História Halloween Tales 01 - Capítulo 1


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Categorias Originais
Tags Escolar, Goosebumps, Halloween, Licantropo, Lobisomem
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Palavras 1.585
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Comédia, Fantasia, Mistério, Shounen

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Capítulo Único


Lá está ela. Do outro lado da sala. Longos cabelos marrons, unhas afiadas, olhos amarelos. Enquanto ela conversa com suas amigas, posso ver presas enormes em sua boca quando ela ri.
Se alguém traz alguma comida, ela sente o cheiro de longe. Apesar de vestir um uniforme escolar normal, vejo muitos remendos nele. Eu imaginava o porquê disso, até um dia eu vê-la coçando sua barriga e, no processo, abrindo um enorme rasgo em sua camiseta com suas unhas enormes.

Ela tinha de ser um lobisomem, não?

Todo dia eu percebia algo canino naquela garota. Até seu nome me lembrava cães: Fifi.

Eu me achava tanto a pessoa mais esperta da cidade quanto a mais conspiratória. Será que eu estava percebendo algo que as pessoas não estavam percebendo? Ou será que tudo aquilo estava na minha cabeça?

Fifi era uma lobisomem. Eu tinha certeza disso. E se ela fosse um mesmo, toda a sala poderia estar em perigo.

Desde que a Fifi apareceu em nossa classe no começo do ano, dois alunos pararam de vir. Eu achei que era apenas uma coincidência, mas ao pensar melhor, percebi que só havia uma causa para isso: Fifi comeu os dois.
Não conseguiu segurar sua fome animal, e abocanhou dois alunos. Quem será o próximo? E se for eu? Eu precisava pensar em algum jeito de expor aquela garota pelo que ela realmente era.

Mal percebi que eu a estava encarando intensamente. Quando dei por mim, Fifi também estava olhando para mim. Ela parecia envergonhada, mas deu uma piscadela em minha direção, e voltou a falar com suas amigas.
Fiquei vermelho, mas sabia que aquilo era um truque. Um truque maquiavélico para se distanciar de qualquer suspeita. Ela pensa que eu vou achar que “lobisomens não piscariam para um humano assim”, mas ela está enganada. Qualquer lobisomem faria algo assim para parecer mais naturalmente humano... eu acho.

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Um novo dia, e uma nova oportunidade de desmascarar Fifi. Eu novamente olhava intensamente para ela, e a garota continuava a conversar com os alunos à sua volta, como se estivesse isenta de culpa.

- Eu vou te pegar, Fifi. Você não perde por esperar.

Meu plano estava pronto para ser posto em ação. Na hora do recreio, eu jogarei um osso para cima. Não conseguindo esconder seus instintos caninos, Fifi pulará no ar e pegará o osso com a boca, provando assim sua “caninidade”. Espera, isso é uma palavra? Ah, quem liga.

O sinal bate, e não consigo esconder um sorriso. É hora de agir.

Segui Fifi e suas duas amigas pelos corredores da escola, até chegarmos no pátio.
As pessoas olhavam para mim, confusas, pois eu estava segurando um osso enorme na mão, mas eu não ligava. Hoje, eu seria um herói, o herói que desmascarou Fifi, a perigosa lobisomem.

No pátio, Fifi encostou-se no muro da escola, e jogava conversa fora com suas amigas, que provavelmente também não sabiam que elas falavam com um cão em forma de mulher.
Então, após contar até três para me dar coragem, coloquei dois dedos na boca, dei um baita de um assobio, e joguei o ossão no ar.

Como eu havia previsto, Fifi deu um baita pulo no ar, e pegou o ossão com a boca. Ela tinha mordido a isca, literalmente!
Após dar um mortal, ela caiu de pé e com os braços abertos, perfeitamente. Em qualquer competição de pulo, ela teria ganho um dez.

Apontei para Fifi, e disse a frase que eu havia treinado há semanas:

- VIRAM?! ISSO É PROVA DE QUE FIFI NÂO É QUEM VOCÊS PENSAM QUE ELA É!

Mas então... todos do pátio começaram a bater palmas. Não para mim, mas, aparentemente, para Fifi.

Ela foi rodeada por garotos e garotas, parabenizando-a pelo pulo.

- Foi incrível! Não sabia que você era uma acrobata! – disse uma de suas amigas.

Fiquei paralisado por alguns minutos, me perguntando o que eu fiz de errado.
Então, quando o sinal tocou novamente, o grupo se dispersou, e Fifi andou em minha direção. Ela me devolveu o osso, e disse:

- É feio jogar lixo no pátio da escola, Marcelo.

Peguei o osso, me sentindo derrotado.

Ela havia se safado.

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A esse ponto, eu estava me perguntando se Fifi realmente não era apenas uma acrobata habilidosa... Que realmente lembra um cachorro em muitas das coisas que ela faz.

Tinham se passado dois dias desde o acontecimento com o osso. Nesse meio tempo, acabei ouvindo da professora que um dos alunos que havia parado de vir estava melhorando; Aparentemente, ele tinha pego uma doença brava e estava hospitalizado. Ela tinha dito isso para a sala, mas acho que eu faltei no dia ou algo assim. E o segundo aluno? Ele voltou para a escola. Ele tinha quebrado o braço, e estava em repouso.

 

Agora, eu só tinha minha intuição para confiar. Nada do que eu havia tido como certeza que tornava Fifi uma lobisomem era verdade. Eu estava mais para um louco conspiratório do que um herói.
Me perguntei o que eu iria ganhar agora se eu provasse que Fifi era uma lobisomem. Fama? Fortuna? Paz mental? Nada daquilo parecia valer a pena. Eu apenas estragaria a vida dela.

Por isso, decidi parar de tentar provar qualquer coisa, e apenas viver minha vida escolar em paz, e deixando Fifi viver a dela também.

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Uma semana após a minha decisão, eu estava me sentindo ótimo. Eu não tinha nada com o que me preocupar, e viver parecia bem mais fácil. Como não precisava me preocupar com Fifi, eu podia prestar muito mais atenção nas aulas, o que fez com que as matérias parecessem bem mais fáceis para mim. Era incrível.

Mas então, a coisa mais insana me aconteceu na saída da aula: Fifi me parou, e me puxou até um beco próximo da parte de trás da escola.

Ela me colocou na parede, e eu pude ver de perto suas garras. Eu achava que elas eram unhas, de longe, mas elas realmente eram garras. Eu senti que elas poderiam me rasgar tão fácil quanto ela rasgava sua camiseta.
Seus olhos amarelos eram intimidadores, e seu cabelo era selvagem. Ela era musculosa, especialmente para uma garota de dezesseis anos.
Eu não imaginava o porquê de ela ter me puxado para lá, mas minha mente conspiratória decidiu botar na minha cabeça que havia chego a minha hora: Eu não havia desmascarado Fifi como a lobisomem que ela era, e agora, ela iria me comer.

Comecei a tremer, até que eu decidi olhar diretamente para o rosto de Fifi. Ela parecia... envergonhada?
Juntei toda a minha coragem e perguntei:

- P-por que você me trouxe até aqui, Fifi?

- P-porque eu queria... perguntar algo pra você.

Fiquei confuso.

- E o que seria?

Pensei em diversas possibilidades. “Você tem pouca gordura?”, “Você saberia me dizer se você é delicioso?” e “Quantos quilos você pesa?” foram algumas que passaram pela minha cabeça.

- Por que... você parou de olhar para mim? – perguntou ela.

Agora sim eu estava confuso.

- Perdão? – consegui perguntar.

- S-sabe... Você tá sempre olhando para mim... com esse seu olhar penetrante... Mas de uma semana pra cá, você parou de me observar!

- E isso é um problema?

- Claro que é! N-nunca ninguém olhou tão intensamente assim para mim... E-eu acho que me apaixonei.

Pontos de interrogação começaram a surgir em minha cabeça. Meu cérebro e meu coração estavam tão confusos que eu simplesmente entrei em pane.

- E então? – insistiu Fifi - O que aconteceu? Por que você parou de olhar para mim? Eu disse algo errado? EU FIZ ALGO ERRADO?

- Não? Eu parei de olhar pra você porque eu provei pra mim mesmo que você não era uma lobisomem!

- Ué, mas eu não sou uma lobisomem. – respondeu ela.

Senti como se um peso enorme tivesse sido levantado da minha alma. Eu só estava sendo paranoico, e ela é uma garota normal afinal.

- Eu sou um licantropo. – explicou ela.

- ... oi? – perguntei.

- É, sabe, lobisomens precisam da lua cheia. Eu não preciso da lua cheia. Olha só.

E então, vi Fifi, que já era mais alta que eu, ficar o dobro da minha altura, peluda, e com o focinho de um cão. Um cão enorme.

Com dificuldade de falar por causa de sua boca enorme, Fifi disse:

- Biu? Licandopo. (tradução: Viu? Licantropo)

Fifi voltou ao seu tamanho normal, e eu fiquei ainda mais sem reação.

- I-isso é bom – foi tudo o que eu consegui dizer.

Fifi riu.

- E-eu nunca mostrei pra ninguém a minha transformação... Uau, é como se um peso tivesse sido tirado da minha alma! – espera, já ouvi isso em algum lugar – Finalmente eu tenho alguém que tem a cabeça aberta o bastante para não ligar de eu ser um licantropo!

- C-c-c-c-claro – consegui dizer, mesmo com meus dentes batendo feito loucos.

- Que demais! – comemorou Fifi – Então... te vejo amanhã, Marcelo.

Fifi se aproximou e me deu um beijo.

- Espero ver seu olhar penetrante amanhã de novo, hein? Ele é tão maneiro!

E assim, Fifi foi embora, saltitante, para sua casa.
E eu fiquei lá, no beco, por mais ou menos meia hora, pensando na vida.

É, eu estava certo. Ela era uma lobisomem... ou melhor, uma licantropo. E ninguém além de mim percebe isso.
Mas se ela não vai comer ninguém... Acho que não tem problema nenhum eu manter esse segredo comigo.

Só espero que ela não me coma no nosso primeiro encontro.



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