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História Hands All Over - Capítulo 17


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Capítulo 17 - Dezessete


ADORA


— Nem pensar. - Mara cruza os braços e me encara do outro lado da mesa. — Não posso arriscar.


Agarro a parte de trás do meu pescoço com as duas mãos e respiro fundo, olhando levemente para cima.


— Mas o seu batalhão não pode ir, e a Felina também não pode. - Mara coloca as mãos dela sobre o meu rosto, me forçando a olhá-la. — Enquanto aquela mulher estiver solta por aí, a Felina corre perigo.


— É muito perigoso, Adora, você pode se ferir no processo ou pior.


— Você também. Por favor, tia.


— Por que você quer tanto fazer isso, Adora? - Mara olha no fundo dos meus olhos, não preciso pensar muito para responder.


— Você é minha única família, se acontecer alguma coisa com você nessa missão e eu não estiver lá eu nunca vou me perdoar. - deixo uma lágrima escorrer e ela a enxuga com o polegar. Acho que ela, mais do que qualquer pessoa, entende. — E eu não posso deixar nada acontecer com a Felina, eu prometi pra ela que ia ficar tudo bem. Por favor. - Mara suspira e da um sorriso.


— Você é tão cabeça dura, como seu pai também era. - lágrimas escorrem pelo seu rosto moreno, é a primeira vez que eu a vejo chorar desde tudo que aconteceu. — Tudo bem, mas você tem que me prometer que vai tomar cuidado. Eu te amo, Adora.


— Eu também te amo, tia. Obrigada. - enxugamos as lágrimas uma da outra. Saímos da mesa e vamos para a sala, onde meus amigos estão sentados. 


— Olha eu não deveria estar fazendo isso, vai contra tudo que eu jurei ao entrar para a polícia e provavelmente vou ser expulsa do batalhão quando souberem. - Mara aperta o espaço entre os olhos com os dedos e suspira. — Mas, eu também jurei fazer o que fosse preciso pra proteger as pessoas, então, se vamos fazer isso, vamos fazer direito. 


━━━━━━◇◆◇━━━━━━


Tivemos uma longa conversa com Mara. É tudo muito mais complicado do que eu pensei que fosse, mas não penso em desistir do que vou fazer. Quero estar nessa com Mara, não posso deixar ela fazer tudo isso sozinha, por mais que ela seja uma policial de elite e extremamente bem treinada. Sei de tudo que ela já passou, mas isso é diferente de tudo. A Zona do Medo é um lugar perigoso e hostil, qualquer passo em falso é percebido. 


Nada passa batido pelo Mestre da Horda. 


Se eu disser que não estou nervosa, estaria mentindo. Apesar de tudo, não quero que nada de ruim aconteça com ninguém. Não ligo se vou morrer, desde que o sangue das pessoas que eu amo não seja derramado. 


— Aonde vai? - Mara pergunta ao me ver sair pela porta. 


— Eu vou fazer uma visita lá, mas vai ser rápido. - ela assente com a cabeça e eu saio, deixando meus amigos na casa dela por um tempo. 


Ando por mais ou menos 5 minutos, atravessando a madrugada gelada e implacável. O vento sopra forte, o sinto passar pelo meu rosto como lâminas afiadas. Minhas mãos doem com o frio, estão duras, como se estivessem congeladas. Tento as esquentar no bolso da jaqueta, o que resolve as coisas por um tempo. 


Paro em frente a porta da casa, não venho aqui há meses. É um sentimento estranho, estar de volta no lugar onde passei tantos momentos da vida, bons e ruins. Tenho tantas lembranças desse lugar, tantas histórias. Tudo parece mais fresco na minha memória agora que estou aqui. 


Tiro a chave de debaixo do fundo falso em um vaso de flores ao lado da porta. Hesito por um momento antes de girar a chave na fechadura, mas tomo coragem e, finalmente, entro na casa. 


Ascendo a luz. 


Tudo está do jeito que meus pais deixaram. 


Ando pela casa, devagar, passando as mãos pelos móveis conforme avanço o passo. O clima é estranhamente pesado e leve ao mesmo tempo, uma sensação boa e ruim. É bom voltar, por um certo lado mas, por outro, é difícil olhar tudo isso e lembrar dos bons momentos que tive. Lembrar das histórias que minha mãe me contava e do quanto ela me entendia mais do que eu entendia a mim mesma, das cabanas que eu e meu pai fazíamos com os lençóis da casa e da comida gostosa que ele fazia sempre. Sinto falta dos abraços, das viagens, dos dias bons. Até dos dias ruins, porque não importava o que acontecesse desde que eu estivesse com eles. 


Nada de ruim poderia acontecer enquanto estivéssemos juntos. 


Subo as escadas, vendo o quanto corrimão está empoeirado. Dou de cara com a porta do meu quarto, mas não entro. Levei a maioria das coisas do meu quarto para o apartamento quando me mudei, agora é só um cômodo vazio.


Me viro, olhando a porta fechada do quarto dos meus pais no fim do corredor. Passo a mão pela parede branca enquanto caminho. 


Giro a maçaneta com cuidado, entrando no cômodo. 


Lembro todas as noites que eu vinha aqui quando era criança, quando dormia no meio dos meus pais nos dias de chuva porque tinha medo dos trovões. Sorrio, lembrando das guerras de travesseiro. 


Parece tudo tão distante. 


Me sento na cama e passo meus olhos ao redor do quarto, parando na cômoda ao meu lado. Há um porta retrato, não sei se ele sempre esteve aí ou se eu nunca prestei atenção. Efrego os punhos da jaqueta em cima da foto, tirando toda a poeira que me impede de ver. É uma foto nossa em uma das nossas viagens, quando fomos para Salineas de férias. Não consigo conter um sorriso ao lembrar. Abraço o retrato, o colocando contra meu peito, algumas lágrimas escorrem pelo meu rosto. 


Levanto da cama, dando uma volta pelo quarto. As gavetas ainda estão cheias com as roupas e pertences dos meus pais, talvez eu devesse doar alguns. Pego a mala que meus pais guardavam em baixo da cama e coloco algumas coisas dentro dela, umas que iriam ficar comigo e outras que eu iria passar para frente. Meus pais gostariam que suas coisas fizessem outras pessoas felizes. 


Abro o pequeno guarda roupa, pensando no que eu poderia levar de tantas coisas que estavam lá dentro. Acho alguns tênis e camisetas velhas, além de algumas bijuterias que minha mãe vivia comprando. 


— Um terno, que lindo. - tiro a roupa do cabide. O terno está envolto em um plástico de proteção transparente, o qual não ouso tirar. É branco, levando alguns detalhes em dourado pelas mangas e pelos botões, acompanhado de uma gravata preta. Meu pai o usou no dia do casamento. — Acho que vou ficar com esse. 


Abro as gavetas, não vendo nada de interessante nelas, até ver que uma precisa de chave para abrir. E está trancada, droga. 


Dou alguns passos para trás quase sentando na cama de novo, mas percebo que um dos pisos faz um barulho diferente. Me ajoelho no chão, colocando o ouvido contra piso gelado, o que me faz chiar um pouco. Com a orelha contra o chão, fecho os punhos e bato levemente no piso como se fizesse toc-toc na porta da casa de alguém. É oco. 


Pego as bordas do piso, o tirando do lugar e vendo uma chave no compartimento abaixo dele. A pego rapidamente e tento abrir a gavetinha, funciona. 


Vejo apenas uma caixa, mais nada. É de madeira, preta e com alguns detalhes em azul. Sento na cama com a caixa no colo, tirando a tampa. 


Há algumas fotos da minha mãe grávida e algumas imagens de ultrassom, as quais eu não sei decifrar. 


"Adam e Adora, 7 meses." é o que está escrito em cima das fotos. 


Junto as sobrancelhas e encaro a imagem e leio as escritas mais de uma vez. Não é possível. 


Passo por mais algumas fotos, mas uma me chama a atenção. 


São meus pais após o parto da minha mãe, sorrindo com dois bebês nos braços. 


Dois bebês. 


Tento achar outras coisas dento da caixa, porém não há mais nada além de uma pequena pulseira com meu nome, saí com ela da maternidade quando nasci. 


Mas, e a pulseira do outro bebê? 


Dois, duas crianças. Eu tenho um irmão gêmeo e só descobri isso depois de 20 anos da minha vida. Vejo o mundo girar ao meu redor, mas preciso ficar de pé, firme. Coloco as fotos dentro da mala e a fecho, saindo da casa com pressa. 


Eu tenho um irmão perdido. 


Ou melhor, nem tão perdido assim. 


Adam. 



━━━━━━◇◆◇━━━━━━



Chego em casa aproximadamente às 3 da manhã. Depois de levar todo mundo em casa, estou completamente moída e com sono. 


Abro a porta do apartamento, as luzes estão apagadas e está tudo escuro mas, não faz diferença. Tudo que eu quero é me jogar na cama logo e dormir o resto de horas que eu ainda tenho antes de ter que ir para a universidade. 


— Hey, Adora. 


Me assusto ao ver os olhos bicolores e brilhantes de Felina em meio a escuridão. Ela levanta do sofá e ascende a luz, o que me faz cobrir os olhos por um momento devido ao incômodo da claridade. 


— Oi... - digo sem graça e ela me encara com os braços cruzados. 


— Acordei no meio da noite e não te vi. 


— Eu tive que sair, pensar um pouco sobre algumas decisões e fazer algumas coisas. - Felina descruza os braços e relaxa um pouco, sabe que não estou mentindo. Ela olha a mala em minhas mãos, mas não questiona sobre. — Não é nada demais, ok? Eu só preciso dormir um pouco. - dou um beijo em sua testa e vou para o quarto. 


O sono demora mais para vir do que eu imaginei, mas logo fecho os olhos e relaxo, sentindo o sono chegar aos poucos. 






Notas Finais


Salve cachorros do mangue, tranquilo?



Ai gente socorro esse capítulo e os próximos, tô mt nervouser.



Genteeeee, no capítulo passado os comentários viraram um grande chat então, como tá tendo uma interação legal aqui, resolvi criar um grupo no WhatsApp. Quem quiser entrar é só me chamar no privado aqui no spirit que eu mando o link pra entrar. Todes serão muito bem vindes ❤️

Por hj é só, até o próximo capítulo.


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