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História Handsome Devil 2 - Capítulo 5


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Notas do Autor


Gente essa história também tem disponível no Wattpad que eu até acho melhor de lê pq dá pra ler escutando a trilha sonora. O nome lá tá diabolicamente belo.

Capítulo 5 - Resistente-parte 1


"Dor, erro, arrependimento. Qual o propósito desses três existirem?"

 

Esvaziei meu banco de lágrimas, ainda no quarto mas dessa vez não mais nos braços de Conor, mas sentado na cama com as mãos na cabeça pensando se o que estava acontecendo era verdade. 

 

"[...]seria a vida melhor se não existissem?[...]"

 

Não, não podia ser verdade. Olhei para um ponto fixo na minha frente e assim fiquei por muitos segundos tentando raciocinar. 

 

"[...]se pensasse bem responderia que não. Se não pensasse antes responderia que sim. Mas se pensasse antes e bem e mesmo assim respondesse que sim[...]"

 

Abri os olhos rapidamente, eu tinha dormido mas não sabia quando, nem por quanto tempo. 

 

"[...]Então não responda nada!!!"

 

Agora estava deitado em uma poltrona enorme e confortável com outras roupas, secas dessa vez mas não lembro de tê-las vestido. Uma luz branca iluminava o ambiente. Tinha um cheiro leve de álcool e soro, também esparadrapo e ar condicionado tudo junto. Olhei ao redor para ver se identificava que lugar era aquele. Tinha uma maca de cor verde claro ao meu lado, e nas paredes móveis e prateleiras com remédios e outras coisas estranhas, havia janelas bem grandes em duas paredes mas por estarem com persianas fechadas dificultou o meu trabalho de identificação daquele lugar. Havia um banheiro na sala, bem limpo e com cores nudes nas paredes que deu pra ver mesmo com sua luz apagada, sua porta aberta permitia a luz da sala entrar. Tinha um pouco de  barulho, de pessoas falando, passos, rodas de talvez macas como a que estava ao meu lado. Por ultimo percebi que em meu braço apoiado no braço da poltrona bege estava com uma agulha que se ligava a um fio transparente que subia até uma bolsa de soro pendurada a um cabide de ferro hospitalar. Estou em um hospital?

 

—Ah você acordou—Conor entrou na sala.

—Onde a gente tá?—perguntei quase sussurrando com uma voz sonolenta.

—No hospital, você vomitou mais quando chegou aqui e não conseguia andar sozinho então pedi para que te aplicassem glicose na veia—olhei ao redor me perguntando o motivo de eu estar naquela sala e parece que Conor leu meus pensamentos—A enfermaria está inundada e interditada então te puseram nessa sala de exames.

 

Olhei para meu braço, de repente um flash de memória me veio a cabeça.

 

Flashback on

 

4:00

"Está explicado, disseram que a namorada daquele garoto bateu em um carro com um casal dentro"—Mike falava enquanto andava de um lado para o outro, e Chris estava na minha frente com a mão em meus ombros. Estávamos no quarto de Conor.

—Ned eles disseram o estado deles?—perguntou Chris com a voz firme.

—Eles... eu não...—tentava falar mas só conseguia soluçar. 

 

3:50

"Eu posso falar com o meu pai?"—perguntei durante a ligação tentando ficar calmo.

"Sinto muito mas não estão podendo falar agora, precisamos que você ou outro alguém da família venha imediatamente."—dizia a voz de uma mulher no celular.

"Isso só pode ser um engano, eles saíram daqui já fazem horas!"

 

4:06

Desabando nos braços de Conor, ainda estamos deitados.

"Vai ficar tudo bem"—ele disse enquanto me abraçava.

De volta ao ponto fixo. 

 

Flashback off

 

4:57-agora

—Como... eu vim parar aqui?

—Eu te trouxe, o seu pai e sua madrasta estão em cirurgia agora.

Deitei a cabeça olhando para o teto.

—Então não foi um pesadelo... onde está meu pai? Eu quero ver ele! 

—Calma, estou aguardando informações.

—Por que eu estou aqui? Não lembro como eu vim...—Conor me interrompeu e começou a explicar tudo se sentando na beira da poltrona, ele pôs a mão na minha perna me causando um leve arrepio mas prestei atenção.

 

—Então passamos a noite aqui?—perguntei enquanto andávamos pelos corredores. 

—Sim. Depois do desmaio você só acordou agora, eu fiquei com sono também mas com uma agulha no seu braço não podia deixar você se mexer. Mas você não se mexeu, dormiu como um anj... feito uma pedra. 

—Ficou me olhando a noite toda?

—Foram só algumas horas considerando que chegamos aqui no meio da madrugada. 

—Obrigado.

—Só fiz o que devia fazer.

—Mesmo assim. Obrigado. Agradeço por tentar me distrair mas onde está o meu pai? 

—Não pode ver ele agora.

—Conor por favor—ele suspirou e mudou a rota para a esquerda onde tinha um balcão com uma mulher sentada do outro lado do mesmo.

—Com licença, pode me dar informações sobre um paciente?

—Você é o que dele?—a mulher perguntou.

—Ele é meu pai—falei

—Sabemos que ele está em cirurgia mas já fazem horas que não recebemos nenhuma notícia—Conor falou

—Qual o nome do paciente?—perguntou ela pegando um telefone ao seu lado.

—Dan Roche—respondi e ela olhou algo em um computador e depois discou um número no telefone—Esperem um minuto—balancei a cabeça e me virei para Conor que me olhava.

—Achei que seu pai também fosse Edwards.

—Edwards vem da minha mãe, Roche é o meu terceiro nome mas sempre que se referiam a mim na escola falavam como segundo, acho que a pedido do meu pai.

—Ele também se chama Dan.

—Sim, nomes iguais em pessoas totalmente diferentes. 

—O doutor está vindo aí, ele lhes dará mais informações—disse a moça ao desligar. 

—Muito obrigado—falei com um tom de alívio e ela retribuiu com um sorriso.

 

Em menos de dois minutos um rapaz com um pijama azul claro veio até nós, um médico.

—Espera. Quem foi que me tirou a roupa e me pôs essa seca?—perguntei para Conor que ficou estático.

—Qual de vocês é o filho de Dan Roche?—perguntou ele.

—Sou eu, posso ver meu pai?—tomei a frente

—Eu já estava a caminho na hora da ligação para dizer que correu tudo bem. Eu sou o doutor Daniel Chapman. Seu pai agora está somente sendo fechado.

—Mas foi tudo bem mesmo? Vocês passaram quase seis horas com ele em cirurgia—perguntei ainda não convencido com o sorriso do médico.

—Ele chegou aqui com taquicardia e hipotensão, lesões no tórax e fratura no joelho que se chocou com o painel do carro. Fizemos a subclávia com linha central por haver sangue no quadrante direito superior, aplicamos bolsas de sangue e demos fluidos aquecidos para não ficar hipotérmico, levamos para a cirurgia e lá tratamos do peito dele, seu pai agora está instável. Isso é bom—ele disse ao perceber minha expressão tentando entender o que estava falando.

—Isso...—olhei para Conor—é bom?—olhei para o médico.

—É sim cara—Conor me lançou um sorriso cativante e se aproximou de mim. Meio que de impulso virei e abracei o médico.

—Muito obrigado!—e me desmanchei em lágrimas—agora eu posso ver meu pai? 

—Ainda estão suturando, ele ainda não saiu do centro cirúrgico.

 

Não conseguia pensar em nada direito, parecia que eu não entendia nada que os outros falavam. Pra mim tudo só estaria bem quando eu o visse bem.

 

—Por favor...—ele abriu a boca mas nenhuma palavra. Olhou profundamente em meus olhos extremamente marejados e os fitou por quase um minuto.

 

Tudo continuou silêncio enquanto Daniel me tirava o soro que até então me obrigava a carregá-lo em seu cabide de ferro com rodas por onde quer que eu fosse.

 

—Eu não posso ser pego fazendo isso... venham comigo—ele disse passando entre nós e indo em direção a um elevador em frente a recepção que estávamos. 

—É o seguinte você é estudante e está tendo aula em campo—ele diz me entregando disfarçadamente um bloco de notas e uma caneta que pego discreto, ainda no elevador. 

Agradeci mentalmente por ter trocado de roupa mesmo sem lembrar, e desejei mentalmente também para eu a fazer. Não seria nada convincente um estudante de medicina com uma bermuda e moletom úmidos. Dei um jeito no cabelo em velocidade mestre mesmo sem ter espelho no elevador.

Saímos e continuamos o seguindo. 

—Ok, você fica aqui—ele disse para Conor que parou e sentou-se a um banco interligado a outros dois.

 

Entrei em uma sala intitulada "Galeria" na porta. Dentro havia duas fileiras de cadeiras de frente a um enorme vidro inclinado para baixo que dava a visão de outra sala no andar antecessor. Me aproximei e me abaixei para ter certeza. Vi meu pai na mesa de cirurgia com o peito sendo suturado, fixei meus olhos na máquina ao lado do mesmo que mostrava linhas para cima e para baixo, seu coração batia, isso me dava a certeza de que ele estava bem. No vidro escorria gotas de lágrima que deixei cair. Aquilo foi culpa minha, era só o que eu pensava. Se eu tivesse falado alguma coisa, Summer não teria... me perguntei se a mesma estava bem, e Natalie que até agora não me deram notícias sobre, talvez por eu não ser parente de sangue ou por meu pai está em pior estado. Ele gosta dela, eu sei disso e não irei me perdoar se algo acontecer de grave causando ainda mais tristeza ao meu pai. Eu o amo de todo o coração.

 

—Ei, temos que ir agora—disse o doutor Daniel abrindo a porta.

Apesar de não ter muitos médicos aquela noite e não estar tudo cem por cento agitado Daniel me explicou que era bom ter cuidado mesmo assim para mim não ser visto e rapidamente me levou de volta ao andar de baixo onde o abracei novamente.

—Obrigado! Obrigado de coração, você...foi um anjo...Doutor Chapman.

 

"São os erros que não nos permitem nos acomodar. Que não nos permitem viver monotonamente. Nos fazem buscar novos horizontes, e no fim, tendo histórias para contar, acertar[...]"

 

—Prometo que vamos cuidar bem do seu pai—ele sorriu meigamente—agora se quiser pode ir para casa, nós o manteremos informado—um bipe dentro de seu bolso alarmou.

 

"[...]arrependimentos nos concedem paz interior, nos permitem descansar em paz e consumar-nos a Deus[...]"

 

—Preciso ir. Se cuide está bem?—fiz que sim com a cabeça e depois o vi partir de volta ao elevador, ele entrou e virou-se. 

 

"[...]e a dor...bom...toda tem o seu propósito[...]"

 

Me senti extremamente bem ao receber o seu sorriso antes das portas se fecharem.

—Doeu ouvir tudo o que eu escutei do Weasel, não só essa noite mas em nossos anos juntos. Humilhações e insultos inacabáveis mas... foi um erro eu ter falado aquilo—virei falando para Conor com a voz rouca de tanto chorar e também pela bebida.

—Não quero que pense que foi culpa sua. Você só explodiu em um momento de raiva sob o efeito de álcool.

—Já me disseram uma vez que as palavras tem poder, que eu não deveria fazer aos outros o que eu não gostaria que fizessem comigo...—Conor me abraçou pondo a cabeça encima da minha—eu sinto tanto...

—Eu sei—ele disse quase sussurrando.

 

"[...]mas pra mim o seu maior propósito enquanto tivermos vida humana... é nos tornar fortes."


Notas Finais


Não desistam de mim kkkkkk

https://youtu.be/AodLerxsvQM


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