História Handwritten - Capítulo 19


Escrita por:

Postado
Categorias CNCO
Personagens Christopher Vélez, Erick Brian Colón, Joel Pimentel, Personagens Originais, Richard Camacho, Zabdiel De Jesús
Tags Auto-estima, Bulimia, Romance, Superação
Visualizações 10
Palavras 6.979
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Musical (Songfic), Romance e Novela

Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Depois de meses, criei vergonha na cara e estou postando aqui o penúltimo capítulo da história.
Eu tô muito feliz de eu ter conseguido vencer a minha preguiça e espero que vocês curtam bastante este capítulo KKKKKK.

Boa leitura! 💕

Capítulo 19 - As cartas.



Fazia seis semanas desde que recebi alta. Minha relação com o Dr. Noah estava boa, ele acabou virando uma espécie de amigo; tínhamos confiança nas sessões e isso era bom. Os jogos escolares haviam começado e a escola estava uma loucura, o Elite estava se saindo bem: o time de basquete ganhara os três jogos seguidos, além do time de futebol que era um doa favoritos. No handebol, as meninas se saíram bem. Todas disseram que eu estava fazendo falta, mas este anos não tive vontade de jogar, porém ainda tenho a chance de entrar no time se quiser. 


Julieta tinha vindo ontem aqui, Dara e ela se conheceram. Conversamos bastante e ela queria que eu fosse ao baile. Sim, teria outro baile. Mas dessa vez, era o de final de ano. Eu não queria ir, havia me esquecido e não tinha roupa, nem acompanhante. Mas, Dara teria dado uma ideia boa, da qual não sabia se usaria. 


Ainda estava muito sonolenta, os remédios ainda me deixavam enjoada e vomitei duas vezes por conta deles, sem forçar. Tive apenas uma crise nessas seis semanas, papai estava em casa e me ajudou. Foi de ansiedade. Foi horrível, mas ao mesmo tempo eu começara a sentir estranho estar tanto tempo estável. Isso é louco, né? Sentir falta de sofrer por coisas que te torturam, mas eu estava tão acostumada com aquilo tudo e de repente, cabum. Aquilo sumiu. Não totalmente, mas percebo minha evolução. 


Eu tenho me olhado com mais carinho, eu tenho escrito sobre coisas alegres e tocado mais violão. Tenho aproveitado mais momentos com a Dara, cuidei de mim: quando digo isso, me refiro a uma hidratação em meus cachos quanto a não me machucar mais propositalmente. As marcas em meus braços estavam praticamente invisíveis, as olheiras tinham sumido e eu estava comendo normalmente. Sem culpa. Aquilo era um alívio.


Bati na porta do quarto de meu pai. Ouvi um "entre", logo fiz o mesmo. Ele estava deitado organizando alguns papéis e o notebook estava ligado a sua frente. Ele sorriu ao me ver e me aproximei dele, sentando na cama. 


— Oi, filha, está tudo bem? — ele perguntou, fechando o not. 


— Eu tô sim, é que... Eu queria te fazer uma pergunta. — Digamos que eu estava apreensiva, não sabia se ele iria reagir bem.


— Bom, pode fazer. 


— Amanhã é o baile anual da escola, eu me esqueci completamente que teria. Dara quer que eu vá, mas eu não sei, não tenho roupa e não estava muito a fim, mas... ah, ela vai, então, estava pensando em ir, — dei uma pausa e ouvi ele rir.


— Você quer dinheiro pra comprar algum vestido? Se for isso, não tem problema. 


— Não, não quero. É que... Você doou todas as roupas da mamãe? 


Ele me olhou por alguns segundos, sua expressão ficou pensativa.


— Não. Eu tenho uma caixa com as roupas favoritas dela e que ela ficava horas na frente do espelho, indecisa, sem saber qual pôr. — Ele disse, com um sorriso no rosto. Acabei sorrindo também. — Por quê?


— Será que eu posso vestir alguma coisa dela? — eu perguntei, de forma delicada. — Tá, eu sei: A mamãe era bem mais magra que eu, mas... sei lá, vá que algo sirva. Ela era modelo, deve ter bastante roupas de festa, né? Claro, se você não se importar, pai.


Ele sorriu levemente. 


— É óbvio que eu não me importa. Acho que eu amaria ver você usando as coisas de sua mãe — ele disse, sorrindo — porém, teremos que lavar a peça que você escolher, está há muito tempo guardado. 


Ele se levantou da cama e foi até seu guarda roupa, abrindo uma das portas e tirando de lá de baixo, uma caixa grande de papelão. Ele fechou novamente a porta e pegou a caixa, largando próxima dos pés da cama, no chão. 


— Pode olhar — ele disse. 


Eu saí da cama e fiquei de joelhos no chão, de frente para a caixa. Abri a mesma, observando que estava um pouco empoeirada. Tinha um monte de roupas emboladas, a primeira que tirei de lá, era uma blusa rosa-choque de setim. Não era o tipo de roupa que eu usaria, mas não era feia. Fui tirando as que eu não eram opções, deixando de lado, fora da caixa. 


Meu pai começou a contar as histórias que se lembrava de cada peça que eu pegava. Eu ri da metade. Seus olhos brilhavam, ele parecia feliz de lembrar daquilo e de estar compartilhando isso comigo. 


Até que, meus olhos prenderam a minha atenção ao um vestido vermelho: ele era lindo, justo e tinha um decote "arredondado", as alças era finas. Tipo um tubinho. Eu e meu pai trocamos olhares, ele suspirou e disse:


— Sua mãe ficava perfeita nesse vestido, sério. Ela tinha vestidos e mais vestidos, mas esse... ah, esse era perfeito. 


— Será que me serve? Eu amei. 


— Acredito que sim. Esse vestido não ficava justo nela, era soltinho, não custa nada tentar. — Ele disse, sorrindo. 


— Está bem, é esse. 


Eu separei das outras roupas, logo, organizando tudo dentro da caixa novamente e colocando no lugar onde papai tinha tirado. Peguei o vestido e fui rapidamente para o banheiro, vesti-o e coube. Eu até cheguei a rir, estava feliz por ter servido. Não me olhei no espelho, queria fazer um suspense para eu mesma. Mas eu estava confortável nele, claro: ele ficava justo em mim, deixava parte do meu busto amostra, mas... Eu havia gostado. 


Eu tirei, colocando minha roupa de volta, voltei para o quarto. 


— Serviu — eu disse, com alegria. Meu pai riu um pouco e eu entreguei o vestido a ele. 


— Vou colocar na máquina, amanhã de manhã já vai estar lavado e com um cheiro bom. 


— Tem o cheiro da mamãe... — comentei, sorrindo de canto. 


— É, eu sei. Mas alguns sacrifícios valem a pena, filha. — Ele disse, sorrindo.


— Obrigada, pai. — Eu o abracei.


Depois disso, voltei para meu quarto e fiquei por lá mesmo. Olhei as horas em meu celular, eram mais de nove. 


Escrevi mais um pouco, ouvi música e toquei uma nova melodia no violão. Richard havia me ensinado. Eu e ele estávamos mais próximos que antes, mas não era nada amoroso, parecíamos ter virado amigos. Uma amizade sem segundas intenções, mas continuava confusa em relação ao que eu sentia. 


Eu teria que me decidir. Eu e o Wes não estávamos nos falando muito, ele estava ocupado treinando e estava se saindo muito bem. Bom, ele era um ótimo atleta. 


— Meu Deus, é isso! — eu reclamei. Havia tido uma ideia ótima.


Fui até minha escrivaninha, peguei duas folhas de ofício e meu estojo. Fiz margem nas duas folhas e logo desenhei as linhas, comecei a escrever. Fiquei um bom tempo escrevendo a primeira carta, tentando achar as palavras certas ou o que deixaria mais claro. A segunda... A segunda fluiu mais rápido, acredito que tinha mais coisas a falar. Era isso: iria usar a escrita ao meu favor nessa situação. Iria dar certo, eu tinha fé. 


Quando terminei de escrever, apaguei as linhas e guardei as duas cartas na gaveta da escrivaninha. Só pedia aos deuses que me ajudassem a ler aquilo para eles. Amanhã o dia seria cheio.













































A minha manhã tinha sido sem graça, chuveu um pouco e havia ficado na cama até as dez. Talvez eu estivesse ansiosa pelo baile, o que era inusitado pra mim.


Eu tocava algumas notas em meu violão, isso me fazia ter mais inspiração para escrever.  


Ouvi meu celular vibrar. Liguei a tela, vendo que tinha uma mensagem de Rich, dizendo que estava lá embaixo. Hoje ele iria entrar pela porta mesmo, papai não estava em casa e Evangeline estava encerrada no quarto ouvindo música desde que acordou. 


Desci as escadas e fui até a porta, abrindo a mesma. Richard sorriu, dando um passo a frente e nos abraçamos.


— Oi, pequena — ele disse. 


— Entra. 


Ele foi até a sofá, sentando-se, fechei a porta e sentei ao seu lado. 


— E então? — perguntei, me ajeitando no sofá. Ele riu um pouco, percebendo minha curiosidade. 


— Soube que a senhorita vai ao baile, melhor, soube que a loira te obrigou a ir. 


— Isso, de última hora ainda. Sinceramente? Nem tinha me lembrado do baile. 


— Achava que você se importava mais com essas coisas, olha, Joel está me enchendo o saco pra usar terno, mas infelizmente, não irei te dar esse prazer. — Ele disse, de forma pretensiosa e eu ri. 


— Acho que isso não combina muito com o seu estilo, senhor Richard. 


— Eu acho também, porém ele veio com a conversa que "é algo formal". Porém, eu vim perguntar se você já tem acompanhante.


Eu ri fraco. 


— Hum, a Dara? — Eu fiz parecer como uma pergunta. 


— Achei que Wes havia sido mais rápido — ele disse com deboche. Eu apenas revirei os olhos. 


— Não tenho conversado muito com ele, acho que está muito ocupado com os jogos escolares.


— Talvez. Ele ficou enciumado quando jogamos basquete na educação física — ele me deu um olhar sugestivo. Isso havia sido na sexta passada. 


— Bom, acho que é normal você sentir ciúmes quando vê a pessoa que você gosta jogando o seu esporte favorito com alguém que meio que sente algo por ela também — devolvi o olhar sugestivo. Ele riu alto. 


— Você não acha que está sendo um pouco convencida? 


— Bom, há algumas semanas você disse que estava apaixonado por mim. Só estou dizendo fatos. 


— Eu disse que achava.


— Ah, achava? — Questionei, segurando o riso. 


— Eu tenho pensado bastante nisso, se continuar assim, tenho uma grande chance de ficar que nem o Weston. 


— Que nem o Weston? 


— Na friendzone — ele disse, eu joguei um almofada nele, fazendo-o rir. — Ué, eu menti? 


— Cala a boca. 


— Acho que estamos nos saindo melhor sendo só bons amigos. 


Eu o encarei. Realmente, ultimamente nossa convivência tinha tomado outro rumo, parece que esclarecer o sentíamos havia aberto novas portas. Como se tivéssemos percebido o que realmente sentíamos. 


— Eu concordo, mas por que não me disse isso antes? 


— Eu acho que estava confuso. Eu tenho uma visão bem distorcida de amor e paixão. 


Arqueei minha sobrancelha, num gesto indicando que queria que ele continuasse. 


— Katherine, eu nunca sofreria por alguém. Pode soar egoísta, mas algum dia pode vir acontecer, só que, eu não gosto de me prender e nem prender alguém por conta desses sentimentos. É tudo tão complexo e, você não é única que não entende muito bem seus sentimentos, — ele deu uma pausa, me olhando de forma tranquila e eu sorri de canto— quero dizer que, quando você resolver isso, se escolher o Wes, eu irei ficar bem. Você se preocupa muito com todos e sei que, a coisa que mais te estressa nessa situação é saber se alguém irá sair machucado. 


Eu fiquei olhando e pensando no que ele acabara de dizer. Eu concordava com tudo, praticamente. Eu, no fundo, já havia tomado minha decisão e, eu sabia disso. 


— Então, você meio que está abrindo mão de mim? 


— Perdão por ferir seu ego inexistente, — ele disse, me olhando ironicamente e eu ri.— Na verdade, estou apenas abrindo mão do cargo de seu pretendente. 


Eu sorri. 


— Não irei ficar magoada, não se preocupe. — Disse, em um tom de brincadeira. 


— Acho que você já sabe por qual caminho seguir.


— Você tomou essa decisão por mim ou por você? — Eu questionei. Eu conheço o Richard, sei o quanto a sua visão sobre paixão o ajudou a entender essa situação, mas parecia que havia algo mais. 


— Eu não sou o cara pra você, não quero dizer que eu seria um mau namorado ou algo assim, mas... cara, eu acho lindo o jeito como o Weston te olha, — ele deu uma pausa, sorrindo sem mostrar seus dentes — ele é completamente apaixonado por você. E você, dona Katherine, é apaixonada por ele também. Eu sei disso. Olha, o seu jeitinho pode ser todo complicado, você pode ser toda indecisa, mas a amizade que vocês têm é incrível. E esse sentimento que ele tem por você, é mais incrível ainda. Seria injusto, eu, um mulherengo que acabou de chegar na sua vida, tentar roubar o lugar dele. — Ele disse, rindo ao final e eu fiz o mesmo. — Acho que, eu que confundi as coisas. 


— Eu fiz uma coisa ontem a noite, com o intuito de entregar a vocês dois hoje, na hora do baile. Eu já tomei a minha decisão, mas você quase adiantou tudo — eu disse, rindo um pouco. — Você é incrível, Richard. 


— Eu te amo muito, Katherine, eu só realmente não quero te perder por isso. Sabe, acontece. Quero continuar tendo essa relação que tenho com você, eu te admiro muito e você sabe que pode contar comigo para tudo. 


Eu sorri largamente e me aproximei dele, o abraçando fortemente. Ele retribuiu. Um alívio subiu pela minha garganta, parecia que as coisas haviam se resolvido de uma maneira tão natural que me fez questionar todo o sufoco que sentia ao pensar nessa "escolha" entre ambos. 


Agora, era só esperar o momento para dizer o que eu queria para Wes. 



























[...]



























— Deixa eu passar essa sombra em você, Katherine Jean! — Evangeline exclamava, praticamente me prendendo na cadeira de minha escrivaninha. 


— Eu já disse que não quero me maquiar, eu fico ridícula de maquiagem! — Esbravejei. Eu estava tentando me arrumar para o baile, só tentando mesmo, porque Evangeline parecia querer testar minha paciência. 


— Ridícula uma vírgula, você precisa estar esplêndida pra esse baile. Você não vai morrer se eu passar um pouquinho de sombra em você, ela realça seus olhos. 


— Aí, olha, eu não confio em você — digo, conseguindo me afastar dela e sair da cadeira. Vou até meu guarda-roupa e pego o vestido da mamãe, o qual iria usar, pondo em cima de cama. 


— Se você vai usar um vestido como esse, precisa ter pelo menos um batom — Ela disse, tirando da sua maleta de maquiagem, um batom avermelhado. 


— Odeio usar batom. 


— Rímel? 


— Tá, até vai. — Eu disse, ela se aproximou com o mesmo, passando delicadamente em meus cílios. 


— Já que você não quer passar batom, passa um gloss, então. 


— Não quero. 


— Ah, você quer sim! 


— Evangeline, deixa de ser chata!


— Só quando você parar de ser teimosa, eu hein! — Ela exclamou, tirando um gloss que era rosa, até que era bonito. Ela me olhou com uma carinha do gato de botas. 


Eu revirei os olhos. 


— Tá, tá! Passa logo antes que eu me arrependa — disse, ela ficou toda animada e abriu o mesmo, passando nos meus lábios. Quando ela terminou, sorriu e mandou eu me olhar no espelho. 


Fui até o mesmo e, por uma primeira vez, não me senti tão horrível de maquiagem. Acho que porque não era nada exagerado ou elaborado. 


Virei-me de volta para Line. 


— Você tá linda, Kath. Você vai usar salto? 


— Ah, nem fudendo. — Eu disse, rindo um pouco. — Vou ir de tênis. 


— Você enlouqueceu? Você vai de salto. 


— Quem enlouqueceu foi você, meus joelhos sempre ficam doendo quando uso. Além de eu me sentir toda desengonçada.


— É só por uma noite, Jean. Você não irá morrer. — Ela diz, tirando da parte de baixo do meu guarda-roupa, um salto alto preto meu.


— Eu primeiro vou pôr o vestido e depois vejo, tá bom? 


— Aí, está bem. Vou ir para a cozinha esperar com o papai. 


— Okay, daqui a pouco eu vou lá. 


Ela assentiu e saiu do quarto.


Eu estava só de lingerie. Eu parei a frente do espelho e comecei a me olhar, ajeito meu sutiã e pensei que eu estava me sentindo confortável. É, olhando meu corpo, só de calcinha e sutiã, não me achando gorda ou horrível, pensando que meu corpo curvilíneo era bonito assim mesmo. 


Eu respirei fundo e peguei o vestido, o colocando e ajeitando direitinho o mesmo em meu corpo. Coloquei o salto, me levantando da cama e me equilibrando, fazia tanto tempo que eu não andava de salto que tinha um grande risco de eu acabar tropeçando em algo e acabar caindo lindamente. 


Me sentei a frente da escrivaninha, que tinha um outro espelho, já havia passado creme em meus cabelos e eles já estavam prontos. Com os cachos bem definidos, meu cabelo estava lindo, mas eu não iria com eles soltos. Peguei um grampo e separei uma parte deles, prendendo a metade. Deixou-os de forma alta, enrolando alguns cachos. Eu gostava de usar o meu cabelo com a metade preso, sempre me sentia bem. Peguei da gaveta minhas argolas que eram douradas, colocando-as. Me levantei e fui ao outro espelho, onde havia me olhado pela primeira vez. 


Eu estava me sentindo linda. Cara, aquela sensação era tão boa, eu nem lembrava como era isso, tem noção? Eu só conseguia sorrir. E só conseguia lembrar da minha mãe, tentava imaginar ela naquele vestido, ela deveria ficar tão linda. Esperava que ela de algum jeito, pudesse me olhar lá "de cima" . Parece meio bobo, mesmo eu não acreditando nessas coisas, mas nessas horas eu não ligo muito pra isso. 


Eu abri a porta e desci as escadas, vendo que Evangeline e papai estavam conversando animadamente na cozinha. Quando apareci na cozinha, eles me olharam e ficaram em silêncio. 


— Meu Deus, você tá maravilhosa,  Katherine — minha irmã disse, sorrindo. 


Meu pai não disse nada, só me encarava, sorrindo. Ele parecia estar surpreso ou algo assim. 


— O que você acha, pai? — Eu perguntei, sorrindo de canto. 


— Você tá perfeita, minha filha. — Ele disse, sorrindo largamente. — Nossa, você conseguiu ficar mais linda nesse vestido do que a sua mãe. 


O olhar em seus olhos era carinhoso, eu senti vontade de chorar, mas só conseguia sorrir. Eu me sentia tão bem quando meu pai me elogiava, coisa que ele sempre fez com muita frequência. 


Ele se levantou e foi até mim, eu o abracei com força. Quando nos separamos, ele passou o braço pelo meu pescoço e olhou para mim e para a Line e disse:


— Eu acho que sou muito sortudo, eu tenho as duas filhas mais lindas do mundo. 


— Aí, pai! — Evangeline exclamou, sorrindo e se juntou a gente — nós não tínhamos como sair feias, né? 


Nós todos rimos. 


— Eu concordo. Nós te amamos, papai. — Eu disse, ele sorriu pra gente e abraçou nós duas. 


— Eu também amo vocês. 


Era tão bom quando tínhamos esses momentos, eu amava a minha família do jeito que ela era. Mesmo com a ausência de minha mãe, eu amava tanto o jeito como éramos.  


— Acho melhor a gente ir, senão, você irá chegar atrasada — meu pai disse.


Eu concordei. 


— Sua bolsa! — Evangeline exclamou. 


— Ah, é verdade. Quase que me esqueço! — as cartas estavam lá dentro, se eu não pegasse, tudo estaria arruinado. 


Evangeline subiu as escadas com rapidez, indo ao meu quarto e trazendo a minha bolsa, chegando a cozinha e me entregando. Eu agradeci ela. 


— Bom, vamos? — Papai perguntou. 


— Vamos. 


Nós nos despedimos de Line e fomos até o carro, entrei no mesmo e meu pai o ligou, dando partida logo depois. 



Meu pai estacionou em frente à escola. Eu pude ver daqui, a luz do ginásio bem iluminado. Nós nos encaramos e ele sorriu. 


— Está entregue. Quando quiser vir embora, pode me ligar – ele disse, eu assenti— filha, você está linda. 


Eu ri e depois sorri. 


— Obrigada, pai. Você já disse isso várias vezes hoje. 


— E vou continuar dizendo. Te olhar nesse vestido me dá uma sensação incrível, como se sua mãe estivesse aqui. 


Eu abri meu sorriso. 


— Eu sinto a mesma coisa. 


Ele beijou minha bochecha e nos abraçamos. 


— Se divirta. 


— Eu irei — digo, piscando e ele sorri. — Tchau, pai. 


— Tchau, filha. 


Abro a porta do carro e fecho a mesma logo depois. Começo a caminhar e vou em direção ao ginásio. 


Quando entrei no salão, por uma primeira vez me senti confortável ao perceber outros olhos pairarem em mim. Aquele vestido era justo, em outro dia eu estaria me sentindo gorda; não gostava de nada que realçadas as tais curvas que eu tinha, não gostava de mostrar meus braços e nem de fazer com que as pessoas percebessem que tenho seios grandes. Mas hoje, eu não estava pensando nisso. Eu me sentia confortável e bonita. É, eu estava bonita. 


Dara sorriu para mim, como se estivesse orgulhosa de como estava me portando. Richard fixou seus olhos em mim e eu sorri para ele. Ele estava lindo, elegante, usava uma camiseta social preta e uma calça da mesma cor. O seu brinco de cruz prata continuava em sua orelha. 


— Você está simplesmente perfeita — ele soltou, ficando boquiaberto. — Por que nunca usou esse vestidinho antes? 


Eu ri, revirando os olhos. 


— Porque eu não tinha ele antes — eu  respondi, me aproximando dele. 


Ele deu um beijo em minha bochecha, mais precisamente no canto da minha boca. Cumprimentei Dara, enquanto os outros meninos se aproximavam. 


Os drinks estavam ótimos, a comida também. Eu e Dara dançamos algumas músicas, enquanto ouvia ela dizer que não acreditava que eu estava usando salto alto e maquiagem na mesma noite. Até que me dei conta que não havia visto Weston. 


— O Wes já está aqui? — perguntei, sentando com ela. 


— Acho que sim. Aquele vagabundo ficou enchendo para eu colocar aquela gravata nele. 


Eu arregalei os olhos.


— Não acredito que logo o Jones está usando smoking. 


— Ele disse que quer impressionar — Dara disse, revirando os olhos — sabe como é aquele garoto, um exibido. 


Eu ri. 


— Eu vou procurar ele, já volto — disse, já me afastando dela. 


Saí da pista e fui até os banheiros, olhei de soslaio para o masculino e não havia ninguém. Lembrei-me dos vestiários, parei diante a porta e vi uma das mais belas imagens da minha vida: Weston Jones em um smoking. 


Eu sorri e adentre no vestiário. Me aproximei dele sem fazer barulho, ele estava em pé, arrumando as mangas do seu paletó. 


— Ver você de smoking é capaz de me despertar sentimentos por você – disse, fazendo com que ele virasse de frente pra mim. 


Ele ficou apenas me observando dos pés a cabeça. 


— Caraca, Jean. Que escândalo de mulher — ele falou, me olhando uma forma que me deixou completamente sem graça.


Fiquei vermelha. Apenas ri e pus minhas mãos no feitil da parte de seu terno. 


— Você não está nada mal — disse, fazendo-o rir. 


— Eu acho que você está me devendo uma dança — seu olhar era sugestivo, eu abro um sorriso. 


Ele entrelaçou nossas mãos e guiou-me até o salão, me puxou rapidamente, quase fazendo com que eu caísse. Eu ri um pouco e logo parei a sua frente, estava no final de uma música. Era ficou apenas me olhando, acredito que ele esperava pela próxima música. Que logo começou. 


Era "thinking out loud" do Ed Sheeran. Eu amava essa música e sabia que ele também. Dessa vez, eu não tinha medo daquele clima que ficaria: eu só queria aproveitar.


Os passos eram os mesmos de antes; para cá e para lá. Ele me girou, quando terminei a volta, ele colou nossos corpos. Continuamos dançando. 


— Eu estava com saudades de você — ele soltou, nossos olhares estavam conectados. 


— Você parecia bem ocupado com os jogos, não queria atrapalhar. 


— Eu te conheço. Você nunca vai atrás de ninguém, né? — Ele comentou, ele deu um meio sorriso sarcástico. 


— Tenho medo de atrapalhar — deu de ombros. 


Ele soltou uma risada.


— Você nunca me atrapalharia, infelizmente não posso dizer o mesmo. 


Eu o olhei, tentando entender o que ele tentara dizer com aquilo. Revirando os olhos. 


— Se você está se referindo ao Richard, está errado. 


Ele ficou calado, me girou de novo e quando voltei a sua frente, eu senti ele entrelaçar mais profundamente nossas mãos. 


— Já disse que você é a mais linda da festa? — Ele "perguntou". Apenas ri.


— Me bajulando de novo? Que feio, Jones.


— Eu nunca fiz isso, sempre fui sincero — ele sorriu. Nossa, como o sorriso dele era lindo, os dentes eram todos parelhos e olha que ele nunca usou aparelho. Logo, ele elevou um pouco meu corpo para baixo. Voltando e fazendo com que nossas faces se encontrassem. 


— Gostei do seu decote — havia certa malícia na sua voz. 


— Você é um idiota – digo, bufando um pouco e ele gargalha. 


Respirei fundo, olhando ao redor. 


— Vai continuar na festa? 


— É claro, mas não posso ficar o tempo todo com você, — ele deu uma pausa e gesticulou sua cabeça na direção de Richard — não é justo com ele. 


— Eu só queria saber — disse, em minha defesa. 


— Quer dizer que a senhorita queria que eu desse exclusividade a ela? – Já conseguia sentir a pretensão na sua voz. 


— Weston, apenas fique quieto, não me faça ter vontade de socar sua cara. 


— Você sempre fica irritada quando eu digo o que você tá pensando. 


— Você é convencido, Wes. Não pode afirmar que eu quero passar o tempo todo com você. 


— É, por conta do seu orgulho, terei que dançar com outras meninas... — ele segurou sua risada ao final da frase. Eu o encarei, espreitando os olhos e, automaticamente eu finquei minhas unhas em seus ombros. Droga. Eu sabia que ele havia dito aquilo para me provocar. Ele riu – Você sabe que eu sou todo seu, Katherine.


Eu revirei os olhos e sorri. Odiava-o quando ele me deixava sem o que dizer. 


Ele me girou mais uma vez, me fazendo ficar de costas para ele. Aproximou-se de meu ouvido e disse:


— Você lembra do que eu falei no baile retrô, exatamente quando estávamos assim? — Ele perguntou, acariciando minha mão, sem soltá-la. 


— Lembro sim — digo rindo, lembrando do seu comentário de como eu estava na minha calça jeans. — Agora é um vestido.


— E você continua linda em ambos — ele me girou, com certa rapidez de volta para ele. Nos deixando extremamente próximos. A música estava acabando. 


— Eu tenho que conversar com você depois — disse, o olhando. 


Ele arqueou sua sobrancelha. 


— Fala.


— Agora não. Depois. 


Ele assentiu, mesmo parecendo estar curioso. 


Apenas nos balançávamos, seu olhar era carinhoso. Estava com vontade de beijá-lo, mas tinha vergonha. Ele intercalava seus olhares entre minha boca e meus olhos; era só ele fazer isso para minha respiração acelerar. 


— Você está vermelha — ele comentou, baixo, sorrindo de canto. 


— Ainda não estou acostumado com você me olhando assim. 


— Se eu pudesse, eu passaria o dia inteiro te olhando. 


Eu parei com os passos, o encarando. Ele continuava me olhando, como se esperasse alguma atitude minha. Ele cantava sem som a música, nossos lábios praticamente se roçavam de tão próximos que estavam nossos rostos. 


— That maybe we found love right where we are... — ele cantarolou, passando a mão em minha cintura, tentando me deixar mais próxima do que já estávamos. 


— Oh, maybe we found love right where we are — completei, sorrindo fraco. 


Ele repetiu novamente a frase, a qual era a última da música. Paramos novamente, aquele clima do qual estávamos desde o começo da música se quebrou com o fim dela. 


Ele soltou nossas mãos, abrindo um sorriso sem mostrar seus dentes. 


— Depois me chama quando me quiser contar o que você tem a dizer — ele disse, piscando para mim. Eu assenti, observando ele sair da pista, eu arrumei meus cachos e respirei fundo. Nem sabia onde havia deixado minha bolsa, provavelmente estava com Dara.


Fui até ela, ela me encarava com aquele sorrisinho. 


— Eu não acredito que vocês não se beijaram — ela disse, cruzando os braços. 


— Não era o momento.


— Vai se fuder, vocês têm muita química, qualquer momento é momento para vocês se beijarem. 


Eu ri alto. 


— Cala a boca, Dara. 


— Já conversou com o outro pretendente? 


— Bom, ele se exonerou do cargo de meu pretendente — digo, vendo Dara arregalar os olhos em minha direção. 


— Não acredito! Gente, tô chocada. 


— Pois acredite. — digo, rindo. 


Ficamos conversando mais um pouco, até que Richard me puxou para dançar. Era uma música mais animada, foi divertido. O tempo estava passando rápido, acredito que aquele baile estava sendo melhor do que o outro. 


Eu parei de dançar e fui até onde minha bolsa estava, abri a mesma e peguei as duas cartas. Caminhei até Richard, cutucando o mesmo, ele se virou e eu disse:


— Fica me esperando no lado de fora do ginásio, preciso conversar com você. 


Ele me lançou um olhar curioso, mas assentiu. Me afastei dele e fui procurar Wes, que estava com os meninos do time; óbvio, estavam fazendo gracinhas com algumas meninas do segundo ano. Apenas revirei os olhos. 


Me aproximei dele e puxei a manga de sua camiseta, ele se virou, um pouco assustado, eu ri. 


— Vai pra fora do ginásio — ele entendeu do que se tratava e assentiu também. Se despediu dos meninos e foi na minha frente caminhando até a porta. 


Quando chegamos a porta, eu empurrei a mesma e no corredor onde tinha a rampa de concreto que dava acesso ao ginásio, Richard já estava lá. Logo atrás tinha um pequeno campo e tinha a grade, onde separava o pátio e esse acesso ao ginásio. 


— Eai, atleta — Richard se pronunciou, erguendo a mão para cumprimentar Weston. 


— Oi, cantorzinho — Wes respondeu, cumprimentando Richard. Os dois se encostaram nas barras de ferro que tinha envolta da rampa. 


Os dois me olhavam curiosos e eu ergui minha mão, para que pudessem ver as cartas. Eu coloquei um mecha de meu cabelo para trás de minha orelha. 


— Ontem eu escrevi duas cartas: uma para cada um de vocês. Talvez pareça um pouco bobo, mas eu de alguma teria que entender o que sentia em relação a vocês dois. Mesmo já tendo resposta pra essa situação, acho que seria melhor fazer isso — digo, sorrindo de canto. 


Os dois se entreolharam, era estranho não vê-los em uma posição de não brigarem. Eu primeiro peguei a carta de Richard, abri a mesma e olhei para ele. 


— Vou primeiro ler a sua, Rich. — Eu disse. 


— Tudo bem — ele disse, sorrindo de canto. Olhei para Wes, ele assentiu para mim e sorriu também, como se quisesse dizer que estava tudo bem para ele. 


— A primeira coisa que eu me lembro referente a você, é sacada — comecei a ler, logo de primeira Richard começou a rir, fiz o mesmo dando uma pausa. — Quando nós nos conhecemos, eu lembro de ter sido grossa com você, eu admito: era algum tipo de mecanismo pra não tentar parecer que eu estava nervosa ao falar com você. Eu também lembro da sua redação que fez, no primeiro dia de aula, falando sobre sua paixão pela música, foi lindo. Em pouco tempo, você conseguiu fazer um grande estrago onde já havia pouca estabilidade. Você nunca me machucou. Eu sempre senti que poderia confiar em você e conversar sobre quaisquer coisas mais malucas que existissem nesse mundo, porque você não me julgaria. Nunca fui muito segura quando o assunto era me deixar sentir algo além de amizade por você: o seu perfil não ajudava em nada, mas ao mesmo tempo vooê fazia o possível pra me convencer que você era o cara. Eu tive medo de ser mal-interpretada por você, mas no fim, todas essas especulações e preocupações foram inúteis. De um caso indefinido e confuso, nós construímos uma amizade forte e incrível. E eu sei, que quando eu precisar, é só eu chamar que você vai escalar a minha sacada e me ajudar. Obrigada por tudo, eu te amo. 


Eu fechei a carta e observei o sorriso gigantesco no seu rosto. Eu apenas retribuí.


— Também te amo, pequena — ele disse, piscando pra mim. 


Agora, eu me virei para o Wes, que observava tudo quieto, mas sua expressão era leve. Nós nos olhamos e ele riu fraco, passando a mão em seus cabelos. Ele estava nervoso. Abri a sua carta, começando a ler. 


— Não tem palavras certas pra descrever ou explicar o que aconteceu entre a gente. Eu ainda sinto que deveria de alguma forma me desculpar novamente por tudo e tentar minimizar a mágoa. Ficamos quase três anos separados, distantes, acredito que foi uma das piores decisões da minha vida. Esse erro aconteceu por pura falta de comunicação e talvez orgulho nosso, eu ainda não sei ao certo, mas tenho certeza que não irei cometê-lo de novo — eu dei uma pausa, as mãos dele estavam dentro dos bolsos e ele me escutava atentamente. — Você é o meu melhor amigo. Sim, aquele que tentou me ensinar jogar basquete, o que eu ficava em ligação até de madrugada, o que sempre arranjava alguma festa para nós irmos, o que me abraçava e segurava meu mundo quando as coisas davam errado, que sempre gostou de dançar junto comigo e que nunca deixou de fazer alguma vontade minha. Nós temos tantas memórias juntos, tantas histórias e em determinado momento, a gente tentou fazer com que tudo isso se apagasse. Eu te magoei, eu te magoei de verdade, nós trocamos farpas e isso me causa uma culpa enorme. Ao final disso tudo, a única coisa que eu percebi é que... Nós não somos amigos. — Eu fechei a carta, já havia decorado tudo o que queria dizer a ele, o encarei. — Eu sei que existe um limite pra tudo e eu também sei que amigos não se olham do jeito que nós nos olhamos. Eu demorei a desmanchar a imagem que tinha de você, tentar ser flexível com você e te deixar um outro lugar da minha vida, do qual nunca imaginei que você um dia pudesse ocupar, foi realmente confuso e estranho. Mas eu me acostumei. É, foi meio conturbado até eu entender, mas eu me acostumei. Nossas personalidades sempre pareciam ser tão distintas, mas no fundo, a gente é quase igual, mesmo sendo diferentes. Discutimos tanto que eu já até me acostumei, mas odeio quando brigamos e paro de falar com você. Eu me sinto segura nos teus braços, me irrito fácil com as suas brincadeiras, mas são uma das coisas que mais me fazem rir e perceber que não importa o quão idiota você seja, com esse seu jeitinho torto, você consegue ser perfeito e se encaixar sem nenhuma dificuldade no que eu quero. Eu te amo, Wes. Eu sou infinitamente grata a tudo o que já passamos juntos e espero ter milhares de outras coisas para nós passarmos. 


O olhar dele era de uma doçura indescritível. Eu só sentia vontade de abraçá-lo com toda força que eu tinha, mas iria me controlar. 


— Eu acho que estou sobrando, — Richard comentou, rindo – posso ficar com a carta, né, pequena? 


— Pode sim — respondi, sorrindo e entreguei a mesma para ele. 


— Depois a gente conversa sobre isso. Falou, campeão, — ele se virou para o Wes e o cumprimentou novamente — parece que eu perdi a batalha. 


Weston riu alto. 


— Estou quase mais surpreso do que você, acredite — Weston disse, ainda rindo. 


— Vocês são ridículos — eu disse, revirando os olhos. 


— Tchau, pequena — Richard beijou minha bochecha — Vou deixar vocês a sós. 


Ele saiu, abriu a porta do ginásio e voltou para o mesmo. Um silêncio reinou entre eu e Wes, não havia mais ninguém do lado de fora. 


— Eu precisava recompensar aquela redação que você fez, então, aproveitei a situação e fiz isso, — estava ficando nervosa, ele apenas me olhava — você não gostou? 


Ele riu, se aproximando de mim e pegando a carta de minha mão, sem amassar, colocou-a no bolso. 


— Eu amei, Kath, — ele disse, abrindo um sorriso. Eu suspirei aliviada e sorri também — eu esperei muito tempo pra ouvir tudo aquilo de você.


— Acho que tenho que agradecer por ser paciente. 


— Na verdade, eu fui muito paciente — ele disse, rindo e eu revirei os olhos. 


— É, isso aí. Me descul... — ele pôs seu dedo indicador da mão direita em meus lábios, parei de falar.


— Para de se desculpar. Valeu todo tempo do mundo, todas as nossas brigas, literalmente tudo. 


— Você conseguiu esquecer tão rápido.


— Orgulho não combina com felicidade — ele arqueou a sobrancelha e eu sorri. 


— Sabe... Agora eu entendo o ódio que você sentia cada vez que eu dizia "apenas amigos".


— Aleluia, senhor! — Ele exclamou, eu bati sem força no peito dele. Ele riu. — Sinceramente? Me chame do você quiser, até de amigo, só me mantém por perto.


Eu respirei fundo. Fiquei encarando aquele par de olhos negros que eu tanto adorava, eu toquei na mão dele e logo, juntei com a minha. 


— Não quero ser sua amiga — as palavras pareceram pular da minha boca. Mas eu não queria mesmo; aquela nomenclatura já havia me dado muita dor de cabeça. 


— Então, o que você quer? — Eu conseguia sentir a surpresa que ele tivera com a minha resposta. 


— Ah, não sei — respondo simples, rindo um pouco. 


Ele sorriu e sua expressão mudou, como se ele tivesse tido alguma ideia genial. 


— Vem cá — ele disse, me guiando, sem separar nossas mãos. Wes caminhou até a grade que separava o ginásio do pátio e a empurrou, passamos da mesma e fomos para o pátio, onde havia os bancos. Ele soltou nossas mãos, tirou o paletó e deixou em cima da mesa que acompanhava os bancos, arremangou as mangas da sua camiseta social até um pouco abaixo de seu cotovelo.


— O que você vai faz...


— Sobe no banco. 


— Que? Weston, o que que deu em você? — Perguntei rindo um pouco, ele parecia eufórico. 


— Só sobe, Jean — ele pediu, eu dei de ombros e tirei o meu salto, segurando-o nas mãos. Subi no banco e fiquei observando o Wes dali, ele pôs as mãos na cintura e me encarava sorrindo. 


— Antes de tudo, só queria ressaltar que você estando daí de cima fica melhor ainda de estudar suas pernas. 


— Vai se fuder, Weston, — eu disse, revirando os olhos e escutei ele dar risada — me fez subir aqui só pra isso? Você é um imbecil. 


— Se acalma aí, ô esquentadinha. O negócio é sério. 


Eu arqueei as sobrancelhas e fiquei quieta, esperando ele começar a falar. Jones tirou as mãos da cintura e suspirou. 


— Eu conquistei a minha garota. De vez, mesmo. Eu não tô com a mínima vergonha de assumir o quanto eu tô apaixonado, eu sou tão louco por você que é capaz de eu entrar naquele ginásio e gritar pra todo mundo ouvir que eu te quero mais que tudo, — ele disse, sorrindo largamente e eu passei a minha mão livre em meu rosto, ele era profissional em me deixar com vergonha — mas eu não vou fazer isso. Eu vou fazer melhor. 


Eu arregalei levemente os olhos. 


— Katherine Jean Lancastre Wright, — ele disse, de uma forma um tanto debochada, Wes sabia que eu não gostava muito quando me chamavam pelo meu nome completo, ele se abaixou e ajoelhou, — você quer namorar comigo? 


Eu gelei. Fiquei boquiaberta, eu nunca esperaria que ele iria fazer isso. Eu ri um pouco e sorri. 


— Se você recusar, está ciente que vai partir o meu coração, né? — Ele "perguntou" sarcástico e riu também. 


— Eu aceito. Eu aceito, Wes — eu disse, eu não conseguia parar de sorrir. 


Ele se levantou e se aproximou de mim, eu larguei meus sapatos na mesa e coloquei meus dois braços envolta do seu pescoço, ele puxou meu quadril, dando impulso para eu envolver minhas pernas envolta da cintura dele e assim eu fiz. Ele me segurou forte pelo quadril e eu o olhei. 


— Eu sou o homem mais feliz desse mundo, juro por Deus — ele disse, feliz e eu comecei a rir. 


— Agora, Weston Jones, — eu puxei a gola de sua camiseta, fazendo nossas faces quase se colarem — você é o meu namorado. 


— E você, Katherine Jean, é a minha namorada — ele disse, sorrindo. Eu coloquei minhas mãos no rosto dele e acariciei o mesmo. 


Eu olhei ele por alguns segundos e logo juntei as nossas bocas, iniciando um beijo. Era um beijo igual aos outros dos quais já aconteceram, mas a diferença é que agora eu sentia prazer em beijar ele. Tinha um gosto diferente, mas bom como sempre. Eu só conseguia pensar o porquê de eu não ter assumido o que eu sentia logo por ele. 


Ele separou nossas bocas, mas dando alguns selinhos demorados. 


– Eu te amo — Wes disse, o jeito como ele me olhava me prendia a ele totalmente. Eu devia estar parecendo uma boba olhando para ele. 


— Eu também te amo — eu respondi, sorrindo novamente. 


Aquela noite estava sendo maravilhosa.


Notas Finais




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...