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História Halo - Capítulo 11


Escrita por: ana_cappu

Capítulo 11 - Meu amado filho


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O senhor das trevas estava, pela primeira vez, encurralado. Ele sequer sabia para onde correr depois de tanto julgamento. Era como se tivesse sido traído, friamente traído por aquele que carregava sua confiança maior. 


Pensou em fugir, em evitar aquele confronto. Não era como se pudesse temer a Deus, havia algo além disso. Lúcifer carregava uma mágoa profunda do senhor dos céus, uma mágoa que atordoou o seu coração de pedra. 


Saber que Taehyung havia se rendido a um anjo só piorava toda aquela situação. Era o seu trono, seus domínios e seu primogênito. Era sobre sua existência e tudo que havia conquistado, era por isso que estava lutando tão confiante. 


Com o olhar vago e os lábios ressecados, Lúcifer parecia repensar os próprios princípios, pela primeira vez desde que assumiu Tártaro. 


— Onde foi que errei? — Questionou-se pesaroso. 


Havia colocado tanto esforço em seu plano, tanto tempo e tanta dedicação que de nada serviriam aquela altura. Não bastava o título de senhor das trevas se era incapaz de tocar humanos vivos. Almas mortas e pecadoras não serviriam para seus propósitos. 


Atingir a Deus era bem mais eficaz quando seus "filhos" lhe eram tomados brutalmente, sem qualquer motivo principal. Queria lhe trazer a dor, a angústia e o arrependimento. Queria que o senhor dos céus sofresse lenta e dolorosamente a cada perda. 


— Lúcifer... — O tom macio e angelical ressoou nos ouvidos do demônio fazendo-o estremecer. 


— Saia da minha cabeça, você não tem esse direito!  — Retrucou na tentativa de espalhar aquela voz quente que mexia com sua mente. 


— Você sempre desejou alcançar-me, ferir-me. Eis que estou aqui por você. — Aquela voz suave se tornava ainda mais nítida, como se Deus realmente estivesse por perto. 


— Por mim? O que você ganharia com isso? Você sabe que eu queria destruí-lo... que eu quero destruí-lo. — Continuou inconformado com a tranquilidade do senhor dos céus. 


— Mas eu o protegi. Sempre estive aqui por você. — Ele continuou com sua calmaria e gentileza. 


— Não me faça rir. O que você fez por mim? Me deu Tártaro? — O demônio gargalhou ironicamente diante daquele que lhe proferia tão doces palavras.


— Você deveria ser punido com sua alma, mas ao contrário disso eu lhe dei todo um reino. — O senhor dos céus manteve sua compostura ate suspirar entristecido. — Eu confiei plenamente em você, você era meu braço direito e ainda assim, me traiu. 


— Trair você? — O demônio revirou os olhos sentindo a fúria lhe atravessar a garganta. — Porque meus ideias iam contra os teus? Porque eu fui aquele que teve coragem de ir contra vossa palavra? Porque eu expus os meus pensamentos? Porque eu simplesmente o desobedeci? 


Naquele momento, todo o entorno de Lúcifer queimou. As chamas ardentes envolveram sua forma demoníaca enquanto as asas negras se libertavam tomando espaço em suas costas. Diante daquele que ardia em ódio, uma luz acendeu, revelando a figura iluminada a qual jamais conseguiu esquecer as feições. 


O senhor dos céus havia o permitido estar em sua presença, ele estava ali elegantemente vestido com trajes brancos. Os fios longos de seu cabelo emoldurando a face máscula bem marcada, mas ele parecia triste. 


— Não. O que me fez tomar a decisão de bani-lo dos céus não foi por conta de sua coragem ou ousadia em vossas palavras, Lúcifer. — Aquela figura angelical caminhou em direção às chamas que aos poucos foram abrindo espaço para que ele o alcançasse. 


O demônio, por sua vez, entreabriu os lábios em surpresa. Nem mesmo suas chamas pareciam querer obedecer suas ordens e se recusaram em tocar aquela figura pura. 


— Eu o amei, Lúcifer. Com todo o meu coração eu amei você. Cada mínimo detalhe de sua existência me deixava fraco e foi por me tornar fraco que eu precisei mantê-lo longe. — Suspirou lentamente ao tocar o peito aquecido do demônio que se encolheu ao seu toque suave. — Eu não podia me render a você, não era justo. Haviam outros seres que dependiam de minhas escolhas. Eu nunca vivi apenas para mim, meu querido Lúcifer. Ao contrário do que você imaginou, eu tinha vidas para cuidar, ensinamentos para passar e... — O senhor pausou em sua fala. — Viver nunca foi fácil, me apegar a minha criação e vê-la partir... isso dói. Ver que dediquei tanto por todos aqueles seres... ver que eles faziam escolhas erradas... ver que eles eram facilmente corrompidos e influenciados... 


— Você não foi capaz de admitir que sua criação não era perfeita.  — Lúcifer resmungou ao tocar a mão do senhor, a mesma que estava sobre seu peito. 


O toque era quente, mas extremamente suave. Aquele diante de si apenas o encarou com ternura, mesmo não se afastando do contato. 


— Todos somos, por isso estamos aqui. Estamos aqui para aprendermos com nossos erros, com nossas diferenças. Você me traiu, mas eu não vi isso como uma ofensa, eu vi isso como uma oportunidade. — Deus então enlaçou os dedos junto aos de Lúcifer e lhe sorriu. — Eu lhe dei a oportunidade de mostrar aos meus filhos que existe um lado difícil de tudo e que eles precisam saber que tudo que se faz, se paga. Você tinha seus meios e eu os meus. Eu lhe dei a oportunidade que educar aqueles que se tornavam mais difíceis. Eu lhe entreguei as almas dos meus filhos corrompidos para que você os curasse. 


— Eu, curar almas apodrecidas? — O sombrio gargalhou mais uma vez antes de puxar a mão para longe do Senhor. — Poupe-me de suas desculpas. 


— Você. — Mesmo que tivesse sido afastado, tocou-lhe sobre os ombros tensionada pela situação. — Não há no mundo alguém mais capaz que você para mostrar a essas almas que tudo tem consequência. Você pode ter todos os seus defeitos, Lúcifer, mas o seu coração não. 


— Meu... coração? — Arrepiou-se mediante aquela revelação. 


— Você sabe a dor de ser julgado, de ser tratado diferente por pensar diferente. Você vê o mundo de um outro jeito e você tem consciência de todas as consequências. — Explicou calmamente. — Você já parou para pensar o que faz com as almas que chegam até Tártaro? 


Naquele instante, o demônio travou, deixando que em sua mente rodasse um filme. Era como se ele pudesse ver todo o trajeto das almas até seu reino. 


— Eu... — Lúcifer engoliu em seco. 


— Diga... — Pediu cautelosamente o senhor dos céus. 


— As almas chegam apodrecidas, cheias de erros e pecados. Todas cobertas por falhas e algumas quase imperdoáveis. — Começou ainda atortoado diante da visão que lhe rodava como filme. 


— E? — Insistiu o angelical. 


Hesitante diante daquela situação, Lúcifer só conseguiu encarar a Deus, com os olhos assustados a medida que as palavras saltavam de seus lábios. — Cada uma é direcionada para um lugar, lá aquelas almas são obrigadas a assistirem tudo aquilo que as trouxe até Tártaro. Dali elas passam por um processo de tortura, onde são brutalmente apunhaladas por verdades até que sejam capazes de reconhecer os próprios erros para só então serem encaminhadas as chamas do inferno. 


— O que acontece nas chamas do inferno, Lúcifer? — Naquele momento, tinha nos lábios um sorriso, um sorriso que refletia nos olhos marejados do demônio. 


— Elas queimam, até que não reste vestígios de suas maldades. Elas queimam para que possam se livrar dos erros e do peso da culpa. Elas queimam para que possam aprender que tudo aquilo é errado. — Engasgou-se com o cair das lágrimas e se não fosse o angelical, teria cedido ao chão. — Elas queimam para que possam purificar seus espíritos o suficiente para alcançar a luz e subir ao... 


Balançando a cabeça positivamente, Deus puxou Lúcifer para seus braços, abraçando-o com fervor. — Você faz isso para que elas possam subir aos céus sem que corrompam as almas de luz que já estão la. — Completou docemente enquanto afagava aquele que se rendia ao choro. 


— Eu sou aquele que lhes dá uma chance de se redimir com... com você. — Estava chocado demais para acreditar que todo esse tempo teve um papel fundamental na existência dos humanos, que nunca foi realmente abandonado ou enxotado dos céus por qualquer motivo que fosse. 


— Você, Lúcifer... só você era capaz de abrir os olhos dos pecadores. Só você poderia dar-lhes uma nova chance, porque você é o meu filho mais precioso, mais valente e o mais capaz. Eu sei que o seu amor e opinião forte sobre suas ações nunca foram em vão. Eu lhe entreguei aqueles que precisavam de mais cuidado, pois eu sei que sozinho eu não conseguiria. — Só se afastou o suficiente para lhe encarar os olhos avermelhados. 


— Porque eu não posso andar junto a eles? Porque não consigo entrar no céu? Porque me abandonou aqui? — Disparou tudo aquilo que lhe rasgava o peito. 


— Porque se eles o vissem casualmente, jamais o respeitavam como fazem. Se entrasse no céu, sua figura nunca seria impressionante o suficiente para impor-lhes, para afligi-los. Porque você precisa ser aquele que lhes causa medo e não por ser uma figura assustadora ou algo do tipo, mas por ser imponente e perspicaz. — Deus enxugou-lhes as lágrimas com um tocar suave de seus polegares. — Sua presença precisava ser mais forte do que a coragem que os direcionou as falhas. Você sempre foi o único capaz de tudo isso. 


— Porque nunca me disse? — Insistiu exausto. 


— Porque eu tinha medo de me arrepender. Eu demorei muito tempo para me adaptar a sua ausência, eu não queria parecer fraco quando você se demonstrava tão forte. — Era vergonhoso para o senhor dos céus expor suas fraquezas, mas era Lúcifer afinal de contas. 


— Eu sempre pude falar com você, né? Eu sempre pude andar junto aos humanos, só não com a minha verdadeira forma. Você até me permitiu amar um de seus filhos se eu quisesse... e... — Lúcifer fechou os olhos com força sentindo a dor do arrependimento. 


— Você pode, eu estou sempre ouvindo você. É sim, você que tem o dom de andar entre os humanos quando camuflado. — Desta vez o Senhor ergueu o queixo, obrigando-o a olhá-lo. — Taehyung é seu filho e ele ama o meu filho Jimin. Não seja aquele que irá impedir um amor tão puro. Você teve Hinna. 


— Mas eu a... eu... mat... ei... — Engoliu com dificuldade. 


— Hinna nunca foi humana. Ela também é uma de meus anjos. — Contou finalmente. 


— Então ela?


— Oi, querido. É bom que finalmente possa tê-lo de volta! — A mulher que encantou seu coração um dia surgiu bem diante de seus olhos, atrás de Deus. Ela revelava sua forma angelical toda orgulhosa. 


— Porque? — E lá estava Lúcifer confuso mais uma vez.  


— Você também precisa queimar... para aprender com os seus erros. — Explicou o senhor ao lhe abrir caminho até aquela que fez o seu coração saltar. 


— Me perdoe Hinna, por tudo. Por tirar Taehyung de você e ir contra sua vida... eu só... — Com a mulher em seus braços, o demônio se deixou vulnerável pela primeira vez em muitos anos. 


— Eu estou feliz que tenha finalmente alcançado a luz. Você passou por muita coisa para reconhecer os seus erros, mas ainda assim, você cuidou do Taehyung tão bem. — Ela lhe sorriu gentilmente. — Eu sempre estive olhando por vocês, esperando o dia que eu poderia estar novamente em seus braços, junto da nossa família. Obrigada por ser um filho tão bom de Deus, obrigada por me amar e obrigada por aceitar o amor de nosso filho. 


— Não faça isso, sou eu quem tenho que agradecer milhões de vezes por simplesmente não desistir de mim. — Acariciou a face rosada daquela mulher delicada para depois de tantos anos lhe alcançar os lábios em um selar cheio de amor. 


— Obrigado meus filhos por entenderem que no mundo há tantos lados, há tantas escolhas e tanto a se aprender. Cada um tem um caminho, sonhos, vontades e escolhas... respeitar cada uma delas também é parte daquilo que chamamos de viver. O perfeito é ser imperfeito, pois só assim conseguimos retirar algo como aprendizado. Nunca seremos o bastante, nunca teremos o bastante e isso faz parte. Reconhecer as nossas falhas é o maior passo que podemos dar rumo à eternidade. A luz existe para todos, mesmo que estejamos afundados nas trevas, ainda haverá alguém forte o suficiente para empurrá-lo pra a luz. Se viver fosse fácil, que graça teria? 


Com aquelas palavras o Senhor dos céus se retirou para seu reino, deixando para trás a luz que alcançava e os abraçava acolhendo suas almas em um momento de ternura. 


Logo atrás do recente casal, Taehyung e Jimin observavam a cena encantados com o poder dos céus... na verdade, com o poder do amor e com as possibilidades que a vida poderia lhes dar. 


— Acho que agora podemos ir para casa, pai... mãe e... meu amor. — Murmurou o jovem demônio acompanhado de seu anjo. 


— Na verdade, filho... — Lúcifer soltou suavemente ao tomar a mão da mulher junto a sua enquanto a arrastava para junto daqueles dois que os encaravam sorridentes. — Sempre estivemos em casa.


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