História Harry, O Ravenclaw - Capítulo 46


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Categorias Harry Potter
Personagens Gina Weasley, Harry Potter, Sirius Black
Tags Direito, Drama, Romance
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Palavras 14.696
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Famí­lia, Fantasia, Ficção Adolescente, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense
Avisos: Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 46 - Inesperadamente mais difícil


Capítulo 45

 

Ginny Weasley caminhou com sua família pela estação King’ Cross como fazia todo dia 1º de setembro desde que podia se lembrar, mas hoje seus passos estavam sem a energia e excitação que era esperado. Ela sabia que era bobagem, afinal, o que mais poderia ser? Ginny queria ir para Hogwarts desde que viu Bill, seu irmão favorito, ir a muitos anos atrás, mas não podia deixar de sentir uma certa apreensão e, quanto mais perto o dia de embarcar chegava, maior a apreensão ficava. Quer dizer, Ginny estava longe de ser insegura ou medrosa, às vezes, ficava um pouco envergonhada e detestava surpresa, o que era compreensível. Quem em sã consciência gostaria de surpresas? Imagine, uma visita inesperada e a pessoa te pega de pijama, isso seria muito além de constrangedor.

Assim, Ginny não entendia porque nos últimos dias vinha se sentido não insegura e medrosa...

— Querida, tudo bem? — Sr. Weasley perguntou ao ver a filha ficar para traz do grupo grande e ruivo que compunham sua família.

Ginny encarou o sorriso amoroso e olhos bondosos do seu pai, abriu a boca para explicar como se sentia estranha e confusa, mas sem encontrar as palavras, hesitou.

“Ginny, está tudo bem, é normal ter medo de algo novo e desconhecido. ” — Disse ele, se ajoelhando a sua frente.

— Tem certeza? Por que não me lembro de já me sentir assim antes, é tão estranho, papai, eu estava tão animada e agora parece que... — Ela hesitou tentando encontrar as palavras, como lhe explicava que parecia ter um peso sobre os ombros que a sufocava ou que tudo em que conseguia pensar era como tudo daria errado, sabia que daria, ela perderia o trem ou seria uma aluna horrível, talvez não fizesse amigos e todos a odiariam. Pior, Harry a odiaria.

— Arthur! Vamos ou eles perderão o trem. — Disse a Sra. Weasley alguns metros à frente.

— Oh! Estamos sempre atrasados. Ginny, confie que tudo dará certo, baby, o que você sente é esperado. — Disse seu pai apressadamente e a guiou pela barreira.

As despedidas foram apressadas como sempre e logo Ginny se viu no corredor do trem já em movimento, sozinha. Ron entrou no compartimento com os amigos e quando ela tentou entrar fechou a porta na sua cara.

— Vá ficar com os primeiros anos. — Disse ele distraidamente.

Ginny decidiu encontrar um primeiro ano em particular, sabia que Luna estaria por aqui em algum lugar e elas não se viram durante todo o verão. Caminhando mais para o fundo do trem, sentiu o desanimo se infiltrar em sua mente, talvez Luna não estivesse por esse lado ou não quisesse encontrá-la, talvez não a quisesse mais como amiga ou nem estava indo para Hogwarts...

Ela parou bruscamente, que pensamento tolo! Claro que Luna ia para Hogwarts! E é claro que queria ser sua amiga, Luna era a menina mais doce, as duas eram bem diferentes, mais ainda boas amigas quando cresciam. Concentre-se, Ginny! Pare com esses pensamentos estúpidos e sem sentido! Decidida, ela caminhou mais um pouco quando uma menina de vestes novas e bonitas, cabelos longos saiu de um compartimento a sua frente.

— Se fosse você nem pensava em entrar aí. — Disse ela bruscamente enquanto arrastava seu malão pelo corredor na direção a que Ginny viera. — Tem uma menina bem louca aí dentro, não sabia que Hogwarts aceitava esse tipo de gente. Espero que esquisitice não pegue. Eca.

Seu tom era esnobe e mesquinho, Ginny não gostou dela nem um pouco e não se preocupou em responder seu comentário. Olhando pelo vidro da porta do compartimento, sorriu ao ver quem procurava e abriu a porta.

— Luna! — Exclamou Ginny feliz e gostando menos ainda da outra garota. Como alguém podia não gostar da Luna? Sua amiga de infância era excêntrica e diferente, mas ainda muito legal e com um grande coração. — Eu estava te procurando.

— Olá, Ginny, você me encontrou. — Disse Luna com um sorriso distraído. — Porque você estava me procurando?

— Para sentarmos juntas no trem enquanto estamos indo para Hogwarts. — Disse Ginny como se fosse óbvio, depois mais tímida e duvidosa, acrescentou. — Você não se importa que me sente com você, não é?

— Porque me importaria? — Luna a encarou com seus olhos sonhadores. — Você parece diferente.

— Oh! Mamãe insistiu em cortar meu cabelo mais curto. — Disse Ginny e com esforço ergueu seu malão. — Ufa! Você poderia ter me dado uma ajudinha.

— Você não me pediu. Não é seu cabelo, é outra coisa, como se você não fosse você. — Luna moveu a cabeça de lado como se a examinando e Ginny riu.

— Eu sou eu, Luna. E que bom que te encontrei, pelo menos tenho um amigo em Hogwarts. — Disse Ginny e depois sentiu a excitação envolvê-la. — Luna! Estamos indo para Hogwarts!

— Eu já sei disso, foi por isso que peguei esse trem. Você tinha se esquecido? — Perguntou Luna e Ginny riu deliciada, sua amiga sempre a animava.

— É claro que não me esqueci. Apenas estou tão animada, empolgada e.… um pouco receosa, por isso me sinto feliz de ter você indo comigo esse ano, seria horrível se tivéssemos em anos diferentes. — Disse Ginny tentando afastar os pensamentos negativos.

— Porque? — Luna perguntou curiosa.

— Ora, porque aí não teríamos nenhum amigo quando chegássemos lá. — Disse Ginny e encarou a amiga que tinha sua expressão sonhadora de costume, percebeu antes mesmo dela perguntar que se expressara da maneira errada.

— Nós teremos amigos quando chegarmos lá? Eu não sabia disso. Quem é seu amigo e quem é o meu? — Ela perguntou e Ginny sorriu levemente, aprendera a muitos anos que com Luna tinha que ser direta e clara.

— Não, quis dizer que teremos uma a outra, por isso não estaremos sozinhas, porque somos amigas. Certo? — Ginny perguntou sentindo a própria insegurança voltar.

— Certo que não estaremos sozinhas ou certo que somos amigas? — Luna questionou e Ginny sufocou a impaciência, pois a pergunta era mais que justa, o jeito que sua amiga pensava sempre a fazia perceber o quanto Luna era inteligente.

— As duas coisas.

— Bem, claro que somos amigas, mas, sobre se não estaremos sozinhas em Hogwarts, eu não posso te dizer porque não sou uma vidente, sabe. — Disse Luna mais seriamente.

— Sim, eu sei, mas.... Oh, deixa para lá, você está certa, Luna. De qualquer forma, é muito bom estar com você agora e espero que na escola possamos estar juntas também. Quem sabe, até na mesa casa. — Disse Ginny animada. 

— Isso é importante? Não morávamos na mesma casa e ainda éramos amigas antes. — Constatou Luna inteligentemente. — Ou não éramos?

— Claro que éramos... quer dizer, somos amigas, mesmo que crescêssemos em casas diferentes. Sim, você está certa, Luna, estarmos em casa diferentes em Hogwarts não muda nada e será como quando minha mãe me levava a sua casa ou sua mãe te trazia.... — Ginny estava tagarelando, mas viu os olhos da amiga se entristecerem e parou sentindo-se culpada. — Desculpa, não quis....

— Não é sua culpa que me sinta triste quando penso em minha mãe, Ginny. — Disse ela simplesmente.

Ginny concordou e suspirou se sentindo boba, esse era um assunto tão delicado e ela nunca sabia o que dizer, mas Luna sempre sabia.

— Bem, se estivermos em casa diferentes irei visitá-la e você pode me visitar também quando quiser. — Disse Ginny decidida. — Diga-me como foi sua viagem com seu pai? Onde vocês estiveram mesmo?

— Dinamarca....

Enquanto o trem prosseguia para o norte as duas compartilharam o que fizeram durante o verão. Luna, sua viagem com o pai e Ginny contou sobre os gêmeos serem amigos de Harry Potter, irem a sua festa de aniversário e como ela quase não pôde ir para Hogwarts. Quando a senhora do carrinho de lanches passou as duas recusaram e Ginny pegou seus sanduíches preparados por sua mãe.

— Hum... ela fez salada de ovos e batatas como eu gosto. — Disse Ginny com água na boca e olhando para amiga, não a viu tirar nem um lanche da mochila. — Seu pai não lhe fez um lanche, Luna?

— Não, papai estava distraído com suas descobertas em Arhus, ele tem certeza que as espécies de penas que encontramos é de um Thunderbird e que foi ele que provocou as chuvas fora de época na região. — Disse ela sorrindo sonhadora. — Teria sido incrível ver um.

— Sim, seria mesmo, eles são tão raros. Aqui, você pode ficar com um dos meus sanduíches. — Disse Ginny lhe entregando o lanche.

— Obrigada, Ginevra. — Disse Luna calmamente.

— Ei! Não me chame assim ou te tiro minha oferta. — Brincou Ginny com expressão mal-humorada.

— Você ainda não gosta do seu nome, Ginny? — Luna engoliu a mordida do saboroso lanche antes de perguntar.

— Não e nunca gostarei. E sim, isso me faz uma vidente, Luna, no meu futuro tem muita diversão, magia e eu ainda odeio meu nome. — Disse Ginny com olhar malicioso.

Isso fez Luna soltar seu grito de risada característico e contagiante, que fez Ginny rir e logo as duas estava segurando seus lados de tanto rir.

Um pouco mais tarde a porta se abriu e Ron apareceu, parecendo aliviado.

— Oi... até que enfim te achei. Escute, mamãe me mandou sanduíche de carne enlatada de novo, ela sempre se esquece que eu não gosto. Troca com um dos seus? — Disse Ron, apressadamente jogando o sanduíche sobre o banco ao seu lado. — Do que é o seu?

— Os meus eram de salada de batata e ovo, mas já se foram, eu dividi com a Luna e não tenho mais. — Explicou Ginny dando de ombros.

— Oh... — Ele ficou desapontado e olhou para Luna pela primeira vez. — Oi, Luna, você não trouxe lanches?

— Olá, Ron, eu não trouxe lanches ou, então, a Ginny não compartilharia seu almoço comigo. — Luna apontou o óbvio.

— Que pena, salada de batata não é bacon, mas é melhor que isso. — Disse ele pegando o sanduíche de volta. — Você poderia ter guardado um pedaço para mim, Ginny.

— Bem, e você poderia ter acordado mais cedo e descido para ajudar a mãe a fazer os almoços de nós 5 como eu fiz e, aí então, você a lembraria que não gosta de carne enlatada e pediria o de bacon. — Ginny apontou, sarcástica.

Ron apenas se avermelhou de irritação e saiu do compartimento batendo a porta.

— Que idiota. — Sussurrou ela e olhou para a amiga com medo que estivesse magoada, mas sua expressão era sonhadora como sempre.

— Acho que essa é outra previsão segura que podemos fazer e que não mudará no futuro, Ginny. — Disse Luna sorrindo e com os olhos azuis brilhando. — O estômago do Ron.

Isso, claro, as levaram a outro ataque de risos. Foi maravilhoso, pensou Ginny, ter um amigo e estar indo para Hogwarts. Não havia nenhum motivo para sentir medo ou ter dúvidas, tudo daria certo.

Não muito tempo depois a porta voltou a se abrir e uma moça alta, de cabelos castanhos encaracolados e óculos, as encarou sorridente.

— Olá, meu nome é Penélope Clearwater, sou uma monitora do 6º ano, Ravenclaw. Estou me apresentando para todos os primeiros anos e me colocando à disposição, caso precisem de qualquer coisa. — Disse ela simpaticamente. — Estamos também realizando uma pequena reunião no compartimento dos monitores com os novos alunos nascidos trouxas e mestiços para lhes dar algumas informações sobre a escola, as casas e o mundo mágico.

— Oh! Nós somos puro-sangue, quer dizer, não somos puristas, mas... — Ginny gaguejou e ficou irritada consigo mesmo, a moça riu dela e ela corou.

— Eu entendi. Como vocês se chamam? — Perguntou gentilmente, talvez não estivesse rindo dela, pensou Ginny, mais aliviada.

— Eu sou Luna Lovegood. — Disse Luna suavemente.

— Eu sou Ginny Weasley.

— Ah! Eu devia ter te reconhecido, você é a irmã mais nova do Percy, ele me disse que começaria este ano. — Seu sorriso cresceu e ficou mais caloroso, Ginny acenou tentando não fazer uma careta, ela sempre era a irmã mais nova de alguém. — Bem, tenho que ir para a reunião, esse é um dos últimos compartimentos. Se precisarem de qualquer coisa não hesitem em me dizer, meninas.

Depois que ficaram sozinhas, Ginny sentiu seu sorriso morrer e as inseguranças voltarem.

— Você não gostou da monitora Penélope. — Disse Luna, como sempre sincera e perceptiva.

— Oh, não, Luna, não é isso. Ela pareceu tão gentil e simpática, apenas tive a sensação que ela estava rindo de mim quando eu gaguejei e corei feito boba. — Ginny viu a expressão de confusão no rosto da amiga e suspirou. — Luna?

— Ginny? — Perguntou ela de volta.

— Luna...

— Ginny... Estamos jogando um jogo novo? — Perguntou a amiga seriamente.

— Não, é que eu queria te perguntar em que casa você gostaria de entrar. — Perguntou ela hesitante.

— Ravenclaw. — Disse Luna, simplesmente.

— Porque? — Ginny perguntou direta.

— Porque é a casa dos meus pais, eles sempre me falaram como é incrível e mamãe…— Luna hesitou e seus olhos sonhadores ficaram tristes outra vez. — Mamãe me dizia que eu nasci uma Ravenclaw, um espirito sem limites, acho que a deixaria orgulhosa se fosse para a sua antiga casa.

Ginny acenou sentindo o estômago se embrulhar, pois não tinha como argumentar com essa resposta tão doce. Como podia dizer, depois disso, como se sentia confusa? Como podia explicar como uma parte dela sentia uma vontade imensa de não ir para a casa Gryffindor, justamente, porque era a casa dos pais e irmãos? Pareceria tão tola e egoísta, pior, Luna pensaria que ela não queria mais ser uma Weasley, assim como Fred, e que não valorizava tudo o que sua família fez para que estivesse em Hogwarts. Suspirando, olhou pela janela, o dia estava chegando ao fim e em breve estariam na escola, de repente, Ginny se sentiu sufocada outra vez e estremeceu de frio. Pegando o agasalho, o vestiu e colocou a mão no bolso para aquecê-las sentindo o diário que estava ali, ela o esquecera quando partiram mais cedo e tiveram que voltar para buscá-lo, assim não pode guardá-lo em seu malão. Tom entendera suas dúvidas e dissera que não havia nada errado em querer ser diferente e melhor que a própria família. Ginny explicara que não queria ser melhor, apenas ela mesma e, que não tinha certeza se quem era, queria ser uma Gryffindor. Na casa dos leões seria apenas mais uma Weasley, seguindo a tradição e o esperado, mas em outra casa poderia ser ela mesma, Ginny e... Não, não podia pensar assim, era errado, seu pais e irmãos ficariam desapontados, sabia disso. Além do mais, sem os irmãos estaria sozinha e talvez não conseguisse ser uma grande bruxa, iria falhar tudo e ser péssima, sabia que sim. Estremeceu outra vez sentindo o frio aumentar, devia ser porque a Escócia fazia mais frio, pensou, encolhendo os ombros tentando se aquecer. Porque sentia um peso tão grande como se fosse sufocá-la? Isso era o medo? Ela nunca sentira tanto medo antes, devia ser isso, não estava acostumada, logo passaria e esse sentimento estranho iria embora.

Pensou outra vez em não ir para Gryffindor, qual seria a outra opção? Ravenclaw era a sua favorita, estaria com Luna e era a casa do Harry.... Grrr, já podia até ver seus irmãos zombando dela, os gêmeos diriam que ela não era mais uma Weasley e Ron que ela estava perseguindo Harry Potter. Bem, o que importava o que eles pensavam, afinal, nenhum deles se preocuparam em vir vê-la durante toda a viagem de trem. Ron, apenas veio atrás de comida e os gêmeos desapareceram de perto dela antes que o trem deixasse a estação completamente. E Percy, sempre tão perfeito e monitor, nem mesmo a procurou para ver se estava bem, apenas sua amiga apareceu e ainda por cima riu dela.... Não, Penélope não riu dela, que pensamento bobo, a garota foi tão gentil, foi ela que estragou tudo gaguejando e corando feito uma estúpida. Porque tinha que ser assim? Ela nunca conseguiria ser uma grande bruxa, nunca faria amigos, ia ser um fracasso, sabia que ia. E se não fosse para a Gryffindor seus pais a odiariam....

 

Enquanto Ginny tentava sem sucesso afastar os pensamentos negativos e sombrios, Harry tentava ter uma viagem de trem tranquila, mas também fracassava. Quando o trem partiu Neville e Hermione já estavam com Harry e Terry no compartimento do ano anterior e eles compartilharam um momento de nostalgia e diversão lembrando de um menino perseguindo um sapo, uma menina nervosa e faladeira, um Harry ingênuo que depois de uma conversa esclarecedora descobriu o mundo das perguntas. E Terry compartilhou seu espanto em encontrar Harry Potter vestido com trapos.

— Harry, eu não tive a oportunidade, todos queriam falar com você no coquetel, mas queria lhe dizer que o que você está fazendo com a GER é incrível. — Quem falou foi Neville, estranhamente sério e sem a timidez habitual. 

— Neville, obrigado, mas você sabe que não fiz nada sozinho. Vocês me ajudaram e Penny, isso sem falar no Sr. Falc, Edgar e os funcionários...

— Eu sei, algo tão grande assim não se faz sozinho, Harry, eu sei, mas é você quem está realizando tudo isso. Com o dinheiro e o nome da sua família, além do fato da ideia ser toda sua, você está se empenhando para ajudar pessoas, estranhos, quando poderia apenas viver sua vida e ninguém cobraria nada mais além do que você já fez. — Disse Neville sorrindo.

— O que eu fiz? Merlin.... — Harry parou olhando pela janela para a periferia de alguma cidade. — Vocês sabem a verdade, sabem que não fui eu quem destruiu Voldemort, foi minha mãe e seu amor. E todo o dinheiro que tenho vem da inteligência dos meus avós e antepassados, sou apenas um privilegiado por poder honrar seus nomes e legados. Tenho uma vida emprestada....

— Harry... — Terry sussurrou em protesto.

— É a verdade. Quando Voldemort me escolheu, eu estava condenado, mas a magia e o amor da minha mãe e do meu pai me emprestaram mais alguns anos. E talvez sejam mais 100 ou 20, não sabemos, porque Voldemort voltará e lutaremos...

— E você sobreviverá! — Afirmou Hermione com convicção e emoção.

— Talvez ou talvez não, mas, enquanto estiver aqui, farei valer a pena cada respiração, por meus pais, pelos Potters, por vocês, todos a quem amo e por mim mesmo. Deixarei meu próprio legado e se um dia não puder continuar, vocês o farão por mim e farão valer a pena todos que se foram. — Harry disse os encarando nos olhos e esperando não estar colocando peso demais sobre seus ombros. — A verdade é que, eu preciso da GER tanto quanto o mundo mágico precisa dela.

Os três acenaram solenemente entendendo e Harry ficou aliviado, sabia que podia contar com os três e tinha muitas outras pessoas boas realizando grandes coisas. Se chegasse o momento em que não pudesse continuar, nada seria paralisado, seu testamento assegurava isso.

— Queria dizer também que quero ajudar. — Neville continuou mais tímido agora. — Eu disse a minha avó que quero aprender mais sobre o negócio da família, o que a surpreendeu, mas pensei que poderia, com a sua ajuda, desenvolver ideias para aumentar a produção e termos mais empregos e tal.

— Isso é muito legal, Nev. Você nunca comentou sobre o negócio da sua família. O que vocês fazem exatamente? — Harry perguntou curioso.

— Bem, nunca falei porque não sabia nada sobre o assunto, mas a minha família tem uma Ferraria que faz diversos objetos com todos os metais que existem. Você sabe, armas, armaduras, portões, maçaneta, candelabro e tudo que você puder imaginar que é feito com algum metal. — Contou Neville.

— Hum..., no mundo trouxa é chamado de serralheria, mas faz sentido ainda ser chamado de Ferraria no mundo mágico. Imagino que ferreiros trabalhem na fábrica. — Considerou Hermione curiosa.

— Sim, temos alguns ferreiros, desenhistas e o local é chamado oficina, é um trabalho bem artesanal e delicado, a sua maior parte feita por encomendas. Minha família fundou a Ferraria Longbottom a séculos e comprávamos os metais dos goblins que trabalham na área de extração, fundição e preparação desses metais. — Explicou Neville lembrando-se de tudo o que lera sobre isso. — Iniciamos esse negócio porque era impossível para o bruxo comum comprar qualquer coisa feita pelos goblins por causa dos preços. Espadas, facas, joias, armaduras, talheres ou qualquer outra coisa feita por eles é caríssima.

— Porque? — Harry perguntou curioso.

— O goblins, assim como os elfos, têm sua própria magia, Harry e eles mantêm os seus conhecimentos da magia em extremo segredo. Assim como um bruxo jamais ensinou a magia feita com varinhas aos goblins, eles tão pouco compartilham conosco os seus conhecimentos. — Terry contou suavemente.

— Não podemos culpá-los, principalmente, depois do que a Srta. Fiona nos contou. — Disse Hermione chateada.

Todos acenaram, mas Harry ainda não entendeu completamente.

— Ok, mas o que isso tem a ver com os metais e a Ferraria da sua família, Neville? — Questionou ele.

— Porque os goblins extraem os metais das cavernas e minas pelo mundo todo, esse é um trabalho importante e pesado, a Metalurgia Mágica. Os bruxos tentaram se envolver, mas não tinham conhecimento para tornar a extração barata para o produto final, isso sem falar dos acidentes mágicos que ocorriam. — Neville contou. — Mas, além disso, graças a essa magia especial os goblins trabalham o metal de uma maneira que os bruxos jamais puderam alcançar. Suas peças, armas, espadas são belíssimas e muito mais poderosas do que qualquer peça feita por um bruxo.

— Poderosas? Como uma espada pode ser mais poderosa que outra. — Hermione perguntou surpresa.

— Porque é feita com magia e seja qual for a magia que os goblins usam tornam suas peças mais duráveis, na verdade, elas são impossíveis de serem destruídas, além de absorverem tudo o que as fortalece. — Informou Terry e ao ver suas expressões confusas, continuou. — Quer dizer que o seu metal ao ter contato com uma substância, um veneno, uma poção mortal não precisa ser limpa, o metal absorve e fica ainda mais poderoso. Você passa a ter uma espada ou faca....

— Envenenada. — Harry continuou de olhos arregalados. — Uau, isso é incrível.

— Sim, seus metais fazem as joias mais lindas, o ouro, a prata, nunca perdem o brilho, não precisam ser limpos ou polidos. Talheres, taças, pratos e outras peças são, incrivelmente, duráveis e caríssimos. — Disse Terry.

— Como os pratos e talheres de ouro de Hogwarts!? — Exclamou Hermione e quando eles acenaram, acrescentou. — Isso quer dizer que eles existem desde a fundação de Hogwarts!? Como essa informação não está em Hogwarts, Uma História?

— Talvez não acharam o tema interessante ou não queriam promover os goblins, lembre-se que as primeiras edições podem até ter alguns fatos que o Ministério tirou nas edições mais recentes. — Terry deu de ombros, era impossível saber.

— Bem, antigamente e até hoje, todas essas peças feitas por goblins eram acessíveis apenas para os puros-sangues muito ricos. — Continuou Neville tendo a atenção deles outra vez. — Um dos meus antepassados decidiu abrir uma Ferraria e fazer todas essas peças da maneira bruxa mesmo e torná-las mais baratas, assim todo mundo poderia ter uma espada, facas, talheres e assim por diante.

— Ele foi muito inteligente, pois percebeu que tinha um mercado e investiu de maneira a alcançar a maior parte das pessoas do mundo mágico, afinal os ricos não são a maioria. — Disse Harry em tom de elogio e Neville sorriu orgulhoso.

— A fortuna da minha família vem de séculos de trabalho duro na Ferraria, outros começaram e fecharam, outros migraram para joias, armas ou outros negócios, mas nós persistimos e o nosso lugar é o único que produz qualquer tipo de peça feita com metais. Além dos goblins, é claro.

— E como vocês conseguem o metal? — Questionou Hermione.

— Temos um acordo com os goblins a séculos, eles nos vendem os metais que precisamos, são inferiores, claro, mas ainda bons o suficiente. — Disse Neville dando de ombros.

— Inferiores? Como os metais podem ser inferiores? — Harry estava confuso.

— Pela forma como são trabalhados, Harry. Já estabelecemos que os goblins tem uma magia especial para extrair metal das minas que os bruxos não têm. Eles também tratam e fundem esse metal com encantos até que ele alcance a liga necessária para serem usados na fabricação de... uma espada, por exemplo. A próxima etapa é a forja da espada, onde mais magias são usadas, para fortalecer o metal, assim ele fica mais resistente, durável e fácil de absorver magia e runas. — Neville explicou. — Os metais vendidos para nós estão prontos para serem usados, mas são os mais simples e sem magia possíveis, nossos artesãos usam a nossa magia para forjar a espada e ela será uma boa espada, mas não se compara a espada que os goblins fazem. Isso vale para qualquer item de metal, mas, em compensação, nossos produtos são baratos e os deles muito caros.

— Sim, uma joia, espada ou faca feita por um goblin, além de tudo o que já falamos, podem ser encantados mais facilmente e as runas podem ser eternas sem precisarem recarregar. — Explicou Terry. — Imagine os nossos caldeirões no ano passado, a Prof.ª Babbling disse que teríamos que recarregar as magias das runas, em um caldeirão feito por goblins isso dificilmente seria necessário.

— E, um caldeirão feito por goblins, jamais derreteria e isso seria incrível dado o meu histórico, ainda que custasse uma fortuna. — Disse Neville sorrindo.

— Você só derreteu dois caldeirões, Neville e pensando no tipo de professor que temos e os Slytherins nos atormentando, é surpreendente o quão bem fomos. — Defendeu Hermione com o cenho franzido ao pensar nessas aulas de novo.

— Sim, espero que estejamos com os Ravenclaws este ano, ainda que, neste caso, tenho pena dos Hufflepuffs. — Disse Neville suavemente. — Então, Harry, você acredita que poderia haver uma maneira de aumentarmos as vagas de empregos lá na Ferraria?

— Eu preciso pesquisar mais sobre o assunto primeiro, nunca tinha ouvido nada sobre tudo isso antes, mas de cara me incomoda três coisas. — Disse Harry pensativo, pegou uma caneta e um caderno de couro vermelho igual à que seus pais usavam. Tinha decidido escrever suas ideias, pesquisas, perguntas e projetos. — Primeiro, “Pesquisa”. — Escreveu ele na folha onde em cima escreveu “Ferraria Longbottom”. — Eu entendo que os goblins têm suas próprias magias, desconfiem dos bruxos e por isso as mantêm secretas, mas esses fatos nos mostram que existem magias a serem descobertas para fazer um trabalho melhor, mesmo que nunca se alcance o nível deles. Então, quais pesquisas estão sendo feitas nesta área? Nos últimos séculos houve uma melhora ou os ferreiros fazem as peças exatamente como fizeram a 1000 anos? — Harry questionou e anotou. — Segundo, porque não existe mais divulgação e acesso? Você disse que sua família aceita encomenda, mas para um mestiço ou nascido trouxa como Hermione e eu, onde encomendamos exatamente? Como quem? E como, se nunca ouvimos falar sobre isso? E somos dois alunos que leem muito e seus amigos, imagine os outros. Aposto que se perguntarmos para um nascido trouxa do 7º ano, ele não saberá nada sobre sua empresa familiar ou mesmo que ela exista. — Harry viu seu amigo empalidecer levemente e arregalar os olhos. — Terceiro, vocês são uma família puro-sangue, então, porque não têm uma loja no Beco Diagonal? Você me disse que trabalha por encomenda, isso quer dizer que não vende seus produtos para outras lojas revenderem? Se como você nos explicou, Neville, a Ferraria da sua família produz todos os tipos de peças de metal, isso significa um grande mercado. Vocês poderiam vender para lojas como a Designer & Home, Pet & Love, Artem Pretiosum e essas são as mais óbvias, aposto que, se olharmos com atenção as outras novas lojas descobriremos que eles têm o potencial para comprarem itens e revenderem ou usarem na decoração e assim por diante. Mas, novamente, para atingir um público maior o ideal seria uma grande loja no Beco Diagonal com diversos e bonitos produtos expostos porque, muitas vezes, as pessoas precisam ver para saberem que querem e precisam de algo. Encomendas especializadas seria apenas um diferencial, assim como será na Zonam, Tools e Gardens e a própria Designer & Home.

Quando terminou, Neville e os outros ficaram em silencio chocados, enquanto Harry fazia mais anotações, mais e mais, era óbvio que ele estava cheio de ideias.

— Pensei que disse que tinha que pesquisar mais sobre o assunto. — Disse Terry divertido.

— Hum... só estava pensando como a Srtas. Linda e Savita adorariam a loja do Neville, elas poderiam decorar as casas e jardins com as peças criadas pelos seus artesãos, mesmo o Srs. Ian e Mac construiriam e projetariam casas com trabalhos de serralheria artísticas incríveis. — Disse Harry distraidamente.

— Minha loja? — Neville disse em tom estrangulado.  

— Sim. Se você realmente quer fazer isso, Neville, pode escrever ao seu administrador e sua avó, posso colocar o Sr. Edgar em contato com eles e talvez consigamos que a loja seja inaugurada junto com as outras no dia do Festival. — Disse Harry sorrindo empolgado. — Sr. Edgar acredita que depois do evento em dezembro, restarão poucos imóveis e eles serão disputados ferozmente.

— Isso seria incrível, Harry, preciso escrever a minha avó primeiro, mas, como eu explico tudo isso sem revelar que você é o dono da GER? Meu administrador é o Corner e...

Mas ele se interrompeu quando a porta se abriu e Michael Corner apareceu hesitante e com o rosto corado de constrangimento. Ele se afastou para o lado e Anthony, Lisa, Morag, Mandy e Padma entram, pedindo licença educadamente, e se sentando nos bancos ao lado deles.

— Desculpe nossa invasão brusca, Harry. — Disse Padma muito séria e contrita. — Mas, Corner pediu nossa presença como testemunhas para realizar os pedidos de desculpas a honra da Família Potter.

— Sim e espero que seja sincero ou nossa invasão rude seria mais um peso sobre seus ombros, Corner. — Disse Morag com frieza.

— Tudo bem. — Harry falou suavemente, ainda que toda sua postura de antes se alterara, ao em vez de um garoto relaxando e conversando com os amigos, agora o herdeiro Potter se mostrava. E pé, ombros e queixo erguidos, encarou Corner nos olhos que retribuiu, nervosamente, mas para seu mérito não desviou o olhar. — Sente-se.

Corner foi o único até o momento que ainda não se sentara e ao receber permissão acenou, educadamente, e se sentou à frente do Harry exatamente como no início de janeiro. Harry se sentou também e continuou a olhá-lo, esperando.

— Quero pedir desculpas por desonrar sua família, seu nome, seus antepassados e sua magia com minhas acusações tolas e infantis. Os Potters são uma família antiga e nobre que merece todo o respeito de seus pares e jamais, nem por um instante, deveria ter questionado sua honra ou lançado levianamente acusações sobre sua pessoa ou sobre seu nome. — Corner disse tudo o olhando nos olhos, parecia ter sido ensaiado, mais ainda sincero. — Se puderes me perdoar e esquecer, gostaria de oferecer minha amizade e dos meus a família Potter. Se, porventura, minhas sinceras palavras não forem o suficiente para quitar a minha ofensa eu lhe ofereço, em nome dos Corner, uma dívida mágica.

Harry não mostrou nada em seu rosto, apesar de se sentir surpreso, lhe parecia algo estremo oferecer uma dívida mágica por causa de uma discussão tola entre garotos, mas supôs que a demora em corrigir a ofensa também pesava ou, o Sr. Carson Corner estava desesperado para entrar em suas boas graças.

— Nenhuma dívida é necessária. — Disse Harry com firmeza e a tensão mágica do ar se desfez. — Eu aceito seu pedido de desculpas e para mim a ofensa está quitada, no entanto, a amizade da Família Corner manterei em suspenso até que me prove que seu oferecimento é sincero e sem interesses próprios.

Corner o olhou um pouco confuso e Harry percebeu que não lhe ocorreu que o discurso que seu pai o fez decorar tinha muitos benefícios para sua própria família.

— Eu agradeço por sua generosa atitude. Testemunhas? — Disse ele olhando em volta para os colegas.

— Para mim as desculpas são satisfatórias e testemunho a quitação da ofensa. — Disse Padma formalmente.

— Para mim as desculpas são satisfatórias e testemunho a quitação da ofensa. — Disse Morag e assim todos repetiram, Hermione, Mandy e Anthony um pouco mais hesitantes.

Depois que todos terminaram a tensão se dissolveu de vez e Michael suspirou e fechou os olhos, claramente, aliviado.

— Obrigada, Harry. — Disse Michael humilde e sincero.

— Imagino que seu pai não ficou muito feliz com você neste verão, Michael. — Apontou Harry com sutil ironia.

— Você não faz ideia. — Michael olhou em volta levemente envergonhado. — Meu pai quase me bateu ou enfeitiçou de tão zangado, então, quando parou de gritar me sentou e passei horas e horas o verão todo lendo e aprendendo sobre como ser um bruxo, um Corner e respeitar minha família e as outras famílias antigas.

— Você pediu por isso, Corner, nem pense que ficaremos com pena de você. — Disse Terry e era óbvio que ainda não gostava do garoto.

— Sim, eu sei e lamento muito, acreditem. Obrigada por se disporem a vir aqui, pessoal. — Disse ele, logo em seguida se despediu e saiu.

Anthony e Lisa ficaram um pouco mais antes de seguir, mas as meninas ficaram um bom tempo conversando com eles. Harry pode relaxar e falar de nada importante por 2 horas, música, filmes, shopping, compras ou qualquer coisa que fizeram no verão. Eles tinham ido patinar no Hyde Park, ao cinema e ver a nova peça dos pais de Mandy e o programa, que tinha incluído Morag, fora um grande sucesso. Padma ficou com inveja, pois na época estava na Índia visitando familiares. Quando elas foram embora tinham rido muito e o clima era muito bom, mas, assim que ficaram sozinhos, Terry o encarou mais sério.

— Você foi muito bem ao perceber a jogada de Corner. — Disse ele suavemente.  

— Mais do Corner pai, não acho que Michael percebeu alguma coisa. — Disse Harry dando de ombros.

— Eu não entendi, quer dizer percebi que algo estava acontecendo quando você recusou a amizade, mas não entendo porque isso é importante. — Disse Hermione confusa.

— Por que em termos de importância, riqueza e poder os Potters estão séculos a frente dos Corners. Eles podem ser uma família antiga, mas não tão antiga ou respeitada como os Potters. — Disse Neville seriamente. — Quem mais tinha a ganhar com esse pequeno discurso decorado, eram os Corners.

Ao ver a amiga confusa, Harry acrescentou:

— Carson Corner se arriscou ao oferecer uma dívida mágica, mas, provavelmente, deduziu que eu não iria por esse caminho. Seria algo extremo e ele é esperto o suficiente para arriscar, talvez pense que eu seja ingênuo e que não faria algo tão drástico assim. — Explicou Harry e sorriu ironicamente. — Então, ele vai na direção oposta e junto ao seu pedido de desculpas oferece, humildemente, a amizade de sua família para com a minha, mas de nós dois, quem mais tem a ganhar é a família Corner.

— Entendi. Ele achou que você não perceberia e decidiu tirar proveito da situação em benefício próprio. Isso não invalidaria a quitação da ofensa? — Perguntou ela curiosa.

— Em teoria, sim, mas eu percebi que Michael não entendeu a jogada do pai e quem me devia desculpas era ele e elas foram sinceras e pelas ofensas corretas. — Harry disse e pegando o livro de animagus da bolsa para ler, encerrou. — Para mim isso basta. 

Seus amigos acenaram e também pegaram livros ou cadernos para anotações. Pouco depois a senhora do lanche passou, eles fizeram uma pausa para almoçar e conversaram mais um pouco sobre a loja do Neville.

— Eu não sei, Neville, acredito que você poderia dizer a verdade sem muitos detalhes. Hum... diga que você soube que meu administrador e tutor decidiram investir nesta nova empresa, a GER e, que ao explicar os projetos e ideias que eles estão realizando, você pensou que seria algo que a Ferraria da sua família poderia fazer também. — Harry disse comendo seu sanduíche de frango e cenoura com queijo branco. — Você pode questionar o que o administrador e gerente têm feito para que a oficina cresça e aumente os lucros. Sei que mudar de administrador não é uma opção, mas não há porque o Sr. Edgar não trabalhar com o sr. Corner.

— Eu confesso que não tenho certeza se quero trabalhar com o Sr. Corner. — Disse Neville com uma careta. — Eu poderia fazer como você e assinar um contrato com o Sr. Boot e cancelar o contrato que tenho com o pai do Michael.

— Mas, não é sua avó que teria que fazer isso? Quer dizer, Harry é o único Potter e pôde passar por cima de seu tutor, Dumbledore, mas o seu caso não é diferente? — Hermione questionou curiosa.

— É praticamente o mesmo, meus pais foram declarados incapacitados e seus testamentos abertos depois do que aconteceu. E minha avó é minha tutora legal, além de guardiã, assim como o diretor era o tutor do Harry. — Explicou Neville.

— Mas, ela não seria a herdeira? Pelo menos de parte da herança? — Agora Hermione franziu o cenho e até o Harry se sentia perdido.

— Não, porque meu avô era vivo, assim o testamento dos meus pais só lidou com seus bens pessoais. Quando meu avô morreu, o seu testamento me fez o herdeiro da fortuna Longbottom, pulando meu pai, obviamente, e minha avó não recebe nada além de uma casa e renda substancial até sua morte. — Neville explicou e ao ver a confusão, continuou. — Minha avó não é uma Longbottom e é mulher, essas duas coisas a exclui de ser herdeira.

— O que!? — O grito escandalizado de Hermione poderia tê-los deixados surdos.

— Eu ouvi sobre isso, minha avó Euphemia também não pode herdar a fortuna dos O’Hallahans por ser mulher. — Disse Harry com uma careta.

— Eu não sei se entendo. — Hermione falou com voz fria e cruzou os braços.

— Hermione, não é diferente de como era com as famílias nobres inglesas trouxas no passado, as mulheres não podem ser herdeiras da fortuna, nome ou títulos. — Terry explicou exasperado. — Nem todas as famílias são patriarcais, os Bones, por exemplo, a chefe da família é Madame Bones, mesmo que ela tenha um sobrinho, o pai da Susan. Existem outras que mesmo se houverem irmãs mais velhas o herdeiro primário é o filho homem mais jovem, como no caso da avó do Harry. No caso do Neville também existe o patriarcado, ou seja, mesmo se ele tivesse uma irmã mais velha, ainda seria o herdeiro, mas também existe uma questão mágica.

— Sim, como minha avó não é uma Longbottom, ela não poderia herdar, magicamente, o título de chefe da minha família, vovó pode apenas ser minha tutora e guardião até que eu possa assumir quando chegar a maioridade. Assim, minha situação é igual ao do Harry. — Disse Neville.

Hermione encarou Harry com olhar intenso e este sorriu divertidamente.

— O que?

— Como está configurado a sua família? — Ela perguntou com voz dura.

— Não no sistema patriarcal, graças a Merlin. Se, eu tivesse uma irmã mais velha, ela seria a herdeira e chefe da família. Além disso, não temos o hábito de entregar a herança para apenas o herdeiro primário, desde Linfred, tudo é dividido igualmente entre todos os filhos. — Harry disse com orgulho. — Ainda que isso nunca diminuiu a fortuna do chefe da família porque, nós Potters, somos ensinados a trabalhar e fazer nossa própria fortuna. Por fim, se eu tivesse uma avó ou minha mãe, ela não poderia ser a chefe da família, magicamente, mas, legalmente e moralmente, seria vista assim até minha maioridade.

— Porque não magicamente? — Hermione pareceu aliviada com suas palavras e como sempre tinha mais perguntas.

— Porque se ela fosse a chefe magicamente e o Harry falecesse sem herdeiros e, então, ela se casasse e tivesse mais filhos, isso os faria os herdeiros Potters, mesmo sem sangue e magia dos Potters. Assim, a magia não permite que um chefe de família seja alguém que não é um legítimo herdeiro de sangue e magia, isso inclui crianças adotadas. — Explicou Terry e Harry, aliviado, se escondeu atrás do seu livro quando viu a amiga se preparar para mais perguntas.

Terry foi poupado logo em seguida com a chegada de mais uma visitante. Penny os cumprimentou alegremente e depois de se sentar, olhou para Hermione.

—Terminei minhas rondas. Vamos? — Disse sorridente.

— Oh! Sim, com certeza. Você conseguiu um espaço para fazermos isso? — Perguntou Hermione excitada e Harry não entendeu do que falavam.

— Sim, vamos usar o compartimento dos monitores, ele tem espaço suficiente e já organizei tudo com os monitores-chefes, assim só temos que convidá-los. — Disse Penny.

— Convidar quem? — Harry perguntou confuso.

Hermione o olhou hesitante e depois meio culpada.

— Os nascidos trouxas novos, Harry. Nós ficamos de encontrar uma maneira de informá-los sobre a verdade do mundo mágico. Lembra-se?

— Oh.... Eu me esqueci. — Harry disse envergonhado e bateu a mão na testa exasperado.

— Nós percebemos, Harry e depois também percebemos o quanto você tem andado ocupado e sobrecarregado. A verdade é que não tem como você pensar e fazer tudo e estávamos errados em esperar por você para tomar todas as iniciativas, fazer planos e tomar decisões. — Disse Hermione com um sorriso suave.

— Sim, por isso conversamos e decidimos assumir essa parte, Harry, e você pode descansar e relaxar um pouco. Somos mais do que capazes e não é certo ficarmos sentados e deixar que você resolva tudo. — Disse Terry e olhando para Penny acrescentou. — Conversamos com a Penny na quinta-feira e ela se ofereceu para nos ajudar.

— Sim, como monitora posso me apresentar e convidá-los para uma reunião de apresentação das regras da escola e sobre a cultura do mundo mágico sem chamar atenções indesejadas. — Disse Penny e Harry acenou, lhe parecia uma ótima ideia.

— Porque não fazer depois, lá na escola? Podemos convidá-los para o Covil e explicar tudo como fizemos no ano passado. — Disse Harry curioso.

— Pensamos nisso, mas a questão não é só esse ano, Harry e sim os próximos e os anos que virão quando não estivermos mais aqui. — Disse Hermione inteligentemente. — Precisamos que isso que faremos hoje se torne uma tradição, assim além de Terry, Penny e eu, convidamos o Justin e a Mandy, nascidos trouxas representando cada casa e no próximo ano faremos isso de novo, até estarmos no 7º ano.

— Esperamos, claro, que com o tempo a reunião seja uma tradição de introduzir os nascidos trouxas na cultura da sociedade mágica com informações mais positivas ou, pelo menos, com boas notícias sobre a evolução pela qual lutamos. — Disse Penny com um sorriso esperançoso.

— Entendo e acho uma boa ideia, mas para os próximos anos o ideal é um aluno de cada ano, uma espécie de representante ou embaixador. Podem ser de casas diferentes, claro, mas se forem muitos para a reunião, três de cada ano, quando estivermos em nosso último ano, seriam 18 alunos. Isso iria assustá-los e sobrecarregá-los, no mínimo. — Apontou Harry, pensativamente.

— Claro! Harry, você está certo, no ano que vem teremos apenas um do nosso ano, Penny que estará no 7º e um do 2º que será alguém que conheceremos hoje. — Hermione pegou seu bloco de notas para escrever. — Eu devia ter pensado nisso...

— Está tudo bem, Hermione, pare de se torturar sem razão, você teria pensado nisso muito em breve, tenho certeza. Vocês tiveram uma ótima ideia, agradeço por tomarem a iniciativa e se preocuparem comigo, mas isso não quer dizer que não posso pensar e ter ideias. — Harry disse sorrindo, antes que ela pudesse se sentir mal. — Todos nós estamos nisso juntos e vocês me ajudaram muitas vezes com ideias para os meus projetos.

— Eu concordo com o Harry, o que estamos tentando fazer é enorme e todos podemos colaborar, com ideias e na prática. E, falando nisso, devemos nos apressar, acredito que todos já devem terem lanchado até agora e assim não atrapalharemos ninguém. — Disse Penny sensata e em seguida os três deixaram o compartimento, onde ficaram apenas Neville e Harry, que suspirou e disse:

— Ainda não acredito que esqueci algo tão importante, apesar de me sentir aliviado que posso estar fora de uma reunião por uma vez. — Disse Harry e suspirou cansadamente. — Estou exausto de tantas reuniões e decisões, prometi a Sirius e a Sra. Serafina que ia me concentrar apenas na escola e deixar que eles cuidem de tudo para mim. Sei que parece bobo, mas será bom poder ser apenas um estudante normal por um tempo.... — Harry se interrompeu ao ver a expressão envergonhada de Neville. — Não! Neville, eu não quis dizer isso assim....

— Eu sei, Harry, mas a Hermione está certa, estamos todos sentados esperando que você tenha as ideias e aja por nós. Não é justo te sobrecarregar quando você já passou o verão todo lidando com sua herança e todos esses novos e incríveis negócios. E em cima disso tudo você teve problemas com Dumbledore e seu tio, enquanto nós tivemos um verão tranquilo, sem obrigações ou preocupações. — Neville disse parecendo ainda envergonhado.

— Neville, isso não está certo porque todas essas coisas tinham que ser feitas por mim, essas reuniões e decisões não poderiam ser divididas. E, como eu disse antes, vocês sempre me ajudaram, com suas amizades, apoio, conversas e ideias. — Harry falou sincero. — Eu não me importo em te ajudar com os seus negócios e, injusto seria, se lhe virasse as costas agora.

— Eu aprecio a sua ajuda, mas, a verdade é que, o que você disse apenas corrobora o que eu disse. — Neville falou o encarando nos olhos. — Eu não posso dividir as minhas reponsabilidades e decisões, pois, assim como você cuidou da sua herança, quem tem que cuidar da minha sou eu. Olhe para nossa conversa de mais cedo, em meia hora e poucos fatos, você encontrou três questões importantes e óbvias que não me ocorreram porque, ao em vez de pensar e analisar, decidi deixar que você fizesse isso por mim. Eu aprecio toda a ideia que você tiver, mas quem tem que pesquisar e estudar mais sobre o assunto, descobrir o melhor a se fazer para a Ferraria crescer e administrar a fortuna Longbottom não é você, Harry. Eu sou o último Longbottom e mesmo que essa seja uma grande responsabilidade, também é uma grande honra e estive fazendo um trabalho pobre até agora.

Neville falou com determinação e Harry acenou, suspirando e entendendo o que o amigo dizia. Era tudo muito difícil porque, por um lado, eles eram muito jovens e inexperientes para tantas responsabilidades, mas, por outro, serem os herdeiros de suas famílias era uma grande honra. O ideal seria terem pessoas em quem confiassem completamente para cuidarem de tudo enquanto aproveitavam suas infâncias, para serem apenas estudantes em Hogwarts cuja maior preocupação é com notas e amizades, mas nenhum dos dois tinham isso. Neville tinha a avó e Harry seu padrinho e os Boots, mas no fundo, lá no fundo os dois sabiam que a verdadeira e completa confiança só poderia ser entregue as duas pessoas mais importantes no mundo de uma criança.

— Eles fazem falta, não é? — Sussurrou Harry, devolvendo o olhar do amigo com um sorriso compreensivo.

Neville suspirou e seus olhos se encheram de tristeza antes de responder, também em um sussurro:

— Todos os dias.

Eles ficaram em silencio por um tempo pensativos e sofrendo juntos em total entendimento, até que Harry decidiu que precisavam seguir em frente. Era isso que tinham que fazer, a dor e saudades jamais desapareceriam e haveriam momentos em que seriam quase insuportáveis, mas não podiam se perder na tristeza.

— Vamos fazer um acordo, eu te ajudo até que você esteja mais inteirado sobre tudo, principalmente, a parte administrativa e comercial que tive a oportunidade de aprender neste verão. E você me ajuda com o jardim que construirei em homenagem aos meus pais, assim ninguém sobrecarrega ninguém. Justo? — Disse Harry e sorriu ao ver os olhos do amigo brilharem de ávido interesse.

— Você disse, jardim?  

Até que Hermione e Terry voltassem, eles conversaram sobre o Jardim da Lily, as ideias do Harry e quais flores, árvores e plantas poderiam e deveriam serem escolhidas para compor o projeto. Mas quando os amigos entraram e se sentaram sorridentes, eles se interromperam e os encaram curiosos.

— Então? — Harry questionou.

— A reunião foi brilhante, Harry! — Exclamou Hermione animada. — Temos 11 novos alunos nascidos trouxas e 7 mestiços.

— Eles foram muito abertos e mostraram interesse, fizeram um monte de perguntas e... — Disse Terry espelhando o entusiasmo da amiga.

— Todos prometeram escrever aos pais e retomar seus estudos trouxas, além de parecerem compreender porque.... — Acrescentou Hermione.

— Temos que ser discretos e não sair falando sobre isso nos corredores, além disso, os incentivamos a se unirem e fazerem amizades com outras casas e... — Terry retomou e não pareceu perceber o olhar divertido que Neville e Harry trocaram.

— Com as crianças puros-sangues, apenas para serem cuidadosas com as puristas que podem estar em qualquer casa, mas, que em sua maioria estarão na Slytherin. — Encerrou Hermione parecendo orgulhosa.  — Acredito que fomos bem, mas a presença da Penny, uma monitora, ajudou muito, por isso teremos que pensar em convidar alguém para nos ajudar quando ela se formar.  

— Estaremos no 4º ano e, com certeza, seremos amigos de algum monitor ou monitora do 5º ano. — Apontou Harry positivo. — Parabéns vocês dois e, mais uma vez, obrigado por me darem uma folga.

— Obrigada, Harry. — Disse Hermione feliz com o elogio.

— Sim, mas não se acostume, irmão, não vou te aliviar toda a vez, essas reuniões todas e mudar o mundo mágico é muito cansativo para o meu gosto. — Disse Terry divertido e um segundo depois os 4 gargalharam.

Não tinham terminado de rir quando a porta se abriu e Malfoy e seus gremlins se mostraram, o que, claro, os deixou sérios na hora.

— Rindo de suas vidas patéticas? Deveriam aproveitar enquanto podem, talvez não estejam vivos por muito tempo. — Zombou Malfoy e o clima se tornou tenso na hora.

— Isso é uma ameaça, Draco? — Perguntou Harry esperando que o loiro azedo deixasse cair alguma pista dos planos do pai.

— Eu não preciso ameaçar seres inferiores, vocês serem quem são, por si só, já é uma ameaça. — Disse ele com um brilho triunfante nos olhos azuis.

Harry tentou disfarçar a tensão que suas palavras lhe causavam e viu a expressão sombria dos amigos.

— Estamos enigmáticos hoje, foi por isso que veio nos visitar em nosso compartimento mais uma vez? Para falar misteriosamente e exibir o seu deboche? — Harry perguntou com sarcasmo. — Não estamos interessados, Draco, assim, porque não se retira e nos poupe da sua presença mais do que desagradável.

— Eu acho que é o cabelo. — Disse Hermione folheando o novo livro de transfiguração que já lera pelo menos duas vezes.

— O que? — Neville não entendeu.

— O Harry e o Terry apostaram porque a obsessão do Malfoy pelo Harry, eu aposto que é por causa do cabelo. — Disse ela ainda sem olhar para cima.

— Ah, bem, considerando tudo, acredito que dever ser o complexo masoquista, tem pessoas que realmente gostam de sofrer. — Disse Neville entrando no jogo e agindo como se Malfoy não estivesse presente.

— Eu tenho outra teoria, acredito que pode ser apenas a pura inveja. — Disse Harry solenemente sarcástico. — Quer dizer, eu sou bonito, riquíssimo, tenho grandes amigos, imagino que deve ser muito doloroso para ele se olhar no espelho, principalmente com os dois trolls o seguindo por toda parte.

— Você acha que eles o seguem no banho também.... — Terry questionou com falso assombro, mas Draco já estava purpuro de raiva e o interrompeu.

— Calem a boca! Como se eu tivesse inveja de um mestiço que tem outro mestiço como amigo, além de um aborto e uma sangue ruim... — Foi a coisa errada a dizer, pois, rapidamente, os três meninos se levantaram para defender a amiga de um jeito não tão Ravenclaw.

Terry chegou primeiro e colocou a ponta da varinha em seu pescoço, sob o queixo, enquanto a tensão entre eles se duplicava.

— Olha a boca, seu moleque nojento, aprendi a não muito tempo uma maneira de espalhar o seu cérebro atrofiado por todo esse trem. — Disse Terry com frieza.

— E eu não sou um aborto, seria um prazer te mostrar. — Disse Neville com voz afiada e, lentamente, levou sua varinha e apontou-a para o pênis de Draco que já paralisado por Terry engoliu em seco e ficou pálido.

— Façam alguma coisa, seus idiotas....

— Rá, rá, nem pensem nisso. — Disse Harry apontando sua varinha para os dois idiotas, que hesitaram. — Ninguém aqui lançará o primeiro feitiço ou dará o primeiro soco, mesmo que fazer isso nos desse um grande prazer, pois você, Draco, não vale a pena os problemas e arrependimentos que teremos depois. — Harry encarou Draco nos olhos com extrema frieza. — Eu lhe disse para pensar e repensar antes de vir me procurar com suas provocações outra vez, lhe disse para pensar bem nas consequências, Draco. Você não passa de um garotinho mimado que acha que pode vir aqui, zombar e ofender sem receber o mesmo de volta e, então, apela para ofensas que estão fora dos limites. Você entende isso? Seu cérebro atrofiado compreende que existem limites? — Harry ergueu a voz e falou com veemência. — Bom, se entende vou lhe dar o meu limite, preste atenção. Se você voltar a usar essa palavra na minha frente e ofender minha amiga, eu não vou matá-lo ou torturá-lo e, muito menos, deixar meus amigos fazerem isso, pois isso ultrapassaria os meus limites. Sabe o que não ultrapassaria os meus limites, Draco? — Harry falou suavemente quando ergueu sua adaga e passou a ponta suavemente pelo seu lábio o suficiente para um pequeníssimo risco, o que fez Draco gemer apavorado e arregalar os olhos. — Cortar sua língua não está além dos meus limites e ainda tem o benefício de nunca mais ter que ouvir sua voz ou suas palavras estúpidas. Você quer testar meus limites, Draco?

Ele moveu a cabeça de um lado ao outro e deu um passo para traz no corredor e, ao perceber que ninguém, na verdade, o impedia de se mover, caminhou corredor abaixo seguido de perto por seus gremlins. Terry fechou a porta e ignorou o olhar de alguns alunos que saíram para o corredor para ver o que era a discussão. Os três se sentaram e Harry guardou sua adaga no coldre de couro de dragão em sua perna.

— Vocês não deveriam ter feito isso, poderão ter problemas por causa desse tolo aguado. — Disse Hermione exasperada. — E, Harry, desde quando você tem uma faca?

— É uma adaga e, desde que fui ao meu cofre e a peguei, JJ fez um coldre para mim e é apenas mais uma forma de defesa, Hermione, que você sabe que posso precisar. — Disse Harry seriamente.

— E devíamos fazer o que fizemos, não gosto de violência, mesmo ameaças, mas não permitirei que esse descerebrado loiro continue por aí dizendo essas palavras horríveis. Podemos não mudar o que ele pensa, mas com certeza podemos educá-lo a manter a boca fechada. — Disse Terry com rosto sombrio, não combinava nada com ele que estava sempre sorridente. — Não se esqueça que minha mãe também é nascida trouxa, Hermione.

Sua amiga os encarou parecendo meio exasperada e meio orgulhosa, por fim suspirou e acenou.

— Ok, eu entendo e vocês têm boas intenções, mas temos que pensar em uma estratégia diferente. Ameaças e violências não são as respostas, pois podem se voltar contra nós e, Harry, sua decisão de carregar uma adaga é justa e inteligente, mas exibi-la não. — Disse ela inteligentemente. — Se Draco der queixa, o diretor poderia tomá-la de você.

— Ele que tente. — Harry falou mal-humorado. — Ok, talvez tenha sido uma decisão estúpida e prometo que minha intenção não é me tornar um louco que ameaça todo mundo com facas. Merlin... — Harry suspirou e fechou os olhos cansado. — Nem chegamos e as coisas já estão saindo do controle, quero apenas um pouco de tranquilidade e me concentrar em estudar, mas temos que nos preocupar com o que esse loiro azedo e seu pai estão tramando.  

— O que vocês acham que ele quis dizer, sabe, sobre ser quem somos já é uma ameaça as nossas vidas? — Neville também se mostrou preocupado.

— Poderia ser qualquer coisa. — Disse Hermione sombria.

— Não é qualquer coisa, são nossos status. — Disse Terry bagunçando os cabelos.

— Também tive essa sensação, pensei que poderia ser, bem, eu ser quem sou e vocês serem meus amigos, mas... — Harry encarou os amigos tenso. — Tenho a impressão que os nascidos trouxas, mestiços e abortos então em perigo esse ano em Hogwarts.  

Antes que pudessem falar mais a porta se abriu e Harry olhou irritado para o novo visitante que acabou por ser um garoto ruivo muito alto, de óculos e postura pomposa. O crachá de monitor, além dos cabelos o fez ser identificado muito facilmente.

— Boa tarde. Eu sou Percy Weasley, monitor do 6º ano da Gryffindor e fui informado que houve uma briga neste compartimento. — Disse ele pomposa e rigidamente, depois olhou para o corredor e apontou para o Malfoy que tinha uma expressão vingativa e presunçosa. — Sr. Malfoy disse que foi ameaçado por uma faca pelo senhor, Sr. Potter.

Harry olhou para os amigos que devolveram com olhares sombrios, mas ele lhes deu uma piscadela marota.

— Lamento que Malfoy foi incomodar lhe com mentiras, monitor Weasley, garanto que não estou portando uma faca. — Era verdade, afinal, ele tinha uma adaga.

 — Ele está mentindo! Ele me ameaçou e até cortou meu lábio com ela. Veja! — Draco protestou indignado.

— Draco, Draco, nem sei o que pensar desses seus delírios. Sinceramente, começo a temer por sua sanidade, perseguidores no mundo trouxa são tratados por um psiquiatra, que é um médico que cuida de pessoas instáveis ou com doenças mentais. — Disse Harry suavemente e mostrando preocupação.

— Sim, infelizmente, Percy, perseguidores se mostram instáveis e delirantes como o Draco, eles criam uma obsessão pelo alvo do seu afeto e tentam de todas as formas serem notados. Primeiro, eles tentam ser amigos e se recusados se tornam agressivos, podem até atacar os amigos da sua obsessão...

— Cale a boca, sua sangue ruim! — Exclamou Draco para Hermione que estava, em seu tom mais inteligente, explicando o que era um perseguidor.

— Está vendo? — Hermione suspirou com pena e preocupação. — A próxima fase é tentar prejudicar o objeto da sua obsessão, além de tentar afastar os antigos amigos....

— Eu não estou obcecado por Harry Potter! — Gritou Draco furioso e com o rosto vermelho de raiva e vergonha. — Ele tentou me esfaquear, tem que ser expulso!

— Merlin... Hermione, Terry, vocês me avisaram que o interesse do Draco por meu cabelo e meus olhos não eram normais, desculpe não os ouvir. — Harry disse tristemente.

— Eu também não quis acreditar. — Neville falou suavemente. — Quer dizer, é muito constrangedor a maneira que ele o segue por toda a parte, mas pensei que era só um cara querendo ser amigo, sabe. Não é como se ele tivesse muitos amigos.

— Eu tenho muitos amigos! E, se ofereci ao Potter para ser meu amigo, é porque ele estaria muito melhor comigo do que com vocês três imbecis. — Disse Draco em fúria.

— Draco, por favor, você deve procurar ajuda, isso não é normal, eu já lhe disse muitas vezes que não podemos ser amigos e agora ainda está inventando mentiras e tomando o tempo do monitor Weasley. Ele tem mais o que fazer do que se ocupar com sua estranha obsessão por mim e meu cabelo. — Disse Harry com um olhar de pena.

— E pelos olhos verdes. — Acrescentou Terry.

— Eu realmente tenho mais o que fazer e pretendo relatar isso, Sr. Malfoy e se o ver perseguindo o Sr. Potter outra vez o senhor estará em grandes problemas. Me siga, começaremos com 20 pontos deduzidos da Slytherin e 1 semana de deten.... — E a voz se perdeu enquanto Percy Weasley levava um Draco emudecido, felizmente, de pura fúria.

Depois que a porta se fechou os quatro se olharam por alguns segundos e então gargalharam, descontroladamente, eles perderam a noção do tempo enquanto seguravam seus estômagos, deitavam no banco, caiam dele e riam sem parar. Lágrimas escorriam por seus rostos, eles repetiram o que disseram, falavam da expressão de Draco e riam de novo e de novo. Estavam mais calmos e com apenas alguns risinhos, enxugaram as lágrimas dos rostos vermelhos quando Neville perguntou:

— Eu só não entendi uma coisa. O que exatamente é um perseguidor? — Ele parecia sincero em sua confusão, mas, ainda assim, isso apenas fez os outros três começarem a gargalhar outra vez. — O que? Sério, você inventou isso, Harry, ou realmente eles existem? — Mas, claramente, nenhum dos três tinha condições de lhe responder.

Quando o trem, finalmente, parou na estação em Hogsmeade, Harry se sentia exausto de tanto rir e otimista de que, apesar dos Malfoys, aquele seria um bom ano. Infelizmente, essa percepção diminuiu consideravelmente quando chegaram as carruagens e se depararam com os bonitos e estranhamente assustadores cavalos esqueléticos puxando-as. Harry parou, absolutamente confuso e Hermione bateu em suas costas.

— O que? Porque parou.... Oh! — Disse ela ao ver os cavalos que Harry estava olhando. — Eles colocaram cavalos para puxar as carruagens! Qual será a espécie? Parecem tão diferentes dos cavalos normais.

— Não são cavalos. — Disse Terry com olhos arregalados e voz sufocada.

— Do que estão falando? — Neville os olhou, confusamente. — Eles sempre puxaram as carruagens quando as usamos no ano passado.

— O que!? Isso é impossível, Nev, as carruagens se moviam com magia, não havia nada as puxando. — Afirmou Hermione categoricamente.

— Olha, eu não sei do estão brincando, mas lhes garanto que os cavalos ou sei lá o nome estavam bem aí quando andamos de carruagem. — Disse Neville convicto, mas, ao ver as expressões confusas e chocadas dos três, franziu o rosto. — Vocês não os viram no ano passado?   

— Eu não os vi. — Disse Harry e se aproximando acariciou sua pele que parecia com couro preto macio sobre ossos sem carne. — Mas os vejo agora...

— Porque vimos a morte. — Disse Terry ainda chocado e estranhamente pálido. — Merlin, acho que vou vomitar. — Depois que falou isso se abaixou e fez exatamente isso.

Hermione passou a mão por suas costas, suavemente, enquanto ele colocava para fora todo o almoço e doces que comera no trem, Harry e Neville os cercaram para afastar olhares curiosos. Quando ele terminou, Neville e Hermione o ajudaram a entrar na carruagem e Harry os seguiu, tirou uma garrafa de suco da mochila e lhe entregou. Terry bebeu avidamente para tirar o gosto amargo de bile da boca e suspirou ao ver suas expressões curiosas e preocupadas.

— Estou bem. Acredito que foi o choque, eu... bem durante o verão eu aceitei o que aconteceu com Quirrell, o que vi, mas foi só agora e aqui que pareceu ficar maior.... Desculpem, vocês não sabem do que estou falando. — Terry respirou fundo e se desviou de seus olhos confusos para o encarar a noite pela janela da carruagem que se movia lentamente. — Não são cavalos, são testrálios, um animal que alguns consideram agourentos porque apenas aqueles que viram alguém morrer podem vê-los.

Houve um silencio estranho e sombrio quando todos entenderam.

— Mas, não o vimos quando fomos embora no fim do ano letivo... — Considerou Hermione confusa e o rosto pálido.

— Porque... pelo que eu li, é preciso que você chegue a um entendimento e aceitação do que viu, algo consciente. Se você tiver em choque ou negação, bem, não acontece e acredito que nós três tivemos tempo de superar o choque e aceitar que vimos um homem ser morto...

— Por mim. — Disse Harry com um gosto amargo na boca. — Sinto muito, pessoal, ter feito isso com vocês.

— Harry! — Hermione exclamou indignada.

— Não fale bobagens ou te enviarei para ir viver na Gryffindor! — Disse Terry irritado, seu rosto até tinha mais cor.

— Ei! — Hermione virou seu protesto para ele.

— Harry, você não fez nada conosco. — Continuou Terry. — Quem matou Quirrell foi Voldemort e suas escolhas estupidas, provavelmente, foi esse entendimento que todos precisávamos.

— Faz sentido, Quirrell já estava morto, sua cabeça explodir foi apenas o ato final e acredito que o mesmo aconteceu comigo. — Disse Neville. — Meu avô ficou muito doente, por muito tempo, no fim esteve em coma por meses, então, um dia, eu o estava visitando e o ouvi dar seu último suspiro. Demorei um segundo para entender o que o silencio significava e ainda mais para aceitar que tinha visto ele morrer, mas quando vim para Hogwarts esse entendimento já tinha me alcançado. — Suas palavras suaves tocaram a todos e Hermione apertou sua mão, enquanto Harry bateu em seu ombro. — Assim como minha presença não foi responsável pela morte do meu avô, você não foi pela morte do Quirrell, os dois estavam morrendo e, infelizmente, nós presenciamos isso e agora podemos ver testrálios. Fim da história.

Todos acenaram concordando e Harry ficou aliviado por eles não o culparem ou se ressentirem, mas desejou fortemente que eles não tivessem visto o que viram, preferiria que eles nunca pudessem ver o que puxava as carruagens.

Eles foram um dos últimos a subirem a escadaria e quando entraram no saguão e se viraram para o Grande Salão se depararam com Snape e Draco, vindo na direção deles.

— Potter! Vou tê-lo expulso, se não preso por isso. — Disse Snape em tom zangado e amargo de sempre.

— Me ter expulso pelo que, senhor? — Harry o olhou confusamente.

— Você não poderá mentir agora, Potter. Prof. Snape não é estúpido como aquele Weasel. — Disse Draco triunfante.

— Isso quer dizer que você o acha estúpido como outra pessoa? Quem? — Disse Harry com falsa curiosidade.

— Potter! Você me seguirá agora mesmo até ao escritório do diretor, farei com que ele chame os aurores para prendê-lo por ameaçar um dos meus alunos. — Disse Snape com voz possessa.

— Não, não irei a lugar nenhum com o senhor. Se me der licença, eu não quero perder a classificação e estou faminto. — Disse Harry e se desviando dos dois tentou ir na direção das portas, mas Snape o segurou pelo braço firmemente.

— Você não vai a lugar nenhum, seu.... — Mas o juramento o impediu de ofendê-lo.

— Tire suas mãos de mim. — Harry falou com frieza e puxou o braço que foi solto com relutância. — Se tem alguma reclamação sobre mim, faça ao meu chefe de casa e ao diretor, mas desde já lhe digo que não aceitarei ser perseguido impunimente. Nem pelo senhor, nem pelo loiro azedo ali e se querem começar uma guerra, vamos lá, comecem. Estou curioso para ver vocês tentarem me vencer. — Harry continuou na direção das portas, seus amigos guardando suas costas, mas, então, ele parou e olhou para Snape, orgulhosamente. — Ah! E antes que diga, sim, sou igualzinho ao meu pai.

Quando entraram no Grande Salão, lindamente iluminado, Harry suspirou, tanto para tentar ter um ano normal.

— Esse foi um blefe perigoso, Harry. — Terry apontou sombrio.

Harry parou e olhou para os amigos, levemente divertido.

— Quem disse que era um blefe? Se eles querem guerra vou fazer com que se arrependam de mexer com um Potter.

 

Ginny ouvira dezenas de descrições diferentes sobre Hogwarts de diversas pessoas ao longo de sua vida, assim, comparada a um nascido trouxa nada deveria ser estranho ou assustador para ela. Mas, entre encontrar um gigante, Hagrid, os gêmeos o adoravam; andar por uma trilha escura, segurando a mão da tranquila Luna o tempo todo para ajudá-la, claro; andar em um barco frágil em um lago, assustadoramente, grande e escuro; além de encarar a expressão severa da vice-diretora, Minerva McGonagall, Ginny acabou por entrar no Grande Salão trêmula e pálida.

Tudo parecia muito grande e opressivo, fazendo-a se sentir pequena e ansiosa, assim ela procurou pelos irmãos na mesa Gryffindor em busca de segurança. Percy estava com o peito estufado e pomposamente exibia o crachá de monitor e encarava sua chefe de casa. Ron, tagarelava com dois garotos, Dean, que ela já conhecera e outro de cabelos cor de areia que devia ser Seamus. Os gêmeos a olharam e sorriram, sorrisos idênticos com sinalizações diferentes, George fez um gesto de positivo e Fred uma tesoura para sinalizar o corte da família, pois ela não seria um Weasley se fosse para outra casa. Ginny sentiu o estômago embrulhar com o pensamento e fez uma prece para não vomitar na frente de todo mundo enquanto apertava a mão de Luna com mais força.

— Ginny, você está tentando mostrar como é forte quebrando meus dedos? Como, quando éramos pequena? — Luna sussurrou seriamente olhando preocupada para as mãos unidas. — Por que se for, eu já entendi, não precisa apertar mais.

— Oh! Desculpa, Luna, vou beijar melhor. — Disse Ginny beijando a mão da amiga suavemente e massageando.

— Obrigada, Ginny, seu beijo realmente fez melhor. — Disse Luna enquanto elas esperavam a professora colocar o chapéu no banco que começou a cantar sobre as casas.

Enquanto ele fazia seu importante trabalho, Ginny escutava e olhava para as outras mesas, identificou a Slytherin rapidamente, pois eles eram meio assustadores com suas expressões ranzinzas. A Ravenclaw devia ser a próxima porque ela reconheceu a monitora Penélope e a mesa parecia bem convidativa, todos pareciam tão adultos e inteligentes, pensou Ginny. A seguinte só poderia ser, por exclusão, a Hufflepuff e eles pareciam relaxados, tranquilos e serenos, ela fez uma careta com esse pensamento, não queria tranquilidade, queria aventura e emoção. Assim, a Gryffindor parecia a casa ideal, dava para sentir a energia ansiosa que a casa emanava de onde ela estava, pois enquanto as outras mesas ouviam em silêncio, lá muitos alunos conversavam em sussurros mostrando rebeldia, Ginny sempre fora uma rebelde, gostava da ideia de não fazer o que era esperado dela. Sua mãe estava sempre dizendo que ela era uma bruxa puro-sangue ou uma menina e por isso devia agir assim ou assado, portanto, ser uma aventureira e corajosa Gryffindor era o melhor, mas também era o esperado, pensou confusa, se aventurar na casa dos inteligentes seria se rebelar do que era esperado de um Weasley.

Suspirando e cada vez mais confusa, Ginny ouviu o primeiro nome ser chamado e lamentou não ser a primeira, assim parava de pensar e duvidar, de ir e vir para todas as direções.

— Ackerley, Samuel!

— Gryffindor! — Gritou o chapéu.

Ela voltou a olhar para a mesa Ravenclaw e procurou por Harry Potter, ansiosa para ver como ele era exatamente.... “É por isso que você quer ir para aquela casa, por causa de um menino? ” Uma voz mordaz sussurrou em sua cabeça. Não, pensou Ginny, desviando o olhar, ela queria conhecê-lo e ser seu amigo, gostava muito dos seus livros e queria ouvir sobre suas aventuras, mas ela não era uma menina boba apaixonada.

 — Avery, Killian.

— Slytherin!

Olhando para a mesa Gryffindor viu seus irmãos e se sentiu mais segura, lá, ela os teria e não se sentiria sozinha. “Mas você não queria crescer? Você será a pequena Ginny Weasley para sempre? ” A voz sussurrou outra vez e sua carranca aumentou. Ela não era pequena! Ela seria uma grande e poderosa bruxa, estava pronta para isso! “Mas tem medo até de desapontar o papai e a mamãe ao ir para outra casa, isso me parece fraqueza”.

— Belby, Marcus.

— Slytherin!

Eu não sou fraca, pensou Ginny furiosa, ela podia fazer isso, poderia ser corajosa e diferente da sua família.

— Bode, Roderick.

— Hufflepuff!

Ela não estaria sozinha, teria a Luna e poderia conhecer Harry Potter.

— Cadwallader, Rhydian

— Hufflepuff!

“Mas, o que acontecerá se Harry a odiar? ”

— Creevey, Colin.

— Gryffindor!

“E, Luna, ela é tão estranha, e se ninguém quisesse ser seu amigo porque era amiga dela? ”

— Carrow, Flora.

— Slytherin!

O que? De onde veio esse pensamento estupido!? Luna era maravilhosa, Ginny a amava e se ninguém quisesse ser sua amiga por causa dela, eles é que estariam perdendo.

— Carrow, Hestia

— Slytherin!

Luna tinha um grande coração e era muito inteligente, mais do que a própria Ginny, ela teve que admitir.

— Cornfoot, Stephen.

— Ravenclaw!

Oh! E se não fosse inteligente o suficiente para acompanhar os Ravenclaws? E se rissem de sua estupidez?

— Dunbar, Fay.

— Gryffindor!

Estava tão confusa, tão ansiosa e insegura, por causa todos esses pensamentos pessimistas, seu pai disse que era normal, mas não se sentia normal.

— Entwhistle, Kevin.

— Ravenclaw!

Sentia frio, tanto frio, e um peso que parecia que ia sufocá-la, seu estômago estava embrulhado e apesar do frio, estava suando. Não podia vomitar, não podia! Todos iam zombar e rir dela, Harry a odiaria, até Luna riria dela e não ia mais querer ser sua amiga.

— Faraji, Abla.

— Gryffindor!

Olhando para o chapéu, lhe ocorreu que talvez não fosse sua decisão, talvez fosse o chapéu que decidisse a casa em que ela devia estar.

— Fawcett, John.

— Hufflepuff!

Era isso, pensou aliviada, estava sendo boba, não era sua decisão, o chapéu olharia sua mente e decidiria o melhor para ela.

— Harper, Warley.

— Slytherin!

“Covarde”, a voz mordaz apontou em sua mente.

— Jacobs, Elliot.

— Hufflepuff!

Ginny fez uma careta, ela não era covarde, só estava confusa e não sabia o que queria.

— Kelly, Evelyn.

— Ravenclaw!

Olhando para a mesa que batia palmas não pode deixar de admirá-los, pareciam tão fortes e adultos, queria ser assim também, além de respeitada e poderosa.

—  Kirke, Andrew.

— Gryffindor!

Essa era a mesa que mais gritava e fazia barulho, seria pura diversão e estaria com seus irmãos. Seria quase como estar em casa...

— Li, Sue.

— Ravenclaw!

“Mas você não queria tanto deixar a Toca? ”

— Lovegood, Luna.

Sim, mas... Luna! Ela soltou sua mão com relutância se sentindo muito sozinha enquanto a viu caminhar e se sentar no banquinho. Não demorou mais do que alguns segundos e...

— Ravenclaw! — Gritou o chapéu e ela bateu palmas empolgada pela amiga enquanto a mesa escolhida a saudava animadamente.

Luna lhe deu um sorriso sonhador e olhar carinhoso, antes de andar até sua nova casa.

— Merrywhite, Kellah.

— Gryffindor!

Ginny se sentiu além de feliz por sua amiga, pois era a casa que ela queria, onde se sentiria mais próxima a seus pais. Não tinha nada de errado em querer familiaridade, pensou, olhando para os irmãos com carinho.

— Munch, Edward.

— Hufflepuff!

Claro que ela queria deixar sua casa e vir para Hogwarts.... “Você até foi rude com a mãe”. A voz mordaz falou outra vez e Ginny engasgou chateada, isso não era verdade e sua mãe entendeu.

— Pritchard, Gorgan.

— Slytherin!

“Você será uma filha ruim se não for para a Gryffindor! ”. Não! Ela era uma boa filha, eles entenderiam.

— Pucey, Alison.

— Slytherin

“Você será uma covarde se não for para a Ravenclaw! ”. Não! Ela era corajosa, forte, podia fazer o que quisesse!

— Quirke, Otto.

— Ravenclaw!

“Você está com medo! ” Papai disse que não tem problema, é normal ter medo, pensou, teimosamente.

— Robins, Demelza.

— Gryffindor!

“Você tem medo demais para ser uma Gryffindor. ”

— Sloper, Jack.

— Gryffindor!

“E não é inteligente o suficiente para ser uma Ravenclaw. ”

— Summerby, Emerson.

— Hufflepuff!

“Aposto que o chapéu a colocará na Slytherin, pois você é uma filha ruim”. Não!

— Thickey, Kennedy.

— Ravenclaw!

“Uma irmã ruim! ” Isso não é verdade!

— Vaisey, Saymon.

— Slytherin!

“Você quer ficar longe dos seus irmãos por causa de um menino! ” Não!

— Ward, Jason.

— Hufflepuff

“Você não quer ficar perto deles porque não quer mais ser uma Weasley! ” Ela queria ser uma Weasley, ela era uma Weasley.

— Walker, Liane.

— Hufflepuff!

“Você é apenas uma menininha pequena e fraca...”. Não! Ela não era fraca...

— Weasley, Ginevra.

Ela demorou alguns segundos para perceber que era seu nome sendo chamado, estivera em uma intensa discussão consigo mesma, um lado seu que não gostava muito. O tempo de hesitação foi o suficiente para o único garoto além dela que estava esperando para ser classificado se aproximar com a intenção de alertá-la e sussurrar:

— É você agora, feiosa ou é estúpida demais para entender o seu próprio nome?

Ginny se engasgou com a agressão horrível e desnecessária, se apressando para o banco e tentando controlar a vontade de chorar e vomitar, ainda que seu rosto estivesse em chamas de constrangimento. Sentou no banco e colocou o chapéu que falou em sua mente, suavemente.

Hum.... Muita coragem, sim, sim, uma mente muito forte e corajosa, uma grande vontade de se provar e ser poderosa. Você faria bem na Slytherin, mas você quer fazer amigos, sim...

— Por favor, acho que quero ficar com meus irmãos... — Pensou Ginny suavemente e insegura.

Tem certeza? Seu desejo pela Ravenclaw é muito válido, você tem a vontade de ser uma poderosa bruxa o que Rowena sempre admirou, além de inteligência e espírito.

— Oh! Você acha? Mas... não quero deixar meus irmãos ou de ser uma Weasley....

Se é assim que quer, tudo bem, porque você também poderá ser grande na... Gryffindor!

Os gritos começaram quase que imediatamente e olhando para a mesa viu seus irmãos se levantando, batendo palmas e gritando em comemoração. Aliviada e trêmula, Ginny entregou o chapéu e correu até o George e se deixou se abraçar, não se importando se parecesse uma menininha boba. Ali, pensou, se sentia segura e protegida, fora a decisão certa, pois eles lhe cuidariam. Não era covarde, apenas estava longe de casa e como seu pai disse, era normal se sentir insegura e com medo. E estava tudo bem querer ficar com o familiar e seguro.

— Wilkes, Rolan.  

— Ravenclaw!

Sentada no meio dos gêmeos e festejada, Ginny quase perdeu a classificação do garoto odioso e ficou surpresa ao vê-lo ir para a Ravenclaw. Ele era tão horrível e, obviamente, um puro-sangue que julgara que ele seria um Slytherin. Ela o acompanhou com olhos cheios de fogo furioso e o viu se sentar ao lado de um outro garoto classificado. Seu olhar se desviou para os cabelos loiros sujos e compridos da amiga e Ginny sentiu seu coração se apertar. Uma parte dela sentiu-se triste e não pode deixar de pensar como teria sido incrível viver a aventura de ser diferente.

Então o banquete começou com tantas comidas deliciosas que Ginny se distraiu e riu com as piadas, brincadeiras e provocações dos gêmeos na direção dos amigos. Como se sentou no meio deles, acabou por ficar bem longe dos 1º anos da sua casa e olhou ansiosa na direção deles, esperava que pudessem conversar e se conhecer mais tarde. Quando a sobremesa acabou, o diretor Dumbledore fez alguns anúncios, incluindo a do novo professor de Defesa, Gilderoy Lockhart, o que fez Fred e George zombarem divertidos e imitarem a mãe deles quando ela o encontrou no dia dos autógrafos. Ginny riu, divertidamente e, então, cantou a música do hino de Hogwarts com eles e corou ao ser colocada de pé no banco pelos irmãos que se levantaram se exibindo dramaticamente. A mesa Gryffindor era a mais alta e cheia de risos, mais uma vez Ginny se sentiu em casa e feliz por sua decisão.

Quando eles foram liberados para irem para seus dormitórios, Ginny não seguiu com os colegas de ano e os monitores do 5º ano, ficou mais atrás esperando pelos Ravenclaws, queria dar um abraço em Luna e combinar de se encontrarem no café da manhã. As duas casas estavam indo na mesma direção e, Ginny manteve os cabelos ruivos dos irmãos a vista para poder segui-los e chegar a entrada de sua casa, enquanto se movia no meio dos alunos para poder chegar até sua amiga. Infelizmente, entre ser muito pequena para ver onde estava a Luna e ainda ser levada pela multidão, Ginny só conseguiu parar nos primeiros degraus da escadaria do saguão e, olhando para traz, se aproveitou que estava um pouco mais alta e esticou o pescoço para tentar encontrá-la.

Finalmente, a multidão diminuiu e apenas pequenos grupos andavam pelo saguão devagar e conversando, entre eles, Ron e seus amigos.

— Oi, Ron, você poderia me esperar para subir com você? — Disse ela quando o irmão se aproximou, ao ver sua expressão azeda, se apressou em explicar. — É que quero ver...

— Nem precisa terminar, imagino que você quer ver o Potter. — Disse ele com uma careta de desgosto, olhou em volta e antes que Ginny pudesse dizer qualquer coisa, gritou. — Ei, Potter!

Ginny se virou e viu um grupo de 4 alunos parando nos primeiros degraus e se virando na direção deles. Um dos garotos, o mais baixo entre eles e da mesma altura que a garota, deu uns passos para frente se aproximando. Ele tinha os cabelos negros bagunçados como se passasse as mãos por eles o tempo todo, olhos verdes brilhantes por traz de óculos cinzas e redondos. Seu rosto era muito bonito, maças do rosto alta, nariz forte, a boca não muito fina nem muito grossa e bem desenhada. Sua expressão era séria e curiosa, com uma sobrancelha negra arqueada e Ginny sentiu seu coração se acelerar, não acreditava que ia conhecer Harry Potter! E poderia agradecer pelos livros e vestes que usava nesse momento.

— O que foi, Weasley? — Perguntou com voz forte e direta.

— Só queria te apresentar minha irmã para que, assim, ela pare de me importunar, eu já aguentei suas perguntas sobre você o verão todo. — Disse Ron impaciente e grosseiramente. 

Ginny o encarou de olhos arregalados e empalideceu completamente chocada. 

— O que? — Harry perguntou e Ginny teria dito o mesmo se tivesse voz.

— Minha irmã, Ginny Weasley. — Disse Ron apontando para ela e por um instante seus olhos verdes a encararam. — Ginny, Harry Potter.

Ginny continuou a encarar os olhos verdes de brilho impressionante até que ele estendesse a mão, educadamente, para cumprimentá-la. Ela, imediatamente, corou e abaixou os olhos estendendo sua mão dominante, a esquerda, que foi segura e, elegantemente, Harry se inclinou como um cavalheiro. Seu coração disparou ainda mais forte.

— Prazer em conhecê-la, Srta. Weasley. — Disse ele formalmente.

— O prazer é meu, Sr. Potter. — Disse ela timidamente, ainda que tenha se lembrado das aulas de etiqueta da avó, Cedrella Black.

— Ótimo. Agora poderia me deixar em paz? — Ron quebrou o momento falando com ela com grosseria e antes que Ginny pudesse se virar e lhe dar uma boa resposta, continuou. — E, se eu fosse você, tomaria cuidado, Potter, ela com certeza vai querer um autógrafo, pois é uma grande fã. Isso se não estiver planejando o casamento de tanto que falou de você o verão inteiro.

Ginny arregalou os olhos encarando o irmão magoada e ficou tão vermelha de constrangimento que não teve coragem de olhar para o Harry outra vez, então não viu sua expressão chateada na direção de Ron.

— Verdade? — Seu tom era leve e suave, mas quem o conhecia sabia que não era algo bom.

— Sim, apenas veja como ela está toda vermelha. — Disse Ron satisfeito de constranger a irmã um pouco por atormentá-lo durante o verão. Os gêmeos iriam parabenizá-lo por essa brincadeira.

— Hum.... Interessante. Então, é por isso que você estava corando a todo momento no ano passado quando nos conhecemos? Porque, você é um fã? — Harry sorriu com sarcasmo e um pouco sombrio. — Espero que não tenha se desapontado muito por não ter lhe dado um autógrafo.

— Eu... eu não....

Ginny olhou para o rosto vermelho feito um tomate do irmão, que gaguejava tentando se defender e depois para Harry que a encarou e ao ver a expressão de assombrada satisfação dela, lhe deu uma piscadela divertida. Seu coração pareceu que ia explodir ao perceber que ele estava defendendo-a e se vingando do seu irmão por sua grosseria.

— Sim, aqui, bem agora, espero que todo esse corar não signifique que você está prestes a me pedir em casamento. — Disse ele e seus amigos bufaram tentando conter o riso.

Ginny colocou a mão sobre a boca ou poderia gargalhar sem controle de diversão e nervosismo. Ron fez um som estrangulado e ao olhar para ele, percebeu que não estava apenas constrangido, também estava furioso, mas ela não sentiu pena nenhuma. O que ele lhe fizera era imperdoável e merecia retorno.

— Escute, Potter...

— Não, escutem vocês dois, não estou interessado em fãs, perseguidores, curiosos ou pessoas tolas o suficiente para não enxergarem o que está bem diante de seus narizes. — Disse ele e sua voz se tornou mais dura e fria, Ginny sentiu um arrepio e o encarou com seus grandes olhos da cor do chocolate cheio de surpresa e magoa. — Assim, sou eu quem peço, me deixem em paz!

Em seguida, ele se afastou na direção dos amigos e, apressadamente, eles subiram a escadaria de mármore. Ginny os olhou sentindo seu coração se apertar de tristeza, não era assim que planejara encontrá-lo, queria conhecê-lo a tanto tempo e seu irmão estragara tudo! Ela se virou para ele furiosa e para seu benefício, Ron parecia arrependido e constrangido.

— Como você pode!? — Disse Ginny, magoada e feroz.

— O que? Não é minha culpa, eu te disse que ele era um idiota.... — Mas Ginny não o escutou e lhe deu um chute na canela.

— O único idiota aqui, é você! — Disse e, ignorando seu grito de dor, subiu as escadas furiosa e lamentando porque, além de tudo, perdera a Luna.

Na metade do caminho encontrou com Percy que a estava procurando muito zangado.

— Você deveria estar com os 1º anos! Acabamos de chegar e você já está me dando trabalho, não tenho tempo para ficar te vigiando como se fosse um bebê, Ginevra.

— Eu não sou um bebê e não me chame de Ginevra. — Disse Ginny ainda furiosa. — Estou perfeitamente bem, sei que a entrada fica no 7º andar, Percy, ouvi vocês falando sobre isso minha vida inteira.

— Sim, mas por um acaso você sabe a senha? — Respondeu e ao ver sua hesitação, continuou presunçoso. — Exatamente, você deveria ter seguido os monitores com os 1º anos e não me fazer te procurar. Se não quer ser chamada de bebê, sugiro que aja com mais reponsabilidade.

 Os dois entraram na sala comunal bonita e convidativa da Gryffindor, depois que Percy disse a senha, “maçarico”. Ginny olhou em volta, haviam apenas alguns alunos mais velho e a lareira estava acesa, ela sorriu, se sentindo em casa.

— Nem pense em ficar por aqui. Suba e vá para a cama, amanhã começam as aulas e não quero ouvir que você dormiu ou não deu atenção as lições. Esteja no máximo até as 8 horas no café da manhã, nossa chefe, a Prof.ª Vector entregará seus horários. — Disse Percy arrogantemente.

Ginny fez uma careta, mas não discutiu e subiu as escadas indicadas, seu irmão e sua atitude também a lembravam de casa e de uma maneira não positiva. A parte dela que lamentava não ter ido para a Ravenclaw ficou um pouco maior depois do que Ron fizera e da atitude mandona de Percy.

No primeiro andar haviam várias portas estavam fechadas e uma tinha seu nome. Ela a abriu e encontrou um quarto bonito e espaçoso, tinha uma cama grande com dossel e cortinado roxos, lençóis brancos e cobertores vermelhos. Também tinha um guarda roupa, uma mesa e cadeira para estudos e uma estante para livros. Duas janelas, fechadas no momento, mostravam a escuridão lá de fora e Ginny ficou parada na porta tentando entender, seus irmãos sempre disseram que os alunos dividiam um dormitório. Entrando e fechando a porta, abriu a única outra no quarto e encontrou um banheiro. Uau! Um banheiro só para ela! Isso era muito, mas muito bom.

Decidiu tomar um banho na manhã seguinte e, rapidamente, abriu seu baú e trocou suas vestes por uma camisola. A cama era muito convidativa e ela se sentia exausta, mas prometera a Tom lhe contar sobre o dia de hoje e sua classificação, assim pegou o diário e se sentou na mesa. Ginny estremeceu sentindo frio e lamentou não ter uma lareira, abriu o diário e com a pena escreveu:

Querido, Tom, o dia de hoje foi, inesperadamente mais difícil do que eu esperava e estou classificada na Gryffindor.

“Olá, Ginny, querida, sinto muito por seu dia difícil e parabéns por estar na casa dos corajosos, sabia que tinha coragem de sobra em você. ”

Obrigada, mas não me senti corajosa, estava com medo e cheia de dúvidas, meu pai disse que era normal...

“Seu pai está certo, o que você está sentindo é normal, minha querida amiga, eu mesmo também estava com medo quando deixei o orfanato e fui para Hogwarts. Minha classificação na Hufflepuff foi um alívio e pude fazer muitos bons amigos. Tenho certeza que o mesmo te espera. ”

Verdade!? Me sinto mais aliviada, estive me sentindo tão estranha e não como eu mesma o dia todo. Minha amiga, Luna até me disse....

E, assim, Ginny contou sobre seu dia sem perceber que as horas passavam quando deveria estar dormindo como seu irmão lhe ordenara. E, sem perceber que estava abrindo seu coração e compartilhando sua alma com o seu maior inimigo.

 

 


Notas Finais


Olá, queria apenas dar uma pequena explicação do que aconteceu com a Ginny neste capítulo. Todos nós temos interpretações do fatos originais de Harry Potter, principalmente, aqueles sem explicações claras seja em algum momento posterior, nos outros livros, ou pela JK. Assim, a minha interpretação é que Ginny viveu no livro a Câmara Secreta um grande pesadelo e não estou falando de ser possuída. Claro que isso é horrível, mas esses eram momentos em branco, ela mesma os descreveu na Ordem da Fênix, eram tempos, horas perdidas, não compreender ou se lembrar onde ou porque estava onde estava e assim por diante. Mas para mim, estar de posse de uma horcrux foi, terrivelmente pior por tudo o que sabemos de seu poder e influência, Ron, de 18 anos e que sabia que tinha uma horcrux em seu pescoço, não foi forte o suficiente para resistir ao seu poder. Uma menina, uma criança de 11 anos, cheia de duvidas, inseguranças, receios, pressões não poderia nunca resistir, assim o que eu tentei mostrar foi como a horcrux ampliou todos esses sentimentos negativos que deveriam ser naturais pelo contexto, mas que infelizmente, foram contaminados e deturpou toda a experiencia, que deveria ser especial e nunca tão difícil como foi.
Espero que tenham gostado e não deixem de revisar e me perguntarem se tiverem alguma dúvida.
Até mais, Tania.


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