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História Hard Love - Carmem Wollinger - Capítulo 3


Escrita por: Ak-san

Capítulo 3 - Lados diferentes


Fanfic / Fanfiction Hard Love - Carmem Wollinger - Capítulo 3 - Lados diferentes

Mordo os lábios, em uma nova tentativa falha de segurar o sorriso doloroso que estava insistindo em se manter em meu rosto nos últimos segundos. Como era possível estar me sentindo feliz por estar aqui, e por ter a oportunidade de passar um tempo com ela, mas por outro lado estar me sentindo completamente decepcionada.

Quando escutei o toque especial do contato dela em meu telefone dias atrás, senti-me inundada por diversos sentimentos. Era incrível que mesmo depois de todos esses anos, meu coração ainda batesse forte por ela.

Nunca deixei-me de perguntar, se tivesse dito com todas as letras que a amava e que gostaria que fossemos mais que amigas, se hoje estaríamos em algum relacionamento.

Ao ser convidada para sair, não fiz muitos rodeios para aceitar o convite. Pois, realmente precisava relaxar e de quebra poderia vê-la. Era realmente, uma combinação perfeita.

Mas a vida é completamente injusta, não é mesmo?

Saber que S/n nunca me viu como nada além de sua melhor amiga me feriu pela a maior parte desses anos, e agora, que estou tentando superá-la de vez, ela insiste mais do que nunca em fazer parte dos meus pensamentos diários.

Estar aqui, neste momento, ajudando-a encontrar essa mulher que conseguiu sem nem mesmo tentar a atenção dela me deixa triste e aborrecida. Isso porque sei que nunca serei objeto desse tipo de interesse dela.

Neste momento, eu deveria estar a ajudando a procurar essa tal loira. No entanto, não sinto a mínima vontade de sair da cabine do banheiro, ao qual tomei como meu refúgio nos últimos minutos.

Meu coração está apertado e meu peito dói com as lágrimas que pedem para ser derramadas, mas não às solto, não aqui e não agora.

Pela terceira vez naqueles minutos, escuto a porta do banheiro sendo aberta e o barulho quase inexistente de dois passos diferentes no piso porcelanato do lugar.

Apertei os braços ao meu redor com mais força, apenas esperando o momento que iria ficar sozinha novamente. Esperei, e esperei. Elas não sairiam dali mais não?

Senti o ar deixando meus pulmões quando escutei a voz de S/n, ela estava agradecendo algo que a mulher presente ao seu lado dissera. Que eu não prestara muita atenção.

- Obrigada. E você, tem alguma? - escutei S/n questionar a figura feminina que estava com ela.

- Eu? Não, claro que não. Mas, já me senti tentada a fazer quando era mais jovem. - a voz respondeu bem humorada.

Estava curiosa, e me senti extremamente tentada a abrir uma brecha da porta e olhar. E confirmar se era a mulher que S/n havia me descrito. Contudo, não me sentia preparada para encarar essa figura feminina que conseguirá a atenção de minha amiga assim tão facilmente.


 

___***___


 

Está bem, eu só podia estar em algum tipo de delírio ao pensar ter visto Carmen olhando em minha direção pelo espelho. Isso claramente era só meu cérebro me pregando peças e me fazendo pensar que essa cena realmente ocorreu.

Apressei-me em direção à minha bolsa, retirando de lá minha jaqueta de tonalidade verde musgo era sem dúvida uma bela cor. Ao alisar o tecido macio em meu corpo e me certificar de ter minha blusa manchada bem enrolada em um canto da bolsa me apressei para fora da cabine.

Estava me sentindo relativamente melhor, não senti mais aquela umidade em minha pele e ver aquela mancha vermelha no tecido branco estava sendo muito bom. Mas infelizmente vivenciava agora a insegurança de não estar bem vestida, considerando o fato que só havia agora um sutiã top cinza claro por baixo da jaqueta.

Com o corpo reclinado na parede perto dos lavatórios, Carmem olhava-me com atenção. Sua expressão reflexiva enquanto parecia me avaliar não ajudava muito meu crescente nervosismo.

- É uma bonita tatuagem. - sua voz baixa mais seus olhos fixos em minha pele foi o suficiente para que minha pulsação aumentasse.

- Obrigada. - forcei o agradecimento para fora de meu corpo, enquanto enfrentava a tarefa hercúlea que era acalmar-me. - E você, tem alguma?

- Eu? Não, claro que não. Mas, já me senti tentada a fazer quando era mais jovem. -  pronunciou com seus olhos agora presos aos meus.

- E o que você queria tatuar? - a questionei em tom curioso, junto a um levantar de sobrancelha.

Seus olhos se afastaram dos meus, ao mesmo tempo que sua mão colocava seu cabelo atrás da orelha.

E foi ao perder o contato visual com ela que finalmente recordei que ainda estávamos dentro do banheiro. Céus, olhar para aqueles olhos castanhos escuros de Carmem estava me fazendo esquecer que qualquer outra coisa existia.

- Digamos que algo um pouco exagerado. - a encarei completamente curiosa, ela parecia estar envergonhada com o que quer que fosse essa tatuagem.

- Vamos? - dei alguns passos na direção da saída.

- Ah, sim.

Ao sairmos do banheiro, Carmem que andava a minha frente foi diminuindo os passos até parar e se virar em minha direção. Fazendo com que eu a encarasse com interesse.

- Você…uma coisa? - a encarei com a testa franzida por não ter escutado boa parte das palavras dela. A música ambiente me parecia mais alta ali. 

- Desculpe, não consegui entender o que você disse. - falei ao me aproximar da mesma, me sentindo completamente consciente da pouca distância entre nossos corpos.

- Eu perguntei se não quer beber alguma coisa - levantei o rosto para poder olhá-la, segundos depois tive que abaixar a cabeça para tentar esconder o rubor que estava se espalhando por meu rosto após ver aqueles olhos castanhos me encarando de forma tão intensa.

- Quero sim. - sorri com a possibilidade de tê-la por perto por mais tempo.


 

___***___


 

Sentir as mãos suadas, e a sensação estranha de ansiedade estava sendo consideravelmente irritante. Não me recordo de ter passado por um momento desses nem em minha adolescência.

A uma hora atrás, quando S/N estava ao telefone que me dei conta que desde que nos sentamos perto do bar, e logo depois da primeira dose que começamos a flertar uma com a outra.

- Diga-me Carmem, existe mais alguma coisa que queira compartilhar, além de seu interesse por motos harley e seu gosto por músicas menos atuais? - assim, estávamos compartilhando pequenos interesses e coisas de que gostamos nos últimos minutos.

- Ah, não. Não tenho nada em mente, por enquanto. - inclinei-me para frente, apoiando meu queixo em minha mão. E me senti extremamente satisfeita ao vê-la ficar nervosa com a nova aproximação. - Mas e você, por que não continua falando sobre fotografia?

- Eu… bem… - acho que meu mais novo interesse era olhar descaradamente para a boca rosada dela, era satisfatório ver como isso mexia com ela. Mas se fizesse isso por mais tempo, iríamos acabar nos beijando. - O que quer saber?

- Você comentou que vai viajar mês que vem para fotografar, a onde vai? - a questionei, ao mesmo tempo que mantinha meus olhos bem longe de sua figura.

- Toscana. Uma empresa de turismo me contratou para ficar uns dois meses por lá. - assenti. - Eu… acho que deveria ir embora.

Olhei para cima, fitando o rosto corado. Seus olhos se encontravam fixos na tela acessa do telefone que mostrava ser quase meia noite.

- Você quer que eu te leve em casa? Já é tarde para ir sozinha. - olhei profundamente em seus olhos, esperando uma resposta que esperava ser positiva. - Olha, não vai ser nenhum incomodo para mim.

- Tudo bem, aceito a carona. - o sorriso dela fez as batidas do meu coração acelerarem por alguns segundos.

- Me espera lá fora então? - ela então cerrou os olhos me olhando.

- Temos que pagar a conta.

- Não se preocupe com isso. - a falei divertida, uma coisa que havia notado desde o começo é que ela ainda parecia não ter notado que o bar tinha o mesmo nome que meu sobrenome.

- Mas…

- Vamos S/n, não se preocupe com isso. - me levantei, e a esperei fazer o mesmo. - Me espere lá fora, sim?

Me inclinei perto dela deixando um beijo em seu rosto, que foi propositalmente perto de seus lábios. 

- Sim…

A observei partir, o contato de meus lábios em sua pele parecia ter a afetado como eu queria. Agora era ver se encontrava Gabriel.

 


Notas Finais


De novo, as mudanças de narrador ficaram facilmente identificáveis? E obrigada a todos que estão acompanhando a história.
Vocês por acaso acham que estou indo rápido de mais?


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