1. Spirit Fanfics >
  2. Hantaywee >
  3. Capítulo VI

História Hantaywee - Capítulo 6


Escrita por:


Notas do Autor


N.T— Potato Ceci: Oi, galera! Estamos aqui com mais um capítulo dessa maravilhosa história para vocês! As coisas começaram à esquentar... Vejo vocês nas notas finais!
Boa Leitura 📖⭐

Capítulo 6 - Capítulo VI


— Sim, a srta. Vivian está — A mulher olha para atrás, estava desconfiada de Ana: sabia que Vivian não era uma flor, tinha seus espinhos, pecados e desejos, mas conseguia -com muito esforço- controlá-los. No entanto, Lídia sabia que se Ana começasse uma amizade com Vivian, o controle que Vivian tinha iria sumir em um estalar de dedos. Por outro lado, Lídia pensou estar exagerando e, com um sorriso constrangido e meio apagado, disse à loira (que agora estava olhando-a impacientenente):

— Vou chamá-la, entre por favor - Lídia esperou Ana entrar. Com delicadeza guardou o chapéu da professora e sorrindo com a cabeça baixa, se retirou do cômodo, subindo as escadas, pensativa.
Bateu na porta branca (que, contrastando com as belas rosas ao lado, dava ao quarto um ar de pureza). Vivian responde:

— Pode entrar — A voz ultrapassa a porta, indo ao ouvido de Lídia como um pequeno sussurro.

Ela abre a porta - não muito - e entra graciosamente, era uma mulher cuidadosa. Sorriu para Vivian, continuando com a cabeça baixa, agindo totalmente diferente do que pensava. Disse em um tom suave:

— Srta. Vivian, há uma mulher querendo lhe falar — Depois de entregar essa pequena informação, ficou ali esperando as ordens daquela garota que com uma bagagem de arrogância vivia a vida.

— Quem é? — Perguntou, levando um damasco até a boca avermelhada por causa da última pintura feita em seu rosto, com o motivo de se encontrar alguém (não dissera à Lídia o nome da pessoa).

— Ela não disse quem era, porém pelo que me lembro, creio que seja a professora Ana — Respondeu, sem mudar sua posição.

— Hmm, que interessante, o que a traz aqui? — A menina pergunta, se levantando com uma ternura sombria. Coloca um pequeno tecido branco, bordado com flores amarelas sobre os ombros, e vai até a porta — Vou ver o que ela deseja — Lídia abre a porta para que a jovem passe — Ah e... Lídia, meus pais estão em casa?

— Não, eles saíram para resolver alguns negócios — A criada responde, andando atrás de Vivian.

— Hm, ótimo... — A garota desce as escadas. Ela observa a professora que fumava um cigarro, olhando a paisagem que uma das janelas da sala expunha . Vivian exclama, com um sorriso sutilmente enganoso:

— Professora! O que a traz aqui?

— Olá, Vivian. Eu vim porque preciso falar com você — Respondeu, amassando o cigarro e o deixando no cinzeiro.

— Ah, pois então, diga — A menina pede, sentando-se em uma poltrona típica espanhola.

— Bem, eu queria falar à sós...— Disse, também se sentando e encarando Lídia com um olhar de reprovação.

— Ah, claro. Lídia, saia. — Vivian ordena friamente.

— Como desejar — Ela sai, suspirando. No fundo não queria ficar lá: aquilo foi como um favor à ela, afinal, precisava de ar fresco. Conviver com Vivian era como passar dias com o próprio Narciso.

Após Lídia se retirar, a professora mudou o semblante: os olhos estavam mais sérios, frios e intencionados. Cruzou as pernas e com o seu ligeiro sorriso, disse:

— O assunto que venho tratar é algo que interessa a nós duas.

— Diga-me, estou ficando intrigada. — A garota fala, colocando delicadamente seu tecido sobre uma pequena mesa e cruzando os braços.

— É sobre Leonard.

— Leonard? — A morena nunca pensara que Ana citaria este nome. No fundo, ela não queria que ninguém dissesse. Não queria abrir em seu peito uma ferida que nenhum médico - nem mesmo Hall - conseguiria curar.

— Sim. Preciso de tua ajuda para mostrar à ele que não se pode brincar com os sentimentos dos outros — A professora dizia com uma veracidade tão profunda que conseguiu prender Vivian.

— O que ele te fez? — A garota perguntou, com uma certa pena da professora.

— O mesmo que fez com você. — Essa foi uma tentativa arriscada de Ana, já que ela não sabia se Vivian tinha mesmo se ferido com Leonard, ou se ela que o havia ferido. Entretanto, algo no olhar da jovem mostrava que Ana tinha acertado em cheio.

— Ah... — Ela hesita, como se todo o cuidado com a ferida não valera de nada. Agora ela sentia o coração pulsar, como em um desesperado pedido de socorro. Sua memória fazia questão de a lembrar de todos os momentos que vivera com Leonard. Se aprumou e sentou-se corretamente na poltrona, inclinou as costas para trás e sorriu, tentando não perder a postura; continuou, com a voz meio falha — Entendo. Contudo, não posso ajudá-la com isso.

— Claro que pode. Do contrário, eu não teria vindo aqui. — Sorriu satisfeita, sabia que conseguiria a ajuda da jovem, mesmo ela negando no momento. Ana tinha visto os sentimentos dela, como a garota vinha se comportando: os olhares confusos, o jeito que se sentou... Ana sabia que no fundo daquele coração jovem, existia uma chama que se espalhava por todo o corpo, implorando por vingança — Vivian, você vai deixar que ele machuque outra jovem? —A professora tirava da manga uma carta cada vez melhor que a outra.

— O que está querendo dizer?

— Bom...Leonard vai pedir a filha de Phillipe Hoffman em namoro — Comentou, começando à jogar lenha na pequena chama que estava dentro do coração da jovem.

— A... Agatha? — A menina pergunta, agora, com um olhar mais sombrio.

— Sim, essa mesmo.

— Ele quer namorar com ela?! — Vivian perguntou, já sabendo a resposta. O ódio ia crescendo dentro daquele magro e estrutural corpo jovial, parecia devorá-la por inteiro.

— Sim, por isso vim aqui pedir sua ajuda — Respondeu, tentando segurar o sorriso de satisfação, já que somente com algumas palavras conseguira alcançar seu objetivo.

— O que quer fazer? — Vivian pergunta com os olhos centrados na professora, os dedos batendo repetidas vezes sobre o outro braço, com um olhar sombrio e vingativo.

— Ah, vou lhe contar tudo — Coloca um cigarro na boca, acende o isqueiro que estava em sua bolsa (não era seu, mas sim do marido, que fumava muito menos que ela). Acendeu o cigarro, deu uma baforada e continuou — A família de Agatha não iria gostar que a filha tivesse um compromisso com um rapaz que tem outros relacionamentos, não acha?

— Er, sim... Não estou entendendo onde você quer chegar.

— Simples: você vai fingir estar grávida. — Ordenou. Era um simples plano, ou melhor: uma estratégia, que para muitos casos dava certo; e Ana tinha certeza que conseguiria, pois perder não era uma opção.



Elizabeth e Leonard esperavam Hantaywee no bosque onde haviam combinado, o loiro andava de um lado para o outro, mostrava uma pequena ansiedade: preocupado se Hantaywee traria o colar como havia prometido. Elizabeth, com os braços cruzados, observava o irmão: não estava preocupada, sabia que o amigo chegaria. Sorriu, tocou o ombro do irmão e disse:

— Se acalme, ele vai chegar logo.

— Eu sei, mas não consigo ficar tranquilo —Comentou, com um sorriso nervoso.

Eliz sorri e acaricia as costas do irmão. Ela sabia o quanto Leonard era ansioso: desde sempre pudera ver a inquietação nos olhos dele, as lágrimas que escorriam e que tentava esconder... O rosto vermelho mostrava a verdade: as dores e algumas vezes, o medo do futuro.

— Desculpem o atraso, meu irmão não estava muito bem hoje — O garoto explica, se aproximando dos irmãos.

— Tudo bem — A garota diz, sorrindo. Se aproxima dele e pergunta, preocupada — O que seu irmão tem?

— Ele foi junto de alguns dos nossos homens caçar búfalos — Dizia tirando com certo cuidado, uma pequena bolsa de couro da cintura — Meu irmão não viu um dos búfalos, então o búfalo deu uma patada nele — Abriu a bolsa. Entre suas falas, sempre trocava olhares misteriosos com a garota— Agora ele está lá, sendo cuidado por minha mãe. — Sorriu, com indiferença.

— Ah, nossa. Coitado, espero que ele melhore — Elizabeth comenta, contemplando o amigo: parecia mais preocupada do que o próprio irmão.

— Não se preocupe, ele já está melhor. Só vai ficar fingindo estar machucado para ter mais atenção da mamãe — Respondeu, ainda mexendo na bolsa, procurava algo.

— Pelo menos está melhor — Leonard comenta.

— Sim — Hantaywee responde, achando por fim o que procurava: era um colar, com uma pequena e bonita pedra. Aquela pedra brilhou aos olhos dos jovens. Hantaywee se aproximou de Leonard e colocou o colar na palma da mão do rapaz — O colar, para sua amada. — Disse, com um semblante alegre.

— Uau, muito obrigado, Hanta — Sorriu admirando o colar. A pedra era tão linda e mesmo assim, demasiada simples. Havia algo nela que encantava o garoto — Agatha vai adorar! — Comentou, ainda com o sorriso alegre.

— Espero que sim — Hantaywee comenta, dando alguns passos para trás, ficando ao lado de Elizabeth.

Ela o observou, com seus olhos extremamente penetrantes, esboçou um sorriso simples, que, contudo, dizia muitas coisas para o garoto. Agora ela estava sussurrando "obrigada" em um agradecimento sutil.

— Bom, acho melhor eu ir dar isso à ela —Leonard diz e, sem perceber, corta toda a ligação que estava ocorrendo entre os olhares dos outros dois jovens.

— Ah, sim, claro. — A garota concorda, com os pensamentos um pouco distantes. Ainda não conseguia entender o que Hantaywee fazia consigo — Você quer que eu vá contigo? — Perguntou, voltando a pensar no assunto do irmão.

— Não, eu tenho que fazer isso sozinho — Respondeu, dando um suave beijo na testa da irmã, como se aquele beijo fosse para roubar um pouco das forças dela - coragem, ou pelo menos um pouco da atitude que sua irmã tinha dentro de si. Depois, se despediu de Hantaywee com um sorriso — Até mais, Hanta.

— Até.

Ele começou a caminhar, passou pelos galhos verdes das árvores, olhou para as hortênsias, os lírios e girassóis. Havia ali, uma beleza tão profunda, algo que o acolhia, deva-lhe a sensação de proteção quando estava sozinho. Olhou outra vez para o colar, como se pedisse forças ao objeto inanimado. Ele conseguia com facilidade cortejar as mulheres; no fundo sabia que tinha um charme completamente envolvente, mas quando se tratava de Agatha, ele perdia todo esse encanto. Ela era, em sua opinião, simplesmente difícil. Não era conquistada apenas com palavras bonitas ou por olhares e carícias: ela gostava de atitudes, grandes atitudes que mostrassem, de uma maneira sincera, o amor por ela. E era por isso que Leonard estava tão temeroso, já que nem seus próprios pensamentos o ajudavam, ou no mínimo, acalmassem um pouco seu coração.

Chegou na porta da casa dos Hoffman e com cautela, abriu a cerca e caminhou de cabeça baixa até a porta principal. Observou o chão do extensivo Jardim, estava tudo arrumado: as ervas daninhas, dançavam sobre o corpo de algumas das flores, como um quadro sendo pintado pela natureza. Sorriu para alguns empregados que cuidavam do jardim e subiu um degrau. Estava na porta, respirou fundo e bateu.


Hantaywee observava Eliz, que mexia nos lírios com uma delicadeza invejável. Ela parecia falar com as flores, o sorriso não fugia de seu rosto, era uma cena maravilhosa. O garoto tinha certeza de que nunca se esqueceria dela.
Perguntou:

— Você prefere lírios ou hortênsias? — Cruzou as pernas, uma sobre a outra, sentado no banco de madeira.

— Acho que... Prefiro os lírios — Respondeu sentada na grama, ao lado de algumas flores, principalmente as duas que Hanta citara — E você?

— Ah, prefiro Hortênsias — Respondeu, se aproximando dela. Sentou-se e acariciou a flor, alternando o olhar entre a hortênsia e Elizabeth.

— Ah, elas são lindas também, no entanto, os lírios são mais — Sorriu, observando o rapaz.

— Bem, eu sempre gostei das hortênsias, deve ser porque na minha aldeia tem muitas delas — Comentou.

— Sério?

— Sim, lá existem diversos tipos de plantas — Inclinou-se para frente e continuou — Lá também tem muitas ervas medicinais, como Louro, Hortelã e Sálvia — Dizia entusiasmado, era notável o quanto o jovem gostava de falar sobre seu povo, sua casa e seu mundo.

— Hortelã? — Questionou. Esse nome ela já ouvira, porém não sabia o que era, tinha um nome chamativo, ela achou interessante.

— Sim, é usado para acalmar as pessoas, para ajudar a diminuir a dor de estômago, limpa os pulmões e pode ajudar em diversas outras coisas... — Explicou.

— Que legal, um dia você tem que me mostrar — Comentou com uma certa intenção. Ela queria muito conhecer o mundo de Hanta, tudo que ele falava, aos seus ouvidos era tão interessante, diferente, fazia-lhe desejar conhecer tudo aquilo.

— Ah, eu não vou poder te levar na aldeia... Se você entrar lá, vão com certeza te matar...— Disse, um pouco constrangido. Não queria mostrar essa parte da história, mas era necessário, ela tinha que saber oque a esperaria se fosse lá.

Ela entendia aquilo, talvez mais do que Hanta imaginava. Elizabeth, no fundo, sempre soube que nunca poderia ir com Hanta à aldeia, sabia que as muitas injustiças causadas nunca seriam revertidas na história. Ela queria dizer para o amigo que logo isso mudaria, no entanto, não podia mentir à ele, entendia que aquilo, demoraria anos para se passar, e talvez nem passasse. Então, deu um sorriso calmo e disse, com a voz meiga:

— Tudo bem. Só de você me contar, eu já fico feliz.

— Ah, mas, eu posso te mostrar de longe — Ele comentou. Queria de algum jeito deixar a jovem feliz, queria dar à ela o que desejava, sabia que algumas coisas eram impossíveis, mas queria deixá-la alegre.

— Como? — Ela perguntou, sem entender.

— Assim, minha aldeia é rodeada de árvores. Poderíamos subir em uma, e eu te mostraria como é a nossa vida, e também mostraria a minha família — O rosto dele brilhava, o sorriso que agora aparecia nitidamente em seu rosto, mostrava o quão inocente o jovem era. Aquela inocência, era uma das coisas que Elizabeth achava mais encantador nele.

— Ah, tem certeza? — Questionou, tinha dúvidas em aceitar.

— Sim, sim, eles não iam nos ver — Ele se ajoelha na frente dela — Eu conheço uma árvore em que meu irmão se escondiapara deixar minha mãe brava. Ninguém acha aquela árvore.

— Ah, seu irmão é muito danado! — Comentou com um sorriso constrangido, vendo uma certa graça naquilo.

— Sim, ele sempre foi — Hantaywee sorri — Você aceita? — Estende a mão para ela e complementa — Será divertido.

— Está bem — Ela segura a mão dele e sorri.



A porta se abre, uma mulher negra dos cabelos extremamente curtos com um sorriso sofrido aparece. Sorri para Leonard e pergunta:

— Olá, Leonard. Veio ver Agatha?

— Sim, ela está?

— Sim. Entre, entre — Ela abriu mais a porta para que o jovem entrasse.

— Vou chamá-la.

— Obrigado, Aiesha — Agradeceu, com as mãos nos bolsos. A mão esquerda passava com certo nervosismo sobre o colar, que estava guardado em seu bolso.

Um homem alto, de cabelos escuros, com costeletas bem feitas e que não tinha barba (se tivesse não ficaria bonito) olhava para Leonard, com um ar soberbo e uma pitada de desconfiança, disse:

— Leonard, o que o traz aqui, meu jovem? —Disse, entrando na sala com um copo de conhaque.

— Ah, bom dia. Eu vim falar com a Agatha.

— Para quê? — O homem fez uma pergunta peculiar, já que Leonard vinha visitando Agatha a um certo tempo e Phillipe nunca tinha feito aquela pergunta.

— Ah, é que eu tenho um presente para dar à ela — Disse, confuso.

— Ah, não vai não — Phillipe falou, se aproximando do menino. Balançava o dedo indicador de um lado para o outro, em uma negativa debochada.

— Hm? Por quê? — O jovem pergunta, assustado com o jeito que o homem estava o tratando.

— Você é bom mesmo, hein. — Sorriu, tomando um gole do conhaque — Simples: não é bom que minha menina fique conversando com um rapaz que engravida outras mulheres, não acha?



Notas Finais


E aí, gostaram? Esperamos que sim! Esse capítulo ficou grande mas não ficou chato. O que vocês acham que vai acontecer com o Leonard? Se quiserem, comentem✌🏼
Até o próximo capítulo, se cuidem!❤🌈


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...