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História Half-Kingdom (Taekook - ABO) - Capítulo 9


Escrita por: e felicity_nown


Notas do Autor


Oooi, como vcs estão?
Esperamos que gostem do capítulo!

Trad. do título: "Existe um lado muito agradável de você"

Capítulo 9 - There's a very pleasant side to you


Fanfic / Fanfiction Half-Kingdom (Taekook - ABO) - Capítulo 9 - There's a very pleasant side to you

Jungkook P.O.V


— Está feliz? – perguntei para Taehyung assim que notei sua feição atônita quando dei permissão para ele voltar para Haewon, sua casa. Eu estava receoso com a resposta dele.

Seus olhos cor de avelã estavam arregalados, a boca pendia entreaberta e as sobrancelhas estavam arqueadas. Sua expressão mudou de uma hora para outra e nunca o vi tão feliz em todos esses dias que ele passou no meu reino.

Então senti uma leve fisgada no meu peito. Aquilo doeu.

— Mas é claro que sim! – ele exclamou em seguida, sua incredulidade era eufórica. — Céus! Nem acredito que vou embora daqui. – pronunciou com um sorriso amplo no rosto. Contudo, repentinamente esse sorriso morreu e o vi franzir o cenho. — Espera, esse não é mais um de seus truquezinhos baratos para me conquistar não, né? – indagou desconfiado, os olhos semicerrados.

Senti uma indignação subir pelo meu sangue com aquela acusação. Porém, eu não tinha nem o direito de ficar furioso. Depois de semanas dando flores e cafés da manhã românticos para o ômega somente com o interesse de tê-lo comigo na minha cama, era mais do que óbvio que tudo o que eu fizesse seria resumido à segundas intenções.

Por isso eu apenas respirei fundo, tentando substituir minha indignação por paciência. Esse plano de Min Yoongi só fez piorar as coisas entre nós dois.

— Não é nenhum truque. – respondi sério, erguendo meu queixo. — Você me encheu tanto o saco que só quero me livrar mesmo. – impliquei, indiferente. Isso fez com que a felicidade dele voltasse. Argh! — Gostaria que esperássemos um pouco mais até o divórcio, para não causar uma reviravolta em Chinhwa. – mantive minha postura firme. — Enquanto isso, permanecemos casados no civil, mas não teremos nenhuma ligação afetiva. 

— Ou seja, vamos continuar na mesma. – o mais velho riu soprado, debochado. — Tanto faz para mim, só quero voltar para meu reino. Depois resolvemos sobre esses documentos. – deu de ombros. Engoli em seco.

— Já mandei Yoongi preparar a carruagem. Vocês vão poder ir amanhã de manhã, depois do café. – limpei a garganta e procurei falar tudo com seriedade, sem vacilar nas minhas expressões. — Assim que eu voltar para o meu castelo, vou escrever uma carta para seu pai, explicando porque você está voltando para o reino. Podemos manter segredo para ele também, se preferir. 

— Prefiro. – ele assentiu, concordando. — Essa carta será minha alforria! – e comemorou, verdadeiramente feliz.

— Que seja, chame-a como quiser. – falei ríspido antes de sair, deixando Taehyung para trás, contente com tudo o que eu disse para ele.

Só depois que eu me afastei dele que percebi que segurei meu fôlego nos pulmões após a minha última fala, de tão tenso que eu estava. Eu imaginei que ele ficaria feliz ao saber que poderia ir embora daqui, mas o que me surpreendeu foram as sensações que senti dentro de mim por vê-lo tão exultante. Por que me incomodou?

Isso é só mais um sinal de que deixá-lo ir foi a melhor escolha que já fiz.

Desde o meu cio eu tenho percebido que meus pensamentos alcançam o loiro numa velocidade assustadora demais para mim. Por mais que eu queira me enganar dizendo que era só pelo fato do quarto dele ser ao lado do meu e por isso seu aroma adocicado me seduzia com facilidade, eu sabia que não era só por isso. 

Tive a certeza para minhas dúvidas quando, sem influência dos meus instintos como alfa, meu corpo foi atraído até o mais velho de um jeito muito natural, naquele dia em que o encontrei na minha sala privada de rei. E ainda fiquei indignado com a mentira dele sobre a suposta atração pelo Yoongi - que descobri ser uma mentira após interrogar meu conselheiro incessantemente.

Aquele ômega estava me causando caos internamente e o pior é que eu me sentia vulnerável por não conseguir controlar meus sentimentos.

Eu jurei que ele cederia ao meu cio e bateria na minha porta a qualquer momento, exigindo que eu me apossasse dele. Ele bateu na minha porta, entretanto, conseguiu resistir à minha presença que fiz questão de deixar mais intensa. E eu fiquei ainda mais frustrado por esse fato! 

Kim Taehyung era uma pessoa firme em suas decisões e sem querer isso me admirava muito.

Sem falar que agi erroneamente antes mesmo que ele chegasse ao meu reino. Talvez ter ido pedir sua mão pessoalmente poderia ter nos livrado de tanta mágoa... 

E ainda por cima cedi às implicâncias quando ele chegou aqui, provocando também. Por causa disso cheguei à conclusão de que mantê-lo ali não nos levaria a nada, muito pelo contrário, iria atrofiar qualquer desenvolvimento para uma possível relação no mínimo amigável futuramente. 

Vê-lo descontente por estar longe de casa me fazia mal, então, mais cedo, eu mandei Jaehyun, meu escudeiro, procurar por Yoongi. Eu quis contar para ele sobre a minha decisão, antes mesmo de falar com Taehyung.

— O que quer, Jungkook? – o marquês falou desinteressado assim que me alcançou.

— Vossa Majestade. – corrigi de maneira autoritária, com minhas mãos atrás do corpo, o peito estufado.

— O que desejas, Vossa Majestade? – ele reformulou sua frase ironicamente. Eu sabia que ele nunca se acostumaria a me chamar assim, não adianta o quanto eu tentasse. — Desejas uma xícara de chá e massagens nos seus pés? – caçoou, porém, mantive minha cara fechada. Ele somente revirou os olhos, exigindo indiretamente que eu fosse direto ao ponto. 

— Bem, como você pôde ver, seu plano horrível não deu certo e eu passei meu cio sozinho. – falei e ele comprimiu os lábios, como quem está tentando segurar uma risada. Aquilo me irritou. — Você é um péssimo conselheiro. – ralhei com ele.

— Não sei porque acha que tenho a obrigação de fazer vocês dois darem certo. – o mais velho cruzou os braços e reclamou, como eu já esperava que ele faria. 

— Além de ser meu marquês, seu trabalho é me aconselhar, então, basicamente é sua obrigação, sim. – me mantive sério.

— Aconselhar, e não fazer milagres. – ele refutou, revirando os olhos mais uma vez. — Tá, o que quer que eu faça agora? 

— Prepare uma carruagem para amanhã com o destino reino Haewon. Kim Taehyung vai embora. – instruí, inexpressivo.

Por sua vez, o alfa pareceu espantado, até mesmo ficou boquiaberto e desfez dos braços cruzados.

— V-você tem certeza? – ele indagou, incrédulo.

— Absoluta. – pronunciei convicto. — Eles vão embora depois que o café da manhã for servido. – informei.

— Você não está sendo impulsivo, Jungkook? – meu conselheiro perguntou hesitante.

— Não. – abri um sorriso de lábios cerrados. — Você deveria ter pensado num plano melhor sabendo que Park Jimin também voltaria com ele se as coisas não dessem certo. – zombei. — Pode ir dizendo adeus ao seu ômega. – dei tapinhas em seu ombro antes de me retirar, virando as costas para um Yoongi estático e evidentemente chocado.


* * *


Agora eu já estava no meu castelo, dentro da minha sala privada de rei, com um papel amarelado na minha frente, em cima da mesa, e uma pena em mãos, pronto para escrever a carta para Kim Taemin, o pai de Taehyung.

Eu concordo que era meio bizarro o fato de que o ômega é considerado propriedade do alfa depois do casamento e por isso eu tinha que escrever naquela folha que eu permiti que o loiro voltasse para seu próprio reino. Era bizarro, mas infelizmente era como as coisas funcionavam na nossa sociedade.

Várias ideias atuais eram bastante questionáveis, sinceramente. Percebi isso ao passar esses dias ao lado de Taehyung. Quando se é um alfa e não encontra problemas relacionado a isso, você não consegue imaginar que lá fora, na sociedade, há ômegas e betas que sofrem com a discrepância de direitos.

Mas o mais velho abriu meus olhos e agora eu também não via problema algum de ômegas governarem reinos.

Por esse motivo, usei isso como justificativa para a volta de Taehyung para Haewon. Eu exigi que o rei Kim Taemin permitisse que seu filho reinasse ao seu lado para aprender a como governar, apesar de ele já se mostrar bastante promissor como um rei. Notei isso nos dias que ele cuidou de Chinhwa.

Citei que estava disposto a cessar a ideia de que somente alfas poderiam ser reis ou rainhas, o que não era uma mentira, no final de tudo. Escrevi tudo isso de um jeito que meu ‘’sogro’’ não pudesse desconfiar que eu e o filho dele terminamos.

Era estranho pensar nessa palavra sendo que nem ao menos começamos algo.

Enfim, também elogiei o reino Haewon e os cuidados que o rei tinha com sua terra - o que não era uma completa verdade - e por isso gostaria que Taehyung pudesse aprender com Sua Majestade.

Acrescentei mais algumas coisas, aproveitando para expor aquilo que eu não tinha coragem de dizer para o ômega, e até me senti mais leve assim que coloquei o último ponto final naquela folha amarelada.

Dobrei o papel, apanhei um envelope e coloquei a folha lá dentro. Em seguida, derreti a cera na vela acesa em cima da mesa e despejei o líquido derretido para que ele servisse de lacre. 

Antes que secasse, peguei o sinete com o brasão da família Jeon ao invés do que tinha o brasão do meu reino - por ser um assunto mais pessoal - e pressionei na cera, autenticando aquele documento.

Segurei o envelope, agora finalizado, e o virei em minhas mãos, soltando um suspiro desanimado. Uma ‘’carta de alforria’’, como Taehyung quis nomear. Ri sem humor assim que abri um sorriso melancólico, já me levantando para sair dali. Eu deixaria para amanhã a entrega do envelope ao loiro.


* * *


Taehyung P.O.V


O dia não poderia amanhecer pior. 

Eu sempre odiei tempestades e nunca achei que minha cólera pelo fenômeno pudesse aumentar; isso até eu abrir as grandes cortinas do meu quarto e me deparar com as nuvens pesadas e carregadas no céu. 

E eu sabia o que aquilo significava. 

— Era só o que me faltava! – exclamei furioso, ao mesmo tempo em que voltava a me jogar naquela cama que jamais achei que usaria novamente.

Nesse momento, alguém bateu na porta e eu consenti a entrada dela no cômodo, impaciente, notando apenas depois quem era.

— Algum problema, hm... Taehyung? – Jin adentrou o meu quarto, naquele ar doce e tímido de sempre, e eu logo me permiti sorrir, pois eu gostava de sua companhia; e ele havia usado meu nome!

— Oh, Jin, o dia não poderia ter começado pior... eu estava tão feliz, achando que poderíamos finalmente ir embora! – desabafei, apontando para a janela, e o ômega logo compreendeu minha angústia. 

— Sinto muito por isso, Taehyung... mas olhe pelo lado bom, não precisará mais se preocupar em encher o saco do rei Jeon. – dito isso, ele me mostrou a bandeja de café da manhã e eu finalmente notei.

O objeto prateado ainda estava cheio das delícias típicas do reino de Chinhwa; mas não havia formato de corações bregas, não havia flores, ou mesmo algum bilhetinho tosco. Mas o pior é que, de alguma forma, isso me incomodava. 

Por que eu estava sentindo falta dessa melosidade toda?

E, quando meu escudeiro saiu do quarto, eu pude refletir melhor; eu realmente não precisaria mais encher o saco de Jungkook e isso me deixava um vazio estranho, porque, assim, minha estadia naquele castelo não tinha sentido. Pois eu consegui o que queria.

Encarei minha própria comida. Eu não precisaria mais deixar de comer tudo propositalmente porque não havia mais obstinação, eu não tinha mais nada a provar; porém, ainda assim, eu não tinha fome, então deixei a bandeja parcialmente cheia e fui me arrumar. 

Coloquei minhas vestes usuais, arrumei meus fios loiros e, no final, me perfumei; o de sempre. No momento de posicionar a coroa, me encontrei pensativo. O acessório estava reluzindo ao lado da minha penteadeira, atraindo-me como se me pedisse para usá-la, mas eu sabia que não deveria. Eu não era mais o rei de Chinhwa, não precisaria mais me contentar com as migalhas desse poder que não me pertencia. 

No entanto, ainda assim não podia deixar evidente o rompimento entre mim e Jeon Jungkook para quem trabalhava no castelo. Fofocas poderiam ser criadas com isso.

Então, eu usei a coroa de rei, me sentindo um pouco sujo, falso.

Mas eu ignorei essas sensações, indo em direção à sala privada de reunião, como Jin havia me avisado; lá, os dois conselheiros já estavam à minha espera ao lado de Jungkook, que pareceu surpreso ao ver que não substituí a coroa que ganhei em nosso casamento pela antiga. Ele desviou o olhar em seguida.

Eu sentei-me próximo de Jimin, sem ânimo algum para aquela conversa. Afinal, eu já tinha certeza do que era, e não era nada de bom. 

— Como devem ter imaginado, a volta de vocês para o reino de Haewon deverá ser adiada, devido aos imprevistos climáticos. – o conselheiro de Jungkook começou, com aquela postura séria, e eu suspirei pesadamente. 

— Eu e Yoongi conversamos e concluímos que o melhor será mantermos a estadia aqui temporariamente, até que se torne seguro a nossa volta à Haewon. – Jimin falou, sua voz soando como um conforto para mim; afinal, ele devia saber que eu estava irado com a notícia.

Jungkook pigarreou, inclinando-se na mesa, e todos sabíamos que era sua vez de falar.

— Chinhwa sempre acolhe quem precisa, então não haverá problema algum em mantê-los aqui. – ele foi falando, num tom sério que eu desconhecia, pois estava estranhamente descarregado de arrogância; era quase automático, na verdade. — Vocês podem ficar o tempo que lhes for conveniente e serão devidamente tratados como hóspedes, não se preocupem.

A palavra "hóspede" pairava em minha mente... de alguma forma, ainda era esquisito pensar que eu cheguei como noivo, em seguida virei marido e, agora, um... hóspede.

— Alguma previsão de quando tudo isso vai passar? – eu questionei, sem fazer questão de esconder minha ansiedade. 

— Especializados no assunto estimam que irá durar dias, talvez semanas. – informou Yoongi, receoso. — Não se sabe ao certo. 

Então, eu assenti e foi isso o que deu fim à pequena reunião. Eu percebi, logo em seguida, que o maior objetivo com aquilo parecia ser que eles assegurassem minha aceitação a respeito daquilo; mas esse pensamento me incomodou, afinal, o que eles esperavam que eu fizesse? Acharam que eu ia surtar, ou algo assim?

Tudo que eu podia fazer era praguejar por conta desse maldito clima!

Eu suspirei, sentindo Jimin afagar meus cabelos dourados levemente, num ato de consolo, antes que eu ouvisse alguns passos ecoarem, anunciando que eles já estavam se retirando, inclusive meu melhor amigo. 

Eu pus a mão no bolso de minhas vestimentas e dei um meio sorriso satisfeito quando encontrei o pedaço de papel. Desdobrei-o, observando o desenho colorido, feito em linhas tortas pelo pequeno Eunho, o garotinho do orfanato. Eu não pude evitar sorrir com a lembrança, pois era simplesmente adorável demais. Eu e Jungkook até quase parecíamos um casal fofo na pequena ilustração.

E meu coração apertou no mesmo instante com esse pensamento, pois agora eu imaginava a reação da criança assim que soubesse que isso estava longe de ser o conto de fadas que idealizava.

— Aqui, sua alforria. – e só então eu percebi que Jungkook continuava presente no cômodo.

Me senti um pouco incomodado ao saber que ele estava ali me observando há um tempo, mas apenas aceitei em silêncio e de bom grado a carta que ele me entregara. Ainda fiquei sentado na mesma posição, por alguns segundos, encostado no estofado da cadeira, esperando que o alfa se retirasse, mas ele não o fez. 

— Eunho, não é? – ele finalmente pronunciou, apontando para o desenho que eu mantinha em mãos. 

Eu assenti, desconfiado com o seu comportamento. 

— Vem comigo. – ele chamou de repente e finalmente eu o encarei.

Ele não estava irônico, raivoso ou indiferente, apenas... casual, como se falasse como um amigo; ainda assim, eu estreitei os olhos com o convite e ele percebeu, finalmente revirando os olhos num sorrisinho sarcástico.

— Calma, só vou te mostrar uma coisa. – disse. — E não é o meu corpo! – acrescentou rapidamente, dando uma piscadela antes de se retirar, esperando que eu o seguisse. 

Eu agradeci por ele ter dado as costas, assim ele não saberia que o ato havia surtido efeito, mais do que eu gostaria.

Eu o segui pelos arredores do castelo, ainda um pouco desconfiado, mas minha mente trabalhava sem parar porque eu admito que estava curioso para saber do que se tratava. Então, nós chegamos no local que eu reconheci como seu quarto e eu arfei. 

As lembranças da última vez que eu estive ali ainda eram frescas e eu tive de lutar contra elas, pois estas ainda me atingiam com muito impacto. Eu tomei liberdade para me sentar no colchão macio da enorme cama, tentando me concentrar no motivo pelo qual eu estava ali. 

Observei o rei se curvar, abrindo uma das gavetas da cômoda luxuosa que havia ao canto. Ele retirou de lá uma caixa consideravelmente grande e, quando ele veio em minha direção, eu inconscientemente prestei atenção naquelas roupas justas que ele usava e não pude evitar, a minha mente fez questão de me lembrar o que aquelas vestes escondiam. Mas eu imediatamente espantei esses pensamentos.

Seja lá o que fosse que tinha dentro daquela caixa, ele guardava com cuidado, então me vi curioso ao desfazer a fita de cetim azul para finalmente ver o que tinha no interior. Não pude evitar ficar surpreso.

— Isso é tão... 

— Hm... fofo, encantador? – ele foi completando, com aquele sorrisinho dele que me irritava. 

— Eu ia dizer "tão não você", mas dá no mesmo. – brinquei ao dar de ombros e ele fez uma careta, como se fingisse estar ofendido.

Eu sorri, começando a pegar cada um das folhas dentro daquela caixa; cada uma possuía desenhos únicos em traços tortos e coloridos que eu já conhecia. Eram alguns desenhos em que Eunho aparecia perto de crianças do orfanato, de funcionários ou até mesmo sozinho, mas a maioria era ele ao lado de Jungkook.

Meu coração foi acariciado ao pensar que o alfa fizera questão de guardar todos os desenhos do garotinho. Quando que Jungkook havia se tornado tão... encantador?

— Ele é um garoto muito especial. – ele disse, recolhendo um dos desenhos e sorrindo ternamente para ele.

Eu me peguei admirando a cena de um Jeon Jungkook ao meu lado na cama, sorrindo para um desenho infantil. Eu não queria esquecer essa imagem tão cedo. 

— Definitivamente. – concordei e ele riu, logo olhando para mim.

— Olha só, finalmente algo em que concordamos. – brincou o rei.

Mas eu não me senti ofendido, não havia motivos... ele não usava aquele tom de escárnio e a atmosfera entre nós estava estranhamente leve. Então, quando vi, já estava rindo também.

Nossos risos cessaram e um silêncio bastante cômodo - para minha surpresa - se apossou do ambiente ao nosso redor. Estávamos mergulhados em nossos próprios pensamentos, ainda admirando cada desenho que aquele garotinho cativante fizera para o alfa. Havia tanto carinho naqueles traços...

Jungkook continuava com um sorriso no rosto, os olhos brilhavam de fascínio. Não pude evitar pensar o quanto nossa relação já mudou depois que rompemos as considerações do casamento. É cedo para dizer isso, mas tudo soava leve agora, livre de cobranças desnecessárias. Acho que poderemos conviver no mínimo bem nessa tempestade, que ainda tinha o fim incerto. 

O mais novo acordou diferente hoje e isso me fez ter uma ideia. Com o tempo que passei sendo o rei definitivo, eu sei que enquanto essa chuva continuar violenta, Jeon Jungkook vai ficar livre de algumas funções do reino, ou seja… terá tempo de sobra para a ideia maluca que acabei de ter. 

— Hm, Jeon? – chamei por ele, um pouco receoso. Ele parecia estar menos irritante hoje, mas isso não quer dizer que ele estaria menos ignorante, por isso estava com um pé atrás.

— Sim? – ele virou seu rosto para mim, ainda com um sorriso nos lábios, mas logo o desfez, talvez para parecer menos penetrável, sei lá. Acho que ele percebeu que estava sorrindo demais. Repentinamente senti uma insegurança para fazer o pedido.

— Eu realmente gostaria de aprender tudo sobre como governar e essas coisas… – pronunciei baixo, desviando o olhar, sem graça. — Se não for te atrapalhar… você pode me ensinar? – finalmente pedi, levantando meu olhar hesitante para ele, que agora tinha uma de suas sobrancelhas contraídas, como se estivesse desconfiado de algo. 

No entanto, não era novidade para ele minha ambição de me tornar herdeiro do trono de Haewon.

— Ajudo. – respondeu indiferente até demais, mas a euforia que invadiu meu interior não permitiu eu me importar com o tom de voz dele.

Eu nem tentei esconder o enorme sorriso que se formou em minha face e eu acho que, de alguma forma, isso contagiou o alfa em minha frente, pois ele virou o rosto como se quisesse esconder o próprio sorriso. 

— E quando começamos? – perguntei em êxtase, observando o moreno guardar os desenhos e colocar a caixa dentro da gaveta, com muito cuidado. 

— Agora. – ele respondeu, simples.

— Agora!?

— Sim. Você quer ou não?

— Eu... sim, mas... já está tudo pronto? – fui questionando, talvez parecendo meio bobo por tropeçar nas próprias palavras, mas eu realmente não esperava começar tão cedo! — Digo... não vai me dizer que aqui já tem uma sala de aula também.

Mas ele não respondeu, apenas saiu do próprio quarto antes de soltar um pequeno riso e eu o segui.

— Espera..! Tem mesmo uma sala de aula?


* * *


— Não acredito! Por que aqui tem uma sala de aula? – eu estava realmente surpreso, porque sequer me lembrava da existência desse cômodo. Nem quando mais novo, nem quando pude explorar melhor o castelo nos meus dias de rei. Eu não havia prestado atenção nesse local.

— Porque meu castelo tem de tudo. – ele deu de ombros, se gabando, e eu revirei os olhos. — Não vamos perder tempo, sente-se. – ele ordenou, apontando para algumas carteiras dali, enquanto se posicionava ao lado do quadro negro. 

— Uau, que sério. – comentei descontraído, sentando-me na carteira da frente, a que ficava mais próxima de meu professor particular.

— Esse assunto deve ser levado à sério, eu realmente não estou aqui para brincadeiras, Taehyung. – ele falou, num tom severo, e eu sequer me incomodei com o fato de ele ter usado meu nome; não havia mais motivos para isso.

Logo, me peguei pensando... assumir o trono aos 15 anos deve ter sido, de fato, muito difícil, então realmente deve ser um assunto delicado para ele. 

E foi na mesma época em que nós cortamos nossa amizade, então nem mesmo pude acompanhar o processo. Inconscientemente, eu me vi curioso, afinal... como ele lidou com isso?

— Ei, presta atenção. – eu senti um giz atingir minha cabeça nesse momento, me tirando à força de meus devaneios, e me virei indignado para o moreno no mesmo instante.

— Ei!

— Eu não estava brincando quando disse que era um assunto sério, e não vou pegar leve com você. – ele alertou e eu ri soprado. 

Não queria que ele pegasse leve. 

Vi o mais novo sentar-se numa mesa - a que era, supostamente, do professor - de costas para mim e apanhar um outro giz, começando a escrever. Eu sorri ao ver a palavra escrita no quadro. 

— Uma das partes mais importantes de um reino, definitivamente, é a economia- 

— Eu já sei.

— O quê..? – ele se virou para mim.

— Eu já estudei bastante sobre esse assunto e eu fui fundo em minhas leituras. – eu falei sincero e vi o rei surpreso; primeiro porque eu tinha o interrompido, segundo porque eu estava certo sobre meus conhecimentos. — Se eu tiver alguma dúvida sobre isso, eu pergunto, mas por enquanto prefiro explorar o que eu não sei.

Jungkook sorriu, parecendo determinado. Eu o vi se virar de volta para o quadro e apagar a palavra que havia escrito, escrevendo outra por cima. Eu quis rir de novo. 

— Geografia da Coreia? Eu já sei. – expus simples, me jogando na carteira, numa postura relaxada.

Eu arqueei uma das minhas sobrancelhas, num sorriso irônico, querendo passar para ele a mensagem de "é só isso que pode fazer?" e eu o vi sorrir determinado outra vez, aceitando a provocação.

— Rede de transportes? Fácil! – exclamei, vendo ele novamente apagar a palavra e substituir por outra. — Turismo? Já sei.

Eu me sentei na mesa de minha carteira, me virei para ele, sem me preocupar com os bons modos, e me inclinei em cima do móvel. Por alguns segundos, vi o olhar de Jungkook percorrer meu corpo, enquanto mordia levemente o lábio inferior, e ele não fez questão de disfarçar; por outro lado, eu sequer pude me sentir indignado com isso, porque meu olhar também o secava de cima a baixo.

Volto a admitir: Jungkook era um alfa realmente bonito e de presença marcante, então estar naquela sala com ele fazendo papel de professor não ajudava, porque ele ficava ainda mais sedutor. E aquelas roupas coladas de rei... céus! Eu não conseguia parar de pensar no que havia por debaixo delas!

— Tem algo que você não sabe. – ele comentou de repente, com um sorriso incitante, como se me desafiasse a não saber o conteúdo.

— Duvido. – eu sorri de volta, aceitando o desafio.

O mais novo saiu de cima da mesa onde estava e veio caminhando em minha direção, mantendo aquele olhar de provocação. Eu não ousei vacilar. Ele já estava a menos de um passo de mim quando disse: 

— Aposto que você não sabe que em todo castelo há passagens secretas e você não faz ideia de para o que elas servem. – ele falou num tom perigosamente baixo, para me instigar. 

E funcionou, mas eu tive que rir. Ele olhou para mim, sem entender, e eu me inclinei ainda mais para perto dele. A mesa que eu estava era consideravelmente alta e me permitia ficar quase na altura de seus olhos, então, quando me aproximei, nossos rostos ficaram tão próximos que eu senti sua respiração bater contra a minha. Eu não pude evitar ter lembranças do nosso beijo e tenho quase certeza de que ele também pensou o mesmo pois, por um momento, seu olhar caiu sobre meus lábios.

— E como você acha que eu ia fugir do nosso casamento, Jungkook? – admiti, usando o mesmo tom baixo que ele tinha usado comigo, segundos atrás.

Eu sorri, porque havia surtido efeito. 

Mas, logo em seguida, a expressão dele vacilou. Suas sobrancelhas se arquearam e seus lábios se entreabriram. Ele estava realmente surpreso e, por um momento, eu achei que ele fosse ficar furioso com a minha revelação.

Porém, de repente, ele riu alto, contrastando com minhas expectativas. Eu não pude evitar rir também, porque sua risada era realmente contagiante, livre de ironia, de deboche ou escárnio...

Era apenas um riso casual. E, céus... 

Ele ficava muito bonito quando mostrava aqueles dentes!

— Voltou por amor a mim, foi? – brincou e eu pisquei algumas vezes para sair daquele transe de observá-lo rindo. 

Jungkook ainda mantinha o sorriso no rosto, esperando eu responder sua pequena implicância, e eu ri. 

— Foi só para encher seu saco mesmo. – comentei dando de ombros e ele riu de novo, balançando a cabeça.

De repente... passar aquela tempestade com esse Jungkook não parecia ser tão ruim. As coisas entre nós estavam leves e até mesmo divertidas, e isso me dava gatilhos de nossa infância e juventude. Eu não desgostava.

E eu pretendia manter desse modo.


Notas Finais


não é hoje que o Tae vai emboraa
amém tempestade hahaha
qnts capítulos vocês dão pra que isso dure, hmmm?
esperamos que tenham gostado do capítuloo 💜💜 @felicity_nown & @m4ry_tk


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