1. Spirit Fanfics >
  2. HALF-BLOOD PRINCE - Snack >
  3. Broke

História HALF-BLOOD PRINCE - Snack - Capítulo 1


Escrita por: TessaGrey

Notas do Autor


A história de como Snape perdeu seu coração

Capítulo 1 - Broke


Fanfic / Fanfiction HALF-BLOOD PRINCE - Snack - Capítulo 1 - Broke

– Lilly, cheguei.

– oh, bem vindo querido, como foi hoje? – sua pele macia e sedosa estava mais pálida do que no dia anterior.

– querida, você tomou suas poções? Sabe que precisa cuidar bem de sua saúde! – me alarmei ao vê-la andar com dificuldade até mim – ora, Sente-se!

Cobri a pouca distância com passos rápidos e a sentei na poltrona em frente a lareira.

– sabe que precisa de cuidados especiais nestes últimos meses...

– se eu pudesse tomar um banho de sol eu...

– querida, sabe que eu faço isso por vocês! – aquela história de novo, eu não poderia aumentar as doses agora, mas precisava que continuasse, faltava tão pouco agora.

– mas se você me deixar pegar minha varinha eu poderia pelo menos preparar o jantar, sair fazer compras...

– por favor, sabe que não pode...

– mas...

– pense no bebê! – Essa teimosia, era o que apagava todo o meu trabalho e me irritava, mas como já sabia das reações quando eu levantava a voz, me irritei mais ainda saindo do papel, respirei fundo e abracei suavemente sua barriga, ficando de joelhos na sua frente.

– Eu, eu sinto muito Sev, eu só queria fazer algo, sabe como fico quando fico muito tempo aqui dentro – ela disse.

– Sabe que é única forma de ficarmos juntos – falei, tentando me controlar.

– mas eu nem tenho notícias de ninguém, não tem nenhuma janela nem corujas, o flu não funciona, por que não posso...

– eles estão todos escondidos, sabe bem disso, não é? Se o lorde desconfiar de nós, se ele souber onde eles estão ou que eu te escondo – não queria alarmar, mas as vezes era necessário lembrarmos – estaremos todos mortos – conclui com um suspiro, escondi meu rosto no vale de seus seios agora fartos. Eu estava assustado, e muito. E não só com a possibilidade de sermos descobertos pelo lorde das trevas. Meu maior medo era pelo que eu estava fazendo.

– Eu sinto muito Sev, eu tomei sim as poções, só me sinto exausto, é tão cansativo, tudo isso parece tão surreal.

– sei como se sente, mas falta tão pouco, só espere nascer, ok? – o pior mesmo era ser lembrado disso, quando falava assim eu não tinha mais como me iludir eu não podia ficar ali imaginando e fingindo não ver o quão consciente ele estava do que estava acontecendo ali.

– Mas, algo vai mudar quando nascer? Por que, como você fará? Como vai simplesmente aparecer com um bebê? O que vamos fazer?

Respirei fundo, não podia mais adiar aquilo né, bem, de qualquer forma já estava com oito meses.

– nunca imaginei que fosse tão longe.

– hum – ele parecia entender do que eu estava falando, então tudo o que fiz foi admitir meus erros.

– era para ser só uma piada, uma vingança, mas fui longe de mais, reconheço e poderá me punir por isso depois, mas agora tudo o que peço é sua colaboração até o bebê nascer.

– está tudo bem, sabe que te amo e não me incomodo de me passar por Lilly se te faz feliz, mas estou preocupado com a criança, não sei cuidar de uma e não sei quanto tempo mais conseguiremos ficar aqui escondidos.

– Sirius... – não era uma boa ideia me abrir muito para ele, mas era um alívio saber que a amortentia estava funcionando perfeitamente, pensei por um momento e resolvi que seria melhor dizer a verdade – não ficarei com a criança.

O senti enrijecer sob mim e acariciei suavemente suas costas me ajeitando melhor para olhar em seus olhos. Mesmo ajoelhado e desajeitado nossos olhos se encontraram, aqueles olhos verdes lindos e intensos brilhando com confusão e angústia, como já era comum a algum tempo. Respirei fundo e fiz um singelo carinho em sua barriga, o tecido leve do vestido moveu-se suavemente sob meus dedos quando o pequeno me chutou se esticando. Levantei meu rosto mais uma vez para capturar uma careta no rosto da que tanto amei.

Mas aquele era um rosto falso, um rosto criado por mim, por minhas poções ministradas constantemente nele para que permanecesse assim. Por sorte consegui dividir os fios de Lilian que adquiri, o suficiente para os nove meses.

– encontrei um casal para ficar com a criança, será melhor assim.

– um casal, mas...

– é um casal trouxa, que tenta ter filhos a algum tempo, serão bons pais e estão longe de toda essa confusão.

– Você irá os confundir – não era uma pergunta ou acusação, seu tom só afirmava compreensão.

– é o melhor.

– É, é para o melhor – ele completou fazendo um carinho em seu ventre.

...

Oito meses antes

– Porra, Pontas, por que o ranhoso teve que vir hoje?

– Você sabe o porque.

– Sim, pois sou o convidado de honra dessa noite Black – tentei minha melhor cara de nojo e descarreguei todo o meu desprezo em seu nome.

– convidado de honra a minha bunda, eu que sou o convidado de honra afinal serei o padrinho.

– O quê?

– cavalheiros, por favor abaixem seu tom de voz, não queremos que Harry acorde – Lilian disse em seu tom mais conciliador – não conseguimos decidir por apenas um, por sorte não são casados, então ambos serão padrinhos.

– Você só pode estar brincando! – disse o vira-latas.

– Lilly por que você acha que esse vira-latas seria um bom padrinho para a criança? – falei, apontando para o descabelado e desalinhado ser.

Ela soltou um suspiro e veio até mim com o pequeno embrulho no colo. Thiago escorado na parede sorria demonstrando diversão com tudo aquilo.

– Sev, ele é divertido e você é responsável, são perfeitos juntos para serem os pais que nosso menino precisará em nossa ausência – sua voz determinada foi garantia o suficiente para que ninguém discutisse. Quando Lilian enfiava alguma coisa na cabeça não haveria discussão.

– e agora vocês poderão gastar um tempo juntos aqui para se entenderem – disse o tonto do pai da criança, abraçando Lilian por trás e a levando até a saída – vamos receber os outros convidados, se entendam e então estaremos esperando no salão para a cerimônia, o batismo será em duas horas – assim que Lilian saiu com o bebê e escutamos seus passos na escada ele voltou na porta – se entendam, se abracem, se beijem e estarei esperando o convite para ser padrinho do casamento – riu o lunático, trancando a porta por fora ao perceber uma escova de cabelos arremessada que passou a centímetros de seu cabelo espetado. Lilian.

Resignado, respirei fundo e me dirigi à poltrona de frente à lareira apagada, agora tudo o que poderia fazer era esperar que ele voltasse a tempo para nós irmos à cerimônia.

– eles pelo menos poderiam ter falado antes...

– Teria feito diferença? – Perguntei, mas não precisava de resposta, ambos sabíamos que nossa relação nunca foi boa e não faria diferença estarmos prontos, saber ou não o que eles haviam criado.

– Lilian tem tantas amigas, por que escolher justo o ranhoso? Poderia ter escolhido qualquer garota linda e eu poderia até dar uma chance a ela...

– Idiota.

– ora Snape, vamos te vestir de garota, com seu cabelo não vai ser difícil esconder essa sua cara feia.

– E por que você não se veste de garota? Você é mais baixo, magro, e seus cabelos estão muito maiores, mas pensando bem, nada no mundo conseguiria esconder essa sua cara ... ai, idiota, o que pensa que está fazendo? Solte meu braço se não quiser perder a mão.

– Você não é mais alto que eu ranhoso – aff, só o que me faltava o desmiolado começar uma de suas competições bobas agora. Mas ele soltou meu braço e voltou para onde estava escorado no pedestal da lareira.

– céus, como a Lilian pode permitir que um idiota como você cuide de sua criança.

– Pontas me chamou pois claramente sou a melhor opção.

– Sim, com certeza a melhor opção se levamos em conta os amigos que ele tem.

– o que quer dizer com isso? – Seu tom já denotava a ameaça, mas eu não consegui segurar minha língua.

– Levando em conta que um é um lobisomem...

Dando um passo a frente e com um simples gesto de varinha, minhas roupas escolheram em um micro vestido vermelho e um chapéu com um véu na cara.

– Você tem coragem, mas um péssimo gosto, como era de se esperar – levantei com a varinha na mão pronto para azara-lo, quando as portas se abriram.

– belas pernas!

– Thiago! Céus, vocês têm que aprender a conviver! Finite incantate! – foi tudo muito rápido e logo todos saíram da sala. E eu fiquei ali olhando a porta pela qual passaram, me sentindo humilhado e extremamente envergonhado por Lilian me ver naqueles trajes.

Ao passar pela porta vi algo brilhar, voltei um passo e reparei na escova de cabelos que havia caído arremessada em Thiago, tinha muitos fios ruivos embolados ali, era de Lilian. E de repente eu já havia a recolhido e guardado em meu bolso, já imaginando minha vingança.

...

– não se preocupem, ficaremos para organizar tudo.

– Sinto muito Sev, não sei se Sirius será de muita ajuda no estado em que está – disse a ruiva com um sorriso doce olhando para o descabelado amigo de seu marido jogado todo torto, bêbado e desmaiado no sofá.

– Trouxe minha bagagem e tenho poção revigorante, não se preocupe eu o farei trabalhar bem.

– Tenho certeza que sim – disse o Potter se aproximando com o pacotinho azul nos braços que ressonava suavemente – vamos querida, a noite foi longa e vocês precisam descansar.

– sim querido – sorriu a linda ruiva ao marido e se voltando novamente para mim me deu um abraço breve – obrigada Sev, conto com você! – me deu um beijo estalado na bochecha e se virou saindo com seu marido e filho, entrando na lareira e sumindo em meio as chamas verdes.

Com um suspiro cansado, tudo o que eu queria era dormir, mas ao ouvir um ronco alto no sofá me animei para minha vingança.

Retirei minha mala do bolso das vestes sob o efeito de um feitiço de encolhimento, deixando cair sem querer a escova de Lilian, repassei mentalmente todo o plano, buscando falhas, é claro que mais calmo vi o quando ele parecia um plano idiota e coloquei a escova sobre a mesa, desistindo de parte dele.

Desencolhi e abri a mala, olhando minha sessão de frascos, a casa estava tão silenciosa agora vazia. Os Potter não usavam aquela casa, desde que os pais morreram e nenhuma alma viva respirava no local desde então, foram necessários três dias e cinco pessoas para limparem tudo para a festa e agora provavelmente precisaríamos do mesmo tempo para guardarmos tudo e cobrir com os lençóis novamente.

Isso me dava três dias para a minha vingança. Peguei o frasco de revigorante e olhei para a última da fileira. Bebi um pouco da que peguei e a guardei, me sentindo imediatamente revigorado, pegando por fim a última.

– Você merece a dor da ressaca, mas hoje você fará todo o serviço sozinho, limpará toda a casa e ainda me tratará bem – levantei com o frasco em mãos e levei para ele, o puxei com brusquidão a se sentar – tome isso e vamos limpar essa casa.

– Hump – exclamou pegando a poção da minha mão e bebendo até o fim sem desconfiar. Não consegui evitar o sorriso ao ver o quão ingênuo ele era e assim que ele me olhou com aquele olhar tonto sabia que o havia pego.

Minhas poções sempre eram perfeitas e minha amortentia não seria diferente.

Depois de fazê-lo limpar e organizar toda a casa, ou pelo menos toda a área utilizada na festa, salão, cozinha e banheiros térreos ele estava quase desmaiando de cansaço.

– Você sabe que te amo, né? Fiz tudo o que você me pediu, será que não mereço um prêmio? – Disse todo ofegante e suado, mas ainda sorrindo, parado em meio a cozinha, com as mãos nos joelhos, tentando recuperar o fôlego, respirou bem fundo – Sev, estou cansado, mas se você me der um beijo terei energia suficiente para conquistar o mundo se você quiser.

– ora, não quero o mundo e mesmo pelo universo eu não beijaria um cara feio como você! – e tampando o nariz conclui – E sério, como pode alguém feder tanto?

– eu sou tão feio assim?

– você é um homem!

– Bem, eu sei, mas você também é, mas é lindo!

– É claro que sou, mas você é homem e um homem feio e fedorento.

– Eu... eu irei tomar um banho! – ele disse saindo correndo e eu ri.

Fui até a cozinha preparar um café e pensar no que fazer a seguir, com certeza a dose que ele tomou daria muito bem por pelo menos uma semana e eu poderia aproveitar bem cada segundo que teria de chance de o atormentar. Talvez devesse fazê-lo lamber meus sapatos, seria engraçado com toda a certeza. Leva-lo para lugares inusitados, fazê-lo escrever uma declaração? O que poderia fazer de pior? Algo que ele pudesse se sentir ridiculamente envergonhado e humilhado sem me expor, haviam dezenas de coisas em minha mente, vesti-lo de garotinha e tirar fotos deveria ser a primeira.

Transfigurei meu casaco em um vestido florido, fui até o banheiro e bati na porta.

– tenho uma roupa limpa aqui, não vá vestir essa coisa imunda aí.

– obrigado – disse abrindo um pequeno pedaço da porta e com o braço para fora recolheu a roupa da minha mão rapidamente.

– Passei café, venha para a cozinha quando se vestir.

Me virei e fui até a sala, precisava da câmera que estava na minha mala, deixaria tudo pronto, talvez conseguisse algumas poses se pedisse. Em minha mala eu tinha todas as minhas posses ao alcance de minha mãos, sempre que precisasse. Eu só precisaria na verdade de uma simples maleta com o feitiço extensivo não detectável, porém eu preferia assim, em um malão poderia organizar melhor os vidros das poções.

Na sala estranhei a posição da mala, assim como a posição de algumas poções, nunca faria aquela bagunça , sempre organizei elas por data de fabricação, deixando as mais recentes por último, quando vi a desordem imaginei algumas possibilidades, olhei ao meu lado na mesa e não vi a escova de Lilian, não precisaria conferir, mas mesmo assim dei falta do frasco, era para ter três de cada e só havia dois deste.

Corri como nunca para impedi-lo, mas era tarde, trombamos no corredor.

– Sev...

A voz doce e melodiosa poderia enganar a qualquer um, o vestido florido havia lhe caído muito bem, seus olhos verdes estavam grandes e me olhavam com grande contentamento.

Eu havia caído por sobre seu corpo, corpo que cheirava ao frescor do banho e à baunilha. Com um lindo sorriso no rosto, maçãs coradas e o cabelo espalhado pelo chão parecia a criatura mais linda do mundo. Mas sabia que era falso, tudo falso.

– Droga Black!

Minha vontade era socar a cara dele, mas não era a sua cara que estava me olhando agora, não, a ruiva sorridente na minha frente, nela eu jamais poderia encostar um dedo. Levantei rapidamente , me negando a sentir o calor do seu corpo, ou reconhecer o quanto tudo aquilo estava mexendo comigo. Me afastei, lhe dando as costas e fui para a sala.

– você só pode ter merda na cabeça!

Minha raiva aumentou ainda mais quando não estava olhando para o corpo pequeno ou o sorriso radiante.

– Sev, eu...

– porra Black, qual é a porra do seu problema! Como pode usar a imagem da Lilian assim?

– desculpa, eu não havia pensado nisso, mas veja, por favor...

– não quero te olhar! Pegue a varinha e tire isso logo!

– sabe que não funciona assim, ei, venha aqui, pare de fugir! Você disse que não poderia me beijar por eu ser um homem feio, agora não sou mais homem e nem feio.

– Sério? – me virei para ele, o mais distante possível – caramba que tipo de merda esse cara tem na cabeça?

Cruzei meus braços olhando a figura sorrindo docemente com expressão encantada olhando para mim.

– Você fica tão lindo bravinho assim.

– Idiota! – apesar de xingar ele e saber de quem se tratava, não pude evitar ficar envergonhado ao ver a linda ruiva falar algo assim.

Em poucos passos ele percorreu a distância e rapidamente me alcançando.

– Uau, você está vermelho!

– hump – esse idiota estava passando dos limites.

– acho que nunca te vi assim! Você é tão lindo!

– caramba, eu vou te matar!

Ele riu e me abraçou.

– você nunca faria mal a Lilly.

Acho que ele sabia de mais sobre mim. Talvez eu estivesse enganado, mas por um momento fiquei imaginando quem é que estava se vingando de quem. Ele me abraçou e quando tentei o empurrar, choramingou, exatamente como ela faria e então me apertou ainda mais forte.

– eu te amo! – disse soltando um pouco do abraço para olhar para cima, em seus olhos vi lágrimas e em seus lábios um biquinho contrariado – fiz isso por você e não me importo de ser mulher se puder ter você!

– Céus! – ouvir ela falar isso me deixou louco, mas eu não podia me iludir, não era a Lilian ali na minha frente, respirei fundo e a afastei, a segurando pelos ombros.

– Eu te amo! De verdade eu te amo! O que te impede agora? – Ele deu dois passos para traz e quando vi o que pretendia já era tarde – expeliarmus! Diffindo! Accio roupas! Brachiabindo!

Desarmado, amarrado e nu não tinha muito mais o que fazer ao não ser cair estatelado no chão e gritar.

– DEMÔNIO IDIOTA! O que pensa que está fazendo?

– Calma Sev, eu não posso evitar pensar que tudo isso que aconteceu hoje é o destino! O destino nos unindo afinal.

E eu não podia evitar pensar que o tiro saiu pela culatra. E o pior é que não poderia abrir o jogo e falar que lhe dei a amortentia, pois sabia que a primeira a saber seria a Lilian e não podia deixar que ela soubesse de forma alguma.

Tudo bem, assim que surgisse a oportunidade eu acabaria com aquilo e apagaria a memória do idiota. Agora, tudo o que eu podia fazer era me acalmar e enganá-lo para que me soltasse.

– Tudo bem, acredito em você, agora já pode me soltar – falei, me encolhendo para esconder minha nudez.

– Acredita? Você realmente acredita no meu amor? Caramba! Estou TÃO feliz!

– que bom que está feliz, agora você vai me soltar né?

Esperei e esperei, mas nada.

– Black? – falei e em um impulso consegui me virar para ver o que ele estava fazendo demorando tanto a me soltar e arfei com a visão. A ruiva estava nua e me comia com os olhos enquanto se tocava.

Uma de suas belas mãos de dedos longos e unhas clarinhas e compridas estava apertando forte seu próprio seio desnudo, enquanto a outra desaparecia no vale entre suas pernas. Ela estava de joelhos e encarava meu corpo sem nenhum pudor. Lilian jamais faria aquela expressão. Lilian jamais teria seus olhos tão concentrados em mim ao mesmo tempo que soltava ofegos e gemidos daquela maneira tão devassa.

– O, o que você... o que você está fazendo? – Falar parecia tão difícil e minha voz soava tão distante.

– Eu, ah, eu não sei, meu corpo está tão quente! É tudo tão diferente! – seus gemidos começaram a ficar descompassados, vi seu corpo arrepiar e tremer, e tudo o que eu queria era cobri-la com meu próprio corpo, em algum lugar da minha mente sabia o quão errado e doente era tudo aquilo, mas não consegui evitar a ereção que tive ao ver seu corpo convulsionar em busca do próprio prazer – preciso conhecer meu corpo para poder lhe dar prazer.

Aquela frase foi o estopim para que eu não aguentasse, gemendo junto com ela. A mulher mais linda do mundo estava ali diante dos meus olhos dizendo estar se preparando para mim. Nem em meus sonhos mais insanos poderia imaginar algo assim.

– porra – minha voz não foi nada mais que um sussurro, mas bastou para ela lembrar de mim ali e me dirigir um olhar faminto. Seus lindos olhos devassos percorreram todo meu corpo e pousaram em minha ereção, que já não havia mais como esconder.

– Ahh – gemeu e pulou sobre mim puxando minhas pernas, com a varinha fez poucos movimentos que ajeitaram as cordas de forma vergonhosa mantendo meus braços sobre a cabeça e minhas pernas abertas – lindo, lindo, lindo demais.

A vergonha era tanta que senti meu rosto inteiro ferver. Ainda mais quando ela se abaixou entre minhas pernas e abocanhou meu membro. Sua pequena boquinha mal dava conta da cabeça, mas a sensação era incrível.

Tão quente e tão macia. Quase explodi em um instante. Tremendo e gemendo me contive o suficiente para implorar que parasse.

– pare, por favor, oh... pare, Lilian jamais faria isso, pare...

– Não se preocupe, não sou a Lilian, pode aproveitar – gemi, a lógica distorcida dele fazendo sentido de uma forma bizarra – é bom né?

Suas lindas mãozinhas me acariciavam enquanto sua língua me deixava todo molhado, meu quadril começava a fazer movimentos involuntários.

Estava ficando maluco.

Aquele cara, totalmente pervertido estava me fazendo sentir coisas que jamais achei ser possível.

E de repente tudo parou.

Eu estava de olhos fechados, concentrado em apenas manter a minha respiração, que no momento não estava nem um pouco estável. Até que senti.

Primeiro suas mãos espalmadas sobre meu peito, e logo depois um calor intenso abocanhando meu membro e descendo e descendo e me consumindo por inteiro.

Aquilo era diferente.

O calor mais intenso, o fato de estar inteiro ali, tão apertado, quente e gostoso.

Abri meus olhos.

E a cena me deixou tonto.

Ela ali, montada em mim, de olhos fechados e boca entreaberta, ofegante. Para mim foi o estopim da loucura. Não sei desde quando estava liberto das cordas, mas em centésimos de segundos já estava com ela embaixo de mim, jogada no chão, com os cabelos revoltos no tapete gemendo alto enquanto metia feito um maluco a segurando firme pela suave cintura.

O orgasmo veio, mas o alívio não e como em um sonho me vi agarrado ao pequeno corpo levantando seu quadril e indo ainda mais fundo. Suas pernas se enrolaram na minha cintura me puxando e me fazendo parar com os movimentos.

Ofeguei sentindo escorrer nossas essências entre minhas pernas e olhei ela. Estava linda, corada, descabelada e ofegante, mas me olhava com um olhar tão intenso e um sorriso tão grande nos lábios que me senti envergonhado. Só de imaginar que não era Lilian ali e sim aquele idiota me deu uma vontade de apagar aquele sorriso convencido da sua cara. Me soltei de seu agarre e a virei de quatro, levantei então uma de suas pernas e me afundei em seu interior sem pudor, com força puxei seu corpo conta o meu, ouvir seus gritos e gemidos só me fazia ficar ainda mais maluco a pegando com força.

Por quanto tempo fosse possível eu queira me manter assim, mas quando seu corpo já não aguentava mais minhas investidas e finalmente cedeu caindo ao chão, eu me vi afundando em seus cabelos macios e úmidos, com um doce cheiro de baunilha, tão diferente dos cabelos com cheiro de lírios de Lilian e de bruços sentindo meu corpo tão exausto quanto ele me deixei levar mais algumas vezes, me afundando vertiginosamente em seu calor antes de sentir seu corpo todo tremer.

– OHH, SeveRUSSS...

– Ahhh – me desmanchei em seu interior, sentindo uma avalanche de sensações enquanto nossos corpos eram dominados por espasmos.

O alívio e a culpa chegaram ao mesmo tempo. Me retirei de seu interior sentindo um arrepio gélido pelo que fizemos e pelo que estaria por vir, mas ela ressonava baixinho apagada após tanto esforço.

Fiz um esforço para levantar, era madrugada ainda e estava esfriando consideravelmente, recolhi seu pequeno corpo, acolhendo em meu colo e subi as escadas encontrando um dos quartos a depositei na cama a cobrindo com cobertores. Segui para a sala arrumar e limpar tudo. Peguei roupas limpas em minha mala, a tranquei e encolhi, guardando, não podia permitir que aquele maluco idiota pegasse outra poção e fizesse merda de novo.

– Puta merda, maluco obsessivo! – ser capaz de fazer algo assim, mesmo sobre a influência da amortentia é extremamente doentio. Céus, a Lilian? Tinha que ser justo ela? Céus! No que eu estava pensando quando comecei tudo isso? Era lógico que ele faria de tudo para estragar tudo – terei que leva-lo para algum lugar até terminar os efeitos das poções.

– Hum, podemos ir para minha casa! – Disse uma voz empolgada às minhas costas, me agarrando pela cintura.

– Achei que levaria pelo menos dois dias para você acordar depois de tudo.

– Oh, é tão fofo você se preocupar assim comigo!

– Hump, sua casa é muito visível, Potter dará um jeito de lhe visitar e será uma dor de cabeça, melhor a minha casa.

– Você tem casa? Achei que morasse em Hogwarts!

– Idiota, é claro que tenho! Vou tomar banho – me livrei de seu agarre e segui para fora da sala.

– vou junto!

Parei a meio passo do corredor e ele tombou comigo. Senti seu corpo quente de encontro ao meu e tive um arrepio, ainda estávamos nus, o suor já frio em nossas peles e os vestígios de tudo o que fizemos poucas horas antes, deixando nossas peles grudentas, ambos precisávamos de um banho.

–Assim posso lavar suas costas! – disse ela me abraçando por traz.

– aff, faça como quiser.

...

Já faziam duas semanas que ele estava em minha casa, logo as férias iriam acabar e teria de voltar a Hogwarts e mesmo assim as poções ainda não haviam perdido o efeito.

Hum... talvez ele seja um daqueles casos de alta sensibilidade às drogas. Imagino o que seria.

– Sirius precisamos conversar! – Logo ao avistar e me deparar com ela ao meu lado na cama com um sorriso doce nos lábios.

– Hum, primeiro bom dia, né? Também preciso falar algo – disse ela, seu sorriso se convertendo em uma careta engraçadinha – e por que está me chamando de Sirius, ontem gemeu Lilly a noite toda para mim.

– Hum – odiava esse tom de ciúmes que usava as vezes, mas era inevitável, ele havia se tornado extremamente obsessivo e com o passar dos dias ficara ainda mais, respirei fundo – logo as aulas irão começar, irei para Hogwarts sem poucos dias, você poderá ficar o quanto quiser...

– estou grávido!

– impossível.

– pois estou – a mão delicada puxou a minha por sobre seu ventre e senti ali a flutuação de magia, tão palpável e real quanto nós dois.

– Mas, nunca antes na história foi registrado algo assim, mesmo com a polissuco...

– pois esse é o primeiro caso então! – Não conseguia parar de olhar e sentir aquele pequeno grãozinho de energia, que mesmo pequeno emanava vitalidade – e não pretendo deixar ir.

Demorei um pouco para entender o significado daquelas palavras.

– você... oh... mas é sério, é impossível mantê-lo, pois assim que você se transformar ele irá se desfazer, seu corpo... não haverá maneira de mantê-lo e irá eliminá-lo naturalmente – tentei falar o mais pausadamente possível, tentando por um pouco de lucidez ali naquela cabecinha, talvez passar essas duas semanas como mulher o tivesse ficar pirado de vez e agora achasse que era uma de verdade.

– eu já pensei nisso – e debaixo do travesseiro ele retirou uma escova e um vidro de poção. Os reconheci imediatamente, a escova de cabelos de Lilian e um vidro de polissuco pela metade – mais cedo percebi os sintomas do fim da poção e tomei, já vimos que um fio e um vidrinho desses dura por pelo menos um mês, só precisamos repartir os fios aqui para os nove meses.

Novamente sua lógica distorcida fazia sentido, mas...

– Por que? – vi a confusão em seu olhar e respirei fundo retirando a mão de cima dela – eu não entendo – minha vida estava indo para o buraco, novamente esse idiota estava só estragando meus planos e me dando dor de cabeça, cobri meus olhos com o braço, precisava pensar racionalmente – por que, por Merlin, você iria querer carregar um filho? E um filho meu? E nessas circunstâncias ainda! Não faz sentido.

– Pois para mim faz todo o sentido!

Eu ri. A amortentia foi muito forte para esse cara fraco.

– sei que não me ama, mas eu te amo e já amo essa pequena criaturinha que vem crescendo dentro de mim, então – ela parecia tomar um grande fôlego para concluir – e eu, eu jamais me perdoaria se a... hum... eliminasse.

Sua voz estava carregada de algo que não soube distinguir, algo como medo.

– Mas... – suspirou.

Aí vinha a questão, algo que eu já esperava.

– mas, você precisará da minha ajuda, não é?

...

Nove meses depois

– É uma menina.

– Eu, eu não sei se quero conhece-la Severus, se eu vê-la anos depois e a reconhecer?

– Entendo – não era hora disso, amarrei o cordão, a lavei brevemente e a embrulhei seguindo as orientações dos livros. Estávamos passando o fim de semana em minha casa novamente, quando a bolsa estourou. Não houveram contrações, mas foi um parto tranquilo, acho que ele já era muito acostumado a sentir dor, talvez por ser auror.

– Me sinto estranho.

O olhei e vi seu rosto ficar mais proeminente e seus cabelos mais escuros. As drogas já vinham perdendo o efeito. A poção de cura que lhe dei era forte e já imaginava que pudesse cortar os efeitos da amortentia e polissuco, principalmente por que a última dose já fazia mais de dez dias, mas não imaginei que fosse tão rápida.

– por quê, o que? – ele olhava para mim confuso e para o embrulho em meus braços. Logo um olhar de compreensão brilhou e eu confirmei.

– Foi a amortentia.

– merda! – Seu olhar era vago e confuso, talvez ainda sobre o efeito das drogas – você nunca foi confiável! Nunca! – Sua voz era rouca, como se não a usasse a muito tempo, e ali já estava Sirius outra vez – a quantos anos você me fez isso? Ah, esqueça, você nunca mais vai me enganar e nunca vai me pegar desprevenido novamente! – Ele abanava a varinha em desespero – você náum vai apagarrr minha memória! Você, você já fez isso? – sua voz soava meio mole e arrastada.

– não, nunca apagaria sua memória, sinto muito, tudo fugiu do controle...

– não invente desculpas! Pode enfiarrr elas no cheu rabo se quisser!

E aparatou.

Me deixando ali com uma linda bebê chorando em meus braços, de cabelos e olhos castanhos, emanando magia por todos os poros. Uma Black, inegavelmente.

– certo menina, vamos, vamos conhecer seus pais? – senti minha voz vacilar, mas sabia ser o certo.

...

Demorei muito para convencer o casal de dentistas a se mudar, afinal seria inconveniente se começarem a questionar não terem a visto grávida. Orientei a ministrarem a poção de maturação pelos próximos seis meses, assim ela terá mais forças para controlar a própria magia, pois por serem trouxas não saberão o que fazer, mas em compensação talvez sua idade sofra influencia.

Mas agora está tudo certo.

Tudo dentro do esperado.

Respirei fundo, sentindo que tudo enfim havia acabado. Mesmo não conseguindo descrever o que eu sentia naquele momento, me senti perdendo algo muito importante.

Voltei para a escola com o fim do final de semana, já amanhecia e logo teria de me preparar para as aulas.

– Severus, você! Onde esteve?

– Dumbledore! Estava organizando e terminando o meu estoque, o que houve? – o velho senhor veio correndo ao meu encontro assim que passei pelos portões.

– o segredo foi quebrado, Sirius foi preso, os Potters estão mortos...

– NÃOOOO – minhas pernas cederam, minha mente estava em branco – você prometeu, você prometeu...

– Voldemort caiu, o garoto sobreviveu...

– Lilian, Lilian... a Lilly...

– sinto muito Severus, Lilian e Thiago deram a vida pelo garoto.

– Não, não, não a Lilian... NAAAAÃOOO...

A dor inundou,  transbordou, queimou e...

...Quebrou.


Notas Finais


Ai me senti tão deprimida no fim, mas é isso!

Quis fazer parecer no começo que Sev era um vilão, mas vimos que não foi bem assim... e aí, o que acharam?

Sabem quem é a bebê?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...