enorme na minha garganta. Eu tenho que salvá-los.

E então Annabeth girou a tampa da garrafa térmica e com um barulho alto, um vendaval branco saiu e espalhou tudo pra todo lado, inclusive a gente. Nosso bote foi empurrado com ainda mais força do que quando fugimos do princesa Andrômeda. Não sei a que distância fomos, mas quando não havia mais nem sinal das falésias de Squila nem dos enormes dentes de Caríbdis, Annabeth diminuiu a velocidade e fechou a tampa da garrafa. 

- Nós ainda podemos... Eles..._ comecei sem conseguir completar as palavras. 

- Podemos fazer uma vela com esses uniformes_ Annabeth falou segurando um uniforme cinzento como o dos marinheiros zumbis._ Aquele que foi me ajudar com o bote, ele... Foi a explosão. 

Olhei para ela e acenei indicando que havia entendido.

- Eu posso nadar de volta até lá, Tyson ainda..._ apertei minhas mãos e abaixei a cabeça, meu corpo todo tremeu. 

- Você não pode nadar tanto... Eu sinto muito... Talvez a gente possa..._ Annabeth também não conseguia completar as palavras, e eu só queria gritar. 

- Não deveria ter soltado_ falei passando a mãos olhos limpando as lágrimas violentamente_ Não deveria ter deixado ele ir. 

- Ele foi para nós ajudar... Talvez ele ainda esteja... Percy?

- O que?_ olhei para ele sem entender. Essa frase não fez sentindo nenhum, ela bateu a cabeça? Tá zuretando? 

- O Percy! Lá!_ ele se levantou apontando para algo atrás de mim, o bote balançou um pouco. VAI CAPOTAR!

- O Percy foi pego pela Squila Annabeth, já era, bau bau._ falei respirando fundo e olhando para o céu tentando não chorar mais.

- Não! Acho que o vento da garrafa tenha jogou ele para longe dela... Ray! Olha lá!_ ela continuou apontando.

- Você tá ficando doida_ falei olhando para trás e então eu vi um corpo flutuando na água, não consegui distinguir como o Percy, porque não enxergo, mas a uma distância não tão grande do indivíduo flutuante estava um saco de marinheiro de lona todo detonado, o mesmo saco que Percy tinha pegado, e também, o corpo não era tão grande para ser o Tyson ou a Clarisse, nem era cinza para ser um confederado então só sobrava o Fishman.

- Maldita fada aquática._ murmurei, fiquei em pé no bote e mergulhei na água, nadei até ele confirmando que era realmente o Percy Jackson, a parte ruim é que estava inconsciente e  levá-lo para o bote não ia ser um trabalho fácil. 

Peguei o que sobrou do saco de lona que havia sido destroçado pela Squila, provavelmente foi aquilo que salvou o Jackson de ser comido, enfiei dentro da blusa do Fishman e, com muita dificuldade, voltei nadando para o bote. 

- Ele tá vivo_ falei para Annabeth enquanto ela me ajudava a colocá-lo no bote. 

- Graças aos deuses!_ ela falou aliviada e então olhou de maneira estranha para a blusa do Jackson.

- Ah, isso é o que sobrou das coisas dele_ falei puxando o saco de lona.

- Ah sim.

- Eu sei que você achou que ele estava grávido_ brinquei, ela sorriu e concordou. 

- É, eu achei..._ E mais um momento de silêncio, fiquei encarando o Percy, parecia que estava só dormindo, bem, tecnicamente ele estava._ Tome, me ajude a costurar isso para fazer a vela_ Annabeth jogou alguns dos panos cinzentos no meu colo, suspirei e olhei na direção do desastre do Birmingham, senti um aperto no coração, ainda dava para ver a fumaça. Balancei a cabeça quando meus olhos se encheram de lágrimas e comecei a ajudar Annabeth a fazer a vela.

Mas... Eu não senti a chama se apagar... Tyson não morreu.



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