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História Happy Pill - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Funny cakes and smiles


Uma camada espessa de neve cobria todo o meu jardim naquela manhã de dezembro. Era meu terceiro mês naquela cidade nos confins do Canadá, não seria minha primeira escolha nem em um milhão de anos. Eu nem falava francês, e meu pai tinha mesmo que se casar com uma canadense, e ainda por cima me proibir de ficar na Coréia com a minha avó. É uma dessas fases da adolescência em que tudo começa a dar terrivelmente errado e seu pouco sossego é jogado numa esteira de aeroporto. 

Minha intenção era seguir o fluxo, me esconder dentro do quarto e fingir que odiava todo o mundo e mais ainda a mulher de cabelos loiros que conquistou meu pai e me fez parar aqui. Mas o problema é que ela é uma das pessoas mais gentis que eu já vi na vida, e ainda por cima não me passou em momento nenhum uma vibe ruim, nem um resquício sequer. Me preparou um quarto lindo com a melhor vista para o jardim, e me deixa à vontade para decidir o que eu queria e o que não queria. 

É difícil ser uma adolescente rebelde assim. 

Por sorte eu terminei o colégio em Seul, definitivamente seria péssimo ter que frequentar uma escola daqui. Só de pensar me dava calafrios. Mas, acontece que a melhor coisa que Mia fez por mim foi indicar uma coreana que dava aulas de francês. Im Nayeon. Apareci na porta da casa dela numa sexta-feira de manhã, ainda não estava tão frio quanto hoje, mas meu queixo tremia igualmente. Ela já me esperava com uma xícara de chá e um bolo de baunilha confeitado que não combinava em nada com o café da manhã. 

Algum tempo depois eu descobri que ela não liga muito pra normalidades, e ama muito bolos com confeitos coloridos. Nayeon me ajudou a aprender o básico do francês, e me ensinou o caminho até a biblioteca da cidade, depois me fez comprar um bolo de sorvete bem estranho que vinha com um kit para confeitar. Naquela tarde de sábado eu não tinha o motivo aulas para estar na casa dela. Já tínhamos passado da relação professora-aluna, naquele dia ela era minha amiga, e me ajudava a enfrentar a melancolia que era estar tão longe de casa. 

Escrevi nossos nomes em hangul naquele bolo e fiz um grande smile junto, ela sorria de orelha a orelha e disse que eu era muito boa naquilo. Ver Nayeon sorrir se tornou uma das minhas coisas favoritas com uma facilidade imensa. Antes que novembro começasse eu já sentia falta dela quando não estávamos juntas. Por isso eu comecei a aparecer sem avisar na loja de brinquedos que ela trabalhava. 

Nós jantávamos uns pedaços de pizza de dois dólares e dividimos um copo grande de coca-cola, depois ela fazia questão de me levar de volta pra casa, porque dizia que eu ainda poderia me perder pelas ruas largas da cidade. Mas isso foi só até eu conseguir um emprego na livraria da esquina do trabalho dela, obviamente por indicação da própria. Ela tem uma extensa lista de bons contatos. Eles sabiam do meu francês precário e me colocaram na reposição e organização, e quando alguém me abordava eu indicava algum vendedor. 

Assim eu comecei a conhecer melhor as ruas e não mais corria o risco de acabar do outro lado da cidade. E também tive mais desculpas para não só jantar com Nayeon, mas também almoçar e escapulir durante nossas pausas. Quando estava com ela mal me lembrava das sensações ruins que tinha cada vez que pensava que já não estava mais no meu país. Depois de Nayeon eu não tive mais tanto medo de estar construindo um futuro naquele lugar gelado e distante. 

Acabei descobrindo que minha casa não era exatamente a Coréia do Sul, nem o novo sobrado do meu pai e de Mia. Minha casa mesmo era onde eu pudesse sorrir e sentir o coração aquecido. Onde o sorriso de Im Nayeon estava

Eu não precisava de muita coisa, apenas aceitar que as coisas mudam e isso não é necessariamente ruim. Com aquela mudança toda eu conheci pessoas novas e percebi que se eu olhar bem e estar de coração aberto, tem felicidade em todo canto. E por sorte, eu achei a maior fonte de todas, ela é como uma pílula de felicidade, é só me olhar com aqueles olhinhos grandes e sorrir com seus dentinhos fofos, me oferecer um pedaço de bolo ou um dos beijinhos longos que gosta de dar e tudo fica bem. 

É, Nayeon é mais do que minha melhor amiga, é mais do que a mulher que me mostrou toda a cidade e a gramática francesa. Hoje, enquanto eu olho pela janela do quarto, ela ainda está deitada na minha cama, toda enrolada nos cobertores e provavelmente vai me chamar daqui alguns minutos. Foram necessários dois meses e meio para que eu tomasse coragem de dizer a ela que queria ser mais do que só uma amiga, e ela riu da minha cara quando eu perguntei se ela queria ser minha namorada e me disse:

“Eu te namoro faz tempo, você que é lerda!” 

É, eu sempre fui mais devagar, Nayeon além de ser a encarnação da felicidade, é bem mais decidida e rápida do que eu. Mas ela não se importa em esperar meu tempo, nem em segurar minha mão enquanto eu me decido sobre tudo. Com tudo isso, só me resta concluir que vir pra esse fim de mundo frio e coberto de neve foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido, e eu só posso agradecer ao Canadá por Im Nayeon. 


Notas Finais


2yeon = tudo :(


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